Paixônite de metrô | vmin Подписаться

bloominnie Dhebs .

Todas as noites, ao voltar para casa, Park Jimin, um universitário distraído e desastrado, admira em silêncio o jovem de cabelos vermelhos e roupas de grife, Kim Taehyung, por quem nutre um certo sentimento de paixão desde que o viu adentrar o metrô pela primeira vez. Em sua cabeça, Jimin nunca imaginou que pudesse atrair a atenção do Kim, no entanto, ele se vê completamente errado ao que é pego em flagrante ao tentar tirar uma foto de quem era conhecido por si como sua paixonite de metrô.


Фанфик Группы / Singers Всех возростов.

#jitae #bloominnie #fanfic #taehyung #jimin #gay #boyxboy #slash #minv #vmin #bts
Короткий рассказ
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Como (não) ser discreto

Após mais um longo dia, Jimin aguardava pacientemente a chegada do mesmo metrô o qual pegava todos os dias para voltar para casa, carregando um grande sorriso nos lábios — muito embora se sentisse cansado e com as pernas doendo —, afinal, o Park, como o bom otimista que era, se via obrigado a pensar que aquilo não era o pior que poderia enfrentar.

Não negaria: aquelas haviam sido as vinte e quatro horas mais conturbadas de toda a sua infeliz existência. Deveria ter imaginado o que lhe esperava logo que se levantou da cama e viu a forma como o sol lhe sorria, quase que ironicamente, como quem se felicita com o sofrimento alheio. Mas, claro, decidiu ignorar a vozinha em sua cabeça que dizia para que ficasse na cama e foi trabalhar, na intenção de ganhar o seu sustento e acabar não morrendo de fome embaixo da ponte, exatamente como o maldito sistema capitalista o obrigava a fazer.

Jimin trabalhava meio período em um posto de gasolina, no turno da manhã. Entre suas funções estavam: abastecer os automóveis, cuidar do caixa e da conveniência, limpar, sorrir para os clientes e informá-los, de forma extremamente animada — mesmo que estivesse querendo morrer —, sobre a nova promoção que o posto estava oferecendo. Era cansativo por um lado, mas imaginava que se outros jovens universitários desesperados por dinheiro trabalhavam exercendo as mesmas funções que si no turno da tarde e da noite e conseguiam, ele também conseguiria.

Normalmente, era assim que convencia a si mesmo de que podia, e deveria, ficar naquele emprego, no entanto, em dias como aqueles, tudo o que mais queria era abandoná-lo.

Veja bem, ele chegou às sete horas da manhã. Passou um pano pela conveniência e, por puro tédio, organizou os doces em cima do balcão. Em seguida, decidiu que arrumaria os objetos nas prateleiras, como seu patrão havia pedido e achou uma boa ideia começar pelas bebidas alcoólicas, por nenhum motivo em especial. Retirou todos os litros da prateleira e a limpou com cuidado. Quando acabou, voltou a recolocar os litros em seus devidos lugares, um por um, e quando foi colocar o último, um dos whiskys escapou de sua mão e foi ao chão. Whisky este que custava quase oitocentos reais — o que eram quase três quartos do seu salário — e agora se espalhava por todo o piso já limpo do estabelecimento.

Jimin limpou a bagunça e, por um bom tempo, chorou baixinho, em puro desespero. Quando seu patrão chegou, pediu — lê-se implorou — para que ele descontasse o valor do seu salário e não o mandasse embora. Felizmente, ao ver a situação do pobre Park, o dono do lugar disse que estava tudo bem e lhe disse, com um tom não muito alegre, que ele tivesse mais cuidado. O universitário se esforçou para se acalmar e voltou a trabalhar de cabeça erguida, até que seu turno terminou e ele pôde voltar para casa.

Não almoçou naquele dia. Não podia gastar mais dinheiro, visto o que havia acontecido; seu estoque de 'rámen havia acabado e ele não estava com o mínimo de ânimo para cozinhar. Então, apenas se jogou no sofá, mexeu um pouco em suas redes sociais e caiu no sono. Quando acordou, Jimin estava atormentado devido a um pesadelo e sua cabeça estava doendo pela pouca frequência com que cochilava durante a tarde. Não havia como seu dia ficar melhor...

