Короткий рассказ
10
4.8k ПРОСМОТРОВ
Завершено
reading time
AA Поделиться

Pretensão

Um gemido lânguido escapou pelos lábios de Hajime quando Oikawa arrastou a língua por seu torso nu, as mãos pálidas entrelaçando as suas na cama e massageando suavemente enquanto o quadril o pressionava devagar e intenso.

Num canto do quarto um incenso queimava, espalhando pelo ambiente um aroma adocicado com um toque cítrico, combinação tão oposta quanto os amantes que se embolavam nos lençóis de algodão. A cortina vermelha dançava com o vento, fazendo com que a luz atravessasse colorida e chegasse a pele de Oikawa num tom mais rosado que o normal, deixando a derme leitosa ainda mais tentadora aos olhos de Iwaizumi enquanto o ex capitão da Seijoh se debruçava em seu corpo com verdadeira adoração.

Devagar, Tooru os conectava em uma só alma com carícias dispostas por todo o corpo, fazendo com que o moreno suspirasse devagar, arrastando os gemidos nas cordas vocais toda vez que Oikawa raspava os dentes em sua pele sem pressa, aproveitando aquele momento enquanto o outro cedia a sua vontade.

— Olhe pra mim, Iwa-chan — Ele murmurou baixo, acariciando o rosto do amante devagar — Quero que veja o quanto eu te amo…

A tarde atingia seu ápice, elevando a temperatura da cidade e deixando de lado o frescor da manhã que levou Tooru e Iwaizumi ao momento tão íntimo. E embora os ventos gelados caminhassem para longe, as palavras ditas permaneciam em suas mentes até o presente momento.

“Eu quero o time nacional e os campeonatos, quero as medalhas, os melhores saques que eu puder mandar e o título de melhor levantador do país.” Foram as palavras de Tooru em confidencia ao amigo quando eles fizeram uma pausa em sua corrida matinal para admirar o horizonte.

Oikawa Tooru queria o mundo, almejava o topo, era insaciável e trabalhava para isso, brilhava tanto quanto o próprio sol e fazia questão de mostrar isso a quem quisesse ver.

“É muita pretensão.” Hajime murmurou, olhando o mesmo ponto do céu que o amigo e pensando no quanto era irônico eles olharem o mesmo topo sem enxergar as mesmas imagens.

“Não seja tão frio, Iwa-chan!” Tooru aumentou o tom em algumas oitavas, uma expressão sapeca moldava seu rosto.

Iwaizumi Hajime queria paz, um emprego estável em uma posição onde fosse necessário, almejava o que julgava básico para viver e não reclamaria de estar longe dos holofotes.

E ali, naquele parque que conheciam desde crianças, o vento soprou quando Oikawa confessou:

“Eu também quero você, Iwa-chan. Quero seus olhares e seus sorrisos pra mim. O quão pretensioso isso é?”

A natureza sussurrou sobre aquele acontecimento, o farfalhar das folhas nas árvores foi alto e os ventos zuniram como numa cena de filme. Hajime sentiu os lábios secarem diante do, até então, melhor amigo.

Oikawa o encarava em expectativa, buscando um ponto definitivo para a relação incomum que mantinham. Qualquer um poderia sentir a aura que os embalava, uma tensão sexual e romântica manifestada em pequenos gestos e indiretas, e até mesmo algumas confissões embaraçosas em noites de bebedeira, um elo invisível que os unia sem necessariamente conectar – o que gerava um grande problema toda vez que um terceiro ou quarto elemento aparecia.

“Você quer governar o mundo, eu quero viver nele.” Tudo o que o ex capitão não queria ouvir foi dito, e os olhos negros de Iwaizumi se perderam novamente no nada, vagando para longe daquele sentimento tão intenso que o causava vertigens. “Você sabe que não daria certo.”

“O mundo não me serve se eu não tiver você, Iwa-chan...por que você não entende?” O tom manhoso de Tooru era familiar a seus ouvidos, Hajime quase sorriu diante dele ao lembrar-se dos inúmeros momentos de sua vida em que teve o prazer de ouvi-lo. “Olhe pra mim.”

