Guardado a uma chave Подписаться

magicsvante Ari Lima

Taehyung planejava retornar à Daegu em uma viagem para dentro de si mesmo durante aquelas férias de verão, na esperança de reconectar-se com as memórias perdidas de sua infância e ultrapassar a última fase do luto pela morte de sua avó, Sunhee. Ele só não contava que houvesse um diabrete preso dentro do armário. A pessoa especial de quem gostaria de lembrar-se estava guardada há apenas uma chave de distância.


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Capítulo Único

Ele estava de volta à aquele dia que ficou tatuado em sua mente e coração. O mesmo céu nublado de outono e a mesma brisa fria permeava o ambiente melancólico da estação de Daegu. Sua avó, uma senhorinha de sorriso doce e cabelos grisalhos, curvava-se para ficar da mesma altura do Taehyung de seis anos de idade, que soluçava e fungava conforme se despedia da idosa. Ela colocou uma mexa do seu cabelo caramelizado atrás da orelha e enxugou as lágrimas quentes que rolavam por suas bochechas gordinhas, acalentando-o de seu choro copioso.


Aqui, querido disse à medida que recolhia de seu bolso um colar de ouro que possuía uma grande e envelhecida chave como pingente. Para você se lembrar de mim e do Gukiesorriu de forma terna, contendo as próprias lágrimas conforme colocava a corrente em seu pescoço. A mantenha sempre próxima de seu coração beijou-lhe a testa, acariciando suas bochechas uma última vez antes que o seu pai o arrastasse para o trem, impaciente.


Taehyung acordou de seu sono com a respiração falha e sentou-se sobre a cama, agarrando a chave de aspecto vintage por sobre a camisa fina de seu pijama, sentindo o seu coração martelar contra o seu punho fechado em torno do material gélido. Fazia muitos anos desde que havia tido aquele sonho. A vividez das lembranças o perturbava com a nostalgia e saudade de momentos que jamais voltariam.


Parecia-lhe irônico sonhar com algo que intrinsecamente prometeu não esquecer, ter a memória das noites em que chorou pela falta de alguém, sentir o gosto amargo da saudade em seu paladar mas ser incapaz de dizer a razão por trás de tais emoções.


As recordações de sua infância naquela casinha modesta engolida pela vegetação rasteira, o aroma do chá de erva-doce tomando o ambiente, o calor dos braços da sua avó e um sorriso com dentes de coelhinho, eram as únicas lembranças claras que mantinha daqueles dias que jurou guardar a sete chaves em seu coração. Talvez, ele tivesse trancafiado aquelas memórias tão profundamente em um cantinho especial dentre os diversos cômodos inexplorados de sua psique, que agora simplesmente não podia relembrá-las com vividez.


Era ainda mais irônico que Taehyung tivesse tido aquele sonho naquela data em específico: o primeiro dia de suas férias de verão e a época reservada para o seu retorno à Daegu.


Incapaz de prolongar o próprio descanso, Taehyung pulou da cama e resolveu dar início às suas higienes matinais. Feliz que o alojamento estava vazio devido as férias. Ele cantarolou distraidamente à proporção que vestia uma calça larga mostarda acompanhada por uma camiseta estampada por flores vermelhas e calçava um par de sapatos sociais escuros. Tomou o café da manhã distraidamente enquanto verificava suas redes sociais. Conferiu suas bagagens uma última vez para ter a certeza de que não estava deixando nada importante para trás. O notebook estava bem embalado, o violino estava devidamente guardado em seu estojo e a câmera polaroid tinha filme o suficiente para registrar a viagem de regresso a sua infância.


Taehyung gostaria que o seu retorno à Daegu fosse motivado unicamente por razões felizes. Quem sabe se o Kim tivesse sido um neto mais atencioso e reservado algum tempo em meio a sua carga horária apertada para visitar a sua avó, ele ainda poderia encontrar o sorriso doce dela e deixar-se envolver por seus braços cálidos.


Entretanto, tudo o que lhe esperava era uma casinha vazia, engolida por trepadeiras.


A viagem de trem foi calma e tranquila. Taehyung tinha seus fones de ouvido plugados em uma música instrumental conforme descansava a cabeça contra a janela do trem e assistia a paisagem verde tornar-se turva à frente de suas íris castanhas. Ele desejou por tanto tempo poder regressar à Daegu. Taehyung se lembrava de fazer birra para que os seus pais o levassem para ver a sua avó durante as férias escolares. Certa vez, ele até mesmo fugiu de casa munido da ideia maluca de pegar um trem e ir sozinho ao encontro da idosa.


Ele não saberia dizer em que momento de sua vida estar com a sua avó deixou de ser uma prioridade para si. Talvez tenha sido em meio a confusão de hormônios à flor da pele, crises existenciais e descoberta gay da sua adolescência. Muitas vezes, Taehyung usou a sua necessidade de passar no vestibular e ingressar em uma boa universidade como desculpa para a sua negligência. Ele sempre repetiria para a idosa o quanto a amava e prometeria em breve arranjar tempo para visitá-la em seus raros telefonemas.


Todavia, esse dia nunca chegou e, agora, nunca chegaria.


Taehyung tinha apenas vinte e dois anos de idade e já carregava no peito o arrependimento de não ter voltado à Daegu enquanto a sua avó ainda estava viva. Ele ainda lembra-se vividamente de seus últimos momentos com a mais velha. Comunicar-se com sua avó havia sido um verdadeiro desafio durante o período que ela ficou internada no hospital devido a todos os aparelhos e tubos respiratórios que prolongaram os seus dias de vida. E, quando pôde finalmente ouvir a voz de Sunhee pela primeira e última vez desde o seu colapso, foi com o intento de dizerem adeus.


Ele estava chorando convulsivamente conforme segurava as mãos enrugadas e frias de sua avó, forçando-se a dizer palavras coerentes e soar claro apesar dos soluços e fungos que o interrompiam. Ele esperava ser capaz de expressar o quanto a amava e o quanto lamentava não ter sido um neto mais presente em sua vida.


— Shhh, querido, não chore. — A sua avó o consolava e enxugava as suas lágrimas quentes e grossas, cuidando de si mesmo em seu leito de morte. — Não há nada do que se arrepender, querido, porque todas as memórias que eu tenho de você são os meus bens mais preciosos. Eu te amo, Taetae, eu sempre vou te amar — disse com a sua voz débil e rouca, exprimindo um sorriso apesar da tosse ruidosa que lhe acometeu.


— Eu te amo, vovó — Taehyung chorou mais fortemente, agarrando-se ao corpo da mais velha sobre a cama do hospital. Soluçando e fungando conforme afundava o rosto molhado no peito de Sunhee.


— Eu sei, Tae — falou rouca. Sunhee parecia a cada segundo precisar colocar mais esforço para manter-se acordada. — Você precisa me prometer uma coisa — pediu, acariciando os fios descoloridos de seu neto, que ergueu a cabeça para prestar atenção em si e fungou, tentando controlar o choro preso em sua garganta.


— Diga — consentiu com urgência.


— Prometa-me que vai voltar à Daegu — ela disse, sendo interrompida por uma tosse fraca, às pálpebras pesando, o corpo conduzindo-lhe ao inconsciente. — Prometa-me que vai cuidar de Gukie... — completou a sentença, sua voz soando cada vez mais baixa e frágil conforme alcançava o fim da frase. O nome soando um sussurro inaudível aos ouvidos de Taehyung, que teve sua atenção roubada pelo bipe dos aparelhos que indicavam que a sua avó não estava mais entre os vivos.


A sala rapidamente ficou cheia de médicos e enfermeiras. Os braços do seu pai o envolveram por trás, arrastando-lhe para fora da sala à medida que o menino se entregava a um choro compulsivo.


Ele vivenciou o luto em todas as suas fases no último ano. A negação da morte de sua avó, recusando-se a falar sobre o assunto ou lembrar-se de seus momentos finais. A inconformidade com a perda, seguida pela sua exímia retirada para o seu mundo interno, isolando-se dos demais, chafurdando em melancolia. Então, a barganha consigo mesmo, uma etapa regada por promessas de que o amanhã seria um dia melhor. E, por fim, a aceitação. Taehyung sentia-se finalmente pronto para retornar aquela realidade alternativa na esperança de conectar-se mais uma vez com cada uma de suas memórias perdidas.


