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A prova de que deusas também podem errar é que Sakura, deusa do destino, depois de eras ainda se arrepende de ter usado a deusa do equilíbrio como isca em um conflito. Uma vez decidida a arcar com as consequências e lidar com as marcas causadas em seu grande amor, é hora de encarar Hinata.


Фанфик Аниме/Манга 13+.

#guerra #hinasaku #Deusas #yuri #sakuhina #hinata #sakura
Короткий рассказ
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Único, assim como meu amor por ela

"Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros."

— Confúcio

Sakura andava em passos calmos, sentindo a grama fofinha debaixo de seus pés nus e o vento lhe bagunçando os cabelos, arrepiando-lhe a pele. Tão logo ela chegou a pequena ponte de cristal e a atravessou, seus olhos captaram o enorme castelo que se erguia no horizonte, seu destino. Respirou fundo, controlando seu animal interior — aquela ansiedade misturada com medo, que a fazia ter receios e pensamentos negativos. Era ridículo para ela, uma deusa, se deixar levar tão fácil por suas emoções e anseios.

Chegando ao castelo as enormes portas feitas do mais puro ouro se abriram sem que precisasse esperar e com a decisão que havia tomado semanas atrás em mente adentrou o salão. Lá dentro os servos estavam a todo vapor de um lado para o outro, tão ocupados, que nem notaram a presença de Sakura e, os poucos que o fizeram, apenas a olharam curiosos antes de voltar a seus serviços. Os olhos verdes da deusa brilhavam diante da decoração impecável e luxuosa do local que naquele dia em especial estava ainda mais recheada dos mais puros e magníficos enfeites, e não era para menos já que era o aniversário dela. Sabia que estava adiantada, pois a celebração seria somente a algumas horas mais a frente, porém não queria esperar — afinal, três séculos não é tão pouco tempo assim, ainda mais para o coração angustiado de Sakura.

Após sair do salão chegou a uma encruzilhada de corredores extensos e já fazendo tantos milênios que não vinha a aquele castelo que não se recordava mais de qual caminho tomar para chegar onde desejava. Suspirou, fechando os olhos e massageando a têmpora direita, recordando a si mesma que fugir por mais tempo não levaria a nada, a não ser mais dor. Abriu os olhos rapidamente assim que sentiu uma presença conhecida se aproximando por um dos corredores.

Coincidência?Ou talvez seja o destino como os seres humanos gostam de falar?

A deusa riu baixinho de seu próprio pensamento e sem sair do mesmo lugar se virou para trás, ficando face a face com o deus que se aproximava por suas costa. A expressão pacífica de Sakura se dissipou ao ver o olhar que era direcionado a si.

— Nunca, em toda minha existência, esperava vê-la outra vez por aqui, destino. — Ele disse mostrando seu desprezo e irritação em cada palavra, quase cuspindo ao ter que pronunciar o nome da deusa.

— É um prazer revê-lo também, Neji.

Sakura tentou soar simpática diante da grosseria não tão inesperada do companheiro regente, forçando um sorriso com os lábios fechados.

— Para você é Amor, não Neji. — O deus respondeu grosso, demonstrando sua total vontade de retribuir a tentativa amigável da deusa.

Sakura não se arriscou a dizer algo mais, deixando o silêncio os envolver e um clima tenso e desconfortável surgir. Novidade seria se amor não a tratasse daquela forma, ele guardava rancor pela irmã, e sabia que a culpava pelo distanciamento dela de todos, mas não podia tirar a razão dele, já que também se culpava por aquilo e todas as desgraças que aconteceram naquela época distante, mas que ainda estavam vivas nos corações de quem as presenciou na própria pele.

Disposta a não perder mais tempo e se enchendo de coragem por um motivo maior, a deusa resolveu que Neji — que ele se ferrasse por não gostar que ela o chamasse pelo pseudônimo — não seria um obstáculo e talvez se jogando certo, poderia de tornar uma ajuda.

Vamos lá, Sakura! Você terá que enfrentá-la, não é mesmo? Esse deus com raiva, não é nada comparado a fúria dela.

— Onde é o quarto de sua irmã? — Soltou sem rodeios.

— O que deseja com ela? — Amor arqueou uma das sobrancelhas, permanecendo com o olhar raivoso sobre Sakura.— Minha irmã está feliz com seu aniversário como a muito tempo não a vejo, talvez esteja, enfim, começando a recuperar-se. Não acha que sua visita a ela iria somente acabar com essa felicidade?

