S02#14 - TEMPESTADE – PARTE I Подписаться

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O início do fim. A invasão está para começar. Será que alguém pode impedir? Enquanto isso, Mulder tenta agir como o Canceroso e lutar com as mesmas armas. Mas parece que o desejo de vingança de Mulder o está deixando cego. Ele não enxerga a verdade. Está confuso e desatinado.


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S02#14 - TEMPESTADE – PARTE I


“Dias virão em que destas coisas que vedes não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído.”

Lucas 21. 6



INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

[Som: Don McLean – Starry, Starry Night (Vincent)]

[Imagem do espaço. Lentamente várias galáxias vão passando, até entrar na via-láctea.]

MULDER (OFF): - “Os extraterrestres aprimoraram os hominídeos ‘segundo a sua própria imagem’. Por esse motivo nós somos parecidos com eles, não eles conosco. As visitas na Terra de seres alienígenas, procedentes do cosmo, ficaram registradas e foram transmitidas aos pósteros nos cultos, mitos e nas lendas folclóricas – em alguma parte depositaram os indícios de sua presença entre nós*.”

[Os planetas da nossa galáxia, passando um por um, como se o espectador estivesse passando por eles, enquanto flutua.]

MULDER (OFF): - No livro do Apocalipse, a revelação às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia. Ou seria: América, Europa, Ásia, África, Oceania, Pólo Sul e Pólo Norte?

[A Terra aproxima-se, uma imensa pedra flutuando no espaço negro e infinito.]

MULDER (OFF): - Os sete selos que abrem o Livro do Juízo Final... No primeiro selo, um cavalo branco. O cavaleiro tinha um arco. Lhe foi dado uma coroa. O segundo selo: Um cavalo vermelho. Lhe foi dado uma espada para que os homens matassem uns aos outros. O terceiro selo: O cavalo preto e seu cavaleiro, que tinha uma balança nas mãos. O quarto selo, um cavalo esverdeado. Seu cavaleiro tinha por nome Morte, e lhe foi dado permissão para matar pela espada, pela fome, pela peste e por feras...

[Aproximação do continente americano. Até finalizar na colina, onde vê-se Mulder em pé, olhando para o céu, pensativo.]

MULDER (OFF): - O quinto selo: As almas dos imolados por causa da palavra de Deus clamaram por justiça. Foi-lhes dado vestes brancas e lhes foi pedido que aguardassem até que se completasse o número de companheiros e irmãos que estavam como eles para serem mortos.

Mulder continua olhando para o céu. A lua avermelhada. Mulder chora.

Um clarão no céu. As roupas de Mulder tornam-se brancas pela luz.

MULDER (OFF): - O sexto selo: O sol se escureceu como um tecido de crina, a lua tornou-se vermelha como o sangue, as estrelas caíram. O céu desapareceu como um pedaço de papiro enrolado, e montes e ilhas foram tirados de seus lugares... Os reis da terra, os grandes, os chefes, os ricos, os poderosos, todos, tanto escravos como livres, esconderam-se nas cavernas e grutas das montanhas...

Panorâmica do lugar. Uma chuva de meteoros cai por sobre uma floresta, incendiando tudo.

MULDER (OFF): - 144 mil assinalados. 12 mil de cada tribo de Israel, dos descendentes de Abraão: Judá, Rúbem, Gad, Aser, Neftali, Manassés, Simeão, Levi, Issacar, Zabulon, José e Benjamim. A verdade sempre esteve oculta para as pessoas, por gente que acreditava que a verdade poderia causar pânico generalizado. No entanto, algum dia, a verdade aparecerá. Porque ela está lá fora. E o sexto selo está se abrindo.

Mulder observa a paisagem insólita. O clarão percorre todo o céu. Trovoadas. O vento continua soprando forte. A chuva começa a cair. Mulder abaixa a cabeça chorando.

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA

* Von Däniken, Erich. Deuses, Espaçonaves e Terra. São Paulo: Círculo do Livro, 1977.



BLOCO 1:

Hotel Delacorte – Nova Iorque – 10:01 P.M.

[Som: Don McLean – Starry, Starry Night (Vincent)]

Mulder aproxima-se da janela. Um clarão. Som de um trovão. A chuva cai fortemente. Mulder pega um binóculo e olha pela janela. Abaixa o binóculo. Está nervoso. Liga a TV e coloca o binóculo sobre ela. Volta para a janela. Fica observando alguma coisa. Põe a mão na cintura e a outra sobre os lábios, pensativo. Caminha pelo quarto.

Percebemos uma garrafa de champanhe e um buquê de rosas vermelhas.

TV (OFF): - A previsão é de chuva para os nova-iorquinos e para todo o país. Os meteorologistas afirmam que choverá até o final de semana. Na Europa, as chuvas já causaram várias tragédias. Na América Latina, milhares de pessoas estão desabrigadas. Um terremoto na madrugada de ontem, na cidade do México, deixou um saldo de 450 feridos, 50 mortos e mais de 230 pessoas desaparecidas. Na Flórida foi decretado estado de emergência com a aproximação do furacão...

Mulder abaixa o volume.

TV (OFF): - Cientistas afirmam que o alinhamento planetário que ocorrerá em maio deste ano, pode ser um dos fatores da mudança drástica do clima. Nosso correspondente em Berlim...

Mulder desliga a TV.

Batidas na porta.

Mulder abre a porta. Scully entra, vestida num sobretudo, molhada e segurando uma sacola de viagem.

SCULLY: - Não acreditaria, está horrível lá fora, Mulder! O táxi engasgou, fiquei presa no trânsito por mais de duas horas, pensei que o avião não aterrissaria! O quarteirão todo está inundado.

MULDER: - ...

Scully larga a sacola no chão. Mulder olha pra ela, nervoso. Scully tira o sobretudo e joga no chão.

SCULLY: - Mulder, o que está fazendo em Nova Iorque?

Som de um trovão. Mulder ainda está assustado.

SCULLY: - Mulder, está bem? Por que não me disse que viria pra Nova...

MULDER: - Scully...

Mulder aproxima-se dela. Segura o rosto de Scully com as mãos. Beija-a suavemente, por segundos. Afasta seus lábios dos dela e olha em seus olhos.

MULDER: - Eu... A princípio, Scully, eu queria fugir de Washington no final de semana, pra ficarmos juntos, longe de olhares bisbilhoteiros... Pensei, nada como Nova Iorque, onde você é mais um entre tantos, e pode se esconder sem chamar a atenção... Então reservei esse quarto, peguei o nome do hotel aleatoriamente... Vim antes, pra deixar tudo perfeito pra você... Queria te fazer uma surpresa.

SCULLY: - (SORRINDO) Mulder... Que coisa mais gentil!

MULDER: - ... Acontece, Scully, que eu... Eu estraguei tudo, mas foi sem querer!

Scully olha pras rosas e pra champanhe.

SCULLY: - Não, Mulder. Está tudo perfeito. Mulder, que meigo!

MULDER: - Não, não é isso. Enquanto você vinha pra cá, eu... Melhor ver com seus próprios olhos.

Mulder segura a mão dela e a leva até a janela. Lhe entrega o binóculo.

SCULLY: - Mulder, não acredito! Não perdeu essa mania ainda?

MULDER: - Olhe, Scully.

SCULLY: - Qual janela, Mulder?

MULDER: - Olhe e saberá.

Scully olha pelo binóculo.

Vemos pelas lentes do binóculo de Scully, várias janelas, passando por cada uma delas. O movimento pára ao vermos o Canceroso, alguns homens e Krycek, conversando numa sala.

Scully abaixa o binóculo. Olha pra Mulder, nervosa. Mulder esmaga os dedos das mãos, nervoso.

SCULLY: - (IMPRESSIONADA) Mulder...

MULDER: - (TENSO) Rua 46 Este, Scully. É o ninho do Canceroso. Como eu disse, nada melhor que Manhattan para se esconder.

SCULLY: - ... O que vamos fazer?

MULDER: - ... Vou vigiar a noite toda. Quando saírem, vou até lá. Você fica aqui e me dá cobertura.

Mulder olha pra Scully, que está encharcada.

MULDER: - Scully, vá tomar um banho quente ou vai ficar resfriada.

Scully vai pro banheiro. Mulder puxa uma poltrona e observa pela janela.

MULDER: - Desgraçados... Eu daria qualquer coisa pra saber o que estão tramando dessa vez...


10:23 P.M.

Scully sai do banheiro, num robe e com uma toalha enrolada na cabeça. Mulder olha pela janela.

SCULLY: - Tá frio! Brrr!!!

MULDER: - Vai ficar mais frio ainda, Scully.

Scully revira sua bagagem, procurando alguma coisa.

SCULLY: - Ainda bem que trouxe o meu pijama!

Mulder levanta-se, mas ainda olha pela janela. Está com um saquinho de sementes de girassol, que come compulsivamente.