O táxi estacionou em frente a pequena casa que parecia ter sido retirada diretamente das páginas ilustradas de um conto de fadas. A construção revestida em madeira e cercada por uma mureta de pedras cobertas por musgo, escondia-se em meio a vegetação densa. Trepadeiras detentoras de flores amarelas subiam pelas paredes e agarravam-se às telhas alaranjadas. O jardim que a sua avó cultivava em torno da casa achava-se em estado calamitoso, no entanto, lírios floresciam saudáveis em meio as folhas secas.


Uma onda de nostalgia atingiu Taehyung em cheio ao retesar o seus passos em frente a soleira da porta, fazendo-lhe fungar para conter o choro que ameaçou romper as estruturas que solenemente construiu em torno de si mesmo. A sua avó havia deixado aquela modesta e adorável casinha como herança para ele. Foi uma surpresa para Taehyung quando leu o testamento no cartório e recebeu as chaves assim como a escritura da propriedade. Ele não teve coragem para visitar o local até então. Mas, uma vez que abriu a porta e deu o primeiro passo para adentrar o interior da casa — ouvindo a madeira ranger abaixo de seu pé —, Taehyung sentiu-se abraçado por uma agradável sensação de conforto e acolhimentos que apenas o lar poderia oferecer.


A casa pareceu transportá-lo de volta aos seus seis anos de idade. Taehyung conseguiu lembrar-se de uma versão pequenina e mais jovem dele mesmo adentrando aquela residência com um enorme sorriso retangular repleto de janelinhas estampado no rosto, roupas sujas de terra depois de brincar no jardim e o nome da sua avó soando como doce em seus lábios pequenos. Ele levou a mão até o pingente de chave que pendia em seu peito e o apertou, sentindo-se dentro de uma cápsula do tempo.


As paredes ainda eram decoradas com o mesmo papel cor-de-rosa estampado por flores e envelhecido de sempre. Porém, ao contrário do aroma agradável de comida quentinha e chá de erva-doce, Taehyung foi recebido pelo odor de mofo e uma neblina espessa de poeira. Os móveis eram cobertos por lençóis brancos e finos. O ar pesado e denso dava-lhe a sensação de que o interior daquele lugar não via o ar fresco ou a luz do sol atravessar as janelas há muito tempo.


Com um sorriso nos lábios e um olhar determinado, Taehyung deixou sua bagagem na entrada da residência e caminhou até a janela da sala, abrindo-a. Ele foi de cômodo em cômodo abrindo cada uma das janelas e removendo os lençóis que cobriam a mobília de mogno em estilo vintage — a qual conferia a decoração do local o mesmo aspecto de uma casinha de bonecas —, ignorando a coceira em seu nariz e os espirros altos como um homem em uma missão.


Taehyung subiu as escadas em direção ao quarto que o acomodou durante a infância, despejando sua bagagem no chão antes de precipitar-se em direção aos desenhos com traços infantis colados por toda a parede. Havia várias imagens que registravam as paisagens locais e gravuras de si mesmo ao lado de sua avó traçados com giz de cera.


Entretanto, os desenhos que mais lhe chamaram a atenção eram os de uma criatura de estrutura pequena, com olhos redondos e grandes completamente negros e um nariz proeminente. O ser tinha a pele e cabelos pintados de vermelho, orelhas pontiagudas e uma cauda fina. A sua pequena boca detinha presas afiadas, os seus braços terminavam com uma mão de apenas três dedos e garras e as suas pernas remetiam-lhe as de um bode. Além de possuir chifres curvados e asas de morcego. Abaixo do desenho, escrito em giz de cera azul, estava o nome 'Gukie'.


A mesma assinatura se repetia em mais dois desenhos. No primeiro deles, havia uma criança caracterizada com orelhas pontiagudas como as de um elfo. Um par de chifres pairava sobre os cabelos vermelhos, asas de morcego permaneciam recolhidas atrás de suas costas acompanhadas por uma cauda fina, presas espreitavam através de seus lábios e grandes garras substituíam suas unhas. O segundo era o de um homem adulto sorridente, desenhado com as mesmas orelhas pontiagudas e cauda fina, chifres de bode sobre suas madeixas escarlates e orbes completamente negros.


Os desenhos de traços infantis e carentes de nitidez davam-lhe pouca noção da real aparência da criatura que parecia ter sido inspirada em seus pesadelos juvenis, protagonizados pelo pequeno demônio que escondia-se em meio ao breu de seu quarto, puxava-lhe o pé e os cabelos enquanto jazia adormecido, aprontava travessuras como rabiscar o seu rosto enquanto dormia ou deixar um rato morto em sua cama. Felizmente, Taehyung nunca mais foi atormentado por 'Gukie' depois que se mudou para Seul. A sua mãe lhe convenceu de que o demônio não passava de um fruto da sua imaginação fértil e assustada; e ela estava certa.


Os próximos dois dias se resumiram a Taehyung explorando o ambiente tão familiar e repleto de lembranças conforme faxinava os cômodos, abria caixas que guardavam objetos de valor emocional, distraía-se com os álbuns de fotografias, folheava os livros de sua avó e ouvia vinil em sua vitrola velha. Ele encontrou alguns objetos de natureza curiosa e inusitada em meio aos pertences de sua avó, mas optou por não pensar muito sobre isso. A sua mãe lhe telefonou na primeira noite para ter a certeza de que estava tudo bem consigo e que Taehyung não havia retornado ao estado de humor depressivo em que encontrou-se nos primeiros meses do luto. O sorriso na voz de seu filho sendo o suficiente para acalmá-la de suas preocupações.


Àquela altura, Taehyung havia desbravado e limpado todos os cômodos da casa de sua avó. Restando apenas um armário idiota debaixo das escadas que recusava-se a abrir mesmo que Taehyung tenha tentado usar todas as chaves disponíveis no chaveiro e, em um momento de desespero, arriscado arrombar a porta que sequer rangeu sob os seus esforços. Ele estava oficialmente obcecado por aquele armário. Fitava a fechadura que não correspondia a qualquer uma das chaves que lhe foram entregues de minuto em minuto, fritando os seus miolos para resolver o enigma por trás daquele armário.


Taehyung estava sentado em uma poltrona na sala, massageando o pingente de ouro debaixo de sua camisa, com o olhar preso na porta misteriosa, quando ocorreu-lhe que a chave em seu colar em muito assemelhava-se ao formato da fechadura. Em uma última tentativa — o loiro prometeu para si mesmo que não insistiria mais naquilo —, Taehyung caminhou até o armário embaixo da escada e ajoelhou-se. Retirou o colar de seu pescoço e arregalou os olhos quando a chave encaixou perfeitamente na fechadura. Engolindo em seco devido a ansiedade crescente em seu âmago, ele girou a chave lentamente, ouvindo um singelo click indicando que a porta havia sido aberta antes da estrutura ceder, abrindo-se.


Então, tudo aconteceu em um piscar de olhos: em um segundo, Taehyung inclinava-se curioso para espiar o que havia no interior do armário escuro. No outro, um forte impulso jogou o seu corpo para trás, seguido por uma intensa rajada de vento, fazendo-lhe cair de bunda no corredor. Um vulto incontrolável correu pelo chão, paredes e teto da casa como um furacão. Taehyung sentiu o seu coração bater forte dentro do peito à medida que o barulho das louças de vidro despedaçando-se no chão da cozinha encheram os seus ouvidos. Em um par de segundos, todo o seu trabalho duro havia descido pelo ralo. A forma indefinida e avermelhada atravessava o cômodos de um lado para o outro e de cima à baixo, derrubando e bagunçando tudo o que via pela frente à proporção que o som de risadas de crianças em consonância ecoavam pelo ambiente.


O loiro não podia acreditar em seus próprios olhos uma vez que o caos se instalava a sua volta. Ele achou que todas aquelas memórias envolvendo um pequeno demônio fossem fruto da sua imaginação fértil e criativa. Sua mãe até mesmo lhe fez ir ao psicólogo por cinco longos anos a fim de convencê-lo que 'Gukie' nunca existiu. Porém, agora, enquanto piscava suas pálpebras atônito, ele podia lembrar-se com clareza dos conselhos de sua avó.


Taehyung estava com os olhos inchados e a face vermelha de tanto chorar. Gukie havia feito mais uma de suas traquinagens o impulsionado com força demais no balançador, tentando fazê-lo voar mais alto ainda que Taehyung tenha gritado e implorado para o pequeno demônio parar, pois aquilo não era divertido.


