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[KAISOO | 80's] Após um término de namoro conturbado, Kim Jongin se vê sem chão ao analisar sua situação, e tudo piora quando recebe a notícia de que sua melhor amiga está desaparecida. Em uma maneira de encontrá-la e não focar no fim do relacionamento, precisa se aproximar de Do Kyungsoo, um cara que não está nenhum pouco interessado em ajudá-lo.


Фанфик Группы / Singers 18+.

#mistério #angst #gay #80s #sookai #kaisoo
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Felicidade cladestina, amigos peculiares e o garoto misterioso

— Espero que ele morra!

Desde que nasci, aprendo que jamais devemos machucar o coração de uma mulher, e se caso o fizer certifique-se de não estar nele.

Sooyoung é minha melhor amiga desde a oitava série, ou seja, somos amigos há cinco anos. Mesmo sendo um tempo relativamente longo sinto que não a conheço o suficiente, às vezes ela está ali, ao meu lado, mas parece que estou sozinho. Éaquele tipo de garota sonhadora que acredita em um mundo melhor, que pede desculpas mesmo estando certa, no entanto, desde que começara a encontrar-se com Kang Taekwon — um cara mecânico que mora àleste do distrito — vem apagando-se; perdendo a própria essência, deixando-se levar e mudar por uma pessoa.

Sooyoung tem uma personalidade tão única que chega a ser invejável. Nossa amizade não é nenhum pouco anormal, bem monótona para falar a verdade: estamos apoiando um ao outro, e como amigo acredito que eu devaentendê-la, ou pelo menos demonstrar entender porque, agora tenho certeza sobre seus pensamentos estarem a torturando.

— É melhor eu ir para casa! — levanta-se e pega sua mochila nitidamente alterada pelos copos de soju. — Estou incomodando falando dos meus problemas! — penso em ir acalmá-la e pedir para que fique só mais um pouco, porém ela parece abalada e sua constante distribuição corporal de uma perna a outra apenas demonstra seu nervosismo em ir embora. Sooyoung vai chorar.

Como amigo talvez eu deva ir atrás dela e tentar reconfortá-la, o problema é que não posso parar algo que não criei, tentar vai ser em vão. Só podemos resolver aquilo que causamos e certamente não sou um motivo tão importante ou tão grande assim para fazê-la chorar. Taekwon deve ter feito algo muito ruim para destruir o sorriso de Sooyoung. A pior coisa que devemos fazer quando uma pessoa está confusa é tentar reconfortá-la, pois tudo o que esta pessoa quer é uma resposta e isso seria uma manipulação.

Por que o vilão tenta manipular o personagem quando está atordoado? Ele está sensível.

— Sooyoung é uma garota incrível!

— Eu sei, irmão — solto um suspiro.

É tudo o que digo antes de pegar as latinhas de cerveja para jogá-las no lixo. Sinto o olhar de Junmyeon sobre mim, julgando o que aconteceue principalmente minha falta de atitude em consolar pessoas atordoadas, ainda mais sendo alguém tão próximo.

Porém não dou importância porque já está tarde e o sono está tentando me vencer a cada segundo. Vou para o quarto e me jogo na cama, afinal amanhã será mais cansativo que hoje — não sou chegado àquartas-feiras. Sinto vontade de olhar a janela, pensamento aleatório, porque não há nada acontecendo lá fora, pelo menos nada importante para mim. Mesmo assim olho e como previsto: nada.

Não sei porquê tanta ansiedade nisto.

Penso em telefonar para alguém próximo de Sooyoung e avisar sobre seu estado emocional ou ligar para a própria, ao menos para acompanhá-la por meio de ligação até em casa. Contudo não dá. Não sei o telefone de seus pais e o seu próprio aparenta estar desligado. Penso em ligar para seu irmão. Seria muito atrevimento.

— Mas também não sei seu número.

Coloco o telefone no gancho. Percebo que não há nada a ser feito.

Sooyoungé o padrão de garota perfeita:alta, cabelos escuros e longos, rosto fino e pequeno, magra e simpática, não é à toa que é cobiçada e adorada por todos a sua volta. Entretanto, para mim, não importa seus dotes físicos, o que importa é se ela está feliz — mesmo que eu nem sempre demonstre tanta importância assim. Se ela não sorrisse, eu não teria motivos para sorrir. Considero-a uma parte importante da minha vida, não sei se ela me considera tanto assim.

Em nossa amizade parece que apenas eu apoio, apenas eu sou amigo, apenas eu me importo. De uns tempos para cá estamos nos distanciando e o que antes gritávamos dizendo que éramos um, agora somos dois desconhecidos que um dia já conheceram-se muito bem. Feito um leitor lendo; conhece a história de todos mas permanece neutro apenas assistindo o que vai acontecer em seguida — um intruso. Se ela quer acabar o que temos, precisa saber que ignorar e fugir é a forma mais infantil de lidar com um problema.

O telefone toca, estridente, ecoando pela casa, e evitando uma visita de Junmyeon ao quarto, atendo já soltando um suspiro ao perceber que trata-se de Jeongyeon e Moonbyul.

— Aconteceu alguma coisa entre você e a Soo? — a mais nova entre as duas pergunta e pelo seu tom de voz é possível sentir sua preocupação. Respondo que não e pergunto o motivo. — Hoje é a noite das meninas, Jongin! Sooyoungestá atrasada duas horas, já comemos o pote de sorvete quase todo, o filme está quase terminando e só agora ela mandou mensagem falando que já está chegando. Estamos preocupadas.

— Não faz sentido...

— O que?

Não faz sentido. No curto período de tempo entre esta conversa no telefone e a saída de Sooyoungdaqui, não daria tempo de chegar na casa de Moonbyul em tão pouco tempo. Não há ônibus ou táxis nesse horário, apenas o metrô, mas ainda assim não faz sentido. Não dá para caminhar dois quilômetros em dez minutos, apenas se for a pessoa mais rápida do mundo, ouThe Flash.

Falo às garotas meu raciocínio.

— De qualquer forma vamos esperar mais um pouco. Se ela não chegar Moonbyul pede ao pai dela para procurá-la. Moonbyul quer falar contigo. Vou passar para ela, tenho que decidir se desfaço ou não a cama extra. Até amanhã, Jongin!

Ouço alguns chiados. Está passando o telefone.

— E aí, Jongin? — Moonbyul tem um jeito mais másculo de falar. É engraçado, é legal. — Você está melhor? — já sei sobre o que está falando. — Posso fingir ser sua namorada.

— Os boatos sobre você ser lésbica só aumentam. Mas não ligo.

— As fofocas sobre você ser corno também. Mas não ligo.

— Respondendo sua pergunta: vou ficar.

Ouço a maçaneta do quarto girando.

— Vá dormir, Jongin. Já está tarde e amanhã você ainda tem aula.

Balanço a cabeça confirmando.

— Vá dormir, garotão! — Moonbyul fala do outro lado da linha e suspeito que tenha ouvido minha conversa. — Oh! — ela exclama — Jeongyeon está dormindo caída no chão. Dorminhoca! — ri. — Até amanhã! Sei que seu irmão está aí esperando que um de nós tome a iniciativa de encerrar a ligação. Por favor, me dê essa honra! — e desliga.

Coloco o telefone no lugar e dou minha atenção a Junmyeon.

— Vai dormir agora? — questiono.

— Não, tenho alguns relatórios para terminar. Boa noite!

— Boa noite. Dê um beijo em Dahyun por mim.

E ele sai do quarto após desligar a luz ao deixar um beijo em meu cabelo. Parece mais uma mãe que um irmão. Isso me faz pensar e lembrar nas loucuras que cometemos juntos, igualmente a tudo o que sofri para ter minha guarda sob sua proteção.

Meus pensamento voltam a focar em Sooyeon— apelido dado à Sooyoung por Lucas e seu sotaque coreano.

Agora, ela provavelmente está pensando em cometer alguma loucura por mais mínima que seja. Talvez toda sua atordoação esteja relacionada àKang Taekwon, talvez para mostrar que ele está errado mesmo sabendo que ela está certa — sejalá o que tenham feito. O único defeito de Sooyoung é não aceitar que está errada.

Se em alguns minutos Sooyoung preocupou os amigos, imagina os pais? Se cuidam realmente da filha deveriam saber o que está acontecendo. Moonbyul poderia telefonar e questionar o paradeiro, no entanto, duvido que tenha o número dos senhores Park, e, aparentemente o celular de Sooyoungestá desligado apenas para mim. Senhores Park devem zelar perfeitamente dos filhos, afinal, sua reputação no distrito não é pequena.

Mesmo que minha decisão final tenha sido deixar que a família cuidasse do problema ainda sinto insegurança, um desconforto. Não parece totalmente errado deixar que os Park resolvam os próprios problemas, mas também não parece totalmente certo. Só porquê somos amigos devo cuidar dela o tempo todo? Sim, cuido dela, mas quem cuida de mim? É errado exigir o que faço?

É melhor ir dormir.

[...]

Na manhã seguinte sou acordado por minha sobrinha.

As primeiras duas coisas que penso quando acordo são: Dahyun é muito barulhenta e o quê aconteceu com Sooyoung. É até estranho saber que não sou o único a acordar com tal questionamento, os policiais na minha sala juntamente com os Park querem saber disso também. Talvez eu devesse ter telefonado para qualquer pessoa mais próxima à Sooyoung e falar o que havia acontecido — mesmo não sabendo o número de ninguém, mas poderia ter perguntado àJunmyeon, ele ajudaria; ajudaria se eu houvesse contado a confusão que estava na minha cabeça na noite passada, após a ida de Sooyoung—, no entanto, agora eu diria isso para os policiais.

Aí eu conto, pelo menos até onde sei, mas evito alguns detalhes, inseguro se realmente vale a pena mencioná-los, se é necessário. Há muitos olhares sobre mim, há momentos que até penso que tudo o que falo é mentira, chego até a acreditar que fosse. O que digo é verdade pois vivi o que relato.

— Mais alguma coisa que queira nos contar?

A policial a minha frente não tira os olhos um minuto sobre mim, parecem fazer um scanner de cada gesto que meu corpo faz, como se algo pudesse entregar ou afirmar que o que digo é uma mentira. O foco de todo o ambiente está em minhas palavras, o abdômen contrai ao lembrar que até o momento não comi nada, apenas escovei os dentes, lavei a cara, e além do óbvio: estar atrasado para o colégio.

— Na noite passada Sooyoungveio aqui.

— Fazer exatamente o quê? — hesito em respondê-la.

