sweet-mary Mary

Senti vontade de escrever uma carta aberta para o meu (futuro) amor, amor esse que ainda não tem uma face, uma entonação, um jeito de abraçar, beijar e cuidar. Um amor que ainda vive no campo das ideias, cuja possibilidade me alimenta de esperança para sobreviver num mundo que não me enxerga, numa realidade que odeio com todas as forças.


Документальная проза Всех возростов.

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Короткий рассказ
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Para você,

Por enquanto, você é o meu maior sonho. O meu impossível. Aquilo que eu desejo quando vejo as horas exatas, recebo o novo ano ou assopro as velas de aniversário, um dente-de-leão ou deixo uma joaninha andar pelo meu antebraço e depois voar faceira para longe. O beijo que eu espero desde os meus treze anos. O abraço que vai remendar meu coração tão machucado por desamores, decepções e desencontros.

O meu verdadeiro amor.

Por enquanto, eu sou aquela moça tímida e solitária, que os vizinhos zombam de ser só uma reles solteirona, que nunca namorou na vida e apenas observou todos os outros encontrarem seus pares e “serem felizes nas redes sociais”, que sempre vê as outras moças tão bonitas, tão mulheres, com o celular em mãos, lendo uma mensagem, quiçá daquela pessoa especial cuja foto está no papel de parede do WhatsApp e no plano de fundo do aparelho, digitando algo, talvez combinando um encontro, sei lá.

Às vezes eu queria ser qualquer uma delas só para alguém me amar um pouquinho que fosse.

Esse amor.

Esse tipo de amor.

Ponho-me a imaginar como deve ser a sensação de receber um áudio da pessoa que você ama, de ler um “não se esqueça de levar o casaco”, “alimente-se direitinho! ”, “durma bem, sonhe com os anjos! ”, saber que você pode conversar com o seu amor na hora do almoço ou antes de dormir, como deve ser bom ter alguém que nem sempre pode estar fisicamente perto, mas se faz presente mesmo assim, através de uma vídeo chamada, te mandando músicas, te contando como foi o dia, te pedindo um conselho, te escutando e agradecendo a Deus por ter te conhecido. E se você for sortuda, dormir e acordar com (insira o apelido fofo que quiser) todos os dias.

Eu sou aquela que sempre chora no dia dos namorados.

No primeiro ano do ensino médio, o primeiro doze de junho em que me dei conta de que não queria morrer sozinha, vi minhas colegas de turma ganhando presentes dos namorados, cartas longas, ursinhos de pelúcia, buquês suntuosos, mensagens ao vivo (tudo bem, talvez você ache tosco e brega, mas coloque-se no meu lugar, eu passei despercebida no ensino médio) e sonhava em segredo que eu não seria um patinho feio para sempre, que quando eu crescesse, seria uma mulher linda, poderosa, bem-sucedida e muito desejada, nunca mais passaria a tal data “assombrosa” comendo besteira e amargando a sensação de que minha vida não vale nada.

“É só uma data comercial”, diz minha mãe.

“Esse é o último que eu vou passar sozinha”, digo a mim mesma, já de noitinha, depois de estar com os olhos inchados e o peito dolorido de tanta tristeza.
No fim das contas, junho sempre chega e eu continuo sendo o patinho feio e estou sempre triste no aniversário da minha irmã, na véspera do “dia assombroso”. Ei, é a sua futura cunhada, viu?

As meninas com quem estudei, se foram solteiras algum dia nessa encarnação, deve ter sido na infância porque a maioria das que conheço já namoravam desde a sexta série, nunca ficaram sem namorado por mais de duas semanas e tanto assim é que hoje estão casadas e são mães, enquanto eu nem sei o que é um beijo de amor.

Eu já travei várias batalhas contra o espelho, mudei a cor do cabelo, cheguei a ser anoréxica e quase perder a vida por causa disso, pensei em colocar lente nos olhos, culpei o meu signo, hoje em dia amaldiçoo a escola onde cursei o ensino médio porque tenho a impressão de que todos os meninos mais escrotos de Curitiba estudavam na minha sala, numa proporção assustadora.