Agora, cá estava ele, sentado em uma cadeira na cozinha, com suas mãozinhas e joelhos ralados enquanto a sua avó limpava as feridas e aplicava um sumo de ervas naturais nas escoriações.


Você precisa ser mais duro e firme com o Gukie, Tae. A idosa dizia, cobrindo os seus joelhos com uma gaze e prendendo-a com esparadrapos. Ele é como um pequeno capetinha travesso. Gosta de brincar e aprontar para chamar a atenção. E está tudo bem, porque na maior parte do tempo ele não faz mal a ninguém, porém, às vezes, o Gukie fica fora de controle comentou com um sorriso afetuoso nos lábios enrugados. Mas eu vou te contar um segredo: diabretes obedecem ordens diretas somente daqueles que os chamam pelo nome. Por isso, quando isso acontecer, você precisa bater o pé no chão, encará-lo com dureza e gritar "Jeongguk!", utilizando o mesmo tom que eu e sua mãe usamos para brigar com você, entendeu? aconselhou, enxugando as lágrimas de suas bochechas gordinhas com carinho.


O Gukie nunca me obedece, vovó. Fez beicinho, fungando audivelmente. Ele faz essas brincadeiras de mau gosto comigo o tempo todo e depois me atormenta dizendo que eu sou um bebê chorão.


Isso foi antes de você saber o ponto fraco dele. Apenas diga "Jeongguk" e ele terá que parar o que está fazendo para te ouvir piscou um olho para si de forma cúmplice.


Taehyung ergueu-se do chão e fitou o vulto vermelho incontrolável com determinação em sua íris de avelã, cerrou os punhos fortemente ao lado de seu corpo e gritou com firmeza:


— Jeongguk!


Ao som de seu brado, os movimentos se aquietaram de modo que um único barulho de um copo caindo ao chão pôde ser ouvido. Taehyung conseguiu focar os olhos na criatura grudada à parede no final do corredor que dava para a cozinha. Uma pequena criança com asas de morcego e um rabo vermelho agarrava-se à parede com suas garras, de costas para si. A seguir, o menor virou a cabeça de uma forma perturbadoramente antinatural, encarando-lhe com os suas orbes de obsidiana à medida que um sorriso travesso desenhou-se em seus lábios pequenos.


Em um instante, a criatura não estava mais lá e um homem em torno da sua altura materializou-se no corredor. Chifres pairavam sobre os cabelos lisos cor-de-cereja que caiam sobre sua testa e um sorriso largo com dentes dianteiros de coelhinhos estampava seus lábios de pêssego. Ele possuía olhos completamente pretos e carentes de esclera, mas, ainda assim, profundos e hipnotizantes. Uma mandíbula máscula, nariz proeminente que encaixava-se com perfeição em suas feições joviais, sobrancelhas grossas e ruivas escondidas sob os seus fios. Além de um corpo forte e bem definido vestido em uma camiseta social preta com mangas bufantes, costurada em um tecido fino, que permitia a visão dos seus braços, a pele pálida de seu torno escondida por uma regata de mesma cor. A peça era combinada com uma calça escura e folgada, detentora de punhos na altura de seus tornozelos, à proporção que o rapaz calçava sapatilhas pretas. Piercings prateados reluziam nos lóbulos de suas orelhas pontudas conforme o homem abriu os braços e girou em um pé só — como um bailarino —, a cauda vermelha dançando junto com o seu corpo, a luz refletindo em seus fios vermelhos e brincos.


— Eu finalmente saí do armário! — comemorou eufórico, um brilho traquino iluminando os seus olhos completamente negros. — Pensei que fosse morrer de tédio no mundo invertido — suspirou, jogando-se despojadamente no sofá da sala. — A velha disse que você viria para cuidar de mim, mas esqueceu de avisar que seria um completo incompetente e demoraria tanto — reclamou, mirando Taehyung com uma pitada de mágoa em seu tom. — Eu sempre soube que você seria um péssimo familiar — franziu o nariz em sinal de desgosto.


— Cuidar de você? — Taehyung indagou. Ele estava atordoado e confuso para dizer o mínimo. — Incompetente? E que porra é um familiar?


— Alguém aqui não fez o dever de casa — cantarolou presunçoso, transformando-se rapidamente em um pequeno demôniozinho vermelho — idêntico ao do desenho pendurado em seu quarto — e pousou de pernas cruzadas em seu ombro largo. Com um estalar de seus minúsculos dedos, Jeongguk fez um livro igualmente pequeno surgir em suas mãos e um óculos redondo materializar-se sobre o seu nariz, ao passo que, com uma voz irritantemente fina, dissertou: — A palavra Familiar é do latim familiaris, o que significa um “servo do agregado familiar”, e destina-se a expressar a ideia de que bruxas e feiticeiros possuem espíritos que servem como companheiros em seus trabalhos mágicos e guias espirituais.


A situação como um todo o aludia a desenhos animados e, por um momento, Taehyung ponderou se qualquer dos eventos recentes possuíam alguma relação com a realidade. Porém, ao beliscar o próprio braços apenas para checar, ele zumbiu de dor.


Com igual agilidade com a qual transformou-se na pequena criatura irritante, Jeongguk caiu deitado de volta no sofá sob a mesma forma do homem alto e musculoso de outrora.


— Você está me dizendo que eu sou um feiticeiro e você é o meu familiar? — questionou, unindo as sobrancelhas. Ele precisou sentar no sofá antes que as suas pernas o traíssem ao digerir a situação inusitada.


Taehyung devia ter adivinhado que havia alguma coisa muito errada quando encontrou todos aqueles livros sobre magia e objetos estranhos no armário de sua avó.


— Não, eu estou dizendo que a sua avó era uma bruxa e que criou um elo mágico que me associa a ti usando esse colar que você carrega por aí como se não fosse nada — gesticulou em direção a corrente que permanecia presa à porta do armário debaixo da escada. — Você não passa de um bebê chorão que não recebeu a menor instrução quanto a magia e afins em toda a sua vida para realmente dispor de uma fagulha sequer de todo o poderoso potencial mágico que emana da sua aura. Resumidamente, você está há anos luz de ser um feiticeiro. É um completo imprestável.


— Eu não sou mais um bebê chorão! — protestou, parando de realmente ouvir no momento em que a calúnia deixou os lábios atraentes cor-de-pêssego do demônio. Ele cruzou os braços à frente do peito e projetou um bico com o lábio inferior.


— Oh, certamente você não é mais um bebê — um sorriso malicioso despontou em seus lábios finos à medida que desnudou Taehyung por inteiro com suas íris brilhantes como o breu noturno iluminado por estrelas. — Devo dizer que você cresceu para se tornar um verdadeiro pecado sob forma humana. E, olha, que coincidência, eu sou um pequeno demônio pecador. — Teletransportou-se para sussurrar a última parte de sua sentença próximo a concha da orelha do Kim com um tom de voz aveludado e sensual.


— Jeongguk! — Taehyung ralhou, olhos arregalados conforme o rubor subiu por suas bochechas até alcançar a ponta de suas orelhas.


— O quê? Você não curte homens? — perguntou, jogando-se despojadamente sobre o sofá da sala com um sorriso arteiro. — Eu posso me transformar numa mulher se você quiser — ofereceu, transmutando-se em um belo exemplar feminino de si mesmo, com cabelos ruivos pendendo por seus ombros e peitos fartos espreitando pelo decote do vestido. Ele, ou melhor, ela (seja lá o que for) cruzou as pernas roliças e piscou um olho para si, lançando-lhe um beijo voador antes de voltar ao normal. — Porém, confesso que prefiro dobrá-lo numa mesa e fodê-lo até que você perca a voz de tanto gemer "Jeongguk! Jeongguk!", e, dessa vez, não seria para que eu pare — provocou, imitando a voz alheia para então conceder-lhe um sorriso e devorá-lo vivo com o seu olhar predatório.


— Por deus, Jeongguk! — Taehyung arfou, chocado com a fala do ruivo e suas metamorfoses absurdas demais para o seu cérebro humano em choque acompanhar. — Tenha mais respeito, eu sou um homem gay! — revelou, com um ar ofendido. — Mas isso não significa que vou deixá-lo me foder sobre um mesa!


— Talvez sobre o sofá? — provocou, balançando suas sobrancelhas grossas e ruivas.


