S02#24 - VISUM ET REPERTUM Подписаться

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Mulder e Scully investigam um estranho e complicado caso envolvendo uma criatura que assombra o cemitério de um condado durante a noite. Pela primeira vez, Scully acaba misturando a vida deles com o FBI, e esta interfere no seu profissionalismo. E a fidelidade de nossos agentes é posta em xeque.


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S02#24 - VISUM ET REPERTUM

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

Cemitério Municipal de Columbus – Mississipi – 1:39 A.M.

[Som: Cocteau Twins - Beatrix]

Câmera de aproximação por entre as lápides do cemitério. Ao fundo percebe-se um movimento na escuridão da noite. Aproximação até uma cova.

Damon, um jovem, segura uma lanterna, mirando a luz pra dentro da cova. Mark, o outro jovem, sem camisa, cava rapidamente. Ambos estão chapados.

Close da pá que toca no caixão.

MARK: - Achei!

Mark começa a retirar a terra com as mãos. Abre o caixão.

MARK: - Uau! Ganhamos a noite.

Mark retira o anel do dedo do defunto, que não apresenta sinais de decomposição.

MARK: - Parece ouro legítimo...

Damon estende a mão. Mark lhe entrega o anel. Damon pega o anel e ilumina-o com a lanterna, analisando-o.

DAMON: - É ouro, cara! Vai dar pra pegar uma boa grana com isso!

Mark fica olhando pro cadáver e rindo.

MARK: - Desculpe, cara, mas você não precisa mais disso. (RINDO) Não precisa de pó... Vai virar um...

Mark sai da cova. Damon guarda o anel no bolso.

MARK: - Acho que pra essa semana, maninho, o bagulho tá garantido...

DAMON: - É... Do pó ao pó, lembre-se o que seu pai falou durante o culto...

Mark ri.

MARK: - Luxúria, maninho! Sexo, drogas e rock’n roll!

Os dois riem. Barulhos. Os dois se olham. Damon mira a lanterna no defunto.

DAMON: - (ASSUSTADO) Ouviu isso?

MARK: - Pega leve, cara. Você tá ouvindo coisas.

DAMON: - ...

Barulhos.

Os dois procuram com as luzes das lanternas.

DAMON: - Cara, eu tô com medo... Vamos sair daqui...

MARK: - Acho que você tem razão.

Os dois caminham, assustados.

MARK: - Mano, tá ligado? Acho que tem alguém querendo nos assustar. Deve ser o zelador.

DAMON: - ... Sei lá, cara. Falam tanto de vampiros que você acaba ficando influenciado...

Mark vira-se para as lápides.

MARK: - (GRITA) Ok, palhaço, eu não acredito em ressurreição, falô? Vem aqui, cara a cara, seu merda!!!!!

Damon olha para o lado. Catatônico. Mark olha pra Damon.

MARK: - E aí, cara, o que tá pegando?

Damon continua parado, como se estivesse hipnotizado. Mark olha para a direção em que Damon está olhando.

Close da estranha forma humana, atrás de uma sepultura, na penumbra, com uns dois metros e quinze de altura, vestida de negro. Não se pode ver o rosto, apenas duas manchas alaranjadas, que parecem ser olhos. Mark grita.

Close dos respingos de sangue sobre uma lápide.

Close de Damon, que continua catatônico. Algo o empurra com violência, o forçando a deitar-se de bruços sobre a lápide. Damon percebe o sangue de Mark sobre a sepultura. Vê o corpo de Mark no chão, ensanguentado. Continua como que hipnotizado. Fecha os olhos. Grita.

Fade to black (tela escura)

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA


BLOCO 1:

Fade to up (abre a tela)

Arquivos X – 8:23 A.M.

[Som: Bananarama - Venus]

Scully, em cima de uma escada, de saias, tenta trocar a lâmpada. Mulder, segurando a escada, olha descaradamente pras pernas dela, enquanto mastiga chicletes.

MULDER: - Como está indo aí, Scully?

Scully está tão compenetrada na tarefa que nem olha pra Mulder.

SCULLY: - (INOCENTE) Por que você não faz isso, Mulder?

MULDER: - (CÍNICO) Tenho a mão muito grande. Nunca consigo encaixar a lâmpada.

SCULLY: - ... Eu odeio alturas... Mantenha essa escada firme, Mulder!

MULDER: - (OLHANDO PRA BAIXO DA SAIA DELA) Sem stress, Scully. Está ficando bem firme, acredite.

SCULLY: - ... Droga!

MULDER: - (MASCANDO O CHICLETE) O que foi?

SCULLY: - Tenho que desvirar isso, entrou errado.

MULDER: - (DEBOCHADO) Ah, essas coisas acontecem... Não se preocupe. Se entrou errado, tire e comece outra vez.

Scully pára. Ergue as sobrancelhas, percebendo que tem alguma sacanagem naquilo. Olha pra baixo.

SCULLY: - (DESCONFIADA) Mulder, o que está fazendo?

MULDER: - Segurando a escada.

SCULLY: - Além de segurar a escada?

MULDER: - Mascando chicletes.

SCULLY: - (IRRITADA) E além de mascar chicletes?

MULDER: - Nada.

Scully tira a lâmpada de volta, indignada. Desce. Entrega a lâmpada pra Mulder.

SCULLY: - Tome. É toda sua.

MULDER: - Minha?

SCULLY: - Suba aí e troque você, Mulder.

MULDER: - Tá bom.

Mulder sobe na escada. Scully segura a escada e fica olhando pro traseiro dele, como vingança.

SCULLY: - (DEBOCHADA) É...

MULDER: - (INGÊNUO) É o que, Scully?

SCULLY: - (MALICIOSA) Estava pensando na teoria de uma amiga que é engenheira mecânica... Ela diz que se conhece o funcionamento da máquina principal apenas pelo tamanho da parte posterior da própria.

MULDER: - Ahn? Por que está pensando em máquinas, Scully?

SCULLY: - Acho que vou fazer um curso rápido de como apertar engrenagens com as duas mãos pra ver se a mola mestra reage.

MULDER: - (INOCENTEMENTE) Não sabia que gostava de mecânica, Scully.

Mulder olha pra baixo. Scully disfarça, rindo dele.

[Corte da música]

Mulder desce a escada. Acende a luz.

MULDER: - Tcham, tcham! Isso é que é serviço de profissional.

SCULLY: - É... Pelo menos sabe trocar uma lâmpada...

MULDER: - (INCRÉDULO) Apesar de sua crença na minha incapacidade de realizar tarefas domésticas, eu sou muito bom em outras coisas, sabia?

SCULLY: - Mulder, você não está com índices tão altos na minha pesquisa.

MULDER: - Não blasfeme, Scully... Você fica babando por mim, só falta uivar pra lua como um cão selvagem.

Scully faz uma careta, botando a língua, como criança rebelde. Mulder guarda a escada num canto. Pega uma pasta de cima da mesa.

MULDER: - Que tal trabalhar um pouquinho? Hum?

SCULLY: - O que tem aí?

MULDER: - Criatura misteriosa vista nas redondezas de um cemitério. (DEBOCHADO) Búuu...

SCULLY: - Sem graça, Mulder.

MULDER: - Não é pra ter graça mesmo, Scully. Há 3 dias, um jovem, filho de um pastor, apareceu morto no cemitério. Com perfurações pelo corpo. O amigo que estava com ele, recusa-se a falar com a polícia.

SCULLY: - O amigo não pode estar inventando um conto fantástico pra escapar da acusação de homicídio?

MULDER: - Acho que não, Scully. Na verdade, o rapaz está constrangido com o acontecimento.

SCULLY: - Como assim, ‘constrangido’?

MULDER: - A polícia encontrou-o... Como vou dizer isso...

Scully olha pra Mulder, questionando-o com as sobrancelhas.

MULDER: - ... Ele estava nu, sujo de sangue e caminhando pela rua.

SCULLY: - E ...?

MULDER: - ... Exames indicaram que o rapaz foi estuprado.

SCULLY: - ... Então o amigo o estuprou e ele matou o amigo.

MULDER: - Acho que não. O bizarro está aí, Scully. Os exames indicaram ausência de sêmen.

SCULLY: - E daí? Pra quê existem preservativos, Mulder?

MULDER: - Scully, como um estuprador vai ter tempo pra colocar um preservativo, dando chances pra vítima fugir?

SCULLY: - Ah, então esse é o Arquivo X? Mulder, já pensou na hipótese de que não seja um estupro? Talvez ele e o amigo fossem amantes e se desentenderam... Ele matou o amigo e inventou a história toda. Essas coisas são mais comuns do que você pensa. Abra o jornal e você sempre se depara com um crime passional, seja heterossexual ou homossexual.

MULDER: - E se for um crime bissexual?

SCULLY: - O que está sugerindo, Mulder?

MULDER: - Scully, eu tenho uma teoria. Temos um Arquivo X sobre isso.

Mulder revira os arquivos. Scully suspira. O observa, fazendo beiço. Mulder puxa uma pasta.

MULDER: - Esqueci de dizer que haviam marcas de perfuração também no pescoço da vítima.

SCULLY: - (SACODE A CABEÇA NEGATIVAMENTE) Não...

MULDER: - O que sabe sobre vampiros, Scully?

Scully encosta-se na parede, colocando as mãos no rosto.

SCULLY: - Não, eu não acredito! De novo não!

MULDER: - Scully...

