A Pura Подписаться

kralexander KR Alexander

Sempre estive aqui, sempre fui assim, mas não me lembra de nada da minha origem. Meu passado é um grande ponto de interrogação. Existem outros como eu, muitos outros. Eles sabem de onde vieram, quem eram antes de mudarem. Eu só quero saber quem fui, onde vivi, mas minhas lembranças só começam em um lugar sem luz, acorrentada em uma cela de pedra. Quando consegui minha liberdade e passei a viver feliz tudo veio a baixo novamente. Aquele que me acolheu, aquele que amei se foi. Ele, que nunca se importou com meu passado, apenas em estar ao meu lado todos os dias, partiu e me abandonou. Por que ele me abandonou? Quem eu fui? Quem me transformou em uma vampira? A Pura é um romance sobrenatural, repleto de reviravoltas, traição, descobertas e redenção. ATENÇÃO! CONTEM CENAS DE VIOLÊNCIA. PLÁGIO É CRIME! PROIBIDA QUALQUER FORMA DE COPIA DESTA OBRA.


Мистика вампиры 18+.

#sobrenatural #vampiro #original #segredo #378 #258 #227 #371 #bruxa #pura
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Capítulo 1

Não tenho paciência para festas, muito menos para as pessoas falsas agindo como se fossemos melhores amigos. As pessoas me irritam de uma maneira geral. Victória vem limpando as mãos em seu avental branco, seus sapatos estilo boneca fazendo barulho nos degraus conforme ela subia na minha direção. Para a ocasião escolhi um uniforme especial para as criadas, inspirado na década de trinta, ajustado com maestria. Não aceitava que minhas criadas estivessem menos do que perfeitas e Victória superou minhas expectativas usando o uniforme como uma mulher daquela época o usaria.

− Senhora, os convidados a esperam no salão principal. – Sua voz é tão jovem, mesmo que já tenha pouco mais de trinta anos. Ela sempre sorria para mim, mesmo que eu não correspondesse o gesto.

− Só estou fazendo isso por que sou obrigada. – Desci os degraus e encontrei com ela no meio da escadaria principal da casa.

− Eu sei senhora. Pense que os fins justificam os meios, todos já estão bebendo a algum tempo então não ira demorar para que tudo se encerre e a senhora tenha um pouco de paz.

− Assim espero. – Alisei meu vestido e ajeitei o rosário em meu pescoço, o único adorno que usava.

Não gosto de joias e nem coisas extravagantes, chamam muita atenção. Estava apenas com um vestido de veludo preto com um detalhe delicado de fita no decote canoa que mostrava os ombros. O vestido é bem justo, o que ajuda a definir melhor meu corpo esguio e contrastar perfeitamente com minha pele pálida e cabelo branco em estilo Chanel com bico. Ao contrário do que dizem as revistas de fofoca, eu não fico horas descolorindo o meu cabelo, ele sempre teve essa tonalidade, ou no caso a ausência dela. Eu amo, pois realça meus olhos negros de forma que todos ficam encantados quando me olham.

Antes de abrir as portas que davam para o salão de festas ela se virou e arrumou meu cabelo mais uma vez, como uma mãe antes de apresentar o filho.

As portas se abriram e a música dos violinos saiu, assim como o som de dezenas de vozes reunidas lutando para serem ouvidas em meio ao caos. Assim que entrei tudo ficou em silêncio antes da começar a chuva de aplausos. Não fiz nada, apenas esperei para que toda aquela cena de felicidade falsa acabasse. Entrei no salão, sempre seguida de perto por Victória, e comecei a ser cumprimentada pelos convidados. Em sua maioria eram celebridades, alguns políticos, jornalistas de renome e os novos talentos da internet. Eu não fazia ideia do que era isso, mas me foi recomendado que os convidasse também, então o fiz.