Pelas mínimas vezes que a família Park abre a boca para falar alguma coisa, tudo o que conto parece ser uma novidade, principalmente sobre minha relação com ela, como se desconhecessem tudo sobre a filha. Óbvio que nenhum pai é obrigado a saber tudo sobre os filhos, no entanto, coisas simples como: a primeira premiação, eles deveriam saber.

Para falar a verdade quando acompanhava Sooyoung em suas apresentações nunca vi seus pais. A desculpa era a mesma: eles estão ocupados demais para virem. Então, Sooyoung não conta o que faz? Por quais razões não conta?

Agora os Park não parecem tão superiores quanto sempre aparentam ser. Consigo ver em seus olhos a esperança que é ouvir o que falo, qualquer coisa parece ser uma boa resposta para eles, e bom, eu não quero dar qualquer uma. Eles estão desesperados por qualquer coisa que possa respondê-los e não quero manipulá-los.

Ainda assim hesito em falar o que Sooyoung viera fazer aqui porque nem mesmo sei exatamente a resposta. No entanto, preciso dizer o que sei — ou o que não sei — e mesmo que eu seja amigo e esteja preocupado com o que aconteceu com Sooyoung, não é meu dever cuidar de um possível desaparecimento — e na pior das hipóteses um sequestro —, é da polícia.

Por que sinto que eles não farão nada a respeito?

— Eu não sei...

— Como assim não sabe? — a policial fala de um jeito como se a resposta fosse óbvia.

— Ela me acompanhou até em casa e começou a chorar.

Findo minhas palavras por aqui, pois tenho a sensação de que se acrescentasse mais alguma informação desencadearia outro assunto que não é da minha conta, embora aparente ser.

— Pelo que a senhorita Park chorou?

— Não sei exatamente o motivo, Sooyoung ficou chorando e depois foi embora dizendo que estava atrapalhando.

Não é necessário mencionar Kang Taekwon, até porque pelo que disse é mais do que óbvio que ele teve uma possível briga com Sooyoung, o motivo da briga por mim é desconhecido, afinal, não existe ninguém que não saiba sobre o relacionamento entre eles.

Espero que alguém da família possa ligar o namoro com o choro de Sooyoung, mas todos permanecem em silêncio. Claro que há a possibilidade de não estarem ligados, porém, a probabilidade de ser verdade é muito pequena. Do contrário do que pensei, todos permanecem em silêncio, ou seja, ninguém aqui além de mim sabe sobre Kang Taekwon e Park Sooyoung.

— É tudo o que sei.

Faço menção de levantar.

Minha cabeça dói e não suporto ficar mais um minuto aqui. Estou com fome, nem troquei de roupa no meio da correria, apenas lavei o rosto e escovei os dentes.

— Se em vinte e quatro horas a senhorita Park não aparecer retornaremos a interrogá-lo.

Mal posso esperá-los.

Confirmo com a cabeça e vou para o quarto.

Mesmo que aparente que Sooyoungnão conte o que faz para os pais, ou até mesmo o que acontece no seu dia a dia, não há coisas que ela fizesse que fossem vergonhosas, todos amam o que faz. O que exatamente Sooyoungesconde? Por que oculta? De quem em específico? A família Park possuí uma grande responsabilidade em mãos.

Sooyoungcostuma desaparecer de vez em quando mas sempre volta. É uma forma de nos preparar para quando ela sumisse de verdade? Ela sabia que isso aconteceria? De todas as formas, ainda assim, não deixa de ser assustador a ideia de que Sooyoungsumiu, pois as possibilidades do que a levou àisso não são muitas mas são assustadoras. Até mesmo eu estou criando hipóteses para seu desaparecimento. Mas e se não fosse? Pelo menos não de Sooyoung? E se tudo o que está acontecendo houvesse sido planejado e minimamente calculado?

A família Park saberia de minha existência se Sooyoungos contassem o que faz, diante disso podemos concluir que Sooyoungcontava aos pais aquilo que queriam ouvir, ou seja, distorcia os fatos, omitia, nunca uma mentira completa nem mesmo uma verdade. Sei lá. Sooyoungparece ser tão complexa e misteriosa agora, tanto que posso julgar que nem a conheço mais. Em que momento ela tornou-se um enigma?

Pego o celular e envio uma mensagem para Jr.

Não espero muito e obtenho uma resposta. Pelo visto Jr. também não foipara o colégio.

Troco de roupa e tomo café. Durante a refeição sinto um clima meio tenso, mas graças àKris — o namorado do meu irmão que viera o visitar —, a áurea sombria que nos rondava vai embora; Dahyun contribui um pouco.

Depois vou encontrar Jr.

O único motivo para ir encontrá-lo não é óbvio, porque na verdade nem eu possuo um motivo, apenas preciso contar a alguém que conhece Sooyoungtão bem quanto eu.

Jr. não é — exatamente — o exemplo de melhor pessoa, quero dizer, porque o garoto não é um — às vezes, acredito que ele é apenas uma fantasia da minha cabeça pois não existe uma vida não clichê como a dele. Não é o clichê daquele garoto mal que consegue tudo com uma ameaça ou contatinhos, na verdade é apenas o cara do curso de informática que hackea as redes sociais de pessoas com condutas más.

— Já enviei a polícia mais de seis relatórios de pessoas que estavam compartilhando pornografia infantil. — folheavauma revista qualquer com fones de ouvido, provavelmente tocando alguma música de Radiohead como de costume, ou com o volume no mínimo para que pudesse ouvir-me. Quem o visse diria que é um mero adolescente, mas é um hacker que ajuda a polícia, ou melhor dizendo seu pai, já sua mãe nunca ouço falarem sobre ela.

— Em que sites você encontra essas pessoas?

— Entro em sites que essas pessoas taradas vão.

— Então, você é um tarado, além de um criminoso — solto uma risada.

— Tudo o que faço é profissional! — mais novo do que eu e já tem um futuro garantido. — Não vou passar a vida inteira mandando tarados para trás das grades, está chegando o momento que estou cansando de tudo isso. — além de hacker, Jr. é aquele tipo de amigo que sempre sabe o que você está pensando, mas ninguém sabe o que ele pensa. — Já faz um tempo que reparo nas pessoas, especificamente nas que dizem ser adultos: quando elas têm tudo querem provar da simplicidade e vice-versa. Acho que é natural do ser humano desejar aquilo que aparentemente não pode-se obter.

Jr. está frágil.

— Mudando de assunto — sento na cadeira giratória e começo a puxar as rodinhas pelo quarto —, quero pedir um favor! — o garoto assente. — Sooyoungdesapareceu.

— Meu pai comentou mais cedo mas não levei muito a sério.

— Quero que ajude-me a encontrá-la — o encaro e ele ri, depois para ao ver que estou falando sério. Jr. é bem expressivo.

— Não sei se posso... — faz uma longa pausa — Meu pai é policial e mexer em arquivos policiais é ilegal — o que diabos você faz, seu hacker? Penso em falar, porém meu corpo trai minha mente.

— Na pior das hipóteses iremos encontrá-la morta!

— Não fale disso nem brincando.

— Parando para pensar agora, só podemos informar a polícia de um desaparecimento após vinte e quatro horas, não é? — confirma novamente. — Então, por que souberam tão rápido assim de Sooyoung?

Ele limpa a garganta. Já sei que um discurso virá.

— Reputação, ou melhor dizendo: corrupção. Todos nós sabemos da enorme influência que a família Park tem no distrito, não seria bom um escândalo, ainda mais agora que Park Siwon está candidatando-se à prefeitura do estado, e se você reparar nenhum jornal, site ou qualquer meio de comunicação comentou sobre o sumiço dela: eles vão esconder este fato até onde der, e respondendo melhor sua pergunta, a família Park mexeu alguns pauzinhos para contatarem a polícia rapidamente. Influência junto com reputação é igual a corrupção! — e Jr. sorri jogando a revista para o alto. Ele pode sim ser um garoto clichê, daqueles legais dos anos oitenta que imaginamos lendo livros sobre adolescentes problemáticos que encontram o amor.

— Parabéns pela filosofia final! — Jr. tira os fones. — Hoje pela manhã alguns policiais foram lá em casa e perguntaram o que eu sabia, notei o quão desesperados os senhores Park estavam, como se desconhecessem a própria filha! Acho que eles não fazem a mínima ideia do que Sooyoungfazia, sequer sabem quem são seus amigos.

— Então como sabiam sobre você?

— Talvez Sooyeon evite, evitava certos fatos, selecionava-os cautelosamente, falava apenas o suficiente para evitar os pais. Acho que nem comentou sobre você, sabe não é? Reputação;a sua não é uma das melhores, Sooyoungnão queria que os pais interferissem em seu círculo social, mas isso não quer dizer que ela sentisse vergonha! — ele suspira. Mesmo sendo do jeito que é, Jr. culpa-se um pouco pela má fama que tem.

— O que todos sabem e os pais dela não?

— Sobre Kang Taekwon.

— Mas no colégio até isso é boato! — exibiu uma careta cruzando os braços.

— Eles são os pais, deveriam saber o que estava acontecendo com a filha! — revido.

— Realmente vamos discutir como os Park devem cuidar dos próprios filhos? Não é a toa que deserdaram o próprio filho! — franzo o cenho — Você não sabia? — nem preciso falar nada, minha expressão já entrega o que penso. — É óbvio que não! Ninguém sabe, pelo menos não além de mim e a própria família Park.

— Eles sempre preservaram apenas a própria imagem... — é impressionante a capacidade de Jr. para descobrir as coisas. O que minha intriga é dele não usá-la para passar de ano.

— Todos nós preservamos a própria imagem.

— Como sabe desse filho? Até o momento apenas conhecemos cinco: Park Sooyeon, Park Jisoo, Park Younjun, Park Eumji e Park Chaeyoung, dois garotos e três garotas. Não existe nada que comprove o que estás dizendo.

— Se eu que sei toda a história não acredito, você é que não iria mesmo!

A conversa com Jr. não dura muito. Ele possuí algumas tarefas para fazer ao pai e tive que voltar para casa. Somos vizinhos.

Ao chegar em casa Junmyeon, leva Dahyun para a creche e depois vai cuidar da floricultura enquanto fico sozinho. Jogo um pouco online e enjoo. Geralmente adolescentes como eu deveriam ser convidados para festas o tempo inteiro, mas estamos falando especificamente de mim... a única mensagem que recebo — fora a dos familiares e vez ou outra dos amigos — chamando-me para sair é da operadora pedindo para pagar o pacote no banco. Às vezes reclamo disso mas no fundo sei que não suportaria tantas mensagens assim; costumo pensar em tais coisas apenas quando estou no tédio.