MULDER: - Scully, me desculpe. Eu queria fugir das preocupações e acabo estragando as poucas horas que temos só pra nós dois...

Mulder vira-se. Vê Scully vestida num pijama do Scooby Doo. Sorri.

MULDER: - Onde conseguiu isso?

SCULLY: - O quê?

MULDER: - Esse pijama?

SCULLY: - Tá, pode rir.

MULDER: - Não, eu não vou rir. Queria ter um desses.

SCULLY: - Sério?

MULDER: - Sério. Adoro o Scooby.

Scully vai tirando as roupas da sacola e dobrando-as.

SCULLY: - Vou comprar um pra você. Prometo. Ei, temos música?

Mulder aproxima-se do aparelho de CD e o liga. Volta pra janela.

[Som: Association – Never My Love]

Mulder olha pela janela. Olha pra Scully, que se embala na música, dobrando roupas. Mulder, indeciso, olha pra janela. Olha pra Scully. Mulder aproxima-se de Scully e a abraça por trás.

MULDER: - Eu... Eu tirei você de casa pra nada.

SCULLY: - Nada, não, Mulder. Temos trabalho hoje.

MULDER: - Mas hoje não teríamos trabalho.

SCULLY: - Mulder, você sempre corre atrás da verdade. Hoje, ela fez esse desaforo pra você e apareceu do nada.

Scully continua dobrando suas roupas. Mulder continua grudado nela, os dois se embalando ao som da canção. Mulder olha pra janela. Olha pro pescoço de Scully. Olha pra janela. Olha pros cabelos de Scully. Mulder solta-a. Caminha até a janela e fecha as cortinas com raiva. Scully olha pra Mulder, franzindo a testa.

SCULLY: - Mulder, o que está fazendo?

Mulder aproxima-se de Scully, pegando a camiseta que ela segurava nas mãos e jogando na sacola.

MULDER: - Scully, de todas as verdades, você é a única que encontrei. Real, concisa, pura.

SCULLY: - ???

MULDER: - Hoje não, Scully. Eu sei onde eles se escondem. Mas minha atenção hoje é pra você, porque você merece.

SCULLY: - Mulder, por favor! Nós... Nós teremos outros finais de semana e...

MULDER: - Não. Eu planejei que este seria o nosso final de semana. E aquele homem não vai estragar isso.

Mulder envolve os braços em Scully. Scully recosta o rosto no peito dele. Os dois dançam coladinhos. Scully sorri. Mulder inspira o perfume dos cabelos dela, num sorriso, num conforto.


10:47 P.M.

Mulder sentado na cama. Scully deitada, olha apiedada pra Mulder.

MULDER: - Me desculpe.

Scully sai da cama. Ajoelha-se ao lado dele.

SCULLY: - Quer me ouvir?

MULDER: - ...

SCULLY: - Não adianta, Mulder. Sua atenção está voltada para o prédio em frente. É normal que não consiga...

MULDER: - ...

Scully levanta-se e abre as cortinas. Pega o binóculo.

SCULLY: - Ainda estão lá, Mulder. Se quiser dormir um pouco, eu te acordo quando eles saírem.

Mulder levanta-se da cama. Vai até a janela.

MULDER: - Desculpe.

SCULLY: - Mulder, teremos muitos finais de semana pela frente, mas não o Canceroso, ao vivo e a cores, ali, sem saber que está sendo observado. Mulder, isso é um presente! Você sem querer descobriu a toca do lobo! Apague o abajur, Mulder. Não vamos levantar suspeitas.


11:57 P.M.

Mulder sentado na poltrona, afaga os cabelos de Scully, que está espichada sobre o corpo de Mulder, com a cabeça no braço dele e as pernas por sobre o encosto da poltrona. Scully observa pelo binóculo.

SCULLY: - Estão em algum tipo de reunião. Krycek parece discutir. Mulder, acho que estão indo embora.

Scully entrega o binóculo. Mulder observa.

MULDER: - Não conheço nenhum daqueles outros...


12:46 A.M.

Scully observa pelo binóculo, enquanto fala no celular.

Vemos pelo binóculo de Scully, Mulder entrar na sala do Sindicato, do outro lado da rua. Também com o celular ao ouvido.

SCULLY: - Mulder, apresse-se!

MULDER (OFF): - Scully é apenas um escritório, uma espécie de sala de reuniões.

SCULLY: - Mulder, verifique as gavetas! Gavetas escondem segredos.

MULDER (OFF): - As suas escondem?

SCULLY: - Mulder, pára de besteiras! Estou nervosa!

Scully olha pro relógio. Olha pra rua lá embaixo.

Corta para Mulder, andando pela sala do Sindicato.

MULDER: - Scully, não há nada por aqui... ô, ô...

Mulder olha pra cima da mesa.

SCULLY (OFF): - O que achou, Mulder?

Close da mesa. Há uma Bíblia aberta. Mulder caminha até lá.

MULDER: - ... Não vai acreditar... Estavam lendo a Bíblia.

SCULLY (OFF): - Ora, não vai me dizer que eles se reúnem aí para a leitura do Evangelho!

MULDER: - Sempre desconfiei que eram maçons do alto escalão da maçonaria... Scully... Alguma coisa está acontecendo.

SCULLY (OFF): - Como assim?

MULDER: - Estavam lendo o Apocalipse.

SCULLY (OFF): - Mulder, saia já daí! Estou com pressentimentos estranhos.


Apartamento de Mulder – Alexandria – Washington D.C. - 5:16 P.M.

Mulder observa a chuva pela janela. Scully assiste um debate na TV.

PROF. GUZMAN (OFF): - Não, realmente, não há motivo para pânico. As pessoas colocam a irracionalidade e a fé acima de questões que a ciência pode explicar.

PE. BROOKS (OFF): - Creio que o colega está tentando obscurecer o fato de que as escrituras dizem que haveria um grande sinal nos céus, o sinal da volta de Cristo. Não é por acaso que os planetas se alinharão em forma de cruz. É fato inegável, a própria ciência sabe disso.

PROF. GUZMAN (OFF): - A ciência, Padre Brooks, baseia-se em evidências não em textos bíblicos.

DR. BYRON (OFF): - Quero complementar o que o Padre Brooks falou. Os estudos da NASA demonstraram que quando Júpiter e Saturno se alinham, é produzido um aumento de 20% da atividade solar. Meu colega, o Prof. Guzman, deveria saber como geólogo, que os terremotos estão relacionados com a atividade solar. Se um alinhamento entre dois planetas pode provocar fortes alterações na crosta terrestre, imagine um alinhamento com todos os planetas envolvidos!

DR. FRANKLIN (OFF): - Meu colega da NASA, o Dr. Byron está certo. Quando três planetas se posicionam fazendo entre si 90º ou 180º, é produzido um aumento de estática nas comunicações de rádio. A interferência aumenta de acordo com o número de planetas envolvidos. A ‘Grande cruz’ ocorre raramente e não temos registros do que acontece quando isto ocorre.

PROF. GUZMAN (OFF): - Terremotos, Dr. Franklin. Apenas terremotos. Isto não implica no fato de que a Terra será destruída! É como se estivéssemos discutindo uma invasão alienígena! Isso é besteira! É apenas uma chuva e terremotos!

ARTIE (OFF): - Nostradamus fez uma previsão de que o mundo acabaria no ano 2.000, o ano da vinda de Cristo. “Em 1999 reinará um grande Rei do terror, o sangue e as doenças avermelharão os rios, e a doença, a guerra e a fome cairão sobre a Terra. Estes acontecimentos culminarão em 2.000”! Nem sempre a data é precisa, meses ou alguns anos podem...

DR. BYRON (OFF): - A mim parece que está se referindo ao governo Bush se ele ganhar as próximas eleições!

[Risadas na platéia]

PROF. GUZMAN (OFF): - Ora, senhora, existem muitas interpretações para isto, não a sua astrologia!

ARTIE (OFF): - Edgar Cayce, um profeta psíquico já falava sobre cataclismos no Ártico, e o que vemos acontecer aos poucos com a camada de ozônio? Ele previu também que os pólos magnéticos da Terra se inverterão!

PROF. GUZMAN (OFF): - Isso é ilógico, senhora! Não há provas disso. Estudos, baseados em suposições, não podem serem aceitos como verdade!

DR. BYRON (OFF): - A ciência já comprovou que os pólos se invertem a cada 500 mil anos, embora a última inversão tenha ocorrido à 780 mil anos. Ondas magnéticas solares intensas podem durar mais de alguns dias e fazer os pólos se inverterem.

DR. FRANKLIN (OFF): - Nós, do US Space Environment Center, do Colorado, pesquisamos há anos sobre o assunto. De acordo com nossos estudos, podemos esperar violentas ondas solares nos anos de 2.000 e 2.001. Acreditamos que com isso, perderemos centenas de espécies de animais.

ARTIE (OFF): - Os Maias, senhores, diziam que devastadores terremotos, inundações e incêndios ocorreriam no final dos tempos. Notável semelhança com o que os cristãos dizem, apesar de que os Maias não eram cristãos!