SCULLY: - (IRRITADA) Da última vez, Mulder, você nos colocou numa situação constrangedora, envolvendo pizzas com cloridrato e cadarços desamarrados. Perfurações no pescoço e no corpo não significam que sejam resultantes de atos vampirescos, Mulder!

MULDER: - Scully...

SCULLY: - (ENLOUQUECIDA) Além do fato de que vampiros não existem, você está sugerindo a possibilidade de que não seja um simples vampiro, mas um vampiro estuprador? Conde Drácula poderia ser classificado como bissexual, mas isso é ridículo!

MULDER: - Aí está, Scully. O Conde Drácula não tem nada a ver com isso. (APONTA A PASTA PRA SCULLY) Mas sim o senhor Richard Shasta.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Quem é Richard Shasta?

MULDER: - Richard Shasta, morador de Columbus, Mississipi, foi atacado por um vampiro, nas imediações do cemitério.

SCULLY: - (IRRITADA) E daí? Mulder, quer ser sintético e ir direto ao assunto?

MULDER: - Não, você precisa entender os detalhes.

SCULLY: - (ROSNA) Grrrrrr...

MULDER: - Ele precisava salvar sua alma. Então seguiu a criatura até sua sepultura, cravou uma estaca em seu peito e limpou o sangue da criatura em sua roupa. Pergunte isso a qualquer morador de Columbus, Scully. Eles confirmarão. Shasta contou sua história à todos.

SCULLY: - Mulder... (BOCEJA) Síntese, por favor.

MULDER: - Bem, há cinco anos, o senhor Shasta caiu de uma escada e quebrou o pescoço.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Nossa! Isso é muito interessante...

MULDER: - E o povo de Columbus começou a reclamar à polícia local que Shasta os estava molestando. Uma onda intensa de corpos ensanguentados e estuprados começou a aparecer na cidade. O povo acreditava que Shasta havia se tornado um vampiro. Que tinha invocado o demônio. O rumor sobre vampirismo começou a surgir. Depois, desapareceu por dois anos.

SCULLY: - (JÁ COM A PACIÊNCIA ESGOTADA) Mulder, por favor! Onde quer chegar com essa história?

MULDER: - Nosso dois jovens, Scully, moram em Columbus.

Scully ergue as sobrancelhas olhando-o com deboche.

MULDER: - Não se esqueça de levar água benta, crucifixo e alho.

SCULLY: - (DEBOCHADA) E a estaca?

MULDER: - (DEBOCHADO) Não se preocupe com a estaca, Scully. Eu levo uma bem grande pra você. Só pra você.

SCULLY: - (SUSPIRA) ... Eu poderia ter ficado quieta. Poderia ter passado o dia sem ter ouvido essa...

MULDER: - Já falei, deixou picando eu faço ponto.


Delegacia do Condado de Columbus – 1:19 P.M.

Scully e Mulder entram na delegacia.

Uma mulher de cabelos negros, alta, do tipo modelo fotográfico pornô, com a camisa semi-aberta, mostrando os seios fartos, está atrás do balcão, cabisbaixa. Scully fala baixinho.

SCULLY: - (AMEAÇADORA) Espero não ter problemas nessa cidade, Mulder. Entendeu, não é?

MULDER: - ... (SEGURA O RISO)

Os dois aproximam-se. A mulher olha pra eles. Mas seu olhar dispersa-se em Mulder. Mulder puxa a credencial.

MULDER: - Agentes Mulder e Scully, do FBI. Podemos ver o xerife Shelby?

SHELBY: - Já estão vendo. Eu sou a xerife Rita Shelby.

Mulder olha pra Scully, num sorriso debochado. Scully mexe a língua dentro da boca, de um lado para o outro, tentando disfarçar a raiva, enquanto ergue as sobrancelhas.

SHELBY: - Pensei que não viriam, agentes. Achei que o FBI jogaria meu pedido na lata de lixo dos casos esquisitos.

MULDER: - De certa forma foi o que fizeram.

SHELBY: - Por favor, vamos conversar em minha sala.

Shelby caminha pelo corredor, num andar provocante e sensual. Mulder a segue, olhando pro traseiro dela, que usa calças jeans bem justas e apertadas. Scully respira fundo, dando um cutucão em Mulder. Cochicham.

SCULLY: - (IRRITADA) Mulder, não me teste, está bem?

MULDER: - O que eu fiz?

SCULLY: - Estava olhando pra ela.

MULDER: - Scully, foi um segundo.

SCULLY: - Em um segundo de seus pensamentos, Mulder, já o vejo fumando um cigarro com uma cara safada perguntando ‘foi bom pra você’?!

Mulder olha pra Scully, incrédulo.


Cemitério Municipal de Columbus – 3:29 P.M.

Mulder anda por entre as sepulturas, examinando tudo.

A xerife Shelby caminha ao lado de Scully.

SHELBY: - Confesso, agente Scully. Há dois anos estou como xerife nessa cidade. Fui criada aqui e conheço essa história.

SCULLY: - E acredita nisso?

SHELBY: - Claro que não. Mas não encontro outra explicação. A comunidade fica comentando o assunto e criticando meu descaso com isso. Principalmente o pastor local, que parece ter um machismo incontrolável e ciúmes por ver uma mulher no poder. Sei que o filho dele morreu, mas não pode me culpar por isso. Eu confesso, queria resolver tudo, porque quero me candidatar às próximas eleições. Gosto de ser a xerife da cidade. Mas com esse boato surgindo de novo, não terei chances de reeleição se não resolver esse assunto. Foi o que aconteceu com o xerife anterior, que perdeu seus votos pra mim... (CONVENCIDA) Claro que a população da cidade é 60 % masculina também...

A xerife pára na frente de um túmulo. Scully olha pra ela, irritada. A mulher parece que exala sedução por todos os poros.

SHELBY: - Aqui está.

Mulder aproxima-se. Agacha-se.

Close da lápide: In memoriam – Richard Shasta. Há marcas de sangue espalhadas por ali.

MULDER: - Já tiraram amostras?

SHELBY: - Sim. É o sangue de Mark Taylor, filho do pastor da cidade, o rapaz que encontramos morto. Há sangue de Damon Herolds também, a vítima que afirma ter sido estuprada.

MULDER: - Quero autorização da família pra abrir a sepultura.

Scully olha pra Mulder, incrédula.

SCULLY: - Mulder, deixe o pobre homem descansar em paz!

MULDER: - Se não abrirmos, Scully, não desfaremos a crença de que ele é o responsável.

A xerife concorda com a cabeça. Scully faz beiço.

SCULLY: - Isso é absurdo!

MULDER: - Scully, sabe que vampiros não existem. Vamos mostrar o esqueleto do senhor Shasta e tudo ficará resolvido. Então poderemos achar o verdadeiro assassino. Não concorda, Senhora Shelby?

SHELBY: - Senhorita Shelby.

MULDER: - Ah, me desculpe. Senhorita.

Scully olha pra Mulder, entendendo a indireta. Mulder olha pra Shelby, com um ar de intriga, estudando-a.

SHELBY: - Bem, vou conseguir a autorização com a família. Mando meu auxiliar levar os dados sobre o senhor Shasta pra vocês. Estão hospedados em algum lugar?

MULDER: - Ainda não.

SHELBY: - Tem um motel há um quilômetro daqui. É bem confortável e aconchegante. Se quiserem falar com Damon Herolds, o garoto está sob condicional, na casa dele.

SCULLY: - Gostaria de realizar a autópsia em Mark Taylor.

SHELBY: - Sim, o corpo está no necrotério do hospital.

A xerife afasta-se. Scully olha pra Mulder.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Senhora Shelby... Acha que não entendi que estava tentando saber se ela era ou não casada?

MULDER: - ... (VIAJANDO)

SCULLY: - Você mentiu descaradamente pra aquela mulher, Mulder! Você quer abrir essa droga de sepultura porque acha que vai encontrar um corpo aí, inteiro, dormindo num caixão e com presas na boca!

MULDER: - ... (VIAJANDO)

SCULLY: - Mulder, está me ouvindo?

MULDER: - Claro. Mas discordo da sua teoria. Acho que os vampiros...

SCULLY: - Teoria? Mulder, não está prestando atenção no que eu disse e a experiência me ensina que está tendo sonhos eróticos com aquela mulher!

MULDER: - Ahn?

SCULLY: - Mulder, seu safado!

Scully dá as costas e sai furiosa do cemitério. Mulder abaixa a cabeça e ri.

MULDER: - Adoro provocar... é tão bom se fazer de bobo de vez em quando...


Residência dos Herolds – 5:11 P.M.

A senhora Herolds fecha a porta. Mulder e Scully caminham até o carro.

MULDER: - Não adianta, Scully. Se o garoto não quer falar, não podemos obrigá-lo.

SCULLY: - ... Acho que minha presença o intimidou, Mulder. E a mãe dele também não ajudou muito.

MULDER: - Voltarei mais tarde e tentarei conversar com ele. Vítimas de estupro passam por um trauma profundo. E ele é um garoto. Se fosse uma mulher, acredito que preferiria se abrir com você.

SCULLY: - Confesso, Mulder, o garoto parecia muito perturbado. Olhar vago... (INDIGNADA) Que tipo de animal faz uma coisa dessas com um jovem? Aliás, na minha opinião, estupro é o pior crime que pode existir! É um crime covarde, hediondo, é contra a natureza racional humana! Não precisa ser esperto pra ver que ele matou o amigo!

Os dois param na frente do carro.

