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damievil lyu zinho

"A imaginação é a única coisa que nos diferencia de todos aqueles estúpidos". Park Jimin era o detetive especialista em assassinatos da delegacia da cidade de Seul e nunca se incomodou com seu trabalho. O detetive nunca sentiu nada além de repulsa pelos responsáveis dos crimes, até o dia que é chamado na madrugada para investigar um assassinato de um suposto serial killer misterioso que deixava bilhetes nas vítimas. [Referências ao livro "Fantasma da ópera" de Gastón Leroux e a série "Hannibal" de Adam Kane e Neil Marshall. Playlist citada do filme " Fantasma da ópera" remake de 2004 e do elenco de Londres. Livro "Dragão vermelho" de Thomas Harris e " O retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde]


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A igreja

O sono de Jimin fora interrompido com um tocar incessante do celular ao lado da sua cama. Ele abriu os olhos com dificuldade, resmungando baixinho e amaldiçoando quem quer que estivesse ligando. Com relutância, esticou a mão até o relógio e viu que eram quatro da manhã e voltou a resmungar. Jimin se sentou e esfregou as mãos no rosto e acendeu a luz da cabeceira, procurando seu celular. Quando pegou, viu o nome na tela e desbloqueou.

-Sabe que horas são, Jung? Que diabos você quer a essa hora? – Falou irritadiço.

A pessoa do outro lado suspirou.

-Perdão, detetive Park, mas o senhor precisa vir para a delegacia agora.

Jimin apertou o indicador na própria testa com uma careta.

-É importante? Não dá para esperar? –Perguntou desanimado, já sabendo da resposta.

Park não viu, mas sabia que Jung negava com a cabeça.

-Com palavras, Hoseok, me fale com palavras!

-Não, não senhor. Venha, por favor!

Jimin afastou o celular do rosto e praguejou, se arrependendo do dia que decidira virar detetive.

-Tá, já estou indo.

O homem afastou o celular para desligar e apoiou os braços nas pernas e o rosto nas mãos, respirando fundo e tomando coragem para levantar. Jimin empurrou as cobertas com os pés e se levantou, ainda reclamando e seguiu em direção ao guarda-roupa, pegando um casaco e uma calça, se despindo ali no quarto mesmo. Ele pegou os pijamas do chão e jogou em cima da cama, condenando a si mesmo por ser bagunceiro.

Saindo do quarto, foi em direção ao banheiro lavar o rosto para acordar e depois para a cozinha fazer café. Podia ser uma emergência, mas Jimin não seria nada útil sem sua dose de cafeína matinal. Parando apenas para olhar no espelho da sala a sua expressão de noites mal dormidas, Park abriu a porta e saiu, indo em direção ao elevador e depois ao seu carro na garagem.

[...]

-Boa madrugada, detetive! – Disse um dos policiais responsáveis pela entrada da delegacia. Jimin forçou um sorriso e seguiu em frente até sua sala.

O lugar era iluminado por lustres que pendiam do teto e pela janela – inútil nessa hora da madrugada - atrás da grande cadeira. Havia outros dois assentos na frente da mesa de madeira nos quais já estavam sendo preenchidos por oficial Hoseok e Namjoon. Ao adentrar a sala e fechar a porta, Jimin foi recebido por um levantar abrupto dos dois policiais.

-Desculpe acordar o senhor a essa hora, mas... – Começou o homem um pouco mais alto que o detetive e de cabelos escuros, conhecido com Jung Hoseok.

Jimin abanou a mão enquanto se ajeitava na cadeira, dispensando os comentários desnecessários dos dois. Queria apenas o que tinham para lhe dar e acabar com isso. Hoseok parou a frase e pareceu engolir a força o resto. Sabia que o chefe não estava de bom humor.

-Desembucha, Hoseok. O que te fez me acordar a essa maldita hora? –Falou furioso.

Oficial Namjoon não soltou uma palavra, apenas colocou um envelope alaranjado em cima da mesa e empurrou para Jimin. Park olhou primeiro para o papel e depois para os dois com expressão séria no rosto.

-De quando é isto? – Perguntou pegando o envelope e olhando dentro.

-Hoje, senhor.

Jimin se inclinou e despejou todo o conteúdo que tinha ali em as espalhou pela larga mesa de madeira, empurrando o teclado branco do computador para o lado. Assim que posicionou as fotos, observou uma por uma, pegando primeiro uma do meio que chamou sua atenção. Havia um corpo nú com a pele do tórax completamente aberta, expondo os ossos e as vísceras, a cabeça pendia para frente e os cabelos castanhos estavam desgrenhados. O cadáver estava de joelhos e seus braços abertos, presos em candelabros postos um de cada lado do corpo e com as mãos presas por tecido roxo, era um homem com certeza. Todo o corpo estava limpo sem uma gota de sangue, era como se o autor tivesse limpado todo ele antes de posicionar naquela posição macabra. Park deixou a foto na mesa ainda incrédulo e pegou outra, era uma imagem mais afastada do corpo e dava para ver perfeitamente o espaço. Havia alguns bancos compridos de madeira, dispostos em cada lado do local, um tapete vermelho entre eles e alguns vasos altos com flores ao lado de cada assento, Jimin passou os olhos, se atentando a todos os detalhes como um bom detetive e foi então que se deu conta quando viu que atrás de um dos policiais que fazia anotações atrás do corpo tinha um móvel feito de madeira.

-I-isso é uma igreja? – Jimin ergueu o olhar para as duas figuras imóveis que agora assentiam.

O detetive continuou observando a imagem e viu a cruz brilhante atrás no alto e suspirou. "Não se tem mais respeito hoje em dia" pensou consigo e se voltou para outra imagem. Ao todo, era dez fotos espalhadas e Jimin deu a atenção necessária a todas elas, as que mostravam o corpo mais de perto foram as que mais demoraram, ele analisava na procura de sangue, mas estava tudo limpo para sua infelicidade. As figuras tomaram sua atenção por longos trinta minutos quando ele finalmente as recolheu e se levantou com as mesmas na mão e seguiu em direção ao lado direito da sala que tinha um quadro e agulhas coloridas para prender imagens, e foi o que Jimin fez. Prendeu cada uma das dez imagens em sequência da mais afastada para a mais ampliada e as observou por alguns segundos para finalmente se virar para os oficiais que aguardaram pacientemente sua análise.

