Короткий рассказ
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Fora do Círculo

escrito por Diesel e Arymura



“..num dia enevoado, você deve traçar o círculo na terra, junto de 500g de enxofre, uma faca de ferro de cabo preto e uma de cabo branco. Não esqueça de deixar o incenso de mirra queimando, para purificar o ambiente.

Precisa da energia da Lua Crescente, assim trará toda a Ira Crescente. De preferência, que esteja no signo de Touro, pois é a constelação preferida dele.

Não se esqueça de tomar um banho de ervas frescas, e orar as palavras de Salomão, pedindo proteção ao Senhor, O Detentor da Luz, para te guiar.

Quando tudo estiver em suas perfeitas condições, então estará bem protegido e com grandes chances de pedir favores. Com toda sua determinação, chame por…”



— Vocês estão me zoando que precisa dessa frescura toda? Nem fodendo que eu vou esperar uma lua crescente, num dia enevoado” Faca de ferro, cabo preto? Ah, não! Chega! Ou fazemos, ou não fazemos.

A galera, já cansada, precisava de alguém que liderasse — e com firmeza! Que fosse o mais energético, então! Billy, tomado por um sentimento de “salvador da pátria”, aceitou os olhares ansiosos como um sim.

Fez o círculo de sal grosso e queimou um pouco de sálvia.

— Bora, gente. Cada um faz uma coisa, vai dar certo. O máximo de errado que vai dar, é não dar em nada. — A verdade é que ele precisava muito que tudo desse certo.

A vida de quem busca por constantes aventuras é assim mesmo. É preciso mais adrenalina! Graças aos Deuses, todos eles, haviam os amigos. Juntos, trabalhando, fariam qualquer coisa.

Organizaram todo o ambiente. Fecharam as portas. Oh, o silêncio! A segurança da escuridão, protegendo-os dos olhos curiosos. Sua motivação e ações se multiplicavam naquele pequeno covil. Um coven não tão novato assim, cheio de energia! As Serpentes Negras, como se chamavam, iriam crescer ainda mais!


Concentrados, revisaram todas as coisas. Contudo…

— Cara, eu acho que a gente podia invocar outra coisa, sabe? Tem muita gente, é preciso mais proteção. Se fosse uma pessoa só, o que temos aqui daria numa boa. — Tony, o Questionador. O Mal Necessário, assim era chamado.

Alguns reviraram os olhos. Billy não escondeu sua raiva, que explodiu de uma vez só:

— Eu-não-acredito! — Jogou alguma coisa, que nem olhou o que era, na parede. — Eu perguntei três vezes! Três vezes e você ficou calado! Estamos aqui há horas discutindo como faremos a invocação, e você não deu um piu! Você não vai acabar com o clima, Tony!

O odor da testosterona subiu forte. Todos sabiam como seriam os próximos minutos. Tony certamente deveria dizer que estava pensando com calma, e que Billy correu porque quis. O outro não aceitaria parar, agora que já estava empolgado. Iria esbravejar, como um menino mimado que é. As pessoas não tinham medo dele, apenas não sabiam contra-argumentar. Ele levava jeito. E aí, alguém iria dar apoio a algum dos dois, e pronto! Levariam mais algumas horas para decidir, ou…


— Por que você apenas não sai do coven, cacete?

Tony parou de responder.

— Tá bom. Afinal, todo mundo aqui só quer ser “o bruxão”, não é? Que se dane nossa proteção, que se dane que talvez não possamos controlar esse…ser! Seja lá o que for! — Pegou sua mochila e já ia saindo.


Era um combinado: ninguém tentaria expulsar ninguém, nem insinuaria. Ah, mas Billy fez isso e, pelo jeito, estava tudo bem. Só que não estava. Ninguém gostou. Um dos rapazes, que quase nunca falava, deu um passo adiante.


— Tony, você não vai embora — falou sério, não havia tom amigável. — Largue a mochila e volte para o trabalho. Vamos fazer isso. Precisamos. Você sabe.

Dando de ombros, Tony apenas seguiu em direção à porta. Sua paciência já havia se esgotado há um bom tempo. Pareciam crianças numa creche!

—Tony!

Já estava com a mão na maçaneta. Olhou para trás, irritado.