PROF. GUZMAN (OFF): - Em hipótese alguma a ciência tradicional pode levar a sério o que estes novos cientistas defendem! São suposições, nunca provamos que tenha acontecido antes.

Scully desliga a TV. Caminha até Mulder e o abraça pela cintura.

SCULLY: - Hum... Eu sou tão chata quanto aquele tal de Guzman? (BEIJA O BRAÇO DELE)

MULDER: - Mas eu suporto você. Guzman não tem pernas bonitas.

Scully sorri. Mulder continua olhando pela janela. Assustado. Um clarão repentino.

MULDER: - Um, dois, três...

SCULLY: - Ah, contando pra ver se a tempestade está longe, é? Eu fazia isso quando criança.

Clarão.

SCULLY: - Vou fazer um chá. Quer?

MULDER: - Tá.

Scully vai pra cozinha. Mulder olha pro céu. Relâmpago.

MULDER: - Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete.

Relâmpago.

MULDER: - Um, dois, três quatro, cinco, seis, sete, oito, nove... (CURIOSO) Onze, doze?

Relâmpago.

MULDER: - Um, dois...

Relâmpago.

MULDER: - (DESCONFIADO) ...ô, ô...

Mulder veste o sobretudo e pega as chaves do carro.

MULDER: - Scully!

SCULLY: - Que é?

MULDER: - Vou sair.

SCULLY: - Sair?

Mulder sai depressa, batendo a porta.

Corta para a frente do prédio. Mulder pára, no meio da rua e olha pro céu. Está nublado. Um clarão atrás de algumas nuvens. Mulder fica olhando.

MULDER: - Um, dois, três...

Clarão.

MULDER: - Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez...

Um clarão mais forte, deixando o céu iluminado por trás de algumas nuvens, por segundos. Mulder observa. A luminosidade se desloca atrás das nuvens, rapidamente, passando por sobre ele e sumindo no horizonte. Mulder fica boquiaberto.

MULDER: - Relâmpago... Nunca vi relâmpago ‘voar’ tão rápido.

A chuva começa a cair. Mulder caminha até o carro.


BLOCO 2:

Residência do Senador Matheson – 7:21 P.M.

Mulder caminha pela sala. Richard Matheson desce as escadas, vestido num terno.

MATHESON: - O que quer aqui?

MULDER: - Está começando, não está?

MATHESON: - O que quer dizer com isso, Fox?

MULDER: - (IRRITADO) Você sabe muito bem! Sabe do que estou falando! É o começo de tudo, não é mesmo?

MATHESON: - Se não se importa, Fox, estou me preparando para viajar.

MULDER: - E pra onde vai?

MATHESON: - Tenho compromissos no Canadá. E este assunto está encerrado.

MULDER: - Você sabe muito mais do que diz, seu mentiroso! Você é amiguinho dele, não é? O que estão planejando?

MATHESON: - Boa-noite, Fox.

Matheson sobe as escadas. Mulder está furioso. Caminha pela sala e vê a valise do senador sobre uma escrivaninha, em seu escritório. Mulder olha para os lados. Entra no escritório e abre a valise. Revira os papéis. Acha um mapa. Mulder observa o mapa. Guarda-o no bolso. Continua revirando a valise.


Apartamento de Mulder – 8:11 P.M.

Mulder entra. Scully está deitada no sofá, assistindo TV. Senta-se no sofá olhando pra Mulder.

SCULLY: - Chegou a tempo de ver a sessão de filmes B.

Mulder tira o sobretudo. Pendura no cabide. Olha sério pra Scully.

MULDER: - Scully, conhece a história dos três porquinhos? O que aconteceu com o terceiro porquinho, aquele que construiu sua ‘casinha’ com tijolos?

Scully olha pra Mulder sem entender nada. Ergue as sobrancelhas.

SCULLY: - Mulder...

Mulder aponta pro alto e gesticula com o dedo indicador sobre os lábios. Scully entende.

MULDER: - É, a ‘casinha’ de tijolos.

SCULLY: - Mulder... O que tem a casinha de tijolos? O lobo assoprou e não conseguiu derrubá-la. É o que diz a fábula.

Mulder tira um cartão magnético do bolso.

MULDER: - Mas e se o ‘lobo’ tivesse a chave? Comeria os porquinhos de surpresa.

Scully franze a testa, olhando pra Mulder assustada.

MULDER: - Scully, que tal dar uma volta de barco pela cidade e atracar em algum lugar pra tomar um café? Afinal é Sábado.

Scully levanta-se. Põe seu sobretudo. Os dois saem em silêncio.


Proximidades do Pentágono - 9:22 P.M.

Mulder estaciona o carro. A chuva cai fortemente. O vento vai balançando as árvores, com fúria.

SCULLY: - Mulder, o que descobriu? Por que não fala de uma vez? De onde é esse cartão? Chave de quê, Mulder?

MULDER: - Da verdade, Scully. Esta é a chave da verdade.

SCULLY: - ... Pra onde vamos?

MULDER: - Infelizmente, Scully, consegui apenas um cartão de acesso.

SCULLY: - Acesso a quê, Mulder?

Mulder olha pro prédio do Pentágono. Scully abre os lábios.

SCULLY: - Mulder, está louco? Não pode entrar aí!

MULDER: - Eu não disse que vou entrar aí, Scully. Você vai entrar.

SCULLY: - O quê?

MULDER: - Gostaria muito de ver com meus próprios olhos, mas sendo racional, você pode achar mais verdades do que eu, Scully. Você é uma cientista.

A água começa a se acumular pela rua rapidamente.

SCULLY: - Mulder, eu não vou entrar aí! Quem te deu esse cartão? Pode confiar nessa pessoa?

MULDER: - Ninguém me deu isso, Scully. Eu tomei emprestado.

SCULLY: - Mulder, está maluco? Eles darão falta disso!

MULDER: - Scully, estou cansado de agir com ética! De que serve a ética quando quem luta contra você não a tem? Entre lá, Scully. Descubra o que é isso.

SCULLY: - Mulder, isso é invasão! Não se pode invadir propriedade militar e ficar por isso mesmo! Somos do FBI, Mulder! Temos uma ética pra seguir.

MULDER: - Scully, se não quiser eu vou, tá certo? Eles invadem minha casa, a sua, pegam o que querem, instalam escutas e eu, porque sou ético, fico apenas observando e xingando? Acha justo? Eu disse, Scully, agora ele vai ver com quem está lidando. Um pisão no meu calo e piso duas vezes no dele!

SCULLY: - ... Droga!

Scully abre a porta do carro.

SCULLY: - Eu vou, Mulder, mas se me pegarem, sinta-se culpado!

MULDER: - Assim que sair, pegue um táxi.

SCULLY: - Táxi? Onde você vai?

MULDER: - Achar a ‘mina’, Scully. Já tenho o mapa.

Scully desce do carro. Seu sobretudo e os cabelos voam com o vento. Mulder sai em disparada.

SCULLY: - Louco!


9:57 A.M.

Scully pára em frente à uma porta. Na porta um aviso: ‘Em caso de emergência saiba como escapar. Pentágono, procedimentos de evacuação’.

Scully passa o cartão no leitor óptico. A porta abre-se.

Scully entra com medo. Fecha a porta. Olha para as imensas filas de prateleiras que parecem não acabar mais.


10:17 P.M.

[Som: Don McLean – Starry, Starry Night (Vincent)]

Mulder dirige o carro debaixo da forte chuva. Passa por uma placa: Carolina do Norte. O celular toca. Mulder atende.

MULDER: - Mulder.

SCULLY (OFF): - ... Eu...

MULDER: - Scully?

SCULLY (OFF): - Mulder, não... (CHORA) Eu...

MULDER: - Scully, está acontecendo alguma coisa?

SCULLY (OFF): - ...

MULDER: - Onde está?

SCULLY (OFF): - Onde me deixou.

MULDER: - O que tem aí? Outra sala de reuniões?

Corta para Scully no Pentágono. Scully segura um tubo nas mãos, de frente pra uma prateleira. Olha até o alto.

SCULLY: - Mulder, eu achei. Achei o que procurávamos. Achei todas as provas, Mulder.

Corta para Mulder, que pára o carro no acostamento. Olha pro pára-brisas movimentando-se.

SCULLY (OFF): - Mulder... Isso aqui é um depósito de evidências.

MULDER: - (SORRI) O que viu aí, Scully?

SCULLY (OFF): - Estou com um tubo nas mãos, onde tem um chip e um nome escrito: Duane Barry. Está ao lado de outros com nomes de pessoas que já conhecemos. Incluindo o meu nome.

MULDER: - ...

Corta pra Scully. A porta abre-se.

SCULLY: - Mulder, tem uma série de coisas aqui, que nem sei o que são. Levaria dias pra examinar tudo e...

MULDER (OFF): - O que houve, Scully?