-Tem mais alguma coisa? –Os dois assentiram quase mutuamente.

-Está no laboratório, senhor. – Afirmou Namjoon. – Se o senhor nos de licença, temos que ir.

Ambos se levantaram e balançaram a cabeça na direção do chefe em sinal de respeito e se retiraram, segurando seus chapéus azuis na frente do corpo. Jimin tirou o casaco e jogou em cima da cadeira, aquela situação estava deixando o lugar abafado, por isso ele decidiu abrir as janelas para o vento da madrugada adentrar o local. Ao puxar as cortinas e inspirar bem fundo, decidiu seguir até o laboratório da delegacia. Caminhou ainda transtornado com as imagens que recebeu e não se deu conta quando esbarrou com uma parede que indicava que já tinha chegado no seu destino. Ao adentrar o lugar branco cheio de mesas de metal e normalmente vazio, cumprimentou todos os cinco legistas ali. Doutora Jisoo estava na bancada branca de pedra mexendo em tubos de ensaio com luvas e o típico uniforme e jaleco branco que todos costumavam usar, doutor Hyunsik estava sentado em uma cadeira perto da entrada, digitando ao rapidamente no computador. Doutoras Chaeyoung, Jennie e Soyeon estavam em volta do corpo deitado na última mesa. Nenhum percebeu quando o detetive Park entrou e por isso ele coçou a garganta. Hyunsik deixou a atenção do computador e voltou-se ao homem parado na porta.

-Ah! Detetive, já estava imaginando quando chegaria. – Disse se levantando da cadeira e indo em direção a Jimin.

O homem mais alto e moreno estendeu a mão com a luva de borracha e Jimin ergueu uma das sobrancelhas que diziam "por onde andou isso ai?", Hyunsik riu e bateu a mão de leve na testa.

-Que esquecido eu sou, ora! – Ele retirou as luvas e estendeu a mão novamente, que dessa vez foi recebida com um aperto. – Imagino que o senhor tenha vindo buscar o bilhete? – Jimin assentiu mesmo não sabendo de que bilhete se tratava. – Estava avisando à central agora mesmo o que descobrimos, não é mesmo, Chaeyoung?

A mulher de cabelos longos e loiros se virou com um sorriso no rosto, suas bochechas quase tão gordinhas quanto as de Jimin estavam vermelhas devido ao ar condicionado gelado do local.

-Desculpe, eu não entendi o que disse. – Comentou.

-Estava dizendo ao detetive que estava fazendo um belo trabalho neste corpo. Diga a ele o que descobriram, doutora.

Chaeyoung assentiu, seu sorriso diminuiu e a mulher fez sinal para que Jimin se aproximasse.

-Então detetive, não sei se chegou a ser informado, mas descobrimos o corpo era por volta das três da manhã, pelo menos foi o horário que nós aqui fomos chamados para recolhê-lo. Segundo o pouco que analisamos, podemos concluir que esse corte – a mulher apontou para o enorme rasgo que pegava da altura do esterno até a cintura – foi feito com a vítima ainda em vida, não foi esse o motivo da morte, claro, mas desconfiamos que este fora golpes no coração exposto. – a doutora de cabelos curtos e igualmente loira conhecida como Soyeon apontou para a artéria que tinha possuía um corte quase imperceptível se não fosse analisado e mostrado com o dedo. – o coração foi retirado assim como o pulmão e quase todos os outros órgãos com exceção das vísceras. Apostamos que pelo estado do corpo, ele foi morto por volta das onze da noite e uma da manhã.

Jimin assentiu e suspirou.

-Já sabem quem é? – Chaeyoung negou. – Entendi, é só isso que podem me dizer até o momento? – dessa vez foi Soyeon quem assentiu. – Ótimo, agradeço o trabalho de vocês, qualquer coisa me avisem. – Jimin se voltou para Hyunsik e começou a caminhar na direção do homem. – Me mandaram aqui para pegar o....o...bilhete, poderia me entregar?

Hyunsik sorriu e se virou para pegar um pacotinho com um papel que repousava ao lado do computador para entregar à Jimin. O detetive agradeceu e saiu do lugar branco e frio, seguindo novamente para sua sala, enquanto caminhava, conseguiu ler o que continha no bilhete escrito com letras rabiscadas e quase ilegíveis.

"Tonight I gave you my soul, and I am dead"

"Esta noite eu morri e entreguei-te minha alma"

Jimin se jogou na cadeira e girou, jogando o pacote em cima da mesa e parando na direção do quadro com as imagens. Passou alguns longos minutos observando-as e conversando consigo.

-Será algum tipo de assassino em série recém emergido? – Park fechou os olhos e respirou o ar agora mais aquecido pelo começo do nascer do sol. – Por quê os órgãos sumiram? Por quê na igreja? Ai minha cabeça. – Reclamou para si e tapou os olhos com as mãos.

Jimin se endireitou e se inclinou em direção ao telefone, ao ouvir uma voz do outro lado, fez o pedido.

-Você é a nova secretária? – Park recebeu um "sim, senhor" como resposta. – Pode me trazer um café bem forte, por favor?

-Claro, senhor, já levo.

-Obrigado!

E tirou o dedo do botão, voltando-se a se recostar na cadeira, apertando com os dedos entre os olhos. Essa noite tivera um sonho péssimo e isso não ajudou muito, fazia noites que ele se repetia e estava começando a ficar seriamente chato.

No sonho havia um homem alto de cabelos escuros, não era possível ver sua face pois ele estava de costas, mas ele possuía ombros largos e as mãos caídas ao lado do corpo, delas escorriam sangue. Uma figura jogada no chão com a cabeça para o lado, como se observasse Jimin com seus olhos brancos e mortos e sua boca arreganhada, com um enorme rasgo na garganta que não parava de sair sangue. Quando Park ia em direção do homem caído para ajudá-lo e parar o homem alto, uma voz estridente gritava em sua cabeça e o fazia cair de joelhos, apertando as mãos contra os próprios ouvidos. Era como se seus tímpanos estivessem explodindo e seu cérebro derretendo, seu corpo todo entrava em colapso e quando ele estava prestes a perder a consciência, algo acordava Jimin. Dessa vez, foi o celular.