Ainda assim, tomou um banho e confiante de que aquela onda de azar estava próxima de acabar, se arrumou e foi para a faculdade, tendo como incentivo o pensamento de que seria, futuramente, um homem rico e bem sucedido.

Claro que, como o bom azarado e desastrado que era, Jimin tropeçou e caiu logo na entrada do campus, mal conseguiu se concentrar nas aulas e ainda por cima havia tido a belíssima notícia — percebam a ironia — de que o professor havia passado mais um trabalho para dali algumas semanas, do qual ele nem sabia a existência minutos antes.

Agora estava, enfim, voltando para casa, carregando de forma orgulhosa o seu Vademecun Saraiva 25, coberto de post-its coloridos — que tinham a intenção de mostrar o quão bom estudante de direito era — e com aquele sorriso convencido no rosto de quem quer gritar para o mundo um "Isso é tudo o que pode fazer?!". Claro que ele não o faria, afinal, nunca se sabe se alguma divindade está ouvindo, certo?

Cerca de quinze minutos depois, o metrô pelo qual esperava chegou à estação e Jimin pôde enfim adentrá-lo, junto de outras muitas pessoas cansadas, as quais, assim como ele, queriam mais do que tudo chegar em suas casas e descansarem. Encaminhou-se até o seu assento habitual, que de tão usado por si já quase possuía o seu nome — possuía, na verdade, escrito pelo próprio em uma caligrafia desengonçada, mas isso não era importante — e logo sacou o celular do bolso, para reclamar sobre sua vida no Twitter enquanto aguardava até que o transporte começasse a se mover.

Algumas estações depois, destas que Jimin sabia perfeitamente de qual se tratava a última, mais um grupo de pessoas adentrou o ambiente. Entre elas estava o bonito rapaz alto, bem vestido e de cabelos vermelho escarlate, o qual Jimin apelidava carinhosamente de "paixonite de metrô" — até porque, o que é "crush" em um mundo onde o termo "paixonite" existe? Um crush era pouco para dizer o que o Park sentia por ele.

Como em todos os dias, o viu se sentar logo no assento à sua frente, já pegando seu celular — que pelo modelo, Jimin sabia ser caríssimo — e se isolando em sua bolha antissocial, facilitando assim para que o rapaz pudesse observá-lo pelo resto da trajetória sem ser notado.

Antigamente, aquele tempo seria usado pelo Park para que mexesse no celular, como raramente tinha oportunidade de fazer, devido a sua agenda apertada. Porém, o que fez nos minutos seguintes mostrou-se bem diferente disso. Até que o avermelhado descesse em sua estação, Jimin o admirou e decorou todo e qualquer detalhe daquele homem.

Quando se deitou para dormir naquela noite, chegou à conclusão de que, no final, seu dia não havia sido tão ruim assim, porque mais uma vez ele pôde apreciar, por incríveis trinta minutos seguidos, o homem mais lindo do mundo, que tinha orgulho de chamar de sua paixonite de metrô.

Se lembrava perfeitamente de como havia conhecido o rapaz de cabelos vermelhos, há pouco mais de um mês atrás.

Jimin estava cansado, havia sido um dia cheio, a ponto de lhe dar dor de cabeça — nada de novo na vida de um universitário —, e o tempo do trajeto de volta para casa havia sido a sua primeira chance de descansar desde o momento em que havia despertado. Claro, não poderia dormir ali — não seria nem louco de tentar, não queria ser roubado e nem nada do tipo —, então, como sempre, pegou o celular e na tentativa de se sentir mentalmente mais leve, começou a compartilhar no Twitter sobre o quanto sua vida vinha sendo uma droga.

Minutos mais tarde, o Park sentiu seu ombro ser cutucado e viu-se obrigado a abandonar os olhos da tela do aparelho. Já estava preparado para responder de forma mau-humorada e um tanto seca por ter sido tirado de seu momento de paz, quando focalizou a visão no homem mais bonito que já havia tido o prazer de ver em toda a sua vida, sentado ao seu lado, carregando no rosto um semblante perdido de quem não pertencia àquele lugar e obviamente não tinha o costume de pegar o metrô.

