Um vislumbre do futuro Подписаться

jace_beleren Lucas Vitoriano

Toby, o irmão mais novo de Sarah não está bem. Ela convoca o rei dos goblins Jareth em busca de ajuda.


Фанфик Кино Всех возростов.

#sarah #Jareth #Labirinto--a-magia-do-tempo
Короткий рассказ
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Capítulo único

Mais uma expectativa acabava de ser arruinado. Embora os médicos tenham dito que seu irmão ficaria bem após o tratamento ele não ficou, muito pelo contrario piorava mais e mais. Sarah tinha quinze anos, e estava ao lado do berço do seu irmão, olhando-o com tristeza. Estava disposta a fazer tudo por ele, mas nada do pudesse fazer poderia ajuda-lo.

- Papai está indo em todos os médicos, mas eles não ajudam muito Toby - disse fazendo carinho distraída na barriga do irmão de apenas três anos - enquanto isso aquela bruxa da Emma não faz nada, não sei o que papai viu nela!

Emma era sua madrasta, uma madrasta má, para seguir a tradição dos contos de fadas. E, revendo sua historia, Sarah bem que se adequava a uma heroína dos contos de fadas. Não era princesa, era verdade, mas como Rapunzel estava presa em sua própria torre de pedra, o seu quarto. A apenas um ano atrás a jovem havia visitado a cidade dos duendes, atravessado o labirinto e derrotado o rei dos goblins! Não fizera tudo sozinha, claro, teve ajuda, mas isso não tirava o seu mérito. As garotas de sua idade não chegam nem próximo disso, as maiores aventuras dessas meninas consistiam no perigo de pegar o ônibus errado quando vão ao shopping.

- Vai ficar tudo bem irmãozinho, papai ira arranjar um jeito para que você fique bem - disse beijando carinhosamente a testa do irmão. Não acreditava no que acabava de dizer, mas não podia deixar que Toby perdesse as esperanças, assim como ela havia perdido.

Ela se afastou do berço, antes de sair do quarto ainda murmurou um boa noite, apagando a luz e fechando a porta. Sarah foi para seu próprio quarto fechando a porta e se jogando na cama. O aposento era simples e refletia perfeitamente sua personalidade. Havia uma estante de livros com suas leituras favoritas, uma mesa com seu notebook e mais uma grande variedade de bichos de pelúcia, desde preguiçosos pandas até amáveis leões. Sarah tinha ate mesmo seu pequeno camarim em seu quarto, um espelho aonde ela se maquiava e ensaiava as falas do teatro. Ao lado do espelho uma variedade de fotos da mãe.

E preciso deixar claro, porém, que nos últimos dias seu quarto se encontrava em uma completa desordem. Ele era desarrumado, não que ela fosse uma pessoa desorganizada, na verdade era extremamente organizada, mas naquele momento de sua vida a desarrumação do quarto representava a confusão em sua própria cabeça. Sua vida consistia no stress da convivência com a madrasta e na tristeza com a doença do irmão e ausência do pai. Este último, dava mais atenção a Toby, Emma e ao seu trabalho do que a sua própria filha. Some-se a isso todos os problemas de uma adolescente normal de quinze anos: provas, problemas de se encontrar na vida, interesses amorosos e, no seu caso em particular, a grande falta da mãe.

A mãe de Sarah não era ninguém menos que Ana Mary Singwood, hoje em dia pode ser um nome sem significado, mas a anos atrás, ela era a melhor. Ana Mary havia sido como a Marilyn Monroe do teatro, uma atriz brilhante que teve uma ascensão meteórica nos palcos de todo os Estados Unidos. Sua primazia teria alcançado a Europa se não houvesse sumido misteriosamente deixando uma legião de fãs enlouquecidos e jornalistas muito contentes por terem uma história tão boa que lhes encheram seus bolsos por seis meses.

Sarah era pequena demais na época para se lembrar da mãe, que sumira quando ela tinha apenas cinco anos. As vezes tinha flashs de um sorriso acolhedor e uma voz hipnotizante como o canto de uma sereia, mas eram imagens passageiras que se dissipavam rapidamente.

A garota havia desenvolvido uma verdadeira adoração pela mãe. Ela representava a vida feliz e leve que ela nunca teve, um sonho que nunca envelhecia em seu imaginário. Sarah entrara no teatro por causa dela, e ate tinha talento para o oficio. Começara interpretando arvores, o que fora uma fase deprimente de sua ainda curta carreira de atriz (Sarah nunca entendeu porque era preciso alguém interpretar uma arvore já que elas não fazem nada). Desde o ano passado, porém, a sorte sorriu para ela. Fizera Dorothy do mágico de Oz e agora estava ensaiando para Alice no pais das maravilhas. Mas, tragicamente, ela faria a rainha de copas, não Alice, o que era uma pena, mas só o fato de interpretar uma de suas historias favoritas já era motivo para euforia, mesmo que ela fosse uma simples dois de paus.

Cansada, Sarah se deitou na cama encarando o teto como se ele pudesse revelar a solução para todos os seus problemas.

