Adventícia Подписаться

zackyuchiha Zacky U.

Forasteira em terras estranhas e dona de um amor forte e inesperado, Hinata não poderia tatuar outra palavra que mais a definisse... “Adventícia".


Фанфик Аниме/Манга 18+. © Todos os direitos reservados

#258 #fuffly #clichê #hot #naruto #nejihina #neji #hinata #hentai #Hyuugacest
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Capítulo 01

Hinata notava seu punho fechado tremendo, erguido, segundos antes de bater na porta.


Ouvir seu nome sendo citado na conversa dentro da sala a deixou em alerta na primeira reação, mas o teor da conversa, bem como o seu desenrolar, foi o responsável por estagná-la e banhar seu rosto, lentamente, em lágrimas.


Na outra mão segurava os papéis que confirmavam a notícia que queria dar pessoalmente a Hiashi: havia passado em primeiro lugar nas fases classificatórias sendo a mais nova a já participar, com apenas doze anos.


Queria deixá-lo orgulhoso.


— Tem certeza disso? – Kurenai Yuhi, uma das executivas da empresa, bem como o braço direito dele, sentiu empatia pela garota. O pai não demonstrava emoção alguma ao referir-se a filha. Na verdade, ao desfazer-se dela.


— E quando eu não tenho certeza do que digo? – Hiashi olhou severo em sua direção. - Hanabi mesmo cinco anos mais jovem demonstra uma personalidade mais feroz que Hinata, é necessário pensar nos negócios, não precisamos de uma herdeira como ela. Se os deuses não me abençoaram com um garoto, então eu a darei para eles como oferta para servidão.


Kurenai engoliu em seco e cerrou os punhos escondidos por baixo da mesa requintada. Por experiência própria sabia que chegou onde estava por trabalhar o dobro de uma pessoa normal. Inúmeros eram os sacrifícios pessoais que teve que fazer ao longo de sua jornada, alguns que lhe causaram marcas e dores irreversíveis.


Mas Hinata? Ela não teria sequer essa chance de lutar. De fora, para a plateia, a atitude de Hiashi pareceria honrosa: disponibilizar a primogênita para viver todos os seus dias prestando serviços e adoração em um dos templos de Buda.


Poético.


Entretanto, umas das habilidades da executiva, a que lhe fez ganhar a atenção do Presidente das cooperativas e líder da família Hyuuga, era exatamente essa: enxergar por trás de qualquer ilusão ou manipulação que pudesse camuflar a realidade nua e crua. Bem como criá-las de forma imperceptível, possuía uma mente deveras aguçada.


Já salvou a empresa de armadilhas inúmeras vezes e da mesma forma capturou várias vítimas para Hiashi e suas burocracias contratuais. Foram muitos lucros associados a si. Conquistou seu poder e respeito com árduo trabalho e talento natural.


Com isso, ela não precisava ouvir todo o plano por trás das palavras do chefe. Hinata até poderia servir com dignidade no monastério, mas sua existência se resumiria a uma vida de submissão até mesmo a um jovem noviço. Não haveria hierarquia para ela, por ser mulher, jamais conseguiria conquistar nada ali.


Infelizmente, na visão dos religiosos - Kurenai em seu íntimo considerava-se agnóstica, mas para evitar oposições aceitava a condição de uma das crenças que ali predominavam: o Budismo. - o corpo feminino é um dos obstáculos do homem em sua busca do Nirvana. Uma tentação repreensível que necessita ser podada e controlada constantemente.


— Hinata está seguindo o cronograma escolar de uma adolescente normal. – Folheou algumas páginas sem pressa, Hiashi mantinha relatórios sobre as atividades e desempenho das filhas com severidade. – Se o Senhor não quiser nem que termine o fundamental, terei que mexer uns pauzinhos e cancelar inúmeras inscrições que ela fez para competir em provas estaduais.


Deixou os papéis em cima da mesa e montou o melhor desempenho que podia naquela situação:


— Tem alguma ideia do que diremos aos jornalistas? Esses jogos escolares acabaram ganhando destaque com o sobrenome dela envolvido e uma Hyuuga abrindo mão de rivalizar com outras famílias famosas iria...


— Não. - Hiashi a cortou contrariado, levando uma mão ao queixo e pensando em uma saída. Bingo. Foi tudo que Kurenai pensou. – Se a notícia já se espalhou não quero qualquer interpretação errada da história.