MULDER: - Sabia que estupro era um fato comum na antigüidade? Tribos conquistavam tribos, povos conquistavam povos. Além de pilhar, saquear, destruir, eles se vingavam do inimigo estuprando as mulheres deles. Ao fazer isso, sentiam que além de ter vencido, tinham humilhado o inimigo. Até surgiu uma tese polêmica que defende o estupro como uma reação comum da natureza humana... (RINDO) Dá pra acreditar nisso? Daqui à pouco, vai haver movimentos de defesa do estupro. Como aqueles idiotas neonazistas...

SCULLY: - Mulder, basta um discurso convincente e aparecem seus discípulos. Minha mãe sempre disse que há louco pra tudo nesse mundo. Se eu disser que vi Cristo, que ele tomou uma bebida comigo numa boate e me pediu pra criar uma nova seita baseada no sexo e nas drogas como forma de elevação espiritual, aposto com você que minha igreja lotaria em menos de um mês.

MULDER: - As pessoas estão condicionadas a receberem tudo pronto, Scully. É mais cômodo aceitar do que questionar. Qualquer um de nós está sujeito a ser enganado por um espertalhão. Às vezes, conhecimento demais também atrapalha. Você fica analisando e acaba concordando filosoficamente que talvez seja possível admitir tal fato. É por isso que você vê terroristas árabes que são advogados, assassinos seriais que são médicos... É um mundo estranho, Scully. O ser humano é muito complicado.

SCULLY: - Sei disso, Mulder. Pego você, que é um cara muito inteligente, caindo nas mentiras armadas por algum safado espertalhão. E também me pego acreditando neles. Um de nós dois, agora, nesse momento, está sendo enganado. Ou é você por seu vampiro, ou eu pelo meu assassino.

MULDER: - Pelo menos a inteligência pode ajudar a encontrar a resposta mais próxima de verdade. Se não usássemos a inteligência, Scully, acredito que já estaríamos superados.

SCULLY: - ... Acho melhor irmos pro motel.

MULDER: - ... Que bom que estamos conversando. Achei que estivesse zangada comigo.

SCULLY: - Ao contrário de você, sei diferenciar nossa vida pessoal da nossa vida profissional. Estamos trabalhando nesse momento. Quando chegarmos naquele motel, não dirija sua palavra a mim, seu asqueroso insuportável, tarado e monstro!

Mulder olha pra ela assustado. Scully entra no carro com um beiço.

MULDER: - Scully, deixa de ser ciumenta.

SCULLY: - Cala a boca, Mulder!

MULDER: - ... Que mal tem dar uma olhadinha no quintal do vizinho?

SCULLY: - (ROSNANDO) ...

MULDER: - Foi só uma olhadinha.

SCULLY: - Por causa de uma olhadinha, Mulder, hoje estamos dividindo a mesma cama e eu uso suas roupas!


BLOCO 2:

Motel Evergreens - 6:01 P.M.

Scully entra no quarto, batendo a porta na cara de Mulder. Mulder abre a porta, esfregando a mão no nariz, fingindo.

MULDER: - Puxa, essa doeu.

SCULLY: - (IRRITADA) Não tenho culpa se seu corpo chega 10 minutos depois do seu nariz!

MULDER: - (DEBOCHADO) Tenho outra parte do meu corpo que chega 20 minutos antes do meu nariz.

SCULLY: - (DEBOCHADA) 23, Mulder... 23 certinho quando consegue chegar lá.

Scully entra no banheiro, trancando a porta.

MULDER: - (PÂNICO) Eu não acredito! Ô, Scully, isso é... Isso é constrangedor, sabia? Quem te deu permissão pra calcular... Ah, deixa pra lá!

Mulder atira-se na cama. Pega o controle remoto e liga a TV.

MULDER: - Quer pizza?

SCULLY: - ...

MULDER: - Que tal carne de soja?

SCULLY: - ...

MULDER: - Tá bom... Sem carne de soja então.

Mulder pega o catálogo telefônico. Scully sai do banheiro, sem blusa. Caminha até o sofá, abre a mala, tirando uma pijama, uma necessaire e uma toalha. Volta pro banheiro, batendo a porta. Mulder ri.

MULDER: - ... Hum, Scully, que tal um suculento filé grelhado?

SCULLY: - (IRRITADA) Vá se danar!

MULDER: - Hum... Vá se danar não tem aqui não... Serve outra coisa?

Scully abre a porta do banheiro e atira uma escova de cabelo em Mulder. Mulder, sem desviar os olhos do catálogo, inclina o corpo pro lado e a escova passa por ele. Scully fecha a porta numa batida.

MULDER: - Tá, Scully. O que quer?

Scully abre a porta novamente e atira um creme. Mulder desvia de novo, sem olhar. Scully bate a porta.

MULDER: - Que tal costeletas com catchup?

SCULLY: - (IRRITADA) Tem picadinho de Mulder aí?

MULDER: - Não, mas tem pica... Deixa pra lá.

Mulder pega o telefone.

MULDER: - Vou pedir uma pizza. Se quiser fale logo.

SCULLY: - (IRRITADA) Anchovas!

MULDER: - Argh, anchovas? Scully, eu detesto anchovas!

SCULLY: - (IRRITADA) Eu sei!

MULDER: - E você detesta anchovas também!

SCULLY: - (IRRITADA) E daí?

Mulder larga o telefone. Bate na porta do banheiro.

MULDER: - Scully...

SCULLY: - (IRRITADA) O que é? Quer morrer?

Mulder abaixa a cabeça rindo.

MULDER: - (FALANDO MANSO) Pode ser de queijo, meu amor?

SCULLY: - ...

MULDER: - (FALANDO MANSO) Hum? Então? Que sabor de pizza o meu amorzinho deseja?

Scully abre a porta do banheiro e aponta a escova de dentes na cara de Mulder.

SCULLY: - Mas sem gorgonzola!

MULDER: - (FALANDO MANSO) Claro, querida. Sem gorgonzola.

SCULLY: - Mulder, está debochando de mim?

MULDER: - (FALANDO MANSO) Claro que não, amorzinho... Por que debocharia de você, meu doce?

SCULLY: - (IRRITADA) Mulder pára com isso! Está me irritando.

MULDER: - (FALANDO MANSO) Sim, benzinho.

Scully bate a porta na cara dele. Mulder ri baixinho.


Residência dos Herolds – 8:17 P.M.

Mulder desce do carro. Caminha até a casa. Toca a campainha. A senhora Herolds atende.

MULDER: - Senhora Herolds, me desculpe. Mas preciso realmente falar com seu filho.

Sra. HEROLDS: - ... Agente Mulder, meu filho sofreu uma grande humilhação. Acho que não tem mais nada a dizer à polícia.

MULDER: - Senhora Herolds, existem fatos que não ficaram esclarecidos. Se quer pegar o canalha que fez isso com seu filho, precisa nos ajudar.

Sra. HEROLDS: - ... Entre.

Mulder entra. A mulher fecha a porta. Caminha até a sala, Mulder a segue. Damon está sentado numa poltrona, assistindo TV. Olhar perdido, ao longe. Mulder olha pra mãe do garoto.

MULDER: - Senhora Herolds, poderia nos deixar a sós?

Sra. HEROLDS: - Não. Não permitirei que meu filho fale nada sem a minha presença. Acho melhor chamar o advogado dele.

DAMON: - Mãe...

Damon olha pra mãe.

DAMON: - Parece que pensa que sou o culpado.

Sra. HEROLDS: - Damon, meu filho não é isso...

DAMON: - Nos deixe sozinhos, mãe... Por favor.

A mulher olha relutante. Sai da sala. Mulder aproxima-se do rapaz. Senta-se numa cadeira.

MULDER: - Damon, estive aqui antes, mas...

DAMON: - Eu sei. Você é o agente Mulder.

MULDER: - ... Sei que está passando por uma experiência nada agradável...

DAMON: - (REVOLTADO) Você não sabe de nada! Não sabe o que é não poder mais sair de casa, porque as pessoas todas dessa maldita cidade olham pra você rindo!

MULDER: - ...

DAMON: - Nem posso voltar pra escola. Meus colegas se afastaram de mim! Perdi minha garota por causa do que aconteceu! (CHORA) E perdi o meu melhor amigo...

MULDER: - Damon, estou aqui pra ajudá-lo.

DAMON: - (GRITA) Ninguém pode me ajudar! Vou confessar o crime e ir pra cadeia. Afinal, que diferença vai fazer agora? Minha vida tá arruinada, cara! As pessoas me chamam de gay! Eu não sou gay!

MULDER: - ... E Mark era gay?

DAMON: - (INCRÉDULO) Tá brincando! Acha que meu amigo fez aquilo comigo? (GRITA) Ele era único amigo que eu tinha!

MULDER: - Damon, quero que me conte o que aconteceu realmente naquela noite.

DAMON: - O pai dele é pastor... (SORRI) ... Imagina! Mark já tinha problemas demais com o pai, por causa dos seus pecados de ‘luxúria’... Tem certeza de que é policial?

MULDER: - E também sou psicólogo.

DAMON: - ...

O garoto parece que sente um alívio ao ouvir a palavra psicólogo.

DAMON: - Cara... (COMEÇA A CHORAR) Isso é bom... Eu tô precisando de ajuda!

MULDER: - Relaxe, está bem?

DAMON: - Ninguém acredita porque eu tava cheirado, falô? Eu sou viciado, cara! Eu não consigo largar, eu quero mas não consigo! Agora aconteceu essa desgraça e tudo que eu mais quero é um pouco de pó pra aguentar essa humilhação toda!