— Com licença, essa é a linha dois? Eu preciso chegar na estação perto da Universidade Nacional de Educação de Seul e eu não sei se estou no caminho certo... — perguntou, com os olhos demonstrando um desespero quase que engraçado, acompanhados de um bico nos lábios.

Jimin demorou para processar a pergunta, desconcertado demais para tal. Estava muito ocupado analisando o rosto alheio — percebendo o quão adorável eram as pintinhas espalhadas por ele e como os cílios compridos o deixavam com uma aura inocente e angelical — para dar ouvidos a voz grossa que poderia muito bem pertencer a um ator pornográfico. E, wow, que voz...

Quando se deu conta de que ainda não havia dito nada e que ele ainda aguardava por sua resposta, piscou algumas vezes e soltou um "hum?" em pedido para que o outro repetisse sua fala e, assim, o homem logo o fez. Alguns segundos depois, usados dessa vez para que analisasse a situação, o Park concordou, sem conseguir fazer muito mais do que isso. O outro agradeceu e, após isso, não voltaram a se falar. Não porque Jimin preferisse o Twitter ou não quisesse conversar, e sim porque estava nervoso demais para tentar iniciar um diálogo e acabar com tudo, como sempre fazia devido à sua natureza atrapalhada.

Assim que chegou em casa naquela dia, se deu conta da besteira que havia feito.

E se nunca mais o visse? E se aquilo fosse o destino o dando a chance de conhecer sua alma-gêmea e ele houvesse a desperdiçado? Era mesmo um idiota. Poderia pelo menos ter perguntado seu nome — não importava se existissem muitas outras pessoas que se chamassem como ele na Coréia, ele daria um jeito de o encontrar —, mas nem isso fora capaz de fazer.

Então, quando no dia seguinte viu, mais uma vez, aquele mesmo deus grego — que na verdade era coreano — entrar no metrô, algumas estações à frente da sua e se sentar, não mais ao seu lado, mas sim na sua frente, sentiu um enorme alívio.

Jimin não falou com ele naquele dia e em mais nem um outro, para ser bem sincero; entretanto, conforme os dias passavam, era necessário apenas que o homem adentrasse as portas metálicas e se sentasse no mesmo lugar de sempre, para que o estudante de direito passasse a abdicar de seus minutos no celular para namorar, infelizmente apenas com os olhos, aquele que havia roubado seu coração, sem conseguir fazer nada além de observá-lo "disfarçadamente" — ou melhor, descaradamente — e se questionar sobre duas coisas: como um homem podia ser tão bonito; e por que alguém como ele, que emanava riqueza pelos poros e também pelas roupas e acessórios da Gucci, precisaria pegar o metrô diariamente quando, muito provavelmente, possuía condições de ter um carro, e dos mais caros ainda por cima?

De qualquer forma, não importava. Contanto que ele continuasse a utilizar o metrô e Jimin pudesse admirá-lo todos os dias, estava ótimo.

Aliás, era exatamente o que estava fazendo, enquanto Jeongguk — seu melhor amigo, que por estar indo visitar o namorado, havia pego a mesma linha que a sua — falava sem parar nos seus ouvidos. Tentava disfarçar, mas era bem perceptível que Jimin não estava prestando atenção cem por cento no Jeon, já que sua atenção era inevitavelmente atraída em direção a sua paixonite, que estava ainda mais deslumbrante naquela noite, usando roupas compridas e aparentemente muito quentinhas — as quais poderiam, facilmente, serem substituídas pelo corpo do Park.

— Park Jimin! — Jeongguk gritou, após outras tentativas de chamar a atenção do amigo e sentiu-se vitorioso por, finalmente, conseguir; não só a sua, como de muitas outras pessoas presentes ali também. — Você está me ouvindo?

Jimin o encarou e assentiu. Jeongguk arqueou as sobrancelhas em desconfiança e o Park dessa vez negou, sem demonstrar um pingo de culpa por isso.

— É claro que não, você está ocupado demais babando pelo cara ali. — Murmurou, balançando a cabeça para os lados em descrença. — Por que você não tira uma foto dele, imprime e cola na testa, logo? — perguntou, de forma impaciente e sarcástica .

