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Uma Amiga Inesperada

O despertador tocou tirando-me de um sono leve. Sentei na cama e as luzes se acenderam lentamente. Olhei envolta para as paredes acinzentadas do meu quarto e bocejei, me espreguicei e fui cambaleante até o banheiro onde tomei um banho quente e longo. Vesti meu uniforme e me dirigi à cozinha onde minha filha, Manu, comia com uma de suas namoradas. Cumprimentei–a e fui servida um copo de café.

— Dormiu bem?

— Dormi melhor hoje. — Sentei-me. — Acho que agora a dose está certa.

— A senhora está tomando remédio para dormir?! Se Manu tivesse me falado antes eu a teria dado umas ervas para fazer chá. Muito melhor que esses comprimidos.

— Não se preocupe, meu médico disse que são seguros.

— É o que eles sempre dizem... — Comentou Manu.

Sorri em concordância, mas assim que pude mudei de assunto. Enquanto comia bolo e frutas perguntei como elas haviam se conhecido, Manu começou a contar animadamente, mas antes que pudesse terminar, Lucy a interrompeu grosseiramente.

— Maria? — Sua voz soava no cômodo todo, como um fantasma. — Está quase na hora de irmos.

— Ainda não consegui me acostumar com ela. — Desabafei. — Preferia bem mais Abel, ele era mais educado, Lucy é muito rude.

— A empresa da Lucy comprou Abel e juntou os dois, tecnicamente ambos são a mesma coisa — Respondeu Manu.

— Mas a voz e a atitude são diferentes, eles devem ter excluído Abel. — Suspirei. — Ah não sei, alguma coisa nela não me agrada.

— Eu também não gosto muito da Lucy. — Comentou Dani. — No distrito leste, onde meus pais moram, havia um chamado Eliel, ele era mais educado também só que não tão útil quando Lucy. Ele era bom para tarefas diárias, mas não se conectava com todos os aparelhos da casa.

— Nunca ouvi falar desse. — Comentou Manu.

— Ele só funcionava naquele distrito, mas Lucy o comprou também.

Lentamente levantei, terminei minha xícara num gole e me despedi. No corredor, peguei minha máscara e ao sair de casa vi como a lua estava escura. Observei meu bairro iluminado apenas por grandes postes de luz que não conseguiam vencer a falta de sol. Instantes depois um veículo parou na minha frente, entrei.

Seguimos até a borda da redoma. Ao contrário da maioria da população eu não trabalhava no centro comercial e nem para as grandes empresas, eu tinha um dos poucos trabalhos governamentais em Bralis. Eu trabalhava na ACTG, um órgão governamental que engloba a entrada e saída de produtos, imigração, trânsito de pessoas e a guarda de fronteira.

O veículo dirigiu-me até um gigantesco prédio que ficava acoplado na borda da redoma. Lucy permitiu minha entrada. Passei por uma grande fila de homens que seguiam até um dos hangares e entrei no elevador. Enquanto subia, eu observei os massivos hangares para entrada e saída de naves particulares e ônibus espaciais além de foguetes não tripulados com cargas de containers com toneladas de alimentos, produtos e grandes cilindros de oxigênio.

Subi até o trigésimo nono andar onde paredes brancas se estendiam por grandes corredores estreitos que levavam à pequenos escritórios. Caminhei até minha sala, sentei-me atrás de uma pequena mesa de madeira e comecei a trabalhar. Havia uma tela fina e maleável na qual todas as informações que eu precisaria estariam disponíveis.

— Lucy, mostre-me as solicitações para hoje.

Na tela apareceu dezenas de pedidos. O primeiro era a saída de um ônibus espacial. Uma empresa da colônia Panis, entre marte e a terra, contratara trabalhadores para fazer reformas. Outro pedido era a transferência de presos para a colônia prisional. Estava distraída, lendo e verificando solicitações quando Baltazar entrou de supetão na minha sala, assustando-me. Abriu um sorriso imenso ao me ver e fez um sinal para me aproximar, a passos largos fui até a porta.

— Outra vez. — Sussurrou. Em sua mão, sua tela. Ele fingia mostrar-me alguma coisa enquanto observávamos o chefe do nosso departamento passando pelo corredor mancando e com o olho roxo mal disfarçado com maquiagem.

— É o que? A segunda vez no mês?

