asheviere Jupiter L

Lori não consegue pensar em nada mais romântico do que sair escondida durante a madrugada para patinar no gelo com Mitty, sua namorada. Tudo perfeitamente planejado para que seus pais nem percebam sua pequena fuga. O que é a vida sem um pouco de risco, não? [História para o amigo secreto de 2019 do Esquadrão da Escrita, presente para Anny S.]


Короткий рассказ 13+.

#romance #one-shot #oneshot #conto #shoujo-ai #yuri #natal
Короткий рассказ
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Único - Bolsos carregados de azevinho.

– O que está fazendo? – Evan perguntou, quebrando o silêncio da madrugada, quase levando Lori para o túmulo décadas mais cedo com o susto.

– Evan! – Lori reclamou, levando a mão ao peito, conferindo teatralmente se seu coração ainda batia. Seu irmão mais velho era realmente um fantasma, ele andava pela casa sem fazer ruído algum. Não era sua intenção, mas era frequente que ele assustasse os outros membros da família. Especialmente à noite, quando ele era mais produtivo nos estudos e nos trabalhos, enquanto o resto se preparava para dormir. – Não chegue assim, sem aviso! Eu podia ter morrido.

Apesar do susto, Lori falava aos sussurros. Seus pais estavam dormindo, e ela esperara o momento sorrateiramente, não queria acordá-los novamente.

– É 1h da manhã. Por que está vestida assim? – Evan perguntou, ignorando suas reclamações e indicando o pesado casaco que Lori vestia. Há menos de duas horas Evan vira sua irmã na sala, dando um efusivo “boa noite” aos pais, já de pijama, para afastar suspeitas, e depois se trancar em seu quarto. Agora Lori usava um gorro quente e um suéter fino sob um casaco de lã. Evan não era nenhum Sherlock Holmes, mas parecia que Lori estava para sair. Além disso, Lori segurava pelos cadarços dois pares de patins de gelo.

– O trenó do Papai Noel enguiçou. Ele ligou para mim pedindo ajuda, estou indo consertar.

Mesmo que seu irmão fosse mais velho, Lori falou com confiança, como se realmente pudesse convencê-lo. Obviamente, não funcionou, ele apenas ergueu uma sobrancelha e torceu o canto da boca, desconfiado. Felizmente, ele não era lá um irmão mais velho muito preocupado, então Lori saiu com um sorriso cínico e doce.

– É melhor voltar antes da mãe acordar.

– Pff, você acha que sou uma amadora?

Lori saiu com passos apressados, quase a pequenos saltos, levando os patins e um pote de plástico com algumas rabanadas cuidadosamente escolhidas (as que tinham mais açúcar já tinham sido comidas por sua mãe, mas ela conseguiu outras igualmente boas), a melhor comida do Natal na sua opinião.

Mitty não morava longe, Lori precisou apenas atravessar alguns cruzamentos para chegar à casa dela, que era na mesma rua. A cidade não estava movimentada, mas também não estava deserta, pois muitas pessoas ainda festejavam nas sacadas dos prédios ou nas calçadas, alguns ainda seguravam pratos e copos da ceia. No momento, a verdadeira preocupação de Lori era que Mitty já estivesse dormindo, apesar das diversas mensagens que Lori enviara dizendo: “Não durma, já estou indo. É sério, Mitty. Não. Durma.”

As últimas mensagens não tinham sido visualizadas…

A família da Mitty ceava na hora de um jantar normal, qual a graça disso? Era Natal, dia de dormir tarde, um treinamento para a virada do ano, dia de dormir ainda mais tarde!