Sooyoung... Park Sooyoung... onde estás?

É estranho saber que do mesmo jeito que ela pode aparecer a qualquer momento, também pode não aparecer. Tudo o que ela fazia havia um motivo, que obviamente temos que deduzir. Sooyoungé objetiva porém, quando queria, poderia ser um enigma. Enigmas são legais, o pior deles são as pessoas. Por isso, prefiro dizer que desconheço as pessoas, até mesmo eu, o destino sempre coloca à prova o que dizemos — seja em voz alta ou não.

Lembro dos tempos que saia para o karaokê com Sooyoung.

Com quatorze anos ainda desejávamos ganhar o mundo com a música, mesmo que soubéssemos que não cantávamos muito bem — nenhum pouco para falar a verdade. Uma parte em mim acreditava que meu lugar — no mundo — envolvia as artes.

Uma vez quando tinha treze anos tive que apresentar-me em uma aula de artes sobre "Qual seu talento?". Recordo que no começou foi difícil descobrir qual era meu talento, no fim, Sooyoungdisse que eu poderia dançar jazz. Não fazia a mínima ideia de como dançar aquilo. No dia da apresentação, Junhee — o ex-professor de história que agora é bibliotecário — levou sua câmera e gravou algumas apresentações, já Sooyoung— em algum momento — pegou-a e filmou a minha. Na hora pensei que houvesse passado por algum tipo de humilhação, no entanto, depois comecei a rir, até porque fora apenas uma apresentação para a turma.

Quando cheguei em casa, mamãe fez minha festa — nem tão — surpresa dos quatorze anos.

Particularmente até hoje não sei se Sooyoungmotivou-me; a resposta é mais não do que sim. Ela apenas disse o que eu poderia fazer. Talvez naquela época, Sooyoungimportava-se mais com o que fazia e não com o que causava, era a teoria S sobre ação e reação.

[...]

Durante toda sua vida você vai deparar-se com milhões de desconhecidos e para que isso mude basta permitir-se conhecê-los.

Sabe qual o pior de todos os desconhecidos? Aquele que um dia você conheceu muito bem. Parece meio contraditório, mas entenda: imagine que há um melhor amigo, mas acontecem problemas que os fazem separarem-se, e então, você o vê mudando. Não é estranho? Ainda mais quando este desconhecido passa a tratá-lo como um. Sabe qual o único defeito das palavras? Da mesma maneira que elas podem alegrá-lo podem deixar uma marca terrível por toda sua vida. Sabe qual a pior parte em uma traição? Ela nunca vem dos seus inimigos.

Foi isso que Sooyoungdisse para mim antes de dar meia volta e ir embora. Ela ficava quando todos iam embora e ia embora quando todos ficavam, talvez para mostrar que estaria ali por todos, mas não estaria por si mesma. Na verdade, Sooyoungnunca teve tendência suicida ou depressiva — pelo menos todos os sorrisos que deu eram verdadeiros, em compensação todas suas lágrimas também eram. Ela era a pérola, o diamante cristalino e feita de titânio, contudo, agora parecia apenas uma ótima lembrança que faz-te questionar se permanecer vivo vale a pena.

Essa é a única diferença entre Park Sooyounge Jung Krystal.

Quando Zhang Yixing bateu na minha porta com aquele olhar de pena nunca pensei que alguém fosse realmente importar-se comigo — além da minha família e amigos próximos. Mesmo que suas palavras tenham sido breves ficaram ecoando em meus pensamentos pelo resto da semana, e o casal mais adorado do colégio chegou ao fim igualmente a meus sentimentos por Jung Krystal.

— Krystal está o traindo com o Sehun.

Se a traição houvesse vindo por parte de Yixing com certeza teria machucado menos. Agora imagine eu chegando em casa e o visse de gracinha irritando outra pessoa, jamais permitiria que nossa rivalidade acabasse. A traição veio da minha namorada e meu melhor amigo. É bem clichê, mas como dizia vovô: "acontece nas melhores famílias".

E aqui estou, na presença de minha ausência refletindo sobre o que resolvi ignorar.

Quando você ignora algo por muito tempo e um dia repentinamente lembra, a dor vem no peito, forte avassaladora, mas fica presa na garganta pois não tem mais importância chorar por aquilo. Por isso, dê atenção à aquilo que realmente merece.

Quando ouvi a notícia sobre Krystal estar me traindo, minha primeira reação foi rir, mas foi aquele riso de nervosismo que bem lá no fundo demonstra que você está magoado e só não está acreditando ainda. Entretanto, Yixing permaneceu parado apoiando o peso do corpo em uma das pernas com o olhar de pena sobre mim. O desespero bateu. Ele não estava mentindo. A única coisa que lembro de ter feito antes de desmarcar meu compromisso com Krystal naquela tarde foi agradecer a empatia do meu rival e fechar a porta.

Depois, em meus pensamentos, foi como um álbum de fotografia — com direito a efeito sépia — passasse. Busquei em qual momento errei ou comecei a mudar. Veio aquele sentimento de achar não ter sido o suficiente, não ter amado ou estado presente o bastante. Veio a crise de achar que você foi o único que errou — ou que amou.

E aí as aulas voltaram. E felizmente a família Park esqueceu de minha existência.

Ainda permaneci longos dois meses namorando Krystal, apenas suportando, esperando que algum dia ela contasse o que estava acontecendo e ignorava cada olhada de Sehun dirigido a mesma. O estranho é que eu sabia de toda a história, então, nada passava despercebido por meus olhos. A raiva de não ter notado antes corroía-me por dentro. Imagino-me se estivesse em outra ocasião onde eu não soubesse que Soojunge Sehun transavam pelas minhas costas e flertavam diante dos meus olhos. Aguentei ser tachado de trouxa por Yixing e Junmyeon.

E aí eu explodi.

Cansei de esperar uma atitude por parte de Krystal e fui até sua casa apenas para ver sua cara quando eu contasse tudo o que eu sabia. Mas aí nosso quarto de memórias desmoronou, depois a casa e aí a cidade que havíamos construído, caiu sobre minhas costas quando vi Krystal e Sehun suados sobre a cama do senhor e senhora Jung, provavelmente depois de uma boa "fanfarrada". O pior de tudo foi quando gritei com ela e na maior calmaria levantou-se da cama enrolada no lençol olhando nos meus olhos.

— Ainda bem que você veio e viu, já estava de saco cheio em esperá-lo perceber que não te quero mais. Você é muito lerdo! — e começou a vestir-se.

Meu queixo fez menção em cair, mas corri para fora da casa. Krystal não merecia meu afeto, tampouco minhas lágrimas. De incrédulo mudei para ridicularizado. Naquele dia eu precisava chorar no conforto de meus próprios braços, na escuridão da minha própria infelicidade.

Na manhã seguinte acordei em cacos, parecia uma máquina de tão automático que fiz as coisas. Graças à Z.Town — um blog criado por um(a) anônimo(a) da nossa escola — todos já sabiam da notícia sobre mim e Krystal, onde sai como culpado e afirmava que a culpa de tudo era minha por não ter tratado minha namorada como devia, ainda por cima tive que aturar o comentário desnecessário: "Mas convenhamos, nossa rainha Krystal combina mais com o capitão do time de hóquei, Oh Sehun!". Particularmente não queria ter me sentido tão afetado com algo que prejudicava-me demais.

Ao chegar na sala ninguém veio falar comigo, perguntar se eu estava bem porque é mais do que óbvio que não. Apenas sento no meu lugar sendo assunto e foco dos murmúrios e olhares dos demais. É mais do que nítido minha falta de interesse no que está acontecendo ao redor, nem me preocupo em verificar se Krystal veio ao colégio, pois é bem capaz dela estar acompanhada de Sehun. E pensar que um dia o considerei meu melhor amigo...

Anos de amor e amizade foram simplesmente jogados no lixo.

Sempre disseram que meus olhos eram estranhos mas nunca levei isso como um defeito, pelo menos até conhecer Jung Krystal — e ela falar que possuía medo de olhá-los. Foi aos quatorze anos — algumas semanas depois do meu aniversário — que a conheci durante uma festa de pijama na casa de uma de minhas ex-colegas. Alguns garotos também foram e aprontaram poucas e boas, tanto que na manhã seguinte acordamos com os cabelos coloridos e o rosto coberto de maquiagem. Nunca irrite uma garota quando ela estiver em bando — não irrite ou magoe uma mulher de jeito nenhum. Krystal ficou rindo e apaixonei-me por sua risada e o modo peculiar como roía as unhas ao saber que estava sendo observada.

E como todos sabemos, ela mudou — o que é natural de todo ser humano. Deixou de roer as unhas e passou a cuidá-las tão bem quanto da roupa. No começo foi incrível ver seu corpo desenvolver-se, os hormônios não davam uma trégua. Talvez eu realmente tenha merecido descobrir sobre a traição para perceber que havia apaixonado-me por uma Krystal que roía o esmalte por não suportá-lo e não uma que odiava a ideia de borrá-lo.

— ...E mesmo que você odeie admitir vai precisar de alguém para juntar e colocar cada caco do seu coração. Mesmo que odiemos admitir, precisamos das pessoas. Quem odeia a vida não merece viver.

Palmas ecoam pela sala e levanto o tronco para saber o que está acontecendo. Apenas vejo um garoto em pé, na frente, com um livro em mãos olhando para a turma, mas seu olhar é vazio e não foca em ninguém. Seu rosto não é nenhum pouco comum, ninguém tinha olhos daquela cor nem daquele tamanho.

As lembranças com Krystal voltam e sinto-me mal novamente. O estômago dá voltas ao lembrar que ela divide a cama com alguém que conheci um dia. Sinto nojo por perceber que eu não fui o único a admirá-la em toques e palavras. Talvez eu nem tenha sido o primeiro. Há quanto tempo eles estão juntos e eu não sabia. E se estivessem juntos há mais tempo que eu e ela namorávamos?

— Jongin o intervalo começou.

[...]

— Você está uma bagunça, Jongin! — Junmyeon entrega-me uma toalha e tira a mochila de meus ombros. Protetor daquele jeito parecia mais uma mãe. — Preparei um banho quente...

Vou para o banheiro.

Depois que aula terminou tive o azar de ser pego pela chuva enquanto o guarda-chuva permanecia intacto dentro da mochila. Não estou importando-me com nada e internamente desejo ficar doente para não ter que pisar no mesmo ambiente que Krystal. Durante os intervalos tive o infortúnio de esbarrar algumas vezes no casal mais adorado até então, além de ser o alvo dos olhares maldosos como se quem houvesse traído fosse eu.