MULDER: - Não, Damon. Não precisa de drogas pra aguentar isso. Você é um homem. Um homem com uma vida inteira pela frente, com um acontecimento trágico que precisa superar com suas próprias forças. Você não é isso que dizem. Você é um ser humano. Só você pode enterrar tudo isso. E erguer sua cabeça. Ninguém pode rir de você, porque você não é culpado pelo que te aconteceu. E ninguém está livre de passar pelas mesmas coisas que você passou.

DAMON: - ... (FICA MAIS CALMO)

MULDER: - O que fazia no cemitério numa hora daquelas?

DAMON: - ... Eu e o Mark roubávamos túmulos pra pegar jóias. Precisávamos de grana pra comprar droga.

MULDER: - Faziam isso há muito tempo?

DAMON: - Há uns meses. Eu tava drogado, cara, nem sei o que vi!

MULDER: - Mas pode me contar?

DAMON: - Eu não matei o Mark se é isso o que quer saber!

MULDER: - Não estou dizendo que matou seu amigo. Não acredito que tenha feito isso.

DAMON: - ...

MULDER: - Acredito que viu alguma coisa sobrenatural.

DAMON: - ... Sério?

MULDER: - Tem algo pra me contar?

DAMON: - ... A gente tava indo embora quando eu vi aquela coisa.

MULDER: - Como era? Um vampiro?

DAMON: - Não sei cara, tava escuro. Era alto... Mais alto que você. Eu... Eu vi aqueles olhos alaranjados e brilhantes.

MULDER: - E Mark?

DAMON: - Mark também viu...

MULDER: - E depois disso?

DAMON: - ... (CHORANDO) Ele matou o Mark, na minha frente!

MULDER: - Como ele matou o Mark?

DAMON: - ... Eu não sei como, cara. Não podia virar a cabeça, só ouvi os gritos e depois vi Mark no chão.

MULDER: - Por que não reagiu?

DAMON: - Eu... Eu não podia, entendeu? Eu estava como que hipnotizado pelos olhos daquela coisa... Fiquei paralisado, era como se uma força me segurasse ali.

MULDER: - ... Quer me contar o resto? Acha que pode?

DAMON: - ...

MULDER: - Sei que não tem com quem falar sobre isso, Damon. Só há mulheres à sua volta. Sua mãe não entenderia, seu pai está morto, o xerife da cidade é uma mulher... Acho que se sentiria melhor se falasse sobre isso com um homem.

DAMON: - ... (CHORANDO) A culpa foi minha! Eu não reagi! Eu fiquei parado ali, deixando que ele me estuprasse...

MULDER: - Você mesmo me disse que estava hipnotizado, como poderia reagir?

DAMON: - ... (CHORANDO)

MULDER: - Ele te ameaçou? Falou alguma coisa?

DAMON: - Não. Eu só fiquei parado, não podia me mover...

MULDER: - Damon, não deve se culpar pelo que aconteceu. Não é sua culpa. Sabe disso.

O garoto chora. Mulder fica com piedade dele. Levanta-se.

MULDER: - ... Damon, eu vou pegar esse desgraçado. Mas você vai fazer um favor pra você mesmo e pro seu amigo Mark: Erga sua cabeça e lute contra o vício. E não ligue pro que as pessoas falam.

DAMON: - Acho que vou pra uma clínica... Quero ir embora daqui.

MULDER: - Faça o que acha que deve ser feito, Damon. Você é um bom garoto. Se perdeu as amizades e a namorada é porque eles não eram bons o suficiente pra compreender você. Nunca mereceram sua amizade. Não eram seus amigos de verdade.

Mulder sai da sala. Damon chora.


Motel Evergreens - 11:14 P.M.

[Som: Bananarama - Venus]

Mulder deitado na cama, sem camisa, lê alguns papéis, enquanto come sementes de girassol. Scully, sentada na cama, usando óculos, lê alguma coisa no laptop, concentrada. Está vestida com uma camiseta e meias soquetes. Mulder vira uma das páginas do papel. Continua lendo. Scully está compenetrada. Mulder tira o olhar do papel e olha pras pernas dela. Scully não percebe. Mulder volta pra folha de papel, se concentrando. Scully olha por debaixo dos óculos, pro peito de Mulder. Fica admirando. Mulder ergue a cabeça e Scully disfarça olhando pro laptop.

MULDER: - ... Aqui diz que o senhor Shasta foi acusado por estupro. Mas nunca provaram nada.

SCULLY: - Estupro?

MULDER: - Sim, de dois adolescentes de 16 anos.

SCULLY: - ... Damon Heralds tem 16 anos.

MULDER: - E o amigo dele tinha 18.

SCULLY: - ... Acha que tem um perfil do assassino baseado na tara sexual absurda desse Shasta?

MULDER: - Porque acho que foi o senhor Shasta.

SCULLY: - Mulder, não temos nenhum caso bizarro por aqui. Temos um garoto que foi estuprado pelo seu amigo e que o matou por vingança.

MULDER: - Acha isso mesmo, Scully?

SCULLY: - Acho. E vou provar pra você quando fizer a autópsia.

O celular de Mulder toca. Mulder atende.

MULDER: - Mulder.

SHELBY (OFF): - Agente Mulder, sou eu, a xerife Shelby.

MULDER: - (PROVOCANDO) Ah, xerife Shelby! Que prazer em ouvir sua voz.

Scully respira e solta o ar profundamente pelo nariz. Mulder continua provocando.

MULDER: - (AMÁVEL) Posso lhe ser útil?

SHELBY (OFF): - Agente Mulder, preciso que venha até o cemitério. Temos mais uma vítima de estupro, uma menina de 16 anos.

Mulder desliga.

MULDER: - Vista suas roupas, Scully. Outro estupro. Uma garota de 16 anos.

Scully levanta-se. Veste as calças e uma jaqueta às pressas. Mulder põe a camisa e o paletó. Abre a porta pra Scully. Ela sai, com um beiço quilométrico.


Cemitério Municipal de Columbus – 11:56 P.M.

Scully ajuda a menina a entrar na viatura. A menina chora muito. Scully olha pra Mulder.

SCULLY: - Vou levá-la ao hospital. Depois vou fazer a autópsia em Mark Taylor.

MULDER: - Tá.

Scully entra na viatura. Fica olhando pra Shelby, que conversa com alguns policiais. Olha pra Mulder, que entra no cemitério. A garota chora muito. Scully a abraça.

A viatura parte. Mulder caminha até o túmulo de Richard Shasta. Pega a lanterna do bolso e mira a lápide. Agacha-se e observa a terra sobre a sepultura. Shelby aproxima-se.

SHELBY: - O que descobriu?

MULDER: - Nada. Não há sinais de terra revirada.

SHELBY: - ... Acredita mesmo que foi um vampiro?

MULDER: - O que a garota falou?

SHELBY: - Estava voltando da casa de uma amiga e foi atacada na frente do cemitério. Descreveu a mesma figura sinistra, uns dois metros de altura, olhos alaranjados.

Mulder levanta-se. Olha pra Shelby.

MULDER: - Conseguiu a permissão pra abrirmos o túmulo?

SHELBY: - Ainda não. Mas meu assistente, assim que deixar sua parceira e a garota no hospital, vai até a casa do Shasta.

Mulder respira fundo. Põe as mãos na cintura.

SHELBY: - Vejo que está nervoso. Tem alguma teoria?

MULDER: - É um vampiro.

SHELBY: - Acha mesmo?

MULDER: - Não é um vampiro aristocrata. É um vampiro popular.

SHELBY: - Ahn? Agente Mulder, não entendo de vampiros. Poderia me explicar?

MULDER: - Vampiros...

SHELBY: - Não. Vamos tomar um café até a permissão chegar. Enquanto isso você me conta seus conhecimentos sobre vampiros.


Hospital Columbus – 12:57 A.M.

Scully está parada no corredor. Uma médica aproxima-se.

MÉDICA: - Agente Scully?

SCULLY: - Sim...

MÉDICA: - Realizamos os exames em Phoebe Marshall. Não temos como identificar o agressor. Não há indicações de esperma no corpo da vítima.

Scully fecha os olhos. Pega o celular. Seleciona Mulder.


Restaurante do Billy – 1:12 A.M.

Shelby olha impressionada pra Mulder. Os dois estão sentados, tomando café. O celular de Mulder toca. Ele olha no visor o número de Scully. Atende.

MULDER: - (PROVOCANDO) Agora não.

Mulder desliga.

Corta pra Scully, no hospital, olhando séria pro celular, erguendo as sobrancelhas. Ela insiste e aperta a tecla novamente, incrédula com a atitude de Mulder. Sai caminhando até o carro.

Corta pro restaurante. Mulder atende.

MULDER: - (PROVOCANDO) Já disse que agora não.

Mulder desliga o celular. Coloca no modo de silêncio. Olha pra Shelby.

MULDER: - Onde estávamos?

SHELBY: - Nos vampiros aristocratas.

MULDER: - A cultura sobre vampiros sempre retrata aquele vampiro descendente de aristocratas, que dorme em caixões caros, viaja a longas distâncias atrás de sangue. Ele se sente atraído por ambos os sexos. Durante o dia ele dorme em seu ataúde e durante a noite ele pode voar e aparece para beber o sangue de suas vítimas.

SHELBY: - ... Tipo... Drácula?

MULDER: - Mais ou menos. Contudo, existe um outro tipo de vampiro que se encontra nos relatos históricos da maiorias das culturas, chamado de vampiro popular. Ao contrário do vampiro aristocrata, ele reside em um cemitério e normalmente, sem um ataúde. Seria um simples camponês, odeia sua condição de morto-vivo e nunca vaga além de seu povoado. A diferença entre esses dois tipos de vampiros é tão grande, que se poderia dizer que nunca conviveriam socialmente.

