Entre Anjos e Parafinas Подписаться

mutacyon Juliana Albano

Joanne é uma garota drogada e desequilibrada que aposta suas últimas fichas em ballet e festas, sempre tentando superar o trauma de ter perdido a melhor amiga para o suicídio. Depois de uma briga em uma boate, Joanne aceita a ajuda de uma estranha mascarada, sem saber que o simples contato vai reacender a esperança há tanto tempo morta dentro de seu peito.


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Prólogo

00. Anjos mentem para manter o controle


Mais rápido. Mais forte. Mais intenso. Menos respiração e mais fôlego. Poupe seus pulmões, poupe sua forma medíocre de pensar. Analise a situação como se ela estivesse prestes a arrancar fora suas entranhas. Olhe-se no espelho e nunca tema ser encarado de volta. Penetre os dedos em suas costelas, puxe a gordura e jogue-a no triturador. Acabe com a sua essência, destrua o resto de você que ainda resta. Mate a si mesmo para salvar a sua alma, porque, de fato, não existe nada além de fogo e enxofre nesse mundo perdido e hipócrita. Mais rápido. Mais forte. Mais intenso. A dança não pode parar, o seu exemplo de bondade também não. Sorria até que não sobre nada. Nada. Um grande e vazio nada. No fim, é desse jeito que você precisa ficar. Oco. Pele e ossos. Engrenagens sem óleo. Uma máquina em constante evolução. Nenhuma humanidade.

Apenas nada.

Era o que Paola, minha melhor amiga de infância, costumava dizer quando íamos aos cultos no domingo. Estão sempre nos observando, Joanne. E ela tinha razão, porque cometeu suicídio aos treze anos depois de perder a virgindade com um suposto bom samaritano que prometeu não contar nada a ninguém. Bom, ele contou, e Paola não aguentou carregar o peso de vadia por muito tempo. Ela morreu, e as pessoas seguiram com as suas vidas enquanto censuravam o nome dela nas rodas de conversa. Eu era a única que ainda deixava as letras de sua identidade rodar na língua, mas eu me cansei de ser sempre comparada a ela. Talvez eu não amasse tanto Paola como eu costumava pensar, talvez eu nunca tivesse chegado perto de preencher minha preocupação por ela em 100%, mas eu tinha certeza de que sua morte deixara um buraco enorme em meu peito, um daqueles que nunca mais fecha, daqueles que você sente a dor todos os dias.

Paola era o meu maior exemplo de nunca confiar em alguém, mas ela também era o meu maior exemplo de como as pessoas podem ser cruéis quando querem. Todo mundo tem um pouco do diabo no corpo, até mesmo ela tinha. A diferença é que Paola nunca deixou essa parte sair. Ela era doce e amável, como uma verdadeira amiga tinha que ser. Se alguém merecia morrer logo aos treze anos de idade, esse alguém com certeza era eu. Paola tinha muito a acrescentar ao mundo, eu nunca tive. E ver que Deus é tão injusto na maior parte do tempo me causa um bocado de ânsia mesmo agora, tantos anos depois.

Mas posso dizer que aprendi a conviver. Posso dizer que aprendi a ficar sem ela, aprendi que pessoas vêm e vão, que ninguém é para sempre.

Alguns meses depois, eu quase não pensava mais nisso.

E era assim que eu lidava com quase tudo na minha vida, até Alessa aparecer para me mostrar que nem todas as situações estão sob controle.

28 сентября 2019 г. 19:46:52 0 Отчет Добавить 0
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