Z.Town fez um excelente trabalho ferrando com minha reputação e deixando Krystal como vítima.

Após o banho, faço nota mental para sumir do campo de vista de Junmyeon pelo resto do dia, meu psicológico não está em condições de conversar, fugir é uma atitude muito infantil. Visto uma roupa casual e vou para a cozinha estranhando ao ver a casa em completo silêncio.

Pego o pequeno bilhete que está grudado ao plástico que cobre meu almoço:

"Sai com Dahyun e Kris, volto mais tarde! p.s. Espero que melhore logo! - Junmyeon."

Fecho a geladeira. Não sinto fome.

Primeiro a minha melhor amiga desaparece, depois descubro o tamanho dos meus chifres e fico sofrendo pelos cantos. O que fiz para merecer isso?

— Jongin!

Sinto nojo por estar ouvindo tantas vezes meu próprio nome naquele dia.

A porta abre e encaro incrédulo um Zhang Yixing de óculos escuros e jaqueta de couro passar por mim, sentando-se desleixado sobre o sofá colocando os pés em cima da mesa de centro.

— Junmyeon pediu para que eu cuidasse de você!

— Tenho quase dezoito anos, sei cuidar de mim mesmo — ignoro suas palavras.

— Se a idade mudasse alguma coisa em nós eu deveria ser mais responsável, não acha? — tira os óculos e sorriu de lado exibindo seu furinho na bochecha. — Nunca pensei que fosse ter ranço da Krystal, ela está deixando-te triste e como seu rival não posso permitir isso! — sei que ele está apenas tentando animar-me. Sento ao seu lado no sofá.

— Como... você consegue lidar com o fato de que a pessoa que você gosta não corresponde seus sentimentos? — engulo em seco ao perceber que minha voz saiu estranha. — Sei lá, eu imagino que quem não é correspondido não vive, viver sem amor é como estar morto, mas amar e não ser correspondido é suicídio.

— Eu sei, Jongin, eu sei... — cantarolou. — Mas saiba que quando amamos alguém fazemos a felicidade desta pessoa a nossa — o olho. Ele parece bem distante embora seu corpo estejaao meu lado.

— Então, você também gosta do Kris — comento e Yixing gargalha.

— Crianças como você ainda têm muito o que aprender — bagunça meu cabelo.

Sinto que ele está cuidado de mim, do jeito dele, mas está, também sei que a única razão para estar ali comigo é apenas por Junmyeon, afinal, não é novidade para ninguém que Yixing possui um interesse no meu maninho. Nossa rivalidade é baseadaapenas em irritar um ao outro a base de piadinhas, não é ódio e sim desejo de proteger cada vez Junmyeon.

Passamos o resto do da manhã mofando no sofá. Servi de plateia para o chinês cantarolar, além de cobaia para seus experimentos — vulgo, aquilo que ele dizia ser comida — enquanto ele comia meu almoço congelado.

Às cinco horas seu telefone toca e sem dar explicações Yixing vai embora, mas sei que é por causa do seu trabalho de meio turno havia começado e eu apenas vou tomar outro banho, focado em ir para qualquer lugar onde possa fugir da realidade: a loja de instrumentos eletrônicos, locadora e fitas cassetes.

[...]

— No dia em que você aparecer aqui chorando lembra que não sou o Lay para ouvir sofrência de amor.

Adoro a honestidade de Park Chanyeol.

Sweater Weather toca baixinho pelo local e percebo que mesmo para uma segunda-feira está bem movimentado, sorte que nenhum(a) colega meu(minha) de classe conhece aquela loja. Se ali fosse um bar, Chanyeol seria aquele bartendernovinho que todo mundo adora porque às vezes dá bebida de graça. No entanto, Chanyeol é aquele tipo de balconista que a gente vê quando está indo ao colégio, igualmente ao crush da padaria, do metrô, do ônibus.

— Não sei consolar coração partido, cai fora! — Chanyeol ri colocando alguns CDs dentro de uma sacola com o slogan da loja entregando-a para uma menina ao meu lado. — Tenha uma boa noite, senhorita! — e sorriu simpático. Posso jurar que por um segundo vi os olhos dela brilharem. Então, vai embora.

— Pare de iludir os clientes assim! — resmungo passando a mão no pequeno pote de jujubas que estão sobre o balcão.

— É o meu trabalho. Se recebi esta beleza de graça tenho que tirar proveito!

— Seu amor próprio é invejável! — um cliente chega e Chanyeol vai atendê-lo, tirando um doce e entregando para a garotinha que acompanha o mesmo. Se eu tivesse a facilidade em sorrir daquele jeito e tivesse dois porcentos da beleza de Yixing certamente concorreria para ser colega de trabalho de Chanyeol. — Quando você vai desencalhar, hein?

— Jongin, não tente dar conselhos amorosos sendo que sua vida amorosa está uma merda, e ouso dizer, pior do que a minha — seu queixo inclina lentamente para cima e seus lábios estão puxados para o lado em uma nítida expressão de deboche.

— Não me chama assim, estou pegando ranço desse nome.

Não minto, porém, o ruivo ri abaixando-se e ajeitando algumas coisas nas prateleiras atrás do balcão.

— Vai mudar por causa de uma pessoa? Isso é muito infantil. Sabe o que eu faria em uma situação como essa? — na verdade sei, mas nego com a cabeça. — Apareceria naquela bagaça e mostraria que não vou me rebaixar por causa de um relacionamento! — seu rosto é bem expressivo e não consigo evitar ri.

— Se fizéssemos tudo o que disséssemos o mundo seria diferente. — estico a mão para pegar a jujuba e Chanyeol estapeia minha mão balançando a cabeça em negação.

— Defina "diferente" — inclina o corpo sobre o balcão e puxa o canto dos lábios em uma nítida expressão de deboche, novamente. Park Chanyeol é um cara debochado.

— Bom... — Park Sooyoung.

— E se eu dissesse que você merece morrer e viesse à óbito? — estaria livrando-me de um sofrimento. — No dia em que sentir-se um lixo, diga em voz alta que quer morrer para a pessoa mais importante na sua vida, veja o que acontece. — Algo me diz que você já fez isso e gostaria muito de parar. Desde que percebi o quãodura a vida por ser, tudo tem sido tão estranho, era a teoria de estarmos apenas existindo. — Meu turno acabou! — Chanyeol tira o avental enquanto pega seu casaco. — Se quiser conversar comigo amanhã de manhã antes de ir ao colégio sinta-se convidado!

Agora o início de Free Bird toca.

[...]

O toque de jazz ecoa em meus ouvidos enquanto meu pé bate simultaneamente no chão conforme o ritmo. Meus olhos correm de um lado ao outro tentando acompanhar os movimentos sobrenaturais de Wu Zitao, o filho do namorado de meu irmão. Passar uma noite cuidando de uma pestinha como aquela, que tenta a todo instante humilhar-te na frente da sua própria sobrinha, não é para mim — e faz-te chegar a conclusão que coisas pequenas são irritantes. Pobre Dahyun que atura aquele projeto masculino de O Grito. Se pelo menos Yixing estivesse aqui poderia pedi-lo para tomar esta tarefa por mim e eu fugiria para a casa de Jr. ficando por lá.

Após a conversa que tive com Park Chanyepl voltei para casa com a mensagem de Junmyeon afirmando que precisava urgentemente de mim, e eu, como um ótimo irmão mais novo fui.

Quando estava voltando parecia mais uma cena de filme de terror quando a vítima está indo em direção ao assassino — e não sabe disso — e há vários cortes de ângulos diferentes desnecessários ou a câmera apenas acompanha o personagem. Mesmo que a maioria dos filmes de terror que assisti tenham focado mais em jumpscare, suspense — e se caso o diretor de sua vida seja Quentin Tarentino — e muito sangue, ainda assim de alguma forma continuamos assistindo para saber de qual forma mais violenta a vítima vai morrer.

No final, abri a porta e deparei-me com aquela versão de O Pestinha chinesa, porém, certamente eu não era o Sr. Willson, porque estamos em um filme de terror — e não em um filme de comédia para assistir com a família no fim de tarde.

Wu Zitao, seis anos, um metro e quinze centímetros, magro, cabelo preto ecaído ligeiramente sobre o olho direito — de forma demoníaca que é a personificação perfeita de demônio. É impossível que alguém tão amável como Kris seja pai de uma cria como aquela!

Nos minutos seguintes apenas joguei a jaqueta sobre o sofá correndo para desligar o microondas — onde uma de minhas HQs estavam —, apagar algumas luzes e colocar de volta tudo o que estava fora do lugar. Durante os primeiros 180 segundos que tentei arrumar tudo, o moleque retornava a bagunçar e fui alvo de suas traquinagens, enquanto a pequena Dahyun lambuzava-se se chocolate assistindo algum desenho em frente a televisão.

Hoje estou sendo alvo de muitas coisas.

No entanto, vamos pular a parte dramática e prosseguimos até o presente, onde quem está jogado no sofá sou eu enquanto Zitao está estranhamente calmo sentado a meu lado com seu ursinho do Pororo olhando-me. Dahyun continua comendo.

— Tio, 'tô com fome! — criança é a falsidade personificada.

Duvide de uma criança quando ela estiver quieta, quer dizer que sua energia acabou para aprontar e que agora vai usar a reserva para encher seu saco e assim conseguir comida, apenas sinto muito em informar que adolescente também é desse jeito. Bom, o pirralho está com fome, eu também, Dahyun dormiria em algumas horas, havia alguns macarrões instantâneos, todavia a minha preguiça estava sendo maior que a vontade de preparar alguma coisa.

Por isso, vamos fingir interesse e perguntar o que seres como ele comem.

— Papai sempre prepara algo leve — sopa. — Ou íamos em um restaurante comer alguma coisa, mas ele sempre me deixava lá, minha prima Tzuyu quem come comigo! — legal.

— Você não tem idade para comer sozinho no restaurante — retruco balançando a cabeça. Também sei como irritar as pessoas, Wu Zitao.

— Como no apartamento que fica em cima do restaurante — ele cruza os braços.

— Então, diga que vai comer na casa da sua prima, não no restaurante — fecho os olhos imitando sua pose. Ouço-o bufar.

— Essa conversa inútil me deixou com mais fome! — faz uma careta e passa a mão na barriga. Chantagem. Inclino minha cabeça para frente e possover Dahyun dormindo. Teria que banhá-la e deixá-la no quarto.

— Seu vocabulário é muito extenso para uma criança — meus comentários são inúteis.

— E você é feio demais para ser irmão do Junmyeon! — doeu.