— Argh! — resmungou envergonhado. — Vá usar todo esse seu tempo livre para dar um jeito na bagunça que você fez! — ordenou, apontando em direção a cozinha, voz autoritária e olhar firme.


Taehyung não sabe como ou o porquê, entretanto, sua demanda teve o efeito desejado no demônio de forma que logo Jeongguk moveu-se para dar um jeito no caos que havia deixado para trás. Usando da mesma rapidez com a qual desordenou a casa, o vulto vermelho colocou tudo em seu devido lugar e recolheu os restos mortais das louças de porcelana da sua avó. O loiro reclamou com ele sobre as peças de valor quebradas, sendo rapidamente respondido com um:


— Não é minha culpa que você tirou as peças de vidro e porcelana de dentro do armário de ferro — apontou para o móvel no limiar da cozinha. — A louça estava guardada lá por uma razão — argumentou, dando de ombros com indiferença.


E Taehyung amaldiçou-se por ter se dado ao esforço de polir a porcelana e colocá-la nos armários da cozinha somente para que o diabrete arruinasse todo o seu trabalho duro.


O Kim descobriu enquanto desfrutava da companhia do pequeno diabinho hiperativo, que Jeongguk havia passado os últimos dois anos preso naquele armário, esperando pelo dia em que Taehyung lembraria-se de si e viria para libertá-lo. Todo o tempo em que ficou recluso deixou o diabrete extremamente entediado visto que não havia uma única alma viva naquela dimensão alternativa — sombria, fria, enervante e povoada de energia mágica para suprir o imp na ausência de seu familiar — que ele pudesse atormentar.


Por isso, Jeongguk recusava-se a calar a maldita boca por ao menos um segundo. O diabinho falava pelos cotovelos conforme fazia truques de transformação, esbanjando os seus poderes e irritando Taehyung com toda a sua criancice. Eufórico com a sensação de liberdade recém-adquirida.


Jeongguk lhe contou que a sua relação com a família Kim era antiga. Ele perambulou solitário por milênios devido a sua natureza arteira e sombria, sempre em busca da atenção humana. Contudo, a cada vez que conseguia cativar a amizade de um humano, enfadavam-se facilmente de suas brincadeiras e piadas constantes, passando a manter distância do diabrete. Essa experiência repetiu-se incontáveis vezes até encontrar a tataravó de Taehyung, Kim Mei, uma bruxa simpática, doce e gentil, que aceitou a companhia do imp apesar de seus truques e travessuras incontroláveis.


Com um tom melancólico e um olhar nostálgico, Jeongguk revelou o quanto ficou feliz quando a bruxa lhe pediu para tornar-se o seu familiar e espírito guia. Ele aceitou de bom grado abrir mão de sua autonomia em prol de servir Mei em seus trabalhos mágicos. A Kim era diferente de todos os outros humanos com os quais se deparou em seus longos anos vagando sem rumo pela face da terra. Ela foi a primeira pessoa a amá-lo e tratar-lhe com afeto. Sempre sorria de suas artimanhas e cantava belas músicas para acalmá-lo.


Desde então o diabrete serviu as bruxas da linhagem de Mei com um sinal de seu amor e lealdade por sua mestre.


Jeongguk revelou-lhe que a partir do momento em que Taehyung usou a chave pela primeira vez, um pacto entre os dois havia sido selado, tornando o imp completamente dependente do loiro. Mais do que um familiar, Taehyung era o seu guardião.


O demônio de cabelos cor-de-cereja também explicou-lhe que Sunhee pretendia fazer de Taehyung o seu aprendiz e ensinar-lhe a arte da magia. Todavia, o seu pai, Taeyang, sempre repudiou a prática de bruxaria, recusou-se a tornar-se para carregar o legado da família em prol de viver uma vida tranquila como a de qualquer outro humano. Quando Taehyung nasceu, exalando potencial por todos os poros de seu corpo, Taeyang negou-se a deixá-la instruí-lo pelos caminhos da feitiçaria. Razão pela qual afastou o filho de sua avó tão bruscamente depois de descobrir que Sunhee incentivou a amizade de Taehyung e Jeongguk.


Não foi surpresa para Jeongguk saber que Taehyung não lembrava-se com clareza de sua existência. O jovem Kim havia sido instruído a pensar na criatura como uma ilusão criada por sua mente engenhosa. O psicólogo lhe disse que 'Gukie' era algo próximo a um amigo imaginário, engendrado como um artifício para fazer-lhe sentir-se menos solitário tendo em vista que Taehyung cresceu sem irmãos ou amigos para brincarem consigo em sua primeira infância. Apesar de suas vivências com 'Gukie' terem sido realistas em demasia para algo que existia somente dentro de sua cabeça, Taehyung deixou-se convencer pelas palavras repetitivas do especialista. Guardou Jeongguk em um cantinho todo especial, trancado a sete chaves dentro de seu coração.


— Ah, você era um verdadeiro pé no saco! — o diabrete zombou assim que Taehyung assumiu lembrar-se de pouquíssimas coisas sobre a sua infância juntos. — Sempre fofocava para a velha quando eu aprontava alguma travessura. Abria o berreiro por qualquer coisinha que eu fizesse para você. Nunca sorria das minhas piadas e truques, ou conseguia me acompanhar nas minhas brincadeiras — descreveu com uma carranca no rosto bonito. — Se realmente quer saber, você era uma criancinha chorona e tediosa. Vivia me fazendo curar os seus machucados e cuidar de ti quando acordava no meio da noite, aterrorizado por um pesadelo. O mais engraçado era que eu sempre protagonizava os seus sonhos, e, ainda assim, você só parava de chorar quando eu deixava você me abraçar — bufou, revirando os orbes em seus glóbulos oculares com a lembrança do garotinho chorão lhe enchendo a paciência no meio da noite.


— Eu consigo me lembrar disso! — Taehyung cantarolou com animação. — Sempre pensei que era coisa da minha cabeça, mas você realmente me consolava quando tinha sonhos ruins!


Taehyung relembrou-se da sensação de ter um corpo pequeno e quente em seu braços, unhas pontiagudas tocando o seu cabelo com gentileza e conferindo um cafuné gostoso ao seu couro cabeludo. Uma voz aveludada e suave cantarolando músicas de ninar aos seus ouvidos e embalando-lhe em um sono sem sonhos.


Não importava o quanto Jeongguk repetisse que não gostava do pequeno Taehyung no passado, o loiro sabia que o imp estava mentindo. Pois mesmo que continuamente o assustasse, puxasse os seus cabelos e o fizesse chorar, as travessuras alheias eram inofensivas. Jeongguk sempre arrependia-se e voltava para pedir-lhe desculpas, com as orelhas pontudas inclinadas e o rabo entre as pernas em sinal de arrependimento quando as coisas ficavam fora de controle e Taehyung acabava se machucando. O diabrete não era nada além de bom consigo. Constantemente cedia aos seus beicinhos e olhinhos pidões, acompanhando-lhe em suas brincadeiras de criança.


Conforme os dias foram passando, Taehyung familiarizou-se com a presença de Jeongguk na casa. O diabrete era como uma bolinha de energia e alegria o seguindo por toda parte. E, por mais que ele tenha acordado em uma bela manhã sem a sua sobrancelha direita, Taehyung concluiu que era 'Gukie' quem fazia de seus dias na casa da avó tão inesquecíveis e singulares para si.


Jeongguk era o seu alguém especial. O ruivo preenchia todas as lacunas em sua memória errante, conferia um rosto a pessoa por quem derramou lágrimas no breu da noite. Eram dos braços do imp e do seu sorriso radiante que Taehyung tanto sentiu saudades. Ele era o ser sem nome que deixou uma sensação de vazio em seu âmago; que plantou em si o anseio por algo que não poderia ter, assim como o desejo de reviver dias que jamais voltariam.


Seria desnecessário dizer que Jeongguk logo reivindicou o seu lugar no coração de Taehyung. Espaçoso e folgado como era, a criatura travessa espalhou-se por toda parte. Antes que se desse conta, Taehyung experimentava os primeiros sintomas da paixão. Os sentimentos outrora inocentes e desinteressados que nutria pelo outro floresceram para tornarem-se em uma bela rosa vermelha do amor. A esperança de ser correspondido libertava as borboletas a baterem asas dentro de seu estômago todas as vezes em que o diabrete flertou consigo sem o menor pudor, trazendo cor as suas bochechas douradas. E Taehyung não conseguia parar os pensamentos e desejos nada castos que germinavam em sua mente pelo amigo de infância.