— Acredite, eu pensei muito nisso antes de vir até aqui…

— Ótimo. — O deus a interrompeu antes que terminasse a frase. — Se pensou, então volte para seu castelo e nunca mais apareça na minha frente ou de minha irmã. E quanto a festa, seu convite a ela foi mera cordialidade, não venha!

— Eu preciso falar com ela, Neji. — Sakura insistiu, firme com suas palavras. — Esperei tempo demais para tomar uma atitude, e não será você que irá me impedir de vê-la.

— Pois bem, Destino. — O olhos claros de amor faiscaram, e estendendo uma de suas mãos para frente uma espada surgiu flutuando no ar. — Não deixarei que passe daqui! — Esbravejou entre dentes.

Quando a mão do deus agarrou a espada e a desbanhou, Sakura já tinha invocado também sua arma, seu fiel arco de flechas, inquebráveis, assim como a arma de seu oponente. Com o arco nas mãos o levantou na altura do rosto pronta para se proteger do ataque de Neji quando ele se impulsionou para dar um salto para cima.

Mas o arco de destino nunca chegou a ser tocado pela espada do deus do amor naquele século, pois alguém surgiu de repente das sombras e, com seu escudo, os impediu de travar a luta. Na posição em que estava, Sakura apenas conseguiu ver os longos cabelos negros junto de um borrão vermelho vindo com toda velocidade para seu lado. Com o impacto inesperado, acabou perdendo o equilíbrio e batendo com as costas na parede, sangue e um grunhido de dor lhe escaparam pela boca.

— Vocês por acaso são crianças para saírem brigando assim? Poderiam ter destruído meu castelo com essa luta inútil! Se querem se matar, que façam isso em outro lugar que não seja aqui!

A visão de Sakura estava turva, mas nem por isso deixou de identificar a dona da voz que soava irritada, a reconheceria em meio de milhões de outras. Concentrou sua energia nas partes doloridas de seu corpo, dando mais atenção a suas costelas, onde algumas haviam se quebrado, e aos poucos foi se curando. Poder de auto curar era "uma mão na roda" como algum humano diria, mas nem por isso deixava de ser doloroso, as costelas se movendo de lugar doíam e muito, mas para quem já faz tal coisa a tempos aprendeu a lidar com a dor física.

— Está bem? Conseguiu se curar?

O borrão vermelho se aproximou ao mesmo tempo em que visão da deusa foi voltando ao normal, quando já podia ver com clareza, encontrou um mão estirada em sua direção. Aceitou a ajuda oferecida mesmo que realmente não precisasse, estava totalmente curada. Quando sua mão tocou a de Equilíbrio, sentindo a textura da pele macia dela, uma corrente elétrica percorreu toda a extensão de seu corpo e o termo "borboletas na barriga" que via os apaixonados na terra usarem nunca serviu melhor para descrever aquela sensação que teve. Os olhos verdes de Sakura encontraram com as orbes claras, e se permitiu se afundar em lembranças antigas, que lhe faziam sentir saudades de quando jurava aos quatros ventos que nada e ninguém nunca a separariam de sua amada, a doce ingenuidade de quem em todos seus milhões de anos estava amando verdadeiramente

— Destino está ótima irmã. — A voz de Neji a trouxe de volta ao presente, onde seus erros ainda permaneciam e eram claros quando Equilíbrio desvencilhou suas mãos e desviou o olhar para seu irmão. — Acho que já passou da hora de você ir, Destino.

— Na verdade, não. — Seu tom decidido fez o deus a olhar em desafio e talvez até sem que ele percebesse apertar com força a espada em mãos. — Equilíbrio, vim aqui conversar com você, se puder me ouvir...

— Sua falta de senso me faz querer rir. Minha irmã não quer ouvir você ou ao menos te ver, para uma deusa com um poder crucial, você deveria ser mais esperta, não acha?

— Irmão, não fale por mim. — Equilíbrio disse e olhando para o escudo em mãos o fez desaparecer antes de continuar a falar. — Se quer conversar comigo, Destino, conversaremos. Me siga.

Dito aquilo a deusa apenas se virou e entrou por um dos corredores, antes de fazer o mesmo Sakura direcionou um último olhar para Neji, um que dizia "eu venci", era quase infantil, mas ela não conseguiu resistir a isso. Então dando as costas ao deus e fazendo seu arco desaparecer apressou o passo para alcançar a outra que já estava a uma distância considerável. Enquanto se aproximava, seus olhos a traiam e com desejo observavam cada curva a mostra da deusa, que ficavam mais acentuadas naquele vestido vermelho colado ao corpo dela. Pararam em frente a uma porta parecida com várias outras do extenso corredor, e após Equilíbrio estalar os dedos a maçaneta girou e a porta se abriu.

