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Lavínia é uma jornalista nordestina que está cansada de fazer mais do mesmo para a empresa que trabalha. Decidida a ganhar um prêmio de jornalismo inicia uma matéria sobre prostituição em um bairro de sua cidade. Beirando o Romance e a Crítica Social esta história retrata o amor que surgiu entre profissional e fonte em um cenário nada convencional.


научная статья 18+.

#jornalismo #História-Potiguar #baribha-rocc #Lavinia
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Capítulo 01 - De quando Lavínia percebeu que precisava de um prêmio

Era o dia 24 de dezembro de nem tão longe assim 2014.

Lavínia não estava com a sua família comemorando o Natal. Estava em Ponta Negra, como repórter,fazendo a cobertura da missa do galo na igrejinha para a televisão local. Maurício, o operador de câmera, reclamava o tempo inteiro que não queria estar ali, que pelo menos receberia o extra mas que sua esposa estava chateada com ele:

- .... Eu iria fazer o quê Lavínia? Eu preciso de dinheiro. Não se trata só do pagamento do extra, se trata também e principalmente de continuar trabalhando. Eu preciso que renovem o meu contrato por mais um ano. A minha mulher não entende, aliás, ninguém entende... É cada coisa que eu tenho que passar nessa vida.. Humilhação no trabalho, humilhação em casa, datas importantes perdidas e eu ainda tenho que estar aqui, vendo todo mundo feliz com as suas famílias enquanto eu estou gravando para poder passar na televisão. Lavínia, sinceramente, quem é que perde seu tempo no Natal assistindo esse tipo de programação? NINGUÉM! O que é que eu estou fazendo aqui, meu Deus?...


Lavínia por outro lado, era filha de evangélicos mas nunca aceitou seguir religião. Estava de certa forma bastante acomodada com a situação de não estar em um culto obrigada pelafamília. Além disso era totalmente alheia a festas com bebedeiras ou baladas, isso ficou em outra época, em uma outra Lavínia mais jovem. Hoje curtia muito mais o tempo que tinha com ela mesma. Estar ali, fugindo do que ela não se sentia integrante e realizando aquilo que ela sabia fazer de melhor, erasatisfazedor. Por isso ouvia a reclamação do amigo semempatia alguma. Impaciente e faltando 10 minutos para começar a missa do galo, enfureceu-se por não poder ficar com os próprios pensamentos e ter que ouvir toda aquela ladainha:


- Qual o seu problema afinal Maurício, Eu tenho cara de psicóloga? Não! Mas de uma coisa eu sei, você está aqui, não está? Você veio, não veio?? Então porque está reclamando!? Você está recebendo para fazer este trabalho. Se não queria trabalhar com isso porquê resolveu ser o câmera da tv afinal? Você pode arrumar outros empregos, fazer outra coisa, ninguém está te obrigando a estar aqui! Ninguém!! Muito menos eu. Se você quiser pode ir embora, eu coloco a câmera ali naquele banco e eu mesma me filmo. Eu não te entendo, não entendo mesmo. Faça seu trabalho homem! Pare de reclamar, isso não vai ajudar em nada. Que saco!


Ele a olhou mais frustrado do que já estava com toda aquela situação a que reclamava. Pegou sua água deu as costas e sentou-se nos degraus da igreja. Lavínia tomou o equipamento de gravação e com a câmera foi igreja adentro.


" É esse tipo de humilhação que eu estou falando e ninguém entende. É tão difícil assim? A única coisa que eu pude ser capaz de fazer bem foi ser câmera e eu ganho um bom dinheiro fazendo isso. Na maior parte do tempo é muito bom. Mas em dias como hoje eu me sinto um prostituto. É uma classe muito desunida mesmo, como uma desalmada dessas não consegue ter um pouco de empatia, de um homem que quer passar a droga do Natal com a sua família? Com a sua mulher e filhos. Ao invés de estar gravando e trabalhando, para não perder o emprego, em contrapartida de uns reles trocados... Eu já trabalhei mais que o meu turno várias vezes esta semana e eu nem vou receber o extra, poderiam ter contratado alguém só pra hoje ou terem remanejado alguém pra eu ter tempo, afinal eu ralei a semana inteira achando que eu ia ter folga hoje e não queria ninguém reclamando que eu trabalhei pouco. Eu venho pra essa bosta e não posso nem reclamar! Porquê essa filhote de chupa cu bem mais jovem que eu, acha que o mais importante dessa vida é ser essa imbecil caçadora de prêmio e prestígio. E ainda vem reclamar que eu poderia largar o emprego. Eu faria o quê, meu deus do céu, com 43 anos? Iria fazer uma faculdade, só se for! Porquê o que eu sei fazer e eu gosto de fazer é ser câmera e só por isso eu tenho que aceitar essas humilhações, porquê ninguém luta pelos seus direitos, ninguém vê o quão ridículo é isso e O PIOR! ainda ficam aprovando gente que tá no trabalho que nem a maluca da Lavínia.... Mas ninguém entende. Todo mundo acha que eu tenho que me prostituir nessa profissão e é assim mesmo. Que eu escolhi isso. Que não adianta lutar, e eu tenho que ficar aguentando tudo isso calado. Levar bronca de uma menina que é repórter e formada e se acha melhor que eu. Isso é uma má comida ignorante. Isso sim! "


Maurício levantou-se dos degraus, respirou fundo aliviado do desabafo e olhou pro crucifixo branco de cimento no alto da igreja. "Deus que me perdoe por tudo que disse, mas eu precisava". Parecia que ia sorrir, entrou.