“Mulher pra mim é fulaninha”, diziam eles, que adoravam as periguetes loiras (até as de farmácia estavam em alta conta), que tinham cabelo comprido e liso (valia até de chapinha), que usavam calça de cintura baixa para mostrar o piercing no umbigo e a barriga seca que me fazia parar de comer. Foi tentando ser como elas que a anorexia me arrebatou e até hoje, quando me olho no espelho, por mais que as pessoas ao redor digam que eu sou uma bela mulher e insisto em ver defeitos físicos que não existem, eu vejo aquela adolescente com os olhos molhados, inadequada, rejeitada, que só sentia representada pela menina do clipe Numb, do Linkin Park.

As beldades do ensino médio podem se lembrar daqueles anos com carinho e querer ter toda aquela gente na lista de contatos. Já eu, por minha vez, sinto-me uma criminosa, ainda que não tenha derrubado sangue nem nada do tipo. Com tristeza concluo que a minha condição de solteira é o meu carma, o meu castigo.

Inúmeras noites eu já pedi perdão a Deus por todo e qualquer pecado que eu possa ter cometido antes dos 14 anos e nem tenha me dado conta. Eu não quero morrer sozinha, ser a louca dos gatos, mofar num asilo.

Por mais que eu venha a ser jornalista e mais adiante alcance o nível que desejo no que tange à escrita, nada me preenche porque carro, celular, casa, viagens, roupas, cosméticos, tudo isso o dinheiro pode me trazer, mas, e o verdadeiro amor?

Dinheiro não compra o verdadeiro amor. Não mesmo.

Não sei se me dirijo a um homem ou uma mulher, eu não me atento para este detalhe, afinal de contas, sua genitália é o que menos importa.

Se seu caráter for bom, se você honra a sua palavra, é o tipo que faz acontecer e não inventa desculpas para martelar as tábuas que faltam para a ponte ficar pronta e o percurso ser viável, eu já posso dizer que te amo, te amo sobremaneira, porque eu admiro quem luta por seus sonhos e ideais sabendo que existem obstáculos, mas não se acovarda, persevera porque desistir é uma alternativa pouco atraente e digna.

Você nunca desiste de verdade de um amor. Se alguém que te disse aquela frase, mas foi embora, não significa necessariamente que ela não tenha te amado com todas as forças, não pense por esse lado, talvez vocês se encontraram porque tinham uma missão a cumprir e assim que isso aconteceu, cada qual precisou seguir para o próximo passo.

Quem desperta o amor em alguém sem a intenção de corresponder, apenas no afã de afagar a vaidade, essa pessoa sim pode ser chamada de covarde.

Seja você quem for, meu grande amor, Deus vai encontrar um meio de nos reunir. Perdoe-me a demora em lhe escrever, acontece que eu estou despertando de um longo inverno e movimentos muito bruscos me assustam, meu corpo inteiro dói. Eu estou me redescobrindo e preciso também esclarecer alguns pontos importantes para que possamos seguir adiante.

Apesar de eu nunca ter vivido um grande amor, uma pessoa antes de você se achegou, me iludiu a ponto de eu lhe entregar o meu coração, e sabe como ela me devolveu?

EM PEDAÇOS.

Isso mesmo.

Eu não fui o bastante.

Antes de tudo começar, acabou...

Sem eu me dar conta, as mensagens não chegavam, as dúvidas se agigantavam e eu me sentia uma tremenda estúpida.

Eu me tornei uma morta-viva, chorando no meu quarto, escrevendo sobre coração partido, pensando no que a outra moça tanto tinha que me faltava, incapaz de aceitar a realidade, a realidade cruel que se postou à minha frente e terminou de quebrar o meu coração.

Aquela garota alegre, inocente, meiga, sonhadora... bem, ela caiu num sono profundo... por um tempo, pensei que ela tivesse morrido, tamanho foi o choque... e às vezes eu não choro por esse idiota que rejeitou o afeto que eu queria lhe oferecer, eu choro por mim mesma, por quem eu era antes dele, pelos sonhos de amor que eu tinha e se tornaram tão pequenos, tão ridículos, tão sem sentido.