Quando entrou no quarto a primeira coisa que notou foi o perfume de lírios, a flor preferida da dona do castelo. Assim como todo o lugar dali, o quarto da deusa era luxuoso e reluzia a jóias e diamantes, Sakura achava que tudo aquilo combinava com a outra, resplandeciam a beleza dela. Depois desse breve vislumbre do cômodo, não soube o que fazer, a realidade de que realmente estava ali, de frente para a amada, a fazia engolir em seco e não conseguir controlar mais seu animal interior, que agora não só lhe trazia mais sentimentos negativos, como também a vontade de toca-la, beija-la por todas as partes, sentir o calor dela contra seu corpo.

— Houve algum problema na grande sala? Algum desequilíbrio urgente que precise da minha atenção imediata?

— Não, o que vim tratar com você, não tem nada haver com algo mundano Equilíbrio. Eu…

As palavras pareciam sumir da mente, na verdade, elas estavam lá, palavra por palavra que queria dizer, ensaiadas em pensamentos por anos, porém dize-las, colocá-las para fora, era isso que não conseguia realizar.

Vamos sua imbecil! Não desperdice essa chance que tem de conversar com ela, talvez nunca mais a tenha.

A mente da deusa do destino gritava aquelas frases, mas nada lhe saía pelos lábios.

— Pode me chamar de Hinata, Sakura . Acho que já fomos íntimas o suficiente para pularmos formalidades.

A voz calma dela pegou Sakura totalmente de surpresa, era esperava de tudo: uma luta até as duas estarem com seus poderes no limite, gritos de ódio, verdades dura jogadas contra si. Nunca, em todo o tempo que se preparou para esse momento, cogitou ver aquela mulher assim, calma, como se todos os erros imperdoáveis que cometeu fossem de um passado tão distante que ela esquecera. Talvez toda aquela pose de Hinata fosse apenas encenação, se fosse, era uma encenação perfeita.

— Hinata. — O nome dela deslizou fácil por seus lábios e gostou de se ouvir dizê-lo. — Como tem passado?

No instante em que fez aquela pergunta se arrependeu, era idiota, estava se enrolando para dizer o que devia realmente.

— Estou bastante animada para minha festa de aniversário, rever velhos colegas que a muito tempo não vejo, sabe? — Ela respondeu e após breves segundos acrescentou quase em um sussurro. — Como você, Saky.

O uso de seu antigo apelido de forma tão carinhosa e com aquelas duas palavras que significavam muito para ambas, fez peito de Sakura se apertar. E então ela entendeu, Hinata não estava mais brava e sim magoada, assim como ela própria, as duas estavam sofrendo pelas escolhas erradas de uma deusa egoísta que em uma época distante de guerra só pensava em consertar seu erro, mesmo que isso prejudicasse quem ela mais amava. Ora, não é novidade que essa deusa era a própria Sakura, o destino é cruel e imparcial, segue sua ordem natural egoísta sem ver a quem. Mas queria mudar isso, queria mudar muita coisa e começaria com a amada.

— Depois do fim da guerra dos deuses não houve sequer um momento em que eu não me arrependi de ter te deixado lá, Hinata. Eu só estava envergonhada demais de minha própria fraqueza para enfrentar você e todos os outros, depois que esse sentimento passou, me veio o sabor amargo do arrependimento e eu não pude te pedir perdão por tudo.

Enquanto dizia tudo aquilo mantinha a cabeça baixa, olhando para o chão de mármore e seus pés descalços, reprimindo as lágrimas que lhe enchiam os olhos e ameaçam transbordar a qualquer momento. Não sabia qual seria a reação da outra deusa e começou a temê-la quando após seu desabafo o silêncio se instalou entre elas. Com mais um pouco de coragem reunida levantou a cabeça o suficiente para que seus olhos alcançassem Hinata e a encontrou olhando para si.

— Ah Sakura, não sabe como eu esperei, depois de tudo, mesmo em minha mais profunda irá, que você viesse me ver! Eu só queria um abraço e palavras tão simples como "eu estou aqui com você" suas. Me diz, porque queremos ser amparados de nossas dores justo pelas pessoas que a causaram? — Hinata que até então estava parada perto de umas da janela se aproximou, os punhos cerrados rente ao corpo. — Porque você não estava lá?Do meu lado, mesmo tendo sido você a ter me feito passar pelas piores torturas possíveis? Que se fode-se sua vergonha! Eu só queria você comigo, eu estava precisando da sua ajuda, do seu carinho, se me amava tanto como dizia como pode me negar isso no momento em que eu mais necessitava? Me responde! Eu quero que me diga porque Sakura!

