Para quem procura alguma felicidade Подписаться

anneliberton Anne Liberton

Oito anos depois da Batalha de Hogwarts, a vida de Harry finalmente entrou nos trilhos, ou assim deveria ser. Infeliz com o trabalho, sem ninguém ao seu lado e sem um objetivo, ele se pergunta onde foi que errou com a própria vida. Os personagens não me pertencem, mas a J.K. Rowling, autora da série "Harry Potter"


Фанфик Книги Всех возростов. © Os personagens não me pertencem, mas a J.K. Rowling, autora da série "Harry Potter". A imagem da capa pertence a silvereld

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1 — Não tome decisões quando estiver triste

Não foi até se ver sozinho em sua sala na sede dos aurores que Harry percebeu que havia algo muito, muito errado com sua vida. Era uma sexta-feira, o horário do expediente passara fazia eras e não era como se tivesse de fato algum trabalho pesado a se realizar ali desde que... bom, desde que ele derrotara Voldemort. Conseguira se tornar um auror, tinha uma posição boa no Departamento de Execução das Leis da Magia, liderava a área de investigação — não que houvesse muito o que investigar, mas aí entramos num loop — e, ao que tudo indicava, logo se tornaria chefe do departamento.

Era de se pensar que isso o faria feliz.

Hermione insistia que ele precisava dar um jeito na vida amorosa, mas, depois do divórcio, ele não tinha muita certeza se esse era o caminho. Estava ali outra decepção, outro erro grave de trajetória, um que Harry não fazia ideia de como cometera. Ginny Weasley. Os anos com ela haviam sido ótimos, claro, pelo menos a maioria, ou assim ele gostava de lembrar... Se alguém perguntasse onde tudo começara a desmoronar, ele poderia apontar tanto para um espelho quanto para ela, que daria na mesma. A verdade era que não sabia. Talvez desde o começo os dois estivessem fadados ao fracasso, e sua ânsia por um pouco de normalidade em seu oceano de bizarrices o tivesse impedido de enxergar. O menino que sobreviveu não poderia simplesmente namorar, se casar, ter filhos, arrumar um emprego formal e seguir a vida como se nada jamais tivesse acontecido. O equilíbrio do universo se quebraria ou coisa assim.

Ele suspirou. Estava sendo paranoico já.

Arrumando os óculos, pensou no que poderia fazer naquela noite que não fosse ir para casa jantar sozinho ou continuar preenchendo relatórios desnecessários para evitar o primeiro cenário. Não ajudava o fato de seus amigos todos terem famílias completas e felizes e ele ser o único esquisitão sobrando. Mione o aceitaria numa boa para um jantar, umas doses de whiskey de fogo e um pouco de conversa à toa, porém as coisas com Ron ainda estavam meio... E pensar que sua relação com Ginny permanecia amigável... Aliás, ela era outra que poderia acompanhá-lo numa sexta despretensiosa regada à bebida e autopiedade. Bastava contatá-la e...

Não, chamar a ex para algo assim era bizarro demais até para ele. Só de pensar que poderia passar a mensagem errada com o convite fazia sua cicatriz doer de novo.

Irritado, Harry se levantou, largando a pena de qualquer jeito na mesa. Já tinha vinte e cinco anos na cara. Podia muito bem beber e se lamentar sozinho.




Claro que a parte do “sozinho” era só uma ilusão sua. Com o passar dos anos, as atenções foram rareando, mas Harry suspeitava que, uma vez que se participava de algo como a Batalha de Hogwarts e se tinha um histórico como o dele, no mundo bruxo, seria impossível passar despercebido onde quer que fosse. Apertara algumas mãos, distribuíra alguns sorrisos, fizera comentários genéricos. Já esboçara até uma lista de coisas para dizer quando era abordado assim aleatoriamente, só para não ter que quebrar a cabeça pensando, um estresse a menos.

— É graças a você que agora podemos viver em paz — a última mulher lhe disse, parecendo emocionada de verdade. — Muito obrigada.

Deixou que ela o abraçasse e a observou voltar para a mesa em que dividia alguns petiscos com as amigas. Todas o encararam e cochicharam, animadas. Harry tomou mais um gole de seu uísque de fogo, imaginando quanto tempo aquela paz duraria e se as pessoas ainda lhe seriam gratas quando acontecesse.

Em alguns aspectos, os bruxos não eram assim tão diferentes dos trouxas, embora ele já tivesse querido muito acreditar o contrário, talvez por conta de sua infância conturbada. Se havia magia à disposição, como podiam existir problemas, certo? Pobreza? Sofrimento? Na mente de uma criança, essas coisas não faziam sentido. Certos questionamentos ainda o assombravam e, mesmo se considerando um membro pleno da sociedade bruxa àquela altura, ele não conseguia entender. O amor, por exemplo. A forma como os bruxos amavam não parecia de todo diferente da dos trouxas, o que era meio decepcionante. Se era possível perverter sua existência a ponto de fragmentar sua alma e prendê-la em outros seres e objetos, por que não formar um laço profundo com alguém, que transcendesse tempo e espaço, ou ao menos algo que destacasse aquele sentimento da maneira como o mundo sem magia estava acostumado a vê-lo?

