As 12 Badaladas Подписаться

kamysouza Kamy Souza

Alice sempre estimou o dia 31 de Outubro, que além de Halloween, era o dia de seu aniversário. Mas no ano de 2018, o universo conspirou para que ela não só não pudesse aproveitar um “Gostosuras ou Travessuras” como nos filmes norte americanos que adorava assistir, como também não pudesse comemorar seu próprio aniversário na data correta, já que teria que ir para a escola fazer prova de matemática e voltar para casa, para estudar para a prova de física que teria no dia seguinte. No entanto, mal podia imaginar, que o azar em seu dia, não pararia por aí. ♣ História também postada no Nyah! Fanfiction e Wattpad com o mesmo nome de usuário ♣ DESAFIO ABÓBORAS ATÉ LÁ EMBAIXO • GRUPO CANETA TINTEIRO


Короткий рассказ Всех возростов.

#suspense #fantasia #halloween #mistério #fantasma #cadáveres
Короткий рассказ
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Capítulo Único


Quando o sino bateu sua décima segunda badalada, eu soube, meu tempo havia se esgotado, estava perdida.



Eu esperava algo de especial para esse dia. Não é todo dia que uma garota faz 16 anos, e o Halloween só acontece uma vez por ano. É muito azar pensar que logo em uma data dupla, tão especial, eu estaria em semana de provas na escola e, além de ter uma prova de matemática logo no dia 31 de Outubro, ainda teria de física no dia seguinte e não poderia sair ou comemorar em nenhum momento, porque eram as duas matérias que eu me sai pior durante o ano e estava na corda banda.

Quando me levantei aquela manhã, às seis e meia, tudo o que queria fazer era continuar na cama, aproveitando meu dia dormindo até, no mínimo, meio dia, mas minha mãe veio me chamar, ainda mais incômoda que o despertador do celular, e não tinha nem um presentinho para me animar.

Claro, eu havia ganhado durante o café da manhã uma caixa que haviam chegado dos correios dias atrás, e foi deixada exposta na sala para mostrar o que eu ainda não podia ter, com livros que eu mesma havia escolhido, o que fez com que o dia não se tornasse um completo desperdício.

No caminho para a escola, enquanto andava pelo lado contrário da rua em frente ao cemitério que ainda me incomodava só por estar em meu caminho, mesmo após anos passando por ali, deveria estar repetindo as operações matemáticas em minha cabeça, para tentar gravá-las e não sofrer um branco antes da prova, mas só conseguia pensar sobre o desperdício que seria aquela data.

Eu só queria que meu dia fosse especial, que algo emocionante acontecesse pelo menos uma vez em minha vida. Talvez fosse a super ingestão de fantasia, com os livros, filmes e séries, mas tudo parecia tão chato ultimamente. Tão chato, que a prova de matemática foi o ponto alto daquela manhã. Ou o mais baixo, o que não tirava seu caráter extraordinário.

Para complementar, nem mesmo meus amigos lembraram que era meu aniversário, e eu me recusei a lembrá-los. Se não se importavam, eu também não iria!

Na volta pra casa, eu pisava firme. Liberando contra o asfalto toda a minha frustração com o dia. Andando no automático, e com a cabeça enfiada em nuvens tempestuosas, me sobressaltei ao ouvir a buzina guinchar próxima.

Aquela rua geralmente era calma. Não sei se é por respeito, ou se o cemitério lembra os motoristas da efemeridade da vida, mas eles costumam reduzir a velocidade ao passar em frente, e barulhos altos de buzinas ou possíveis acidentes, nunca aconteciam.

Mas ali estava, um garoto alto, magro e pálido, com os olhos saltados arregalados no rosto anguloso e as mãos esplanadas no capô da frente do carro responsável pela perturbação.

A julgar tanto pela expressão do garoto estranho, quando do motorista que gritava com ele de dentro do carro, passou bem perto de um desastre acontecer a poucos metros de onde eu estava parada.

Por fim, enquanto eu ainda olhava embasbacada, o motorista deu ré e contornou o garoto que continuou na rua, parecendo perdido, olhando de um lado ao outro com os braços erguidos em frente ao corpo e a boca aberta.