Taehyung já não perdia a paciência com Jeongguk com facilidade, ao contrário, via-se contente e confortável na companhia do imp. Ele flagrava-se achando adorável como o diabrete fazia truques e transformações somente para vê-lo sorrir, ou como o pequeno esgueirava-se até a sua cama no meio da noite para dormir abraçado consigo. O loiro sequer reclamava quando o diabinho agia de modo inquieto e falava sem fazer pausas, carente da atenção de seu guardião. Agora, Taehyung prestava atenção a cada pormenor que Jeongguk deixava escapar sobre si mesmo durante as suas longas divagações, curioso para saber mais sobre o outro.


E foi tal curiosidade que levou-lhe a pesquisar sobre "diabretes" no Google a fim de saber mais sobre a espécie.


— É sério que você prefere confiar na enciclopédia do livro do que em um espécime original? — o pequeno ser indagou, batendo a suas asinhas — que em muito assemelhavam-se às de um morcego — conforme sobrevoava à frente da tela do celular de Taehyung e segurava a sua cintura minúscula. Indignação definindo a cadência de sua voz fina.


— É claro — Taehyung confirmou sem pensar duas vezes. — De que outra forma eu poderia saber que você está me contando toda a verdade sobre os seus pontos fracos e fortes? — inquiriu, arqueando uma sobrancelha para o imp.


— Você não sabe — contradisse com simplicidade, metamorfoseando-se para a sua forma de homem e pairando extremamente próximo ao seu rosto. Tão perto que Taehyung podia sentir o seu hálito. — Você precisa confiar que estou lhe dizendo toda a verdade de que necessita saber, porque você é o meu familiar e o meu guardião, a única pessoa para a qual não existe qualquer vantagem em contar mentiras sobre mim.


Taehyung fitou os glóbulos oculares carentes completamente negros do imp, buscando nas profundezas do ébano em seus orbes pelo menor sinal de desonestidade. Mas não encontrou nada além de pequenos pontos de luz brilhantes que fazia os olhos alheios o remeterem ao céu noturno povoado por estrelas, o qual exercia em si a mesma fascinação magnética que as retinas sombrias de Jeongguk.


— Eu confio em você — pronunciou com um suspiro permeando o tom baixo e afetado de seu timbre de barítono.


— Então diga-me o que deseja saber sobre mim — demandou, olhando-lhe através de seus cílios espessos e sentou-se ao seu lado na cama.


— Você é imortal? — questionou, piscando seus olhos avelãs curiosos na direção do ruivo.


— De certa forma, sim — confirmou. — Diabretes possuem juventude perene e imunidade à doenças. Porém, podemos ser feridos e prejudicados com certas armas e encantamentos — explicou brevemente.


— O que mais você pode fazer além de se transformar?


— Telecinese, pirocinese e teletransporte — respondeu, dando de ombros. — Mas eu realmente não sou muito bom com telecinese — revelou, franzindo o nariz em desgosto.


— Humm… — Taehyung balbuciou, atuando de forma teatralmente pensativa, as perguntas morrendo em sua língua. — Agora conte-me algo inusitado — pediu com um sorriso, interessado em saber mais sobre outrem.


— Certo — concedeu, colocando uma mecha do cabelo cor-de-mel do Kim detrás da orelha. — Tem algo que eu acho que você vai gostar de saber — ponderou em voz alta com um sorriso diminuto repuxando o canto de seus lábios. — Diabretes são apaixonados por música. Há várias histórias de imps que foram seduzidos a fazerem o bem e domesticados através de canções. As suas ancestrais costumavam cantar para me acalmar. É uma das poucas coisas que podem me fazer relaxar e ficar quietinho — expressou uma face arteira ao final da confissão.


— Eu faço faculdade de música! — Taehyung revelou com entusiasmo, encantado por finalmente descobrir algo que ele poderia fazer pelo seu familiar. — Eu posso cantar e tocar violino para você sempre que quiser — ofereceu, abrindo um sorriso tão largo que suscitou os seus olhos a desenharem adoráveis crescentes.


— Oh, isso seria maravilhoso! — Jeongguk concordou, igualmente entusiasmado com a ideia. — Faz muito tempo desde que alguém tocou ou cantou para mim — murmurou de maneira nostálgica.


— Não seja por isso! — Taehyung exclamou, pulando de sua cama de solteiro e saltitando em direção ao estojo do seu violino no limiar do cômodo. Ele desembrulhou o instrumento com entusiasmo e voltou-se para Jeongguk, que o observava de seu lugar sentado no colchão. — Esta é uma música em que eu estou trabalhando há algum tempo — segredou, mordiscando um sorriso tímido que tomou forma em sua boca — ainda não está concluída, mas espero que você goste — concluiu, com suas bochechas douradas ganhando um tom pálido de rosa.


Dessa forma, Taehyung levantou o violino na altura do seu ombro, apoiou o maxilar na queixeira do instrumento, equilibrou o arco sobre as cordas e fechou os olhos, respirando fundo antes de friccionar as cerdas do arco de madeira sobre as cordas do instrumento e produzir suas primeiras notas com um suspiro.


O timbre de seu violino era agudo, brilhante e estridente, mas Taehyung fazia a música soar como veludo aos seus ouvidos: suave, amável e terna. A canção era de uma conotação tão sentimental que exalava emoções distintas em cada um de seus acordes. O tom de barítono do loiro acompanhava a melodia da música em um cantarolar afinado, deixando vestígios de uma letra regada por saudade e nostalgia escapar por entre seus lábios carnudos. Ele cantava sobre um cenário à luz da lua e um caminho cheio de flores. Lamentava não ter apreciado os pequenos momentos como desejava. Rogava que se repetissem mais uma vez, perguntando-se se essa memória ficará nele para sempre.


I still wonder, wonder, beautiful story

Still wonder, wonder best part

I still wander, wander, next story

I want to make you mine


Quando Taehyung despertou do torpor que a música lhe infringiu, deparou-se com Jeongguk dormindo encolhido em sua cama. Um modesto sorriso repuxava os cantos de seus lábios cor-de-pêssego, um semblante sereno tomava a sua face relaxada, conforme o diabrete ressonava tranquilo e contente em seu sono.


O loiro sorriu para si mesmo com a cena. Jeongguk costumava ser agitado em demasia para render-se ao sono ainda que durante a noite. Vê-lo dormir em plena a luz do dia com certeza queria dizer alguma coisa quanto aos efeitos calmantes e relaxantes que a música exercia sobre ele. Taehyung aproximou-se, sentando-se na beirada da cama e guiando as suas mãos aos fios de cereja. Arriscou enrolar os seus dígitos nas mechas lisas de outrem, conferindo-lhe um quieto e suave cafuné, temeroso de despertar-lhe de seu sono pacífico.


Taehyung podia sentir uma sensação quentinha e reconfortante acomodar-se em seu âmago conforme observava o diabrete adormecido. Ele não foi acometido das famigeradas borboletas no estômago ou da arritmia cardíaca características da paixão. Ao contrário, Taehyung sentiu o seu coração pulsar em um ritmo regular e quieto, uma emoção febril apoderar-se de seu ser, um sentimento terno germinar em seu interior, pois amar Jeongguk era simplesmente certo. E Taehyung perderia a voz de tanto cantar para o ruivo se isso trouxesse um pouco de paz a sua natureza elétrica.


O guardião pensou que a sonolência do diabrete fosse uma consequência natural do poder calmante que a música tinha sobre Jeongguk. Todavia, ele não poderia estar mais enganado.


Os indícios apresentaram-se aos poucos. Primeiro, Jeongguk começou a agir de modo desanimado e calmo demais para o seu gosto, tirando curtos cochilos no decorrer da tarde. Em seguida, a pele do imp perdeu o seu visco saudável, seus lábios comumente róseos e atraente ganharam uma aparência desidratada e escamosa, ao que círculos escuros tomaram forma ao redor dos seus olhos negros. Depois, o diabrete caiu de cama, apresentando inicialmente uma febre amena, que logo tornou-se uma poderosa febre capaz de fazer qualquer humano comum delirar e ranger os dentes experimentando suores e calafrios em seu leito — não que Jeongguk estivesse muito melhor.