Deixar de sonhar tirou um pouco da magia que a minha escrita tinha. Passei a evitar romances, tanto ler quanto escrever. No fundo, eu sempre me via materializando a minha própria dor nas histórias e perdia o ânimo de prosseguir.

Para que ninguém mais me machucasse, brincasse com os meus sentimentos e tentasse me iludir para depois fugir, me fechei numa concha para me nutrir da dor até me fartar e me embriagar de amargura, até não conseguir mais respirar de tanto chorar, entretanto, entendi que o verdadeiro amor não me deixaria em frangalhos, despersonalizada, no fundo do poço, abandonada na escuridão à própria sorte, pois Jesus não morreu na cruz para eu levar uma vida medíocre e sofrer por um embuste.

Perdoar é a parte mais difícil desse processo porque tenho plena consciência de que ele não se arrependeu, nunca me escreverá uma carta me pedindo perdão por todos os danos emocionais que me causou, dizendo que lamenta o fato de ter me deixado ir, por não ter valorizado a sorte que teve em me encontrar. Ele nunca reconhecerá que foi escroto, grosseiro, me tratou como lixo e me abandonou quando eu mais precisei de calor humano, de alguém que mesmo de longe me mandasse sua positividade. Eu tenho de me libertar sozinha dos grilhões e, mesmo ciente de que você não vai ter o privilégio de conhecer a garota sonhadora que um dia fui, abençoar o destino dele, ainda que tal embuste não mereça tamanha compaixão.

O deslize dele custou caro demais porque eu passei a vê-lo em todos os outros homens. Ainda não estou totalmente curada, toda vez que um cara se aproxima e eu farejo segundas intenções porque o modus operandi de embuste é muito óbvio, fujo, bloqueio, tenho náusea.

Teve uma época em que eu havia decidido ser a louca dos gatos, sabe por quê?

Porque doía.

Ainda dói se você ler os meus poemas escritos até 2014 e os de 2015 para frente, você nota claramente a desesperança que se avizinhou em mim e me impediu de ver que por mais escura que venha a ser a noite, sempre volta a amanhecer e não há inverno que perdure, o ciclo natural das coisas é que a primavera volte.

A rejeição sempre dói.

Você se sente a pior pessoa do mundo, não importa se mil disserem que você é incrível, você gostaria de ouvir isso daquele que te deu as costas e rejeitou o amor que você queria lhe dar. Abra o coração, você já enfrentou semelhante situação.

Presumo que se você tiver mais ou menos a minha idade ou talvez alguns anos a mais, já viveu algo sério com alguém e tudo que você viveu e experimentou ANTES de me conhecer faz parte da sua história. Se foi bom é saudade, se foi ruim, te fortaleceu e te preparou para mim.

Enquanto você não vem, eu cuido do meu coração porque você irá morar lá e por isso eu passei aspirador de pó no estrado da cama, no colchão, troquei os lençóis e fronhas, estendi uma colcha nova, tirei pó dos móveis, joguei fora a sucata, me desfiz de tudo que perdeu o sentido, atualmente conserto as dobradiças da porta porque ela range um pouquinho quando venta forte, troco os vidros porque na última tempestade de granizo, alguns pedaços trincaram, redecoro os ambientes, pinto as paredes, tomo conta dos jardins e dos animais e espero que você goste de bolo de chocolate porque será muito divertido um dia desses preparar um para tomarmos o café da tarde. Saiba que eu ainda gosto de lamber as sobras da massa na tigela e, modéstia à parte, ninguém resiste à minha sobremesa.

Tomara que você goste de cozinhar e me prepare muitos pratos gostosos, quem sabe se você me ensinar com carinho, de vez em quando eu não prepare um jantar especial para te receber depois do trabalho?

Tomara que você goste de abraçar, porque eu gosto. E que você beije a minha testa, só para eu poder fechar os olhos e sentir aquele friozinho gostoso na barriga.