Nesse momento a deusa do Equilíbrio não possuía mais nenhum controle sobre si mesma e suas emoções, Sakura percebeu isso ao ver as lágrimas descerem dos olhos claros e escorrerem pela pele branca do rosto dela, desmanchando sua maquiagem.

— Pensei que depois de ter te usado como mera distração, te feito passar por tudo aquilo nas mãos inimigas, você me odiasse mais que tudo e eu não suportaria ver você, a quem eu amo tanto, me odiar! Me desprezar! Mesmo que eu mereça tudo isso e mais.

— Tem razão, eu te odiei por ter me usado apenas para atrair o inimigo e me abandonado nas mãos dele, e ainda te odeio. Mas a mágoa é maior que tudo, me doeu tanto ver que a mulher que jurava me amar acima de tudo me abandonar. Eu esperei por tanto tempo, mantive uma esperança boba, de que você Sakura viria atrás de mim, mas no fim, você veio, mas tarde demais. A eu que te perdoaria não existe mais.

Fui tão idiota! Deveria de ter engolido aquele medo bobo, eu deveria de ter percebido que esperar tanto tempo era perder Hinata aos poucos até que não sobrasse mais nada.

Aquelas palavras ficaram apenas na mente de Sakura, sua boca não a obedecia, as palavras pareciam estar entaladas em sua garganta. Em algum momento, inconscientemente, deixou suas próprias lágrimas rolarem juntos de Hinata. Queria abraçá-la, pedir perdão por tudo, dizer que a amava tanto que chegava a doer, porém simplesmente não conseguia.

Eu sou uma vergonha como deusa, pois nem ao menos consigo reparar meu próprio erro, acalentar a pessoa que amo…

— Bem, minha festa começará daqui a menos de duas horas. — Limpando o rosto molhado com brutalidade Hinata fez surgir um relógio em seu pulso direito. — Se quiser ficar para a comemoração, escolha algum dos quartos e eu mandarei algumas servas para ajuda-lá a se arrumar.

Sakura não teve tempo para contestar ou mostrar alguma decisão pois tão logo a deusa do equilíbrio enxugou seu rosto caminhou para dentro de seu closet e se fechou lá, e sabia que aquele era o encerramento da conversa entre elas. Não tinha ideia do que fazer agora, em sua mente, fantasiou tanto esse dia com vários finais, mas nunca com um tão desastroso como esse. Pensar em fazer algo é fácil, porém colocar na prática não era tão simples assim, e tais palavras se confirmaram para a deusa — mais uma vez.

Resignada com aquele desastre já se virava para sair do quarto quando a porta foi aberta e por ela passou uma pequena elfa em suas roupas verdes que a olhou curiosa e somente então se deu conta de que deveria de estar com a aparência horrível para uma deusa, o choro de minutos atrás com certeza deixou seus olhos vermelhos e levemente inchados.

— Ama, minha mestra mandou-me para que a levasse até um dos quartos e a ajudasse a se arrumar para a comemoração. — Disse a elfa fazendo uma breve reverência.

— Certo.

Aquela foi a única coisa que conseguiu dizer em seu estado atual. Lhe lançando um último olhar a elfa se virou e fez sinal para que a seguisse e o fez. Andaram um pouco mais pelo corredor até chegarem em outro quarto, este sendo enorme e com uma banheira no centro. Apesar de ser uma deusa, Sakura não estava acostumada com tanto luxo, vivia no grande salão dos deuses pois sua designação era incansável e exigia total dedicação, então morar o mais perto de seu trabalho era uma das melhores opções. Fazia tudo sozinha lá — obviamente com a ajuda de seus poderes —, não familiarizada com alguém para fazer tudo para si como arrumar a cama, dobrar as roupas, cozinhar, lhe acordar quando fosse necessário e muito mais.

— Seu banho já está preparado, ama. — A pequena mulher lhe indicou a banheira. — Irei me retirar para lhe buscar vestimentas e adereços, com sua licença.

Outra reverência e ela se retirou do cômodo. Sozinha, a deusa se deixou relaxar ao menos um pouco enquanto retirava seu vestido e peças íntimas. Com a ponta dos dedos mediu a temperatura da água, e vendo-a agradável, entrou. Foi instantâneo, a água morna fez seus nervos suavizar e com os olhos fechados pegou o sabonete de ervas na mesinha ao lado, deslizando-o por sua pele. Depois, apenas se deixou aproveitar o banho enquanto esperava a serva retornar o que não demorou muito.