Atravessei a rua com curiosidade, segurando com firmeza a alça de minha mochila sobre o ombro e olhando em volta em busca de outra alma viva por perto, mas não havia mais ninguém.

Próxima, percebi que ele não deveria ter mais que minha idade, com cabelos negros desidratados e olhos saltados que me lembravam os de peixes. A magreza excessiva distorcia até mesmo seu rosto, marcando os ossos sob a pele fina e acinzentada.

- Oi… - iniciei contato, hesitante. Ele me olhou, o rosto com uma expressão esquisita e divergente, ou ele não tinha realmente uma expressão, ou estava apavorado. Era difícil dizer com tantos ângulos sinuosos. - Precisa de ajuda? Quer meu telefone emprestado para ligar pros seus pais? - alcancei o celular em meu bolso e o segurei em sua direção, mas o garoto não fez menção de pegá-lo, apenas o olhou com estranheza.

Quando ele falou, sua boca se mexeu de forma estranha, como se seu maxilar estivesse travado, impedindo que ele a abrisse e fechasse de um jeito comum.

- Onde estou? - perguntou com rouquidão.

- Sabe que eu ando por essa rua todo dia, mas não sei o nome. - um riso rápido e divertido me escapou enquanto olhava em volta, procurando por uma placa de identificação.

- Não, senhorita. Em que mundo estamos?

Ri nervosa. Drogas. Só podia ser isso. E eu estava ali no meio de uma rua deserta conversando com um garoto drogado. Não era bem isso que esperava quando quis que algo de especial acontecesse. Meus pais enlouqueceriam se soubessem.

- Desculpa, eu não posso te ajudar. Minha mãe disse que não devo falar com estranhos. - me desculpa, esfarrapada.

Me virei para sair apressada, mas sua mão me impediu, segurando com firmeza em meu antebraço, tão firme quanto um aperto de pedra. Puxei o braço tentando me soltar, mas ele nem se mexeu no lugar. Com meu coração batendo acelerado no peito e um grito subindo por minha garganta, meus olhos arderam com as lágrimas que surgiam.

- Por favor, me deixe ir. - choraminguei, meus lábios tremendo pré-choro.

Ele me soltou tão de repente quanto me segurou, me fazendo tropeçar para trás e quase cair de bunda no chão, livre de seu aperto, mas ainda o sentindo em minha pele marcada por seus dedos, olhei uma última vez para seu rosto, cadavérico e inexpressivo, antes de correr para bem longe dali. Dele.

Cheguei em casa sem fôlego. Continuei correndo mesmo quando ele já não estava mais por perto. Entrei pelo portão apenas quando me senti segura de que não ia cair no choro assim que visse minha mãe. Decidi que não contaria a ela ou ao meu pai ao imaginar a bronca que levaria por falar com um estranho. Mas eu só queria ajudar! Não tinha culpa de nada, ele era culpado por ter sido tão esquisito!

E eu também teria que passar o dia todo com o braço escondido sob mangas cumpridas, mesmo que estivesse super quente para Outubro, já que as marcas de dedos ainda manchavam minha pele com um tom arroxeado, sua mão tão grande que a contornava, entre o pulso e o cotovelo.

Entrei em casa fingindo normalidade. Ou seja, gritei um “cheguei” e fui direto para o quarto. Após largar minha bolsa no chão, chutar os sapatos de meus pés e trocar de roupa, encontrei minha mãe na cozinha para almoçarmos.

- Jesus, Alice. Está quente demais pra essa blusa. Está com febre? - questionou, já enfiando a mão em minha testa para medir a temperatura.

- Eu estou bem. Não estou sentindo calor, tô com um pouquinho de frio.

E ainda assim, mesmo com a blusa de mangas mais fina e fresca que tinha, e com as pernas de fora no short, eu sentia que poderia me derreter a qualquer momento ali dentro.

- Tudo bem, então.

Servimos a comida em nossos pratos e nos sentamos a mesa para comer. Ali em casa era assim, quando meu pai não estava presente. No caso dele estar junto no horário das refeições, todo mundo comia em frente a uma televisão ligada.

- Estava pensando que final de semana podíamos sair pra comemorar seu aniversário, talvez ir ao cinema, o que acha? - sugeriu, parando de comer para me olhar.