Essa frase foi lá na alma e voltou. Chego a rir diante da inocência de Zitao, na mesma intensidade que pode facilmente irritar podia ser irritado. Crianças não gostam de serem chamadas de crianças.

Levanto e pego o telefone já pensando se deveria levar Dahyun para o quarto ou não.

— Vou pedir pizza, não fale para seu pai! — disco o número. — Ou vai querer comida chinesa? — levanto o olhar.

— Restaurantes chineses não fazem entregas — que menino inteligente!

— Conheço um que faz — ouço uma voz do outro lado da linha. — Uma pizza tamanho média, por favor! — muto o áudio para perguntar ao pirralho qual sabor ele queria.

— Tem de chocolate? Gengibre? Jujuba? — lá vai ele com sua inocência.

— Pizza é salgada, não doce. Isso existe? — e ele grita falando que eu sendo o adulto aqui eu quem deveria saber se existe isso ou não. — Vai querer o que?!

— Frango! — retorno o áudio e repondo. Falo o endereço da casa, agradeço ao serviço e desligo o celular deixando-o sobre o sofá. — Mentir é feio, tio! Papai disse! — vou para a cozinha guardar as últimas coisas fora do lugar.

— Estamos omitindo, mentir é contar algo que não é verdade, nós apenas não vamos contar ao seu papai toda a verdade, se bem que se você fizer isso também é culpado; cúmplices também pagam pelo crime.

— Mas e se eu contar? — viro-me e vejo aquele ser minúsculo de cara amarrada e braços cruzados olhando-me. Outro Deboche Boy. — O que você vai fazer? O maior culpado aqui é você. Papai sabe que não minto! — para quê este drama todo por causa de uma comida?! É automático meu movimento de colocar as mãos nas cinturas. — Foi você quem pediu essa tal de "bitcha"! — esbraveja com sua voz fininha. Se ele não quisesse poderíamos ir na sua prima e comer alguma coisa. — Você tem dinheiro? — nego. — Então, como vai pagar a "bitcha"?

— Minha presença é algo bem mais precioso que dinheiro!

— Faz meia hora que estou contigo e nada de glorificante aconteceu, acho que você tá com defeito! — aponta seu dedinho e começa a cutucar algumas partes de meu corpo. — Acho que você está pensando que meu defeito é não respeitá-lo, mas quando você me der comida terá meu eterno respeito! — deboche boy volume dois.

— Onde foi que Kris errou quando te criou? — franzo o cenho.

— Kris só começou a cuidar de mim no ano passado!

Aí o pirralho começa a chorar.

Sinto que chegamos em um assunto que não é da minha conta.

Zitao está chorando. É normal crianças chorarem, mas não é normal chorarem por dores tão intensas como aquela, Zitao parece ser bem mais maduro que a idade e isso é errado, pode interferir na sua vida futura. Seja lá o que for que tenha acontecido entre esse dois Junmyeon precisava saber.

Agora surge a dúvida se Kris é o que aparenta ser.

[...]

Há várias pessoas perdidas no mundo neste exato momento. A solução é que elas se encontrem, seus olhares pedem ajuda mesmo sabendo como ajudarem-se. Somos conhecidos como anti-heróis de nós mesmos. É desnecessário catalogar uma pessoa apenas pelo que aparenta ser, um ladrão nem sempre tem tatuagens ou é conhecido como vagabundo porque se fosse por isso não existiria ladrões de terno que cuida das nossas vidas e estão bem acima de nós. Uma pessoa estar isolada não quer dizer necessariamente que seja depressiva ou tenha tendências suicidas.

Desconfie de uma pessoa se ela sorrir demais.

Algumas das raras vezes que sai ao cinema com meus amigos, Sooyoung disse que o vilão possuía cabelo no peito e também era raro às vezes que acertava sua suposição, por isso ela não confiava em pessoas que possuía o peito cabeludo, sei lá o que significava para si, apenas lembro que era algo relacionado ao fato de parecer um pedófilo ou um ator pornô. Era de seu feitio catalogar e padronizar as pessoas, por isso sempre pecava em conhecê-las. Sooyoung catalogava no entanto odiava ser.

Como por exemplo a garota de cabelos curtos sentada a minha frente no metrô. Ela parece ser um garota normal, solitária, entretanto não há nada que indique que seja depressiva, provavelmente esteja apenas dando tempo a vida. Sabe se lá o que esteja ouvindo. Parece ser louquinha e pensar em milhões de coisas ao mesmo tempo e provavelmente apenas tenha medo de ser ela mesma. Pronto, cataloguei. Posso padronizá-la em meus pensamentos mas sabe-se lá o que acontece quando ela sair deste vagão ao descer na próxima estação.

O metrô vai parando lentamente e as únicas pessoas que estavam ali saíram e outras em menor quantidade entraram, apenas joguei a sacola ao meu lado no banco.

Junmyeon pediu para que eu comprasse alguns doces para Dahyun, no entanto a famosa confeitaria que os prepara ficava do outro lado da cidade e tive que ir de metrô caso não quisesse pegar trânsito dentro do ônibus. Mamãe e papai iriam nos visitar naquela noite e Jr. já havia telefonado marcando sua presença pós-jantar para comer o que muito provavelmente ninguém iria. Sabia que eles não demorariam lá em casa, apenas conversariam como eu estava, comoestávamos e depois iriam embora, sendo assim poderia sair com Jeongyeon e Lucas— Jr. é um caso a parte.

— Apenas fique em silêncio...

Repeti para mim mesmo o que não adiantou de nada já que meus pensamentos tornavam-se cada vez mais barulhentos.

A luz do pôr-do-sol atravessaas vidraças daquele monstro metálico. Gosto desta cor, é peculiar, torna a paisagem perfeita ao som de "Oceans". Com os olhos fechados vema minha mente a imagem de um oceano com o mesmo sol de fundo. Não éde meu costume ficar imaginando, admirofenômenos naturais, no entanto, as coisas andam tão bagunçadas que qualquer lugar émelhor, até mesmo locais calmos tornam-se uma bagunça quando mencionam sobre Sooyounge/ou Krystal. Sobre Krystal éfácil entender, no entanto, as pessoas acreditam que Sooyoungestáviajando e saber a verdade sem poder contar é bem mais torturante que ouvir uma mentira e engoli-la.

Já não sabia mais se o caos era o ambiente ou eu.

Meus dias foram passando naturalmente e muitas das vezes esqueci sobre tudo o que estava acontecendo, foquei em aproveitar mais meus momentos em famílias, com os amigos e lutava arduamente para esquecer a ideia maluca de tentar encontrar Sooyoung. Perdi a conta de quantos dias não a vejo. Algumas vezes durante o dia lembro que esqueci momentaneamente sobre ela — paradoxo maluco — e por alguns segundos me sintomal, depois penso se tudo o que aconteceu foi porque teve que acontecer, ou Sooyoungforjou tudo. Se Sooyoungnão queria mais esta vida não fazia sentidome sentirimportante a ponto de achar que ainda pertencia àela. Parecenão fazer falta. Como se nunca houvesse estado e agora não fazia diferença — o que era completamente contraditório.

É sábado, perto das cinco horas da tarde, nenhuma mensagem no celular. Tudo estánormal, a única coisa momentânea que incomodaera o olhar da velhinha sentada do outro lado.

Uma coisa legal e ao mesmo tempo nem tanto é o quão ignorantes os adultos podem ser. Eles ficam dando respostas e justificativas para coisas inúteis, falam que qualquer pessoa nascida antes deles são inexperientes. Somos experientes de nossas próprias experiências. Uma mania muito feia deles é ficarem olhando tudo a sua volta, não porque seja novo — no fundo já nem ligam mais se alguma coisa está mudando —, apenas querem tirar alguma conclusão de que o mundo por quem estão batalhando todo dia será deixado em boas mãos. Adultos querem ser reconhecidos, mas eles não fazem o que gostam, aprendem a gostar do que fazem.

Eles ficam te olhando, analisando tudo o que você faz numa tentativa inútil de saber quem és e o que faz. E quando aparentemente você não é o que catalogam, aí ficam imaginando uma vida inteira do jeito que querem. Não sei se é algo que apenas os adultos que fazem, já que crianças também, porém de uma maneira mais ingênua e às vezes elas simplesmente sabem — elas podem, sei lá, imaginar que você é uma espécie de super-herói ou espião quando não há ninguém olhando.

E bem, nem adianta pedir para que um adolescente olhe. Eles catalogam de três formas: 1) Inferiorizam para sentirem-se superiores; 2) Superiorizam por acharem-se inferiores; 3) Não fazem nada, apenas observam, estão tão confusos quanto nós.

Como por exemplo, a garotinha de cabelo curtinho sentada no fundo do vagão, sozinha, balançando os pés — com sapatos coloridos diferentes, igualmente as meias — brincando com os polegares. Desde que entrei não falou nada, permaneceu sentada e não levantou a cabeça nenhuma vez. Provavelmente posso dizer que não entendo a cabeça de uma criança, mas ela provavelmente entende a minha.

Ela começou a chorar.

Se fosse uma criança de dois ou três anos provavelmente faria escândalo e aquela garotinha nem parecia estar chorando, a única coisa que entregava isso era o movimentos que suas costas curvadas faziam e os soluços baixinhos que eram quase inaudíveis pelo barulho dos vagões contra os trilhos.

A próxima estação foi anunciada.

Peguei a sacola ao meu lado e fui até a garotinha.

— Você está perdida? — ou provavelmente esteja passando por aquela loucura infantil comum de todos sobre querer fazer uma tralha de pano e fugir de casa, igual aos desenhos animados; "coisas de crianças".

— Moço, não sei onde estou... — falou em um fio de voz antes de soltar um soluço. Sentei ao seu lado. — Meu irmão disse que não posso conversar com estranhos, mas eu quero ir para casa, moço! — passou as mangas do casaco sobre o rosto vermelhinho e inchado.

— Eu sou o... Jongin! — um desconhecido segurando uma sacola cheia de doces.

— Por que hesitou?

— Recentemente tenho ouvido muito meu nome e não estou gostando tanto assim, então, pedi para que chamassem-me de Kai. — sorri, mas ela não.

— Meu nome é Taeyang, só que meu pai disse que meu cabelo é escuro que nem o da mamãe, e desse jeito não posso representar o astro do dia, ele 'me chama de Moon! — continuava a olhar para o chão. Parecia mais calma agora.

— Seu pai parece legal!

— Ele é! Todos os dias escrevo à ele dizendo que é um herói, um dos vários de nossas família. Ele está no exército com o meu tio, são generais! — uau...