— Lhe trouxe alguns vestidos, sapatos, maquiagens, joias e perfumes, use aquilo que for de seu agrado deusa. — Depositando tudo aquilo em cima de um grande sofá vermelho a elfa pegou uma toalha entregando-a a Sakura. — Precisará de minha assistência?

— Não, obrigada. Irei me arrumar sozinha.

Ficando de pé na banheira enrolou-se na toalha macia e com o canto dos olhos acompanhou a saída da serva. Após se enxugar pegou todos os vestidos que haviam lhe trazido e em um seleção rápida escolheu aqueles que mais a agradavam, os colocando nas costas do sofá. Eram três lindos vestidos ali, mas poderia vestir somente um hoje. Com uma certa demora escolheu o primeiro, um vestido de cor nude com pedras brilhantes enfeitando o busto até a cintura com um decote em forma de V. O vestiu e após se olhar de corpo inteiro no espelho para confirmar que a peça havia lhe caído bem resolveu passar para próxima fase: a maquiagem. A deusa sentou-se de frente para o espelho da penteadeira e fazendo os pincéis flutuarem se pôs a pensar na melhor base, sombra, batom e por ai vai para usar na festa.

Não estava em seus planos ir a celebração do aniversário de Hinata, mas como já estava ali, aceitou que, mesmo que ficasse apenas poucas horas e depois fosse embora, daria os ar de sua graça no salão. Mesmo que a parte em ter que usar salto não a agradasse nenhum um pouco, estava acostumada a andar descalça, sapatos apenas serviam para lhe apertar os pés.

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Sakura pegou uma taça de champanhe assim que um garçom passou oferecendo aos convidados. Seus pés doíam por estar mais tempo do que estava acostumada de salto alto, trocando vezes ou outra o apoio do corpo de uma perna para a outra. Estava completamente deslocada ali, no meio de tantos outros deuses que nunca vira, mas tinha algo que superava as dores nos pés e a exclusão, era o maldito ciúmes que sentia toda vez que alguém abraçava a aniversariante mais tempo do que que o necessário, a olhava com desejo e com certeza não poupava galanteios. Tivera um deus em específico que quase a fez sair de seu canto para lhe dar uma surra por ter tentando agarrar Hinata, possivelmente estava bêbado demais, pois não teve pudor algum ao fazer aquilo na frente de todos no salão. Porém sua presença não foi necessária para tirar as mãos daquele patife de cima da deusa, já que Neji interveio silencioso e ameaçador colocando o homem para fora da festa. Não conseguia evitar aquele sentimento de tomar conta de si, queria estar ao lado de Equilíbrio, colocar suas mãos em volta da cintura dela e deixar explícito que aquela mulher pertencia a si. Porém, perdeu o direito de fazer tal coisa a tempos, naquela guerra, quando deixou que sequestrassem Hinata mesmo não tendo sido aquela a sua ideia.

Sakura controlava o destino de todos os seres humanos na terra, podia alterá-la se quisesse ao seu bel-prazer, mas o seu próprio lhe era totalmente desconhecido; acordava todos os dias sem saber o que lhe aguardava.

A música calma no ambiente deu lugar há uma animada e as pessoas empolgadas começaram a fazer uma roda de dança. E mais uma vez naquele dia sem que tivesse a menor intenção a deusa do destino foi arrastada — enquanto depositava sua taça vazia em uma das mesas — para o meio do salão onde os deuses formavam pares para darem início a uma de suas antigas danças tradicionais. Alguém a puxou pela mão e enlaçou sua cintura, antes mesmo que pudesse reclamar de tal atrevimento uma voz grossa se sobressaiu sobre a música alta:

— Estou realmente surpreso em vê-la aqui, minha querida Sakura

O Deus da morte sou carinhoso em suas palavras e um sorriso simpático enfeitou-lhe os lábios. Era raro para qualquer um ver Kakashi em alguma situação que não fosse uma reunião geral ou a ameaça de uma guerra, o Deus era extremamente ocupado com seu ofício; fazia muito mais do que apenas levar as almas, ele as julgava e decidia seus rumos e possíveis reencarnações. Mesmo com todos aquelas décadas passadas sem ver o homem, ele mudará pouco aos olhos de Sakura. Ainda tinha os mesmos olhos negros e cabelos platinados, a pele que parecia sempre branca demais e fria, sem se esquecer da personalidade alegre e gentil que fazia todos o adorar e poucos eram seus inimigos naquele mundo.