Tomara que você seja o tipo de pessoa que não gosta de indiretas, prefere se sentar e resolver as pendências como gente adulta. Se estiver com vontade de me beijar, peça. Respeite o meu corpo, a minha hora, os meus desejos, lembre-se de que eu também preciso estar satisfeita na cama e que se houver consentimento, respeito, diálogo, carinho e compreensão, teremos muita diversão debaixo dos cobertores. Ah, seja aquela pessoa fofa que me dá "bom dia", "boa noite", pergunta se eu comi direitinho, me hidratei... faça o que os outros não fizeram: olhe nos olhos, porque eu existo, por todo esse tempo, eu fui só aquela que viu as outras serem amadas, seja, por favor, a pessoa que vai me mostrar por que tive de esperar tanto.

Tomara que você tenha senso de humor, saiba levar a vida a sério porque é preciso e não dá para rir de tudo o tempo inteiro, mas tenha uma tirada engraçada para lidar com pequenos imprevistos sem criar um drama exagerado em cima de algo tão pequeno. Bom, também seria legal se você gostasse de uma zoeira porque santo ninguém é, se você fosse fã de Chaves e até de vez em quando repetisse frases aleatórias, seria incrível.

Tomara que você seja aquele tipo de pessoa que utiliza as redes sociais com comedimento, sem forjar um personagem perfeito só para angariar likes. Que você não seja de extrema-direita e nem de extrema-esquerda, porque os dois lados fedem e eu admito publicamente que não tenho "político de estimação", não coloco a mão no fogo por ninguém, então, espero que você também seja o tipo de pessoa que acolhe e não aquela que fica discutindo, querendo ter a razão a qualquer custo.

Tomara que você goste de ver televisão, digo, bons programas, porque se garimpar, sempre tem. Que você goste de futebol e perdoo até se você torcer para Vasco ou o Palmeiras, pois quem te escreve é uma flamenguista de berço. É sério, eu torço para que você seja uma pessoa que aprecie as coisas mais gostosas da vida, como estar em família, assando um churrasco (se você não for uma pessoa "carnívora", bem, podemos pensar noutra forma de reunir as pessoas com comida em volta), proseando, que você queira progredir sempre, só que sem pisar em ninguém.

Tomara que a gente seja aquele tipo de casal que todo mundo para, olha e nota a sintonia, que a gente possa conversar sobre tudo sem pisar em ovos, por horas a fio, que às vezes até no silêncio a gente se entenda.

Tomara que você, ao se aproximar de mim, passe a planejar a vida na primeira pessoa do plural. Porque se você fizer aquele pedido, a resposta é... SIM!

Sim, eu quero.

Só te advirto de uma coisa: eu não quero que a nossa filha se chame Sofia. Sou uma das únicas pessoas que acham esse nome sem graça e batido, né? Sofia é muito modinha e já tem Sofia demais no mundo. Eu já escolhi os nomes dos meus rebentos, caso seja abençoada de tê-los.

Quando a gente estiver vivendo esse momento, eu te conto, pois não quero que ninguém copie e não vire modinha, apesar de que Helena e Laura, mesmo sendo os mais registrados atualmente, são belos. Helena é super tradicional e é o nome da minha primeira protagonista, Laura é lindo também.

Eu não vou me sentir inferior se você segurar a porta para eu entrar em algum lugar ou abrir a do carro, se me oferecer o casaco ao notar que estou com frio, eu interpreto tais atitudes como gentilezas e nem sempre significa que você queira tirar vantagem porque eu faria o mesmo por você, simplesmente por fazer, sem esperar retribuição.

Eu não sei dançar, mas gostaria de saber se você curte Sade, se você dançaria uma lenta comigo, só para eu poder encostar a cabeça no seu peito, sentir seu cheiro na roupa. Tomara que você também não goste de funk, sertanejo universitário e curta pop rock das antigas, até me apresente a algumas bandas legais. Muitas coisas podem ser ditas com uma letra de música, isso é, música de verdade, não o que andam fazendo aqui no Brasil.
Tomara que você goste da minha escrita, mesmo que já tenha lido os grandes autores, que você não seja aquele tipo de pessoa que se sente superior às outras em razão do gosto literário ou leia textos para classifica-los como fúteis, superficiais, procurando apenas os erros e nunca reconhecendo os acertos.