SHELBY: - ... Isso explicaria as perfurações no pescoço e no corpo da vítima?

MULDER: - Com certeza. Vampiros não mordem apenas o pescoço. Podem morder outras veias também. Geralmente preferem o pescoço porque podem sugar o sangue mais rapidamente.

SHELBY: - Richard Shasta era de família simples. E era um tarado por adolescentes. As pessoas dizem que era gay... E como explicaria os ataques sexuais?

MULDER: - Um vampiro é uma criatura bissexual, incestuosa, necrófila e oral-anal-sádica.

SHELBY: - (DEBOCHADA) Perverso o garotinho, não? Como sabe tanto sobre vampiros, agente Mulder? Ou... Posso te chamar de Fox?

MULDER: - Pode me chamar de Mulder. Gosto do assunto. Sou fascinado pelo desconhecido.

SHELBY: - Não sei muito sobre isso, mas gosto de aprender coisas novas com homens inteligentes como você. É bom quando aparece alguém por aqui com um pouco de neurônios dentro da cabeça.

MULDER: - ... Eu te conheço de algum lugar, sabia? E é isso que está me deixando curioso a seu respeito.

Shelby olha pra ele, sorrindo.

SHELBY: - Ora, Mulder, essa cantada é muito velha. Seja mais original.

MULDER: - (SORRI) Não, não é uma cantada, me desculpe se pensou assim. É sério. Conheço você de algum lugar, mas... Não consigo me lembrar...

SHELBY: - ... Me fale mais sobre esses vampiros profanos e tarados... Que tipos de taras eles possuem? Por que vampiros gostam de sexo? ... Bom, se os mortos gostam, imagine os vivos!

Corta pra porta do restaurante. Scully entra. Ao ver os dois, sentados, conversando e rindo, ela sai porta à fora. Cerra os punhos, olhando pra rua.

SCULLY: - (FURIOSA) Eu não acredito! Mulder, você é um homem morto!

Scully atravessa a rua. Entra no carro. Sai cantando os pneus.


BLOCO 3:

Motel Evergreens – 4:59 A.M.

Scully entra em seu quarto. Mulder está deitado na cama, assistindo TV.

MULDER: - Fez a autópsia?

SCULLY: - ... Fiz, enquanto você estava se divertindo por aí, atacando pescoços oficiais...

Scully olha pra Mulder, como se o fuzilasse. Bate a porta com força.

SCULLY: - O que está fazendo no meu quarto? Não tem o seu?

MULDER: - (DEBOCHADO) Tenho. Mas a minha TV não está sintonizando os canais direito...

Scully ergue as sobrancelhas. Abre a boca pra xingar, mas Mulder é mais rápido.

MULDER: - Causa mortis?

SCULLY: - ... Por que quer saber? Afinal de contas não está agindo como um profissional. Veio pra essa cidade à procura de diversão barata!

MULDER: - O quê? Scully, o que está acontecendo com você?

SCULLY: - ... Não vai me irritar, Mulder... Mark morreu de parada cardíaca.

Mulder ergue-se, olhando pra Scully, enquanto senta-se na cama.

MULDER: - (INCRÉDULO) Parada cardíaca? O garoto morreu por overdose?

SCULLY: - Não... Talvez... Havia alta quantidade de drogas no organismo, mas... Mulder, há algo errado aí.

MULDER: - Como assim?

SCULLY: - O garoto literalmente morreu de medo!

MULDER: - Medo? Mas e o sangue espalhado pela sepultura? Não havia marcas no pescoço?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Suas marcas, Mulder, descritas pelo relatório preliminar da Xerife Shelby, eram lesões cutâneas, que se pareciam com mordidas. Causadas por aplicação de drogas injetáveis.

MULDER: - No pescoço?

SCULLY: - Mulder, ficaria surpreso com o desespero de um drogado, quando percebe que não tem mais veias para furar.

MULDER: - E o corpo?

SCULLY: - Aí está o inexplicável. Apresentava lacerações por todo o corpo, mas não eram lesões por agulhas. Eram lesões provocadas de dentro pra fora. Como se alguma coisa tentasse sair de dentro dele e rasgasse sua carne pra fora.

MULDER: - Sabe o que poderia fazer por mim, Scully? Realizar um levantamento das pessoas dessa comunidade com faixa etária entre 18 à 30 anos.

SCULLY: - Por quê eu faria isso?

MULDER: - Nosso agressor, Scully foi muito rápido. O que me remete à hipótese de que seja um jovem.

SCULLY: - Onde está seu vampiro, Mulder?

MULDER: - Já chego lá. Faça isso e verifique os possíveis acusados por algum crime sexual.

SCULLY: - Por que de 18 à 30?

MULDER: - Pra dizer a verdade, Scully, acredito que seja alguém bem mais velho. Com mais de 40 anos. Mas isso eu verifico. Faz parte da minha teoria sobre vampiros. Fique com os vivos de 18 à 30, que eu me encarrego dos mortos.

SCULLY: - O que quer dizer? Mulder, se o agressor é muito ágil, nem um atleta com 50 anos seria tão rápido. Muito menos um velho morto!

MULDER: - Vá rindo, Scully. É um vampiro.

SCULLY: - Então vamos ver se é um vampiro, Mulder. E saia da minha cama. Agora!

O celular de Mulder toca. Mulder atende.

MULDER: - Mulder... (OLHA PRA SCULLY) ... Tá, estamos indo pra aí.

Mulder desliga.

MULDER: - Era a xerife Shelby.

SCULLY: - Ah! Parece que ela só tem o seu número, não é mesmo? Acho que você é o único federal por aqui nessa cidade.

MULDER: - Conseguimos a permissão. Vamos abrir o túmulo.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Agora? Acabei de fazer uma autópsia.

MULDER: - Vai ter outra rapidinho. Isso se o senhor Shasta estiver em sua tumba...

Scully faz um beiço. Suspira.

MULDER: - Scully, esse cara segue um padrão. O mesmo padrão que Shasta seguia.

SCULLY: - Nem conseguiram provar que Shasta, ainda vivo, fosse culpado por aqueles dois estupros! Como pode achar que seja ele quem atacou Mark e Phoebe? E ainda por cima, depois de morto!

MULDER: - Esse sujeito tem taras por jovens e somente na idade de 16.

SCULLY: - É. E tem sujeitos por aí que têm taras por morenas com cara de baranga!

MULDER: - ?

SCULLY: - (DEBOCHADA) E 16 tem algum sentido simbólico na sua cultura vasta e repleta sobre misticismo?

MULDER: - Não.

Os dois saem do quarto em silêncio.


Cemitério Municipal de Columbus – 5:56 A.M.

Mulder olha pro zelador, que está cavando a sepultura. A xerife os observa de braços cruzados. Scully caminha por entre as sepulturas, procurando pistas. Mulder aproxima-se de Shelby.

MULDER: - Já vai amanhecer. Se ele não estiver aí... Azar o dele. Se estiver, também azar o dele.

SHELBY: - A família autorizou sem problemas. Estão tão loucos quanto nós pra descobrirem a verdade... Povo supersticioso.

MULDER: - ... (OLHA PRA ELA)

SHELBY: - O que foi?

MULDER: - Eu conheço você de algum lugar. Confesso que isso está me deixando muito, mas muito intrigado. É por isso que não tiro os olhos de você. Não me interprete mal. Mas realmente eu te conheço.

Shelby sorri. Scully observa de longe. Disfarçadamente vai se aproximando pra ouvir a conversa.

SHELBY: - Talvez...

MULDER: - Nunca esteve em Washington?

SHELBY: - Não...

MULDER: - (SUPLICA) Ah, por favor! Vamos lá, uma pista pelo menos!

SHELBY: - (RINDO) ... Tá bem, Mulder. Vamos ver se é um bom investigador, se é tão esperto assim. Vou te dar uma pista.

Shelby pega as chaves que carrega na cintura e as balança na cara de Mulder, sensualmente. Mulder observa as chaves. Shelby segura o riso. Mulder olha pras chaves, olha pra Shelby. Cai em si. Dá um sorriso, abaixando a cabeça, encabulado.

MULDER: - Essa foi feia... Me entreguei!

SHELBY: - (RINDO) Não se preocupe, Mulder. Não é o único policial a cometer delitos deste tipo. Acredite.

Scully arregala os olhos, irritada. Mulder não percebe que Scully está próxima.

MULDER: - Sabia... Sabia que te conhecia.

SHELBY: - (SORRINDO)

MULDER: - Claro! Rita Shelby...

SHELBY: - ...

MULDER: - Penthouse. A garota do ano, 1998.

SHELBY: - Hum, boa memória, agente Mulder.

MULDER: - Sabia que te conhecia... (IMPRESSIONADO) O que faz uma mulher como você num lugar desses?

SHELBY: - A beleza é transitória, Mulder. Chega uma hora em que outras belezas a substituem. É uma carreira cruel. Sem futuro.

MULDER: - E é futuro trabalhar como xerife?

SHELBY: - Não sei. Mas tudo começou quando fiz aquela edição vestida de policial... Não me lembro o ano...

MULDER: - Agosto, 1997.

SHELBY: - (IMPRESSIONADA) Hum... Impressão minha ou tenho um fã?