Sinceramente, ele agradecia por acordar pois tinha medo de saber o que acontecia depois.

Com uma longa e pesada expiração, Jimin jogou a cabeça contra o estofado verde-escuro e macio da cadeira, bem na hora que uma batida irrompeu no local.

-Entre! – Disse.

-Trouxe seu café, senhor. – A mulher que entrou usava calça jeans e uma blusa escura com seus cabelos negros presos atrás da cabeça em um rabo e uma franja cortada na altura das sobrancelhas, ela tinha expressão forte e nenhum pouco convidativa. Jimin não a julgava, se tivesse que trabalhar nas madrugadas, iria ter a mesma expressão. Ah, espere! Ele já trabalha!

-Obrigado, senhorita... – Estendeu o braço para pegar o copo branco com o líquido fumegante ali dentro das mãos da mulher.

-Seulgi, senhor. – Jimin assentiu.

-Obrigado, senhorita Seulgi.

A mulher deu um sorriso de canto e saiu, deixando Jimin com seus pensamentos sobre seu mais recente sonho incômodo.

-Será que devo contar sobre isso para minha terapeuta? – Conversou com as paredes. – Talvez ela possa me ajudar, faz semanas que não conto nada para ela mesmo.

Park remexeu nos bolsos com a mão vazia até encontrar o celular, desbloqueou com a digital e entrou na lista de contatos e procurou por doutora Chohee.

-Alô? – chamou Jimin. – Doutora Chohee? – Houve um silêncio por parte do detetive para que a mulher respondesse. – É o Jimin, eu gostaria de confirmar sobre minha consulta hoje. Ah, sim! Obrigado, senhorita.

Park afastou o telefone e desligou, se sentindo mais aliviado por ter alguém para conversar sobre o sonho. O homem inclinou a cadeira para trás e olhou para o céu agora colorido pelo sol que havia nascido. Ele tinha a sensação de quem esse sonho iria ser muito importante para esse caso.

[...]

O longo e grosso casaco estava enrolado de forma que fosse confortável para Jimin utilizar para deitar no sofá branco do consultório lilás, com poltronas ao redor do tapete e com um lustre pequeno. O homem estava com os pés para cima e com os olhos fechados, ele havia acabado de contar o sonho que tanto vinha incomodando-o. Doutora Chohee estava em silêncio, e ao abrir de leve um dos olhos, Park pôde ver que ela anotava.

-Uhm... – disse a mulher ao soltar a caneta. – Um homem de costas e um corpo morto, não acho que isso deva preocupar você, Jimin, afinal, este é seu trabalho, certo?

Jimin assentiu mas abriu os olhos e se sentou.

-Mas não é isso que me incomoda, Chohee. –respondeu, esfregando o rosto cansado com as mãos.

-Então o que tanto te incomoda, me diz. – falou a psicóloga, pegando a caneta novamente e batendo contra a prancheta.

-Eu não entendo o real motivo de ter esse maldito sonho todo dia, eu não aguento mais. Eu não suporto mais acordar com dor de cabeça e sem saber como o sonho termina.

Chohee colocou a prancheta em cima da mesinha de vidro no centro do carpete, juntamente com a caneta. Todo o ambiente era confortável e convidativo, fazia com que o paciente se sentisse mais a vontade.

-Jimin, você sabe que somos amigos e que eu não concordo com isso de eu ser sua psicóloga, -Jimin falou "Grande merda" e foi ignorado pela mulher, que continuou. – mas se você continua insistindo nisso, vamos lá. Algo vem te incomodando no trabalho ultimamente? Algo fora do normal vem acontecendo?

-Eu trabalho como detetive, Chohee, minha vida é uma junção de bizarrices com sangue.

Chohee deu um sorriso ladino.

-Entendi, pergunta inútil, anotado. – Jimin soltou uma risadinha, mas deixou a mulher continuar. – Jimin, você não sabe o fim do sonho, porque muito provavelmente você morre. Há vários estudos que dizem que nosso cérebro é incapaz de simular a morte, acho que isso deveria ser levado em conta no seu caso. Sinceramente? Eu não vejo nada demais, do ponto de vista médico e levando em conta seu trabalho incomum, é normal sonhos incomodarem tanto, não precisa se preocupar. Acontece, algumas vezes, de você ficar tão paranoico com um sonho e pensando tanto nele que seu cérebro acaba reproduzindo ele na hora que você se deita.

Jimin assentiu e voltou a deitar no sofá que era incrivelmente do seu tamanho.

-Isso me deixa melhor, mas não significa que vou parar de pensar nisso.

-Jimin, eu entendo que no seu trabalho tudo tem que ter um significado, tudo precisa fazer sentido, mas deixa eu te dizer: muitas vezes, nós, psicólogos, tentamos dar significado a algo que não existe, apenas porque a pessoa lembrou de mencionar, nem sempre aquilo é realmente relevante ou afeta a vida do paciente e foi mencionado por pura mente vagante. Você não precisa fazer trabalho de detive em tudo na sua vida, Park Jimin, apenas...viva. Este é um bom conselho, aliás, um dos melhores que dei. –Chohee soltou uma risadinha e Jimin sorriu, ainda com os olhos fechados. – Para de infernizar tanto sua cabeça e deixe ela em paz um pouco. Faz quanto tempo que você não namora, Jimin? Por que não tenta isso? Se distraia, faça algo de diferente, saia de casa, vá em uma festa e encha a cara, transe com um estranho. –o homem abriu os olhos e olhou-a incrédulo. - Ora, Jimin, eu sou sua amiga, não sou? Me deixe dar conselhos de amiga, não sou sua psicóloga o tempo todo.

Park suspirou.

-Você sabe que eu não gosto de sair, Chohee, me dê um tempo. Pare de agir como minha amiga e seja minha psicóloga, é por isso que estou te pagando.

A mulher gargalhou.