SCULLY: - Preciso desligar.

Scully desliga. Caminha bem devagar até o final da prateleira. Esconde-se.

O Canceroso entra. Scully respira fundo, fechando os olhos, com medo. O Canceroso aproxima-se de uma prateleira. Puxa uma caixa. Procura alguma coisa. Retira uma pasta de papel e sai. Scully suspira. Pega o celular. Liga.

SCULLY: - ...... Mulder? Estou bem, não me ligue. Vou sair daqui!

Scully desliga. Está nervosa.


1:13 A.M.

O alarme soa. Scully já está do lado de fora do prédio, bem longe dos soldados. Corre na chuva. Atravessa a rua. Acena para um táxi. O táxi pára. Scully entra. Respira ofegante, assustada.

SCULLY: - Alexandria, por favor.


Apartamento de Mulder - 3:16 A.M.

Scully, nervosa, olha pro chip dentro do tubo em suas mãos. Tira outro tubo do bolso, contendo uma abelha.

SCULLY: - Ah, meu Deus... Mulder, o que eu fui fazer? Eles virão atrás de mim...

O telefone toca. Scully dá um pulo, assustada. Leva o fone até a orelha, em silêncio.

FROHIKE (OFF): - Mulder?

SCULLY: - (RESPIRA ALIVIADA) Frohike!

FROHIKE (OFF): - Ah, é você, Scully. Vimos o número aqui e pensamos que era o Mulder... Por que nos ligou?

SCULLY: - Onde estavam?

FROHIKE (OFF): - Boliche... O que aconteceu?

SCULLY: - Preciso de proteção, não sei pra onde ir... Estou sozinha.

FROHIKE (OFF): - Quer que busque você aí?

Barulhos na porta.

[Som: Nirvana – Smells like Teen Spirit]

Scully joga os tubos dentro do aquário. Puxa a arma.

SCULLY: - Tem alguém aqui.

FROHIKE (OFF): - Estamos indo!

Scully desliga e olha pela janela. Vê um furgão negro do outro lado da rua. Olha pra porta. Corre pro quarto de Mulder e tranca-se. Corre até a janela. Abre. Olha pra baixo.

SCULLY: - Ah, meu Deus!

Ouvimos a porta da sala ser arrombada.

Scully tira os sapatos e pula a janela, caminhando no parapeito do prédio.

SCULLY: - Calma, Dana, calma... Ou morre com um tiro, ou morre quebrada...

Scully resvala. Segura-se na janela do apartamento ao lado.

Ouvimos a porta do quarto de Mulder ser arrombada.

Scully olha pra baixo e atira-se do parapeito. Cai num contêiner de lixo. Levanta-se e sai correndo pelo beco escuro.

O homem do Sindicato aparece na janela do quarto de Mulder, segurando um rádio.

MAN OF SYNDICATE #1: - Ela escapou pelos fundos.

[Corte]

[Som: Nirvana – Smells like Teen Spirit]

Scully corre pelo asfalto molhado com os pés descalços.

Vemos o furgão dobrar a esquina, vindo em direção dela.

Scully corre mais, ofegante, apavorada, olhando pra trás.

O furgão aproxima-se, com as luzes altas, vindo pra cima de Scully.

Scully dobra a esquina. Vê a porta aberta de um clube de strip-tease.

Scully entra, sem pensar, esbarrando no porteiro, um sujeito alto e forte. Scully sorri, ofegante.

PORTEIRO: - É a garota nova? Está atrasada!

SCULLY: - (OFEGANTE) Onde fica o camarim?

PORTEIRO: - Atrás do bar.

Scully corre por entre as pessoas. Todos ficam olhando pra ela. Scully entra por uma porta. Os homens do Sindicato entram na boate e o porteiro os barra. Um deles mira uma arma com silenciador e encosta na barriga do porteiro. Atira. Ele cai morto no chão. Os homens entram correndo na boate, procurando por Scully.

[Som: Nirvana – Smells like Teen Spirit]

Corta pra Scully, que passa pelas garotas no camarim. Algumas estão nuas. Scully sai pela porta dos fundos, num beco. Corre, mas já cansada. Sai do beco, volta pela rua de Mulder. Pressente a aproximação de um veículo, com as luzes acesas. Scully continua correndo. O veículo encosta ao lado dela.

FROHIKE: - (GRITA) Scully!!!!!!!!

Scully pára. Frohike abre a porta da Kombi.

FROHIKE: - Entra aí!!!!!!

Scully entra. Frohike acelera e dispara pela rua.


5:39 A.M.

Mulder estaciona o carro, na beira da estrada de chão. Pega o mapa e examina. Olha pra uma montanha.

MULDER: - Bingo!

Mulder olha pros lados. Vê uma floresta. Entra com o carro, escondendo-o por entre algumas árvores. Desliga os faróis. Desce. A chuva diminui. Mulder caminha esquivo pela floresta. Puxa a arma do coldre.


6:21 A.M.

Mulder aproxima-se do pé da montanha. Vê uma cerca eletrificada. Soldados. Ele agacha-se atrás de uma moita. Vê um carro do exército chegar. Uma limusine preta vem atrás. Mulder fica olhando.

MULDER: - Aposto que sei quem vai sair de dentro do carro fúnebre. Mas poderia sair num caixão, desgraçado.

O Canceroso desce. Acende um cigarro. Os soldados abrem um portão. O Canceroso passa por ele, entrando por uma porta de aço, no sopé da montanha. Mulder tenta se aproximar. Consegue ver uma placa: “Área Militar – Testes Nucleares. Não se aproxime”.

Mulder senta-se no chão. Fica observando os soldados. Um deles se afasta da cerca, pra fumar um cigarro. Mulder pega uma pedra e atira no meio do mato. O soldado olha, guardando o isqueiro no bolso. Caminha até a mata. Passa por Mulder. Mulder o agarra pelo pescoço.

MULDER: - Ninguém te disse que fumar faz mal pra saúde?

Mulder acerta uma coronhada na cabeça do soldado. Ele cai no chão. Mulder tira o sobretudo.


6:43 A.M.

Mulder, vestido com a roupa do soldado, amarra-o com sua gravata. Coloca o sobretudo em cima do soldado, como um cobertor.

MULDER: - Pronto, agora pode dormir tranqüilo. Pra não dizer que sou malvado e deixei você dormir ao relento. Bons sonhos.

Mulder pega o rifle do soldado e põe nos ombros. Pega o maço de cigarros do sujeito e coloca no bolso. Coloca o boné na cabeça. Caminha em direção ao portão, de cabeça baixa.


Pistoleiros Solitários - 7:13 A.M.

Scully toma café, sentada num banquinho. Frohike entra.

FROHIKE: - O apartamento de Mulder está sendo vigiado.

SCULLY: - (NERVOSA) Droga! Eu não sei onde ele está. O celular tá desligado.

LANGLY: - Precisamos avisar o Mulder. Eles estão furiosos.

FROHIKE: - Scully, o que encontrou realmente?

SCULLY: - Não acreditariam. Nem eu sei se acredito. E deixei no apartamento de Mulder. Caso me pegassem, ele teria as provas necessárias.


7:16 A.M.

Mulder caminha por um imenso corredor com paredes de aço. Vê uma sala enorme. Caminha até ela. Soldados passam por ele, carregando algumas caixas. Mulder entra na sala. É um enorme depósito. Mulder aproxima-se de uma das caixas e lê.

MULDER: - Leite em pó... Mas que diabos é isso?

Mulder aproxima-se de outra caixa.

MULDER: - Cereais?

Mulder vê o Canceroso e Matheson aproximarem-se. Abaixa a cabeça, disfarçando. O Canceroso conversa com Matheson.

CANCEROSO: - A amiguinha dele entrou no Pentágono. Roubou coisas que não devia.

MATHESON: - ...

CANCEROSO: - Com o seu cartão. Sabe como ela conseguiu isso?

MATHESON: - Mulder deve tê-lo roubado de mim.

CANCEROSO: - Sabe o que acontece com sujeitos descuidados como você.

MATHESON: - Não tenho culpa! Se o mantivesse afastado de encrencas, se o tivesse matado...

CANCEROSO: - Sabe que não posso matar Mulder. Preciso dele vivo.

O Canceroso coloca a mão dentro do casaco. Matheson olha assustado. O Canceroso puxa o maço de cigarros. Acende um, olhando debochado pra Matheson.

CANCEROSO: - Não feche os olhos durante a noite. Pode não acordar.

MATHESON: - ...

CANCEROSO: - Mandei meus homens atrás daquela vadia. Quero o que me pertence.

O Canceroso passa por Mulder. Mulder abaixa a cabeça. Observa-o com o rabo dos olhos.

MULDER: - Um tiro, só um tiro nessa sua nuca e eu poderia abrir uma cerveja!


Arquivos X – 8:21 A.M.

Skinner entra na sala. Está vazia. Skinner suspira. Fecha a porta.