Iwaizumi não conseguia, não podia dispensar o amor tão descaradamente, não tinha a coragem necessária para negar o que o coração queria – mesmo que aquela lhe parecesse a coisa mais sensata.

“Não vamos fazer isso, Oikawa.” Ele suspirou, encarar o céu era mais fácil do que encarar os olhos de Tooru. “No final, você vai acordar um dia e perceber que quer mais que um cara comum...e então vai embora. Não vou perder você por isso. Somos bons como amigos e…”

“Pro inferno com essa de amigos!” Hajime arregalou os olhos, surpreso com o tom utilizado pelo levantador, e finalmente se virou para encarar as lágrimas que queriam deixar os olhos de Oikawa. “Faz tempo que somos mais que isso e você sabe! Pare de fingir que não só porque tem medo de tentar”

O silêncio se estendeu por um longo minuto, enquanto Tooru secava os cantos dos olhos e Iwaizumi sentia um gosto amargo na boca.

“Eu te amo.” Hajime confessou. “E não quero perder você quando você finalmente descobrir o quão patético eu sou.”

O que alguém tão simples poderia oferecer a Oikawa? O que o homem que queria apenas uma casa e cinema aos fins de semana tinha a oferecer ao homem que brilharia por todo o mundo?

“Não seja bobo, Iwa-chan.” Tooru suspirou com os olhos fechados, um sorriso doce delineando seus lábios. “Você não é patético. Você é determinado, leal, destemido, incrivelmente gostoso.”

Iwaizumi desviou os olhos, a forma desenvolta com a qual Oikawa se expressava sempre conseguia deixá-lo envergonhado e ainda com uma ponta de irritação.

“Ei, eu disse que queria seu olhar pra mim.” O de cabelos chocolate tocou seu queixo e os olhos negros se voltaram em sua direção. “Preto é a melhor cor, não é?”

“Preto é a ausência de cor, bakakawa.” Hajime o corrigiu com sua ponta de irritação habiltual, vendo Tooru revirar os olhos.

“É uma cor sim! Agora cala a boca e me beija, Iwa-chan.”

“Fale direito comigo, seu…”

Os lábios de Oikawa eram doces como aquelas sobremesas que ele o levou para comer mais tarde. Antes que fossem até seu apartamento e, de banho tomado e tensão livre, Tooru o tomasse por inteiro.

Com os olhos negros vidrados, Iwaizumi observava as nuances no amante enquanto segurava sua cintura com alguma força e puxava seus cabelos para um beijo necessitado. Os dígitos marcaram a pele do ex capitão e correram por suas costas num abraço apertado e carinhoso, a fricção dos quadris se tornava mais intensa conforme Tooru arqueava as costas e rebolava em sua ereção – deixando Hajime ainda mais duro e ansioso por tocar sua pele nua.

Com um par de mãos ainda unido, todo o contato que conseguiam no pouco equilíbrio que lhes restava deveria ser aproveitado. Os beijos demorados, as mordidas fortes e fracas, a língua de Tooru que brincava constantemente com os mamilos eriçados de Iwaizumi...tudo era sentido e apreciado ao seu máximo sem que os olhares se separassem uma única vez.

Diante daqueles olhos tão escuros e intensos, profundos como uma buraco negro e brilhantes como noite estrelada, Tooru se desmanchou em sorrisos, o coração palpitando como da vez que descobriu-se apaixonado através daqueles mesmos globos.

Foi terrível manter-se de pé após o jogo contra a Karasuno, o orgulho ferido de jogadores que tinham a certeza de passar para a próxima fase, e pior ainda ter de cumprir seu papel de capitão num discurso construtivo quando tudo o que realmente queria fazer era gritar e descontar suas frustrações em qualquer coisa que aparecesse em sua frente.

Frustrado, humilhado e chateado, Oikawa esperou estar sozinho por alguns poucos segundos para retirar a camisa do uniforme com toda raiva e abafar um grito nesta, as lágrimas molharam o pano em suas mãos. O esforço não lhe valia de nada, o treino foi inútil, superado pelas estrelas prodígio de um time que até então não era nada.

