Nix Подписаться

anjosetsuna Anjo Setsuna

Véspera de Natal, uma freira desiludida, uma ajudante de Papai Noel magoada, e o Natal está chegando para elas.


Короткий рассказ Всех возростов.

#drama #elfo #ajudante-de-papai-noel #freira #natal
Короткий рассказ
0
1.9k ПРОСМОТРОВ
Завершено
reading time
AA Поделиться

Nix

Era Natal, tudo deveria ser feliz e perfeito certo? Então como ousavam pisar assim em seus sentimentos, sem piedade alguma? Ainda podia ouvir as risadas dos colegas de trabalho ao encarar sua face frustrada e dolorida, pra não dizer vermelha de raiva e vergonha, com toda aquela discussão sobre a existência do bom velhinho. Não era certo, definitivamente não era certo caçoarem assim de sua crença! Sentia as lágrimas molharem seu rosto enquanto fechava os olhos com força devido o frio cortante do inverno. Mesmo vestida de ajudante de Papai Noel, o tamanho das vestes não ajudava em nada a se manter aquecida em meio toda aquela neve.

— Ele existe sim… Eu sei que ele existe… - fungou - Ele me salvou não é? Aquela noite… ele me salvou!

Mais lágrimas rolaram pelas bochechas da garota vestida de elfo*, seu uniforme verde misturava-se na multidão de pessoas apressadas em comprar um presente na véspera de Natal, ignoravam a presença da figura natalina fora de um shopping. A elfa esbarrou com uma freira em seu caminho, quase a derrubando na colisão, rapidamente se desculpou e continuou seu caminho para os fundos do shopping pelo lado de fora, seguia para as escadas de emergência.

— Quanta pressa… - riu a freira - A fabricação dos presentes está atrasada?

A beata riu um pouco mais com própria piada, se censurou pela brincadeira indevida e apertou o terço que carregava na mão esquerda, uma mania que tinha ao ficar ansiosa. Seu olhar fixava-se no sinal de pedestres fechado, a cor vermelha lhe chamava a atenção por motivos que não conseguia lembrar exatamente, quando o sinal ficou verde estancou no lugar.

— Ah! Os presentes! A Madre ia me dar um sermão dos grandes se eu não falar com o dono da loja… - suspirou cansada imaginando a bronca.

O mar de pessoas seguiu atravessando, pacotes e pessoas se esbarravam na rua, a freira aproveitou o caminho livre para fazer o caminho de volta ao shopping. Suspirou novamente ao lembrar que devia ir pelo lado de fora do estabelecimento, andar naquela neve toda lhe dava arrepios, mesmo usando roupas de inverno por baixo do hábito*, ele em nada protegia contra o frio gélido.

Cada passo escorregadio no chão lhe rendia xingamentos em sua mente, que saiam em forma de preces irritadas, afinal freiras "devem ter postura", lembrava das palavras de sua superiora. Senão fosse pelas crianças do orfanato que tomava conta definitivamente não estaria ali. Em seu íntimo sempre sentia-se patética ao encarar o espelho velho da igreja com aquela roupa preta e branca. Amaldiçoava seu pais todos os dias por terem feito aquela promessa de entregar uma de suas filhas a Deus, achava-se azarada por ser a única que realmente não acreditava nele e todo aquele papo de salvação, sabia que logo seria expulsa pela "velhota que insistia em lhe dar ordens".

A religiosa encarava a porta de metal cinzenta da loja, tinha batido insistentemente e ninguém aparecia para atendê-la. Resolveu poupar as mãos daquele movimento repetitivo e encostou na parede para pensar no que faria. No convento não permitiam celular, recebera ordens precisas de não procurar o lojista por dentro do shopping para não incomodar os clientes, não tinha dinheiro para usar o telefone público e não podia ir embora sem falar com alguém da loja. Esfregou os braços desanimada, não conseguia se concentrar naquele frio. Ouviu barulho de passos secos e metal sendo arrastado.

— Finalmente! - sorriu enquanto desencostava da parede tirando um pouco de neve, que começava a cair, das vestes. Aguardou mais um pouco a porta abrir e nada, quase chorou de desapontamento - Será que foi minha imaginação…Resolveu bater novamente e finalmente foi atendida, por um momento pensou ter ouvido gritos do lado de fora, mas o aquecedor da loja a fez ignorar a rua.

— Chefe idiota… Bando de idiotas! IDIOTAS!

A garota vestida de elfa berrava no terraço do shopping, seu coração doía. As risadas ainda zuniam em seus ouvidos. Nunca, em seus poucos dezesseis anos de vida, sentia-se com tanta vergonha como naquela noite. Nem quando escorregou na escola e ficou com a saia levantada mostrando sua calcinha de bichinho.