Um dos maiores orgulhos de Hiashi, o que Kurenai considerava também a sua maior fraqueza, era o pavor de ter seu sangue associado à fraqueza.


— Ela é inteligente, tem condições de se sair bem nesses exames, vamos aguardar o seu retorno para agir. Deixe tudo pronto. – Ele concluiu.


Para não entregar seus sentimentos, Kurenai concordou com um ar de admiração. Precisava que Hiashi acreditasse que tudo foi ideia dele. “Desculpe, Hinata”. Pensou a mulher derrotada, mas ao mesmo tempo feliz com sua pequena vitória:


“Tudo que posso lhe conseguir, é tempo.”


***


— Mas alguma coisa vai mudar? - Lee perguntou. Ele sempre falava demais e especulava sobre tudo. Do grupo ele era o típico tagarela.


— Eu não sei, Lee. - Neji suspirou. - Meu pai me intimou, não exatamente com essas palavras, mas tendo o mesmo significado, que vou ter que tomar de conta dela. Então talvez eu seja obrigado a ficar antissocial por um tempo. Pelo menos até ela se virar sozinha e eu poder voltar a cuidar da minha vida.


— Talvez ela ande com a gente, ela não é legal? - TenTen se entrosou no assunto. Estavam caminhando pelo Campus de Massachusetts Institute of Technology, indo em direção a uma aula porreta de mecânica dos solos.


— Eu não sei gente. - Neji segurava ao máximo às novidades em sua vida para não ter que contar aos amigos, porque simplesmente odiava ser bombardeado de perguntas. Mas sua prima chegava na semana que vem e era melhor os curiosos lhe encherem a paciência sem ela por perto pra escutar - A última vez que vi ela éramos crianças, era mimada, estranha, chorona e sempre se escondia na barra do Kimono da mãe.


— E você acha que ela continua assim? Qual é. Sem contar que olha sua família, ela deve parecer uma princesa da Disney. – Com um leve deboche em seu tom, Tenten achava meio improvável a garota ser exatamente como Neji se lembrava, as pessoas mudam.


— Você não conhece o outro lado da minha família, se ela foi criada com eles, realmente deve se achar a própria rainha Elizabeth. Eles são muito tradicionais e, mesmo meu pai se dando muito bem com meu tio, são só eles. O resto da família nem mantém contato. - Neji explicou.


Achava muito difícil Hinata ser uma exceção à regra. Teve que conhecer a irmã, Hanabi, que veio visitar os Estados Unidos nas férias e queria poder ser cego e surdo por todo o tempo que a patricinha havia passado lhe aporrinhando o juízo.


— Eu acho errado julgar as pessoas sem conhecê-las. - Lee nasceu para ser diplomata. O que ele fazia estudando Engenharia Civil mesmo?! Neji bufou, já esperava aquele tipo de reação moralista do amigo.


— Vocês verão com seus próprios olhos. - O Hyuuga disse sem se abalar.


Uma fruta não cai muito longe da árvore. Neji não precisava conhecer Hinata atualmente para saber que não ia querer, de jeito algum, que a prima se misturasse com a sua galera.


Ele tinha certeza que iria querer manter distância.


***


Hinata sorriu como uma idiota quando leu sua colocação no site da faculdade na qual havia se inscrito. Ela não via apenas a aprovação de um curso, via sua carta de alforria. Foi uma luta convencer o pai a deixá-la fazer faculdade fora.


A garota teve que ser esperta e jogar com as cartas que tinha, sabia que a única pessoa que Hiashi confiaria à filha mais velha seria o irmão gêmeo, Hizashi.


Por sorte o tio, que não via desde a infância, havia se mudado para onde o filho escolheu fazer faculdade, que por ser a melhor universidade de engenharia do mundo dava a Hinata um trunfo que o patriarca Hyuuga consideraria: o status.


Como qualquer Hyuuga, Hinata tinha um talento nato para exatas. Sabia que no começo o pai achou que a aptidão de Hanabi para o empreendedorismo seria o futuro garantido para a próxima geração da família.


Entretanto, quando Hinata passou a vencer olimpíadas ao ponto de representar o país em competições internacionais e alavancar seu sobrenome no Japão como nunca antes, Hiashi soube que foi abençoado pelos deuses com duas filhas prodígios.


Não que Hinata não amasse o pai ou não reconhecesse tudo que ele fazia, ou já havia feito, por ela. Mas era... Sufocante.


