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sr.-artie Sr. Artie

Com o final do ano letivo se aproximando, a mente de Iwazumi estava um completo caos. Apesar das questões quanto à faculdade estarem todas em ordem, tudo que se relacionava com o Oikawa era o completo oposto e a situação somente piora quando Tooru revela que não vai para mesma faculdade que ele.


Фанфик 18+.

#fluff #fluffy #amizade #romance #yaoi #gay #lgbt #haikyuu #iwazumi #hajime #oikawa #tooru #iwaoi
Короткий рассказ
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Capítulo Único: Unidos

Notas da História

Os personagens de Haikyuu não me pertencem, tô aqui só fanficando e expondo o canon de IwaOi que é mais real que eu.

História betada pela Rebel Princess ( Nyah - Liga dos Betas)

História baseada na música For Him do Troye Sivan

*IwaOi*


Notas do Capítulo

Eu postando duas fanfics em dois dias seguidos é um milagre puro. Chris, eu quero ser remunerado, porque essa vida não tá dando.

Essa é minha primeira Iwaoi, desenvolvi ela para participar do Desafio dos 30 prompts, no qual o meu era: “É meu último ano, e eu criei uma lista de coisas que eu quero fazer antes de me formar, uma dessas coisas inclui você.”

Chris, aqui está o meu pedido pela desgraça que foi abnegação na sua vida. Escrevi essa fanfic em 1 dia e não sei com foi possível.

Karol, finalmente eu estou te dando a IwaOi prometida, acho que você já tinha perdido a fé. Como você já teve o privilégio de lê-la antes para me ajudar com o eventual OCC, caso tivesse acontecido, já sei que tenho a sua aprovação, então isso conta muito.

De resto, boa leitura.

Unidos

By: Sr. Artie

Capítulo Único


No último dia de aula no primário, Iwazumi presenciou uma cena que o deixou completamente exasperado: uma menina, com a mesma idade que a sua e de estatura um pouco mais baixa, esperneava e berrava ao lado da mãe devido ao término das aulas. Em sua cabeça, embora ainda fosse uma criança, aquele comportamento não possuía justificativas, era um exagero desmedido e sem explicações lógicas.

— Por que ela continua chorando? — Perguntou para a mãe. — O choro dela é muito barulhento.

A figura materna que estava à sua direita sorriu com o comentário ranzinza do menino. Ele parecia ter nascido com o espírito de velho agarrado a si, suas feições fechadas transpassavam uma aura antipática forte e poucas pessoas teriam coragem de lhe dirigir a palavra sem sentir medo de morrer somente com um olhar.

— Ela está chorando pelo fim das aulas — não havia sido sua mãe que o respondera, mas o garoto à sua direita, Tooru Oikawa.

— Não vejo sentido — foi tudo que disse.

Sua mãe, dessa vez, intrometeu-se na conversa entre os dois meninos e explicou ao filho o que se passava pela cabeça daquela garota.

— Ela teme o fim, porque isso significa que algo que estamos acostumados a ter acabou e o que vem em seguida é incerto e imprevisível. Um dia, você vai entender o que estou falando.

Contudo, Iwazumi Hajime nunca conseguiu compreender plenamente as palavras que a mãe lhe tinha dito ainda pequeno. É claro, ao crescer e adquirir maturidade, passou a ter empatia pelos outros, conseguindo se sensibilizar por quem estava sofrendo por causa do término de algo.

Viu seus amigos chorarem pelos relacionamentos acabados e seu vizinho desmanchar-se em lágrimas quando soube sobre a morte da avó. Conseguia entender a dor da perda que eles sentiam nestes momentos, porém não o pavor pelos dias vindouros. Era óbvio que eles tinham que continuar  a viver, independentemente de tudo; poderia ser difícil, mas viver jamais foi sinônimo de facilidade. Só que as mães sempre estão certas sobre os seus filhos. Demorou, mas Iwazumi passou a compreender o motivo pelo qual sentem medo do fim.