— Que tipo de maluco você pensa que eu sou? — Jimin perguntou de volta, carregando na voz um tom falsamente ofendido ao que levava a mão ao peito em uma clara dramatização, ocasionando um revirar de olhos pela parte de Jeongguk. — Eu não sou tão descarado assim...

O moreno riu com ironia e, não muito tempo depois, voltou ao assunto que falava anteriormente, como se não houvesse sido interrompido, até sua parada chegar e ele ter de descer.

Assim que isso aconteceu, não demorou mais do que cinco segundos para que Jimin ponderasse levar a ideia de Jeongguk de tirar uma foto do homem a frente a sério — obviamente, sem a parte de imprimi-la e colá-la na testa. Pensou no que poderia dar errado e chegou a conclusão de que nada de muito ruim poderia acontecer. Ele pegaria o celular, ficaria em uma posição casual e voilá, uma foto do homem mais lindo do mundo salva em seu celular.

E assim ele o fez.

No entanto, no momento em que apertou o botão para capturar a foto, o flash foi acionado e o clarão se fez presente no vagão.

No mesmo instante, todos, incluindo o de cabelos avermelhados, olharam em direção a Jimin, que ao perceber o que havia feito, fez um baixo pedido de desculpas que ele não soube ser alto o suficiente para que alguém escutasse, ao mesmo passo em que corava intensamente. O fato de que estava tirando uma foto do homem bonito — que não atraía apenas a sua atenção, como de muitas outras pessoas ali também — estava evidente e agora ele lhe encarava, com o cenho franzido e um leve rubor nas bochechas, que não passou despercebido por Jimin.

Aquele era um momento constrangedor. Não só porque estava com vergonha, ou porque agora ele tinha a atenção daquele que passou tanto tempo admirando, mas também porque agora todos os que estavam mais próximos dali — pessoas que já tinham em suas rotinas a imagem de um cara baixinho babando por outro cara bem vestido demais para quem pega o metrô todos os dias — também estavam atentos, como se esperassem muito a conclusão daquela novela.

Jimin também queria uma conclusão. Na sua cabeça, ele se levantaria, iria até o homem que ele amava, pediria desculpas e diria: "Não consegui evitar. Desde que te vi pela primeira vez, eu estou apaixonado por ti. Queria ao menos uma lembrança do seu lindo rosto para que eu possa ver-te mais uma vez antes de dormir e assim poder ter belíssimos sonhos". Em seguida, se beijariam, se casariam e morariam em uma casinha próxima ao mar na ilha de Jeju. Porém, mais uma vez, tudo isso era apenas em sua cabeça.

Na realidade, Jimin tropeçaria e cairia antes mesmo de chegar até ruivo, que riria de si, ao se perguntar por que aquele cara sem graça e sem sal sequer cogitara ter uma chance consigo.

Se perguntava se já havia existido no mundo ser humano tão desastrado e distraído como ele. "Não", foi a conclusão a qual chegou, "ninguém é mais distraído e desastrado do que eu. Nem burro também". Por isso, se manteve em seu lugar, encolhido e querendo mais do que nunca chegar em casa para se enfiar embaixo dos lençóis e nunca mais sair.

Então, quando alguém se sentou no banco vazio ao seu lado, ele não se esforçou para olhar quem era o indivíduo, somente manteve seu olhar fixo ao chão, como se fosse o ponto mais interessante dentro daquele vagão. Até que sentiu o seu celular ser retirado de suas mãos e o barulho característico de uma foto sendo tirada ser ouvido.

— Se queria uma foto minha, podia muito bem ter pedido. — A voz grossa ouvida por si uma única vez na vida soou como música aos seus ouvidos e Jimin pensou estar sonhando. Caso estivesse, desejou muito não ser acordado.

Bem ao seu lado, estava o homem de cabelos vermelhos e roupas de grife, sorrindo gentilmente para si com o celular estendido em sua direção, a espera de que ele o pegasse. Exatamente como na primeira vez em que o viu, Jimin não teve qualquer reação senão entreabrir a boca e admirar aquela obra de arte viva, deixando-o mais uma vez no vácuo.

— Aqui. — Pegou sua mão, onde depositou o aparelho. — Meu nome é Taehyung. Kim Taehyung. Como você se chama?