Estava prestes a apertar a mão do prefeito quando Martine me abraçou pulando no meu pescoço. Ela sempre foi adepta de muito contato físico, por isso não me importei, mas ela deveria se portar melhor em um evento como esse. Pude ouvir Victória dando um risinho atrás de mim, respirei fundo e retribui o abraço. Martine tem sido minha amiga a anos, apesar de eu não demonstrar muito meus sentimentos, ela se tornou uma pessoa extremamente importante para mim, talvez tanto quanto ele foi.

Cutuquei Martine nas costelas e ela me soltou rindo. Ainda com um grande sorriso no rosto ela segurou firme os meus ombros enquanto me cumprimentava.

− Minha querida Colette, meus parabéns. Estou tão orgulhosa de você amiga.

− Não é para tanto Martine.

− Como não?! Seu livro é um Best Seller. Será que nem diante de algo tão incrível você vai sorrir?

− Um sorriso não é algo que se de tão facilmente. Quando conseguir o que eu realmente quero, então vou sorrir de verdade. Sabe o que penso sobre sorrisos falsos. – Algumas pessoas ao nosso redor pareceram se sentir incomodadas com o que eu disse, mas não dei importância.

− Sabe o quanto admiro sua sutileza e seu tato com as palavras, não é? Agora tenho de rodar e, diferente de você, sorrir para algumas pessoas especiais.

− Gilbert não veio com você?

− Hoje não, parece que tinha um trabalho importante ou algo assim na galeria.

− Não tem ciúmes dele?

− Por que teria? Nosso relacionamento é muito bem resolvido e te sugiro que faça o mesmo. – Com mais um beijo no rosto Martine saiu em seu longo vestido de cor vinho brilhante.

Já estava ficando mentalmente cansada. Essas pessoas, com seus sorrisos e congratulações falsas, implorando por segundos da minha atenção para elogiar minha roupa, inteligência e outras coisas que eles achavam que eu ia gostar de ouvir. Tentei dar as costas e voltar para o meu quarto, mas Victória me seguia de perto e me colocava de volta no caminho sem fim de mãos e braços. Avistei Barnabas vindo em nossa direção e de imediato despachei o velho e sua noiva troféu que se aproximavam para falar comigo.

− Senhora. – Barnabas me cumprimenta com um aceno leve de cabeça. Não gosto de ser tratada assim, mas ele é muito antigo e seus modos seguem assim. – Senhorita Victoria. – Olhei e Victoria ficou corada. – A senhorita Belle chegou e veio na companhia do senhor Marcel. Achei que seria prudente avisa-la. – Bufei frustrada com a notícia.

− Belle e seus amantes não me interessam. Achei que fosse algo mais importante. Pode voltar agora. – Dei as costas e continuei minha caminhada pelo salão.

Demorou um pouco, mas Victória me alcançou e se manteve ao meu lado de cabeça baixa. Ela andava muito estranha já a algumas semanas, teria de falar com ela sobre isso. Quando estava pronta para sair da festa, as portas do salão se abriram de forma dramática. Tão chata e previsível como sempre, Belle entrou rindo alto e sacudindo os seios no profundo decote, por pouco não saltaram para fora. Marcel se manteve ao seu lado, como um bom bichinho de estimação. Virei para o outro lado, mas ela me gritou da porta.

− Colette! Ah Colette. Vestida como uma freira, como sempre. Uma cor talvez trouxesse um sorriso a esse rosto tão frio. – Ela tentou me tocar, mas afastei sua mão com uma tapa.

− Agradeço pelo elogio, afinal as freiras são mulheres castas e focadas em suas convicções, incorruptíveis. Pena que não se pode fazer o mesmo comentário sobre a sua roupa, ou a ausência da mesma. – Seu rosto ficou colérico. Ela estava prestes a baixar o nível, mas pareceu repensar e priorizar uma imagem de dama. Agarra o braço de Marcel e tenta puxa-lo para longe, mas ele está babando enquanto olha para mim de forma descarada.

− Está maravilhosa Colette, como sempre. – Olhei para eles mais uma vez e sai sem dizer mais nada.