A bem da verdade, Harry se sentia bastante pessimista com o amor depois do divórcio. Hermione estava certa (para variar). Mas não se achava louco por querer algo mais de seus relacionamentos do que tivera até então. Seu medo era só estar à procura de uma coisa que não existia, porque aí a frustração seria certa, e já havia muito disso em seu dia a dia, obrigado.

Remexendo o restinho de líquido no copo, ele se perguntava se cometera um erro se separando de Ginny, embora achasse que não. Quem sabe a resposta estivesse mais longe, alguns anos antes, e ele não percebera. Cho? Não, nem tinha cabimento... Parvati? Harry quase riu. Sequer se lembrava dela no Baile de Inverno, e eles tinham ido juntos. O que era curioso, porque ele se lembrava vividamente de Hermione, de Ron e suas roupas trágicas, até de Draco Malfoy e Pansy Parkinson dançando pelo salão.

A imagem de Malfoy reavivou outras lembranças. Dentre as pessoas que ele nunca mais vira desde os acontecimentos em Hogwarts, estava seu antigo... inimigo, por assim dizer. Ouvira falar sobre o que Lucius fizera pouco depois da batalha. O estigma de Comensais da Morte, ainda que eles tivessem se arrependido e temido pela própria vida, não era algo que as pessoas esquecessem e perdoassem com facilidade. Até onde ele sabia, Narcissa Malfoy deixara o Reino Unido e morava atualmente na França ou na Alemanha. Quanto ao próprio Draco, segundo Hermione — aliás, precisava perguntar como ela ficava a par de tanta coisa trabalhando no Ministério e cuidando de uma família —, continuava solteiro e esbanjando a fortuna da família por aí, sem qualquer preocupação ou consequência.

Difícil não se aborrecer ao pensar nele, até porque Harry o fazia desde criança, porém, em vez de se prender a isso, sua mente voou para outros cantos, que há muito ele não visitava. Numa noite aleatória, anos antes, um elfo doméstico invadira seu quarto para alertá-lo de que ele não deveria voltar a Hogwarts. Conhecia o grande Harry Potter e o quão bom ele era, e queria protegê-lo. Depois de descobrir que Dobby servia à casa dos Malfoy, Harry sempre encucara com onde ele ouvira aquele discurso. Quem naquele local tão envenenado por Voldemort falara bem de sua pessoa? Só havia um que o conhecesse de perto aos doze anos, no entanto, nunca reunira coragem para tocar no assunto. Parte de si temia a resposta também.

Ele riu, finalizando o drink e pedindo mais um ao barman. O auge de sua noite reviver antigos questionamentos sobre Draco Malfoy...

Pousou o copo para receber a nova dose quando um homem se aproximou, recém-chegado ao bar.

— O de sempre, Marty.

— É pra já, senhor Malfoy.

Harry arregalou os olhos, sem acreditar nos ouvidos até vislumbrar um homem loiro, alto e de olhos cinzentos, todo de preto, a meio metro de si.

Ele não mudara nada.

Piscou algumas vezes, imaginando se bebera demais, mas aquele era seu segundo copo, e ele não era tão sensível assim. Malfoy, por sua vez, não o notou num primeiro momento, já um pouco alterado. Viera de outro bar, uma festa, enfim, já consumira álcool antes de aparecer ali; porém, fosse o rancor guardado ao longo dos anos, fosse o combo de óculos e cicatriz, reconhecível por qualquer um a quilômetros de distância, ele logo franziu a testa.

— Potter? É você?

Sua garrafa de hidromel chegou, com uma taça, e Malfoy agarrou os dois sem pestanejar.

— Só o que me faltava era o Rabete ficar mal frequentado também...

Harry lhe assistiu se afastar e sentar numa mesa sem conseguir proferir sequer uma palavra, de tão estupefato que estava. Considerou se poderia haver algum feitiço em voga, no entanto, a julgar pela maneira como Malfoy caminhara até seu destino, ele seria incapaz de limpar a lama de seus próprios sapatos sem provocar algum acidente.

— Ele vem muito aqui? — indagou ao barman, Marty, quando encontrou a voz. Identificou o brasão do local acima da estante principal de bebidas. Não reparara no nome antes de entrar: Rabete de Dragão.

— O senhor Malfoy? É um dos meus clientes mais fiéis. Tem dia que o difícil é tirar ele daqui... Mas eu entendo. Depois de... — Inclinou-se, e Harry pensou que ele fosse contar algum segredo. — Você-Sabe-Quem desaparecer, teve muita gente que não conseguiu se adaptar. Não estou reclamando, ainda mais com o senhor, longe de mim!

— Não tem problema...

— É só que muitos passaram por maus bocados na mão dele. Você ouviu falar do Lucius Malfoy, não é?

— Sim, do suicídio.

— Pois é. E ele não foi o único. É complicado a família se recuperar depois de uma coisa dessas. Teve gente que foi torturada também, gente presa.... Os anos passam e cada um tenta fazer o melhor que pode, mas acho que nem todo mundo consegue. Eu mesmo às vezes nem acredito que... ele finalmente se foi.