— Não me diga que, enfim, se acertou com Hinata?

Ele perguntou enquanto a guiava nos passos. Dançar com Kakashi era como andar: fácil e simples. Ele sabia como guiar uma dama com perfeição, até mesmo aquelas que, como a própria Sakura, não eram lá essas coisas no quesito dança.

— Quem me dera — Confessou com pesar — Não tive coragem suficiente para pedir perdão a ela…

— Oh minha criança, não se deixe levar por seus medos! Você com certeza é maior que todos eles! Apesar dos erros que cometeu com Hinata, não acho que ela só guarde ódio e rancor de você, ela ainda te ama, assim como você a ela.

Quis responder algo a ele mesmo que fosse um simples sim, que havia entendido o que ele lhe dissera ou talvez até mesmo pedir ajuda ao deus a sua frente, ele era muito mais experiente que ela, pois sua existência vinha de antes mesmo dos primeiros seres vivos no planeta terra. Ele com certeza poderia dar bons conselhos de como lidar com aquela situação frágil e complicada, porém o devaneio de Sakura demorou muito e quando já havia tomado uma decisão o deus da morte a soltou no meio da dança e outro alguém se tornou seu mais novo parceiro. Ainda com os olhos vidrados em Kakashi o viu puxar outra dama para dançar e antes de sumir no meio de tantos outros pares dançantes lançou uma piscadela e retribuiu com um sorriso sincero — ou ao menos tentou.

Então direcionou sua atenção ao homem que agora segurava sua mão com certa brutalidade e teve um breve sobressalto ao ver que era Neji, este que tinha a face fechada em uma expressão de puro desgosto.

— Você é realmente inacreditável Destino — Comentou — Pensei que nunca mais teria que ter algum contato por menor que fosse com você, tsc.

— Bom não é como se eu também estivesse gostando de ter que dançar com, tantas outras pessoas aqui, justo com você — Disse e viu um sorriso de escárnio surgir nos lábios de Amor.

Porém, antes mesmo que o deus desce outra de seus comentários ácidos, acompanhando o ritmo, Sakura se soltou dos braços dele e agindo como uma criança birrenta — não como uma deusa poderosa de milhões de anos — mostrou a língua para e Neji e a cara que ele fez foi impagável; ele com certeza nunca esperava aquele ato de si, não se aguentando riu contida não querendo chamar atenção desnecessária.

— Eu vi isso Sakura— O tom divertido usado naquelas palavras chamou a atenção da deusa que, ao sentir uma mão macia sobre a sua, logo julgou ser uma mulher sua mais nova companheira de dança.

— Hinata — Disse o nome dela em um sussurro antes de a encarar face a face — Esse é o meu jeito muito maduro de lidar com seu irmão — Acrescentou fazendo a outra deusa dar um sorriso de divertimento que se foi tão rápido quanto surgiu.

Ficaram então em silêncio apenas dando passos conforme a música. Hinata era naturalmente bonita, porém naquela noite estava ainda mais; o vestido de cor ouro que ela usava a destacava no meio de todos, os lábios pintados de vermelho e aqueles olhos claros que encaravam os verdes de Sakura a faziam querer tocá-la, beijá-la e tudo mais que sua mente podia fantasiar.

— Fico feliz que tenha ficado para minha festa.

Você não parece realmente feliz por isso.

Pensou somente, não queria deixar o clima entre elas ainda mais tenso. Dando uma rápida olhada pelo salão Sakura viu que mais uma vez a troca de par se dava início e algo dentro dela gritava para que não soltasse Hinata. Agindo por impulso apressou os passos e fazendo sua parceira girar algumas vezes conseguiu sair da roda de dança.

— Sakura o que está fazendo? — Hinata a olhou confusa e talvez até um pouco indignada com atitude repentina.

— É seu aniversário e como eu não lhe trouxe nada quero te mostrar um lugar como um presente — Disse. Antes de todas as coisas se complicarem já tinha em mente levar Equilíbrio a aquele lugar onde a mesma já havia pedido para ir algumas vezes. Então o momento era bastante propício para isso, só precisava que ela aceitasse.

— Não sei se é uma boa ideia…

— Pode confiar em mim — Tentou passar certeza em suas palavras — Você irá adorar! — Apertou levemente a mão da deusa contra a sua ainda a segurando desde a dança recente

— Tudo bem mas sejamos rápidas não pega bem para a anfitriã da festa não estar nela.

