lilmiew Yasmin de Carvalho

O amor não tem forma, idade ou cor... O amor simplesmente é... E ser, é tudo o que importa. Uma obra original de Yasmin de Carvalho. Todos os direitos Reservados. All rights Reserved. © lilmiew | Yasmin de Carvalho 03*04*2020 ; 18:00hs.


Короткий рассказ романс Всех возростов.

#conto #poesia #romance #amor #sentimentos #saudade
Короткий рассказ
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Ao alcance do teu Amor..



Daniela Romo - Quiero Amanecer Con Alguien

https://www.youtube.com/watch?v=WtRRy8uySKg

~




"

(...)

'Antes mesmo do princípio, já era amor...

E a verdade, é que simplesmente era, acima de tudo,

superando a todos... Porque o amor é assim.

Ele apenas... É.'




O silêncio da vida solitária, às vezes,

é terrivelmente sufocante...

Mas, ao que a maturidade chega,

acolhe-nos com imensa gentileza,

desfazendo pensamentos errôneos

e clareando ideias nubladas.

Com ela, percebemos que na verdade,

não existe solidão alguma,

contanto que a alma permaneça leve,

não se prendendo a correntes criadas por terceiros,

e que o coração siga confiante e sonhador,

crendo que o amanhã sempre revelará

algo novo e bom.

É... Não há solidão grande demais,

que não possa ser preenchida com amor.

Porque, ao final do dia, tudo se resume a amar...

Sem medidas, sem receios,

sem temores ou porquês.

Ah sim, porque tudo é sobre amor,

e a maturidade o colore de novas formas,

novos tons, texturas, aromas, timbres,

com sua infindável sabedoria e constante evolução.

Sim... A maturidade é um inesgotável bálsamo

contra os incontroláveis destemperos da juventude.

Demonstra com constante segurança,

que o passado já passou, e que o futuro,

ainda que próximo, está longe demais...

A maturidade ensina que o que importa,

sincera e verdadeiramente,

é o hoje, o agora, é esse instante.

Ah... Sim, o tempo, diferente do que todos dizem,

não é o remédio para todas as feridas,

mas sim, a ponte que leva a descoberta

do que existe do outro lado da dor...

O tempo, para aqueles que sabem lidar com ele,

é a verdadeira chave para o auto-conhecimento...

E por mais que por vezes, esqueçamos disso,

tudo bem, a vida sempre encontra maneiras de lembrar-nos disso.




O despertar de mais um dia,

trás aos pulmões, a revigorante sensação

de que tudo acontece como é... Que a vida

é muito mais do que os outros dizem,

do que é considerado correto e plausível,

do que é esperado, do que julgam ser o melhor.

A vida é, por si só, a maior magia existente na Terra...

E poder viver e apreciar tal benção,

ah, não há preço!

Preparo-me para mais uma jornada,

aprontando-me para os afazeres daquele dia...

Quando pronta, rumo à vida,

que aguarda-me com os seus felizes votos,

anunciados suavemente pelo cantarolar

dos amiguinhos plumados, na janela.

O passo me leva à pequena cozinha,

mas o reflexo do espelho me chama.

Sorrio para ele, de corpo, alma e coração...

Não o repudio como outrora o fiz,

bem como não o temo ou escondo-me dele.

Ah, já faz anos que finalmente fui capaz

de compreender o que minha amada criaturinha

insistia em dizer-me, ao confirmar que ele

em nada representava-me.

Ela estava certa...

O reflexo dele, não diz quem sou,

porque eu sou muito mais do que jamais

imaginei ser.

Fiz as pazes com meu eu,

me perdoando e aprendendo,

dia após dias, a me amar...

Por mais complexo que seja.

Assim sendo, diante do objeto,

sorrio de verdade,

enxergando através das rugas,

cabelos grisalhos e físico miúdo.

Eu me olho, me vejo, me enxergo!

E gosto do que vejo... Aprecio,

verdadeiramente, cada um dos novos

contornos que ganhei, com a maravilhosa

jovialidade pós 40...

Sigo minha rotina diária,

envolta por nebulosa sensação nostálgica.