Olhei em volta e não encontrei Victória, olhei mais uma vez e ela surgiu de trás de um casal que ria das piadas ruins de um homem muito gordo. Ela parecia agitada e nervosa, fui até ela ignorando qualquer um que tentava falar comigo.

− Victória o que foi? – Ela respirou fundo algumas vezes e senti meu coração acelerar. – Aconteceu alguma coisa? – Victória me olha triste e nega com a cabeça. Meu coração desacelera na hora.

− Eu apenas não estava conseguindo me locomover no meio de tanta gente.

Volto aos cumprimentos, apertos de mão e acenos. De tempos em tempos olho ao redor e vejo Martine rindo com alguns rapazes, Belle e Marcel discutindo, provavelmente por ciúmes, Barnabas conversando com alguns dos seguranças e muitas pessoas estranhas para mim. Eu já deveria estar acostumada a essa altura, mas ainda é difícil. Sinto falta de quando éramos apenas nós dois em nossa pequena casa.

Quando me ensinou a ler e escrever, foi o primeiro a me ver sorrindo de verdade, o primeiro e o último. Era tão difícil segurar a pena, a tinta sempre a fazia escorregar dos meus dedos, mas ele foi paciente e me ensinou com tanto carinho, me dando apoio com um cafuné, eu tendo acertado ou errado. Tantas vezes fiquei frustrada por minha caligrafia ser tão diferente da dele, mas agora era linda e desenhada, só que ele não estava aqui para ver.

A noite foi se arrastando e eu tentei ser o mais cordial possível. Então, assim que terminei de falar com todos sai. Claro que Victória veio atrás de mim tentando me convencer a voltar, mas ela me conhecia muito bem e sabia que se eu ficasse naquela festa acabaríamos tendo problemas. Já nos primeiros degraus, a caminho do segundo andar, esbarrei em um homem que descia. Ele é bem bonito, deve estar na casa dos trinta e poucos, mas foi quando olhei dentro de seus olhos que entendi quem ele é e o motivo de tê-lo encontrado ali. Olhei para Victória que sorriu satisfeita e então fui até o homem.

− Boa noite. Você é Bruno Castro, repórter? – O homem sorriu muito satisfeito, arrumou seu terno de forma bem máscula e se aproximou.

− Sou eu mesmo e devo dizer que é uma honra que a doce Colette saiba quem sou. – Ele tentou beijar minha mão, mas a tirei. – Sinto muito. A senhorita não gosta de ser tocada?

− Apenas quando eu quero ser tocada. – Estendi minha mão para trás e Victoria me entregou um lenço.

− Entendo. Sinto muito pela minha falta de delicadeza, mas adoraria compensar.

− Então fique está noite. Adoraria ter companhia e poderá compensar sua falta de delicadeza.

− Será um imenso prazer, senhorita. – Ele se curvou e então passamos por ele. Claro que ele não podia simplesmente se virar e seguir seu caminho, não, tinha de me ver subindo para olhar minha bunda.

− Que homem asqueroso. – Disse Victória, agora ao meu lado no corredor.

− Esse é um dos motivos que será ele.

− Sim. Ele é perfeito senhora. Foi escolhido especialmente por Barnabas.

Fiquei sentada no observatório vendo a festa acabar e as pessoas irem se dispersando em pequenos grupos. Apenas carros que foram previamente registrados podiam entrar na propriedade para pegar alguém, os que não foram teriam de esperar na rua, fora dos portões. Era uma medida necessária para minha segurança. Ouvi algumas reclamações aqui e ali sobre isso, problema deles se não leram o convite informando sobre isso, agora que andem pelo meu jardim de arvores e arbustos com nenhuma iluminação. Não tinham lanternas nos seus celulares de ultima geração? Pois façam uso deles. Martine não tentou ser discreta ao entrar no observatório. Por ser minha amiga íntima, ela e seu amante Gilbert eram os únicos de fora da casa que tinham minha permissão para subirem até aqui.

− É feio ficar espiando, achei que já tínhamos conversado sobre isso. Não vai se despedir dos convidados?