Cresceu sentindo suas asas serem podadas dia após dia. Sempre engolindo seu real posicionamento, sempre concordando, sempre seguindo as tradições. Tinha dezoito anos e nunca se quer levou um porre na vida! Não que quisesse beber e encher a cara, mas pelo menos queria ter certeza que não o fazia por escolha própria e não porque o pai não saía de sua cola.


Ele até havia contratado uma nutricionista desde cedo para manter a aparência da herdeira Hyuuga como: digna de inveja. Hinata não queria fazer inveja em ninguém, queria comer um hambúrguer e saber qual o gosto de batata frita com cheddar e bacon. O colégio militar na qual estudava era rigoroso com a alimentação e todo lugar que ela frequentava tinha a supervisão possessiva do Pai.


Era... Sufocante!


Então Hinata ligou para o tio, que até estranhou a chamada, afinal, só se falavam em datas comemorativas, ao contrário do pai que falava com ele praticamente todos os dias. Na ligação ela pediu tímida e gaguejando que ele conversasse com o irmão e a ajudasse. Hinata já havia enviado suas notas e existia um programa que lhe permitiria fazer a prova na capital de Tóquio.


Se passasse – e passaria- a única coisa que faltava era a aprovação do progenitor autoritário. Hizashi convenceu o irmão como quem tira doce de criança, Hinata nunca entenderia aquela relação entre pessoas tão opostas, mas, se deu certo, era tudo que importava.


— Aguardo suas notas ao final de todo semestre. - Não era por ter as feições indiferentes que Hiashi não sentiu o peito apertar quando se despediu da filha primogênita no aeroporto.


A mãe havia partido com problemas pós-parto após o nascimento de Hanabi e fez uma promessa a ela de que cuidaria das suas meninas. E, no entendimento do mais velho, fazer as filhas serem as melhores em tudo cumpria a promessa com excelência. - Não deixe que subestimem seu sangue ou seu sobrenome!


— Sim Otoussan, prometo dar o meu melhor. - Hinata abraçou o pai carinhosamente, já acostumada com a rigidez dele e a falta de naturalidade em gestos afetivos, mas como se tratava de uma despedida sabia que não se oporia.


Depois se virou em direção à irmã caçula.


— Se cuida, Imouto - Abraçou Hanabi sendo recebida de forma mais entusiasmada.


— Droga, quem vai me dar cobertura de agora em diante? - Hinata riu discreta com o sussurro da outra em seu ouvido.


— Fico comovida em ver que sentirá muito a minha falta. - Respondeu de volta, ouvindo-a suspirar.


— Você sabe que eu te amo. Por favor, esteja cheia de amigos americanos gostosos quando eu for te visitar!


— Hanabi! - Hinata a repreendeu, arregalando os olhos e virando-se para o pai, que por sorte conversava com um dos funcionários da companhia aérea, se certificando pela centésima vez que não teria que fechar a empresa e processar cada infeliz que trabalhasse ali caso algo acontecesse com sua garotinha.


No começo, Hinata achou que ganhar o afeto do pai lhe traria paz interior, ser amada e reconhecida lhe parecia o conceito perfeito de felicidade. Porém, aqui estava ela... Fugindo.


— Aí você é tão careta, espero que a América mude isso em você! SE SOLTA! - Hinata suspirou com o repetido discurso descolado da mais nova.


Hanabi assistia muita série de TV.


— Nos falaremos todos os dias. - Acenou para irmã que, apesar da postura altiva, tinha lágrimas nos olhos, assim como Hinata, só que esta as deixava escapar.


A inocência do momento sentimental foi totalmente abalada e todo o rosto de Hinata ficou vermelho feito um pimentão quando ela leu os lábios do último conselho de Hanabi:


“Faça sexo."


Colocou uma mão sobre o rosto constrangida e riu em descrença. Para quem aquela garota havia puxado?


***


A América era barulhenta. Foi à primeira informação que Hinata constatou. Todos não paravam de conversar nem por um segundo. O toque dos telefones, no aeroporto, por exemplo, era ensurdecedor.


Por mais que não visse o tio há muito tempo, ele era idêntico ao seu pai. Olhos tradicionalmente violetas, como duas pérolas, cabelos escuros e pele clara. Isso até lhe causou uma ansiedade estranha.


Contudo, seu olhar perspicaz logo se agarrou às sutis diferenças entre os dois, como a pele levemente mais bronzeada, algumas marcas discretas de expressões e o corte de cabelo moderno, o que não era tão sutil assim já que o pai usava longo e preso em rabo de cabelo.