— Você não pode ir. — O rapaz, que ninguém nunca se importou em perguntar o nome mais de uma vez, não estava de brincadeira. Uma faca, bem afiada, estava em suas mãos. — Eu demorei muito para chegar aqui. Acho bom você não querer causar. Volte aqui.

Entendendo que já não era mais apenas uma briguinha de ego, o Questionador não era bobo para discutir com “O Maluco”. Largou a mochila devagar. Sempre reclamou de como os fundadores do coven não entrevistavam as pessoas antes dos rituais. Aí estava um de seus medos se tornando realidade. O que achava ser uma creche, na verdade, era um hospício.

Billy, de mãos para o alto, pedia que todos se acalmassem. O silêncio já não era o mesmo. Era medonho, nefasto. Alguns dos membros, novatos que curtiam uma aura obscura, e tudo que remetia aos vídeos de suas bandas de Death Metal, vibravam com a “aura do mal”. Diziam que “agora sim, é um ritual macabro”.


Infelizmente, era continuar e mostrar que sabiam o que faziam, ou passar vergonha, além de correr o risco de enfrentar aquela gente – agora percebiam – que não conheciam nada. Provavelmente só estavam ali para ter uma “história de terror” para impressionar os colegas ou desculpa para encher a cara, não importava agora que não havia como voltar atrás.

— O que mais falta? — era a pergunta que ressoava baixinho.

Não, não faltava mais nada. Após algumas pitadas de enxofre ao redor do círculo, reuniram-se no centro. Havia cerca de 20 pessoas, mais 4 dos 6 fundadores. Billy, Tony e 2 molengas que preferiram o silêncio para não serem alvos.

Seguiram como fariam normalmente com qualquer ritual de invocação.

Chamaram os elementais, pediram proteção. Soaram o sino, para despertar a energia. Conforme Billy recitava as palavras no livro, os outros se tornavam seu eco.



“…das profundezas, nós te chamamos

e com nosso poder, te evocamos

Ouça o chamado e venha!

Ordenamos, em nome do Coven das Serpentes Negras Apareça,

Marbas!”



Aos poucos, as pessoas foram bufando, frustradas.

Tony pediu que esperassem, pois um ritual precisa de calma, paciência. O rapaz, com a faca, chutou um símbolo de sal grosso no chão, rindo.

— Gastei uma nota para chegar aqui, e é só isso? Mais bruxinhos de internet?

Foi o suficiente para as reclamações ganharem força. Alguém pedia silêncio, pois o ritual estava em andamento. Billy soltou o livro, indagando de quem havia sido a ideia estúpida de tentar aquilo. “Bando de picaretas!” Um cigarro era aceso numa das velas de invocação. Já tinha gente pegando as comidas que seriam usadas na oferenda, fofocando, no celular. Gente combinando algum rolê. Billy tropeçou e caiu no meio do círculo, inconsciente.

— Ah, pronto! Agora teremos uma linda encenação do Diabão encarnado!



HAHAHAHAHAHAHAHAHAH!



“Fracasso!”, “Que perda de tempo!”, “Vamos embora!” diziam os neófitos, fazendo chacota. Alguns até fizeram vídeos e tiraram fotos para postar na internet depois, com a desculpa de que iriam desmascarar os falsos bruxos.



HAHAHA



— Eu SoU O FraCaSSo?


Uma voz, forte como um tornado feroz, estremeceu todo o local. De pernas bambas, mesmo os que faziam piada, todos procuraram algum canto como apoio.

Calmamente, Billy, ou o que deveria ser o corpo dele, levantou-se de uma forma anormal. Era como se um gancho invisível o puxasse. Um boneco com as articulações rompidas contorcendo-se.


— MeNInOS bRinCAm de SOIdAdOS! MEnlnaS BrincAM dE CAsiNHa! MaRBAs bRInCa De FAzEr VOCÊs RiRem DE MoRREr!


Do lado de fora, a rua estava deserta. Ignorados, os pedidos de misericórdia e os gritos de horror foram se calando lentamente.

Pela manhã, dois homens encapuzados entraram na casa. Possuíam a chave da porta da frente, bem como todas as outras, contudo, não precisaram usar nenhuma delas. Ignoraram a sala de estar, subiram as escadas, foram direto para a sala grande que haviam preparado para o coven.