Tomara que você seja aquela pessoa que sempre recomenda uma obra para ler, faça uma citação pertinente a algum momento vivido e, claro, goste do privilégio de saborear meus textos antes de todo mundo, porque se você conquistar a minha confiança, não se irrite se eu lhe contar alguma história e cair na risada, vai ser engraçado se você rir comigo, me der palpites e diga com orgulho que sua amada escreve.

Tudo bem, tem muitas moças lá no Wattpad que são famosas, populares, ricas e vivem dos livros que escrevem, eu não tive a mesma sorte que elas porque fizeram bullying comigo e não me deixaram ter o meu espaço, por isso depois de tantas pauladas, eu cheguei a um ponto em que parei de escrever e então, depois de minha vida ter perdido todo o sentido, fiz-me a seguinte pergunta:

— O que me motivou a escrever quando eu era criança?

— Porque eu tinha vontade, ué!

— Eu pensava em ser best-seller?

— Não, só achava legal escrever, ler e rir das coisas que escrevi, e de fazer as pessoas rirem também.
— E quando foi que eu quis ir para o Wattpad e medi o valor da minha arte pelo número de curtidas nas histórias?

— Por causa daquele cara. Ele era médico e eu estava ouvindo falar que no Wattpad, as meninas que escreviam originais eram valorizadas e algumas nem terminavam de publicar as histórias porque as editoras as convidavam para publicar livros físicos.

— Hum, deixa eu ver se entendi... eu queria ficar famosa para supostamente estar à altura dele?

— É...

— Ele merecia tudo isso? Que eu deixasse o Nyah, onde tinha leitores que gostavam de mim, para ir para um lugar onde as pessoas me maltrataram e praticaram bullying pesado contra mim até o ponto de eu acreditar que não tinha talento? Onde ele esteve enquanto eu passei por tudo isso? ELE NÃO ESTEVE NEM AÍ. ELE NUNCA MERECEU.

— Não mesmo, mas eu demorei até entender.

— Longe do Wattpad, eu sou mais feliz?

— Muito, muito mais. Eu me sinto livre. No Inkspired eu tenho medo de comentários porque tem pessoas lá que parecem ler só para caçar erros e texto perfeito não existe, eu já tentei escrevê-lo, entretanto, entendi que apesar de ser muito bom aprimorar a escrita, o texto perfeito é aquele que pode ser escrito, no qual eu entrego meu coração e minha alma, mas apesar de tudo, pelo menos lá nesse lugar, eu posso postar minhas histórias e mesmo que nem sempre receba comentários, tem visualizações, ou seja, tem gente lendo, eu só não sei quem são essas pessoas. No Nyah sempre foi mais difícil de conseguir leitores e às vezes o problema não é conseguir, é manter, pois no meio do caminho eu posso ter um bloqueio criativo ou então eles terem algum problema pessoal e não darem continuidade à leitura ou as expectativas não se cumprirem. Os leitores são livres para pararem de ler.

— Eu poderia terminar uma história sem receber comentários?

— Quando eu escrevia A Governanta no Word 97 de um Windows 98, por acaso eu tinha um séquito de fãs, proposta de três editoras diferentes e até emissora de TV querendo os direitos da história para transformá-la numa telenovela? Não! Mas ela era a minha novela, eu escrevia por amor, desenhava os personagens por amor, pensava com carinho na trilha sonora, em cada detalhe, xeretava o Wikipédia porque queria que A Governanta fosse novelas da sete e queria saber que erros eu não deveria cometer, o que as novelas de sucesso tinham de especial, qual era o segredo delas. Eu era uma garota muito feliz, muito, muito, muito mais feliz do que fui durante a passagem pelo Wattpad, posso jurar por Deus.

Se você me amar mesmo sabendo que as autoras populares no Wattpad já apareceram na TV, em canais no Youtube, são celebridades no Instagram, têm milhares de fãs alucinados, formando filas quilométricas para receber autógrafos na Bienal do Livro, sério, você é um achado.