As luzes da casa de Mitty estavam apagadas, exceto a da cozinha, que sempre ficava acesa à noite. Uma cerca de altura média, coberta pela neve, a separava do terreno bem cuidado, e, em razão de suas frequentes visitas sem aviso, Lori já sabia o que fazer. Não hesitou ao jogar os patins para o outro lado e depois colocar cuidadosamente o pote de rabanadas sobre o muro. Com uma habilidade da qual muito se orgulhava, Lori içou-se sobre o muro e rolou para o outro lado da cerca, aterrissando na grama úmida pela neve. Pegou suas coisas e correu para a janela que sabia ser do quarto de Mitty.

– Mitty! Mitty, você não dormiu, né? – chamou baixinho, com batidas curtas no vidro. Como não obteve resposta, bateu mais forte, repetidamente, até vê-la se aproximar e abrir a janela com um olhar de espanto.

– Lori, que horas são?

– Você não está vestida ainda? – Lori repreendeu, notando o pijama da garota.

– Vestida para o quê, você não explicou nada!

– Vamos patinar, Mitty! – Lori exclamou, como se fosse óbvio. Mitty, em contrapartida, pareceu completamente desanimada.

– Não dá para ser amanhã?

– Não! Eu vou viajar amanhã, e quando eu voltar, suas férias terão acabado. Essa é literalmente nossa única chance, Mitty, por favor, por favor, venha patinar comigo!

Patinar no gelo era uma das coisas que Lori mais gostava de fazer na vida, perdia apenas para viajar. Mitty morava na cidade há quase um ano e nunca tinha patinado, e apesar da insistência de Lori, elas nunca tinham tempo. Mitty estudava e trabalhava, e quando tinha tempo livre, Lori estava nos ensaios do teatro.

Mitty e seu coração frio não se comoveram com a urgência na voz de Lori.

– Não! É muito tarde para sair, você também não devia voltar para casa agora, passe a noite aqui e volte para casa quando amanhecer, que tal?

– Mitty! – Lori reclamou, como uma criança birrenta. – Eu estou tentando ser romântica!

Mitty já voltava para a cama, enrolando-se nas grossas cobertas como se fosse seu refúgio. Ela não gostava tanto assim do frio. Insatisfeita, Lori pulou para dentro do quarto, insistente.

– Você quer que eu saia do conforto da minha cama para congelar na neve? Não, obrigada.

– Tá, você quem sabe! Mas eu vou levar as rabanadas embora. – Lori balançou o pote, fazendo as torradas se chocarem ruidosamente. Bateu os pés sem sair do lugar, fingindo que estava indo embora, enquanto esperava uma reação de Mitty.

– Aff, está bem! – Ela resmungou. Lori sorriu, sabendo que criara um dilema na cabeça da sua namorada entre as coisas mais importantes para ela: comer e dormir. Mitty levantou preguiçosamente, e em um gesto saudosista, alisou a cama, murmurando: – Eu voltarei… eu voltarei…

Lori voltou para fora, esperando por alguns minutos enquanto Mitty se vestia. Ela saiu com um casaco longo e um cachecol tão enrolado no pescoço que até cobria a parte inferior do rosto, e as mãos metidas em luvas de lã.

Lori sorria euforicamente. Agarrou Mitty pelo braço e deixou um rápido beijo em sua bochecha.

– Que bom que pensou melhor – falou, sem nem dar tempo a Mitty para responder, pois já a puxava em direção à rua.

No momento, Mitty se perguntava por que Lori tinha que ser essa pessoa cheia de energia. Ela sempre aparecia com essas ideias malucas e exaustivas, enquanto tudo o que Mitty queria era ficar abraçada no quarto ou na frente da lareira, sem precisar sair de casa para ser romântica, e muito menos encontrar outras pessoas na rua. Eram o casal formado por aquela pessoa que é a última a sair da festa, no caso a Lori, e a que confirma presença e na última hora desiste de ir, a Mitty.

– Ali! – Lori falou, despertando Mitty, que ainda lutava contra os olhos pesados. Mitty bocejou, mas o ar frio em seu rosto estava sumindo aos poucos com seu sono. Lori e Mitty se abaixaram perto de um banco de praça, ocultas por algumas plantas. Lori apontara para um dos guardas que fazia ronda pelo parque.