-Você me paga porque quer, Jimin, já disse que não te queria aqui, mas você escuta alguém? Não, óbvio. –Chohee bateu as mãos e apontou para o detetive que estava quase dormindo. – Já sei, vem comigo hoje de noite em uma boate, você vai amar, Minnie.

Jimin fuzilou a psicóloga com o olhar.

-Não me chame de Minnie, Kang Chohee, eu odeio esse apelido.

Chohee ignorou e continuou.

-Isso, você vai sair comigo hoje e nós vamos nos divertir, está oficialmente decidido. Quem sabe não arrumamos uma gata para você, ou um gato. Não saquei ainda a sua, um dia saco.

Park se sentou e decidiu se render as ideias da mulher.

-A minha é o trabalho, eu não procuro namoro agora, mas vamos, do que adianta dizer não para você, afinal é a minha vizinha mesmo.

Chohee bateu palmas e deu um pulo da poltrona.

-Ótimo, agora levante, Jimin, meu próximo paciente já deve estar chegando, não quero mais olhar para sua cara feia.

O detetive se levantou com o casaco pendurado no braço e bufou, saindo do cômodo.

[...]

Na delegacia, Jimin foi em direção ao laboratório, esperando encontrar mais informações.

-Ora, voltou já? – Perguntou Hyunsik. O homem estava junto com Soyeon mexendo no corpo da vítima que o detetive investigava. –Venha ver o que descobrimos! – falou animado

Jimin se dirigiu até o lugar onde os dois legistas trabalhavam, Soyeon se encontrava silenciosa como sempre, costurando o peito antes aberto.

-O que encontraram? – perguntou. – Diga-me que é algo bom, pois eu não estou com cabeça para decepções a essa hora, Hyunsik.

O legista sorriu sem graça.

-Estamos analisando a arcada dentária para conseguir identificar o homem.

Park assentiu.

-Eu preciso de uma lista completa sobre ele: tamanho, peso, tipo sanguíneo, tudo.

Os dois assentiram.

-Ótimo. Algo mais?

Soyeon mostrou o homem deitado, como se Jimin não o tivesse visto antes.

-Ele foi morto enforcado, as marcas do pescoço deixam isso claro, como pode ver, há marcas vermelhas aqui – a mulher apontou para o lado esquerdo onde era possível ver uma linha vermelha rodeando toda a garganta – e ela se segue para o outro lado. Essa protuberância na pele indica que o pescoço foi quebrado. Procuramos por sêmen no corpo e por sangue ou impressões digitais, até agora nada, nem um fio de cabelo. O resultado de identificação sai daqui uma hora e a central só nos deu mais algumas horas para conseguir mais informações antes de chamar a família para reconhecer o corpo. – Soyeon disse essa última parte quase em um sussurro.

Jimin olhou indignado para os dois legistas, suas bochechas queimaram e sua mão se fechou em um punho. O soco foi desferido contra a mesa gelada de metal.

-Mas que merda...? Isso é brincadeira com a minha cara, esses malditos querem que eu faça milagres? – O detetive virou de costas e começou a xingar.

-Senhor... – chamou doutor Hyunsik. – Nós também achamos algumas incisões na artéria...

Park ergueu uma das mãos em sinais para que o médico parasse.

-Sem termos médicos, Hyunsik, estou com dor de cabeça e sem paciência para fingir que estou entendendo. Resuma e de forma clara o suficiente, não quero saber dos procedimentos.

O homem assentiu.

-O coração foi cortado e não arrancado do corpo, é possível ver que o corte foi feito com cuidado e por alguém que sabia onde cortava. Não foi algo aleatório, foi um corte cirúrgico.

Jimin suspirou.

-Me mande o que eu pedi, eu preciso disso urgente.

-Sim, senhor. – Disseram os dois.

O detetive ia saindo da sala, quando voltou a se virar para os dois médicos que conversavam.

-Não se preocupem, eu vou tentar deixar o corpo com vocês por mais algum tempo, nem que eu tenha que roubar ele da diretoria.

Os legistas sorriram fraco e Jimin seguiu seu caminho, ensaiando mentalmente o escândalo que ia fazer na sala da diretoria dali alguns minutos. O homem seguiu em direção ao elevador e apertou o botão com a seta para baixo, demorou alguns segundos até que o barulho da porta se abrindo soasse e ele entrasse naquela gigante caixa de lata, Jimin apertou o indicador e o polegar contra a testa e suspirou, fechando os olhos com força. Que maldita dor de cabeça.

-Eu preciso de duas xicaras de café. – disse para si mesmo e olhou no relógio no pulso. – Ótimo, são duas horas e eu nem comi ainda, tomara que eu morra de uma overdose de café, assim terei paz.

O elevador parou novamente no oitavo andar e Jimin saiu pisando firme. Alguns de seus colegas pararam para lhe dar boa tarde mas o detetive apenas ignorou e seguiu seu caminho até o final do enorme e quente corredor. Ele parou de frente com duas enormes portas de madeira escura, sem se dar o trabalho de bater, abriu-as.

-Que merda de decisão foi aquela? – Gritou entrando abruptamente na sala de reuniões cheia.

-Oi para você também, Park. – Disse um dos homens de terno que se encontrava na cadeira de frente para a porta.

-Onde já se viu entrar desse jeito, garoto?! – Comentou um senhor de poucos cabelos brancos se levantando.

Houve outros protestos chamando o menino de atrevido e mal educado, mas ele apenas ignorou e continuou o que viera fazer.

-Seus malditos, eu e o pessoal lá embaixo estamos correndo contra o tempo para mandar esse corpo logo e vocês me vem colocar prazo? Se estão achando que estamos demorando, levantem essas bundas velhas com ternos que custam mais que minha casa e vão ajudar!

Todos ali olhavam-no chocados com tamanha falta de educação. Todos menos Yoongi. O homem de cabelos descoloridos se levantou e sorriu, apoiando as mãos espalmadas na mesa, ele era o mais novo dos quinze chefes da delegacia e do setor de criminalística.

-Jimin, se acalme!

-Se acalme o caralho, eu não vou deixar que joguem um caso em mim as quatro da manhã, me tirem da cama e agora colocam-me contra o relógio. Se o meu trabalho e o da minha equipe está ruim, façam vocês mesmos!

