O HOMEM POR TRÁS DA MÁSCARA VENEZIANA Подписаться

S
Sarah Marques


Depois de dez anos na Europa, a jovem e recém-formada jornalista Beatriz Álvares, retorna com sua tia Leonor à casa onde viveu quando criança. Ela descobre que no tempo em que ficou fora, naquela cidade um acidente aconteceu com um casal, mas só o homem sobreviveu. Desde então, ele vive isolado com sua dor na mansão do fim da rua. Os únicos que tem acesso à casa são seus funcionários: uma cozinheira afetuosa, um íntegro motorista e seu procurador, que é um grande amigo. O acidente lhe custou a vida de sua amada e a beleza de seu rosto, por isto, nas raríssimas aparições, sempre foi visto com uma máscara veneziana. Certo dia, convidada pela cozinheira, Beatriz tem acesso à casa onde este amargurado e solitário homem vive, mas, em primeiro momento, a reação dele é hostil à sua presença. Mas é no dia em que, escapando de um jantar realizado por sua tia para reunir amigos da sociedade, que Beatriz conseguirá um contato mais próximo e iniciará uma profunda e emocionante saga pela descoberta do homem por trás da máscara veneziana.


Любовные романы Романтическое ожидание Всех возростов.

#máscara #interracial #Fera #acidente #literatura-brasileira #crônicas #recomeços #Esperanças #descoberta #mistério #romance
0
4432 ПРОСМОТРОВ
В процессе - Новая глава Каждый понедельник
reading time
AA Поделиться

DE VOLTA PARA CASA

BEATRIZ


Estou de volta aonde tudo começou. Depois de dez anos na Europa, tia Leonor e eu retornamos ao Brasil, mas precisamente ao sudoeste, para morarmos em uma de suas propriedades.

Eu já não sou mais a mesma. Quando fomos embora, tinha apenas treze anos, uma imaginação fértil e muitas incertezas - para falar a verdade, tirando a idade, o resto continua igual. Só que agora, a fórmula mágica de leite com biscoitos não se aplica na resolução de tudo. 

Sou Beatriz Álvares, Bia para os mais íntimos. Tenho vinte e três anos e acabo de me formar em jornalismo. Consegui uma entrevista no Jornal Estatal, para o início da próxima semana. Ele é um dos jornais mais antigos da cidade, modesto e com sede em um casarão do século passado. Quando criança, me perdia em suas páginas de crônicas. Espero poder escrever algumas, caso seja contratada.

- Bia, chegamos! - tia Leonor me interrompe dos meus pensamentos. 

Olho pela janela do carro e vejo como nada mudou. A mansão de muros altos e janelas em madeira rústica na rua pacata, onde ainda é possível ouvir o canto dos pássaros que permanecem aconchegados em cima das árvores ao fundo do jardim.

Jorge Vásquez, nosso advogado, quem resolveu tudo para que nosso retorno fosse tranquilo e nos buscou no aeroporto, se apressa em dar a volta no carro e abrir a porta para minha tia e eu. Tia Leonor gosta muito dele e volta e meia toca no assunto de que seria um ótimo marido para mim. Ele é um rapaz bem afeiçoado, com seus 1,80 de altura, cabelos negros bem cortados, ombros largos e olhos castanhos. Porém, não me aspira à mínima confiança. Algo em mim me diz que ele não é uma boa pessoa. Espero que seja só impressão.

- Sejam bem-vindas de volta. - diz Jorge.

- Obrigada. Você tem sido tão eficiente todos estes anos, Jorge. - tia Leonor fala.

-Não faço mais que meu trabalho, Dona Leonor.

-Antes que me esqueça, quero lhe convidar para o jantar que promoverei na próxima semana, para reunir alguns amigos e membros da associação.

Olho para tia Leonor e dela para Jorge, torcendo para que ele não aceite. 

Ele diz: 

- Se a senhorita Beatriz concordar, será um prazer. Mas acredito que ela não goste da minha companhia, ficou calada o caminho todo.

Minha tia olha para mim como se cobrasse uma resposta positiva.

Digo à contragosto:

 - É impressão sua, Jorge. Ficaremos felizes em te receber.

Minto tão mal que espero que ele perceba e desista de vir.

- Se é assim, estarei presente. - diz sorrindo e se despede de Tia Leonor, que lhe dá um abraço caloroso. Quando se aproxima de mim, me esquivo e vou em direção à porta, onde Marilda, nossa funcionária querida e minha confidente, nos espera. Que saudade dela, das nossas conversas no jardim e de seus bolos deliciosos.