- O rei dos goblins poderia... - disse para si mesma assustando-se com sua própria voz e calando-se logo em seguida. Era como se apenas falar dele, mesmo sem citar seu nome, fosse o suficiente para faze-lo surgir.

Mas Jareth, o rei dos goblins, poderia ajudar Toby. Sarah pensou isso recostando a cabeça no travesseiro. A vida na cidade dos duendes era muito mais emocionante do que seu cotidiano chato. Ela não pensava tanto em sua vida como chata antes, mas como não poderia pensar assim depois de viajar ao mundo fabuloso dos duendes e atravessar o labirinto? E não era apenas do mundo fantástico que sentia falta, mas também do rei dos goblins, Jareth. Desde que deixara o labirinto pensava nele. Ele era metido, arrogante e nada honesto quando se tratava de regras, mas havia algo que a fazia se sentir atraída por ele, mesmo não gostando. A relação de ambos era o que se poderia chamar de paradoxal.

- Jareth... - disse em voz alta, se impressionando com o poder que aquele nome tinha sobre ela. Fechou os olhos mentalizando o seu rosto. Seus lábios pareceram ganhar vontade própria pois antes mesmo que ela pudesse pensar em algo começou a falar - eu queria que v...

Tapou a boca com as mãos antes que as últimas palavras fossem ditas. As palavras tem poder. O que foi dito não pode ser desdito, era isso que ele a havia ensinado na primeira vez que conversaram. Sarah poderia chama-lo quando quisesse. Se o fizesse, ele viria ate ela. Era preciso porem desejar, era preciso dizer “eu queria” e então fazer seu pedido ao rei dos goblins. eram essas as palavras perigosas.

Eu queria que o rei dos goblins viesse até mim, eu queria que o rei dos goblins viesse até mim, eu queria que o rei dos goblins viesse até mim! As palavras repetiam-se cada vez mais forte em sua cabeça. No fundo fora sempre isso que desejara.

Dizer aquilo, mesmo em pensamento, lhe avivava cada vez mais esse desejo. Sabia que ele poderia fazer que Toby ficasse bem. Sarah então se decidiu, fechou os olhos e disse as palavras certas.

- Eu queria que o rei dos goblins viessem até mim!!

Como um passe de mágica, mal essas palavras acabaram de ser ditas, uma forte rajada de vendo escancarou a janela. A luz do quarto piscou de forma bruta, projetando a sombra de um ser alado gigantesco e assustador. Sarah se encolheu assustada na cama, protegendo o rosto do que viria a seguir. Mas foi com uma mistura de alivio e decepção que constatou que a criatura que surgiu voando e entrando pela janela do quarto era apenas uma coruja branca. O animal a encarou com seus olhos sagazes. Suas asas batiam com força mantendo-a parada no ar. O vento fez voar os papeis de Sarah que estavam em cima de sua mesa.

Mas então, algo fantástico aconteceu. Em uma fração de segundos a coruja se transformou. Suas asas se metamorfosearam em braços, as penas ao redor do corpo em roupas e as patas em pernas. A figura imponente de jareth, o rei dos goblins, surgiu.

Sarah o observou atônita, não surpresa, apenas admirada. Ele continuava o mesmo, os longos cabelos loiros com duas mechas caindo sobre os ombros, o sorriso discreto. Ele a observava com seu olhar audacioso que tanto gostava de mostrar para ela.

- Não poderia ter entrado pela porta? desarrumou meus papeis. E esse vento todo assusta sabia?! - disse se levantando da cama com raiva e indo ate ele.

- Nunca aprende nada Sarah? - perguntou ele sorrindo daquele jeito arrogante - se queria isso deveria ter dito "Eu queria que o rei dos goblins viesse ate mim, pela porta" como não especificou fiz do meu próprio jeito.

Ela não se deu ao trabalho de responder, apenas revirou os olhos enquanto juntava os papeis que estavam pelo chão. Ele a olhava calmamente, o que a deixou ainda mais irritada. Ela parecia uma serva trabalhando enquanto ele entrava como um rei espalhafatoso.

- Desarrumou minhas coisas - disse por fim, terminando de juntar os papeis e colocando-os sobre a mesa - são minhas falas em "Alice no pais das maravilhas" e eu preciso ensaiar muito, A peça é daqui a dez dias apenas.

- Levando em conta que seu quarto se encontra em uma total desarrumação – começou ele, seu tom meio de irônica, meio de deboche - o que está arrumado não seria o desarrumado, e o que está desarrumado não seria o arrumado? - perguntou levantando uma sobrancelha.

Sarah bufou, odiava quando ele tinha razão, e odiava por ele ter razão tantas vezes, Mas a verdade é estava feliz por estar novamente com ele. A relação dos dois era realmente paradoxal.

- Meu quarto não está desarrumado – disse de forma até bastante convincente. Desejava muito acreditar naquelas palavras - ele só esta... em processo de arrumação.

- Mesmo? - perguntou ele com mais um daqueles sorrisos de sútil deboche.

Jareth caminhou pelo quarto como um avaliador severo, parou ao lado da cama apontou para baixo.

- Suas calcinhas não fazem parte desse processo pelo visto. Branca, combina com você.