Yoongi se irritou com aquilo e gritou.

-Chega! –todos, inclusive Jimin, olharam para o homem baixinho, assustados. – Park Jimin, conversaremos ali fora, por favor, me espere no corredor.

O detetive assentiu, voltando para a realidade e percebendo a merda que fizera e se retirou, esperando o diretor.

-Park... – começou Yoongi, mas foi interrompido.

-Senhor, eu sei que não deveria ter feito isso, mas entenda, eu não posso fazer tudo em três horas, mal sabemos quem é o homem e o senhor sabe que o laboratório está cheio. Por favor, Min, me dê mais tempo...

Min Yoongi ergueu a mão fazendo com que o detetive se calasse.

-Sim, Park, eu sei, estávamos falando sobre isso antes de você interromper e fazer toda a cena.

-Desculpe. – Respondeu, sem jeito.

-Tudo bem, aquela reunião estava um saco, seus gritos animaram um pouco. – Yoongi soltou uma risadinha que fez Jimin erguer os olhos para o homem – vamos te dar até amanhã cedo, não posso adiar a vinda da família assim que for identificado, mas posso adiar a entrega. Trabalhe esta noite, lamento por termos acordado o senhor de madrugada, mas temo que não vai ser a última vez. Tenho a sensação de que este foi só o começo.

Jimin suspirou.

-Eu também sinto isso, senhor. – o detetive juntou as mãos na frente do corpo, agradecendo. – Obrigado, obrigado, obrigado. Isso tornou meu trabalho um pouco mais fácil.

O diretor fez um maneio de cabeça e adentrou novamente na sala.

Park sentia-se um pouco mais leve e por isso decidiu contar a notícia que ele e os legistas teriam que trabalhar durante toda à noite e à madrugada. Ele voltou caminhando até o elevador e esperou o barulho soar, entrando no lugar apertado. Invés de apertar o botão para primeiro andar, Jimin apertou o botão para o terceiro, a cozinha. Ao sair do elevador, sentiu o cheirinho de café fresco, o que fez seu estômago embrulhar. Ele precisava comer.

Antes de entrar na cozinha, ouviu conversas e risadas e repensou se o sono era mesmo tanto, não queria ter que conversar com ninguém, estava exausto e com fome, a receita perfeita para o mau humor de Jimin.

-Detetive! – Disse uma menina ao ver Park entrando.

-Agora não, Ryujin. – Park passou direto, indo em direção a cafeteira.

-Tá bravo, - a menina de cabelos rosas riu e desferiu um tapa na bunda de Jimin, quando ele passava. – sexy.

Park fez cara feia mas ignorou, não valia a pena brigar agora, tinha trabalho para ser feito. Ele encheu uma caneca enorme de café e pegou uma rosquinha de chocolate e granulado de cima da mesa, saindo da cozinha e indo em direção ao elevador com a boca cheia de chocolate.

[...]

-Tenho boas e más notícias! – Exclamou Jimin quando entrou no laboratório. Todos os cinco olharam para ele por cima dos óculos. –Falei com a diretoria... – Chaeyoung soltou uma risadinha abafada e pediu desculpas, Jimin sorriu. – ok, eu fiz escândalo na diretoria e consegui até amanhã de manhã. Vocês acham que é o suficiente?

Jisoo sorriu e correu abraçar Jimin.

-Obrigada, detetive, o senhor fez um enorme favor para nós. Não íamos conseguir muita coisa só com algumas horas.

Jimin se desvencilhou dos braços de Jisoo e foi em direção a bancada de frente com a mesa, sentando ali.

-Quem fez isso foi tão cuidadoso assim? – os cinco assentiram e suspiraram. – Meu deus, isso vai me deixar sem dormir.

-Quem fez isso não era amador, ele não deixou nenhuma digital ou fio de cabelo, pelo menos sabemos que não era um maníaco sexual. – Comentou Jennie.

-Nenhum sêmen?

A médica negou.

-O enforcamento foi feito com as mãos, não tem sinal de queimadura deixado por corda e nem nenhuma fibra, as incisões no coração foram feitos por uma lâmina comum e até o sangue da vítima foi drenado. Os órgãos foram quase todos retirados e não deixou muita coisa para nós darmos uma olhada, nosso trabalho aqui basicamente acabou, senhor. – Completou Kim.

-A única coisa que chamou nossa atenção foi a epinefrina. Ou a vítima foi pega de surpresa ou ela tentou fugir. Ajuda em alguma coisa?

Jimin voltou a apertar o dedo entre os olhos, fechando as pálpebras com força.

-Não exatamente.

Hyunsik apareceu correndo na porta.

-Os resultados chegara, já sabemos quem é.

Todos ali se levantaram e foram ao redor do homem com um envelope na mão. Hyunsik abriu e começou a ler as informações aqui.

-O nome dele era Seo Kihyun, ele tinha por volta dos vinte e sete anos e um e oitenta de altura. O resto são informações que provavelmente não irão te interessar, detetive. O tipo sanguíneo era A positivo e o resto são coisas que já sabemos.

-Ótimo, já temos um caminho para começar a perseguir. Hyunsik, mande o nome dele para o departamento de informações externas e peça para eles rastrearem, irei assim que conseguir o endereço fazer a investigação.

O homem assentiu e seguiu em direção ao computador, digitar as ordens que lhe foram dadas.

-Esperem! – Gritou Soyeon.

A mulher de cabelos loiros e curtos era tão silenciosa que ninguém percebeu que ela não se encontrava na roda com os outros. Todos, com exceção de Hyunsik, foram até a mesa de metal onde a mulher se encontrava. Ela tinha um algodão e uma pinça, Soyeon mexia nas unhas dos pés do corpo.

-O que você descobriu, Soyeon-ah? – Perguntou Jennie.

-Tem sujeira nas unhas dele, parece terra. Eu vou dar uma olhada no microscópio e depois afirmo com certeza, mas isso não tínhamos visto.

-Talvez porque era em quantidade muito pequena. Passou sem querer. – Comentou Jisoo.

Soyeon assentiu e puxou um banco com rodinhas para a bancada, arrumando o microscópio para começar a análise.