Sem esboçar qualquer surpresa ao se depararem com a carnificina, se separaram. Um dos homens caminhou direto para a estante de livros, quase vazia, mas que escondia uma pequena câmera. O outro, com um cabo de vassoura, foi remexendo os corpos e as partes indecifráveis jogadas por toda parte, procurando por algum sobrevivente.

— Oh…


A câmera, agora conectada ao celular, mostrava quando o demônio Marbas chegava e matava aqueles adolescentes e jovens adultos. Era impressionante ver a força da insanidade em ação! O demônio não precisou de muito esforço, apenas moveu o corpo de Billy para um lado e para o outro. A mente fez todo o resto.

O garoto inominado, que se mostrou capaz de qualquer coisa para seguir com o ritual, foi o primeiro a sucumbir. Com a faca que ameaçou Tony, cortou o próprio pescoço, assim contribuindo para o aumento da histeria coletiva. Outro aparecia na gravação arrancando os olhos com os dedos.

Um dos reclamões em um surto de fúria, causado pela loucura, matou o amigo a chutes enquanto gritava que acabaria com o demônio. Quando percebeu o erro cometido, e pior, que o demônio continuava intacto, ceifou a vida com uma garrafa quebrada. Abriu a barriga e seus órgãos internos pularam para fora enquanto agonizava.

Cegas pelo medo, as pessoas foram se matando, sem conseguir enxergar algo tão simples como uma porta, que nem estava trancada!

Marbas agitou a casa, é verdade, ele a estremeceu como uma gelatina, porém, a maior parte do efeito estava dentro da cabeça das pessoas. Os corpos se tornavam coisas frágeis, sem qualquer resistência. Impressionante.

— Ei, vem cá…


Desconectou a câmera. Guardou com cuidado. O que era? Debaixo de uma das mesas, encolhido dentro de um círculo feito de puro enxofre em pó, Tony apenas tremia, de olhos fechados.

— É, alguém leu as instruções. — Isso sim era uma baita surpresa boa! — Agora sim, temos um membro para o nosso coven. Seja bem-vindo, Tony. Eu imaginei mesmo que você sobreviveria.

Deram-lhe a mão para levantar, mas o rapaz preferiu continuar ali.

— Vamos, não precisa mais esperar. O Sol já raiou. O teste acabou e você passou.

Ao ouvir tais palavras, respirou fundo. Sem levantar, ou abrir os olhos para ver os rostos daqueles homens, perguntou, quase sem voz:

— Meu círculo… Este pequeno círculo… De puro enxofre… E-e-ele… Ele está intacto?

Sim, estava. Todo o enxofre que deram, cerca de um quilo e meio, estava ali. Bom, talvez faltasse cerca de cem gramas, que foi o que usaram no ritual. Era melhor nem terem usado, pois naquela quantidade, não teria mesmo ajudado em coisa alguma.

Retirando forças do fundo da alma, Tony gritou:


— Marbas…Eu o comando! Leve-os também!

Os dois homens tentaram correr, mas ninguém consegue escapar quando se está sem a proteção correta. Foram tolos em pensar que estavam seguros, repetiam o erro daqueles que consideraram indignos. Mergulhados na loucura, mataram um ao outro em meio a socos e ataques com qualquer coisa que viesse à mão.


Ao ouvir o som dos corpos caindo, Tony libertou o demônio. Numa gargalhada, Marbas transformou o corpo que comandava, já podre, em pó.

Agora sim, segurança total.


Livre daquele coven de gente louca, livre daquela magia perversa. Ateou fogo na casa e no livro insano que precisou usar no último minuto. Foi embora sem olhar para trás. Os gritos e o desespero, a sensação de quase pisar no abismo da loucura, bem… Isto jamais sairia de sua mente.


...



Também estou lá no Livro Espelho https://livroespelho.wordpress.com/

Conheça outros contos da Arymura https://contosperdidos.home.blog



18 марта 2019 г. 5:18:24 0 Отчет Добавить 0
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Rosea Bellator Bruxa que escuta algumas vozes. Aos poucos, vai transcrevendo para o Mundo.

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