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No dia 30 de Dezembro, houve a confraternização geral de fim de ano na empresa. Haveria a entrega dos prêmios, alguns discursos dos ganhadores, um amigo secreto geral e um amigo da onça para descontrair. Lavínia, que nunca se importou com nada disso, ia apenas pela comida. Fato que não negava para ninguém. Organizava a lista dos pratos de comida e cuidava de toda a logística do Buffet todos os anos.


O curioso daquela confraternização em relação à Lavínia é que em 2013 acabou comprando dois vestidos, um pro Natal e um pro Ano Novo, ambos de gala. Como teve que ir fazer uma reportagem no Natal daquele ano de última hora, foi liberada da obrigação familiar de ir para o culto e trocou o vestido por seu terno. Horas antes da confraternização de 2014 que exigia comosempre roupa de gala, lavínia trocava de roupa satisfeita por economizar dinheiro e tempo no Midway, usando o vestido antigo ainda não usado. Surpresa teve, quando constatou que mais uma vez ela havia engordado. Mais um ano de fartura, pensou. Nunca foi de se importar com essas besteiras.


Olhou-se um pouco incomodada com a pressão que o vestido fazia em sua cintura e saltava seus seios. Olhou-se de muitos ângulos. Contraía a barriga e nada mudava. Deitou-se no chão e pensou em não ir. Não por estar gorda em um vestido. Mas porquê não queria sair para comprar outra roupa. O senhor patinhas, seu gatinho de patinhas brancas, veio levemente tocando o chão, subiu em sua barriga, acomodou-se, encolheu-se e fechou os olhos. Lavínia pensou em se levantar, mas ficou com dó. Esperou um tempo até se levantar com uma ideia. Pegou um xale que sua mãe havia lhe dado na Páscoa. Nunca entendeu pra quê essas roupas de frio numa cidade a cada dia tão escaldante quanto Natal. Culpa do ar condicionado que existia em toda parte. Não bastava ligar numa temperatura amena, tinha que ser congelante pra obrigar a movimentar outro setor completamente distoante da realidade, o de roupas de frio numa cidade tão sufocante. Apesar disso, ficou feliz em ter com o quê disfarçar o desconforto da roupa, e foi.


Chegou cedo para acompanhar a arrumação do Buffet. Sempre recebia elogios pela organização do evento. Na hora marcada haviam chegado apenas alguns poucos, os ansiosos pelo prêmio que provavelmente ganhariam. Chamaram Lavínia para sentar-se à mesa com eles. Aceitou.


- E aí Lavínia, acha que eu ganho o prêmio de melhor reportagem policial de 2014?

- Não sei...Provavelmente. Talvez a sua reportagem sobre o caso do estuprador em série com a descoberta do maldito, te dê esse prêmio mesmo.

- Com certeza vai dar! Assim como eu vou ganhar o prêmio de maior furo, pela fotografia do momento exato em que o Procurador Pirineu aceitou a propina do empresário Batista.

- É, foi mesmo uma boa fotografia. Histórica!- Riram -


Começaram a falar dos prêmios, dos ganhadores dos anos anteriores, do acúmulo de honras. E maldosamente, por motivo algum, apenas por constatação, debocharam do fato de Lavínia NUNCA apesar dos esforços incansáveis de estar sempre fazendo horas extras e indo cobrir reportagens que ninguém mais quer fazer, ter ganhado um prêmio.


- Deveria haver o prêmio "Menção honrosa de esforços - Jornalista Lavínia" - debocharam na maldade, pois a conheciam e sabiam que ela se importava com aqueles prêmios.


Pela primeira vez, como em uma epifania num momento completamente desconcertante, Lavínia percebeu que de fato, trabalhava mais que muitos deles e nunca havia sido reconhecida por nada. Em 2013 completou uma década na empresa e recebeu apenas um discurso condecorado dos diretores. Não sentia-se uma jornalista ruim, mas olhando pela ótica de que era a que mais trabalhava e ralava em coisas meia boca sentiu que precisava mudar essa situação. Acendeu-se dentro de si a chama do desejo imediato de ganhar um prêmio. Seja lá do que fosse. Foi para casa ao final da festa, com sua tapperware cheia de comida, uma câmera Canon novinha que foi presente do dono do empresa, completamente inesperado e diga-se de passagem o melhor presente da noite, aliás rumores correram por meses que ela só poderia ter dormido com ele.Rumores, apenas.


Naquela madrugada de dia 31, Lavínia passou em claro. Teve um lance de repente, que se tornou em uma ideia sólida. Iria ganhar um prêmio naquele ano de 2015. Tudo iria ser diferente. Resolveu que iria fazer um documentário com matéria expandida no site, sobre prostituição no bairro das Rocas. Se ela não ganhasse um prêmio interno iria fazer inscrição em todos os prêmios nacionais que abrissem. Não importava como, aonde ou porquê mas ela ganharia um prêmio. Aquele, seria um ano diferente!

23 июня 2019 г. 20:35:51 0 Отчет Добавить 0
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