Sakura notou a tentativa de um sorriso de Hinata, ela estava tentando se sentir à vontade consigo mesmo que não houvessem chegado a lugar algum com a discussão de mais cedo — que só se vira para fazer as mágoas crescerem. Ganhou mais uma chance naquele convite de contornar tudo e dessa vez ela, a deusa destino, faria do modo certo sem fugir; encararia seus erros de cabeça erguida. Não só ela, mas também a mulher que amava merecia isso.

Concentrando seu poder na parede a frente fez um portal surgia e trocando um rápido olhar com Hinata a puxou junto para dentro do portal e tão rápido quanto um piscar de olhos chegaram.

O lugar onde estavam eram como uma parte de Sakura; grande parte de seu poder estava concentrado ali. Ela ainda segurava a mão da outra deusa quando entrou pela abertura de uma pequena caverna, primeiro foram atingidas pela escuridão, mas bastou destino assobiar para várias velhas flutuarem ao redor e se acenderem. Dentro da caverna vários tecidos pendurados iam do teto até o chão, este que era coberto por almofadas fofinhas. O lugar todo transmitia uma paz incrível. Aquele era o pequeno mundo de Sakura

— Olhe — disse enquanto caminhavam e o som de água corrente era cada vez mais audível até que pararam de frente para um enorme lago, lá os panos não alcançavam e nem as velas.

— Lembra Hinata que você sempre me perguntava como era o destino?

Se aproximou da margem e ajoelhou-se lá, indicando para que a outra fizesse o mesmo e soltando a mão dela olhou para dentro da água.

— O destino para mim pode ser o que eu desejar — Colocou a mão dentro do lago e bastou apenas mexê-la para que um cordão sair do mais fundo canto e se entrelaça se em seus dedos — Pode ser esse fino cordão de barbante — Levantou até a altura dos olhos

— Ou pode ser o mais puro ouro — Dito aquilo o cordão mudou de cor rapidamente se tornando amarelo, ouro puro.— O interessante é que independente de sua forma ou composição, um cordão do destino é impossível de ser partido a não ser que o deus próprio ordene que ele se parta.

— O que acontece se o cordão é cortado antes de seu ciclo completo? — Hinata perguntou curiosa, o cordão de ouro refletia brilho em seus olhos claros.

— Bem, se isso acontecer o ser humano que teve seu destino encerrado antes do tempo passa a viver dia após dia sem rumo sem chegar a lugar algum na sua vida. O destino é interrompido e ele passa a viver apenas para a morte

— Isso é horrível, ainda mais para seres tão ambiciosos como eles.

A deusa do equilíbrio estendeu os dedos e tocou no fino cordão que se contorceu ao seu toque.

— Já ouvi os outros deuses comentarem sobre esse lugar, mas é realmente muito mais incrível estar nele. Esse com certeza é o melhor presente que ganhei hoje!

Ela sorriu e não foi forçado ou por mera educação, foi um sorriso verdadeiro espontâneo e maravilhoso. Sakura acabou deixando um suspiro apaixonado escapar.

Esse sorriso... Ele é capaz de deixar até mesmo os piores de meus dias melhores!

— Sabe, eu amo quando você sorri assim. — Confessou enquanto se sentava e dobrava as pernas uma sobre a outra — Na verdade eu amo tudo em você — Baixou os olhos para o lago depositando na água o cordão que aos poucos foi se afundando.

— Sakura por favor…

— Eu só quero que você me perdoe — Continuou sem dar brechas para que a outra interrompesse — Sinto falta de estar ao seu lado, te abraçar, conversar sobre coisas banais, te tocar… Fugi por tempo demais da realidade com medo de ter sua rejeição para sempre. Fui egoísta em me fechar com minhas próprias decepções e não pensar em você, no que estava sentindo…

— Diferente do que você talvez pense Sakura, eu não te culpo totalmente pelo meu sequestro. Sei que nunca foi sua intenção deixar que eu caísse nas mãos inimigas…

Hinata se calou respirando fundo parecia se controlar

Talvez como a própria Sakura ela também tivesse seu animal interior, uma fera que quando sua dona se alterava achava a oportunidade para tentar escapar de sua jaula.

— Te amei tanto, mas foi há muito tempo. Tal sentimento não é eterno, passa assim como minha dor. Se é o que tanto quer, eu te perdoo por absolutamente tudo, mas só. Não posso lhe dar mais nada.