- Pode ser. - dei de ombros, dando as garfadas o mais rápido que conseguia comer. - Tenho que ir estudar pra prova. - anunciei ao acabar, jogando o resto em um lixo e deixando a louça usada sobre a pia.

Corri de volta para o quarto e liguei o ventilador de teto antes de me jogar na cama, com meu caderno e livro de física. Dando uma olhada no meu braço antes de me concentrar no estudo, encontrei ele na mesma. Até amanhã a marca desapareceria, não era possível que o aperto daquele garoto magrelo tivesse sido tão forte a ponto de durar mais que um dia.

Acabei dormindo. Era o que geralmente acontecia quando tinha que estudar para aquelas matérias de exatas. Fui acordada novamente por minha mãe, que me deu um sermão básico e me chamou para comer o lanche da tarde. Eu poderia continuar estudando depois, ela disse, mas não era uma sugestão.

Após comer bolo de chocolate, decidi já tomar banho para poder ir dormir direto quando terminasse de revisar a matéria, e passasse um tempo no celular, é claro.

Novamente com uma blusa de frio, ainda bem que a noite havia esfriado em comparação a manhã, com uma ventania forte, voltei ao quarto para meu estudo. Eu sentia falta de coisas óbvias, na física, como a gravidade. Agora o que eu lia parecia muito distante do real, quase sobrenatural.

Uma hora depois, já estava pronta para dormir. Era cedo, mas a outra alternativa era continuar com a cara nos livros, então a passei. Meus pais também foram dormir a essa hora, a pouco tempo eles começaram a não aguentar mais as madrugadas, estavam ficando velhos, eu dizia, provocando.

Eram umas nove horas quando as luzes de minha casa foram todas apagadas e os cômodos se encontraram em completo silêncio. Cai no sono fácil, enroscada em minhas cobertas como um casulo. Pensei que meu dia havia se encerrado, mas fui acordada bruscamente, momentos depois.

Me pus sentada na cama com um salto alerta, meus olhos embaçados correndo de um lado a outro, sem realmente ver, até se focarem e eu encontrar pessoas estranhas paradas no escuro a minha volta.

Com o pulso acelerado, encontrei em meio ao homem, a mulher, a criança e a senhora, o garoto que havia encontrado na volta pra casa.

Enquanto todos me encaravam com seus olhos vazios de peixe morto, em rostos ossudos e acinzentados, me levantei, tentando alcançar a interruptor de luz, e mais além, a porta, para correr até o quarto de meus pais, e como criança, contar do pesadelo realístico que estava tendo e pedí-los para me proteger. Mas os cinco estavam no caminho, em frente a porta e do interruptor ao lado, e fechavam o círculo à minha volta.

- Não tema criança, não queremos lhe fazer mal. - o homem garantiu, sem mal movimentar a boca, o bigode negro acima dela com as pontinhas viradas para cima e para dentro.

- Você vai fazer parte da nossa família! - a garotinha com seu vestido puído deu um gritinho animado, os cachinhos que emolduram seu rosto cadavérico, emaranhados.

- Por favor, vão embora! Me deixem em paz! - implorei sem mais para onde ir, minhas costas pressionadas contra a parede.

O garoto tomou a frente de sua família, segurei o braço em um reflexo automático a ele, me lembrando do aperto doloroso. Seus olhos desceram, acompanhando o gesto antes de voltarem aos meus.

- Perdão por tê-la machucado, isso nunca mais se repetirá. - o sinal de um sorriso apareceu em seu rosto rígido.

- Então vá embora!

- E deixá-la aqui? Eu não poderia, afinal, a senhorita será minha esposa.

Antes que pudesse pronunciar um “o quê?” escandalizado, a senhora se precipitou em minha direção, jogando seu corpo contra o meu e me atirando contra uma parede negra.

Estava cercada, presa, como dentro de um cubo. Eu tentava empurrar, mover as paredes negras ao meu redor, mas não conseguia afastá-las. Minha garganta parecia trancada, nenhum grito eu conseguia dar, minha boca se abria, mas sem som formar. Ainda assim, eu continuei procurando um jeito de escapar, até de repente, não mais estar presa dentro de paredes negras, mas sentada em um chão de madeira empoeirada, dentro da sala de uma grande casa malcuidada, com teias de aranha, buracos cobrindo o teto e paredes, e forte cheiro de mofo.