-Me desculpe, detetive, eu juro que foi o único erro cometido, por favor, me perdoe... – começou Chaeyoung. Ela era a legista responsável pelo caso.

Park deu um sorriso reconfortante.

-Não se preocupe, Park, todos vocês estão tão cansados quanto eu e não vamos descansar essa noite, já são cinco horas e duvido que alguém aqui tenha saído para comer. Não vou te julgar por isso, continuem o bom trabalho, prometo que irei trazer o jantar para vocês.

A menina deu um sorriso doce e pegou as mãos de Jimin.

-Obrigada, senhor.

Jimin assentiu. Ele mesmo mal conseguia se manter em pé, havia trabalhado até à meia noite e acordara às quatro, estava começando a ficar exausto.

Ao sair do laboratório, sentiu seu celular vibrar. Era Chohee.

-Oi, noona.

-Oi, cabeção. Liguei para ver que horas poderei passar pegar você para nossa baladinha.

Jimin prendeu a respiração. Tinha esquecido totalmente disso. Chohee pareceu entender o que estava acontecendo.

-Ah não, Park Jimin, não me diga que vai desistir! Eu comprei um vestido novo só para sairmos, por favor, não vacila comigo agora, garoto. –Era possível sentir a raiva da mulher pelo telefone.

-Noona, o diretor me deu só mais algumas horas para ficar com o corpo, eu não posso sair, não tenho muitas pistas e eu não estou com uma boa sensação sobre esse caso.

-Jimin-ah, não comece. Quem faz análise do corpo são os legistas, não você. Não invente desculpas! – Jimin fez careta, era verdade, mas isso não apagava o fato que ele precisava ficar.

-Chohee, eles são minha equipe, eu não posso largar eles para me divertir, por favor, entenda!

A mulher suspirou alto do outro lado do telefone.

-Se eu for ai te ajudar, você promete sair comigo?

-Não.

-Jimin!

-Chohee você sabe que eu odeio essas coisas, sabe que eu não suporto barulho nem muita gente.

-É por isso que você trabalha em uma sala e só se cerca de fotos de mortos.

-Exatamente. Agora que você entendeu, fique à vontade para sair e namorar.

-Eu não quero namorar, só transar.

-Ai ai esses jovens, o romance está morto.

-Não é porque seu pau não sobe mais, Jimin, que todos temos que entrar no celibato.

-Chohee! – Gritou e foi possível ouvir a mulher rir do outro lado.

-Até mais, Jimin. Qualquer coisa me liga.

-Ok, noona, boa festa.

-Obrigada, querido.

Chohee desligou o telefone e Jimin seguiu para sua sala, cansado e pensando em pedir para Kang pegar outro copo de café e, quem sabe, um sanduíche. O estômago do detetive roncou só de pensar em comida.

Ao chegar em sua sala, Park se jogou na cadeira, que girou algumas vezes e então se inclinou sobre a mesa, apertando o botão do telefone.

-Sim, senhor Park? – Disse Seulgi do outro lado.

-Você poderia me comprar outro café do outro lado da rua e, quem sabe, uma caixa de donuts? O dinheiro fica na escrivaninha.

Houve uns barulhos, Seulgi provavelmente remexia para encontrar as moedas.

-Claro, algo mais?

Jimin pensou por alguns segundos.

-Antes de ir embora, poderia ligar para o restaurante e pedir seis pizzas, por favor? Fale para entregar aqui.

-Sim, senhor.

A mulher desligou e Park voltou a se deitar na cadeira, colocando os pés na mesa e cruzando as mãos no colo, olhando para as fotos na parede.

"Quem teria feito aquilo? Como essa pessoa fora tão cuidadosa ao ponto de drenar o sangue da vítima?"

Como todo início de caso, aquele parecia impossível e tanto ele como a equipe pareciam exaustos, isso não ajudaria muito.

Foi com as imagens horrendas do corpo estripado e aberto com as quais Jimin caiu no sono.

[...]

-Detetive Park? – Um homem de cabelos castanhos e óculos redondo apareceu na porta, ele usava farda.

-Diga, Jung. – Respondeu ríspido. Jimin estava de mau humor, o cochilo só o piorara.

-Aqui está o relatório com todos os depoimentos dos padres e freiras da igreja, desculpe a demora. Estávamos juntando tudo para o senhor. – Park fez um sinal para o policial se aproximar e pegou o envelope. – Se o senhor não deseja mais nada, já estou indo. Boa noite, detetive.

-Boa noite, oficial Ilhoon. – Respondeu Park sem dar muita atenção. Ele estava concentrado no envelope.

O vento gelado das seis da tarde entrava pela janela e fazia a camisa molhada de Jimin grudar no corpo. Ele tivera o sonho novamente e acordara ofegando e no chão.

-Não acredito que me entregaram isso só agora! Como vou entrevistar os vizinhos se ninguém me ajuda nesse lugar! – Reclamou para as paredes.

Detetive Park tirou as dez folhas e as leu lentamente, não havia de útil ali. Ninguém ouviu barulho na madrugada, as portas ficavam usualmente abertas para quem quisesse entrar. Também tinha o depoimento do oficial que cuidava daquela região, a leitura extensa e detalhada não estava dando em nada até que algo chamou a atenção de Jimin: era por volta da uma da madrugada quando o guarda passou por ali e encontrou a porta fechada, não estava ventando nem nada e por isso achou estranho, mas não contestou. Foi na terceira ou quarta vez que passou na frente da igreja que algo dizia que as pesadas portas não tinham sido fechadas pelos padres e por isso precisava verificar. Era três e quarenta da manhã. Bingo, uma pista!

Segundo os legistas, o corpo foi morto entre as onze e as quatro da manhã e essa informação exclui uma boa parte dos horários. Como que em um quadro mental, Jimin apagou os horários posteriores às duas da madrugada. Isso restava onze e meia noite, mas era impossível, o corpo tinha o sangue drenado, tinha marcas nos braços de agulhas grossas, não tinha como drenar e estripar o corpo além de tirar todos os órgãos de forma cirúrgica em só duas horas, isso demoraria pelo menos um dia inteiro, isto é, supondo que apenas uma pessoa tenha feito isso.