SKINNER: - Droga, Mulder... O que aprontou dessa vez?


BLOCO 3:

Apartamento de Diana Fowley - 12:29 P.M.

A sala na penumbra de dois abajures. A chuva cai fortemente. O Canceroso anda de um lado para outro, fumando, nervoso. Diana, sentada o acompanha com os olhos.

DIANA: - Sabe que não posso pedir mais favores ao Fox. Seu filho não confia em mim.

CANCEROSO: - Quero as provas de volta. Mulder tem uma bomba nas mãos. E precisarei explodi-la se ele a usar.

Diana levanta-se.

DIANA: - Está certo. Vou resolver isso pra você.

CANCEROSO: - Ele não vai entregar aquelas provas. Sabe que você trabalha pra mim.

Diana olha para o Canceroso. O Canceroso olha pra ela, soprando a fumaça.

DIANA: - Poderia tentar outros métodos. Me dê uma última chance. Desta vez não falharei.

Diana lança um olhar de dúvida. Respira fundo.

DIANA: - Você tem um problema. E eu quero o que me prometeu. É a hora do pagamento.

CANCEROSO: - Sabe que vai receber apenas a metade do que prometi.

DIANA: - É esta metade que quero.

CANCEROSO: - ... Faça sua parte. É sua última chance.

DIANA: - Eu falhei, sabe que falhei. Tentei afastá-lo dela, tentei puxá-lo pra você, mas não foi o método correto.

CANCEROSO: - Acha que conseguirá desta vez?

DIANA: - Tenho o meu plano agora. Farei o serviço. Mas em troca, quero liberdade pra agir. Talvez a verdade seja o que Mulder precise ouvir. Vai pensar que é uma mentira. Eu pegarei as provas pra você.

O Canceroso sopra a fumaça. Sorri.


12:46 P.M.

[Som: Don McLean – Starry, Starry Night (Vincent)]

Mulder dirige o carro, em alta velocidade. A pista está molhada. O celular toca.

MULDER: - Mulder.

DIANA (OFF): - Fox?

MULDER: - ...

DIANA (OFF): - Fox, preciso muito falar com você. Nos encontramos no meu apartamento.

MULDER: - Por que eu iria ao seu apartamento?

DIANA (OFF): - Porque sabem que a Scully pegou provas. Fox, não deve voltar pra lá. Estão vigiando. Precisa ter cuidado.

MULDER: - Por que acreditaria em você?

DIANA (OFF): - Pergunte à Scully. Ela confirmará tudo.

MULDER: - ... O que quer?

DIANA (OFF): - Não posso falar por telefone, estou no Bureau. Fox, precisa esquecer as coisas ruins que fiz e acreditar no que estou fazendo por você agora.

MULDER: - ... Te encontro em duas horas.

Mulder desliga. Olha pelo retrovisor.

MULDER: - Mais e mais mentiras...


4:33 P.M.

Diana abre a porta. Mulder entra, ensopado. Fisionomia séria e desconfiada.

DIANA: - Tempo ruim, não é mesmo?

MULDER: - Não vim até aqui pra falar sobre o tempo. O que tem pra me dizer?

DIANA: - Está molhado, Fox. Quer uma toalha? Posso secar sua roupa se quiser...

MULDER: - (IRRITADO/ GRITANDO) O que tem pra me dizer?

Diana olha pra Mulder, incrédula.

DIANA: - Scully roubou algumas coisas. Isto coloca você em risco.

MULDER: - Já estou em risco há muito tempo.

DIANA: - ...

MULDER: - Tem alguma novidade que eu ainda não saiba?

DIANA: - ... Precisa devolver aquilo. Não poderá fazer nada com aquelas provas nas mãos. Não acreditarão em você.

MULDER: - E eu posso acreditar em você?

DIANA: - Sei que menti muito, Fox, mas fiz isso pra te proteger.

MULDER: - (RINDO) Me proteger?

DIANA: - Sei de coisas que poriam a minha vida em risco. Estou agora mesmo me comprometendo porque estou tentando ajudá-lo.

MULDER: - Não me venha com essa, Diana. Você faz o que ele pede. Sei que é ele quem me protege.

DIANA: - Não acredite nisso, Fox. Ele vai matá-lo se pisar em falso. Você não significa nada pra ele. É apenas mais uma das cobaias...

MULDER: - Eu não quero ouvir isso! Basta!

DIANA: - ... Fox, eles vão matar a Scully. Estão atrás dela. Precisa devolver aquilo, ou sua parceira pagará pela sua ousadia com a própria vida.

MULDER: - Está começando, não está?

DIANA: - ...

MULDER: - A invasão!

DIANA: - Ela já começou há muito tempo, Fox. Eles estão se preparando para o inevitável. Se a catástrofe começar, terão onde se esconder.

MULDER: - Está falando do quê?

DIANA: - Eles tem uma base secreta na Carolina do Norte. Os acontecimentos dos últimos dias estão preocupando-os. Existem outras forças por trás disso, Fox. Eles vão se esconder, fugir, fazer o possível pra evitarem a ira dos ‘deuses’.

MULDER: - ...

DIANA: - Mas você não acredita em mim.

MULDER: - ... Diana.

DIANA: - ...

MULDER: - Eu sei da existência dessa base. Só queria ver se me contaria.

DIANA: - ...

MULDER: - Me desculpe.

Mulder a abraça. Diana abraça-se nele.

DIANA: - Fox, estou com medo. Eles não podem saber que revelei isso à você.

MULDER: - Eles não saberão.

DIANA: - Precisa encontrar a Scully e pegar as provas. Me encarrego de devolvê-las à eles. Me pediram pra matá-la. Não posso fazer isso. Portanto, me dê o que preciso. É a única chance que tenho. Se não entregar, eles me matarão. E pra entregar, ou mato a Scully ou peço à você. E eu não queria matá-la. Sei que a ama. Mas por favor, Fox, não deixe que eles me matem!

MULDER: - ... Diana, entende o que está me pedindo?

DIANA: - ...

MULDER: - Ali está a resolução de mais de 7 anos de trabalho! Minha vida está ali! Quer que entregue tudo pra salvá-la?

Diana senta-se. Olha pra Mulder, com os olhos cheios de lágrimas.

DIANA: - Desculpe. Não tenho esse direito... Me esqueci que não significo mais nada pra você.

Mulder olha pra Diana, com o coração apertado.

MULDER: - Diana...

DIANA: - Vá, Fox. Não se preocupe, eu não farei nada contra sua parceira.

Mulder respira fundo. Diana chora, calada. Mulder olha pra porta. Olha pra ela. Olha pra porta, olha pra ela. Senta-se ao lado dela e a abraça.

MULDER: - Eu darei as provas, Diana. Vou pegá-las com a Scully.

DIANA: - Não, não pode sacrificar sua vida por causa da minha!

MULDER: - Eu sacrificaria minha vida por causa da vida de qualquer pessoa que estivesse em perigo. Não quero que pense que faço isso porque ainda amo você. Não é verdade.

DIANA: - ...

MULDER: - Não a culpo pelo que faz. Conheço você, sei que é capaz de tudo pra conseguir o que quer. Mas se tivesse ficado do meu lado, com certeza jamais saberia a verdade, mas pelo menos, dormiria tranquila à noite. Mas jogou tudo fora, me deixou sozinho, tentando abrir os Arquivos X. Não percebeu que eles estavam afastando você da verdade que este departamento mostraria? Me deixou sozinho, como eles queriam.

DIANA: - Talvez tenham me proposto a verdade, muito antes de você começar a procurá-la.

MULDER: - ... Amo a Scully. Você sabe disso.

DIANA: - Não posso condená-la por amar você. É impossível não te amar. Mesmo as coisas que fiz enquanto estávamos juntos... Era porque queria chamar sua atenção pra mim. Eu também era uma verdade.

Mulder olha pra Diana. Diana olha pra ele. Aproxima seus lábios dos de Mulder. Mulder recua. Diana sorri.

DIANA: - Fox... Nunca entenderá o porquê das coisas que faço. As faço porque queria ter você de volta.

MULDER: - Acredita realmente que teria?

DIANA: - Não. Conheço bem você... É puro demais para se contaminar com essa sujeira. Me odeio cada vez mais ao saber que tive você e que o perdi. Daria a minha vida pra tê-lo de novo ao meu lado.

Os dois aproximam-se os lábios e trocam um beijo. Se abraçam. Diana dá um sorriso de vitória.


Pistoleiros Solitários - 6:12 P.M.

Langly destranca a porta. Mulder entra. Byers está no computador.

MULDER: - A Scully está aqui?

Scully corre até Mulder e o abraça.

SCULLY: - Mulder, está bem?

MULDER: - Estou... Eu...

Mulder a empurra. Scully olha pra Mulder, desconfiada.

SCULLY: - Onde esteve?

MULDER: - Vi coisas nas quais você não acreditaria. Eles estão com medo, Scully. Medo de alguma coisa. Acho que o pesadelo está começando.