Desviando o olhar e sentindo o rosto se esquentar ainda mais, Jimin murmurou:

— Park Jimin.

— O quê? Você precisa falar mais alto porque eu não estou te escutando. Isso é vergonha? Porque você não me parecia com vergonha antes de tirar uma foto minha.

— 'Aish, eu não estava- — Se interrompeu ao que viu o outro arquear uma sobrancelha e pigarreou, antes de continuar. — É-É Park Jimin. O meu nome.

— Ok, Park Jimin — o Kim falou, dando ênfase em seu nome. — Agora, fique parado e sorria.

Sem entender, Jimin não fez o que lhe foi pedido; ao ver o avermelhado retirar o celular de algum lugar no meio de suas roupas, o interrompeu, completamente confuso.

— Você tem uma foto minha. Agora eu quero uma sua.

— Por que você iria querer uma foto minha? — questionou alarmado.

— Por que você iria querer uma foto minha? — Devolveu, calando o de cabelos escuros que apenas encarou o celular erguido na altura de seu rosto, a apenas alguns centímetros de distância.

Observou Taehyung tirar a foto, abaixar o celular, mexer em algo e, em seguida, voltar a guardá-lo, de certa forma, o surpreendendo.

Depois de tanto tempo que passou olhando para o outro durante seu trajeto de volta para casa, havia notado que ele não era muito sociável e que passava o seu tempo dentro do metrô igual ao próprio Jimin: mexendo no celular. O fato dele ter guardado o aparelho significava que ele queria conversar? Mas sobre o que conversariam?

— Você estuda direito, certo? — O ouviu perguntar, com os olhos genuinamente curiosos.

Err, sim, mas como você...?

Taehyung riu, achando graça e apontou para o livro apoiado em seu colo, o entregando.

— Não existe nenhuma lei que condene caras baixinhos que ficam tirando fotos dos outros, não? — Provocou, fazendo com que Jimin mais uma vez se envergonhasse na presença do outro.

— Na verdade, existe um projeto de lei ainda não aprovada que proíbe que gravem, filmem ou fotografem pessoas sem suas autorizações, por uma questão de liberdade de expressão. Pode dar até seis anos de prisão e... Espera. Você não está pensando em me processar nem nada do tipo, certo?

Taehyung riu alto. E, ouch, que risada maravilhosa! Jimin poderia passar o dia a escutando. Se a colocassem no 'iTunes com certeza a compraria.

— Talvez — disse simplista, vendo o mais baixo arregalar os olhos, assustado. — Mas talvez eu não processe. Se, apenas se... — Ergueu o dedo e com a voz séria, completou — ...você me passar o seu número.

Se aquilo era um sonho, Jimin teve certeza que acabaria ali. Então ele esperou. E nada. Taehyung continuava à sua frente, com um meio sorriso que morria aos poucos, conforme os segundos passavam. Caso ele estivesse brincando consigo, seria uma brincadeira de muito mau gosto, porque Jimin queria pular por todo o vagão e gritar para todos ouvirem que sua paixonite de metro estava bem ali, pedindo seu número. Mas, ao invés disso, ele apenas continuava com os olhos fixos aos orbes alheios, se perdendo naquele olhar brilhante e não mais tão radiante.

— Esse silêncio é um não? Porque eu te garanto que se for, você não vai ter chance contra mim na justiça.

— Não! Quero dizer, sim! Espera... É q-que, bom, você quer o meu número? Tipo o meu número? Trocar 'Kakao ou algo assim?

Era oficial. Jimin caiu da 'motoquinha ao que o Kim lhe assentiu, crispando os lábios. Sua felicidade era tanta, que não se conteve ao levar as mãos até o rosto, na tentativa de esconder o sorriso, que lhe preenchia os lábios, tão grande que fazia com que suas bochechas doessem. Ficou dessa forma por um bom tempo, até se conter e esticar a mão para pegar o celular de Taehyung, quem também sorria, se divertindo com a cena do mais baixo. Digitou seu número e o salvou devolvendo o aparelho ao Kim que logo que o pegou, se levantou.

— Esta é a estação onde eu desço. Foi bom ter finalmente falado com você, Jimin. Te mando mensagem amanhã. Até mais.