"Pensa, Park, pensa!"

Tinha uma chance de Seo ter sido sequestrado. Isso, era a única explicação. Amanhã mesmo Jimin ia ao bairro onde o homem morava investigar, ele tinha a sensação de que estava no caminho certo e que os legistas não tinha muito mais o que procurarem.

-Detetive? – chamou Seokjin, ele era o policial responsável pela ronda da noite.

-Sim, Kim?

-Sua entrega chegou, o senhor pretende passar a noite aqui?

Jimin assentiu.

-Obrigado por avisar, Kim. Peça para entregar no laboratório dois, eu já irei descer.

-Claro. Desculpe o incômodo.

Park dispensou o comentário e se levantou, indo em direção ao laboratório. Ele tinha as folhas com os depoimentos para os legistas, estava disposto a contar o que tinha descoberto.

[...]

-É uma boa conclusão, detetive. – Comentou Im Hyunsik.

-A questão é: ele não deu como desaparecido, será que estou certo em concluir que isso não é de agora, digo, que ele estava sendo torturado? –indagou Jimin, comendo.

-Não tem sinais de tortura, senhor. – comentou Soyeon.

-Sim, sim, eu sei, a senhorita entendeu! – Jimin balançou as mãos para indicar que fez pouco caso do comentário da mulher.

-Sim, senhor, entendi.

-Acharam mais alguma coisa? Além da terra, claro?

Jisoo balançou a cabeça.

-Os resíduos são antigos, talvez o senhor tenha razão sobre o que disse, ele estava preso. Há sinais quase imperceptíveis nos punhos, tivemos que usar equipamentos de aumento para conseguir identificar.

-Ganharam brinquedos novos? – perguntou o detetive sorrindo.

-O escândalo do senhor nos rendeu algumas coisas novas, sim. – disse Jennie, também sorrindo.

Park fez um gesto como se estivesse agradecido pelo comentário e se inclinou para pegar outro pedaço de pizza.

-Eu tenho um pedido para fazer. – todos voltaram sua atenção ao detetive. – Eu preciso de algum de vocês vá comigo amanhã fazer a investigação.

-Mas senhor, não trabalhamos em campo... – comentou Jennie. Ela não gostara da ideia de largar seu precioso laboratório.

-E não seria melhor chamar algum dos oficiais? Eles são mais preparados que nós. – Chaeyoung estava limpando uma sujeirinha no rosto, parecia estar se divertindo com a comida. Foi a primeira vez que Park percebeu como ele e a legista se pareciam com suas bochechas fofas e lábios gordinhos.

-Não confio neles para ir comigo...

-Eu vou. – disse Soyeon, fazendo todos os cinco a olharem com choque, Hyunsik achou que ela jamais cogitaria a ideia de sair do laboratório, imagina fazer uma ronda.

-Tem certeza? – perguntou Jimin e a mulher assentiu. – Que ótimo! Então está combinado, amanhã às nove iremos averiguar a vizinhança.

Soyeon balançou a cabeça e voltou a comer.

-Bem, - disse Jimin. – temo que terei que subir, tenho que terminar de ler este relatório e fazer outro sobre tudo o que descobrimos, não se preocupe que eu faço a maior parte para vocês, vou conferir se o departamento já conseguiu o endereço que solicitei. – o homem pulou da bancada na qual seus pés ficavam balançando e se retirou, deixando os legistas comerem e depois trabalharem. Eles teriam uma longa, longa noite.

[...]

Soyeon e Jimin encontravam-se no carro, o detetive já estava no seu décimo café apenas naquela manhã. Park parou e observou a casa de dois andares vermelha sem portão, era ali que sua vítima morava.

-Vamos? – perguntou para Soyeon que assentiu.

Os dois saíram do carro e se dirigiram a primeira casa pequena de um andar azul com branca ao lado esquerda da casa de Kihyun. Bateram palma e uma senhora de cabelos grisalhos e expressão simpática saiu.

-Olá, como posso ajudar vocês dois? –Perguntou a mulher, se apoiando no portãozinho de madeira clássico.

Jimin tirou o distintivo e mostrou para a senhora, que levou um susto.

-Somos da polícia e temos algumas perguntas sobre seu vizinho, Seo Kihyun. – a mulher assentiu.

-Querem entrar e tomar um café? Acabei de fazer. – O estômago de Jimin revirou ao imaginar ingerir outra xicara de café, seu sangue estava preto de tanta cafeína.

-Não senhora, obrigado. Nós queríamos saber a quanto tempo não encontra com seu vizinho.

-Ora, bem... – a mulher se ajeitou e pareceu pensar. – dois dias, ele havia prometido que cortaria minha grama, - ela se afastou para que os dois jovens vissem o mato alto. – e nunca apareceu, achei que estava ocupado para me ajudar, mas agora vejo que era algo mais sério. Diga-me, oficial, onde Kihyun está?

-Ele foi assassinado, senhora.

A mulher deu um passo para trás com uma expressão de choque e Jimin se preparou para pular o portão e ajudá-la caso ela precisasse.

-Meu deus, pobre Kihyun, era um menino tão bom.

[...]

-Você conhecia Kihyun? –Perguntou Jimin ao homem alto detrás da janela.

Houve silêncio enquanto o detetive escrevia e o homem parecia pensar.

-Não. – Disse por fim.

-Ele está mentindo! –Exclamou Soyeon.

Park a olhou com os olhos arregalados e uma expressão de repressão pelo que acabara de dizer. Enquanto isso, o homem parecia desconfortável.

-Me desculpe senhor Tuan, ela é nova e...

-Ele está mentindo, detetive.

-Soyeon, pare! – Pediu e puxou a mulher de lado. – Não podemos acusar os outros assim, ele pode não colaborar conosco!

-Ele está mentindo, Park, eu sei que está. Quando chegamos e o senhor perguntou se ele morava aqui fazia tempo, ele respondeu calmo e sem pensar e quando perguntou se conhecia Seo ele ficou desconfortável, demorou na resposta e fechou a mão em punho, o lábio também tremeu e isso não tinha acontecido antes com pergunta alguma!