O uniforme foi atirado no chão com raiva, os cabelos úmidos pelo suor do jogo grudavam em sua face e o estressavam ainda mais. Oikawa os agarrou com força, suprimindo um grito ao morder os lábios com força.

Naquele instante, Hajime entrou.

Nenhum dos dois se esqueceria daquele momento, a frustração compartilhada naquela troca de olhares silenciosas e a desesperada que lhes cobrava algum consolo um no outro. Oikawa se atirou nos braços de Hajime com força e ambos até perderam o equilíbrio por alguns segundos, a acolhida foi rápida e em questão de segundos os dedos de Iwaizumi se apertavam nos músculos das costas do capitão.

O cheiro do ace era familiar, uma mistura de cítrico e amadeirado que funcionava como uma espécie de calmante para Tooru. Sempre foi daquele jeito.

Oikawa manchou a blusa do melhor amigo com suas lágrimas enquanto este manteve sua postura rígida ao segurar o corpo do levantador, exercendo, literalmente, sua posição de pilar na vida de Tooru.

— Não seja dramático. Você ainda vai jogar vôlei… — As mãos pararam no topo da cabeça do levantador, Iwaizumi respirou fundo. A própria frustração foi engolida.

— Não aqui...não esse torneio...não com esse time… — Oikawa murmurou com a cabeça ainda mais escondida nas roupas do amigo, o peito acelerado ao lembrar-se de todos os momentos do ensino médio. — Não com você…

Tooru jamais se esqueceria da sensação de levantar uma bola para Hajime, aqueles momentos costumavam passar em câmera lenta sem sua mente: os músculos tensionados quando ele se preparava para cortar, o olhar vidrado na bola e a angulação perfeita dos braços...o olhar que ele o direcionava quando pontuavam.

Oikawa queria aquilo outra vez, queria um pouco mais antes de se formar. Queria um pouco mais daquele momento especial, aquela comemoração silenciosa onde somente ele detinha os olhos de Hajime para si.

Queria aqueles olhos novamente.

— Eu vou sempre estar com você… — O tom de promessa inundou o ambiente enquanto Hajime afundava todos os dígitos em sua pele, de forma tão necessitada que com certeza deixaria marcas depois. — Daremos um jeito.

Houve um breve afastamento onde Iwaizumi limpou suas lágrimas e Tooru puxou a blusa do uniforme alheio, irritado com o pano que os separava. Uma vez que a pele morena se expôs, ele voltou a se agarrar ali, buscando o calor de seu porto seguro antes de conseguir desabar de vez.

Naquele dia ele soube que não importava o quanto 'tivesse do amigo, iria querer mais; queria aqueles olhos, aquele calor, aquela pele, a segurança daquele abraço… o que antes já não era um completo segredo finalmente acabou por se revelar enquanto ele se perdia no cheiro do moreno. Não havia Oikawa sem Iwaizumi, e ele tinha pela certeza de que também não havia um Iwaizumi sem um Oikawa.

Quando olhou nos olhos de Hajime, teve a certeza de que jamais iria querer outros. Queria ele, aquele homem meio mau humorado e tão gentil que o conhecia desde sempre, queria aquele reflexo escuro diretamente em si, fazendo seu coração acelerar pelo que lhes restasse da eternidade.

— Iwa-chan… — Sussurrou baixinho ao sentir Iwaizumi erguer o tronco com os lábios grudados em sua pele, uma das mãos descendo, procurando por lugares de maior sensibilidade. Aos poucos as memórias antigas se guardavam para dar lugar ao presente, os mesmos braços que lhe passavam tanta segurança o abraçavam com carinho e o ajudavam a rebolar; as mãos finalmente se desconectaram uns instantes para dar lugar a novos toques ousados, e agora uma delas descia a cueca de Tooru pela parte de trás, apertando a carne macia de sua bunda.