— Vou levar-te para uma delegacia, talvez possam ajudar. Onde mora, Moon?

— Cheguei no mês passado aqui então ainda não decorei o lugar, também não posso porque tenho que ficar em casa cuidado do meu irmão mais novo — não entendi. — ... Sou cega, moço Kai... — parecia abalada.

As portas abrem, pegona mão da garotinha e a puxo para fora, tomando cuidado ao passar pelas pessoas que entram e saem.

— Acho que há uma delegacia por aqui... — olhei para os lados procurando mas tudo o que vi foram pessoas indo e vindo. Acariciei os fios escuros de Moon para reconfortá-la.

— Por que não vamos na "delegacia" do metrô? — quase não pude ouvir sua voz. O barulho do ambiente era muito alto.

— Não acho que iriam procurá-la lá.

E fomos para a delegacia central que ficava há dois quarteirões da estação de metrô. Moon era uma garota incrível, quero dizer, todas as crianças são porque mesmo sabendo que possuem heróis em suas vidas querem ser heróis de sua própria história. Ouvi algumas histórias de seu pai e do quão maravilhoso era por protegê-la de tudo, contudo o mais impressionante foi o que dissera quando cruzamos as portas do edifício.

— Admiro papai por tudo o que ele faz mas acho que ele deveria confiar mais no meu potencial. — sentamos em um banco na entrada esperando algum policial aparentemente menos ocupado.

— Tenho certeza de que ele confia no seu potencial, Moon. Todo pai acredita. — e de certa forma falar sobre o pai heróico de Moon fez-me lembrar do quão incrível eu achava o meu quando era pequeno, e do quão sortudos éramos por ter um herói na família. Bem parecido com o que Moon falara antes na estação.

— Para quem são esses bolinhos?

— Hum? — minha cabeça foi para frente automaticamente.

— Senti o cheiro deles quando você chegou perto de mim, moço Kai. Parecem deliciosos.

— Ah... — finalmente raciocinei. — São para minha sobrinha. — estendoa sacola e balançoo conteúdo. Vejoo sorriso de Moon aumentar, com um formato bem peculiar.

— Ela vai ficar muito feliz. Qual o nome dela? — virou o rosto para onde eu estava e finalmente vi a cor dos seus olhos. Albinos. Moon é realmente uma garota incrível. — Quantos anos ela tem? Como ela é, hein? Fala moço Kai. — suas pequenas mãos estãoao redor do meu braço enquanto balançaos pés para frente a para trás.

— Jongin, o que faz aqui? — senhor Jung estácom seu costumeiro uniforme do exército. Ainda acreditaque égeneral;éuma das únicas memórias dele. — E essa garotinha? — aproxima-se abaixando-se e passando a mãos nos fios escuros de Moon.

— Moço, o moço Kai não gosta que o chamem de Jongin, pelo menos não por enquanto... Eu sou a Moon! — sorriu mesmo sem saber onde exatamente senhor Jung está.

— Ela estava perdida na estação e a trouxe para cá.

— Sendo sempre um bom garoto, Jongin. Seja sua própria esperança. — e sorriu, desta vez, bagunçando o meu cabelo. — Vou falar com algum policial lá dentro sobre a Moon, já, já volto.

Informou a polícia, depois foi embora ao perceber que esqueceu de buscar o filho no colégio — o filho de trinta anos — eu até pensei em ir embora porque Moon ficaria bem ali, no entanto resolvi ficar para não deixá-la sozinha, até mesmo dei um dos vários bolinhos da sacola — Dahyun não daria falta.

— Eu tinha certeza. Estão realmente gostosos! — falou com a bochechas cheias de chocolate. — Você tem irmão moço Kai?

— Considerando alguns fatores tenho um, mas minha irmã morreu durante meu parto, ou seja, eu teria uma versão feminina minha! — éengraçada a ideia.

— Nem todos os gêmeos nascem iguais. Tenho um irmão gêmeo mas ele não é uma versão masculina minha — revidacom a boca suja de chocolate. O irmão dela podia até não ser, mas ela era uma versão feminina do pestinha, vulgo Zitao.

— Dahyun, é o nome da minha sobrinha.

— Deve ser legal ter um sobrinho, ter com quem brincar... — o resto do bolinho ficaesquecido em suas mãos que descansavam sobre o colo.

— Mas você tem seu irmão, não é? — por que eu estava a reconfortando?

— Não é a mesma coisa... — falou terminando de comer o último pedaço do bolinho e passou a manga do suéter sobre a boca limpando os resquícios da comida.

— Taeyang!

Uma mulher desesperada adentrou a delegacia e começou a questionar a garotinha ao meu lado passando freneticamente as mãos onde podia verificando se ela estava realmente bem como aparentava.

— Minho reclamou que estava com fome e eu sai para comprar alguma coisa, mas acabei me perdendo e fiquei no metrô, o moço Kai me ajudou. — tocaem meu pulso. Acenopara a mulher que agradece. — Acho melhor voltarmos logo, ou o Kyung vai descobrir nossa festa surpresa atrasada! — foi um dos únicos sorrisos que vi Moon fazer naquela tarde.

Levantei-me do banco e conferi os bolinhos na sacola.

— Foi um imenso prazer conhecê-la, incrível Moon, senhora, mas há uma outra garotinha precisando de mim agora. Tchau! — acaricioa mão da pequena e vouembora.

Estouquase atrasado, no entanto, minha casa não ficamuito longe, possomuito bem ir andando. Verificoas horas no celular e não pude não ver as mensagens de Lay falando que Junmyeon estava ficando preocupado e que Dahyun estava emburrada dizendo que eu era um ser irresponsável. Apenas visualizei e guardei o celular no bolso.

Moon era uma garota incrível e não era defeito nenhum ser deficiente visual, no entanto, o que mais era admirável nela era a capacidade de lidar com isso. Pelo que havia dito, chegara na cidade há pouco tempo, então provavelmente nem houvera começado a estudar. Contei algumas coisas sobre minha vida àelaporque a probabilidade de nos encontrarmos novamente e a garota lembrar quem sou era mínima.

Abroa porta e sourecebido pela figura minúscula de Dahyun de braços cruzados, com um biquinho nos lábios enquanto batefreneticamente o pé contra o assoalho. Eu poderia correr e desviar de suas mãozinhas ou ficar e ignorá-la. Tiroos sapatos colocando os chinelos e finjonão vê-la, passando direto deixando a sacola de doces sobre a mesa.

Dahyun ébaixinha demais, os bracinhos são curtos.

Vou até o armário do lado superior esquerdo da pia àprocura de um copo. Apenas ouço o som de sapatinhos vindo até mim e vejouma cabecinha de maria-chiquinhas chegar na cozinha. Tão fofinha e tão assustadora.

— Você está atrasado, tio! O papai disse para você fazer a minha maquiagem enquanto ele foi ao restaurante fazer 'num sei o que! — exclamaerguendo os bracinhos para tentar pegar a sacola sobre a mesa.

— Papai já veio? — pegouma jarra d'água na geladeira.

— Não. Adiaram a visita para a semana que vem.

— E por que está vestida assim? — colocoágua no copo.

— A menina que ia fazer a Alice não está mais doente, então eu vou ser o coelho. — falou arrastando a cadeira. — Zitao disse que ia fazer uma surpresa para mim caso eu fosse bem na peça!

— Vocês dois... — deixoa jarra sobre o balcão e bebi água.

— Eca! Só amo meu papai, o vovô e a vovó!

— E eu? — a encaroincrédulo deixando o copo vazio sobre a pia.

— Você me decepcionou, tio, e isso não se faz. — senta-se sobre a mesa e levaum bolinho a boca. — Mas a vovó disse que o vovô conquistou o amor dela pela barriga, então— fez uma pausa para comer outro bolinho —, acho que com esses bolinhos você tem meu amor de volta! — sorri diante da sua inocência e guardoa jarra na geladeira.

— Vamos logo! — apoiominhas mãos em suas axilas pegando-a no colo e subindo para o quarto. — Vou ligar para o Jr. vir te maquiar! — deixei-a sobre a cama e peguei o celular. Dahyun ainda possuíum bolinho em mãos.

— Não, tio! — suas mãos ágeis me roubamo celular — O Jr. 'me deixa como um palhaço! Não! — faz bico e estendea mão como se eu não pudesse pegar o celular.

— É isso ou...

— Se Sooyoungestivesse aqui ela poderia 'me maquiar!

Dahyun não sabe.

Definitivamente não sabeo que está acontecendo naquela casa e nem com Sooyoung. E eu choro. Porque mesmo que eu esteja ignorando o que vem acontecendo e tentando ao máximo não criar um caos no fundo eu preciso de Sooyoung. Na verdade, todos precisamos. Mesmo que as coisas que estão acontecendo não interferissem com ela. Sooyoung éuma parte de nossas vidas que não pareceser tão importante embora seja.

— Tio é só ligar para ela que ela vem, não é?

— É... ela vem. — disquei o número de Krystal.

Somoscrescidos o suficiente para lidar com esse tipo de situação. O lado bom foi que ela não negou.

Fui tomar banho quando Junmyeon chegou e avisei sobre a possível chegada de Krystal. E então, devidamente vestido confiroa bateria da câmera deixando-a pendurada pela alça em meu pescoço. Fui para o primeiro andar e me deparocom Krystal fazendo a maquiagem de coelhinho em Dahyun que ridizendo que o pincel fazia cócegas.

— Olá, Jongin! Depois da apresentação da Dahyun vamos jantar em um restaurante, tudo por conta do Kris. — informou ajeitando o casaco. — Lay já está na creche guardando os nossos lugares. Irei esperá-los lá fora! — e saiu.

— Tia Krystal por que não vem conosco? Vai ser divertido! O tio Nini vai ficar sozinho, o tio Lay sempre vai embora logo. — falou com um biquinho nos lábios. Balancei a cabeça pegando a pequena mochila de Dahyun sobre o sofá.

— Queria muito mas não posso, tenho que cuidar de casa. Quem sabe da próxima vez, não é? — Krystal só estáali para não decepcionar Dahyun. — Terminei!— Dahyun saisaltitando pela sala. — Nem era tão difícil, Jongin. — Krystal continuava bonita do mesmo jeito. — Enfim, — deixou a maquiagem sobre o sofá — tenho que ir, daqui a pouco... Sehun vai lá para casa. Foi bom revê-lo, Jongin! Tchau!

Por que eu esperei que teríamos uma conversa séria?

— Como dizia Tom Mcneal, para você eu fui um livro, mas para mim você foi um livro inteiro — e fico em silêncio esperando que ela fale alguma coisa, mas simplesmente fecha a porta.