Jimin olhou estupefato para Soyeon, ela era rápida e meticulosa. Passou o olhar pelo homem parado com uma expressão assustada.

-O senhor está se sentindo bem, Park? – Perguntou Soyeon, segurando o braço do detetive quando este ficou pálido.

-Estou, não se preocupe. – Jimin ergueu a mão e se apoiou na parede. –Você fez psicologia comportamental?

Soyeon assentiu.

-Por isso quis vir, não foi? – A mulher assentiu novamente. – Ótimo, eu faço as perguntas e você vai ser meu detector de mentiras.

Os dois voltaram para a janela. Soyeon estava mais atenta e Jimin mais confiante de que iria descobrir algo com o homem, ele se apoiou na janela e se aproximou.

-Vai nos dizer a verdade agora, Mark? – o homem engoliu em seco. –Sabia que posso te levar comigo por obstrução da justiça, não sabe? – Jimin sorriu com o recuo de Mark.

-E-e-e-le era meu... meu...

-Seu...? Diga logo, Mark, não tenho o dia todo!

-Meu namorado.

Jimin bufou, tudo isso para isso? Em que século Tuan achava que eles viviam?

-Só? – o homem assentiu nervoso e o detetive se virou para Soyeon que fez o mesmo, ele não estava mentindo. – Achei que seria algo interessante, obrigado pelo seu tempo, Mark.

Park cumprimentou o homem e se virou para andar.

-Espere! – chamou. – Você não vai contar para ninguém, certo?

Tuan estava vermelho e parecia nervoso.

-Mark, Mark, Mark.... – Jimin sorriu e balançou a cabeça. – eu tenho um grande histórico com homens, ninguém aqui vai te julgar. Se formos para o inferno, vamos juntos.

O detetive sorriu com a ironia da frase e deu as costas para o homem, voltando-se para o carro.

-É verdade? – perguntou Jeon assim que Jimin deu partida no carro. – O senhor gosta de homens?

Jimin sorriu.

-Algo contra?

-Não, eu gosto de mulheres.

O sorriso do homem aumentou.

-Prazer, Jeon Soyeon, me chamo Park Jimin e não me rotulo, mas no momento só estou ocupado com o trabalho.

Soyeon sorriu pela primeira vez, seu sorriso era simpático.

-Jeon Soyeon, lésbica desde que me conheço por gente.

Os dois caíram na risada.

[...]

-Vocês voltaram! Como foi? – Exclamou Jennie sentada no banco giratório perto da bancada branca.

Jimin jogou o bloco de anotações em cima da mesa de metal vazia e sentou-se na bancada, erguendo os pés.

-Vocês sabiam que temos uma behavorista?

-Sério? Quem é essa criatura magnifica? – Perguntou Hyunsik.

-Nossa calada e querida Soyeon! – Todos olharam indignada para a mulher calada.

-O que é um behavorista? – Perguntou Chaeyoung.

-Uma pessoa formada em psicologia e estudo comportamental, ela sabe dizer se uma pessoa está mentindo ou dizendo a verdade apenas com um maneio de cabeça. – Respondeu Jimin.

-Tipo um Sherlock Holmes?

Soyeon riu.

-Sim, tipo um Holmes.

Park Chaeyoung deu um sorrisinho para a amiga enigmática e se voltou para Jimin.

-Então, detetive? O que conseguiram?

-Aparentemente Kihyun está desaparecido a quase dois dias, a vizinha disse que ele tinha ficado de cortar a grama dela.

-Ok, isso não ajuda muito, mas é alguma coisa.

-Ele também tinha um namorado, mas isso não e algo relevante. – completou Jimin.

-E se for um maníaco sexual? –Indagou Jisoo.

-Ele teria que ter praticado necrofilia e não achamos sêmen nem na boca muito menos no ânus. – respondeu Hyunsik.

-E se o maníaco ter limpado? Existe a possibilidade, certo? Ele foi muito cuidadoso até agora.

Jimin ponderou.

-Poderia, mas teria que ter alguma indicação de que algo foi introduzido na boca ou no ânus e vocês não acharam nada, certo? –os cinco negaram. – Quem fez isso não era um maníaco sexual. Um canibal? Há chances, mas não tem nenhuma marca de mordidas no corpo.

-Ele retirou a maioria dos órgãos, poderia ter guardado, existem vários casos onde eles guardam em freezer, mesmo que a maioria prefira a carne recém morta.

-Jeff, the cannibal. –comentou Jennie.

-Isso!

-Eu não sei, eu tenho a sensação de quem não é isso. Parece algo mais... aleatório e sádico.

-Como assim, detetive? – perguntou Jisoo.

-Ele faz isso por diversão não por necessidade e ou fetiche, ele quer brincar.

-E se for um caso onde ele só quer provocar a policia? – perguntou Hyunsik. – Já aconteceu.

Park assentiu.

-Como sabemos que é mesmo um homem? – quis saber Soyeon.

-Mulheres são mais cuidadosas e escondem o corpo, todas pegas até hoje foram por assassinato de maridos ou pacientes, assassinas pensam antes de agir.

-Mas este foi bem planejado.

-Foi, mas ele quis se mostrar, mulheres não são assim.

-O senhor já pegou alguma? – perguntou Hyunsik.

Jimin apoiou o rosto nas mãos.

-A assassina dos balões. –respondeu.

-Nunca ouvi falar, quem é? – quis saber Jennie.

-Era uma freira que cuidava do lar de órfãos, ela entregava balões na rua para crianças que passeavam no parque, todos gostavam muito dela.

-Ela parecia simpática.

-Ela matava as crianças no orfanato com gás tóxico na ventilação dos quartos e a cada criança que ela matava, era um balão distribuído no parque.

-Ok, não é tão simpática. Como o senhor a pegou, detetive?

Jimin deu de ombros.

-Era uma madrugada, eu estava voltando para casa pela rua do orfanato já que a que eu costumava passar e a avistei arrastando um tubo de metal, eu tive a sensação de que deveria parar e foi o que eu fiz.

-Você tem boa intuição.

O detetive sorriu.

-Eu nunca erro.


30 сентября 2019 г. 23:40:22 0 Отчет Добавить 0
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