— Gukie, por favor, você precisa me dizer como ajudá-lo — rogou, sentindo o choro tomar forma em seu âmago conforme assistia o corpo ensopado de suor do ruivo sofrer curtos espasmos sobre sua cama de solteiro. As compressas de água fria e o chá de camomila que havia preparado para o imp não surtiram qualquer efeito sobre ele. — Eu sou mesmo um familiar imprestável. Não faço a menor ideia de como cuidar de um diabrete — piscou os seus olhos marejados, derramando lágrimas grossas sobre o rosto alheio. — Você ficaria melhor com qualquer outro guardião — fungou, abraçando o corpo febril de outrem e pressionando o rosto contra a curvatura de seu pescoço.


— Chorão — a voz rouca e frágil de Jeongguk fez-se presente ao que Taehyung chicoteou a cabeça para cima rapidamente, encontrando um pequeno sorriso expresso no semblante abatido do ruivo. — Eu preciso que você me leve de volta para o armário — murmurou, esforçando-se para manter-se consciente. — Preciso de energia mágica para viver. Só agora me toquei que você não está me alimentando através do nosso elo — explicou, tossindo ao final. — Mas era óbvio que você não poderia me suprir, afinal, é um leigo em magia — zombou com um sorriso nasalado, não perdendo uma oportunidade de provocar o loiro mesmo em seu estado debilitado.


— E-eu só preciso levá-lo até lá, certo? — indagou, gaguejando à medida que sentava-se no colchão e fitava Jeongguk com íris esperançosas.


— Sim — o ruivo assentiu, achando difícil manter os seus olhos escuros abertos.


Com a sua fé revitalizada, Taehyung levantou-se da cama e deu o seu melhor para erguer o corpo molenga de Jeongguk na posição vertical, passando o braço do ruivo por sobre os seus ombros largos e segurando a sua cintura estreita para dar-lhe apoio. Sustentar o peso do diabrete em sua forma semi-humana era um verdadeiro desafio, principalmente quando havia uma escada como principal obstáculo em seu caminho. Taehyung suou em seu esforço para carregar Jeongguk em segurança em direção ao primeiro andar, suspirando em alívio ao depositar o corpo alheio sobre o sofá. Ele não perdeu tempo ao precipitar-se até o armário pequeno, abrindo-o com a chave velha em seu colar.


Jeongguk gemeu em agonia à proporção que o loiro tentava erguê-lo para finalmente levá-lo para o armário, balbuciando que tudo ficaria bem na tentativa de acalmá-lo. Os seus próprios músculos reclamavam do esforço físico. Sentiu suas pernas vacilarem ao abaixar-se para adentrar a pequena porta. Porém, com apenas mais uma pitada de perseverança, chegou ao seu destino.


O interior do armário parecia vazio e escuro à primeira vista. Entretanto, aos poucos, a estrutura de madeira abriu espaço para uma realidade alternativa a que encontravam-se há apenas alguns instantes. Adentrar o armário tinha o mesmo resultado que atravessar a porta de entrada para a casa de sua avó. Ao passo que Taehyung precisou piscar os olhos duas vezes para ter certeza de que tudo aquilo não se tratava de uma mera ilusão de óptica. Ao seu redor uma cópia exata da casinha com papel de parede florido cor-de-rosa e mobília de mogno se materializou. Mas em contraste com a residência aconchegante e hospitaleira, a réplica possuía uma atmosfera sombria e enervante.


Ocorreu-lhe o quão solitário deveria ter sido para Jeongguk permanecer naquele local por dois longos anos, sem ninguém para fazer-lhe companhia e nada para distraí-lo. Não era de se espantar que o diabrete tenha ficado tão eufórico quando viu-se livre. Taehyung balançou a cabeça de um lado para o outro na tentativa de afugentar tais pensamentos e focar-se na urgência do presente momento. Ele arrastou-se com Jeongguk em seus braços até o sofá da sala, depositando o corpo frágil no estofado ao que jogou-se em uma poltrona, procurando estabilizar sua respiração falha. Ao recuperar-se, o loiro sentou-se no chão a beira do sofá e tomou as mãos gélidas do diabrete entre as suas, aguardando pacientemente que o ruivo se recompusesse.


Taehyung não saberia dizer quanto tempo se passou. Ele perdeu a consciência em algum momento de sua observação atenta ao menor sinal de melhora do diabrete, adormecendo com o rosto deitado sobre o abdômen do ruivo. Porém, quando despertou, a febre havia cedido, estabilizando-se em uma temperatura normal. Os curtos espasmos que o corpo sofria em decorrência dos suores e calafrios desapareceram e a cor vistosa retornou a sua pele pálida. Jeongguk ainda não estava completamente recuperado, Taehyung poderia dizer isso facilmente devido aos seus movimentos lentos e voz fraca, porém, havia melhorado consideravelmente.


— Como você está se sentindo? — sussurrou, resvalando os seus lábios pelos nós dos dedos do ruivo com afeto.


— Melhor — respondeu, remexendo-se para encarar Taehyung. — Mas a energia mágica armazenada aqui não será suficiente para me manter estável.


— Não há outra forma de te fornecer energia? — inquiriu, angustiado. — Você disse que eu tenho um enorme potencial mágico, devo ter energia de sobra para lhe fornecer.


— Você certamente é o feiticeiro mais poderoso da sua família em gerações — Jeongguk concordou, levando a destra aos cabelos de seu mestre. — Porém, isso não serve de nada quando você não conhecia princípios tão básicos quanto manipulação de energia — argumentou. — Boboca — caçoou, dando um peteleco na testa do humano e sorrindo afetuosamente para a careta dolorida de Taehyung.


— Ai! — ele reclamou, massageando a própria testa. — Eu só quero ajudar — bufou, estufando suas bochechas gordinhas.


— A única alternativa que temos é eu retirar energia diretamente da fonte. Ou seja, de você — explicou, apontando o dedo para o Kim. — Então, há duas opções: ou você me alimenta com o seu sangue, ou você transa comigo em cima de um círculo mágico. Mas fique sabendo que não tenho como me transformar em uma mulher dessa vez. Devia ter aceitado a minha proposta antes — brincou, mantendo o seu senso de humor.


— Idiota! — Taehyung estapeou o braço do ruivo, sorrindo de si. — Eu já disse que sou gay! — protestou, ofendido. — Não acredito que você está tentando transar comigo mesmo em uma situação como essa!


— É como dizem: a esperança é sempre a última que morre — sorriu ampla e maliciosamente, dando de ombros.


— Eu não faço ideia de como desenhar um círculo mágico — confessou, sentindo o calor subir por suas bochechas por considerar a possibilidade.


— Isso é fácil — ele disse como se fosse brincadeira de criança. — Só precisamos de algumas velas e giz branco. O resto eu te ensino.


Assim, Taehyung foi em busca dos objetos solicitados e esperou pela orientação do ruivo, que ditava ordens sentado no sofá como se fosse um rei. O diabrete lhe instruiu a desenhar um triângulo invertido riscado na horizontal no centro da sala, explicando-lhe que o desenho simboliza a terra, que, por sua vez, significa o corpo. Em seguida, disse-lhe para traçar um triângulo, que corresponde a força vital. Por último, o loiro desenhou um enorme círculo unindo todas as pontas dos triângulos e situou uma vela acesa em cada uma delas.


— Eu não imaginei que a nossa primeira vez fosse ser assim — Taehyung resmungou, sentindo suas bochechas queimarem uma vez que estava sentado sobre o colo do diabrete, que permanecia deitado no meio do círculo mágico.


— Então você imaginou uma primeira vez? — o ruivo provocou, sorrindo de orelha a orelha com a revelação. Taehyung arregalou os olhos ao dar-se conta de suas palavras, enrubescendo ferozmente ao que desviou o olhar.


— Você não? — replicou, mordiscando o seu lábio inferior e arriscando um olhar de soslaio para o seu familiar.


— Eu pensei ter deixado minhas piores intenções claras desde o primeiro momento — murmurou, levando a mão ao queixo alheio e fazendo-lhe olhar para si.


Taehyung demorou-se ao fitar os olhos negros de Jeongguk, perdendo-se na escuridão e magnetismo de suas íris ônix. Ele libertou o lábio inferior da prisão entre seus dentes e resolveu ser honesto com o outro.


— Eu também quero você — segredou em um tom baixo e tímido, que fez a sua voz soar mais rouca e grave do que de costume.