Ela sentiu que iria desmaiar de tanta vergonha. Juntou toda a decência e dignidade que ainda tinha, o que não era muita, e se ajoelhou pegando a calcinha e guardando-a.

- Isso não estava aqui antes de você chegar feito um furacão - protestou corada, continuando a arrumar seu quarto. Ela se repreendeu mentalmente. Poderia ter sido ao menos um pouco inteligente e arrumado seu quarto antes de invocá-lo.

Enquanto ela arrumava o quarto, Jareth passeou pelo cômodo passando os olhos por tudo ao redor, ate que se interessou pelos papeis as quais ela arrumara e pegou um deles.

- Suas falas não são difíceis, quase todas suas elas são “cortem sua cabeça!”, isso ira mesmo acontecer na sua peça?

- Não – respondeu terminando finalmente a arrumação. De imediato, a imagem das criaturas do reino dos duendes que podiam desmontar suas próprias cabeças veio a sua mente. Ela teve que se segurar para não rir – meu papel é de uma rainha e é isso que ela faz, mandar cortar a cabeça dos outros quando a desagradam.

Jareth a encarou com seu olhar profundo e misterioso como de uma esfinge. Ela não gostava quando ele a olhava assim, como se pudesse ler sua alma. Ela tentou desviar o olhar, mas ele segurou o seu queixo forçando-a a encará-lo.

- Se fosse minha rainha não precisaria fazer nada disso.

Sarah coroou. A imagem de uma vida feliz com Jareth preencheu seus pensamentos. Ela já havia pensado nisso, muitas vezes. Mas como ficaria seu pai? E Toby? Não podia abandoná-los.

- E-eu não posso... não quero – as palavras deviam transparecer segurança, mas estavam carregadas de dúvida.

Jareth sorriu novamente. Com um gesto simples fez surgir uma pequena esfera de vidro em sua mão. Ela não sabia como ele fazia aquilo com as esferas, mas sempre a encantava. O rei dos goblins começou a brincar com o pequeno objeto, fazendo-o dançar entre suas mãos, deslizar pelos seus braços e repousar, docilmente, na palma de sua mão.

- Olhe para dentro dessa esfera Sarah. Diga-me o que vê.

A garota hesitou por alguns instantes, mas a curiosidade acabou falando mais alto. Sarah fitou o interior da esfera de vidro. De inicio nada viu além de seu reflexo distorcido, mas, aos poucos, uma imagem começou a se formar.

Ela viu a ela e a Jareth. Estavam no palácio do soberano. Ela não parecia mais uma adolescente, mas uma adulta no auge de sua beleza. Vestia um lindo vestido de princesa amarelo, uma coroa repousava em sua cabeça. Os dois estavam juntos, felizes. Abraçaram-se e trocaram um delicado beijo de amor. Sarah sentiu uma pontada no coração. Sentiu a estranha sensação de ter inveja de sua outra eu. Ela parecia tão feliz. Tão completamente feliz...

- Não vou cair em suas ilusões! – disse afastando o olhar. Evitava aquela esfera, com medo de ser tentada pelas imagens felizes que ela lhe mostrava.

Com um movimento discreto Jareth fez com que a esfera sumisse de sua mão. Ele apenas sorriu para ela.

- Minhas ilusões? Não criei ilusão nenhuma Sarah. A esfera mostra seu maior desejo. Me diga, o que você viu?

Ela corou. Jareth olhava para ela, com um olhar profundo e ansioso. Ela queria dizer o que viu, dizer que o amava. Mas sabia que se aceitasse partir com o rei dos goblins jamais voltaria ao seu mundo. Ela não podia fazer isso, Toby precisava dela.

- Não lhe importa! Apenas, apenas saia daqui! Não o quero por perto! – sua voz elevou-se. Ela não queria ser grosseira, mas, como Jareth sempre dizia, o que havia sido dito não podia ser desdito.

Ele lançou um último sorriso, dessa vez havia uma sombra de tristeza nele. Jareth fez uma reverencia cortes e então sumiu. Sarah sentia suas pernas tremulas. Teve vontade de chamar novamente pelo rei, pedir desculpas por suas palavras, mas sabia que ele não viria. Não agora.

Com um suspiro, Sarah sentou-se em sua cama. No final nem havia pedido a ajuda de Jareth para resolver o problema de Toby, mas no fundo ela sabia que não adiantaria. Jareth jamais faria algo assim de graça, por mais que a amasse. Ele queria a ela, queria-a mais do que tudo.

E ela também o queria. Era exatamente disso que tinha medo. As imagens vistas na esfera de vidro ainda a assustavam. Poderia mesmo ela viver aquele futuro? Sarah não sabia, mas esperava que sim.

Um dia, talvez aquela ilusão se tornasse realidade.

18 ноября 2019 г. 21:52:22 0 Отчет Добавить 0
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Об авторе

Lucas Vitoriano Ola, me chamo Lucas, adoro escrever, ver animes, jogar Magic the gathering, ler entre outras coisas mais rs. Sou particulamente fissurado em mitologia grega, meus autores favoritos são Neil Gaiman e Kazuo Ishiguro e, meu livro favorito, é As brumas de Avalon.

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