O final do ano letivo estava se aproximando e ele estava despreocupado quanto à faculdade, com as notas que tinha e o bom desempenho como atleta, arrumar uma bolsa de estudos não seria muito difícil, nem para ele e muito menos para Oikawa. Sua calma e tranquilidade, no entanto, esvaíram-se rapidamente quando tocou no assunto faculdade e Tooru lhe disse que iria para uma universidade diferente da dele.

Naquele momento, ele entendeu que nunca havia temido o fim, porque não tinha motivos para isso, não com Oikawa ao seu lado. Jamais haveria razão para chorar no último dia de aula do primário como aquela menina chorou, pois, no primeiro dia no fundamental, teria o Tooru lhe fazendo companhia. Igualmente, era insensato temer pelo futuro que os aguardava depois de perderem o primeiro campeonato de vôlei que participaram, já que no próximo eles estariam juntos.

Todavia, tudo mudou quando Oikawa disse claramente que não iriam para a mesma faculdade. Pela primeira vez, Hajime estaria sozinho, percebendo que só era obstinado ou destemido quando tinha Tooru junto de si.

No começo, ele tentou ignorar o fato de que não estudariam mais juntos, mas falhou cada vez que o sorriso de Oikawa passou em sua mente. O futuro em que estariam separados era um constante em seus pensamentos, sendo incapaz de conseguir administrar o misto de sentimentos que se apoderaram de si. O coração apertava só de pensar em estar longe do seu companheiro de anos e uma voz aguda — e, na sua opinião, inoportuna — gritava dentro de sua cabeça, semelhante a um alarme, advertindo que algo estava em falta, por mais que não fosse capaz de discernir o que era.

 Havia alguns dias desde que tinha recebido a notícia de que, no próximo ano, não estariam mais juntos, porém o episódio continuou sendo revivido por sua memória, de modo que estava sempre reflexivo, pensando em Tooru. Os treinos estavam comprometidos pela sua falta de capacidade de focar na bola que voava de um lado para o outro da rede. Por sorte — ou não —, ainda estava se aquecendo e as companhias que se encontravam ali com ele eram Matsukawa Issei e Hanamaki Takahiro.

Os dois terceiranistas cochichavam sobre o comportamento esquisito e anômalo do vice-capitão. Normalmente, zombariam dele ao lado de Oikawa, mas tinha dias que o setter também se comportava de maneira estranha, não envolvendo Iwazumi em suas brincadeiras. Issei havia chegado a comentar com o Takahiro que a dupla de ouro estaria passando por desentendimentos, porque até mesmo no paraíso houve crises, e qualquer relação, independente do grau, passava por momentos tubulosos.

— Parece que a discussão com Oikawa minou toda a sua concentração — Takahiro jogou um verde apenas para ver se Hajime cairia.

Os pensamentos tomados pelo Tooru finalmente foram interrompidos e Iwazumi deu-se conta da forma desligada que estava agindo. Piscou algumas vezes, assimilando a sentença que lhe foi dirigida,  e olhou em volta, insinuando pouco caso, para só então olhar para Hanamaki.

— Discussão? — Fez-se de desentendido. — Oikawa comentou algo com você?

— Ele pode ter chegado a falar alguma coisa, mas queria saber sua versão antes de opinar sobre.

Matsukawa levou a mão à boca e tentou esconder o sorriso que surgiu. Estava desacreditado acerca do modo como Iwazumi fora tão facilmente enganado. O desentendimento entre ele e Tooru deveria ter sido grave, pois apenas isso justificava o fato de ele ter caído naquele truque.

— Ele está chateado comigo? — Questionou inocente.

—  Ele tem motivos para estar?

— Não, porque, afinal, não fui eu quem comunicou que vai para uma faculdade diferente da minha e depois começou a me tratar com estranheza — respondeu inflamado.

— Iwazumi, então é por isso que vocês dois andam indiferentes um com o outro? — Dessa vez, Matsukawa era o responsável pela pergunta.