E antes que pudesse se despedir, Taehyung já havia o deixado ali, com um sorriso bobo no rosto e com o coração pulando e dando piruetas, totalmente entregue a sua paixonite de metrô.

No dia seguinte, Jimin aguardou a mensagem de Taehyung durante a manhã inteira. O sorriso não lhe abandonava o rosto e era impossível não notar o quanto o jovem estava radiante, mesmo que mal houvesse dormido durante a noite.

A cada chance que tinha, em seus breves intervalos do expediente, checava o celular esperando ver alguma mensagem a mais no painel de notificações, porém, se decepcionando em todas as vezes ao perceber que nenhuma era do Kim. Somente quando o relógio marcou por volta das três da tarde, enquanto Jimin revisava as matérias do dia, que ele ouviu o barulho de seu 'Kakao Talk soar e um número desconhecido se fazer presente na tela luminosa.

Óbvio que, entre estudar para ser bem sucedido e ter a oportunidade de falar com o amor de sua vida, ele escolheu falar com o amor de sua vida.

Assim, passou a tarde trocando mensagens com Taehyung. Descobriu que o Kim era herdeiro de uma empresa de confecções, possuía a mesma idade que si e que pegava o metrô todos os dias por escolha própria. — "Assim eu evito de poluir ainda mais o meio ambiente, certo?", foi sua justificativa. Também descobriu que tinham muito em comum, como por exemplo, seu sabor de sorvete preferido era o de chocolate, dividiam o gosto pelo pop e adoravam comédias românticas.

Durante todo aquele tempo de mensagens trocadas, ambos se divertiram muito, conhecendo ainda mais um ao outro e dando boas risadas por conta de seus humores animados. Mas, infelizmente, com o cair da noite, tiveram que se despedir e Jimin teve de ir para a faculdade para tentar ter um futuro.

O Park mal soube como conseguiu se manter tão concentrado durante as aulas, nem percebendo as horas passarem. Assim que se deu conta, já estava na hora de ir embora.

— Posso me sentar aqui? — Foi o que Taehyung perguntou, logo que entrou no vagão, apontando para o assento ao seu lado, como se não fosse um espaço público e fosse necessária permissão para que pudesse utilizá-lo.

— É claro que pode.

Dessa forma, conversaram durante todo o caminho, sem parar, mal se sentindo cansados pelo longo dia que tiveram.

No decorrer dos dias seguintes, continuaram daquela mesma forma, trocando mensagens e doando cada vez mais de si, de forma que se pegavam cada vez mais fascinados um pelo outro, mesmo pelos detalhes mais simples.

Apesar disso, no decorrer de duas semanas, em nenhum momento se encontraram pessoalmente fora do veículo subterrâneo, mantendo aquela amizade limitada aos poucos minutos na volta para casa.

O primeiro a sugerir que saíssem juntos foi Taehyung, que fez questão de deixar bem claras as suas intenções para aquele encontro. No entanto, se surpreendeu ao receber um não. Não que Jimin não quisesse sair com o ruivo. O problema era que tinha o medo eminente de que estragasse tudo e que o outro passasse a odiá-lo — era sempre assim. E se derrubasse algo nas roupas chiques e estilosas de Taehyung? E se dissesse alguma bobagem? Ou pior, e se fizesse alguma bobagem? Eram muitos riscos a se correr e ele não estava disposto àquilo.

Ele manteve esse pensamento por vários dias, até que, devido à insistência do Kim — que aliás, ameaçou bloqueá-lo e trocar de vagão —, se rendeu e decidiu aceitar ir a um encontro com ele.

Por esse motivo, agora Jimin esperava por Taehyung na estação em que este sempre descia, mal se contendo de nervosismo. Tinha medo de não estar bonito o suficiente, de não estar cheiroso o suficiente e também de não ter dinheiro o suficiente.

Isso pelo menos até que o viu, descendo as escadas da estação de maneira apressada. Seus cabelos estavam bagunçados pelo vento da noite, um casaco branco lhe caía muito bem sobre o corpo alto e um óculos espelhado repousava sobre o nariz fino. Taehyung estava lindo! Ainda mais lindo do que em qualquer outro dia.