- Aí está você! Tão bonita. - A senhora apareceu a minha frente, saindo de algum lugar que eu não havia percebido.

- O que aconteceu?

- Eu tive que tomar o controle, a mocinha não estava colaborando e o casamento deve ser realizado antes da meia noite

“Tomar o controle?”, “casamento?”. do que ela estava falando? Ainda estava presa naquela loucura? Por que, de repente eu parecia ter entrado em um filme do Tim Burton?

Alcancei nervosamente a barra de minha blusa. Apenas para perceber que ela não estava lá. No lugar, eu usava um vestido que havia comprado no ano anterior, de renda branca, para uma festa de quinze anos.

Oh, Deus, onde eu acabei me metendo?

Os outros membros da família que eu havia encontrado mais cedo, se juntaram a nós, surgindo do nada, assim como a senhora parecia ter feito.

- Estamos prontos para começar, mamãe? - perguntou o homem a velha.

- Sim, olhe só para ela, a noiva mais bonita do mundo. - Suas mãos ossudas tocaram meu cabelo, e tentei me desviar, ao mesmo tempo que lágrimas começaram a cair de meu rosto. Eu só quero voltar para casa!

- Oh, não chore, querida, você será feliz conosco. - a mulher falou, tranquilizadora, mas não me senti tranquilizada. - Querido, você não deveria explicá-la?

- Ah, sim. Obrigado por lembrar-me, querida. - Senhor bigode voltou a se aproximar de mim, se abaixando a minha frente para ficar na mesma altura. - Bem-vinda a nossa casa, Senhorita. É aqui que passamos nossa eternidade e a convidamos para fazer parte dela. - Queria que ele parasse de tentar sorrir para mim, aquela expressão só o tornava mais assustador. - Todo dia 31 de Outubro temos a oportunidade de levantarmos de nossos túmulos e a meia noite, dentro de nossa residência, após a décima segunda badalada do sino, nós somos levados de volta para o outro lado. Este ano, você vai conosco! - foi doentio como ele falou aquilo como se fosse uma boa notícia e a menininha atrás comemorou. - Bom, é isso, seja bem-vinda a família!

O homem se levantou batendo as mãos como se tivesse feito um trabalho e as estivesse limpando, se juntou a esposa e os dois se abraçaram. A menininha, se juntou a velha, sentadas em uma poltrona grande e apodrecida. E o garoto, veio tomar o lugar do pai dele, a minha frente.

- Eu espero por isso há tanto tempo, mas finalmente te encontrei, minha esposa. - confessou, em melancolia.

- Por que eu? - questionei ainda me debulhando em lágrimas silenciosas.

- Oras! Porque você foi gentil.

O garoto inclinou a cabeça para o lado, me olhando fixo com os olhos saltados, o sorriso congelado em seu rosto. Na verdade, toda a família parecia me olhar dessa forma no momento, a felicidade mal estampada em seus rostos mortos.

Ouvi a primeira badalada do sino, me sobressaltando e percebendo que pouco conseguia me mover, meus próprios membros pareciam endurecidos. É claro que eles se certificaram que não pudesse escapar.

Em retrospectiva, não podia acreditar como meu dia havia acabado ali, em uma casa abandonada, na presença daquelas pessoas, prestes a me juntar a elas. Agora, tudo o que eu queria era voltar para o começo daquele dia, e ficar contente por ele ser tão comum quanto uma prova de matemática.

O mais estranho era pensar que aquele dia de Halloween bizarro, como nos filmes que eu tanto gostava, seria o meu último dia entre os vivos, e a medida que os sons das badaladas do sino progrediam, eu sabia que estava muito perto de terminar.

Achei que se apertasse os olhos bem forte e os abrisse novamente, poderia por um passe de mágica, acabar de volta no começo daquela manhã em minha cama, mas quando os abri novamente, eu ainda tinha olhos arregalados de peixe em rosto cadavéricos, cercando a minha volta, e a décima primeira badalada soou. Pouco depois, quando o sino bateu sua décima segunda badalada, eu soube, meu tempo havia se esgotado, estava perdida.

8 ноября 2018 г. 18:29:09 0 Отчет Добавить 0
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