− Para que? Eu não os conheço e nenhum deles se importa de qualquer forma. Quem eu esperava acabou não vindo então todo esse circo não passou de uma grande perda de tempo. – Senti minha voz, geralmente sóbria e controlada cair um pouco, mas é exatamente assim que estou me sentindo. Caída e derrotada. Tudo isso foi apenas com um propósito que acabou não dando em nada.

− E por quem você estava esperando Colette? – Sacudi meus pensamentos para o fundo da mente e me virei para Martine.

− O amante que você sugeriu. – Martine começou a rir e demorou um pouco até se controlar.

− Você está sempre tão séria que se não te conhecesse até levaria a sério.

− Me conhece tão bem Martine. – Ela veio e me abraçou pelas costas.

− Claro que sim, somos amigas. Assim como sei que me conhece muito bem. – Olhei para baixo e vi o carro de Martine chegando.

− Uriel está aqui.

− Então é melhor eu descer logo. Não quero levar bronca por deixa-lo esperando como da última vez. – Martine deixou um beijo no meu rosto e saiu do observatório feliz e saltitante.

Nunca entendi como ela consegue ser sempre assim, sorrindo para todos como se realmente estivesse feliz, mas nós duas sabemos que não é assim. Ambas temos feridas muito profundas, mas lidamos com elas de formas totalmente diferentes. Lá de baixo ela acenou para mim, Uriel fez uma reverencia com a cabeça e acenei de volta para eles.

− Senhora. – Victória estava na porta limpando as mãos no avental.

− Gosto de você com essa roupa. – Ela sorriu e ficou levemente vermelha. Eu gostava muito disso nela. Não escondia como se sentia, era tão verdadeira com seus sentimentos. Queria lembrar como é ser assim. – Meu convidado?

− Está na biblioteca do primeiro andar senhora.

− Todos já foram?

− Sim senhora. As criadas estão limpando o salão, não há mais ninguém.

Descemos e fomos para a biblioteca. Bruno estava observando os livros na estante próximo a janela da frente. Não queria que nos vissem juntos e ainda havia alguns convidados aqui e ali na propriedade que poderiam nos ver dessa janela. Victoria fechou a porta assim que entrei ficando do lado de fora, isso chamou a atenção de Bruno que sorriu o que deveria ser um sorriso sedutor, mas para mim não passava de uma tentativa falha de se mostrar relaxado e sob controle. Soltei o ar e tentei ser o mais cordial possível. Sentei em um dos sofás que ficavam mais perto da porta e me servi de uma taça de vinho.

− Me acompanha? – Mas que depressa ele veio e sentou ao meu lado. Servi uma taça de vinho para ele que não perdeu tempo em colocar sua mão sobre minha perna. Dei-lhe uma tapa de leve. – Eu já o adverti, não? – Ele ergueu as mãos e fez uma cara de criança inocente, algo que ele obviamente não era.

− Sinto muitíssimo, mas a senhorita é tão linda. Difícil para qualquer homem não querer toca-la.

− Então peço que se controle. Alguém pode entrar e odeio ter de me explicar para os criados.

− Compreendo. A criadagem não deve se envolver na vida da dona da casa, especialmente alguém que está em todas as capas de revistas e jornais como a maior escritora deste século. Alias, permita-me dizer que seu livro me intrigou muito. –

− Como assim o intrigou senhor Bruno?

− Por favor, apenas Bruno. Não precisamos de formalidades, Colette. – Respirei fundo e dei um grande gole do meu vinho antes de voltar a falar.

− Então Bruno, o que o deixou tão intrigado com relação ao meu livro?

− Não foi exatamente o livro, foi você. Imaginei que alguém que escreve um romance tão cheio de paixão e sentimento fosse alguém mais... Como posso dizer? Sorridente.

− Não acredito que devamos sorrir apenas para agradar os outros. Um sorriso verdadeiro é muito precioso para ser gasto com falsidades e pessoas sem valor. Não concorda? – Ele deu um grande gole e sua aliança tilintou contra o vidro da taça. – Sua esposa não vai ficar preocupada se não voltar para casa? – Ele engasgou com o vinho e tossiu batendo no peito. Seu semblante caiu um pouco antes de continuar.