— Hey, me desculpa o atraso. — Foi tudo o que o Kim disse, sentando-se ao seu lado no banco da estação.

— T-Tudo bem. Eu também acabei de chegar. — Mentiu. Estava ali há uns bons vinte minutos, quase morrendo de ansiedade. De qualquer forma, não era algo que Taehyung precisasse saber, não estava irritado mesmo. — Você está lindo.

No mesmo instante, o Kim ergueu o olhar para encará-lo e entreabriu os lábios, sem esboçar qualquer reação além disso. Suas bochechas adquiriam aos poucos um tom avermelhado e Jimin sabia que o mesmo acontecia consigo, por ter soltado aquela frase por puro impulso.

— Você também está lindo. — Taehyung devolveu. — Você sempre está.

Sorriram um para o outro, completamente envergonhados e desviaram o olhar logo em seguida, sabendo que a cena seria ridícula para qualquer um que os olhasse de fora. Mas o que poderiam fazer se era aquele o efeito que causavam um no outro?

— Nós não deveríamos ir? — Jimin perguntou, pouco tempo depois.

— Sim, vamos. Quero te levar a um lugar.

Pelo que havia conhecido de Taehyung, Jimin imaginava que ele o levaria em um lugar chique e provavelmente caro. Porém, se viu errado assim que, após cerca de quinze minutos de caminhada, pararam na frente de um pequeno estabelecimento onde um painel neon piscava e um cheiro doce e completamente familiar se fazia presente. Por dentro, o ambiente era ainda mais agradável. Uma música dos anos oitenta soava pelos auto-falantes do local, garçonetes deslizavam para lá e para cá em seus patins, carregando bandejas com milk-shakes em taças de vidro, e as paredes possuíam todas colorações pastéis, o que só acabava por reforçar ainda mais a temática clássica e vintage.

— Você me trouxe em uma sorveteria em pleno inverno? — questionou, sem olhar para o ruivo, encantado demais pelo lugar, que parecia saído de um filme adolescente de algumas várias décadas atrás, para dizer algo menos... óbvio.

— Por quê? Não gostou? Nós podemos-

— Não, Taehyung. Eu adorei. — Sorriu, se acomodando em uma das mesas ao lado de uma grande janela de vidro, com visão para a rua movimentada do lado de fora.

Pensava em como tudo aquilo havia acontecido e ainda não achava capaz que algo do tipo estivesse acontecendo consigo. Sentia-se preso em um verdadeiro romance água com açúcar, onde não há espaço para o drama, e por isso considerava-se o maior sortudo.

Estava tão distraído, que sequer se deu conta da presença de Taehyung ao seu lado no banco estofado. Isto até que seus ombros se encostaram levemente e um dos braços do Kim o levou para ainda mais perto, com um abraço lateral. Naquele momento, não poderia ignorar a felicidade inundando-lhe o peito e o coração batendo rápido, como se gritasse para ele o que estava mais do que óbvio há meses.

Jimin não se importou com tamanha proximidade — na verdade, estaria ainda mais próximo se pudesse —, portanto, se permitiu relaxar nos braços do maior, ignorando por completo sua timidez.

— Olá, Taehyung. Vai querer o mesmo de sempre? — questionou a garçonete recém chegada e o rapaz assentiu, sorrindo grande para a mulher que aparentava já estar na casa dos quarentas anos. — E esse outro rapaz bonito? É seu namorado?

— Não, 'noona, ainda não. Mas estou trabalhando nisso. — O Kim soltou uma piscadela ao final da frase e a mulher riu da situação, observando o mais baixo se encolher nos braços do maior. Caso Jimin já não estivesse vermelho antes, agora era certo que estaria na cor dos fios de cabelo de Taehyung. — Traga duas colheres, sim?

A mulher concordou e logo saiu, deixando novamente os dois a sós.

— Ei! — Taehyung olhou para o moreno, que tinha o cenho franzido. — Você não precisa dividir o seu sorvete comigo.

— Acredite, ele é o suficiente pra nós dois. Eu sei bem.

— É mesmo, Kim Taehyung? — Jimin questionou, arqueando as sobrancelhas em provocação. — Isso significa que é aqui onde você traz todos os caras que você chama pra um encontro?