Se você acreditar em mim, mesmo sabendo que eu não tive a mesma sorte que elas, quero te proteger de todo mal, porque você merece.

Ah, decidi voltar a escrever porque a realidade é chata, apesar de necessária e inescapável. Eu gosto desse escapismo, com a condição de que eu não prejudique a ninguém, tudo certo. Talvez o que Deus tem preparado para mim seja maior e melhor do que publicar por uma editora e me tornar um robô que publica “receita de bolo” onde só mudam os nomes dos personagens e quiçá a ambientação porque até a capa, depois de certo tempo, se padroniza.
Apesar de saber que preciso ter um ganha-pão, não queria monetizar minha arte, não estou sendo arrogante, não pense em mim dessa forma, como se eu me julgasse um gênio, porque não sou. Eu não quero que minha escrita fique pasteurizada, ser obrigada a me adaptar ao que está em voga. Não quero abrir mão da minha autenticidade, ponto.

É isso.

E eu tenho visto muitos hipócritas que querem ser populares se apropriando do politicamente correto para escreverem tramas que podem até ter todos os elementos que fariam as “lacradoras” aplaudirem de pé, mas sabe quando você sente que falta algo? Falta personalidade, a escrita não tem aquele encanto de prender a atenção, emocionar, nada. É produzida com o escopo de ser mais um livro com uma capa bonitinha e só. Comercial.

Tomara que você goste de viajar. Há uma vontade inquietante de ver o mar, portanto, espero que você goste da praia e me ensine a contemplar o encanto das montanhas. Sabe, quando você mora num lugar onde o cinza impera, até uma folha seca de outono bailando na calçada enche os olhos de emoção.

Tomara que você seja aquele tipo de pessoa que ama os pets como se fossem filhos, porque se você não for, vai ser difícil de me entender. Eu amo cachorros, amo, amo mesmo, porém nunca tive um gato e se você gostar dos felinos, espero que eles gostem de mim, pois serei uma "invasora".

Se você não se importar, espero que possamos ter cães, gatos e hamsters, tudo bem que os últimos vivem pouco e alguns meses atrás, meu querido Flocão morreu. Apesar de eu ter dois "filhos" agora: o tímido Pé Grande e o pequeno Bebê, eu amava o meu floco de neve, não sei explicar, quando olhei para aquele pequeno roedor, o amei como se ele tivesse passado toda a vida comigo e quando ele se foi, por mais que eu tenha dois amigos por perto todas as noites, a saudade dói fundo e só quem é mamãe de hamster entende como a perda de um pode ser devastadora. Eles não são só animais bobos correndo numa rodinha, são amigos.

Abraço o travesseiro em noites frias como esta, sempre imaginando que se trata de uma contagem regressiva. Uma a menos sem o calor do seu corpo aquecendo meu coração machucado. Uma a menos sem o seu carinho resgatando a minha fé na humanidade. Uma a menos em que sou apenas a solteirona do prédio, piada na boca de vizinhas fofoqueiras e até mesmo para quem estudei no ensino médio.

Gosto de pensar que neste exato momento, em algum lugar do mundo, você está tomando um café e seu pensamento voa longe, de repente você sente falta de alguém para abraçar, beijar, acarinhar, compartilhar até as minúcias do seu dia e nota que a sua rotina anda parada, chata, você também já se cansou de estar só.

Espero que enquanto eu escrevo e você reflete, os anjos abençoem nossos desejos e Deus encontre um meio de viabilizar nosso encontro.

Gosto de pensar que você existe e nossa história será mais bela do que as das novelas, dos livros e dos filmes, bela por ser tão única, tão nossa, tão singela no modo de se desdobrar. Eu não quero ter que mudar minha aparência para você dançar uma valsa comigo, perder um sapatinho de cristal e ter que caber nele para ser sua; também não quero dormir por 100 anos, tampouco te disputar com outra pessoa.

Gosto de saber que um dia serei amada como todas as outras já foram, que um dia eu receberei flores — não porque você vacilou ou a gente brigou e sim porque você gosta de me surpreender — e não serei aquela poesia estática, já escrita, passível de interpretações e regras, serei sua poesia viva.