− Creio que não. Estamos em processo de separação, então não durmo mais em casa a muito tempo.

E ainda usava aliança? Victória o havia selecionado para mim por vários motivos os principais eram que ninguém sentiria sua falta, seu tipo sanguíneo é o meu favorito A+ e pelo que Victória descobriu a esposa o traia a anos, estava pedindo divorcio e ele já havia tentado se matar mais de uma vez desde que descobrira tudo. No trabalho ninguém o levava a sério ou respeitava de qualquer maneira, estava para ser demitido e sem dúvida suas frustrações recairiam sobre a bebida. Coloquei a taça na mesa de centro e me levantei, o convidando a fazer o mesmo.

− Não consegui comer nada durante a festa, tamanha a correria em recepcionar todos. Poderia me acompanhar até a cozinha?

− Não iremos atrapalhar?

− Todas as criadas estão fazendo a limpeza do salão, não há ninguém lá. – Isso pareceu anima-lo. Não ficaria tão animada no lugar dele, mas quem era eu para acabar com sua felicidade.

Caminhamos pelo corredor e descemos a escadaria que levava ao subsolo e a cozinha. Preferi mantê-la toda original, com o forno de pedra e as paredes a mostra, a única coisa que fiz foi moderniza-la para o conforto dos empregados com ar condicionado e eletrodomésticos de ultima geração. Enquanto descíamos tentei puxar assunto, mas nunca fui muito boa com isso.

− A quanto tempo é casado?

− Tempo de mais e não muito tempo. Casamos jovens, imaturos. Acredito que por isso não deu certo. – Pela visão periférica o vi mexer na aliança, então a tirar e colocar no bolso.

− Provavelmente.

Assim que entramos na cozinha ele fechou a porta e me agarrou por trás, apertando meu seio e tentando levantar meu vestido. Não tentei afasta-lo ou fazer qualquer movimento. Fui jogada na ilha central e muitas coisas caíram, ouvi o som de algo se quebrando também. Seu rosto estava com um sorriso que deveria ser sedutor, mas era estranho e distorcido. Não me alterei, apenas fiquei olhando para ele enquanto continuava a sorrir, segurando minhas mãos sobre minha cabeça. Sua outra mão correu por todo o meu corpo, me apertando de forma bruta. Subiu meu vestido até o quadril, o que acabou rasgando toda a costura lateral. Então desabotoou a calça e a deixou cair por suas pernas.

Soltei meus braços com facilidade quando Bruno se distraiu tentando tirar a cueca e o coloquei na posição que antes eu estava, segurando suas mão sobre a cabeça contra a mesa o montando para ter maior controle. Ele riu, achou que eu estava entrando no clima da brincadeira. Ele tenta se solta, mas não consegue. Tenta outra e mais outra vez e nada. Seu sorriso agora começa a desaparecer sendo substituído pelo medo. Aposto que ele estava tentando entender como uma mulher magra e aparentemente frágil como eu conseguia segurar um homem com mais de oitenta quilos e quase dois metros tão fácil.

− Você sabe por que pedi que ficasse Bruno? – Seu rosto ficou pálido. Sua boca entreaberta sem emitir qualquer som. – Suas frustrações, seus fracassos, a traição e abandono daquela que havia lhe jurado diante de Deus amor eterno são o aroma mais doce que já senti. Até para tirar a própria vida você foi fraco. Não teve coragem de apertar o gatilho quando deveria, se deitou com prostitutas em busca de algo que nunca soube o que era. Mas agora tudo isso vai acabar aqui. Eu vou te ajudar a terminar o que você começou. – Me abaixei, deixando meu rosto a centímetros do dele. − Ninguém sentira sua falta, ninguém ira procurar por você. Agora, como eu disse não me alimentei ainda e estou faminta.

− O que é isso? Você é louca?! O que está fazendo? – Desci o rosto até seu pescoço e respirei fundo perto da pele já suada.

