sweet-mary Mary

Marina Luísa de Queiroz nunca foi mestre na arte de fazer novas amizades até porque seu apelido é "boca de lata". Mergulhada em leituras, tímida e desajeitada, Marina parecia conformada com uma vida pacata, porém sem grandes aventuras e amizades eternas. Com o desemprego da mãe, a repentina mudança para a casa dos avós e a sentença de passar o verão numa colônia de férias, Marina se vê obrigada a enfrentar seus piores temores. Falar com desconhecidos, atividades recreativas ao ar livre, tomar chá de cadeira nos bailinhos. No entanto, de onde menos se espera, surgem as melhores surpresas e embora saibamos que esta é uma história de amor, ela é única, não importam quais venham a ser os desdobramentos do destino.


Любовные романы цыпленок горит Всех возростов.

#falsas-amizades #inveja #músicas-antigas #colônia-de-férias #primeiro-beijo #primeiro-amor
3
3.0k ПРОСМОТРОВ
Завершено
reading time
AA Поделиться

1

Marina Luísa de Queiroz não acordou tão cedo quanto deveria, por isso não pôde protelar por nem mais um bocejo. Seis e quinze. Hora se colocar de pé e não perder um único minuto porque todos eram preciosíssimos. Assim sendo, aprontou-se às pressas porque se perdeu no mundo dos sonhos e não deu conta da hora.

Segunda-feira, de volta à escola. Felizmente aquela era a última semana de atividades letivas, uma ótima notícia.

Uma batidinha na porta entreaberta:

— Marina, já acordou?

Era Regina Queiroz, sua respeitável mãe.

— Já acordei! — Marina respondeu mais alto do que realmente pretendia.

— Você ainda tem aula, menina! — lembrou Regina. — Quer perder o primeiro horário?

Era um milagre que Regina tivesse acordado cedo. Trabalhando em dois empregos, mãe e filha nem sempre tinham o privilégio de fazerem uma refeição juntas. Era assim desde que o homem da casa saiu e nunca mais voltou.

Marina não tinha irmãos nem amigos, sendo seus companheiros desde sempre os livros onde podia fugir da realidade insignificante e viajar para um mundinho só seu aonde milagres eram comuns como a chuva que fertilizava o solo e propiciava a colheita de batatas, principal atividade econômica de Cantos Serenos.

Marina, apressada, calçou os tênis brancos, vestiu o uniforme, ajeitou os cabelos em um rabo-de-cavalo torto porque não se encontrava com o melhor humor do mundo para lavá-los e aplicar uma boa dose de gel para manter os fios no lugar. A mochila estava arrumada, ponto para ela que saiu tropeçando até a cozinha, pronta para um longo dia. Animada pelo café, a mente fervendo de vontade de registrar esse anseio por um pouco de cor e criatividade numa rotina carente de novidades.

Marina fazia sempre as mesmas coisas, afinal, era apenas uma menininha de treze anos que ia à aula apenas para não contabilizar faltas no boletim, pois não teria um grupo de amigos para fazer bagunça, aproveitando para se refugiar na biblioteca e ler em silêncio até o último sinal soar.

O último dia de aula chegou e com ele uma notícia que partiu o coração da menina Marina:

— Perdi o emprego, minha filha! — contou Regina, amuada.

A fábrica de sapatos não fechava em pior momento. Logo no final do ano, a época em que mãe e filha podiam se permitir alguns agrados financeiros e não sofrerem como nos outros meses em que tinham de contabilizar o dinheiro com cuidado para não passarem necessidade.

Se trabalhando em dois empregos, Regina Queiroz não dava conta de sustentar o lar, contar com a renda de apenas uma ocupação significaria na prática mais cortes orçamentários. Nessas horas ela sentia tanta falta do esposo que nunca mais voltou, não apenas porque o dinheiro dele ajudaria nas despesas. Era tudo. Principalmente a força. Sempre que a falta de sono pedia um espaço no lado vazio da cama, Regina sentia muita saudade de ter alguém para dividir tudo, até os problemas. E chorava.

Ninguém nunca mais soube do paradeiro do homem. Ele se foi quando Marina tinha sete anos e sem condições de manterem o mesmo padrão de vida que tinham antes, mudaram-se para uma casa menor, alugada, com dois quartos, um banheiro, sala, cozinha, um pequeno quintal, sem garagem, uma vez que tiveram de vender o carro.

Entretanto, Marina e Regina tinham com quem contar e essa era a parte que a mãe não sabia como contar à filha:

— Nós vamos morar com os seus avós por um tempo... — explicou Regina sentada com Marina no estreito sofá de dois lugares da minúscula sala de uma casa alugada.

— O vovô e a vovó moram muito longe... — Marina recuou.

— Sei disso, querida.

— É pra sempre?

— Não exatamente “pra sempre”, mas por um bom tempo!

— Eu vou ter que mudar de escola? — perguntou Marina, fitando a mãe.

— Vai.

Aquela, para falar bem a verdade, não era uma tragédia para Marina, mas não importava para qual escola fosse, não conseguia nunca se enturmar, não por ser antipática, e sim porque sua bendita timidez crônica a tornava alvo fácil dos valentões, somando à massa o aparelho na boca e o jeito estabanado de ser.

Seria difícil se (re) adaptar numa nova escola, contudo nunca conseguiria ficar um só dia longe da mãe. Iria para onde ela fosse. Nunca a abandonaria. Nem em pensamento. Podiam ter muitas diferenças, porém as superavam com amor. Desde que o pai foi embora, tinham apenas uma a outra e assim seria até quando o destino quisesse.

29 января 2019 г. 0:00:07 0 Отчет Добавить Подписаться
2
Прочтите следующую главу 2

Прокомментируйте

Отправить!
Нет комментариев. Будьте первым!
~

Вы наслаждаетесь чтением?

У вас все ещё остались 14 главы в этой истории.
Чтобы продолжить, пожалуйста, зарегистрируйтесь или войдите. Бесплатно!

Войти через Facebook Войти через Twitter

или используйте обычную регистрационную форму

Больше историй

The Bookstore The Bookstore
Roll The Dice Roll The Dice
First First