Короткий рассказ
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Será Julieta o sol daquele oriente?

O céu na noite do primeiro sábado de férias estava limpo e estrelado, Nayeon deixou a janela aberta, esperando a brisa entrar e refrescar um pouco seu quarto.

Perto das nove e meia, ouviu uma voz tentando gritar e sussurrar ao mesmo tempo, mas achou que poderia ser na vizinha, que vivia de namorico com o garoto da rua de baixo; mas depois que uma pedrinha entrou voado pela janela, se assustou e correu até ela, se debruçando, pronta pra xingar até a quarta geração da família do atrevido.

Mas deixou o susto de lado, quando viu a garota abusada, de cabelo azul, com mais duas pedrinhas na mão.

— Mas que silêncio! Que luz se escoa agora da janela? Será Julieta o sol daquele oriente? Surge, formoso sol, e mata a lua cheia de inveja, que se mostra pálida e doente de tristeza, por ter visto que, como serva, és mais formosa que ela!!— a garota recitava, com os braços abertos em direção ao céu.

— Oh Romeu! Como podes ser tão brega a essa hora da noite?? — A garota na janela ria enquanto imitava a dramatização da outra.

— Nayeon, você nunca deixa eu terminar a minha fala!! — reclamou, formando um bico com os lábios.

— Aaaa eu não tenho paciência, ficaria aqui nessa janela até o sol raiar

— Então desça logo Julieta, que eu não tenho intenção de escalar sua janela!

— E nós vamos pra onde? Qual desculpa vai dar pra minha mãe? — Se apoiou nas mãos, com olhar indagador.

— Diz que minha mãe fez aquele seu doce predileto, de chocolate e me mandou te chamar!

— Chocolate?? Ai Jungyeon, bem que podia ser verdade!

— Prefere o doce a mim? Julieta traidora!

— Não me pergunte duas vezes! Espera aí, já desço! — Sorriu para a garota e saiu da janela, indo em direção ao quarto da mãe.

Foi já com as sapatilhas na mão, pronta para enganar a mãe mais uma vez; chegou de mansinho, se escorando no batente da porta, sorrindo feito o anjinho que sempre finge ser quando quer alguma coisa.

— Mamãe... Você tá tão linda hoje, eu já te disse?

— Humm... — A mãe tirou os olhos do livro que lia e a olhou por cima do óculos. — Pede logo Nayeon, que eu tô num ponto crítico da história!

— Jungyeon tá lá em baixo e...

— Pode, pode ir, confio nela, vá logo!

— Te amo mamãe maravilhosa! — disse, enquanto já corria para as escadas, rindo da facilidade que teve.

Quase levando a mesinha de canto na saída, abriu a porta num solavanco e quase se esqueceu de calçar os sapatos. Afoita, já foi pulando no pescoço da azulada, que sem muita dificuldade a levantou no ar.

— Nossa, foi mais rápido do que imaginei! — a mais nova disse, colocando a outra de volta ao chão.

— Acredita que nem precisei usar o doce? Ela gostou mesmo daquele livro,

— Então vamos, meu irmão emprestou o carro, mas só até à uma.

— Se eu chegar aqui depois da meia noite, nosso fim vai ser tão trágico quando de Romeu e Julieta!

As duas foram de mãozinhas dadas até a rua de cima, onde a casa da mais nova ficava, buscar o carro e pegar a avenida principal que as levaria até o único pico da cidade.

Jungyeon estacionou e as duas desceram animadas. No porta malas do carro estava o telescópio da azulada e a toalha xadrezinha, que compraram juntas para quando fossem até ali observar as estrelas.

Escolheram um bom lugar, e enquanto Nayeon estendia a toalha, Jungyeon ajeitava o telescópio e começava mais uma de suas muitas explicações sobre as constelações e seus significados.

A mais velha nunca se importou em ouvi-las, amava o brilho nos olhos que a garota tinha, sempre que achava lhe ensinar sobre mais uma estrela, mesmo que soubesse que esqueceria tudo no outro dia.

Assim como sempre amou quando a mais nova não lhe dava um "oi" comum e já iniciava a conversa com uma citação de um de seus livros preferidos; muito frequentemente era alguma de Romeu e Julieta, sempre dizendo que se apaixonaram da mesma forma que os personagens.

Algum tempo depois da observação com as lentes do telescópio, se deitaram lado a lado, com as mãos entrelaçadas e apenas observando o grande conjunto que as estrelas formavam.

Nayeon, percebendo que a outra se perdera observando o céu, deixou seus olhos pousarem no rosto bonito, que tanto lhe acelerava o coração, tomando fôlego para entregar a surpresa que há muito tempo devia.

— Vem, noite! Vem, Romeu! tu, noite e dia, pois vais ficar nas asas desta noite mais branco do que neve sobre um corvo. Vem, gentil noite! vem, noite amorosa de escuras sobrancelhas! — disse com a voz suave, agora tendo a atenção da mais nova para si, com os olhinhos surpreendidos e de sorriso bobo no rosto. — Restitui-me o meu Romeu, e quando, mais adiante, ele vier a morrer, em pedacinhos o corta, como estrelas bem pequenas, e ele a face do céu fará tão bela que apaixonado o mundo vai mostrar-se da morte, sem que o sol esplendoroso continue a cultuar. — Sorria um tanto nervosa, feliz por ter conseguido recitar a passagem toda sem engasgar.

A azulada aumentou o sorriso conforme a frase foi sendo dita pela garota que tanto gostava. Ao final, não conseguia dizer nada, sempre achou que a morena não ligava muito para as frases que recitava para ela. Diminuiu a distância, que já era pequena, e passou o polegar pelas bochechas gordinhas e branquinhas de Nayeon e deu um beijo nos lábios rosados pelo gloss de tutti-frutti que sempre usava.

Assim como os personagens da história que fez meio mundo suspirar, as duas garotas eram perdidamente apaixonadas uma pela outra e mesmo com diferenças entre si, eram capazes de cultivar um amor tranquilo, que lhes proporcionava noites de verão como aquela no pico da cidade, deitadas, trocando juras de amor em forma de citações literárias e de desejos à estrelas do céu.

22 января 2019 г. 0:30:58 0 Отчет Добавить 119
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Taynara C Tata, 24y

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