— Terceira. — Respondeu. — Se ele ficou assim como será que ficou a mão do adversário?

— Para com isso. — Sorri. Entramos na minha sala e Baltazar fechou a porta. — Ele deu alguma desculpa?

— Acho que ninguém tem coragem de perguntar. — Sorriu. — Você sabe se o parceiro dele é violento?

— Nunca vi ele.

— Você já sabe o que eu acho né.

— Não comece com suas teorias da conspiração. — Baltazar tinha uma ideia maluca de que os poderosos de Bralis decidiam o rumo do estado lutando entre si.

— Ninguém provou que eu estou errado.

— E você nunca provou que está certo. — Comentei. Ele sorriu.

— Como esta Manu?

— De namorada nova. Não sei como ela aguenta tantos relacionamentos de uma só vez, eu mal dou conta de um.

— Ela vai sossegar quando casar comigo. — Disse confiante e eu me segurei para não gargalhar ao ouvir aquilo.

— O dia que Manu casar é o dia que vai chover em Bralis.

Baltazar voltou para sua sala alguns minutos depois e eu voltei a me concentrar nas tarefas a minha frente. Analisei as solicitações e de todas as que havia ali, liberei apenas duas. Finalmente o estado decidiu limpar as ruas. O lixo recolhido foi comprado por uma empresa terrestre para ser queimado em uma usina de plasma, eu só precisei liberar a entrada da nave para a retirada do lixo. O segundo foi a saída dos presos de Bralis para a colônia prisional.

Quando meu turno matinal terminou fui a passos largos até o restaurante do prédio. Ali nunca havia muitas pessoas, pois o horário de almoço era diferente para cada funcionário. Sentei-me com um prato de frutas e legumes e enquanto comia, lia as próximas solicitações.

— Posso sugerir uma distração? — A voz de Lucy soou pela minha tela. — Posso ver que está inquieta. — Revirei os olhos.

— O que sugere?

— Você assistiu o último filme do Jounn To-Ho Gonzalies, Wormhole?

— Assisti. Muito fraco.

— Eu também fiquei decepcionada com o final. Suicídio foi um jeito inteligente de terminar aquela história.

— Sou obrigada a concordar com você. Marcianos são muito dramático com seus finais.

— Como você terminaria a história? — Surpresa com a pergunta, refleti por um instante.

— Não sei. Daria um final decente ao Adrian, ou construiria melhor a história para o final fazer sentido.

— Eu tiraria aquelas cenas dele com o pai.

— Verdade. Não entendi até agora porque eles conversaram tanto. — Tentei lembrar mais coisas que aconteceu na história. — Eu tiraria meia hora do filme, não é preciso um filme ter quatro horas e meia para ser bom.

Conversamos durante alguns minutos enquanto eu acabava de comer. Voltei para a minha sala um pouco mais leve e enquanto trabalhava, Lucy e eu discutíamos filmes. No início estranhei como uma inteligência artificial tinha tantas opiniões sobre mídia, mas seus comentários eram engraçados e incitavam uma discussão tão interessante que eu deixei de me importar.

Lucy e eu conversávamos sobre música quando meu turno terminou. Eu não tinha nenhum aparelho para levá-la comigo e só conseguia conversar com ela em casa e no trabalho, então quando fiz a minha viagem para casa, senti que foi a mais longa em anos. Mas quando cheguei, Lucy já me esperava. Ela abriu a porta para mim e ao entrar na sala, encontrei Manu e Dani se arrumando.

— Onde vão?

— Fomos convidadas para ir em uma das manifestações! — Manu não conseguia esconder sua animação.

— Nunca fui em uma manifestação. — Confessou Dani. — Estou nervosa, nem sei como me vestir.

— Quem convidou vocês?

— O homem do seu trabalho. Aquele com um nome horrível... como é mesmo?

— Baltazar. — Sorri. Ele não desiste.

— Isso. — Sorriu.

Ambas se despediram e saíram animadamente. No quarto, enquanto trocava de roupa, Lucy chamou-me.

— Quer que eu lhe prepare um banho?

— Você consegue fazer isso?

— Se você me permitir acesso aos eletrônicos da casa, eu posso fazer tudo. — Pensei por um instante. Que mal fara?

— Pode acessar.

13 апреля 2020 г. 16:14:10 0 Отчет Добавить Подписаться
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