— Vamos, Dahyun! — seguroem sua mão. — Não fique movendo-se tanto, vai estragar a fantasia, e se estragar o Zitao não vai dar presente! — crianças são inocentes.

Antes de sair verificotodas as portas e janelas fechando-as e depois voupara o carro, onde surpreendentemente sou recebido por um pestinha que passou o caminho inteiro pendurado no meu pescoço tentando a todo custo tirar a câmera fotográfica e fotografar qualquer coisa que passasse na janela. Kris também está, dirigindo o carro, Junmyeon ao seu lado e eu sendo alguma espécie de experimento para as crianças.

Enviouma mensagem rápido desmarcando com o pessoal nosso compromisso.

Eu queria ter conversado com Krystal. Somos maduros o suficiente para isso mas pareceque ela fogede mim. Não recebi mais notícias de ambos e tudo parecia estranhamente bem como se sempre houvesse sido assim. Como se Krystal e Sehun sempre houvessem sido namorados, como se Sooyoung nunca houvesse sido minha amiga e o pior como se a minha vida sem eles fosse algo desde o início. Medo.

Estou com medo do que poderá seguir.

Dahyun éfofa, não sabeo que está acontecendo e por alguns segundos desejoter toda sua inocência, e sei lá, no fundo é errado desejar isso. Terça-feira, depois do colégio talvez eu vá conversar com Chanyeol. Precisofalar àele tudo o que estou sentindo mesmo que eu saiba que ele não ajudaria em nada.

[...]

— Acorda Jongin, já chegamos! — Zitao falabalançando as mãos em frente ao meu rosto e depois puxaa câmera de meu pescoço. Saiu do carro pela porta do motorista juntamente com o pai, estáfugindo de mim. — Hora da foto! — exclamacom sua voz fininha estendendo o objeto para Junmyeon. — Tira uma foto minha e da Dahyun! — sorriu e por alguns instantes esqueçoque aquele mesmo ser fofinho com olhinhos de panda era o mesmo garoto demoníaco que cuido sempre que o pai saia para paquerar meu irmão.

Apenas vejoDahyun correr até Zitao e iniciou-se as fotos.

Enquanto isso, pegoa mochila da pequena Kim e coloco-a nos ombros.

— Não podemos nos atrasar, tio Nini! — agarrou minha mão e começou a puxar para dentro do colégio. O estacionamento estava bastante movimento. — A apresentação vai ser no ginásio, temos que ir para lá! — sua perninhas curtas parecem deixar caminhos de fogo por onde passava.

Quando chegamos, a professora de Dahyun nos cumprimentou e fico encantado vendo aqueles pingos de gente arrumadinhos indo de um lado ao outro. Quem sabe mais tarde eu não fosse conversar com Joohyun e falar que ela era muito baixinha para ser a Rainha de Copas? Ou até mesmo conversaria com Yoongi, a lagarta azul, ou quem sabe com Jisoo e Seokjin os gêmeos?

— Oh, Dahyun, vamos, vamos, está quase na hora de começar! — senhora Choi começaa chamar as crianças.

— Tio Nini, 'tô com medo! — vejoa pequena formar um bico choroso nos lábios. É de partir o coração. — E se eu pagar mico? Se eu esquecer as falas? E se eu não receber presente do Tao? — fico de joelhos e apoioas mãos em seus ombros. — Se o papai não gostar? Se você não gostar, tio Nini?

— Minha coelhinha favorita não pode chorar! Heróis não choram! Heróis lutam, Dahyun! E você vai lutar pelo presente do TaoZi, pelo sorriso orgulhoso do seu papai e principalmente vai lutar por você, não é? Confie em você. Todos nós confiamos. E quando sentir-se sozinha, olhe para a plateia, há pessoas lá que estarão aplaudindo seu show. Nós amamos e confiamos em você. Você consegue Dahyun! — sorri vendo-a mais calma. Deixei um beijo em sua bochecha. — Dê o seu melhor! — fechoa mão em formato de punho. Dahyun faz o mesmo gesto depois correpara acompanhar a turma.

— Torça por mim, tio Nini!

Todos nós estamos, coelhinha.

Giroos calcanhares e vouaté a plateia — que na verdade era várias cadeiras espalhadas e enfileiradas pelo ginásio. Procuro Junmyeon ou Kris e vejoLay ao lado dos mesmos. Vou rapidamente até eles e sentei-me ao lado de Kris — o único local vago. Vejoo olhar que Yixing direcionapara meu irmão.

— Como Dahyun estava? — Wu perguntae Zitao olhou-me esperançoso. Já seide quem é a pergunta.

— Nervosa.

— Tentou acalmá-la? — desta vez fora Junmyeon, que ligava a câmera e ajeitava as configurações. Murmurei um sim. — Estou tão orgulhoso da minha filhinha! — sorriu envergonhado e vi Lay olhá-lo. Aquele olhar entregava tudo.

— Espero que nossos ensaios tenham ajudado! — Lay falanervoso juntando as mãos esfregando-as de olhos fechados. — Espero que eu ter vestido-me de Alice realmente tenha valido a pena! — Zitao gargalhou. Infelizmente naquele dia eu estava trancafiado no meu quarto pensando em Sooyoung.

— Vai começar! — Kris falae me ajeitona cadeira.

Dahyun está incrível segurando o pequeno relógio improvisado em mãos enquanto ditava suas falas,Junmyeon filmava tudo orgulhoso. Zitao estava caladinho, quietinho sentado no colo do pai prestando bastante atenção na peça. A quadra estava em completo silêncio vendo os baixinhos se apresentarem e bom eu sai — pensei ter saído pois permaneci no mesmo lugar. Fiz minha parte naquela noite. Ajudei mais uma garotinha, porém, desta vez, seu herói era o meu pestinha. Olhouma última vez para o palco decorado com papelão pintado e sorrio para Dahyun que estánervosa e um bico nos lábios apreensiva por ter esquecido suas falas por alguns segundos.

E foi aí que eu me impressionei.

Sabe quando você tem certeza de algo e nem precisa falar em voz alta porque o tempo vai fazer você pensar duas vezes antes de ter certeza de algo novamente? Pois é. Eu disse que sabia que as pessoas eram iguais e que de alguma forma era possível saber o que estavam pensando. Então... existem algumas que te surpreendem e tudo o que conseguimos fazer é sorrir.

Zitao ficou em pé no colo do pai e a todos os pulmões levantou as duas mãos em forma de punho e gritou. Gritou porque ele estava lá por Dahyun. Porque ele era seu herói.

— Dahyun você consegue! Todos nós podemos ser heróis! — e um silêncio, desta vez incômodo instalou-se pelo ginásio.

Quem era aquele herói pequeno, baixinho, magrinho, sem capa ou máscara e sem cueca por cima da calça? Que tipo de herói era aquele? Que tipo de herói era aquele sem poderes? Que tipo de herói era Wu Zitao?

Dahyun olhou para a plateia e sorriu acenando com a cabeça para o pestinha que completamente envergonhado sorriu de volta gritando as mesmas palavras mais uma vez. Depois Kris sentou-o novamente em seu colo enquanto Junmyeon não sabia mais o que deveria gravar. A pequena coelhinha voltou a atuar e agora parecia realmente pertencer àquele lugar, aos palcos.

O pestinha olhou para mim com o sorriso mais radiante que recebi naquele dia. E depois segredou. Heróis também possuem segredos.

Mas aquele era especial: era entre mim e ele.

— Ela conseguiu!

[...]

A noite passou-se na medida do possível normal.

Depois da apresentação ficamos cumprimentando algumas pessoas e infelizmente não pudemos ficar para a festa feita pelos pais dos alunos que participaram da peça. Lay ficou pois sua irmã trabalhava lá como professora, o restante de nós foi para o restaurante, os heróis, eu resolvi ir para casa porque meu cérebro não aguentava tanto ato heroico para um dia só. Lembro que no final da noite antes de ir, baguncei os cabelos de Zitao que reclamava tentando tirar minhas mãos de sua cabeça.

Sooyoung não estava ali para ver o novo pequeno herói.

Se ela estivesse aqui certamente falaríamos sobre Moon e o seu herói, e principalmente sobre Dahyun e seu herói Zitao. Sooyoungcertamente falaria que podemos ser nossos próprios heróis e depois se despediria acenando da calçada para a janela do meu quarto. Ela não está mais aqui, seus pais não pareciam se importar e Krystal continua me ignorando. Agora, parece que as palavras sumiram. Por estes instantes parece inútil querer encontrar Sooyoung, inútil querer falar com seus pais e entender o que estavam fazendo, inútil tentar ter uma conversa madura com Jung Krystal. Tudo o que eu julgava importante já não parecia mais tão importante assim.

Encaro-me no espelho e percebo que estou enfrentando tudo sozinho, mas sinto que não estou sozinho. Alguma coisa não está deixando-me desabar, o próprio caos está se suportando. É estranho. Ainda estou com medo.

Junmyeon batena porta e sou obrigado a levantar. Ajeitoos fios desengrenados dentro do boné e saio de casa. Pela primeira vez eu sairia como se não dependesse completamente de Sooyoung, entretanto, a voz baixa e sonolenta de Dahyun fez-me estancar na escada enquanto a olhava no topo abraçada ao seu novo ursinho de pelúcia, um panda — presente de Zitao — vestindo seu pijaminha com desenhos de biscoito.

— Tio Nini você viu a Sooyoung?

— Não, por que? — não estrague uma infância.

— Ela veio aqui ontem mas todos já estavam dormindo, passou a noite inteirinha comigo e disse que está muito orgulhosa de você! — sorriu, mostrando a gengiva rosinha. — Ela pediu para que você finalmente fosse quem realmente é e disse que ama muito você, que apoia e confia em você! Ela disse que não pode mais ser sua heroína, tio Nini!

Acho que estou enlouquecendo.

— Tudo bem... Diga a ela que estou retribuindo o favor! — sorrio amarelo que logo desmanchou-se ao vê-la dar alguns pulinhos e depois voltar para o quarto.

Apenas saio de casa depois de Junmyeon entregar-me uma folha com algumas coisas escritas e empurrar-me para fora. Enfiei o papel no bolso da calça e sai caminhando. Precisopensar.

Dahyun estava mentindo ou estava fantasiando muito bem.

[...]

É segunda-feira, depois do colégio, três e meia da tarde. Eu e meus amigos estamos jogando conversa fora na lanchonete da mulher do senhor Jung — o senhor que ainda acredita que estamos nos anos noventa. O resto do final de semana foi uma completa loucura. Meus pensamentos frisavam apenas em Dahyun falando sobre Sooyoung em um replay contínuo sem indícios de que acabaria. Havia marcado de encontrar Chanyeol mais tarde. Eu precisava urgentemente de alguém para conversar.