— Eu gosto dela — Hajime confessou, os dentes de arrastando nos mamilos claros enquanto terminava de puxar o tecido.

— Eu também gosto da sua… — Rebateu com um risinho baixo, sabendo que já dissera aquilo outras vezes.

Em dado momento o toque superficial já não parecia mais suficiente, ambos gemiam sôfregos sabendo que a partir dali precisariam de mais; em instantes as testas estavam coladas, ambos acariciando as bochechas numa pausa romântica.

Hajime foi o primeiro a ceder, relaxando o corpo e descendo o tronco aos poucos, não havia pressa. Oikawa acompanhou seus movimentos mas não deitou, apoiou as palmas na cama e desceu somente a cabeça para beijar uma última vez o moreno.

— Quero fazer isso — Como uma confirmação, ele sussurrou contra os lábios rosados antes que Oikawa se afastasse uns centímetros de sua pele para pegar o lubrificante e ele começasse a se virar.

Um arrepio correu sua espinha com o toque gélido e seus dentes cravaram no travesseiro quando Oikawa finalmente entrou, beijando suas costas com cuidado e procurando suas mãos na cama.

Aos poucos as cores do quarto mudavam, do rosado para o mais dourado e aquilo deixava a visão de Iwaizumi ainda mais incrível, a derme morena, o rosto de lado, os olhos cintilantes buscando os seus e a boca entreaberta chamando seu nome como um sussurro, um segredo apaixonado guardado entre aqueles lençóis numa tarde quente.

Iwaizumi o queria, desesperadamente. Mesmo que Oikawa fosse o rei do universo e ele um simples plebeu, mesmo que ele fosse apenas uma estrela menor em sua galáxia; Hajime seria feliz orbitando seu espaço até o fim de seus dias, e Oikawa moldaria seu reino para ele – porque tudo só valia a pena se estivessem juntos.

— Eu te amo — O levantador disse outra vez nos últimos instantes dourados daquela tarde, capturando os lábios de Hajime outra vez enquanto flexionava os quadris; os sons se resumiam a vida calma do lado de fora e o caos de corpos do lado de dentro, a carne macia de Hajime amparando sua pélvis durante as estocadas era algo quase enlouquecedor, as mãos pousaram ali, apertando a bunda e guiando Hajime num rebolar sutil que fez Tooru morder os lábios.

Os dedos se afundaram, fazendo com que o ace buscasse um maior apoio na cama ao apertar os lençóis com mais força diante da invasão prazerosa, as pernas se abriram um pouco mais enquanto Oikawa aumentou a velocidade dos movimentos e se inclinou para morder suas costas, deixando algumas marcas ali.

— O-Oikawa… — O clamor que deixou seus lábios contribuiu para a aproximação do ápice, Tooru desceu uma das mãos para as coxas de Iwaizumi antes de subir até o falo e apertar de leve, movimentando-se no ritmo da penetração enquanto segurava o homem pelas ancas.

Quando o céu se tornou púrpura e o vento esfriou, o orgasmo os derrubou na cama. Meio ofegantes e satisfeitos, caíram lado a lado escutando uma reclamação baixa de Iwaizumi.

— Está tudo sujo — E suas mãos tocaram o rosto de Tooru, que sorria ao ponto de seus olhos quase se fecharem.

— Está

— Vamos ter que tomar um banho… — As bochechas dele se tornavam mais fofas conforme os lábios se esticavam, Hajime espalmou as mãos ali, apertando.

— Sim, Iwa-chan, vamos… — A voz saiu a abafada pelo bico de peixinho, antes que o moreno soltasse sua face.

— Eu também te amo — E então Iwaizumi respondeu a declaração de outrora, quando a tarde finalmente deu seu último suspiro e toda a luz do quarto se apagou…

Menos a luz daqueles olhos negros, que brilhava para Oikawa; e que brilharia para o resto da vida.

9 сентября 2018 г. 2:05:56 0 Отчет Добавить 4
Конец

Об авторе

Mandy Filha do caos, adepta ao drama.

Прокомментируйте

Отправить!
Нет комментариев. Будьте первым!
~