– Por que estamos escondidas?

– Porque queremos patinar.

– Eu tenho certeza que ele não nos impediria, o parque é aberto. No máximo ele estranharia duas adolescentes sozinhas aqui às 2h da manhã.

– Que exagero, são 1h42min. E se ele não vai nos impedir, por que estaria fazendo a ronda aqui?

– Hm… Por que é madrugada e estamos em um parque de vegetação fechada onde provavelmente todos os serial killers da cidade desovam os corpos das vítimas?

– Nada tão interessante aconteceria aqui.

Ainda cansada, Mitty apoiou a cabeça no ombro de Lori, mas sem cochilar.

– E o que vamos fazer? – Já que Lori ainda observava como se estivessem de tocaia, Mitty resolveu perguntar. Quase podia ouvir o cérebro de Lori trabalhar em algum de seus planos para afastar o guarda. Sabia que Lori gostava de transformar tudo em uma empolgante aventura.

– Arranjar problemas com a polícia realmente não estava na minha lista para hoje…

– Nossa, isso é… é muito bom. – Mitty falou, aliviada. Não duvidava que essa tarefa realmente estivesse na lista de Lori, entre a aula de teatro e a hora do jantar, na quarta-feira talvez, ou aos sábados. – Não queremos que Papai Noel nos veja com maus olhos – disse, arrancando um sorriso de Lori.

Lori pegou do chão uma pequena pedra coberta de gelo, Esperou o guarda olhar para o outro lado, levantou-se e rapidamente jogou a pedra em uma direção qualquer, abaixando-se novamente em seguida. O policial olhou ao redor, curioso com o barulho. Lori repetiu isso algumas vezes, até que, decidindo averiguar o que causava aquele barulho, o guarda se retirou, indo na direção em que Lori jogara as pedras, oposta ao lugar onde estavam e o acesso ao lago.

– Vamos! – Lori puxou Mitty pelo braço para ajudá-la a levantar, e correram pela estrada de terra que dava para um lago congelado.

– Oh… Então… É mesmo um lago… Achei que seria uma pista… – Mitty murmurou, um tanto preocupada. – Isso é realmente seguro?

– É claro que é seguro! O que poderia acontecer?

Mitty encarou a namorada com um olhar cético e um pouco receoso.

– Você já assistiu A Origem dos Guardiões? Jumper? A Órfã? Aquele filme com o Marcel Ruiz?

– Ok, você está indo bem longe em me fazer pensar nos riscos… – Lori murmurou, parecendo não mais tão certa sobre a ideia, mas sua hesitação não durou muito. – Escute, é perfeitamente seguro. A prefeitura sempre manda alguém para averiguar antes de permitir que a população patine…

– “Alguém”?

– …e o gelo aqui tem mais de um metro de espessura, dá para passar um carro em cima do lago. Veja as marcas, a cidade inteira estava patinando aqui essa noite e o gelo aguentou, porque não aguentaria nós duas? – Dessa vez, Lori não parecia aquela agitação em pessoa. Ela falava suavemente, com intenção de tranquilizar Mitty, segurando sua mão entre as luvas de lã. – Mas você não precisa ir se não quiser. A gente senta em um desses bancos e fica comendo as rabanadas, que tal? – Ela sorriu, e apesar de querer muito patinar com Mitty aquela noite, Lori escondeu esse desejo com perfeição enquanto falava. De jeito nenhum insistiria em algo que deixasse Mitty desconfortável ou assustada.

Porém, Mitty balançou a cabeça negativamente.

– Você disse que faz isso todos os anos, não? Então vamos. – Ela falou, decidida. Lori sorriu, lhe entregando um par de patins.