SCULLY: - Mulder, não deve voltar pro seu apartamento. Estão vigiando o lugar.

MULDER: - Eu sei, a Diana me falou.

Scully olha pra Mulder, mais desconfiada ainda. Langly sai de fininho. Byers continua sentado de frente pro computador, observando-os com o rabo dos olhos.

SCULLY: - Esteve com ela?

MULDER: - Scully, onde colocou as provas?

SCULLY: - (GRITA) Esteve com ela?

Byers dá um pulo, assustado.

MULDER: - ... Ela me ligou, precisava falar comigo...

SCULLY: - ...

MULDER: - Ela... Scully, preciso dessas provas.

SCULLY: - O que vai fazer com elas?

MULDER: - ... Devolver.

SCULLY: - (GRITA) Devolver?

Byers dá outro pulo, assustado. Encolhe-se atrás do monitor, espiando com o rabo dos olhos.

SCULLY: - (INDIGNADA) Mulder, arrisquei minha pele pra roubá-las e agora você quer devolver? O que está acontecendo? Fizeram outro transplante em seu cérebro? Tiraram o que sobrava de racional e útil aí dentro?

MULDER: - ...

Byers olha assustado pra eles. Abaixa a cabeça e continua a digitar.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Mulder, é a prova do que fizeram comigo! Não pode simplesmente entregar isso! É a minha verdade, Mulder! Eu quero justiça! Parece que se esqueceu das coisas que passei. Eu tive um câncer, Mulder. Fiquei estéril. Eles destruíram a minha vida! E agora você quer entregar isso pra Diana Fowley?

MULDER: - Scully, acho que não deveríamos discutir essas coisas aqui e...

Scully cruza os braços e o encara. Mulder dá um sorrisinho sem graça.

SCULLY: - Fala, Mulder.

MULDER: - Falar o quê?

SCULLY: - Sei que está me escondendo alguma coisa, eu conheço essa sua risada sem graça!

MULDER: - ... (ARREPENDIDO)

SCULLY: - Mulder, acha que durante todos esses anos eu não aprendi a conhecer você?

MULDER: - ...

SCULLY: - ...

MULDER: - (MEDO) Eu... Scully, preciso te confessar uma coisa.

SCULLY: - (FRANZE A TESTA, COM MEDO) Fala.

MULDER: - (NERVOSO) Eu... Eu... e ela... nos beijamos.

Byers morde os lábios e fecha os olhos, já se encolhendo atrás do monitor, apavorado. Scully olha pra Mulder. Com ar de interrogação, respirando fortemente, como se soltasse fogo do nariz.

SCULLY: - ...

MULDER: - (DEFENSIVO) Foi um impulso, eu estava com pena dela, e...

SCULLY: - (IRRITADA) Ah, foi um impulso, você estava com pena dela. ‘Coitadinha’!

MULDER: - Scully, ela quer salvar você. Sua vida corre perigo, por isso ela me chamou até lá.

SCULLY: - E em troca da gentileza dela, você a beijou em agradecimento... Que comovente, Mulder! Você a beijou porque ela se preocupa comigo...

MULDER: - Scully, é sério. Se não devolver essas provas eles vão matar a Diana.

SCULLY: - E daí? Quem liga pra isso? Quantos justos já morreram por causa dessas experiências? Não vou poupar a vida daquela cadela! Muitos podem morrer ainda e você vai deixá-los morrer pra salvar aquela vadia?

MULDER: - ....

SCULLY: - Mulder, pense com a cabeça!

MULDER: - ... Scully, mandaram que ela te matasse. Mas ela veio até mim pedir essas provas pra não ter de fazer isso. Ela não vai fazer isso. Ela vai morrer pra não matar você.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Oh, meu Deus! Isso é tão comovente, Mulder! Como pôde cair numa besteira dessas? Ela e o Canceroso combinaram isso!

MULDER: - Não, ela me deu provas de que falava a verdade.

SCULLY: - E você, agradecido, a beijou.

MULDER: - Foi um impulso, Scully. Não deu pra controlar...

SCULLY: - Ah, foi um impulso.

Scully caminha até Byers. Agarra-o pela nuca e beija-lhe a boca selvagemente. Mulder arregala os olhos. Scully empurra Byers e encara Mulder.

SCULLY: - (DESAFORADA) Foi um impulso, Mulder. Não pude controlar.

Byers olha pra Scully, mexendo os lábios com a mão, incrédulo. Scully está furiosa.

SCULLY: - As provas estão dentro do seu aquário. Vá pegá-las e faça o que quiser com elas. Se quiser engolir ou enfiar, o problema é seu! Otário!

Byers arregala os olhos e sai de fininho.

MULDER: - Scully, quero apenas salvar você. Até quando acha que vai ficar escondida aqui?

SCULLY: - Não vou. Vou pra casa da minha mãe.

MULDER: - Scully...

SCULLY: - Vou pra casa da mamãe! Eu odeio você, Mulder! Entregue aquilo pra sua mocreia, a ‘Baranga Fowley’! E já fique por lá.

MULDER: - ...

SCULLY: - E tire suas coisas do meu apartamento! Não precisa mais voltar.

Langly e Byers espiam pela porta da cozinha.

MULDER: - Mas Scully...

SCULLY: - (FURIOSA) Vá! E quero a chave do meu apartamento de volta! E leve aquela maldita raposa de pelúcia com você! Ou vou incendiá-la com suas coisas!

MULDER: - Você não entende, não é?

SCULLY: - (INCRÉDULA) Eu? Eu não entendo?

Scully chuta o banquinho. Langly e Byers arregalam os olhos.

SCULLY: - (GRITA)Você é quem não entende! Mulder, você é burro! Os homens são burros mesmo! Nunca subestime uma mulher, Mulder! Ela pode tirar até seu último tostão e você ainda vai rir disso! Os homens são muito burros mesmo! O que ela usou desta vez? Palavras como ’não posso condená-la por amar você. É impossível não te amar‘ ?

MULDER: - ???

SCULLY: - Otário! Você é otário, Mulder!

MULDER: - Scully...

SCULLY: - (IRADA) Sai daqui! Xô! Eu não quero mais ver a sua cara na minha frente!

MULDER: - Mas trabalhamos juntos!

SCULLY: - Vou usar óculos escuros pra não ver sua cara de otário. Tarado! E você nem é tudo isso que as mulheres acham!!!!!

Langly segura o riso e sai da porta. Byers fica boquiaberto.

SCULLY: - (GRITA) Você é um inútil, Mulder! Vá pegar as provas e levá-las numa bandeja pra sua ‘pobrezinha’! Afinal, ela é quem coloca a vida em risco pra salvar você.

MULDER: - Você não entende, né, Scully?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Não, eu sou ignorante.

Mulder sai, batendo a porta. Scully esmurra a parede com raiva. Byers olha pra Scully, com receio.

BYERS: - (MEIGO) Scully, quer que eu faça um chazinho pra você?

SCULLY: - ...

BYERS: - (PREOCUPADO) Tem certeza de que vai ficar bem?

Scully vira-se pra ele. Byers recua, assustado. Scully sorri.

SCULLY: - Quero um ‘chazinho’, Byers. Ai, ai... Por que a vida é assim? Um homem como você, doce, meigo e que me oferece chazinho e eu escolho o desgraçado que me oferece enfarte!


BLOCO 4:

Apartamento de Mulder – 7:59 P.M.

[Som: Nirvana – Smells like Teen Spirit]

Mulder tira as chaves do bolso. Percebe que a porta está aberta. Puxa a arma. Empurra a porta com o pé e mira a arma pra sala. Krycek levanta as mãos. O apartamento está todo revirado.

MULDER: - Ora, ora... Pago uma grana de condomínio pra eles não chamarem nem o dedetizador! Tem um rato enorme na minha sala!

KRYCEK: - Abaixe a arma, Mulder. Vim em paz.

Mulder percebe que Krycek está desarmado. Abaixa a arma.

MULDER: - O que quer aqui?

KRYCEK: - Sabe o que quero. Mas como minha mãe me ensinou a ser educado, não revirei nada. O que vê aqui é obra de algum cara sem escrúpulos.

MULDER: - Sei... E sua mãe não te ensinou a não mentir e a não invadir a casa dos outros?

KRYCEK: - Infelizmente, mamãe morreu antes de me ensinar essas coisas.

MULDER: - (DEBOCHADO) Muito comovente, mas não veio aqui pra falar de sua mãe! Me procure amanhã no meu consultório, agora estou de folga. Enquanto isso tome seu Gardenal pra ficar bem calminho.

Krycek senta-se no sofá.

KRYCEK: - Gosto do seu apartamento.

Mulder olha pro aquário. Vê os dois tubos ali dentro. Mulder olha pra Krycek. Krycek levanta o braço e mexe os dedos.

KRYCEK: - Tá vendo?

MULDER: - Ah, conseguiu uma prótese nova?

