Na Luta, Encontrei o Amor Подписаться

mirz MiRz Rz

Dandara acreditava que nascera para cumprir o mesmo destino que sua xará histórica: lutar e revolucionar o mundo. O que ela não esperava é encontrar Priya para lhe ajudar com sua missão.


Фанфик Игры Всех возростов.

#Priya #homossexualidade #lgbt
Короткий рассказ
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Único

Breve legenda:


1. Aqueles [1], [2], etc. na frente de algumas palavras ou frases são indicações para as referências e explicações ao final do capítulo;

2. As palavras em itálico podem ser pensamento dos personagens ou palavras estrangeiras;

3. As palavras e/ou frases que vierem dentro de ‘uma aspas só’ podem ser gírias ou palavras e frases que foram propositalmente escritas erradas.


Tenham uma boa leitura!


***


Dandara[1] nunca havia imaginado que viveria para ver a cena em sua frente. O centro da cidade de Sweet Amoris estava abarrotado por uma multidão que vestia camisetas coloridas, com rostos pintados e carregando bandeiras de arco-íris do orgulho LGBT+. Formada em jornalismo em seu país natal, o Brasil, ela conseguiu uma vaga para o jornal local de Sweet Amoris através de uma professora na faculdade que possuía contatos na França. Não era a maior cidade francesa e muito menos um jornal conhecido na Europa, mas já era um trabalho fora do Brasil, podendo colocar no currículo, dessa forma, que havia tido experiência no exterior, além de uma chance de conseguir se expressar e dar voz à sua luta, como sua xará havia feito no período Coloquial do Brasil.

Nascida negra e de uma família descendente de escravos, ela sabia bem o peso que a luta havia tido em sua história, na história da sua família e do seu povo. Mais do que honrar o seus ancestrais, era permitir-se ser ela mesma, fugindo do padrão estereotipado que uma dama “deveria” ser. Ela era negra e homossexual. Recusou-se casar com um homem assalariado, criar uma família e servir apenas ao lar e aos filhos. Ela queria mais do que essa vida pacata. Ela queria trabalhar, ganhar o seu próprio ganha-pão, viajar, conhecer o mundo, ser dona de si própria. Amar quem quiser amar, ser o que quer ser. Ela queria viver sem os grilhões da padronização, ser livre.

Foi uma surpresa um tanto infeliz ao ver que a pequena cidade de Sweet Amoris não era um local socialmente avançado. Formada principalmente por cidadãos conservadores, ela recebia muitos olhares tortos por andar por aí andando de mãos dadas com as suas ‘ficantes’. Quantas vezes ela não havia brigado na fila do mercadinho na esquina do seu flat por ver alguma injustiça?

Após um ano e nove meses vivendo por lá, Dandara realmente nunca imaginou que Sweet Amoris seria palco de uma passeata no mês do orgulho. Era lindo de se ver e ficou muito feliz que teria a oportunidade de cobrir essa matéria no jornal local. Tão feliz, que até podia tolerar a voz nasalada e estridente da sua chefa na edição.

Acompanhada pelo fotografo freelancer, Leroy, Dandara parava algumas pessoas para entrevistas e pedia autorização para postar o depoimento tanto no jornal, como no blog pessoal que ela tinha para ajudar pessoas que moravam na França ou que queriam morar fora. Foi quando seus olhos de jabuticaba avistaram a garota mais bonita que já viu na vida.

Era uma morena alta e esbelta. Seus traços lembravam algo um pouco indiano visto o seu nariz reto e rosto alongado, deixando-a mais exótica naquele mar de gente tão igual. As sobrancelhas, apesar de serem bem feitas, eram grossas e marcantes, enquadrando os olhos verdes turquesas que se sobressaiam na pele morena. Seu olhar cruzou com o dela e Dandara sentiu borboletas no estômago. “Dor de barriga” como sua amiga Larissa costumava dizer quando ainda morava no Brasil, descrente de tudo que era poético.

— Com licença! — Dandara gritou para a moça bonita. Destemida como só ela, não perderia a chance de conversar com a misteriosa moça.

— Sim? — a morena virou para Dandara, encarando-a com seus olhos da cor turquesa tão penetrantes.

— Eu sou Dandara, da revista Ma Mimbo, e gostaria de fazer algumas perguntas, se não se importar.

— Dandara… Que nome bonito — a moça sorriu em um repuxar de lábios muito parecido com o sorriso misterioso da Mona Lisa, pintado por Da Vince.

— Obrigado — Dandara sentiu as bochechas ficarem quentes de vergonha. Eram poucas as pessoas que elogiavam seu nome. A maioria era ignorante quanto ao significado dele. — Se importa de fazer parte dessa entrevista?

— De forma alguma — tranquilizou a moça.

— Vamos pelo básico, qual o seu nome?

— Priya — a moça respondeu ainda sorrindo.

— O que você sente ao ver a passeata aqui em Sweet Amoris?