Sem esperar por mais uma palavra, Jeongguk aproveitou a deixa para erguer o seu tronco do chão gélido em perseguição aos lábios carnudos e róseos de seu guardião. O contato foi terno e experimental a princípio, como se o ruivo estivesse testando as águas ao resvalar os seus lábios em um toque superficial antes de afundar na boca do loiro. Um arfar contente pôde ser ouvido na sala uma vez que Taehyung abriu a sua boca para que a língua do diabrete deslizasse contra a sua semelhante em um enroscar sensual e refrescante para ambos. O ósculo era uma dança lenta entre amantes em fase de descoberta. A vontade de desbravar cada canto da boca de outrem, o desejo de provar a textura e experimentar o sabor único do parceiro, suprimia os seus impulsos sexuais à flor da pele.


Ao interromperem o contato entre suas bocas, os dois permaneceram com as suas testas unidas e as respirações entrelaçadas à medida que suas mãos percorriam o corpo um do outro, sentindo a temperatura do ambiente tornar-se repentinamente quente e o magnetismo estático entre ambos atrair os seus corpos a cortarem os centímetros que os separavam.


— Eu me apaixonei por você — Taehyung confessou contra os lábios avermelhados do imp, fitando-lhe por baixo de seus longos cílios. Dedos longos enrolando-se aos fios curtos da nuca de Jeongguk.


E Taehyung jurou ter visto um brilho completamente diferente reluzir nas íris negrumes de outrem.


— Você é o primeiro humano a me dizer algo assim — Jeongguk disse, fitando-lhe de forma inquisitiva, parecendo incerto e confuso diante de tais sentimentos.


— Isso é porque a maioria dos humanos não tiveram a chance de colocar um olho em você — argumentou com um sorriso amável em seus lábios e um olhar afetuoso direcionado ao imp. As mãos de Taehyung dedicaram carícias ao couro cabeludo de Jeongguk ao que ele plantou um selar na ponta de seu nariz.


Jeongguk tomou os lábios de Taehyung em um beijo urgente, apressado, faminto. Suas mãos apertaram a cintura do loiro, guiando-lhe a manter-se impossivelmente grudado ao seu corpo. Cada milímetro entre eles parecia um incômodo para imp, que estava determinado a fundi-los sobre o chão da sala em um só. Seus peitos moldaram-se juntos, o encaixe entre seus corpos era singular e perfeito. Ele podia sentir a caixa torácica de Taehyung expandir-se a cada vez que seus pulmões enchiam-se de ar antes de mergulhar profundamente na boca um do outro. O corpo masculino e esbelto sentia-se firme sob o seu toque, incitando-lhe a provar a construção magra e tonificada abaixo de suas palmas, experimentar a consistência de seus músculos macios ao afundar os dedos em sua carne. Era capaz de sentir o calor de Taehyung envolvê-lo através das camadas incômodas de roupas, a pressão de suas nádegas sentindo-se bem-vinda sobre a sua ereção crescente, que tornava-se dolorida, túrgida, pulsante, conforme a pélvis alheia ondulava majestosamente sobre si, permitindo-lhe sentir o pênis duro do outro contra o seu abdômen. Os lábios pequenos deslizaram pelo queixo de Taehyung e marcaram a sua garganta com chupões, serpenteando a língua pela coluna de seu pescoço e maltratando o lóbulo de sua orelha entre os dentes dianteiros, mapeando a pele bronzeada com a sua língua molhada.


O corpo de Taehyung respondia automáticamente aos estímulos à medida que a fricção de sua bunda sobre a ereção de Jeongguk tornava-se frenética, necessitada, compulsiva. Ele buscava alívio para o êxtase em cada rolar de quadris, arfando contra os lábios de cereja, balbuciando palavras incoerentes uma vez que jogava sua cabeça para trás, permitia a exploração de sua pele, ansiava por sentir a boca do ruivo em toda parte, por sentí-lo em toda parte. De repente, o contato que desfrutavam já não era o suficiente. Taehyung queria mais. Desejava sentir pele contra pele. Assim, afastou-se com o intento de remover a própria camisa, segurando a barra da peça e puxando-a sobre sua cabeça, mãos apressadas correndo para desabotoar sua calça e desfazer-se de suas roupas.


Havia algo extremamente prático e conveniente sobre fazer sexo com um demônio: as roupas de Jeongguk desapareciam com um estalar de dedos. E Taehyung era grato por não ter de esperar nem mais um segundo para sentir o calor de Jeongguk nu e cru contra si.


Aquele não era nem de longe o sexo idealizado por qualquer um dos dois, mas nem por isso a transa foi menos gratificante. Ambos desbravaram o corpo do parceiro com toques febris e urgência, suscitando os seus dígitos a percorrerem cada novo centímetro de pele exposto, marcando com os seus lábios e dentes a epiderme imaculada conforme friccionavam seus quadris um contra o outro em busca de alívio para a excitação ascendente.


O tempo e espaço não parecia existir uma vez que os seus olhos estavam conectados. Taehyung perdia-se na escuridão dos orbes enevoados de luxúria, deixava-se contagiar pela lascívia que emanava do diabrete. O contato com a pele de Jeongguk era abrasador, incendiava-lhe por dentro, fazia sua própria tez queimar. Ele nunca se sentiu tão quente em toda a sua vida, como se pudesse entrar em combustão espontânea a qualquer instante. E, contraditoriamente, tão molhado. A sua pele orvalhava suor, os seus fios descoloridos grudavam na testa, o seu pênis gotejava líquido seminal dolorosamente entre seus abdômens, enquanto Jeongguk enterrava os dedos em seu interior, o dilatava pacientemente para recebê-lo. As dedadas ocasionavam em sons vulgares à proporção que Taehyung empurrava-se nos dedos untados de lubrificante, choramingando quando as pontas dos dígitos acariciavam sua próstata.


Jeongguk aguardou pacientemente até que os resmungos de incômodo do loiro se metamorfoseassem em gemidos de prazer antes de penetrá-lo. A pressão em torno de seus dedos deixou-lhe ansioso para sentir a contração daquele buraco apertado e molhado em torno de seu pau. Ele precisou usar de todo o seu autocontrole para não dobrar Taehyung no chão e fodê-lo sem piedade uma vez que estava dentro dele. A própria emoção de estar dentro de Taehyung infringia-lhe a curiosa sensação de regressar ao paraíso. Era simplesmente maravilhoso. Mas também era quente, pecaminoso, e delicioso como o inferno.


Contudo, a lágrimas acumuladas na lingua d'água dos olhos castanhos e a expressão dolorida do rosto de Taehyung foram o suficiente para persuadí-lo a manter-se imóvel para que o loiro se adaptasse ao corpo estranho em seu interior. Ele beijou o vinco entre as sobrancelhas escuras, as bochechas rubras, as lágrimas que marejavam seus olhos, o lábio inferior maltratado. Declamando elogios aos ouvidos de Taehyung, deixou-lhe saber como ele era fodidamente delicioso conforme agarrou as nádegas fartas, impulsionando os quadris para cima e realizando os seus primeiros movimentos. Logo, Taehyung saltava timidamente em seu colo, ambas as mãos buscando apoio no seu peito suado à medida que rebolava e gemia no seu pau.


Os sons dos seus gemidos mesclados ao barulho produzido pelo impacto entre as suas peles suadas reverberou pela sala uma vez que perseguiam o ápice da relação. Taehyung angulava seus quadris para que o pênis de Jeongguk pressionasse todos os pontos certos em seu interior, suas paredes internas contraíam em torno do falo, permitindo-lhe sentí-lo quente, túrgido, pulsante. Ele era capaz de vislumbrar através de sua visão periférica os traços do círculo mágico reluzirem uma luz branca. Percebia a energia fluindo por todo o seu corpo, emanando por seus poros junto ao suor, dispersando-se nas pontas de suas unhas cravadas no abdômen definido, esvaindo-se no ponto de contato entre os seus lábios unidos. O ímpeto e força com que a pélvis de Jeongguk erguia-se para encontrar a sua bunda no meio do caminho aumentando à proporção que o familiar tinha sua energia revitalizada.


Taehyung foi o primeiro a derramar-se entre os seus corpos, sentindo-se esgotado enquanto Jeongguk encontrava-se completamente energizado. Perseguindo o próprio orgasmo, o ruivo inverteu sua posições e deitou o corpo do loiro no chão. As pernas bronzeadas e brilhantes devido ao suor espalharam-se para abrigá-lo entre suas coxas macias antes de Jeongguk deslizar para dentro de seu parceiro com um gemido.