MULDER: - (SORRI TÍMIDO) As garotas bonitas a gente não esquece. Gosta de navegar, tem paixão por football, adora Martini com azeitonas verdes, sorvete de creme com passas e da poesia de Pablo Neruda. Esqueci alguma coisa?

SHELBY: - Esqueceu. Gosto de dormir nua.

Os dois riem. Scully se aproxima, tossindo pra chamar a atenção. Mulder fica sério.

MULDER: - Quero que faça uma autópsia no corpo do senhor Shasta.

Scully olha pra Shelby.

SCULLY: - (SÉRIA) Acho que vou indo pro necrotério, preparar tudo. Não precisa de mim por aqui. Pra dizer a verdade, acho que nem precisa de mim!

Shelby olha pra Scully, debochada. Scully afasta-se. Vira o rosto e olha pra eles, que começam a conversar novamente. Scully sai cabisbaixa, caminhando. Começa a chorar.


Necrotério do Hospital de Columbus – 8:56 A.M.

Scully aproxima-se do corpo. O corpo de Shasta está em perfeitas condições, sem degeneração. É um velho, com a pele do rosto rosada, unhas grandes, semelhante a um vampiro. O único problema é que é baixinho demais.

MULDER: - ... Scully, tome cuidado. Aposto com você que ele está vivo... Em termos...

SCULLY: - ...

Scully empurra Mulder pra fora da sala. Fecha a porta. Coloca as luvas e a máscara. Está chateada, triste. Magoada. Aproxima-se do corpo.

SCULLY: - ... Iniciando autópsia em Richard Shasta. Branco, caucasiano, 1, 75 metros, aparentemente 85 quilos...

Scully pára. Escora-se na mesa. Começa a chorar. Desliga o gravador. Tira a máscara do rosto. Olha pra Shasta.

SCULLY: - Se for um vampiro, pode fazer o favor de morder meu pescoço? ... Talvez eu seja uma mulher atraente pro Drácula...

Scully olha pro defunto, imóvel.

SCULLY: - ... Parece que não sou bonita nem pra um vampiro...

Scully afasta-se do corpo. Senta-se numa cadeira e abaixa a cabeça, chorando.


Motel Evergreens - 10:23 A.M.

[Som: Cocteau Twins - Beatrix]

Mulder desce do carro. Vê a viatura da polícia parada ali. Shelby, de braços cruzados, escorada na parede, está perto da porta do quarto dele. Mulder aproxima-se.

SHELBY: - Sua parceira terminou a autópsia?

MULDER: - Acho que ainda não. Se trancou lá dentro daquela sala, me deixando preocupado. Pedi ao seu assistente pra ficar por lá.

SHELBY: - ...

MULDER: - Tô cansado. Preciso de duas horas de sono, ou vou cair no chão.

Mulder abre a porta do quarto. Shelby entra atrás dele. Vê o blazer de Scully sobre a poltrona.

MULDER: - Quer falar alguma coisa comigo?

SHELBY: - Hum... Acho que está me escondendo algo.

Mulder olha pra poltrona. Vê o blazer de Scully.

MULDER: - O que teria pra esconder?

SHELBY: - Tem um caso com ela?

MULDER: - (RINDO) Um caso com ela? Não.

SHELBY: - Ora, admita. Não seja um safado ordinário... Ela é um caso, não é?

MULDER: - (RINDO) Não! Como poderia ter um caso com ela? Acha que ela é uma mulher de ter casos? Não, ela não é isso.

SHELBY: - ...

MULDER: - Ela é minha mulher. Somos casados.

SHELBY: - ... E você é um menino mau. Por que tira a aliança do dedo?

MULDER: - Não temos alianças.

SHELBY: - É um casamento moderninho?

MULDER: - Não. É um casamento sem domínio nem possessão.

SHELBY: - ... Ah! Um casamento aberto? Cada um faz o que quer? Transa com quem quer? Mora cada um em sua casa... Bem que achei que você era homem demais pra ser de uma mulher só. É muita coisa pra uma só tomar conta.

MULDER: - (SÉRIO) Sei o que está pensando. As pessoas confundem liberdade com libertinagem. Não é isso. Temos respeito um pelo outro. Talvez respeito demais pela individualidade de cada um de nós dois. (MAGOADO) Por que veio até aqui?

SHELBY: - Preciso conversar.

MULDER: - Sei qual o tipo de conversa que está querendo.

Shelby fecha a porta. Aproxima-se de Mulder, abrindo a camisa. Mulder olha pra ela, perplexo.


BLOCO 4:

[Som: Cocteau Twins - Beatrix]

Mulder está assustado. Shelby olha pra ele, sensualmente. Esfrega-se no corpo dele.

SHELBY: - Bem, pelo menos não preciso inventar pretextos. Você é esperto. Podemos ir direto ao assunto.

MULDER: - ...

SHELBY: - Ela ainda vai demorar. Não se preocupe.

Shelby passa a mão no peito de Mulder. Começa a abrir a camisa dele.

SHELBY: - Posso ligar pro meu assistente e pedir pra segurá-la por lá por mais uma hora...

Mulder afasta-se dela.

MULDER: - Não, Shelby.

SHELBY: - (INCRÉDULA) Não? Ora, não me diga que você não quer porque é casado, porque respeita sua esposa... Isso é besteira! Homem nenhum tem honra, quando o assunto é mulher.

Mulder abaixa a cabeça.

MULDER: - Desculpe, Shelby. Mas não.

SHELBY: - Nunca a traiu? É sua primeira vez?

MULDER: - Não vai ter primeira vez.

Shelby tira a blusa, revelando seu sutiã e um par de seios fartos (na verdade é silicone mesmo). Tira o sutiã. Mulder olha pra ela.

SHELBY: - Sei que você já conhece, Mulder... Que tal se os tivesse não em fotos ou em vídeos... Mas em suas mãos?

Mulder entrega a camisa pra Shelby. Está sério.

MULDER: - Vista-se, Rita. Não quero ser indelicado com você. Você é muito bonita. Não é nada com você, é comigo.

Shelby olha pra Mulder, incrédula, mas ainda o desejando, forçando um sim.

SHELBY: - (SORRI MALICIOSA) Se divertiu muito comigo num papel, Mulder? Aposto que se divertiria mais agora.

MULDER: - ... Não, Rita.

SHELBY: - Mulder, não vamos perder tempo. Sei que quer tanto quanto eu quero. Já a traiu em pensamento. Vejo que está querendo, mas sua moral fica impedindo...

MULDER: - Só porque conversamos, porque rimos juntos, não significa que...

SHELBY: - Você estava me desejando. Não minta pra si mesmo.

MULDER: - ... Tudo bem, eu até desejei você. Afinal, sou um homem. Mas não vale a pena.

SHELBY: - Está dizendo que não sou boa o suficiente pra você?

MULDER: - Não, você é linda. Mas não vale a pena cometer essa doidice. Eu seria um legítimo ordinário se a cometesse.

SHELBY: - Ora, Mulder... Ponha sua natureza masculina acima dessa moral ridícula. Homens pensam em sexo a toda hora. Não me engane. Você está a sós com uma garota da Penthouse e vai me dizer que não quer trair sua mulher? (RINDO) Isso é ridículo!

MULDER: - Sei que homens se vendem facilmente por sexo. Mas sei também que sou humano, não um animal. O que me dá direito de racionalizar as minhas ações. De lutar contra instintos. Porque tenho um cérebro.

Shelby põe a camisa, deixando-a aberta. Mulder senta-se na cama.

MULDER: - Vá, Shelby. Não podemos fazer isso. Não é certo.

SHELBY: - Mulder, por que não é certo? Eu desejo você, você me deseja. O que nos impede de cometer esse pequeno delito?

MULDER: - Pode parecer pequeno pra você. Pra mim não é.

Shelby deita-se na cama. Provoca Mulder, passando as mãos no corpo.

SHELBY: - Lembra-se daquela cena que fiz debaixo do chuveiro? Gostaria de fazê-la com você.

MULDER: - ...

SHELBY: - Nenhum homem resistiu, homem do FBI. Não será você que vai me dar um fora.

MULDER: - Shelby...

SHELBY: - Vamos, Mulder... Estou tão louca por você, que faria tudo o que me pedisse... Estou me sentindo quente por dentro... Hum...

Shelby passa as mãos nas pernas de Mulder.

SHELBY: - Realizaria todas as suas fantasias... Faria todas as coisas sujas que você quer fazer... Porque sei que você gosta de sexo... Você respira sexo... Você transpira sexo... Faça amor comigo, Mulder. Não sabe até onde eu poderia levá-lo... Ao prazer que você nunca, nem em sonhos, poderia ter.

MULDER: - Rita, por favor...

SHELBY: - Aproveite, afinal de contas, não tem tudo isso em casa.

Mulder levanta-se. Abre a porta, irritado com Shelby.

MULDER: - Estou sendo educado com você. Por favor, saia daqui.

SHELBY: - E estou tentando te fazer um favor, já que não tem tudo isso em casa. E quando não se tem, procura-se fora.

MULDER: - Eu tenho tudo isso e muito mais em casa. Por isso eu seria um filho da mãe.

Shelby levanta-se.

SHELBY: - Você deve ser louco, sabia? Olhe pra mim e olhe pra aquela coisa que chama de mulher. Bem, ela é uma típica esposa. É sem graça como toda a esposa. É feia, sem atrativos. Eu sou uma mulher de verdade e você vai perder todas as coisas boas e gostosas que eu faria com você.

MULDER: - Rita, eu não queria ser grosso com você, mas não tenho escolha. Não admito que fale assim dela... Saia daqui.