Taehyung arfou, ofendido e ergueu o dedo indicador.

— Em primeiro lugar, Park Jimin, isso significa que eu já tomei esse sorvete outras vezes, completamente sozinho, e sei que ele é grande o suficiente para duas pessoas. — Fez uma pausa e ergueu um segundo dedo. — Em segundo lugar, então você admite que isso é realmente um encontro?

Jimin não soube o que responder. Ficou em completo silêncio, encarando-o de maneira inexpressiva, enquanto Taehyung possuía um sorriso vitorioso estampado nos lábios pequenos.

— Está vendo. Eu venci. Quero uma recompensa. — Afirmou, vendo o de cabelos pretos semicerrar os olhos em desconfiança. — É só um beijinho na bochecha, Jimin. Não é nada demais.

"Não é nada demais". 'Humpf. Taehyung estava pensando que ele era quem?

— Nem sonhando, Taehyung. Nem sonhando...

Não demorou muito até que o pedido enfim chegasse e logo ao vê-lo, Jimin teve que concordar com Taehyung: ele dava sim para duas pessoas. O pedido de Taehyung nada mais era do que um banana split triplo, ou seja, com três bananas, três bolas de sorvete — todas de diferentes tipos de chocolate, aliás — e muito, muito confete. Era uma verdadeira bomba de caloria. e para os dois, o paraíso com cobertura que, por acaso, também era de chocolate.

De acordo com o homem, por aquela ser a primeira vez de Jimin provando o melhor sorvete da cidade — palavras do próprio Kim —, ele tinha direito à primeira colherada. E mais uma vez naquela noite, o Park teve de concordar com Taehyung: aquele era mesmo o melhor sorvete da cidade, quem sabe até mesmo do mundo inteiro.

Não demorou muito para que os garotos comessem toda a sobremesa. Mesmo quando o recipiente, onde antes estava o sorvete, ficou vazio, eles não quiseram ir embora, preferindo ficar daquela forma, abraçados e conversando dentro da sorveteria aquecida, nem notando o passar das horas. Quando se deram conta do quão tarde já estava, Taehyung pagou a conta — sem deixar que Jimin o fizesse, ou sequer o ajudasse — e começaram a caminhar de volta para a estação, com as mãos entrelaçadas, para que o Park pudesse ir para casa.

Aguardaram até que o metrô de Jimin chegasse e quando isso aconteceu, Taehyung não quis mais o soltar. Nunca mais. Também quis beijá-lo, porém não o fez, visto que a muito contragosto já havia o deixado ir. Logo, o pequeno de cabelos escuros já havia se perdido em meio às pessoas e adentrado o transporte metálico. Ainda assim, o mais novo não foi embora, apenas continuou ali, esperando até que ele partisse de vez, de maneira tão dramática que poderia muito bem parecer que nunca mais se veriam em suas vidas.

Então, quando finalmente viu o metrô partir, suspirou e deixou que seu sorriso se desfizesse. Já havia virado-se para voltar para casa quando ouviu seu nome ser gritado pela mesma voz que não abandonava sua cabeça há muitos dias. Procurou por ele e não muito longe o viu, correndo em sua direção o mais rápido que conseguia, até pular em cima de si e o beijar.

Seus lábios ainda possuíam o gosto doce do sorvete de chocolate. Eram macios e viciantes. Eram a melhor coisa a qual já havia provado.

Porque eram de Park Jimin, o garoto que o ajudou com informações quando seu carro estragou e ele teve de pegar o transporte público pela primeira vez na vida. O mesmo garoto pelo qual, desde então, decidiu fazer aquele mesmo caminho todos os dias, apenas para fotografá-lo em segredo.

O mesmo garoto pelo qual havia se apaixonado à primeira vista dentro de um metrô.

23 марта 2019 г. 16:29:26 0 Отчет Добавить 3
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Dhebs . mochi a boojjangmyeon a gyeomie fantasy piano coffe and cliche I'M A DAYDREAMER AND A NIGHTTHINKER > { soulmates never die } vmin . jikook . yoonkook . yoonseok . chaelisa . 2jae {jimin!top squad} because love is the best f.e.e.l.i.n.g in the whole world

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