— Emoção. É lindo ver como as pessoas estão de conscientizando com relação à comunidade LGBT+. Não achei que a cidade conseguiria ter essa representatividade e muito menos que houvesse essa quantidade de pessoas.

— Como você descobriu sua orientação sexual?

— Acho que no fundo eu sempre soube — Priya pensou um pouco antes de responder. — Eu via na escola as meninas falarem sobre os meninos e pensava que as mulheres tinham seus atrativos tanto quanto os homens. Foi só ao final da adolescência, depois de me apaixonar tanto por homens como por mulheres, que eu entendi que o gênero é apenas algo superestimado. Eu simplesmente gosto de pessoas. Eu diria, sendo um pouco poetisa quanto a isso, que eu me apaixono por suas almas. É algo que vai além da casca.

Dandara ouvia o discurso de Priya de maneira apaixonada. Tanto pelas palavras escolhidas com cuidado como pela sinceridade por trás de cada silaba dita. Dandara a viu como a personificação do sentimento do amor. Aquela capacidade de sentir além das aparências, pelo o que a pessoa é e não pelo que ela mostra. Era um pensamento lindo esse, livre de todo e qualquer estigma ou padrão.

— Desculpe, às vezes eu me empolgo — Priya se cortou envergonhada, ao interpretar errado o olhar de assombro nos olhos de Dandara.

— Não, não. Estou impressionada, na verdade — garantiu Dandara a ela. — O seu discurso foi lindo!

— Gostaria que todas as pessoas se comovessem com ele também — confessou Priya.

Às vezes era difícil explicar suas filosofias para uma pessoa que não sente a mesma coisa que ela. Priya acreditava — talvez de uma maneira muito inocente —, que nem sempre fosse por maldade da outra pessoa, mas por ignorância mesmo. Como você explica para um cego de nascença o que são as cores? Pansexualidade poderia seguir com essa mesma ideia.

Infelizmente, o mundo estava recheado de ódio tanto quanto de ignorância e algumas linhas estavam desbotadas para verem as diferenças entre um ou outro. Apesar de lutar por reconhecimento, por representatividade e por respeito, Priya também lutava por compreensão e amor. O mundo não se resumia no preto e no branco, era algo muito mais complexo do que isso.

— Eu acho que só o fato disso estar acontecendo — Dandara gesticulou mostrando a passeata — já é uma forma de comoção.

— Talvez, há algo mais que você gostaria de perguntar?

— Não, acho que a sua entrevista já me deu bastante conteúdo.

— Bem, eu tenho uma pergunta para você — Priya disse, sorrindo aquele sorriso misterioso novamente.

— Oh! Isso nunca aconteceu, mas claro — Dandara tentou brincar. Nunca um entrevistado perguntou ao entrevistador alguma coisa.

— Você pode me passar o seu número para marcarmos um encontro? — Priya perguntou direta e confiante.

Dandara novamente sentiu as bochechas esquentarem com a linha direta da outra moça, mas ela não seria louca em negar esse pedido. Quem diria que encontraria uma nova paixão numa passeata na luta pelo orgulho? Não ela, com certeza, porém não iria reclamar.


Fim

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[1] Dandara era o nome de uma guerreira negra, que lutou contra a escravatura no Brasil, no período colonial. Foi esposa do Zumbi dos Palmares e com ele, teve três filhos. Suicidou-se após ser presa, recusando a voltar a ser condição de escrava.

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Notas da Autora:

Olá amores mio! Sei que muitos de vocês talvez não leem as notas, mas eu peço que, por favor, leiam essa.

A fic que vocês acabaram de ler foi criada a partir de um “pedido” de alguém no meu Tumblr do fandom. A pessoa, que estava em modo anônimo, perguntou se eu cogitaria escrever uma fic com a Priya como paquera, pois não havia tantas. Como eu já tinha um projeto de escrever pelo menos uma One com a maioria dos paqueras, vi isso como um desafio para eu mesma em escrever um Yuri, que é algo da qual eu não tenho muita familiaridade — nenhuma, na verdade —.

Eu estou bem preocupada com a receptividade desta fic, porque eu tenho medo de ter romantizado sem querer algumas coisas tanto na Dandara, quanto na própria pansexualidade também.

Por isso eu preciso muito de uma opinião de vocês quanto a essa fic, pois qualquer sinal de que alguma coisa não está certa, a fic será excluída e corrigida da melhor forma que eu puder, porque ela não foi criada com o objetivo de diminuir, insultar, ofender ou negligenciar nada e nem ninguém.

No mais, espero que tenham gostado. Obrigada a todos que leram, beijos de megawatts de luz! <3


7 сентября 2019 г. 20:57:05 0 Отчет Добавить 0
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Об авторе

MiRz Rz Olá amores, bem-vindos ao meu perfil! Me chamo MiRz. Eu escrevo para brincar um pouco com a minha imaginação e dar asas à minha criatividade. Beijos de megawatts de luz! <3

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