Espero que quando nós nos encontrarmos, você sinta que já esteve ao meu lado antes, porém não sabe onde, que você segure na minha mão quando sentir medo e saiba que eu vou querer sempre estar ao seu lado, nos risos e nos choros, quando ninguém mais quiser estar e quando todos quiserem, eu sei que você vai me apresentar ao mundo como o seu amor, aquela que é mais do que sua companheira, é sua parceira de vida, sua melhor amiga.

Se essa demora visa um amor eterno e verdadeiro, eu me disponho a te aguardar, porque confio num Deus que é pura perfeição. Que riam os tolos. Deus existe e Sua obra é perfeita, por isso mesmo, ainda que eu nunca tenha sido amada, que eu não tenha um único sinal à vista, eu acredito, eu acredito em você, em mim e que nós vamos nos encontrar.

Posso te pedir só um último favorzinho?

Cuida bem do meu coração!

Para te deixar entrar, tive que engolir o orgulho, o medo de não dar certo, saiba também que preparei cada cantinho para a sua chegada, então, se você realmente for o meu verdadeiro amor, não me deixe escapar por tão pouco, se permita sentir as borboletas no estômago, é tão bom reviver a velha infância, o gosto de novidade, não há nada de ridículo em ser de uma pessoa só, em acreditar com toda a força do mundo que se duas pessoas estiverem dispostas a lutar, sim, pode durar para sempre ou até que um de nós se vá.

Se você segurar na minha mão e me prometer que vai tentar, eu também irei. Eu já te entreguei o meu coração e vou cuidar do seu com inestimável zelo e o tempo vai te mostrar por que nada deu certo antes ou o porquê os desencontros eram tão constantes.

Posso não ter grandes histórias porque todos meus amores de mocidade foram platônicos, entretanto, quando eu tiver "recaídas", saiba que sou sobrevivente de um transtorno alimentar que não tem cura (ou ainda não), portanto, vivo fases estáveis e outras nem tanto.

Nessas horas, me dê colo, cuide da sua florzinha, procure me lembrar de todas as mulheres que são incríveis independentemente de quanto pesam e, se não for muito capricho da minha parte, ressalte tudo que você ama em mim, porque se você me escolheu em meio a tantas moças mais jovens, bonitas, inteligentes, bem-sucedidas, populares, cheias de amigos, magras sem fazer academia (as famosas magras de ruins, que eu daria tudo para ser), você me ama pelo que eu sou, porque não sou rica, nem popular, tampouco alta, nem olhos claros eu tenho, então se você ainda quiser subir ao altar comigo e ter filhos, um quintal cheio de cachorros grandes e brincalhões, você me ama mesmo.

E se você for capaz de me amar quando eu estiver fraca demais para seguir caminhando, apenas segure na minha mão. Com força. Com vontade. Eu estou aqui.

De sua (já) eterna amada,

Mary.

8 апреля 2020 г. 0:08:09 2 Отчет Добавить Подписаться
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Об авторе

Mary Curitibana, futura jornalista, escritora em constante progresso, escorpiana com ascendente e lua em peixes. Apaixonada por todas as singelezas da natureza, onde se encontra o olhar compassivo de Deus. Em matéria de livros, filmes e músicas, minha lista tende a crescer, mas sempre há aqueles que têm um espacinho especial no meu coração. Prazer, eu sou a Mary.

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Marília Bordonaba Marília Bordonaba
Em vários momentos do seu texto eu sinto que poderia ter sido eu falando tudo isso, em 2014, 2015, até 2016. QUE LOUCURA! E enquanto lia, eu fiquei com a música Do Amor, da Tulipa Ruiz na cabeça.

  • Mary Mary
    Oiiiii! Obrigada pela leitura. Fico feliz quando os leitores conseguem se colocar no lugar, se identificarem com o que escrevi, isso me preenche tanto, faz tudo valer a pena. Eu não conhecia essa música, vou conhecer a letra. Obrigada por me seguir e seja bem-vinda ao Inkspired! June 01, 2020, 19:53
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