— Sim, o que ele contou a vocês?

Com o recente questionamento, os outros dois notaram que Iwazumi não havia se dado conta que fora enganado. O riso contido que Issei ecoou pela quadra deixou o Ás do time confuso.

— Vocês se conhecem desde a infância e estão brigados porque vão para faculdades diferentes? — Matsukawa conseguiu perguntar enquanto ria, incrédulo. — Vocês dois tem quantos anos?

Por um breve momento, o rosto mal-humorado de Iwazumi reapareceu e Issei quase arrependeu-se do questionamento que havia feito e do tom de voz petulante que usara. Contudo, logo ele voltou a apresentar as feições confusas, dando certeza ao maior que os sentimentos do outro estavam em um puro conflito.

— Teve um dia que puxei o assunto faculdade e ele comentou que não iria para a mesma que eu e, apesar de ter me assustado com a ideia de não tê-lo por perto no próximo ano, não consegui entender o motivo de ele se afastar sem mais nem menos.

Hanamaki era alguém observador e, sem dificuldades, conseguiu notar que alguma engrenagem na vida de Iwazumi não estava girando adequadamente, existia algo desalinhado, fora do eixo, que estava bagunçando a personalidade séria e durona dele. Contudo, quando se tratava de conselhos, Matsukawa era o mais indicado, por isso manteve-se mudo e neutro na conversa. Deixaria com o outro a responsabilidade de arrumar aquela bagunça desnecessária e sem sentido criada pelos seus líderes.

Issei observou a desordem estampada no rosto de Hajime e pensou com cuidado nas palavras que usaria. Sabia que o vice-capitão não era insensível, ele era bastante atencioso com os companheiros de equipe, sobretudo, Oikawa. Entretanto, algumas vezes, faltava-lhe tato para lidar com uma determinada situação e essa em que ele se encontrava era uma dessas circunstâncias delicadas.

— Você respondeu alguma coisa ao Oikawa quando ele comunicou que iria para uma faculdade diferente?

— Não, ele não me pediu permissão para ir, apenas avisou — esclareceu. — O que eu deveria dizer?

— Passou pela sua cabeça falar que ele faria falta?

— Matsukawa, é o Oikawa, ele não precisaria ouvir isso de mim para saber.

Issei suspirou audivelmente. Iwazumi, às vezes, agia como um tapado.

— Ele pode não precisar, mas talvez Oikawa apenas deseje te ouvir falar.

Hajime pensou com cuidado nas últimas palavras proferidas pelo outro, concluindo que vacilara um pouco.

— Além disso — Issei retomou a fala —, você é semelhante a um pilar para Oikawa. Somente o fato de ele ter escolhido dividir contigo uma decisão tão importante, ao passo que, mesmo sem querer, você reage com indiferença, pode levá-lo a perder a confiança em si próprio.

— Eu não fiquei indiferente quando ele me contou, na verdade, estava bastante abalado por saber que ele e eu tomaríamos caminhos diferentes — defendeu-se. — Sem falar que a toda a coragem que estava reunindo para tocar naquele assunto com ele evaporou-se.

— Iwazumi, é nosso último ano, estamos no verão e, assim como a estação, nossa vontade de lutar por aquilo que queremos deveria estar ardendo, quente como uma chama — falou gesticulando com os braços e, ouvindo tudo aquilo, Hajime se perguntou de qual anime seu amigo havia tirado aquelas palavras. — Também há a possibilidade de Oikawa se cansar de continuar na geladeira enquanto você não faz absolutamente nada — concluiu com um sorriso de canto, colocando um pulga atrás da orelha do outro só para vê-lo sem sossego.

Hanamaki poderia jurar que Tooru sabia que estavam falando sobre ele, porque essa era a única explicação para o capitão aparecer com quase uma hora de antecedência no treino. No dias comuns, sempre vinha acompanhado do Iwazumi, mas nesses últimos, com a estranheza que havia entre eles, Oikawa acabava chegando quase em cima do horário. Todavia, contrariando o seu comportamento recente, ali estava ele, entrando pela porta do ginásio.