Depois de sair para caminhar naquele dia ignorei todos. Tudo o que meu cérebro fazia era "Sooyoung... Dahyun... Sooyoung...". Até achei que realmente estava paranoico, mas não. Dahyun realmente havia dito que conversara com Sooyoung, a mesma Sooyoungque estava há mais de um mês desaparecida, a mesmaque não fazia falta mas ao mesmo tempo fazia tanta que eu simplesmente começo a ficar louco e sem saber o que fazer.

Lay aparecia lá em casa para irritar-me e Zitao parecia menos suportável a cada hora, no entanto, foi de cair o queixo quando depois do jantar desisti de tentar acalmá-lo e simplesmente fui deitar, segundos depois o corpinho magro do pequeno Wu jogou-se sobre o meu.

— Eu posso ser seu herói se você quiser, Jongin.

O único herói que estou precisando no momento sou eu sem o meu lado racional.

— Sehun é gay.

Existem três tipos de amigos. Primeiro: aquele que chama sua atenção e depois fala (Lucas), segundo: aquele que você sabe que vai falar e escuta (Jr.) e terceiro: aquele que simplesmente fala. Está é Jeongyeon. Metida a garoto com um piercing na orelha escondido por seus curtos fios claro, Jeongyeon é o melhor amigo — do avesso — que alguém poderia ser, embora muita das vezes seja desbocada e não meça a intensidade de suas palavras machucando outras pessoas.

— Sei que o que falei foi impactante, mas não precisava cuspir o suco em mim. — voltei a atenção para nossa mesa e vi Jeongyeon com o rosto meio rosado e molhado igualmente a algumas partes de seu cabelo enquanto suas mãos procuravam algo para limpá-los. Jr. entregou um guardanapo. — Obrigada.

— Não acho que tenha sido o que você disse que tenha feito o JB ficar desse jeito. — Olhei para onde Jr. estava indicando e vi uma garota, provavelmente mais velha que nós adentrando a lanchonete indo ao balcão e conversando com a atendente. — Aquela é a dez barra dez do JB, desde a semana passada que ele não desgruda os olhos daquela menina. O cara 'tá realmente apaixonado.

— Apaixonado? Diria que ele é um iludido total! — Jeongyeon falou debochada assoprando para o alto a franja que teimava cair sobre seu olho esquerdo. — Aquela garota ali não é solteira nem aqui, nem na Argentina. Pessoas bonitas não são solteiras.

— Não precisa desta ignorância toda, Jeong. — Lucas falou tentando acalmar seus nervos.

— Enfim, mudando de assunto — retornou a falar desta vez com o cenho minimamente franzido. — Há boatos de que o novato, que eu finalmente descobri o nome, Do Kyungsoo, já foi melhor amigo da nossa querida Park Sooyoung. Acreditam nisso? — Jr. olhacúmplice para mim.

— Minha mãe disse para eu acreditar que boatos são mentiras até que seja provado o contrário. — JB é o pau mandado da mãe, até que aquele detalhe era fofinho. — O menino chegou há pouco tempo e já estão fofocando sobre ele. Vai cuidar da sua vida, Jeong! Toda vez que você chega falando de uma pessoa para nós no dia seguinte já 'tá na diretoria por difamação. — a menina bufou.

— É o pessoal desse lugar que não sabe brincar. — retrucou olhando especificamente para JB que também bufou e olhou para a vidraça ao lado ignorando-a. — Eu dei uma pesquisada, porque o pessoal do clube de jornalismo é assim mesmo, e descobri que o boato é verdade! — falou na orelha de JB que bufou novamente encarando-a de volta. Olhares desafiantes. Se continuar assim vão acabar se apaixonando. — Do Kyungsoo foi colega de classe na quinta série de Park Sooyoung.

— E o que isso tem haver conosco? — questionei após tomar um gole do sorvete.

— Qual é, Jongin! Todos nós aqui já sabemos que Park Sooyoung não foi viajar coisa nenhuma, na real ela 'tá desaparecida e como uma jornalista que vive do mistério é meu dever descobrir o que aconteceu com ela. — olhei para Jr. incrédulo que murmurou um "desculpa". — Vocês dois queriam o nosso bem, tá! Mas imaginem o quão louco seria entrarmos em uma aventura atrás de Park Sooyoung?! — seu sorriso era infantil.

— Jeongyeon estamos na vida real, não é como se fossemos procurar e depois encontrar Sooyoung atrás de um arco-íris com um pote cheio de ouro em mãos. Os pais dela já estão tomando as devidas providências, mentir é um caso a parte. — Lucas falou assim, na lata, como diria nossa amiguinha.

— Na verdade não estão. — Jr. pronunciou-se. — Desde a última vez que os policiais foram interrogar o Jongin nenhuma ação na polícia foi movida, nem mesmo há arquivos sobre o desaparecimento de Sooyoung, é como se ela realmente estivesse viajando. Até o momento ninguém da família pronunciou-se.

— E não é como se fossemos nos envolver nisso, não é? — JB nos olhou e depois suspirou. — Se formos presos liguem para o irmão do Jongin, ele é rico.

— E quem disse que vamos precisar envolver a polícia nisso? — aquele sorriso de Jeongyeon. — Quem topa? — ninguém levantou a mão. — Qual é pessoal? Vamos! Isso vai ficar marcado na história. Na nossa história.

— Essa ideia de procurar por Sooyeon até passou na minha cabeça mas não. Desta vez eu passo. Talvez essa seja nossa oportunidade de seguir em frente. A vida coloca obstáculos e precisamos ultrapassá-los, certo?— falo.

— Como você mesmo disse, caro Jongin, passou pela sua cabeça, você não desistiu da ideia. Prometo que se não conseguirmos nada antes das férias podemos desistir da ideia. E aí, quem topa? — novamente ninguém levantou a mão. — 'Tá difícil, não é? Vou considerar esse silêncio como sim. 'Me encontrem em frente a biblioteca onde aquele amigo gostoso do Jongin trabalha, hoje, às seis, sem demora — olhou para mim. — e principalmente sem desculpas — Jr. e JB. — Até mais!— por fim, Lucas.— Até lá procurarei por algumas informações e algum plano! Tchau, rapazes! — jogou a mochila por cima do ombro e saiu da lanchonete deixando a conta para pagarmos.

— Só eu que acho que ela tem um parafuso a menos?— Lucas comentou.

— Ele não tem nenhum. — JB soltou enquanto Jr. ria. — Sobre Sehun ser gay é outra viagem louca dela. Nem sei se ela é mentirosa demais ou criativa demais! — novamente.

— Como vocês já descobriram sobre Sooyoung acredito que devo compartilhar isso com alguém, está dilacerando por dentro. — vi os olhos curiosos de meus amigos voltados para mim. — Ontem de manhã Dahyun, a minha sobrinha, falou algo muito estranho. Foi por causo disso que ignorei as mensagens de vocês. Dahyun disse que conversou com Sooyeon e que ela dormiu ao seu lado.

— Deve ser apenas fantasia de criança, Jongin. — Jr. acredite eu já pensei isso.

— Dahyun é fantasiosa, mas não a esse ponto. Ela sequer sabe o que aconteceu com Sooyoung. Ninguém lá em casa comenta sobre isso, nem mesmo sobre meu término com a Krystal. Não acham isso muito estranho?

— Acho melhor guardarmos nossas dúvidas até às seis, depois jogamos tudo sobre a Jeongyeon e ela que se resolva, é ela que quer se envolver nisso. — JB adorava irritar. — Depois que ela criou esse clube de jornalismo está ficando cada vez mais difícil suportá-la com tantas paranoias, e agora tem o caso Park Sooyoung.

— Isso tudo é amor acumulado. — Jr. era outro irritante. Não contive o riso.

— 'Tá rindo do que, Jongin? — JB já estava irritado. — É melhor eu ir, ou então ficarei infectado com o altíssimo grau de idiotice de vocês, com licença! — pagou a sua parte e foi embora.

— Quem não garante que nesse momento ele não foi ver a Jeongyeon? — ri novamente. — Acho melhor irmos, tenho trabalho para fazer e você ainda tem que conversar com o Chanyeol, não é? — entreguei minha parte da conta. — Olha só, JB pagou a parte de Jeongyeon também! — rimos juntos. — Eu pago. Onde está Moonbyul?

— Não sabemos— Lucas respondeu.

—Ok. Tchau! — acenei e fui embora.

Caminhei dois quarteirões e cheguei no trabalho de Chanyeol. Fui recebido pelo acústico de Creep. Mas algo chamou minha atenção: o olhar assustado do atendente enquanto desviava dos socos e tentativas falhas de chutes em sua direção por parte de um baixinho loirinho.

— Olá, Jongin! — olhou-me rapidamente e bastou esta distração para que recebesse um soco certeiro no maxilar. — Qual é, bebê eu já pedi desculpas! — aproximei-me e sentei-me em um dos bancos giratórios perto do balcão. — 'Tá doendo! — choramingou colocando ambas as mãos sobre o ferimento.

— Isso é para você aprender a não me fazer passar vergonha novamente.

— Era para ser algo romântico mas agora é doloroso. — Chanyeol é o uke disfarçado de seme.

— Vem, vamos cuidar disso aí! — desviei o olhar vendo-os ir para os fundos abraçados.

— Jongin cuida aí para mim!— gritei assentindo e pulei por cima do balcão verificando a variedade de coisas que havia ali e infelizmente não podia ser visto do outro lado. Certeza que meus olhos brilharam ao ver o álbum completo de Artic Monkeys empoeirado sobre um pote de jujubas velho.

Ouçoo sininho sobre a porta ecoar e já preparo para o primeiro cliente.

Ao ver aquele baixinho, de olhinhos grandes e lábios carnudos estanquei. Parei de raciocinar. Saber o nome daquele zoiodinho sem saber nada sobre si era tão angustiante. Do Kyungsoo. Um nome tão impactante para uma pessoa nenhum pouco comum.

— Um garoto loiro com uma altura parecida com a minha completamente vermelho passou por aqui?

— Ele foi para os fundos.

— Está inteiro?

— Hum?

— Seu amigo, está inteiro?

— O maxilar dele não. — rio sem ânimo.

— Obrigado.

Então, ele vai embora do mesmo jeito que chegou, repentinamente.

19 марта 2019 г. 12:11:43 0 Отчет Добавить 0
Продолжение следует…

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ISOFT 80年代的情人 ♡

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