Seus círculos de amizade, família, escola, todos eles respeitavam sua crença genuína no bom velhinho. Nunca alguém apontara os dedos para rir dela daquela forma, nunca alguém a censurou por aquilo. Ela sabia que os velhinhos nos shoppings não eram o verdadeiro, o verdadeiro sempre vinha na noite de Natal comer os biscoitos que deixava e aproveitava para deixar uma resposta a sua cartinha feita geralmente na noite anterior. Ela sempre jurava de pés juntos que tinha sido o bom velhinho de vermelho que a salvara daquela queda horrível no mirante, seis anos antes. Ainda se lembrava bem do sorriso amável dele, e de como ele dizia que ia ficar tudo bem enquanto caía na escuridão. E ainda não se convencera da explicação que lhe deram no hospital sobre como a neve amortecera sua queda naquele dia. Era alto demais para ter sobrevivido, ela sabia bem disso.

— Eu vou provar pra eles… Esse ano eu tiro foto junto com ele, é!

Pensou animada enquanto apertava a grade de segurança do terraço, a vista do horizonte de cima do shopping era brilhante com todas aquelas luzes de enfeites de Natal pela cidade. Renovada com a própria ideia, apoiou-se na grade e esticou os braços tentando pegar alguns flocos de neve que começavam a cair. Subiu em uma das barras da grade para tentar ficar um pouco mais alta que o chão, olhava maravilhada para os pontos brancos que caiam na noite escura, aquela visão era nostálgica para si. Esticava-se cada vez mais distraída com em pensamentos.

— Ah! A carta desse… - sobressaltou sobre a grade molhada.

Um som metálico ecoou no beco quase vazio. O horário de fechamento do shopping se aproximava, vigilantes fechavam as portas centrais do estabelecimento. A freira agradecia mais uma vez a doação generosa de brinquedos ao orfanato, recusando a carona oferecida por um dos funcionários. Gostava de andar pelas ruas o máximo que podia, já que na igreja a clausura era quase em tempo integral. Bateu o portão atrás de si, fazendo mais barulho que gostaria. Perceber o chão nevado afofando debaixo de seus pés ao sair a desanimou por alguns segundos.

— Tudo pelas crianças, tudo pelas crianças…

Focar no orfanato era seu mantra pessoal, não acreditava em milagres, sabia que a doação teria seu preço pago pela propaganda vinda junto com ela. Porém, ainda ficava feliz ao imaginar os rostinhos felizes no dia seguinte. Aquela seria sua despedida, pretendia fugir na virada do ano do convento. Só não sabia exatamente como.

O sinal vermelho na faixa de pedestre chamou sua atenção novamente, em segundos ficaria verde. O mar de pessoas horas atrás não existia mais. Toryanse* terminara de tocar, junto com as notas finais um baque surdo foi sentido, a neve branca ficara colorida. As cores natalinas predominavam no chão, uma mistura de verde, vermelho, branco. O tintilar da barra de metal ainda ecoava na rua vazia.

Quem olhasse de cima, acharia que a freira estava brincando de fazer anjos de neve no chão, pernas e braços estavam em ângulos abertos. Algo molhado encharcava sua nuca, mas ela não lembrava da neve ser quentinha. Tudo que conseguia pensar naquele momento era o que seria aquele borrão verde que vira ao olhar pra cima, ao escutar um barulho esquisito.

A elfa ainda repassava algumas palavras de sua cartinha, tentando ao mesmo tempo lembrar onde colocara o celular para tirar uma foto com o papai noel. Mas a pressão de algo em suas costas quebrara sua concentração, nunca imaginou que aquelas barras podiam ser tão pesadas, ficava difícil respirar com aquilo em cima de si.

Toryanse tocava novamente, um capuz verde atravessava a faixa levado pelo vento. As luzes de natal refletiam um dourado pálido de um terço, a neve que havia começado a cair parara, apenas o vento forte permanecia.

Fim

__________________________________________________________________

Nix: Neve em latim, não confundir com a deus da mitologia haha!

elfo: optei por usar a palavra elfo, mas os ajudantes do papai noel também são conhecidos por duendes. Mas não queremos aquele sentimento de Xuxa aqui, certo? CERTO *encara*

Hábito: sabe a roupa preta que as freiras usam, então, é esse o nome desse tipo de vestuário.

Toryanse - música que toca em sinaleiros japoneses para deficientes visuais se guiarem.

25 декабря 2019 г. 0:02:30 0 Отчет Добавить 1
Конец

Об авторе

Anjo Setsuna A mesma Anjo Setsuna de sempre, dando uma espiada aqui no Inkspired. Também podem achar meus escritos no Fanfiction Net, Fiction Pres, AO3 e Wattpad. Caso vejam minhas obras em outros sites além desses denuncie por favor. Novata nessa plataforma, sempre aberta a novas amizades :D Amo drabbles de 100 palavras e fanfics.

Прокомментируйте

Отправить!
Нет комментариев. Будьте первым!
~