— Só vocês três estão por aqui? — Questionou quando se aproximou do trio, mantendo-se do lado esquerdo da rede e, portanto, ao lado de Iwazumi.

— Sim — respondeu Takahiro —, mas ainda não começamos a treinar.

— Vamos nos alongar antes — sugeriu Matsukawa, embora os três já houvessem feito o alongamento. — Iwazumi vai te ajudar, Oikawa. Eu fico com Hanamaki — disse, piscando para Hajime, enquanto puxava o colega para o fundo do ginásio, dando privacidade aos outros dois.

Tooru sorriu sem graça, um pouco tímido, e aquilo era muito inusitado, principalmente se levasse em consideração que estava em companhia de Iwazumi, com quem tinha um relacionamento divertido e espontâneo.  Acanhado, correu os olhos pelo seu entorno, fitando o homem diante de si de relance.

— Vamos começar — disse.

O tom de voz baixo, envergonhado, e o rubor carmesim que tomou conta do rosto bonito atingiram Hajime de jeito. Suspirou.

Adorável, pensou.

Sentaram-se no chão da quadra, um pouco distantes, face a face, abrindo as pernas, de modo que cada um apoiou seus pés nos pés alheios. Oikawa foi o primeiro a deitar o seu corpo esguio para frente, à medida em que seus braços eram puxados nessa direção por Hajime.  Os olhos castanhos, assim como sua cabeça, estavam virados para direita, observando os bancos vazios.

— Você está chateado comigo? — Perguntou direto. Iwazumi havia pensado em algumas maneiras de tocar no assunto, abordando-o de maneira menos direta e pouco invasiva, mas decidiu ser franco desde o início.

— Não, mas você pareceu estar muito decepcionado comigo quando te contei meus planos — infelizmente, a posição em que estava impossibilitava Tooru de observar a descrença bordada no rosto de Iwazumi.

Lembrava de ter estudado em física a existência de realidades paralelas e como versões diferentes de cada pessoa poderiam estar em uma situação alternativa, totalmente contrária àquela em que se encontravam. Contudo, ainda pensando dessa forma, custava a acreditar que, em alguma dessas realidades, ele estaria desapontado com Oikawa.

Refletindo sobre aquilo que Matsukawa tinha dito, Hajime concluiu a ausência de palavras para expressar o modo como estava sentindo sobre o comunicado feito por Tooru, havia dado espaço para o setter inferir, erroneamente, sobre suas emoções; tinha deixado-o no escuro e se recriminou por isso.

— Eu definitivamente não estava decepcionado contigo — enfatizou, com veemência, o advérbio para passar a entonação certa e não deixar margens para outra interpretação errada. — Mas estava com medo, na verdade, estou com receio por saber que não estaremos juntos no próximo ano — confessou, quase sussurrando.

Oikawa puxou seus braços para trás, buscando soltá-los das palmas que os prendiam e, logo depois, empertigou-se, exibindo um sorriso genuíno para Iwazumi. Ouvi-lo admitir que aquele estranhamento entre eles fora causado por uma simples análise errada acerca das reações de cada um melhorou o seu humor sobremaneira.

— Iwa-chan — lá estava o apelido carinhoso e, apesar de nunca admitir, Hajime sentiu falta de ouvi-lo —, só vamos para faculdades distintas e, com certeza, não estaremos no mesmo time, mas vou continuar ao seu lado independente de tudo.

Embora não parecesse, os dois possuíam confissões entusiasmadas, apaixonantes, mas, durante esses anos que desfrutaram em companhia, não passavam das declarações aficionadas. A devoção notável nas palavras de Oikawa, ditas com a voz salpicada de afeto e estima, fizeram Hajime corar.

— Shittykawa — disse enquanto pegava Oikawa pelos punhos da mão, puxando-o contra si, voltando a posição de outrora.