A primeira mordida foi bem devagar. Bruno começou a gritar em desespero, implorando que eu parasse que queria viver, gritou por ajuda de fora, mas ninguém viria. Tinha um bom motivo para tê-lo trazido para a cozinha, era no subsolo e toda vedada, nenhum som entrava ou saia daquelas paredes. Ouvir seus gritos só me fez sentir mais fome. Fechei minha mordida em seu pescoço e puxei, o sangue jorrou quente e vivo da artéria e rapidamente comecei a beber. Senti aquele calor percorrer por todo o meu corpo enquanto Bruno apenas se debatia, agora que não podia mais falar por conta do sangue que entrava em seus pulmões, então tudo parou. Continuei a beber até que não tinha mais nada para mim ali. Levantei e vi sua última expressão, o puro pânico da visão da morte a sua frente. Sai de cima do corpo e passei as costas da mão na boca. Olhei para meu colo e tudo estava úmido e grudento. Uma pena, eu gostava muito desse vestido. Abri a porta e Victória estava ali, sorrindo para mim.

− Está mais corada senhora.

− É sangue Victoria. – Ela segurou meu rosto com delicadeza e passou um pano úmido nele.

− Não, certeza que está mais corada. Agora suba e tome um banho. Levarei as toalhas e roupas limpas imediatamente. Também vou chamar Barnabas para cuidar do corpo. – Toquei seu rosto e beijei sua testa.

− Obrigada Victória. – Mais uma vez ela sorriu um grande e lindo sorriso. Eu a eduquei para isso afinal, para lidar com o monstro que sou.

Subi as escadas até o terceiro andar onde fica minha suíte. No corredor parei em frente a um espelho e me vi. Pele pálida, quase como porcelana manchada de sangue do pescoço para baixo, meu cabelo branco e curto um completo caos e meu lindo vestido completamente destruído. Uma pena, eu realmente gostava desse vestido. O tecido pegajoso grudava no meu corpo até a cintura. Voltei a olhar para o meu rosto e os olhos, antes negros como a noite agora eram vermelho vivo, brilhantes como faróis na noite escura.

− Senhora, trouxe tudo. Vamos?

Antes de entrar no quarto tirei o vestido e o entreguei a Victória, mandando que o jogasse fora. Não fazia sentindo tentar arrumar aquilo, estava destruído de qualquer forma. Fui para o banheiro e comecei a me lavar. A água vermelha descia pelo meu corpo, algumas partes que já estavam secas, tive de esfregar para que saíssem. Victória toma a esponja da minha mão e termina o serviço. Visto meu roupão e seco o cabelo com a toalha. Victória vem atrás de mim, ainda com o vestido nos braços.

− Já disse para jogar isso fora. Está arruinado, não serve mais. Mande que Barnabas queime junto com o corpo.

− Mas a senhora ficou tão linda nele, me dá pena. – Fui até Victoria e acariciei sua cabeça.

− É apenas uma roupa, não devemos ter pena de nos desfazer de objetos criança. Agora faça o que eu disse. – Victória sorriu e saiu do quarto.

Fiquei sentada na minha janela que dava de frente para a piscina nos fundos da casa vendo o brilho do sol começar a colorir o céu escuro. Costumávamos fazer isso todos os dias, mas desde que fiquei sozinha não via mais sentido nisso. O significado de um novo dia havia se perdido a muito tempo atrás, agora é só mais um dia que começa, nada de mais. Voltei para dentro e fechei todas as janelas, deixando o quarto completamente escuro. Na mesa de cabeceira está meu livro, o romance que escrevi pensando em apenas uma pessoa, a pessoa que me amou e então se foi sem dizer nada, deixando para trás qualquer sentimento puro que tive até onde minha memória permite lembrar. Peguei o livro e fui para a biblioteca, tinha que pensar em uma nova forma de encontra-lo e o quanto antes. Já estou cansada desse jogo de gato e rato.

15 августа 2019 г. 19:54:25 0 Отчет Добавить 1
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