Reparar nesses detalhes acabou lhe tranquilizando por fim. Hiashi havia, de fato, ficado para trás.


— Hizashi-sama. - Hinata curvou-se assim que se aproximou, com respeito.


— Não estamos mais no Japão, sobrinha. Pode tratar de se livrar desses traços antiquados. - Ela arregalou os olhos em espanto quando o tio a puxou para um abraço apertado e caloroso, um que ela sempre sonhou em dar no pai, que mais parecia uma pedra de gelo.


Apesar da surpresa, apreciou o contato, assim como o fato de parecer ser sincero e acolhedor. - Como foi o voo? - Ele perguntou curioso, já puxando as malas de suas mãos e as carregando para fora dali. Hinata perguntou-se onde estaria o motorista dele ou alguém para fazer aquilo.


— Foi bem tranquilo - Respondeu de forma tímida. As mãos suavam pela novidade e pelo ambiente no qual não estava acostumada. E se passasse vergonha? E se não gostassem dela?


— Fico feliz com isso. Está com fome? Quer passear? Ou prefere descansar hoje? Você terá muitos anos para explorar, não se sinta pressionada, nada sairá correndo. - A cabeça de Hinata rodava com tantas possibilidades. Ninguém nunca a havia lhe enchido de perguntas daquele jeito antes.


Não tinha o costume de ter sua vontade requisitada, e mais, os orbes do tio fitavam-na de um jeito sério e alegre. Hizashi não estava brincando, Hinata realmente não se encontrava mais no Japão, ele a levaria aonde ela quisesse ir só pelo simples e singelo fato dela querer isso.


Os olhos claros encheram-se de lágrimas e Hinata se beliscaria caso não achasse que o gesto lhe deixaria ainda mais infantil do que prantear em público. Ótimo, agora o tio acharia que ela era uma boneca feita de porcelana que poderia se partir a qualquer momento.


Entretanto, para sua surpresa, Hizashi lhe deu um sorriso cúmplice que até a fez se esquecer de que estava chorando. Ele piscou o olho direito antes de falar:


— Eu tive a mesma reação quando sai de debaixo da asa do seu avô. Fico feliz que tenha me ligado e confiado em mim Hinata, mesmo sabendo que foi por falta de opções.


Nessa hora ela desviou o rosto tímida, colocando uma mecha do cabelo azulado atrás da orelha porque ... Bem, era verdade. Estava desesperada quando ligou. - Com o tempo, espero que veja em mim bem mais do que um tio que liga em datas importantes. – E, ele parecia sincero ao dizer aquilo.


Hizashi havia se casado com uma americana, Rosalie, que buzinava como louca na porta do aeroporto. Ela abriu a porta do passageiro, de dentro do carro, como se tivesse pegando os comparsas que acabaram de assaltar um banco.


— Rápido! Se o babaca da minivan vermelha buzinar pra mim só mais uma vez eu juro que...


— Querida... - Hizashi apontou para a sobrinha com a cabeça, como se pedisse modos. O sorriso de Rosalie foi enorme e Hinata perguntava-se de onde vinha tudo aquilo.


Era como se ela tivesse saído da terra de robôs e entrado na de humanos! Demoraria a se acostumar com toda aquela energia americana e como o tio não pulou dentro do carro apressado, seguindo as orientações da tia, Hinata não sabia o que fazer com a adrenalina que as palavras ferozes da mais velha haviam causado em si.


— É um prazer, Rosalie-Sama. – Por fim, mesmo agitada por dentro, manteve-se parada e fez a mesma curvatura de cumprimento para ela. Hizashi colocava as malas no bagageiro enquanto isso.


— Ora criança, não precisa dessa formalidade! Assim vou me ofender! - E Hinata, no mesmo instante, endireitou a postura com os olhos mais abertos que o normal. Não havia pisado nem trinta minutos nos EUA e já estava ofendendo alguém?


— D-dee-esculpe...


— É brincadeira! - A tia balançou a cabeça em negativa. - Vai ter que se soltar mais!


Ah pronto, Hinata já havia encontrado a substituta perfeita para Hanabi. Entraram no carro, um Range Rover Evoque da cor branca, antes que o cara da minivan vermelha desafiasse a sanidade de Rosalie.


— Então, Hinata? - Hizashi perguntou, lhe olhando do banco da frente pelo retrovisor.