Ouvindo o insulto dirigido a si, Oikawa sabia, estavam bem novamente e a tranquilidade que isso acarretava era suficiente para fazê-lo suspirar de alegria. Com Iwazumi, não existia batalha impossível  ou, muito menos, cansaço, porque aquele à sua frente era seu maior descanso.

— Aliás — Hajime retomou a conversação —, na próxima semana vai ter o festival de fogos de artifício e, hum, nós poderíamos… — enrolou-se um pouco e quase fraquejou com seu pedido, mas a conversa que havia tido com Matsukawa o fez continuar — ah, quem sabe, ir juntos ou algo do tipo.

Tooru não verbalizou uma resposta para o pedido — que mais parecia uma sugestão —, acenando com a cabeça, ostentando um sorriso largo no rosto, o qual denunciava a felicidade que o preenchia.

Afastados, Matsukawa e Hanamaki os observavam, contentes pelo resultado final.

— Eu sempre te digo que deveríamos abrir um negócio para juntar casais, seríamos ricos, somos muito bons nisso — Issei disse, sorrindo.

De volta à normalidade, os dias que antecederam a data do festival não se demoraram a passar, diferente do intervalo curto de tempo em que sua relação com Oikawa estava estranha. Depois daquela conversa, seguindo os conselhos de Matsukawa, os dois voltaram a interagir como de costume e, novamente, onde quer que Tooru estivesse, Hajime estaria lá e virse-versa.

Nesse momento, Hajime estava em casa, terminando de vestir a yukata de tonalidade marrom para, então, sair e ir a encontro de Oikawa. Procurou pelo faixa que deveria ser amarrada em sua cintura, mas não a achou sobre a cama, encontrando-a caída no assoalho do quarto. Ao abaixar-se para recolhê-la, viu um papel branco e um pouco amassado, jogado ao pé da cama. Pegou a faixa e a folha, sentando-se no colchão para ler o conteúdo.

De primeira, reconheceu a sua letra e, lendo a frase título, logo no ínicio da folha, recordou-se sobre o que se tratava. No começo do ano, havia estabelecido uma lista de coisas que gostaria fazer antes de se formar, afinal, era seu último ano e, antes de Matsukawa lhe falar aquelas palavras motivacionais, Hajime sabia que não queria colocar um fim naquela etapa de sua vida e concluir, posteriormente, que tinha algum arrependimento.

A listagem era curta, não havia muitas coisas que desejaria realizar, porque sabia que muitas coisas iam além da pura força de vontade, não dependendo apenas de si. Não gostava de se pressionar. Contudo, ainda havia alguns itens interessantes, como aquele em que deixava claro o seu desejo em derrotar a Karasuno e a Shiratorizawa ou a sua vontade em crescer, no mínimo, mais um centímetro. Sua altura era uma grande preocupação.

Também havia itens que dependiam unicamente de si. No fim da lista, não por ser menos importante, mas porque era incapaz de afirmar se levaria aquilo em frente, estava o nome do Oikawa. Por mais que tivessem um bom relacionamento, Iwazumi não desejava permanecer naquele estágio para sempre; queria mais da relação que cultivaram, queria mais do Tooru.

O medo, porém, de estragar o que tinham falava mais alto cada vez que idealizava a possibilidade de estarem juntos. Por essa razão, um dia, tocou nesse assunto com Matsukawa e Hanamaki, os quais prometeram que o ajudariam, assegurando a Hajime que seus receios eram infundados.

—  Vocês são a melhor equipe que conheço — disse Takahiro —, além disso, basta olhar para ambos e qualquer um consegue perceber que tudo as coisas entre vocês se estendem além da amizade.

Com isso em mente, tendo os sentimentos bem definidos e impulsionado pelas palavras de apoio dos amigos, Hajime decidira que resolveria essa situação.

Terminou de se arrumar e saiu de casa. O seu andejar era lento e, por pouco, conseguiria esconder a ansiedade crescente dentro do si, se não fosse o pulso acelerado e o suor que escorria pela sua tez.