Aquelas palavras abalaram as estruturas de Sakura que, mais uma vez foi pega de surpresa e totalmente desprevenida. Por um lado, se sentia aliviada e feliz; conseguiu aquilo que almejava quando entrou no castelo e enfrentou o deus do amor, mas por outro queria mais e só veio a perceber isso naquele momento.

— Acho melhor ir — Hinata foi a primeira a se levantar — Meus convidados já devem ter notado minha falta.

— Espera — Foi rápida em se levantar e segurar a outra mulher pelo pulso. O coração batia a mil e se fosse humana talvez já houvesse tido um infarto ali mesmo — Seria pedir muito uma chance de ao menos tentar de fazer me amar de novo?

— Ah mas você por acaso é estúpida Sakura? — Se virou de repente se livrando do aperto da outra — Se eu te perdoei é porque ainda te amo mesmo que não seja tanto como antes. Se você quer uma chance ou qualquer coisa parecida faça por si mesma não espere os outros para isso!

Dito aquilo com uma determinação estranha, Hinata apenas desapareceu, com certeza voltará para a festa em seu castelo. Sakura apenas se jogou no chão com almofadas, as mãos tocando os panos ao seu redor por mera questão de não conseguirem ficar paradas. Muita coisa ao mesmo tempo se passava por sua mente, deixando a deusa confusa com seus próprios pensamentos.

Analisando as palavras ditas por Equilíbrio com calma, elas significavam que ainda tinha uma chance, não era mesmo? Obviamente lutar para ter o carinho de sua amada de volta e fazer a chama do amor arder forte nela outro vez não seria nem um pouco fácil. E mesmo que houvesse fugido de tudo e todos por muito tempo, ter vindo a procura de Hinata por sua própria vontade indicava que já estava na hora de dar as caras; lutar pelo que queria, assim como alguns humanos lutavam bravamente para mudarem seu destino e quando realmente se empenhavam, conseguiam.

Faziam o pequeno cordão no lago mudar sua cor e até mesmo espessura, se até mesmo eles, com sua vida tão curta, podiam ser tão destemidos, ela, uma deusa tinha que ser mais.

E foi com pensamentos como aqueles, nos seres humanos e Hinata, que se deixou levar pelo sono e cansaço do dia cheio de emoções. Sonhou — ou talvez estivesse mais para lembranças antigas — com a mulher de olhos claros e se alguém a observasse veria um sublime sorriso em seus lábios.

~~~

Sakura observava atenta a deusa trabalhando em sua balança, as sobrancelhas dela estavam levemente levantadas e seu olhos não se desviavam nem por um segundo do que fazia. Hinata era totalmente fiel ao seu trabalho e o cumpria dia após dia sem desculpas para descanso. Cansada de apenas olhar e já vendo o sol no meio do céu, se levantou do gramado onde estava sentada e caminhou até Equilíbrio. Tentou chegar silenciosa e a abraçar por trás, porém falhou em seu plano, a outra mulher foi mais rápido ao seu desviar de sua investida.

— O que deseja, Sakura? Se não vê, estou ocupada, e posso apostar que você também tem coisas a fazer. — Foi simples e direta, sentirá falta disso também.

— Vim dar início a minha meta de te conquistar mais uma vez, ora. E como já está na hora da refeição, vim te convidar para comer comigo.

— Não posso sair de perto da balança hoje, aqueles seres estão planejando algo e tenho que ficar atenta ao menor desequilíbrio dela.

— Então. — Em um estalar de dedos Sakura fez uma toalha branca surgir aos seus pés junto de uma cesta. — Vamos fazer um piquenique!

— Está bem, assim que eu acabar aqui me junto a você. — Hinata respondeu ainda totalmente vidrada em sua balança.

A deusa do destino fez questão de estender ela mesma a toalha sobre o chão e mesmo que não estivesse com uma fome considerável, tirou uma maçã do cesto e levou a boca. Sabia que a deusa não terminaria tão cedo, ela tinha uma pequena — ou grande — obsessão pelas bandejas alinhadas, o que nem sempre era possível. Mas mesmo que tivesse de comer sozinha, Sakura voltaria mais tarde, dessa vez com a desculpa de uma caminhada. Era aos poucos que se reaproximará da amada, nada muito brusco para não acabar trocando as mãos pelas pernas como os humano gostavam de dizer. Não tinha mais pressa, tempo era o que lhe sobrava pela eternidade e queria gastá-lo com Hinata, a quem amava demais para simplesmente desistir.

12 июня 2019 г. 8:58:11 0 Отчет Добавить 0
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