— Sim? - A sobrinha parecia ter perdido alguma coisa.


— O que quer fazer? - O tio virou metade do corpo para o banco de trás, a fim de fitá-la diretamente.


— Oh... - Hinata mordeu o lábio inferior como sempre fazia quando tentava reunir coragem para falar o que queria. - Acho que adoraria descansar um pouco, antes de qualquer coisa. - Respondeu. Desejava muito poder tomar um banho e trocar de roupas.


— Sem problema algum! – Falou compreensivo e voltou a sentar-se corretamente.


— Perdoe Neji não estar aqui também. Ele saiu cedo para fazer um trabalho importante da faculdade e achou que daria tempo. - Rosalie mudou de assunto.


— Não há problema algum nisso, Rosalie-sama. Não quero incomodá-los. - As mãos nervosas entrelaçavam-se umas nas outras.


— Não é incômodo algum! Não seja boba, somos família e, quer saber? Tudo bem incomodar um pouquinho! – E, de novo, ela sorriu abertamente, como Hinata descobriria ser corriqueiro.


Ver os tios tão devotos e alegres em lhe receber fez com que Hinata relaxasse mais, mesmo que minimamente. Seria mesmo assim tão importante?


O percurso para a casa foi tranquilo. Sua tia a enchia de perguntas e Hinata teve a impressão de que nunca conversou tanto sobre si mesma em toda sua vida. O nervosismo foi cedendo aos poucos graças a naturalidade e o carinho com que estava sendo tratada, e olha que o relógio marcava apenas uma hora desde que havia pousado.


Aquilo deveria ser um bom sinal, certo?


Chegaram à residência e, uau, era grande! Hinata perguntou-se, devido ao comportamento menos arrogantes dos tios, bem como a falta de um motorista, se eles seriam daqueles que apesar da abundância de recursos gostavam de manter um estilo de vida simples.


O que jamais seria um problema para ela, mas era inevitável que sua mente ficasse alertando e comparando as diferenças entre sua antiga e atual realidade. Talvez demorasse algumas semanas para parar com isso.


Bom, dado ao tamanho do imóvel, chegou à conclusão de que os tios buscavam um equilíbrio. A elegância do lugar era de um jeito diferente da mansão que Hinata morava no Japão. Isso porque sua casa transmitia toda a tradição e as regras da família Hyuuga.


Já ali, na América, as cores e arquitetura eram clássicas, só que com leves detalhes contemporâneos, como os vários vidros refletidos logo no hall de entrada, nas enormes janelas do primeiro e do segundo andar. A cor da pintura era de um pastel médio.


Havia duas longas pilastras que antecediam a porta branca de quase três metros de altura. Atravessaram um jardim discreto com dois belos coqueiros antes de adentraram na casa. O porcelanato, também branco, combinava como toda a decoração delicada em tons neutros que se mesclavam com um azul petróleo em alguns detalhes.


Hinata se viu encantada, achou tudo afável e ficou feliz em pensar que seria seu novo lar pelos próximos anos. Queria dizer que se perdeu mais um pouco nas peculiaridades do ambiente, mas sua atenção foi roubada quando uma figura masculina desceu a passos largos e confiantes a escada de degraus flutuantes fixadas na parede no final da sala.


— Neji! Que horas você chegou? Perdeu a recepção da sua prima! - Hinata escutou Hizashi falando com o filho, mas seus orbes estavam fixos no rosto do garoto que devia ser poucos anos mais velho que si.


Neji era formoso.


E, gostoso.


Hinata não entendeu de onde veio o pensamento ousado e arregalou os olhos. Será que a convivência com Hanabi a havia afetado? De qualquer forma, não entendeu porque aquilo parecia grande coisa na sua cabeça.


Os Hyuugas dispunham de uma genética muito abençoada, então Hinata já estava acostumada com a pele translúcida, contudo, a de Neji era mais bronzeada que a do pai devido aos finais de semana passados na praia com os amigos.


Os olhos possuíam o mesmo tom perolado que os seus, só que com um brilho mais firme, como se escondesse muitos segredos por trás da cor cristalina das íris.


Os cabelos castanhos eram mais claros que o da maioria da família, onde prevalecia o negro azulado. Hinata notou que aquilo ele havia herdado da mãe, que também esbanjava as madeixas na mesma coloração, mas com olhos azuis e a pele rosada.


As feições do primo passavam um ar arrogante, o maxilar lhe dava a impressão de ser uma pessoa rude.