Krycek puxa a luva, revelando dedos mal formados na mão, com membranas entre eles. Mulder vira o rosto.

KRYCEK: - Você tinha razão, eles tinham os segredos de regeneração de Barnett. Mas ainda estão em estudo, não conseguem dividir as células.

MULDER: - ...

KRYCEK: - Recebi um braço novo, uma nova mão. Presentinho de um amigo, Mulder. Pra me avisar que devo ficar longe dele. Faça isso, não o provoque.

Krycek põe a luva.

KRYCEK: - Tenho uma proposta pra você.

MULDER: - Não negocio com você, Krycek. Não me venha com suas propostas.

KRYCEK: - Ambos temos um interesse, Mulder. Queremos ferrar o mesmo sujeito.

MULDER: - ...

KRYCEK: - Deixo você com aqueles tubos que estão dentro do aquário. Em troca não vai entregá-los ao FBI. Vai dá-los a mim.

MULDER: - (RINDO) Pra você? O que quer com eles?

KRYCEK: - Não quero os tubos, Mulder. Quero saber onde os encontrou.

MULDER: - Pra quê? Não sabe?

KRYCEK: - Mulder, meu amigo, sou um russo, não tenho acesso livre como pensa. Meu passaporte expirou há anos!

MULDER: - Krycek, meu amigo ‘mãozinha de salamandra’, se eu confiasse em você, já teria morrido, caído de um periférico nas Montanhas Skyland.

KRYCEK: - Poderia trabalhar comigo, Mulder.

MULDER: - (DEBOCHADO) Ah, com você? Seria divertido: “Ei, Krycek, o que faremos hoje à noite? – O que fazemos todas as noites, Mulder: Tentar conquistar o mundo!” (CANTANDO) O Mulder e o Krycek, o Krycek e o Mulder, um é um gênio, o outro um imbecil...

KRYCEK: - Muito engraçado, Mulder.

Krycek levanta-se. Caminha até a porta.

MULDER: - Ei, não vai tentar levar as provas?

KRYCEK: - Não quero um tiro na cabeça.

Mulder fica desconfiado. Caminha até o aquário e retira os tubos dali de dentro. Coloca-os no bolso.

MULDER: - (CÍNICO) Acho que podemos fazer um acordo, Krycek. Temos o mesmo inimigo, não é?

Krycek olha desconfiado pra Mulder.


9:21 P.M.

Krycek entra no carro. Pega o celular. Disca.

KRYCEK: - ... Não vai acreditar. Acho que terei mais sucesso do que sua amiguinha fracassada Fowley. Mulder quer um acordo... Ofereci sua cabeça, ele ficou tentado com a ideia. Pode acreditar nisso? Acho que Mulder está convivendo tempo demais conosco. Aprendeu a negociar.

Krycek desliga.

Corta para o Canceroso, numa sala. Sopra a fumaça do cigarro.

CANCEROSO: - Isso é mal... Muito mal. Estou alimentando o monstro... Não gosto que me passem a perna, Mulder. Parece que não aprendeu sua lição ainda.


Hotel Lincoln – 11:34 P.M.

Mulder abre a porta. Scully entra.

SCULLY: - Só vim porque é assunto de trabalho.

MULDER: - ... Scully, acho que estamos a um passo de provar o que queremos.

SCULLY: - Como assim?

Os dois sentam-se na cama.

MULDER: - Hoje honrei meus genes paternos. Menti, enganei e obstruí.

SCULLY: - Eu não acredito! Mulder, não pode simplesmente assumir a personalidade daquele homem para tentar derrubá-lo! Vai se machucar, sabe disso! Você não é assim!

MULDER: - Eu já disse, Scully, se ele pegar no meu pé eu acabo com ele. Agora é mano a mano! Estou fora de mim! Farei tudo, mesmo que contra minha vontade, mas vou derrubá-lo!

SCULLY: - Mulder, vingança não é justiça!

MULDER: - É a mesma coisa, Scully, com conotações diferentes.

SCULLY: - Entregou as provas?

MULDER: - Disse à Diana que não consegui falar com você.

SCULLY: - Não vai entregá-las?

MULDER: - Estou pensando nas coisas que você me falou... É bom ter alguém que abra os olhos da gente. Alguém que nos escute. Acho que cometeria um erro entregando aquilo. Você está certa, Scully.

SCULLY: - ...

MULDER: - (DEBOCHADO) Trouxe o pijama do Scooby Doo?

SCULLY: - Não, vou dormir na casa da mamãe.

MULDER: - ...

SCULLY: - (CRUEL) Estávamos falando de trabalho. Continue.

MULDER: - É isso. Preciso pensar no que você me disse. Afinal Diana mentiu tanto pra mim... Por que não mentiria agora?

SCULLY: - Mulder, acredite no que quiser acreditar. Se ainda ama aquela mulher, faça o que é melhor pra vocês dois.

Scully levanta-se. Mulder a segura pelo braço.

MULDER: - Eu amo você.

SCULLY: - Não, você ama qualquer coisa que sorri pra você e use saias.

MULDER: - Ah, não faz assim. Você tá magoada, mas sabe que eu não sou isso.

SCULLY: - ... Não adianta falar manso comigo, Mulder. Conheço bem o tipo!

MULDER: - Não estou falando manso. Quer que eu grite?

SCULLY: - ...

MULDER: - Scully, pára com essa palhaçada! Foi só um beijo, nada que comprometesse nosso relacionamento.

SCULLY: - Hoje foi um beijo. Amanhã ela liga dizendo que está carente e você vai consolá-la. O “consolador das almas perdidas”!

MULDER: - (DEBOCHADO) Não sou consolador. Sou exorcista particular.

SCULLY: - Ah, então vai exorcizá-la?

MULDER: - (DEBOCHADO) Não. Ela não é quente.

SCULLY: - ... (EMBURRADA)

MULDER: - Apesar de estar muito nervoso com isso tudo, de ter as provas que quero nas mãos, estou querendo ‘sair um pouco do trabalho’...

SCULLY: - (IRÔNICA) Sei. Tem um filme bom na TV. Chama-se “Eu sei o que você aprontou na noite passada.”

MULDER: - (SÉRIO/ BALANÇANDO A CABEÇA NEGATIVAMENTE) Eu não transei com ela, Scully. Sabe que nunca mentimos um pro outro, por pior que seja a verdade. Eu até pensei, não vou negar, mas eu não fiz isso que você tá me acusando.

SCULLY: - Ah, mas pensou! Por que pensou?

MULDER: - Sei lá. Pensei.

SCULLY: - ...

MULDER: - Scully, homens pensam nessas coisas! É inevitável!

SCULLY: - ...

MULDER: - Talvez estivesse com pena dela, comecei a me lembrar do nosso passado, dos momentos bons... nessa hora você esquece das coisas ruins... Puxa, nós vivemos muito tempos juntos, era como se fôssemos casados... Não posso esquecer isso assim.

SCULLY: - Tá. Eu... Mulder, eu compreendo isso.

Scully senta-se ao lado de Mulder.

SCULLY: - Também tive bons momentos com o Jack. Lembra-se dele, não?

Mulder fica enciumado. Põe a mão no bolso e retira um pacote de sementes de girassol. Come, emburrado.

SCULLY: - (PROVOCANDO) Ah, o Jack! O Jack me fazia rir. O Jack me trazia bombons...

MULDER: - (IRRITADO) Queria que você ficasse gorda pros outros homens não olharem pra você!

SCULLY: - Não, ele era assim, romântico! (SUSPIRA) Sabia como tratar uma mulher.

MULDER: - Não dormia depois?

SCULLY: - ... Mas ele compensava!

MULDER: - Ah, ele compensava. Scully, eu não quero saber do seu passado romântico, sabia? Ele me assusta!

SCULLY: - Nem eu quero saber do seu! Tá vendo? É bom sentir isso?

MULDER: - ... Eu só estou sendo sincero. Poderia não ter dito o que aconteceu. Mas eu prefiro falar, porque me sinto mal escondendo isso de você. Parece que estou te traindo! Me desculpe, não vou mais ser sincero.

SCULLY: - ...

MULDER: - ...

SCULLY: - Tá, Mulder. É bom saber que você é sincero. Dói, mas pelo menos é a verdade.

MULDER: - ...

SCULLY: - ... Está tarde. Mamãe já deve estar dormindo.

MULDER: - (CARENTE) Fica aqui comigo.

SCULLY: - Se prometer me respeitar, porque ainda estou zangada!

MULDER: - Prometo.

SCULLY: - E vai ter de prometer mesmo. Não trouxe roupa pra dormir.

MULDER: - Vou me comportar.


4:13 A.M.

[Som: Association – Never My Love]

Mulder dorme de bruços, espichado na cama. Scully, acordada, olha pro teto do quarto. Braços cruzados. Está nua, coberta com o lençol.

SCULLY: - Mulder.

MULDER: - Zzzzz...

SCULLY: - ... Mulder? Não precisa se comportar tanto, sabia?

