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Prólogo

História participando do Desafio de Natal do Inkspired com base na celebração do festival de Saturnália.

***

Julius amava o festival de Saturnália. As ruas de paralelepípedo estavam cheias de pessoas, senhores e escravos andavam lado a lado, os grilhões dos prisioneiros soltos, tratados de igual para igual com seus senhores. Naqueles dias não existiam diferenças, todos estavam convidados para as festividades e o saturnalia et sigillaricia, a troca de presentes, que ocorria nas cerimônias privadas.

Agarrado a mão da mãe, a cabecinha pequena girava de um lado para o outro absorvendo com os olhos curiosos as guirlandas que enfeitavam as casas. Nas janelas a estátua do deus Saturno se apresentava em todos os cantos que olhasse, sua face régia e barbada, carregando a foice e a ampulheta. Contava a lenda que Saturno fora o deus que ensinara a agricultura aos mortais na chamada Era de Ouro, momento no qual os humanos viviam em harmonia, sem segregação por diferenças. Tal prática havia se tornado a fonte principal de subsistência e, em homenagem aos tempos de paz uma vez vividos, todos eram tratados com igualdade durante as festividades.

Em meio aos deliciosos aromas que enchiam o ar da Praça Julius estava feliz. Podia lembrar do calor do sorriso da mãe ao falar do banquete da noite e dos planos de convidar os vizinhos para a troca de presentes. Ainda sentia o gosto doce na boca do pão de mel que ela havia lhe comprado na volta para casa e ouvia o som de sua risada ao se voltar para ela com a boca suja. Podia sentir o perfume emanar dos cabelos negros ao ser pego nos braços para um abraço e um ataque de cócegas do qual ele fugira com ardor, gritando envergonhado que já era grande demais para isso como todas as crianças aos 7 anos acreditavam ser.

Ainda tinha as lembranças frescas na mente, então não entendia o porquê de a mãe não responder mesmo quando a chamava tão desesperadamente. Não entendia o porquê dos olhos dela estarem abertos, mas uma voz em sua cabeça lhe dizia que não estava a vê-lo. E havia o vermelho, a mesma cor que ele tanto amava usar em suas pinturas, tanto vermelho espalhado pelo chão, manchando a bonita túnica dourada da mãe que ele e o pai haviam lhe presenteado, cobrindo suas mãos, enquanto a voz continuava a chamá-la, elevando-se a cada nova tentativa, transformando-se em soluços estrangulados ao continuar sem resposta.

Os olhos saíram do corpo estirado da mãe e passaram a estátua do deus que se encontrava ao centro do lararium, a mesa restante do banquete que era também um altar em homenagem a ele.

— Por favor, por favor, Saturno, salve-a. Salve a minha mater.

Mas a areia da ampulheta continuava a cair e face severa do deus esculpido o olhava com aspereza, a foice em sua mão parecendo mais pronunciada. Um presságio, ele pensou, um presságio de morte. Rezou com mais ardor, aquele era o dia dedicado a Saturno, logo ele devia ter poder o suficiente para salvá-la se Julius assim rezasse. Porém, o que ele não sabia era que o tempo era cruel e levava tudo embora. Como descobriu naquela noite. Ao fim, sua mãe havia partido, morta no dia sagrado que todos deviam ser protegidos, onde a igualdade era garantida.

E, se o deus havia lhe virado as costas, Julius viraria as suas para ele.

19 января 2019 г. 0:41:51 2 Отчет Добавить Подписаться
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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, tudo bem? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Primeiro de tudo: parabéns por ter participado do desafio. Segundo: mulher, que história maravilhosa é essa? Confesso que não consegui parar de ler enquanto não chegasse ao fim. Acredito que eu não tenha lido nada parecido com esse texto antes. A coesão e a estrutura do seu texto estão perfeitas, proporcionando uma leitura agradável do começo ao fim. A forma que você escreveu sua história limpa e sem delongas em coisas que não eram necessárias só deixou ainda mais cativante a leitura. A sinopse também está incrível, fazendo promessas silenciosas sobre o mistério que o texto em si desvendou. Eu achei super interessante a forma que você descreveu o ambiente e fez ressalvas sobre como era os enfeites e os adornos para o dia festivo, só deu mais vida ainda a sua história. Quanto aos personagens, Julius é um homem destemido e no começo sem crença alguma, mas conseguir voltar no tempo para salvar aquilo que era mais importante para si, graças ao deus Saturno fez ele virar um homem crente, assim como era antes de perde-la pela ideia distorcida de Calius de que aquilo era o justo e certo a se fazer. Dava para entender o sofrimento de Calius, mas os meios não justifica nada, era errado e fim, mas no fim, acabou com ele morto e não era como se aquilo fosse ser surpreendente, ele mereceu! Já seu Pater, foi consequências dos atos, desde que para Julius tudo estivesse bem agora, para mim também está. Espero que Julius seja sempre grato ao Octávio, por ele ter feito toda a tramóia de por Julius como representante. Sua gramática também é incrível, parabéns, porém eu consegui achar alguns errinhos que eu acredito serem de digitação, mas que não atrapalha em nada o texto diretamente, por exemplo: "e rosto" em vez de "e o rosto", "coma" em vez de "com a", "Deixou-se se" em vez de "Deixou-se ser". Lembrando que esses apontamentos foram ao longo do texto até o final. Mais uma vez, parabéns pela obra, você arrasou! Desejo sucesso em todos as suas história! Abraços.
Saah AG Saah AG
Começou arrasando. Esse final me lembrou o Timão falando pro Simba "Quando o mundo vira as costas pra você, você vira as costas pro mundo".
~

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