— Nem eu.

— E você estava lá.

De soslaio, Harry encarou uma cabeça loira inclinada sobre a mesa. Não conseguia ver o rosto dele daquele ângulo, decerto porque Malfoy tampouco queria ver o seu. Impossível se aborrecer com ele agora. Sabia, porém, que ele o odiaria se sequer imaginasse a pena que Harry sentia naquele momento. Sem ninguém em sua vida, a mãe longe, sem trabalho, ao que parecia... Não tinha certeza de por onde andavam os antigos amigos dele, Pansy, Goyle...

Quando deu por si, Harry passara a se entreter observando Malfoy ao longo da noite. Pediu petiscos para forrar o estômago, água e pôs-se a analisar cada movimento dele. Por vezes, ponderou se deveria pegar uma garrafa de hidromel, que ao que tudo indicava, era a favorita dele, se sentar e arrumar uma companhia para a noite, mas nenhum dos cenários fictícios que imaginara terminavam bem. Malfoy simplesmente ficava ali, sozinho, contemplando o nada ou só virando taça atrás de taça. Ele não comia, fora uns amendoins que Marty levara por conta própria em determinado momento. Não falou com ninguém, quase não foi ao banheiro — e Harry temia fortemente que ele deixasse o bar durante as duas vezes em que teve de ir —, não fez nada além de beber.

À medida que o relógio avançava, Harry começava a se preocupar. Bruxos eram tão suscetíveis a comas alcoólicos quanto trouxas. Alguns, dependendo do que você bebia, tinham até consequências piores.

— Acho que hoje vai ser um dos dias difíceis — Marty comentou, indicando Malfoy com o queixo.

Ele já deitava na mesa, abraçando a garrafa com uma mão e quase derrubando a taça com a outra. Os olhos entreabertos, ficava no ar a dúvida se estava consciente ou não.

— O que é que você faz nesses casos? — perguntou Harry. — Ele não vai conseguir desaparatar para lugar nenhum...

— Não, claro que não. Coloco num Noitebus e despacho de volta para casa. Eles param numa quadra bem perto.

— E o motorista leva ele para casa?

— O motorista nunca desce — Marty ergueu uma sobrancelha. — Imagino que ele deva ficar na porta mesmo, ou algum empregado aparece para trazer ele para dentro. Na verdade, não faço ideia. Também nunca perguntei.

— Mas não é perigoso? — Harry encarou o bêbado à distância. Ele nem se movia. — E se ele passar mal, vomitar?

— Se é perigoso, ele nunca reclamou. — Deu de ombros. — Não é meu trabalho ficar de babá de homem adulto, senhor Potter. Tenho certeza de que o senhor Malfoy sabe disso também. E a sua conta, posso fechar?

Com os olhos ainda presos nele, Harry assentiu.

Pensou nos últimos meses, em seu trabalho entediante, que ele tanto sonhara que fosse diferente. Pensou em Ginny e nos pedaços de seu casamento, na frieza de Rony agora que partira o coração da irmã dele, em Hermione, que tanto o apoiava, apesar do pouco tempo de que dispunha para se verem e conversarem. Pensou em sua falta de perspectiva, na solidão, na vontade de se sentar à mesa da pessoa que durante tanto tempo fora um de seus maiores inimigos na escola, um garoto mesquinho, preconceituoso e maligno, que agora se reduzia a um bêbado, possivelmente alcoólatra, que estava tão só e sem perspectiva quanto ele.

— Quer saber, Marty — murmurou, e teve a impressão de que queria fazer aquilo desde o começo. — Deixa que essa noite eu cuido do Malfoy.

11 июня 2019 г. 0:26:22 6 Отчет Добавить 11
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Dunew/ ina Dunew/ ina
OH MEU DEUS EU TÔ NERVOSAAAAAAAA CORRENDO PRO PRÓXIMO CAPÍTULO <33

  • Anne Liberton Anne Liberton
    Vai dar tudo certo kkk ♥ socorro 8 июля 2019 г. 22:41:05
Raylanny Alves Raylanny Alves
EU TO TÃO ANIMADA COM ESSA DRARRY AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA VAI LA POTTER, CUIDA DO MALFOY DIREITINHO!

  • Anne Liberton Anne Liberton
    Espero que cê goste do resto auhahua Obrigada por ler ♥ 18 июня 2019 г. 0:13:12
July Thereza July Thereza
Oie!! Que saudade imensa de ler algo seu... E olha com o que me deparo? Uma Drarry, tem noção do quão delicioso é isso? Escrita impecável e que nos cativa como sempre. Feliz por estar aqui e não vejo a hora da continuação, lá vou eu me prender em algo de novo. Besos e quesos, da Jules ♥

  • Anne Liberton Anne Liberton
    Oi, Jules! Que saudade de você! Eu não tinha ideia de que drarry era popular assim, ou teria feito uma mais cedo na vida kkk e uma hsitória melhor pra postar aqui kkk obrigada por ler ♥ espero que goste ♥ 11 июня 2019 г. 20:09:02
~

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