– Meu irmão tem um chulé desgraçado, fique com os meus e eu uso os dele. Eu me sacrifico por você. – Como sempre, Lori não podia perder uma piada ou brincadeira. Evan não tinha chulé, mas estava tudo bem, pois o que dissera havia feito Mitty sorrir.

A família de Mitty era nova na cidade, esse era o primeiro Natal. Eles vinham da Flórida, com seus invernos quentes, e apesar de existirem pistas de gelo fechadas, ela nunca havia ficado sobre aqueles patins. Nos primeiros momentos, não ousou soltar as mãos de Lori, que parecia ter nascido com aquelas lâminas nos pés. Lori deslizava calmamente de costas, a fim de orientá-la cara a cara sobre o que deveria fazer.

– Você já andou de patins normais? Pronto, é a mesma coisa. Deixe seus pés formando um “V” e mova um de cada vez usando o outro de apoio…

As dicas não estavam surtindo efeito. Lori possuía um equilíbrio como que instintivo, era tão natural para ela quanto andar. Já Mitty se movia com rigidez, não mais pelo medo do lago, mas sim de ter uma queda feia no chão duro. Ela não conseguia fazer seus pés trabalharem juntos, enquanto o direito deslizava para a frente, o esquerdo queria fugir por trás. As orientações de Lori foram interrompidas pela doce risada que ela não conseguiu segurar.

– Me desculpe, Mitty!

Mitty também riria, se não estivesse tão concentrada em se manter de pé. Resolveu agir como Lori, com mais confiança, relaxou suas pernas e agiu como se estivesse andando na terra, mas dessa vez escorregou para a frente, caindo ao chão e levando Lori junto em seu desastre. Mitty conseguiu proteger o rosto com os braços, mas quando se colocou de joelhos, para ver se Lori estava bem, ela pressionava o lábio com os dedos, com uma leve expressão de dor. Na queda, Lori havia mordido o lábio, nada grave, mas Mitty logo a encheu de desculpas, querendo ver o corte, o olhar cheio de preocupação. Lori apenas riu.

– As quedas são parte da diversão – tranquilizou.

Mitty deu um sorriso fraco, ainda com ar de desculpas. Elas estavam juntas há pouco tempo, alguns meses, mas era surpreendente o quanto Lori a encantava. Ela era essa pessoa que abria um largo sorriso mesmo das próprias quedas. E não era assim apenas com a patinação. No festival de teatro da escola, sua turma não conseguiu o prêmio, e Mitty sabia que Lori queria muito vencer o festival. Ela pareceu abatida por alguns minutos, em seguida, sorriu e brincou, dizendo: “É que eu estava poupando meu talento para o festival do ano que vem”, e começou a lembrar dos erros cômicos que aconteceram durante a apresentação, como o figurino do Romeu ter ficado preso em uma parte do cenário, ou como quando Lori, em um momento de distração, acabou dando as costas para o público enquanto encenava, como uma amadora! Logo todo o elenco estava fazendo piada dos mesmos erros que haviam feito eles perderem o festival. Lori conseguia tirá-la da cama na madrugada da véspera de Natal e transformava uma travessia ao parque em um filme de espionagem, com direito a esgueirar-se de policiais. Ela era capaz de fazer da rotina uma aventura. Como conseguia ser assim de modo tão natural?

Sem pensar, Mitty inclinou-se para a frente até unir seus lábios em um beijo. De olhos fechados, Mitty sentia o agradável calor de Lori em meio ao ambiente frio, enquanto seus lábios deixavam-lhe beijos delicados. O silêncio do lago permitia à Mitty ouvir seu próprio coração acelerar, e percebeu que Lori sorria. Surpreendida em um primeiro momento, não pelo gesto, mas pela situação inteira, já que ainda estavam de joelhos no gelo e o frio começava a se tornar desconfortável, Lori manteve os olhos bem abertos enquanto Mitty colocava os braços em volta de seu pescoço e tocava seu rosto de leve, quase como uma brincadeira. Lori não conseguiu reprimir o sorriso, o que acabou por interromper momentaneamente os beijos. Mas logo Lori recomeçou, abraçando Mitty pela cintura com uma mão, e com a outra, tocava seu rosto, alisando a pele levemente com o polegar.