Encontrou Oikawa parado em um cruzamento entre as ruas que moravam e, por um segundo, esqueceu-se de respirar, enquanto o coração frenético falhou uma batida. Estonteante, única palavra possível para defini-lo. Vestindo uma yukata de tons azuis e segurando um leque de mesma cor, Tooru mantinha-se parado ali, no meio de uma via, alheio ao efeito que causava a qualquer um que colocasse os olhos sobre ele naquele momento.

Ao perceber a aproximação de Iwazumi, Oikawa gritou pelo nome dele, levantando o braço direito para cima e acenando para o outro que se aproximava.

— Iwa-chan, marrom te cai bem — comentou quando ele já estava perto o suficiente para ouvi-lo.

Hajime pensou em respondê-lo, mas não encontrou uma forma de elogiá-lo sem parecer muito piegas e, por vergonha, resguardou seus elogios para si. Oikawa o conhecia e não esperava escutar algo em resposta, apenas sorriu ao vê-lo encabulado.

Retomaram o caminhar tardio que Hajime fazia antes, no entanto um pouco mais arrastado. O caminho para chegar ao festival pareceu alongar-se, quando a verdade era que os dois não tinham pressa para chegar ao seu destino final. Sozinhos, dando passos curtos, lado a lado e com as mãos quase coladas, sentindo a brisa suave da noite bater contra os seus rostos, ambos desfrutavam da companhia um do outro.

Jogaram conversa fora enquanto faziam o percurso, mas Hajime falhava em manter qualquer assunto. O alarme em sua cabeça, que o incomodava desde o dia em que teve o leve desentendimento com Oikawa, continuava soando em sua cabeça, no entanto, mais alto. A diferença, dessa vez, era que ele sabia o que fazer para cessá-lo: abrir o jogo, contar, enfim, como se sentia para aquele ao seu lado. Todavia, não julgava aquele momento como oportuno, então manteve-se calado.

Tooru percebeu que havia algo incomodando Iwazumi, mas não sabia compreender o que era. Só que conseguia notar que não se tratava de um mal entendido, como tinha acontecido antes. Por essa razão, optou por não tocar no assunto e deixá-lo de lado até que ele estivesse confortável para falar.

Permaneceram a maior parte do trajeto em silêncio, embora não fosse desconfortável, chegando ao festival depois de um tempo, mesmo a tartaruga mais lenta consegue chegar em seu destino um dia e eles, por mais que caminhassem preguiçosamente, tinham alcançado a multidão dispersa entre barracas de comidas e de jogos.

Primeiro, passearam entre o amontoado de barracas, descobrindo os jogos e brincadeiras que estavam sendo oferecidas ali. Hajime encontrou uma barraca de kingyo-sukui — o divertido pega-peixe japonês — e, normalmente, ignoraria, mas no lugar de peixes dourados, como de costume, os que nadavam dentro da piscina eram oikawas e era sempre divertido caçoar do Tooru por seu nome ser o mesmo que o de um peixe.

— Oh, Shittykawa, vários de você — brincou. — Vou tentar levar um para casa, quero um oikawa para mim.

Apesar de inocentes, suas palavras eram bastantes furtivas e a forma como as falou, olhando diretamente para Tooru, fez com que o setter corasse um pouco.

Decidido, pagou ao senhor que tomava conta da barraca e tentou capturar o peixe com a rede de papel seda, falhando. Oikawa sorriu ao perceber que a tentativa alheia terminou em fracasso, dando o suspiro longo quando notou que Iwazumi havia pagado para ter mais uma chance. Foram precisas mais duas tentativas além daquela para conseguir o peixe para si. Ao recebê-lo dentro de um saco, no entanto, o entregou para Tooru.

— Para você — disse. — Já tenho o meu próprio Oikawa — e como se não houvesse falado nada demais, saiu. Tooru, por outro lado, parou alguns minutos, embasbacado pelas palavras tão diretas do outro, antes de sair correndo atrás dele e com um sorriso largo.