Em retrospectiva, o choro de Taehyung sempre foi incômodo para si. Fazia o coração de Jeongguk sufocar no peito, infringia-lhe uma sensação enervante de urgência; urgência em fazer cessar as lágrimas que bainhavam o seu rosto. Entretanto, naquele momento, enquanto Taehyung choramingava devido a hipersensibilidade, tudo o que Jeongguk queria era fazê-lo chorar de prazer conforme arremetia-se com vigor em seu interior e bombeava o pau sensível do loiro, vendo lágrimas quentes rolarem por suas bochechas rubras e gemidos desesperados ressoarem pela sala como música aos seus ouvidos. E quando Jeongguk finalmente gozou, pélvis gaguejando preguiçosamente ao que derramava-se, Taehyung o acompanhou, expelindo sêmen em sua barriga dourada.


Ambos os corpos estiraram-se no chão gélido da sala, descansando de seus esforços sexuais na espera de que suas respirações e pulsos estabilizassem. Por fim, Jeongguk pegou um Taehyung sonolento em seu colo e carregou-lhe até o sofá da sala, deitando-o sobre o seu corpo e dedicando carícias aos fios úmidos de suor de seu guardião à medida que o loiro ressonava baixinho, sonolento. Um silêncio confortável pairou no ambiente enquanto Jeongguk perdia-se em seus próprios pensamentos e Taehyung desfrutava de um cochilo superficial.


— Tae? — o ruivo o chamou depois de um tempo, ouvindo Taehyung resmungar em resposta e coçar seus olhinhos inchados na esperança de espantar o sono. — Como é estar apaixonado? — o diabrete questionou, expressando a incógnita inquietante que atormentou a sua mente naquele curto espaço de tempo.


— Hum… — balbuciou, pensando na melhor forma de respondê-lo. — É como esconder-se debaixo de um cobertor quentinho em um dia de inverno. É algo que te aquece de dentro para fora. Faz você se sentir vivo; como se pudesse fazer qualquer coisa — até enfrentar o frio — para ver a outra pessoa feliz.


— C-como você sabe quando está apaixonado? — gaguejou, corando ao saber que o belo homem em seus braços se sentia dessa maneira em relação a ele.


— Você nunca sabe até que seja tarde demais — contou com um sorriso doce. — Mas quando alguém se torna especial dessa forma, você simplesmente sabe. Porque você quer passar tempo com esse alguém, quer saber tudo sobre essa pessoa, quer cuidar dele como se fosse o ser mais precioso do mundo. Adora toda a atenção que recebe. Se vê desejando tocá-lo, abraçá-lo, beijá-lo. E parece que nunca pode ter o suficiente, sempre quer mais — disse, contornando os traços do rosto do diabrete com as pontas dos seus dedos e plantando um selar casto em seu peito nu.


As respostas de Taehyung só serviram para deixar Jeongguk ainda mais pensativo. À medida que os dias iam se passando e a intimidade entre os dois crescia, o diabrete atinha-se ao menor sintoma descrito pelo loiro. Porém, ao contrário do calor que aquecia Taehyung de dentro para fora, Jeongguk sentia calafrios. O coração dele fazia essa coisa estranha de quase parar só para começar a bater feito louco quando o seu guardião concedia-lhe um de seus sorrisos retangulares. O estômago revirava desconfortavelmente a cada beijo que Taehyung lhe roubava. A mão suava frio quando os seus dedos estavam entrelaçados, inquietando-lhe com o pensamento de que sua palma devia sentir-se grudenta.


Mas ele podia identificar-se com parte dos indícios citados por outrem. Jeongguk realmente queria gastar todo o seu tempo desfrutando da companhia de Taehyung e aprendendo mais sobre o loiro. Ele nunca poderia ter o bastante da sensação dos lábios carnudos do Kim entre os dele e do corpo esbelto moldando-se a sua estrutura forte. Às vezes, ele só queria prender o humano em seus braços e não deixá-lo partir jamais.


Portanto, a conclusão de que correspondia os sentimentos de Taehyung parecia-lhe quase lógica.


— Eu acho que também estou apaixonado por você — Jeongguk confessou em uma tarde quente de verão sob a copa de uma árvore no quintal. Taehyung cantarolava uma canção para ele enquanto o imp mantinha sua cabeça confortavelmente deitada sobre as coxas macias do outro homem. Os longos e elegantes dedos entrelaçados em seu cabelo escarlate.


E o sorriso que Taehyung lhe ofereceu em resposta com certeza foi a coisa mais bela que Jeongguk viu em todos os seus milenares anos de vida. Se fosse para ver aquele repuxar de lábios estonteante, Jeongguk diria que o amava outras mil vezes.


Quando o final das férias de verão chegou, o diabrete estava amuado para não dizer depressivo. Taehyung se preocupou que ele estivesse colapsando por falta de energia mais uma vez, porém, Jeongguk havia gastado um longo tempo ensinando-lhe a alimentá-lo através do elo mágico. Ele assistia de seu posto esparramado na cama do loiro — com um enorme bico no lábio inferior e olhos de cachorrinho —, o Kim arrumar suas malas para partir no dia seguinte. Jeongguk estava inconsolável há uma semana, irredutível sobre voltar para Seul consigo.


— Gukie, pela milésima vez, eu vivo em um dormitório repleto de estudantes. — O loiro repetiu, dobrando algumas peças de roupa. — Estarei ocupado em 90% do tempo com o último semestre da faculdade e o meu trabalho de conclusão de curso. Você ficaria sozinho e entediado. Eu não poderia lhe dar a atenção que você merece.


— Eu fico feliz com os 10% restantes — o diabrete insistiu, piscando seus olhinhos escuros e quase derramando as lágrimas que os marejavam, cortando o coração de Taehyung. — E um dormitório cheio de estudantes nunca seria solitário e tedioso para mim — contradisse. — Pense comigo: isso só significa um número maior de almas para atormentar. Eu poderia me divertir tanto arruinando a vida de cada um deles.


Certo, agora Jeongguk estava longe de ser a criatura adorável de um segundo atrás. Havia esse brilho maléfico iluminando seus olhos e uma animação sombria no tom de sua voz.


A verdade era que Taehyung sentia o seu coração rachar mais um pouco toda vez que pensava em deixar o seu familiar/namorado para trás.


— Acredite em mim, universitários já comem o pão que o diabo amassou sem a sua ajuda — fechou sua mala, caminhando para juntar-se a Jeongguk na cama.


— Isso só torna as coisas mais divertidas! — argumentou infantilmente.


— Ok, e quanto aos seus olhos, chifres e rabo? — questionou, gesticulando para o ruivo. — Eu particularmente acho você absolutamente lindo. Mas não consigo pensar em outro humano que queira socializar com um demônio. Você teria que se transformar sempre que saísse em público e eu não sei se tenho energia o suficiente para manter você nessas circunstâncias.


— Eu tenho uma forma espiritual, quase não gasta energia e eu poderia até mesmo ir a aula com você — forneceu a solução brilhantemente. — Além disso, eu posso interpretar uma ótima versão humana de mim mesmo.


Dito isto, o diabrete transformou-se em um rapaz de madeixas negras ao passo que os seus olhos ganharam esclera. As suas roupas mudaram para uma camiseta branca lisa e jeans rasgados acompanhados por um par de botas mostarda. Os chifres e rabo estavam longe de ser vistos conforme o diabrete inclinava-se sobre o corpo de Taehyung.


— Merda, Yoongi vai chorar de inveja quando eu apresentar você como o meu namorado — o loiro balbuciou, encantado pela versão completamente boyfriend material de seu familiar.


— Isso quer dizer que você vai me levar contigo? — indagou, olhos reluzindo uma esperança contagiante.


— Como se eu realmente pudesse deixar você para trás — zombou de si mesmo, levando a mão a nuca de Jeongguk e puxando-lhe para um beijo apaixonado.


Escusado será dizer que os dormitórios da Universidade de Seul nunca mais foram os mesmos.

29 января 2020 г. 23:31:38 0 Отчет Добавить 1
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Об авторе

Ari Lima Alguém que encontrou na escrita uma paixão e sonha em tornar-se uma escritora publicada, mas, enquanto esse sonho não se torna realidade, faço da escrita um hobby. Todas as minhas histórias são do gênero #yaoi e do shipp #kookv. Também conhecida como autora de "Karma" e, agora, de "O preço do do amor".

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