Desprovida de arrependimentos,

cantarolo canções do passado,

recordando-me de bons momentos,

sentimentos, pensamentos,

lembranças, ideias,

agradecendo aos Céus,

a gratificante oportunidade

de continuar vivendo,

dia após dia, uma nova chance

de ser feliz.

E hoje eu sou.. como nunca antes.

É claro, no passado, também fui,

mas era uma felicidade diferente...

Ainda que especial e importante,

sempre deixava lacunas para trás...

Mas hoje, desfrutando da plenitude

da maturidade, sinto-me ainda mais feliz...

A vida me foi muito justa.

Presentou-me com inigualável

alegria, ao dar a mim,

a indescritível graça de trazer ao mundo,

minha tão preciosa criaturinha...

Poder vê-la crescer, se desenvolver,

descobrir o mundo, encontrar seu caminho,

seguir, florir, se apaixonar e realizar-se,

não tem preço, não se quantifica ou se explica.

Vê-la sendo feliz, vivendo seu sonho,

vivendo seu grande amor,

ao lado de alguém que a merece e a valoriza,

que a respeita, que comparte com ela,

toda a pureza singela de um sentimento desinteressado,

pode ser descrito como a realização

do meu maior sonho ma vida.

Ela foi meu sonho... E depois de tê-la,

mesmo feliz e preenchida de imensa gratidão,

ainda faltava algo...

Algo que, por muito tempo,

julguei inalcançável, impossível.

Faltava algo para transbordar minha felicidade,

mas eu achava-me indigna disso...

Não merecia, não podia, era errado...

Mas... Até que ponto,

o certo e o errado realmente o são?!




Caminhando em silêncio,

seguindo para lugar algum,

cercada de tão imensa solidão,

deparei-me com meu eu passado...

Ele encarava-me, inquiria respostas,

ansiava por minhas conquistas,

minhas aventuras, meus objetivos concretizados,

e eu, tão temerosa e envergonhada,

retraia-me em mim mesma...

'Falhei em tudo, só não fracassei com ela' eu dizia...

E dizia mal, enganava-me.

Pois não havia fracassado em nada!

Havia lutado bravamente,

vezes ganhando, vezes perdendo,

mas sempre seguindo em frente,

confiante e esperançosa.

Sempre olhando para frente.

Seguindo em frente... Mas...

Para onde? Como? Com quem? Porque...?

Não havia nada no final do caminho,

não havia razão para continuar,

não havia ninguém esperando

do outro lado da curva...

Não havia. Não havia?!

Ah, havia! Sempre houve...

E sempre haveria!

E lá estava ele, aguardando amorosamente,

ao fim da trilha de Tijolos Amarelos...

Cavaleiro Negro

que ultrapassou o véu dos

misteriosos temores e tolices;

lutou, venceu, e principalmente,

permaneceu...

Oh sim, permaneceu...

Desde o começo,

até muito depois de se conjurar um fim.

Ele permaneceu.

Amor permaneceu.

Ah, o amor...

O Amor bateu-me à porta do coração,

ressabiado, introvertido,

e eu o ouvi!

Eu o vi! Senti seu perfume,

encontrei seus olhos, e eles reluziam,

feito estrelas caídas do céu, mas...

Oh não! Não posso... Não posso vê-lo,

não posso apreciá-lo, proibida de senti-lo eu me via...

Tão reclusa, tão vazia...

E a vida seguia, e eu o seguia,

com olhares, e afetos...

E mesmo evitando,

enviava constantemente à ele,

vibrações ternas, de uma emoção profunda,

que aflorava em meu peito,

inigualável sensação de leveza...

Ainda sim, seguia observando-o, de longe...

E ele encarava-me de volta,

furtivo, acanhado, com crateras lunares

agraciando-lhe as faces amorenadas ao sorrir...

Ele era tão lindo. E eu, via-me tão indigna de vivê-lo...

Errada. Incoerente. Falha. Tempo passado.




A tardezinha inundava meu coração

com extrema calmaria...

Mesmo depois de todos esses anos,

ainda me surpreendia com a sensação

inigualável de calma e serenidade,

que só o fim de um bom dia e o prenúncio

de outro era capaz de trazer...