Continuaram a caminhar entre a multidão, vez ou outra parando em alguma barraca para entreterem-se com alguma brincadeira. Oikawa não tinha talento para jogos de tiro, concluiu, depois de desperdiçar uma quantia considerável sem conseguir acertar nenhum alvo.

Com o tempo, perceberam que estavam com fome, parando em uma barraca que vendia dango para comerem. Sob o olhar atento de Iwazumi sobre si, Oikawa comia o doce e, desatento, não percebeu o canto da boca sujo de calda, até que sentiu a mão de Hajime encaixar-se em seu rosto, adornando tão bem, enquanto limpava com o polegar o melado.

Permaneceu com os olhos vidrados, atento a cada ação que Hajime tinha, e chocou-se mais um pouco quando o viu colocar o dedo sujo de calda na boca, lambendo-o. Pensou no que dizer mediante àquela atitude descabida, mas não teve oportunidade, pois ouviu um conjunto de gritos agudos verbalizando seu nome. Olhou para o lado e enxergou um grupo de meninas e sorriu por saber quem eram.

Iwazumi, apesar de estar apreciando o fato de conseguir aproveitar a companhia de Oikawa como antes, com certeza não havia sentido, nos dias em que buscavam se evitarem, a presença constante e chata do grupo de fangirls que o setter possuía. Era preciso respirar fundo, no mínimo três vezes, para não perder a cabeça e surtar com toda a gritaria que era obrigado a escutar. Para piorar a situação, elas tinham que aparecer justamente quando ambos estavam juntos e doados a um momento único deles.

Com desgosto e com a cara fechada, suspirou incontáveis vezes, denunciando sua insatisfação pelo grupo ali. Desejava ter uma bola em mãos e, sem pensar, jogaria na cabeça de Oikawa para que ele tivesse prioridades e, certamente, a maior prioridade, naquele instante, era ele.

Tooru conseguia escutar todas as lamentações de Iwazumi, as arfadas pesadas e repetitivas, mas preferiu aproveitar do ciúme que ele sentia apenas para retribuir a maneira como ele lhe havia deixado sem graça minutos atrás. Depois de dar o tanto de atenção que achou suficiente, virou para o outro, encontrando-o com uma expressão irritada.

— Calma, Iwa-chan, você já tem seu próprio Oikawa, não é como se eu fosse a algum lugar sem você — sorriu e, dessa vez, saiu de antemão, obrigando Hajime a ir atrás de si.

Mantiveram-se andando por entre o amontoado de pessoas, gastando o tempo até o horário da queima dos fogos de artifícios. Tooru procurou por um lugar mais calmo para que pudessem descansar, encontrando um talude baixo e pouco íngreme. Sentaram-se e buscaram relaxar os pés doloridos pelo longo período que passaram caminhando.

Ninguém parecia ter tido a mesma ideia que eles, porque se encontravam sozinhos ali. Iwazumi estava sentado bem próximo a Oikawa, próximo o suficiente para questionar-se a validade de algumas leis físicas. Os dedos de sua mão tocavam de leve a palma aberta de Tooru, desenhando círculos aleatórios.

Eis o momento perfeito que estava esperando — e o alarme em sua cabeça soou novamente.

— Nós estamos correndo tão rápido desde que me lembro — iniciou uma conversa, tirando Oikawa do torpor em que estava preso ao admirar a imensidão prateada que era a noite estrelada, voltando o seu olhar para o homem ao seu lado, constatando que ele também observava o céu — e jamais olhamos para trás. Você se tornou um craque e exímio jogador por puro esforço e perseverança e eu sempre lutei para te alcançar, não queria ficar para trás.

Iwazumi já havia deixado claro para Oikawa que ele era um parceiro sobre o qual poderia se gabar,  mas não lhe havia dito que desejava ser o mesmo para Tooru.