MULDER: - Zzzzz...

SCULLY: - Hum... É um gentleman, não adianta. Ele sabe quando respeitar e quando está errado.

Scully vira-se pra Mulder. Admira-o dormindo. Sorri. Ajeita o lençol sobre ele.

Mulder está ferrado no sono.

Scully olha pra Mulder, ternamente. Aproxima-se. Coloca a mão no ombro dele. Desliza-a pelas costas. Aproxima seus lábios e beija-lhe o ombro.

Mulder abre os olhos. Fecha-os rapidamente e finge que está dormindo ainda.

Scully desliza as mãos e os lábios pelas costas de Mulder, sentindo o cheiro dele e o beijando. Mulder continua fingindo que dorme. Scully morde o ombro dele, sorrindo.

SCULLY: - Sei que não está dormindo, Mulder. Não conseguiria dormir desse jeito.

Mulder abre os olhos, rindo. Vira-se.

MULDER: - O que quer?

Scully agarra e morde os músculos do braço de Mulder. Passa a mão pelo peito dele, afagando-lhe os poucos pelos.

MULDER: - Gosto quando você me toca desse jeito...

Mulder fecha os olhos.

MULDER: - Pensei que estivesse furiosa comigo.

SCULLY: - E estou...

Scully desce a mão pelo peito de Mulder. Sobe no corpo dele. Os dois trocam um olhar. Scully aproxima seus lábios e beija-lhe rapidamente. Mulder continua olhando pra ela. Scully aproxima os lábios. Mulder também. Scully beija depressa e afasta o lábios novamente. Sorri. Mulder retribui um sorriso. Scully aproxima os lábios novamente e morde os lábios de Mulder. Afasta-se. Mulder sorri. Scully aproxima-se colocando a língua dentro da boca de Mulder, mas quando ele vai beijá-la, ela afasta-se.

Mulder envolve seus braços em Scully e a puxa de encontro aos seus lábios. Beijam-se ardentemente, devorando os lábios um do outro. Mulder vira seu corpo por sobre o corpo de Scully. Continuam o beijo. Mulder desliza sua mão pelo corpo dela, segurando-a pela cintura. Beija-lhe o pescoço. Scully envolve os braços ao redor do pescoço de Mulder, afagando-lhe os cabelos com as mãos. Mulder desce seu lábios até os seios dela. Segura-os delicadamente com as mãos, aproximando os lábios. Scully fecha os olhos.

O celular de Mulder toca.

Scully estende o braço e pega o celular de cima da cômoda. Mulder não pára o que está fazendo. Scully atira o celular longe. Mulder ergue a cabeça e olha pra Scully, debochado.

MULDER: - Isso é propriedade federal, sabia?

SCULLY: - Cala a boca, Mulder! Eu também sou propriedade federal!

Scully agarra Mulder pela cabeça e o puxa contra seu peito. Mulder sai de cima dela, rindo. Scully começa a rir.

SCULLY: - Ah, não dá! Mulder, não podemos abrir a boca quando estamos assim! Sabe que quando falamos, o clima vai pro espaço!

MULDER: - E eu tenho culpa?

SCULLY: - Mulder, você me faz rir! Pára! Não fala nada, fica quieto!

MULDER: - Eu tava quieto! Até você jogar meu telefone no chão!

SCULLY: - Por que foi reclamar? Ah, Mulder, não dá. A gente não fica sério nem pra ‘fazer coisinhas’?

Mulder tem um acesso de riso. Põe o travesseiro no rosto. Scully aperta o travesseiro contra o rosto dele.

SCULLY: - Seu estraga prazeres!

Scully deita-se. Mulder tira o travesseiro do rosto.

SCULLY: - Do que está rindo?

MULDER: - Sabe o que é isso? Sabe por que agimos assim?

SCULLY: - ...

MULDER: - Vergonha, sabia?

SCULLY: - ...

MULDER: - Scully, somos muito tímidos um com o outro. Se não levamos pro lado da brincadeira, nada rola, já percebeu? Não dá pra ser sério, Scully. São anos de amizade e de repente... Nada vai mudar de repente. Tem sempre que ter uma abelha, um telefone tocando, alguém batendo na porta. Porque se nada atrapalha, a gente se atrapalha!

SCULLY: - ... (SUSPIRA) Por que é tão difícil, Mulder?

MULDER: - Pra mim é difícil porque... Porque é a Scully, entende? Quando me lembro de nós dois há algum tempo atrás, fico com vergonha de estar assim, desse jeito, com você.

SCULLY: - ... Idem.

MULDER: - ...

SCULLY: - ...

MULDER: - ...

SCULLY: - Mulder, será que vai levar tempo pra superar isso?

MULDER: - Mais sete anos?

SCULLY: - Não! Não quero enlouquecer!

MULDER: - (RINDO)

SCULLY: - Perdi o clima.

MULDER: - Vou tentar achá-lo pra você. Não caiu debaixo da cama?

SCULLY: - Mulder, é sério! Pára!

MULDER: - Vou tentar ser sério. Já fiz isso uma vez. Posso fazer de novo.

SCULLY: - O problema todo é que nos vemos ainda como amigos.

MULDER: - ...

SCULLY: - O que está pensando?

MULDER: - Que tem algo errado aqui. Eu vejo você como amiga há muito tempo e mesmo assim, tinha idéias assustadoras com você.

SCULLY: - Eu também tinha ‘sonhos avassaladores’ com você.

MULDER: - Então, agora que estamos juntos, não podemos realizar esses sonhos?

SCULLY: - Sonhos eram sonhos, Mulder. A realidade é mais assustadora.

MULDER: - (PÂNICO) O que é assustador?

SCULLY: - Você e eu juntos... Ah, sei lá, Mulder. Ainda é estranho.

MULDER: - Eu... eu esqueci nosso aniversário.

SCULLY: - E daí? Eu esqueci também!

Os dois riem.

SCULLY: - Mulder, não me importa o dia, o mês e o ano que resolvemos cometer essa loucura. O que me importa é que estamos juntos. Podemos comemorar isso qualquer dia, mês e ano. Basta querer.

Mulder sobe no corpo dela.

MULDER: - Diz pra mim de que nuvem você caiu. Fala, vai.

SCULLY: - (RINDO)

MULDER: - Ah, fala. Scully, não é justo me esconder a verdade. Não quero abrir outra pasta com o seu nome...

SCULLY: - ...

MULDER: - Vou mandar flores pra Meg e agradecer o presente.

SCULLY: - Mulder, não vai falar sobre nós pra ela!

MULDER: - E quando vai falar, Scully?

SCULLY: - Quando eu achar que devo falar.

MULDER: - Mas faz um ano que estamos juntos! Vai falar nas nossas bodas de prata?

SCULLY: - Não vou me casar com você. Não sou louca.

MULDER: - Tá, eu também não quero casar com você. Sou louco mas nem tanto.

SCULLY: - ...

MULDER: - ...

SCULLY: - Por que não se casaria comigo?

MULDER: - Porque as pessoas que conheço que se casaram foram infelizes e tiveram um divórcio feio. Parece que rituais e papéis trazem má sorte.

SCULLY: - ... É, talvez. Mas eu queria me casar um dia.

MULDER: - Sério? Com aquela besteira de Igreja e vestido branco? Isso é pecado, Scully!

SCULLY: - Não, não desse jeito. Queria me casar de um jeito diferente. Quando era adolescente sempre pensava em fugir de casa e me casar escondido.

MULDER: - Vou me lembrar disso.

Os dois ficam em silêncio olhando um nos olhos do outro.

SCULLY: - Mulder, o clima está voltando.

MULDER: - Então fica quieta, Scully. Não fala nada.


FBI – Sala de reuniões - 9:17 A.M.

Skinner está na sala de reuniões. Kersh e outros diretores-assistentes também. Mulder, carregando uma caixa de papelão invade a sala, seguido por Scully e por vários agentes federais. Mulder atira a caixa sobre a mesa, num ar de vitória.

KERSH: - O que está acontecendo por aqui?

DIRETOR #1: - Como ousam invadir uma reunião?

Mulder abre a caixa. Retira um tubo de ensaio, com uma abelha dentro. Coloca sobre a mesa. Outro tubo de ensaio, contendo um chip de metal. Skinner olha assustado pra Mulder e suspira. Mulder tira uma pasta de papel e joga sobre a mesa.

DIRETOR #2: - Mas o que significa isso?

MULDER: - Provas. Aí estão as provas que precisam.

Burburinho geral.

SKINNER: - Agente Mulder...

MULDER: - E tem mais. Tem alguém aqui que vai falar. Não por métodos tradicionais, mas ele vai falar.

Mulder abre a porta. Krycek entra algemado, surrado, sendo carregado por dois agentes. Mulder olha vitorioso pra eles.

Fade out.

TO BE CONTINUED...


25/03/2000

12 июня 2019 г. 8:54:28 0 Отчет Добавить 0
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Об авторе

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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