Já havia feito tudo o que precisava,

sem pressa, sem cobranças.

As únicas cobranças vinham dos dedos inquietos,

que não aquietavam-se antes que as pontas

tingissem de negro soturno,

ao que o carvão riscava, calmamente,

sob o papel amarelado, numa carícia lânguida,

os traços tão bem conhecidos por mim

e meu coração...

Mais um retrato para a nossa coleção.

Tantos anos se passaram,

e tantas palavras, e discursos, e desculpas,

e rimas, e poesias, e falas,

e discussões, e protestos, e diálogos,

e enfim promessas,

e ainda sim, tudo parecia

unicamente surreal,

a cada vez que eu o via...

Ou sentia.

Porque meu eu,

incansavelmente enamorado,

notava-o pelo aroma,

pelo andar distraído sobre o assoalho,

pelos passos que tentavam o silêncio,

mas sempre falhavam,

trazendo-me aos lábios, o sorriso

de quem espera o surgir de uma acolhedora surpresa.

E era sempre assim...

Ele chegava, e eu me via sorrindo largo,

de um jeito que nem mesmo na juventude

de meus dias, já me vira.

E ele me sorria de volta,

e as adoráveis imperfeições genéticas

sorriam-me também...

E o mundo ruía e mais uma vez,

se erguia ao nosso redor,

remodelando nossa bolha de afeição,

construindo sobre nos,

o Castelo Dourado de nossos dias

mais cintilantes...

Ah, jamais imaginei que amor assim,

me seria agraciado nessa vivência.

O passado conspirava contra mim,

mas o futuro, não, esse tinha planos melhores.

E eu relutei... Relutei em aceitar a felicidade

que já havia me sido escrita muito além

das estrelas áureas...

Relutei em aceitar a graça de sua companhia,

a beleza de seus diálogos, de sua presença...

Relutei muito, por tempo demais, mas...

Finalmente, entendi.

Eu percebi...

Percebi que a vida, ainda que sejam muitas,

permanece sendo uma só,

e que não importa o que um dia achei...

O hoje não é um reflexo do ontem,

mas sim, um prenúncio do amanhã.

Quem fui ontem, não representa

quem sou hoje, muito menos o que serei amanhã.

Que meus erros passados não

refletem a pessoa que sou hoje...

E então eu aprendi...

A aceitar a felicidade que me era consagrada.

Grata e humildemente entregue,

apenas aceitei e sorri,

tendo em meus braços,

uma nova oportunidade de transbordar,

felizmente transbordar e transcender,

de formas que nunca cogitei serem possíveis!

E ah, como era bom uma vez mais,

sentir-me assim,

tão completamente feliz com tudo ao redor,

e ainda por cima, poder compartilhar

tamanha alegria, com um alguém tão especial...

Ele, sem dúvida alguma,

era um tesouro precioso demais,

que mesmo me parecendo valioso demais

para estar comigo, ainda sim,

permanecia ao meu lado,

lembrando-me e ensinando-me

todos os dias que, às vezes,

o que pensamos que está errado,

que o impossível, é, na realidade.

a única verdade existente.



Já não haviam mais passos

a serem dados no silêncio,

porque esse, há muito,

deixara de existir.

Fora substituído pelo tilintar

dos risos altos e alegres,

tão contagiosos,

tão cintilantes...

Já fazia muito tempo,

desde que a silenciosa

sensação de solidão deixou-me,

de uma vez por todas.

Agora, eu amanhecia todos os dias

ao lado de Amor,

que sorria-me ainda nublado de sonhos...

Amanhecia com alguém que

compreendia-me tão plenamente

bem, com um simples olhar...

E que permanecia ao meu lado,

sem em momento algum,

tentar mudar-me...

Amanhecer com ele

era especial,

pois até nos sonhos compartilhados,

não se viam necessárias explicações,

pois mesmo em nossa quietude,

tudo já era cuidadosamente dito.

Sim, mil vezes sim!

Depois de tantos caminhos,

e passos incertos,

de sensações estranhas de desolação,

a lua que agora que me chamava,

com seu inigualável poder,

cumprimentava-me,

atenciosa,

por finalmente encontrar alguém...