— Em qualquer momento que eu falhe, você vai estar lá para me completar. Oikawa,nós fazemos um bom time e, mesmo que os outros não enxerguem isso, existe uma química louca entre a gente.

Finalmente, Hajime parou de olhar o céu da noite, virando em direção a Oikawa, encontrando os olhos alheios compenetrados em si. Estava ciente sobre cada mísero movimento que ele realizava, atento até mesmo às ações mais insignificantes possíveis.

Notou quando Tooru, com os olhos ainda presos em sua figura, passou a língua pelos lábios secos e aquilo nunca pareceu tanto com um convite como naquele instante. O tempo, provavelmente, estava em câmera lenta, porque a distância ínfima que separava o seu rosto do de Oikawa não parecia findar. Essa aproximação tardia era a antítese perfeita para o ritmo acelerado de seu coração, não se recordava de ter sentido tamanho nervosismo como na forma em que encontrava.

Enfim, o espaço entre eles desapareceu, e a sua boca alcançou a de Oikawa, beijando os lábios com leveza, para só então aprofundar o beijo. Iwazumi acreditava que o seu coração explodiria em mil pedaços quando tocasse os lábios alheios com os seus, mas o efeito fora o oposto, acalmou-se e nunca se sentiu tão em paz.

Com os lábios de Oikawa colados aos seus, Iwazumi acreditou que vivera toda a sua vida apenas por aquele momento.

Oikawa era a relação mais íntima que tinha desenvolvido, o símbolo de confiança e lealdade que carregava consigo. Ele era seu céu azul de verão, retardando o metabolismo de seu corpo e produzindo sobre si uma espécie de efeito calmante. E porque ele era uma gama de sensações, Tooru também lhe transpassava energia e determinação, dando-lhe forças para seguir diante de  qualquer adversário. Ele era o sangue vermelho que corria em suas veias, o energizando.

Tudo que dizia respeito a Oikawa era intenso, tons de roxo fortes, simbolizando todo o respeito e devoção de Iwazumi para com ele, porque Tooru era intrínseco àquilo que Iwazumi era e, no fim, roxo ainda era a cor da realeza e Oikawa era o rei da quadra e, inegavelmente, era o seu rei.

Passaram a noite toda em um mundo próprio só deles, criando novos clichês e sendo completamente previsíveis; doces, enjoativos como mel.

Quando a sua boca largou a de Oikawa e Iwazumi o viu perto si com a respiração entrecortada e a face carmesim, reprovou-se por tê-lo chamado de estonteante mais cedo ao encontrá-lo, porque agora não possuía adjetivo para qualificá-lo e distinguir de qualquer outro estado seu, pois enquanto os outros o viam belo em uma yukata azul, somente Hajime poderia admirá-lo em sua total perfeição logo após um beijo.

— Às vezes, nós dois extrapolamos fácil demais e levamos algumas coisas muito a sério, viver assim é bem díficil — Iwazumi falou —, mas, hum, se tratando de nós, eu sei que vai dar certo, porque, hum…

Céus, ele estava muito nervoso, mal conseguia falar e Tooru achou fofo aquele jeito meio perdido e não precisava que ele terminasse de completar sua sentença para compreender o que Iwazumi queria dizer.

— Iwa-chan — sorriu —, você não precisa dizer eu te amo para dizer eu te amo, suas ações dizem perfeitamente isso.

Com essa simples frase, aquele que era responsável pela confusão e desordem dos seus pensamentos conseguiu mostrar a Iwazumi que, independente de tudo, eles se encaixavam de uma forma inigualável, eram duas metades e, quando unidas, formavam um único coração.

Embora não existisse a necessidade de falar algo mais, Iwazumi preferiu não ficar calado.

— Oikawa, tudo que preciso é você — disse sereno, com um semblante alegre.

Antes que conseguisse alcançar a boca de Oikawa outra vez, o primeiro fogo artifício explodiu, iluminando o céu acima deles.


21 декабря 2018 г. 17:19:16 0 Отчет Добавить 1
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