Shelby caminha até Mulder.

SHELBY: - É gay, Mulder? Ou não consegue? É, acho que você tem sérios problemas de apetite e posso entender porquê. Me deixe fazer isso por você, Mulder... Quero ser sua, todinha sua. Quero ter você dentro de mim, Mulder... Não resista...

Shelby fecha a porta. Desliza as mãos do peito de Mulder até suas calças. Mulder fica nervoso. Afasta-se.

MULDER: - Por favor, sai daqui!

SHELBY: - (SENSUAL) Não está mais se contendo, não é? Vamos, Mulder, me mostra o garotinho malvado que você é... Mostra o que você tem aí pra mim... Vem fazer maldades comigo... Faça tudo o que quiser, Mulder... Não sou uma garota preconceituosa... Eu topo todas. Nós dois somos iguais... Eu te conheço, Mulder. Sei quem é você...

MULDER: - Não, você não me conhece.

Mulder abre a porta. Olha pra Shelby, sério. Shelby respira fundo.

SHELBY: - Se seus hormônios começarem a incomodar, estou na delegacia. Adoraria que você me prendesse, me algemasse, me batesse...

MULDER: - Meus hormônios não vão me incomodar.

SHELBY: - ...

MULDER: - Pra dizer a verdade, a Scully não deixa meus hormônios me incomodarem. Ela é quem os incomoda.

SHELBY: - ... Sabe de uma coisa, Mulder...

MULDER: - ...

SHELBY: - Você nunca vai saber o que perdeu. E você não sabe tanto sobre mim. Tem uma coisa que não sabe.

MULDER: - E o que é?

SHELBY: - Por você, toparia transar com ela também. Nós três. Agora ficou tentado, não?

MULDER: - Rita...

SHELBY: - (INSISTINDO) Ou você prefere que eu arranje um homem pra nós dois? Hein? Confessa, Mulder...

Mulder sai do sério.

MULDER: - Saia daqui, se não quer que eu ponha você pra fora!

Shelby sai. Mulder bate a porta, irritado.

Corta pra viatura.

Shelby aproxima-se fechando a camisa.

Scully pára o carro. Desce, olhando pra xerife.

Shelby abre a porta do carro, ainda fechando a camisa, olhando debochada pra Scully.

Scully olha pra porta do quarto de Mulder. Dos olhos azuis da agente começam a correr lágrimas. Caminha, vacilante. Tira as chaves do bolso e abre a porta de seu quarto. Vê Mulder, sentado na poltrona, com o casaco dela sobre suas pernas. Mulder abre um sorriso.

MULDER: - Como foi? O cara ressuscitou ou não?

SCULLY: - (INCRÉDULA) No meu quarto?

MULDER: - ???

SCULLY: - (DESABA NO CHORO) Como pôde, Mulder! No meu quarto!

Mulder levanta-se, assustado.

MULDER: - Scully, do quê está falan...

SCULLY: - (CHORANDO) Seu cachorro! Seu ordinário! Eu a vi sair daqui! Foi bom? Se divertiu? Afinal, você realizou suas fantasias eróticas com uma mulher de verdade?

MULDER: - (SUSPIRA) Scully, não...

SCULLY: - Não, Mulder! Saia daqui!

MULDER: - ... Quero meu direito de defesa.

SCULLY: - (CHORANDO) Não tem direito de defesa! Isso foi crime inafiançável!

MULDER: - Scully, não aconteceu nada. Acredite em mim.

SCULLY: - Dá pra acreditar em você? Ela é a mulher que você desejava! Acha que vou acreditar que nada aconteceu? Você tinha ali o silicone do seus sonhos! Os cabelos perfeitos, o rosto perfeito, a altura e o corpo perfeitos!

Scully senta-se na cama, põe as mãos no rosto e chora.

SCULLY: - Saia daqui! Não quero que me veja chorando por você!

MULDER: - ... (TRISTE) Scully, quando vai aprender a gostar de si mesma como mulher?

SCULLY: - ...

MULDER: - Como pode pedir que eu te ame se não ama a si própria? Se passa o tempo todo se comparando com as outras, se achando inferior? O que difere você da Shelby?

SCULLY: - (REVOLTADA) Ora, Mulder! Não se faça de bobo!

MULDER: - Não, eu quero tentar entender. O que te difere dela?

SCULLY: - (CHORANDO) Ela é bonita. Eu sou feia. Ela é sexy. Eu não sou. Ela tem seios grandes, eu não tenho! Ela é magrinha, nas medidas perfeitas, eu tenho uma barriguinha que tento disfarçar. Ela é alta, eu sou baixinha! Quer que eu cite todas as características dela que eu não tenho? Quer que me sinta mais humilhada?

MULDER: - (PREOCUPADO) Scully, você é uma mulher inteligente. Não caia nessa de aceitar por verdade o que a sociedade incutiu na cabeça das pessoas como sendo o padrão único de beleza. Na época de Da Vinci, as gordinhas eram o tesão.

[Som: Bananarama - Venus]

Mulder ajoelha-se na frente da parceira.

MULDER: - (TERNO) Olha pra mim...

SCULLY: - Não!

MULDER: - (APAIXONADO) Olhos azuis, cabelo acobreado e cheiro de canela, quer fazer o favor de olhar pra esse seu servo? Posso merecer um olhar?

Scully olha pra Mulder, chorando.

MULDER: - Scully, você é minha Vênus... Me desculpe. A culpa é minha. Eu fiquei provocando ciúmes. Meu ego precisa saber que sou importante pra você. E afinal de contas, Scully, se eu transasse com ela, seria só por uma noite. Quando eu abrisse a boca, ela me mandaria pro inferno.

Scully sorri.

MULDER: - Se você se acha feia e inteligente, pior é ser bonito e burro!

SCULLY: - Você não é burro, Mulder.

MULDER: - Nem você é feia.

SCULLY: - (CHORANDO) Tenho sardas no meu rosto. Tenho celulite! Tenho estrias!

MULDER: - Que bom! Assim sei que é natural, não é artificial. E eu tenho um nariz enorme, uma barriga de quarentão e confesso, as rugas não estão dando mais pra esconder! O que pode me aconselhar a passar no rosto? Tenho chances ainda?

Scully sorri. Sente-se mais leve. Levanta-se.

SCULLY: - ... Eu... Eu quebrei meu juramento com as pessoas e comigo mesmo como profissional.

MULDER: - O que houve?

SCULLY: - Mulder, eu... Eu admito que deixei me levar pela minha vida particular, misturei trabalho com nossa vida pessoal e ... Não consegui fazer a autópsia.

MULDER: - (SORRI) ... Tudo bem, Scully. Quer dormir um pouco?

SCULLY: - Não, tenho trabalho pra fazer.

MULDER: - Vou com você.

Mulder levanta-se. Abre a porta pra Scully.

MULDER: - Se é que ele ainda estará naquela mesa.

SCULLY: - ...

MULDER: - Vamos acabar de vez com isso, Scully. E agora quem tá quebrando o juramento sou eu. Não vou mentir. Não quero resolver esse caso pra pegar o culpado de uma vez. Quero ir embora dessa cidade, ir voando pra nossa cama, ficar do teu lado, me sentir seguro nos seus braços.

SCULLY: - ... (SORRI, SECANDO AS LÁGRIMAS)

MULDER: - Vamos, Scully. E me lembre de que quando colocar gasolina, tenho que assinar o cheque como Fox Mulder.

SCULLY: - Por quê?

MULDER: - Acabei de fazer besteira. Assinei como Scully. Afinal, não sou o senhor Scully?

SCULLY: - (SORRI) Não, é o senhor Mulder.

MULDER: - Não, eu sou o senhor Scully. Nem sei quem é Mulder, não sou um Mulder. Nem conheço essa família. Não é a minha. A minha família está lá, planejando o natal desse ano.

Os dois saem caminhando até o carro. Mulder põe o braço sobre Scully.

MULDER: - Aliás, a Meg quer que eu ajude a preparar o jantar de Ação de Graças. Tem alguma receita pra me dar? Entendo patavina de peru! (DEBOCHADO) Você que poderia pegar no peru...

SCULLY: - (RINDO) Mulder!!!!!!


Necrotério do Hospital de Columbus – 12:33 P.M.

Mulder observa Scully. Ela termina a autópsia, retirando a máscara e jogando as luvas no lixo.

SCULLY: - É bom me sentir Scully novamente.

MULDER: - (DEBOCHADO) E então, sua cética imprestável? Já percebi que ele não é um vampiro, porque se não já tinha levantado dessa mesa!

SCULLY: - (SORRI) Ok, seu crédulo nada científico! Aí está o seu vampiro, Mulder!

MULDER: - (DEBOCHADO) Fala aí o quê descobriu, senhora Ciência! Explique essas presas!

SCULLY: - A vítima sofria de displasia ectodérmica hipohidrótica, disfunção genética que faz com que os dentes cresçam de forma que, a maioria deles fiquem mais curtos e retos, dando aos caninos um aspecto mais comprido e cônico.

MULDER: - E as unhas novas e grandes?

SCULLY: - As unhas podem desprender-se de um cadáver. Os músculos se enrijecem eriçando os pelos e contraindo a pele ao redor das unhas dando a impressão de que cresceram.

MULDER: - E a pele da mão e dos pés desprendidas, revelando uma pele nova?

SCULLY: - Quando um corpo se decompõe, a epiderme se desprende deixando a derme descoberta, confundindo com o surgimento de uma nova pele.