Alguém com quem compartilhar tudo de mim.

Alguém capaz de enxergar além

de minha embalagem,

alguém capaz de separar

o físico da mente, e apreciar muito mais

o interno, do que o externo.

Afinal, o que importa o que passou?

O que importa quem fui?

Somente o que importa,

é seguir em frente e adiante...!

Sempre em frente!



Ele chegou de mansinho,

beijando-me a fronte com ternura,

oferecendo-me o chá que mais gostava,

o que se tornou nosso chá favorito.

Aceito sorrindo,

bem como recebo grata, sua adorável companhia.

Permanecemos quietos,

e é tão bom perceber o silêncio

não como um grito no vazio,

mas sim, um abraço apertado e generoso,

que afasta toda e qualquer solidão.

Mas a quietude nunca dura...

Porque tão logo me cumprimenta,

inicia uma interminável torrente

de palavras e novidades,

contando-me tudo sobre seu dia,

o que recebo animada,

dividindo com ele também,

tudo sobre o meu.

Era agradável, doce e simples...

Amar nunca me pareceu tão simples,

mas ele me mostrou que pode ser.

E é... Simplesmente é.

Ainda que na prática nem sempre

seja assim, tão trivial de se explicar,

era surpreendentemente fácil de se sentir.

Debatemos por horas a fio,

e com o jantar feito por ele,

conversamos um bocado mais.

E nem depois da louça limpa e

da sobremesa servida,

ainda encontrávamos sobre o que falar...

Mas, com o cair da noite,

era hora de descansarmos...

E abrirmos as portas para os sonhos florescerem.

Com abraços apertados,

despedimo-nos sorridentes,

caminhando para caminhos opostos

que nunca se desgrudavam, na verdade.

Diante das portas de nossos quartos,

um de frente para o outro,

através de um longo corredor,

sorrimos, uma vez mais.

Porque sempre sorrimos um para o outro...

Com acenos, dissemos 'boa noite',

e escancaramos as portas para sonhos felizes...

E, amando-o, cada sonho era maior e melhor que o anterior.




Diante do espelho,

despeço-me do silêncio,

dos remorsos,

das incertezas e inseguranças.

Digo adeus ao passado,

e olá ao futuro.

Meu coração não carrega mais

fardo algum.

Agora, eu sou livre...

E meu peito transborda

de tanta plenitude.

O amor abriu-me os olhos,

preencheu meu peito com leveza,

serenidade e paz...

Tudo ganhou novas cores, sons, sentidos.

Nada mais é como já foi um dia.

O ontem foi uma lição,

o hoje, é uma benção,

o amanhã, será dádiva divina.

Grata aos céus, grata ao Criador,

grata a tudo e a todos, sorrio.

Porque sorrir, é sempre a melhor opção.




Com meus olhos fechados,

findo minha oração.

Meu peito,

calmo e tranquilo,

recebe feliz, o repouso após

mais um dia de vida.

Sabendo que o amanhecer será ainda melhor,

acolho o sono, e recebo os sonhos,

com humildade e alegria.

Em sonho, encontro-me com minha

pequena adorada criaturinha,

que conta-me novidades,

e avisa-me que, ao despertar,

encontrarei grande surpresa.

Entre debates aleatórios,

minha querida diz-me algo,

que há muito não ouvia...

'A felicidade não é para quem quer,

mas sim, para quem merece', e a

lembrança me faz rir pequeno...

'Está feliz, mamãe?' indaga ela,

e eu respondo, sem nem ao menos exitar,

'Sim minha querida, imensamente!'.

E assim, mais uma vez,

me entrego aos abraços doces,

que somente a plenitude da maturidade

é capaz de me agraciar,

com a certeza de que não houve um só dia,

que eu tenha estado só...

Pois não existe solidão, quando há amor!





Ao meu grande amor, agradeço humildemente, por ser meu exemplo de força, fé e determinação!







ydc ; 08/04/2020 ; 21:55hs |

9 апреля 2020 г. 1:01:08 0 Отчет Добавить Подписаться
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Об авторе

Yasmin de Carvalho Cantora Lírica, Escritora, Compositora, Apaixonada, Sonhadora.

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