Pouco depois, Mitty se afastou, com um sorriso sereno, mas um pouco provocador.

– Se você tiver sorte, podemos passar sob um ramo de azevinho na volta para casa.

Lori lançou um olhar convencido.

– Para que sorte quando se é uma pessoa preparada? – E tirou do bolso do casaco um pequeno ramo de azevinho, com as folhas amassadas, mas as pequenas bagas vermelhas eram inconfundíveis. Lori levantou o ramo sobre suas cabeças, com o sorriso de alguém que faz as próprias regras. – Assim, qualquer lugar é lugar para beijos.

– Uau… – Mitty riu – Isso é tão… bobo, mas adorável.

– Ah, eu sou boba e adorável, não sabia? – Lori roubou-lhe mais um beijo. Ela também era essa pessoa, que conseguia trapacear até mesmo tradições. – Acho que já patinamos o suficiente. Que tal a gente se proteger do frio agora?

Mitty apoiou-se em Lori enquanto voltavam para a margem, deslizando ainda hesitante sobre o gelo. Tiraram os patins e encontraram algum lugar protegido do vento para se sentarem. Ao longe, podiam ouvir pessoas conversando e uma emotiva música de Natal ser executada em um violino. Lori abriu o pote com as rabanadas e elas finalmente comeram as deliciosas torradas, sujando o rosto e as luvas com a camada de açúcar. Demoraram-se apenas uns quinze minutos, conversando baixinho.

– Acho que não teremos visita do Papai Noel – Lori brincou. – Saímos escondidas, enganamos policiais… Não sei se fomos “boas garotas”.

– Ah, nada que ele pudesse me trazer seria melhor do que ter passado essa noite com você. – Mitty respondeu sem hesitar. E por um momento, Mitty notou que Lori desviou o olhar, sem jeito, e apesar da fraca iluminação vinda apenas da lua e das estrelas, pensou ter visto um leve rubor em seu rosto.

Quando terminaram, quase uma hora depois de chegarem ao lago, as garotas começaram a caminhada de volta para suas casas. Por mais que Mitty tenha insistido para Lori passar as horas restantes da madrugada na sua casa, Lori negou completamente. De jeito nenhum seus pais podiam saber que ela tinha saído naquele horário sem avisar a ninguém. Mitty, sempre preocupada, ficou no portão de casa observando Lori descer a rua, até vê-la entrar em seu prédio, e só depois voltou para seu quarto e sua amada cama.

Já Lori, a sorte nem sempre sorria para ela. A noite havia sido tão perfeita, mas por que não podia ser perfeita só por mais alguns minutos? Entrou em casa fazendo o mínimo de ruído. Evan estava na cozinha, fazendo seu lanche das 3h da manhã.

– E aí, como foi o passeio? – perguntou.

– Evan, foi maravilhoso! – Lori respondeu, transbordando de êxtase, quando ouviu, às suas costas, uma voz severa e mesmo um pouco preocupada, que fez o coração de Lori gelar.

– Que bom que a mocinha se divertiu! – Sua mãe falou alto, sem se importar que seu pai ainda dormia. Ela estava de camisola e apesar do tom de bronca, parecia aliviada por Lori ter voltado logo. – Porque você está de castigo. Para sempre.

Lori curvou os ombros, de cabeça baixa, enquanto sua mãe e seu irmão voltavam para seus quartos. Uma vida de castigo por uma noite no paraíso? Lori não reprimiu o surgimento de um sorriso, e o pensamento de que era uma troca justa.

Cada minuto com Mitty valia a pena.

20 декабря 2019 г. 1:04:44 0 Отчет Добавить 1
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