MULDER: - (OLHANDO PRA SCULLY/ APAIXONADO) Boca roxa, com sangue?

SCULLY: - A vítima apresenta sinais de morféia, uma infecção cutânea que produz lesões de cor violeta nos lábios.

MULDER: - (IMPRESSIONADO) Corpo roliço e perfeito?

SCULLY: - O inchaço é produzido pela formação de gases no interior do corpo e a coloração rosada se deve ao escurecimento do sangue ao ser decomposto por bactérias... Mulder, visum et repertum: Visto e descoberto.

MULDER: - (SUSPIRA) Então estamos de mãos vazias.

SCULLY: - Mulder, tenho uma teoria.

MULDER: - O garoto não é o assassino, Scully.

SCULLY: - Mulder... O que sabe sobre estupros cometidos por espíritos?

Mulder abre um sorriso.

MULDER: - Não! Essa não é a minha cientista!

SCULLY: - O que sabe sobre isso, Mulder?

MULDER: - (IMPRESSIONADO) De onde tirou essa teoria?

SCULLY: - Já li algo a respeito. O Padre McCue falava de um caso de exorcismo, onde uma garoto era violentado pelo demônio. Acredita nessas coisas? Pelo menos, explicaria o fato de não encontrarmos presença de sêmen nas vítimas.

MULDER: - Scully, ficaria surpreso com os Arquivos X que temos sobre estupros e violência física cometido por entidades espirituais contra pessoas. Scully, eu te amo!

Mulder agarra Scully e beija a parceira na boca com fúria. Afasta-se dela, que ainda zonza com o beijo, olha pra ele. Mulder abre a porta.

MULDER: - Como não pensei nisso antes? É claro!

SCULLY: - Mas... Mas não explica como o garoto morreu.

MULDER: - Scully, e se estivermos lidando com dois culpados?

SCULLY: - Como assim?

MULDER: - E se alguém matou o garoto, Scully, e na mesma hora o espírito estivesse por ali e se aproveitou da situação?

SCULLY: - Mas quem mataria Mark Taylor?

MULDER: - Melhor: Por que matariam Mark Taylor?

SCULLY: - Ele era um ladrão de cemitérios... Um viciado em drogas... Não faz sentido. Se alguém tivesse visto aquela presença ali, teria fugido, não teria matado o rapaz...

MULDER: - A menos que a entidade tenha feito as duas coisas. Não tenho relatos disso, mas... Afinal, trabalhamos ou não com o desconhecido?

SCULLY: - Acha que um espírito matou Mark e estuprou Damon? Por que matou Mark? Por que não Damon?

MULDER: - Porque talvez sentisse atração por Damon, que tinha 16 e não por Mark, que era mais velho.

SCULLY: - Continua sem sentido, Mulder... É como se você se sentisse atraído por aquela mulher e me matasse pra poder tê-la.

Mulder vai saindo.

SCULLY: - Onde vai?

MULDER: - Scully, agora estou juntando os fatos! Deus, como fui burro! Vou falar com o pai de Mark. E você, vá pro motel, dormir um pouco.

Mulder sai às pressas. Scully suspira.


Motel Evergreens – 2:22 P.M.

Scully atirada na cama. Batidas na porta. Scully se levanta e abre a porta. Shelby está ali.

SHELBY: - Quero pedir desculpas, agente Scully.

Shelby entra. Aproxima-se de Scully. Olha pro crucifixo dela.

SHELBY: - Estou envergonhada. Só queria que entendesse.

SCULLY: - Entendesse o quê? Que estava dando em cima do meu marido?

SHELBY: - ... Na verdade, usei ele pra chegar perto de você.

Scully olha pra Shelby, a questionando com os olhos.

SCULLY: - O que quer me dizer?

Shelby coloca as mãos na cintura de Scully. Scully ergue as sobrancelhas, em pânico. Shelby aproxima seus lábios dos de Scully.

SHELBY: - ... Adoraria transar com você.

Os olhos de Shelby tornam-se alaranjados.


Igreja Evangélica da Comunidade de Columbus – 2:38 P.M.

Mulder está sentado no último banco. A igreja tem umas poucas pessoas. O pai de Mark, o pastor David Taylor, continua falando, segurando a Bíblia. Está muito irritado.

TAYLOR: - Por que acham-se na Glória de Deus? Não, irmãos. Não estamos na Glória do Pai. Seremos julgados! Julgados por nossos atos! Julgados pela nossa luxúria! Porque o povo deu o poder à prostituta! ... Finalizando nossos estudos de hoje, abram o livro em Provérbios, capítulo 5.

As pessoas pegam a Bíblia. Barulho de páginas sendo folheadas. O pastor começa.

TAYLOR: - Filho, preste atenção no que eu digo com a minha sabedoria e compreensão. Então você saberá como se comportar, e as suas palavras mostrarão que você tem conhecimento das coisas. Os lábios da mulher imoral podem ser tão doces como o mel, e os seus beijos, tão suaves como o azeite; Porém, quando tudo termina, o que resta é amargura e sofrimento. Ela está descendo para o mundo dos mortos; a estrada em que ela anda é o caminho da morte. Essa mulher não anda na estrada da vida. Ela caminha sem rumo, mas não sabe disso.

Mulder faz aquela sua fisionomia de quem está ligando os fatos.

TAYLOR: - Irmãos, sejam fiéis a suas mulheres, aos seus maridos. Resistam ao pecado da carne... Ele os levará mais próximos do muro da morte. Abençoados sejam.

O pastor fecha Bíblia. As pessoas começam a sair da igreja. Mulder caminha até o pastor. Mostra a credencial.

MULDER: - Pastor Taylor?

TAYLOR: - Sim, irmão.

O pastor vê a credencial. Olha pra Mulder, com lágrimas nos olhos.

MULDER: - Senhor Taylor, sabe porquê estou aqui.

TAYLOR: - ... Meu filho teve o que procurou, agente Mulder. Eu fui o melhor pai que poderia ser. Ele resolveu virar o rosto pra seu pai, aquele que tinha como única intenção amá-lo e protegê-lo, e de fazer dele um homem justo. Preferiu dar ouvidos ao pecado.

MULDER: - Foi ela, não foi?

TAYLOR: - ...

MULDER: - Seu filho tinha um relacionamento amoroso com a xerife Shelby ?

TAYLOR: - ... Amoroso... Amoroso é uma coisa de Deus. Ele tinha sexo com ela. Era isso que ele tinha... Quando essa mulher voltou pra cá, as desgraças começaram de novo. Tivemos dois anos de paz por aqui. Ela trouxe a luxúria e o pecado de volta com ela, não respeitando os homens e mulheres desta cidade. Os homens enlouquecem com ela e se afundam na lama do prazer, aborrecem suas esposas que os amam verdadeiramente.

MULDER: - Seu filho usava drogas há quanto tempo?

TAYLOR: - Ela o iniciou nisso, agente Mulder. Antes dela, eu tinha um filho. Depois dela, meu filho já estava morto, antes mesmo do demônio tê-lo tirado de mim...

Mulder respira fundo, sentindo-se enganado.

TAYLOR: - Ela vivia com os garotos... Uma vez a coloquei pra fora da minha casa. Quando a ouvi dizer que queria ter sexo com os dois ao mesmo tempo.

Mulder dá as costas, apressado.


Motel Evergreens – 2:56 P.M.

Mulder desce do carro. Vê viaturas da polícia. Vê a porta do quarto de Scully aberta e movimento de policiais. Mulder entra apressado, vendo sangue pelo quarto. Scully sai do banheiro, secando o rosto.

MULDER: - Scully, o que...

SCULLY: - (PERTURBADA) Atirei nela, Mulder. Mas ela fugiu.

MULDER: - Como descobriu?

SCULLY: - (NERVOSA) ... Acho melhor conversarmos na estrada, Mulder. Já fiz as malas, quero sair daqui agora.

Scully pega sua mala. Mulder continua perplexo, sem entender nada.


Apartamento de Scully – 1:58 A.M.

[Som: Cocteau Twins - Beatrix]

Scully não consegue dormir. Mulder também não. Scully nervosa. Mulder com medo.

SCULLY: - ... Mulder, ela era o demônio... Usando a sensualidade, o sexo, tudo pra conseguir seu intento: o prazer desmedido às custas do sofrimento dos outros... Ela estava com Mark, mas cobiçava Damon. Damon resistiu, ela se vingou... Humilhou o garoto da pior forma que poderia... Demônios não têm sexo, Mulder...

MULDER: - Acho que têm, Scully. Os dois sexos.

SCULLY: - ... Mulder, eu... eu nem sei o que vi... Parece loucura!

MULDER: - ... Scully.

SCULLY: - O que é?

Mulder abraça-se nela, com medo. Pega o crucifixo de seu pescoço na mão.

MULDER: - Pela primeira vez dei ouvidos aos ensinamentos religiosos que eu tinha.

SCULLY: - ?

MULDER: - Eu... Eu não transei com ela porque eu... Eu imaginei a dor que seria pra você. Que você não merecia isso. Então lembrei de uma passagem do Cântico dos Cânticos: “Como um lírio entre os espinhos, assim é a minha amada entre as outras mulheres”.

Scully o abraça, acariciando seus cabelos. Mulder continua com medo.

MULDER: - Ela tinha razão, Scully. Ela me conhecia. Ele sabe quem eu sou. E dessa vez, chegou bem perto. Perto demais...

Fade out.

X

12/05/2000

18 июня 2019 г. 0:18:17 0 Отчет Добавить 0
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Об авторе

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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