— Acabei de chegar, pai. Só pensei em ir comer alguma coisa. - A voz grave, por alguma razão, fez com que uma corrente elétrica subisse pela espinha de Hinata.


— Adoro quando você tenta soar casual, "saindo para lanchar" - Dona Rosalie fez as aspas com as mãos erguidas, próximo à cabeça. - E volta cinco horas da manhã. Pergunto-me que lanchonete é essa que você vai. Precisava ser do outro lado do País?


A mulher cruzou os braços e levantou uma sobrancelha de forma irônica. Hinata nunca havia saído a noite com os amigos, chegar cinco horas da manhã então era como perguntar se ela acreditava em alienígenas. Apesar de ela acobertar Hanabi, que vivia uma vida dupla.


Neji revirou os olhos para a mãe protetora.


— Eu volto cedo. - Disse passando por ela e lhe depositando um beijo na testa. Neji esbanjava seus 1.80m, então teve que se curvar sobre os 1.60m da mãe, que era quase a altura de Hinata, com um acréscimo de quatro centímetros.


— Eu sei que você volta cedo. – Foi tarde demais para Neji perceber que usou as palavras erradas. – É exatamente isso que me incomoda.


Já Hizashi respirou fundo, derrotado, mas por outros motivos.


— Não está se esquecendo de nada, filho? - Neji virou-se para o pai e só então pareceu reparar na garota ao lado deles. Quando os olhos indiferentes do primo finalmente a capturaram ali, Hinata sentiu o rosto esquentando.


— Boa tarde, Hinata. Seja bem-vinda. - Ela achou ter esquecido como se usa a voz por um instante.


— B-boa T-tarde, Neji-kun. Arigatô. - Hinata abaixou levemente a cabeça, sentindo mais vergonha do que nunca.


A voz dela era suave, meiga, e o timbre denotava sua insegurança. Okay. Neji não esperava por aquilo. Olhou para o pai como quem pergunta "está satisfeito?". Porém o mais velho franziu o cenho de forma ameaçadora. Foi a primeira vez que o tio lembrou o próprio pai, Hinata constatou.


— Gostaria de ir lanchar comigo? - Neji perguntou categórico. Hinata suspirou, entendendo toda a situação que se desenrolava na sua frente.


Era tímida, não burra.


Hizashi deveria ter tido alguma conversa com Neji, no sentindo de ser obrigação dele ser sua babá ou algo neste teor. A preocupação do tio era adorável e notória, tão visível quanto o incomodo de Neji com a sua presença.


— Muito obrigada pelo convite, mas estou cansada da viagem. Gostaria de descansar. - A voz saiu mais firme. Neji franziu o cenho e assentiu com a cabeça. Acenou para os pais, já se retirando.


— Juízo! - Ambos disseram em uníssono.


***


Já instalada no novo quarto, Hinata se deliciou com o banho quente e relaxante que pôde desfrutar sozinha em seu próprio toalete. Não havia desfeito todas as malas ainda, mas decidiu que havia bastante tempo para isso, queria mesmo era conferir seus horários de aulas. Estava atrasada uma semana no conteúdo, o período letivo já havia começado.


Hizashi lhe informou que ela iria e voltaria da universidade com Neji, no carro dele. Uma BMW I8 na cor branca. O tio também lhe passou o número do primo para que ela armazenasse nos contatos do telefone.


Já de pijama, Hinata usou o notebook para entrar no seu portal acadêmico e anotar seus horários e salas, bem como conferir os planejamentos dos professores e montar um cronograma de estudos particular para alcançar a classe e se adiantar nas matérias.


Quando os olhos começaram a pesar era perto da meia noite e ela se levantou para apagar a luz e se acomodar para dormir, teria que acordar cedo amanhã. Com tantas novidades, perguntou-se qual louco não seriam seus sonhos naquela semana que se iniciava.


Com o breu do quarto não demorou muito para as pálpebras se fecharem e, dentre todas as inovações e surpresas, apenas uma se apresentou de maneira preponderante. A figura de um belo rosto masculino, com um par de olhos violetas assombrou Hinata por toda a noite no mundo dos sonhos.


30 мая 2019 г. 20:00:18 3 Отчет Добавить 3
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GD Guaraciara Dias
Não consigo parar de ler!

  • Zacky U. Zacky U.
    Que honra 😍 Fico feliz que esteja gostando ^^ 1 week ago
~

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