....

- Estou tão feliz que está de volta, minha linda. - Marilda diz enquanto caminhamos abraçadas em direção à sala.

Marilda é uma mulher de meia idade, corpulenta, de cabelos volumosos que mantém presos em um coque. Ela tem um quê materno e sempre uma palavra de afeto. Desde que comecei a morar com tia Leonor nos tornamos muito próximas. 

-É bom estar de volta.

De todas as casas que minha tia possui, foi nesta em que vivi mais tempo e da que mais senti falta.

- Preparei tudo o que você gostava de comer quando criança. Espero que ainda goste.

Olho para a mesa que está repleta de bolos, tortas, pudins, biscoitos e muitas outras delícias. O cheirinho de cada quitute me teletransporta ao passado e sinto-me de novo uma criança. A garotinha que corria fazendo festa por aquele salão toda lambuzada de chocolate. 

- Eu ainda gosto. Assim como de tudo que você prepara. - respondo me recuperando da onda de nostalgia que me tomara. - Vou para o meu quarto tomar um banho, pois a viajem foi longa e então, desço para comer.

- Não vá se empanturrar de doces! - me repreende tia Leonor, ao entrar na sala e se deparar com a vasta mesa.

- Dona Leonor, deixe a menina comer. De vez em quando não faz mal, pelo contrário, é necessário dar uma adoçada à vida. Ainda mais hoje, que  depois de tanto tempo longe, finalmente estão de volta! - diz Marilda, sempre pronta a interceder por mim.

Tia Leonor dá de ombros. Ignoro-a e me encaminho às escadas que me levarão ao meu quarto.


...

Já entardeceu, mas nem vi o tempo passar. Estou há horas na cozinha conversando com Marília. 

- Marilda, já contei tudo que aconteceu na Europa, mas e aqui? O que aconteceu de importante? - pergunto.

- Aqui nada de muito relevante. É uma cidade muito pacata. Fora os mexericos do povo, nada de...

Marilda fica em silêncio por alguns segundos, como se puxasse uma lembrança pela memória.

- Lembrou de algo?

- Sim, minha linda. Semanas depois que Dona Leonor e você se mudaram, aconteceu um acidente de carro com um jovem casal na estrada de terra.

- Nossa! Que coisa horrível. Morreram?

- A moça sim. O rapaz sobreviveu, mas, depois disto, nunca mais foi visto pelas ruas. Ele se mantém isolado em sua casa. Dizem que ficou desfigurado... As poucas pessoas que o viram quando teve alta do hospital, disseram que ele usava uma máscara igual à de baile, cobrindo o rosto. - Marilda suspira e prossegue:

 - Ele era um rapaz tão bonito... Seu Xavier. Você não deve se lembrar, era uma criança.

- O nome não me é familiar.

- Ele mora na mansão que fica no fim da rua. Nem parece que vive lá, sei, pois às vezes encontro com a Lurdes, cozinheira da casa, aos domingos, quando vai à missa. Mas ela não comenta nada sobre o ocorrido e tampouco sobre o patrão. 

- E ninguém o visita? - pergunto curiosa e tomo um gole do meu chá.

- Só um rapaz, acho que é seu procurador. Ele vem algumas vezes por mês. Deve ser para informar sobre os negócios. Seu Xavier é dono de várias fábricas.

- Sim. Coitado, deve ser um homem muito ferido.

-Muito. - responde Marilda.

De repente, sou assaltada por uma vontade estranha e ao mesmo tempo profunda de conhecer este homem, poder lhe dizer que estou aqui, caso precise de uma amiga.

- Marilda...

- Diga, minha linda. - ela diz carinhosa enquanto me serve mais chá.

- Será que ele se incomodaria se fizéssemos uma visita?

- Com certeza, sim! Em dez anos, os únicos que entram na mansão são a Lurdes, o motorista, que vivem com ele e o procurador. 

- Que pena. - digo, sentindo um nó na garganta.

10 декабря 2018 г. 20:55:57 2 Отчет Добавить 1
Прочтите следующую главу UM DIA PARA LEMBRAR

Прокомментируйте

Отправить!
~

Вы наслаждаетесь чтением?

У вас все ещё остались 3 главы в этой истории.
Чтобы продолжить, пожалуйста, зарегистрируйтесь или войдите. Бесплатно!

Войти через Facebook Войти через Twitter

или используйте обычную регистрационную форму