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Beeyu Beeyu Kwoeje

Sentir-se vivo é a necessidade primordial do ser humano. Deidara teve essa sensação arrancada, mutilada por outros. Sua vida fora arruinada, e agora sente que não há mais nada a tentar. Em uma noite de chuva, o misto de poluição e luzes traz a ele uma novidade. Quem seria esse rapaz cujos olhos pareciam não ver nada a não ser telas? ___________________________________ Sasodei


Фанфик Аниме/Манга 21+.

#naruto #deisaso #lgbt #sasodei #yaoi
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Underground Lights

Chiclete.

Estouro.

O cheiro de menta se mistura com a toxicidade do ar.

Meus cabelos pendem para o lado, escorregando de forma preguiçosa pelas minhas costas nuas. A neblina passando pela máscara cirúrgica que eu uso para fugir da poluição de Hong Kong. Retiro a máscara, o ar sujo me inunda.

Tudo parece meio insaturado. Até os gostos perderam suas cores.

Faz poucos meses que me mudei para a cidade. Vindo do interior da Rússia, as luzes e letreiros do grande arquipélago chinês nunca foram tão visualmente agressivas. Não me incomodam, no entanto.

Agora que Hong Kong se tornou a maior e mais próspera cidade do mundo, não é de se suspeitar um aumento tão grande de luzes. Lembra até mesmo a falecida Nova Iorque. Tudo apela para nossos instintos.

Minha varanda é iluminada pela fraca luz do sol de fim de tarde, a vida noturna começa a surgir.

Branco. As cortinas brancas voam para fora, cutucando meu corpo. Um sinal que a porta fora aberta. Não me movo, apenas empurro para o lado, me virando.

— Deidara! Cheguei! — A voz rouca de minha colega de apartamento invade meus ouvidos de forma agradável. Hong Kong é uma cidade cara de se morar. República é comum. Cada vez mais e mais prédios com centenas de andares surgem por aqui.

Konan é uma típica hong-konguesa. A figura magra acaba de trancar a porta. O corpo é embrulhado por casacos de cor escura. A máscara e os óculos cobrindo o pouco que sobra de pele exposta. Os cabelos azuis presos, a raiz preta começando a crescer. A figura de uma estudante.

— Como foi sua aula? — Pergunto, me encaminhando para a cozinha. Água, chá. Ainda tem gás? — Chá?

— Sim, por favor. — Responde. — Tão produtiva quanto a sua, espero. — Sorri, tirando as roupas grossas. — Não sente frio?

— Eu apenas sinto vontade de morrer, Konan. — Brinco, e ela ri fraco. — Eu não aguento mais estudar, sério. Eu vou acabar me afogando na privada do cursinho.

Os vestibulares estão chegando. O vestibular da Academia de Artes de Hong Kong está chegando. Milhares de estudantes todos os dias passando doze horas por dia se matando para conseguir uma vaga.

Alguns até desmaiam após passarem horas utilizando óculos de realidade virtual para simular as provas.

Me sinto mal por não me esforçar tanto como eles.

Não ser bom o suficiente.

— Você vai conseguir passar, Dei. Você é inteligente.

Não respondo. O chá fica pronto.

Cuspo meu chiclete, me arrependendo em seguida. Tem mais na minha bolsa? Nota mental: Comprar mais chiclete de nicotina.

— Ainda não acostumou? — A voz de Konan soa preocupada.

— Sinto muita falta às vezes.

— Deidara, com “às vezes” parece que você quer dizer “sempre”.

— Você me conhece tão bem! — Ela ri.

É fato, o vício de cigarro não é facilmente abandonável.

— Não sente que faz alguma diferença? — Os dedos finos passam pelas minhas costas. A pergunta soa fria como o clima.

— Não sinto nada. — A mulher revira os olhos.

— Pare de drama. Vista algo, vai gripar, ande.

Ri de mim e aceno de forma tímida. Os pés descalços batendo no chão em direção ao meu quarto. Jogo-me na cama, e então, uma mensagem aparece.

Celular, desbloquear, Hidan.

A mensagem chama para o parque municipal.

Meus amigos vão se encontrar para correr pela cidade.

Sorrio, pakour é a única coisa que ainda consegue me animar. O vento, as luzes, tudo. Toda a adrenalina, todo o calor.

Uma calça justa e uma blusa fina de mangas compridas grudam ao meu corpo.

— Vai correr? — Konan pergunta ao me ver sair de casa tão apressado. Calço meus tênis e prendo meu cabelo correndo.

— Você me conhece tão bem. — Rimos e então saio. Tranco a porta e o sorriso brota. Não morre mais. Me sinto vivo. As cores voltam.

Ônibus, parque. É tudo tão iluminado.

Me sinto vivo como nunca senti antes.

Cumprimento meus colegas, o cheiro de bebida já irradia de alguns. Não há mais espaço para o revirar de olhos, só sinto pena.

Não sabem aproveitar a energia e o calor das ruas. Tão puro, tão quente, tão vivo.

Laranja, vermelho, amarelo. Luz, corre, linhas. Carros, tudo. Os letreiros em hologramas fazem cócegas quando passo por eles. Os robôs que limpam a cidade nem ao menos conseguem saber o que aconteceu.

Não há espaço para dúvidas, apenas sensações.

Os arrepios, meus poros dilatando. A garganta seca, anseia por ar, respiro. O peito bate, os pelos eriçam. Meu corpo treme, uma corrente elétrica corre por minhas veias, desce até os pés e sobe novamente. O vento bate em meu rosto, abraça meu corpo.

O calor do sangue irradia minha mente assim que começo o percurso.

Um salto, a adrenalina corre pelo sangue e escorre e desliza e sintetiza sensações. Corre. Sangue.

Pular. O êxtase bate. Pulsa, proporciona picos, tambores e pressiona meu peito. Pulsa. Os passos apressados, pular de um parapeito para outro. As paredes sustentam meu corpo enquanto me jogo sem olhar para baixo.

Correr, a avenida. Um banco, um salto. As luzes quentes em contraste com a noite fria, o cheiro do escuro não é suficiente para me desanimar. Os letreiros e banners brilhantes piscando propagandas.

E então o percurso acaba. Minha respiração está afobada, e então a visão volta.

As estrelas brilham em tons de luz, e o asfalto que compõe a praça brilha o úmido da chuva que acompanha todas as tardes desse local.

E então eu abro um sorriso. Largo, alto, estico os braços e apenas sinto. Deixo-me levar, deixo bater. O calor me preenche.

Sinto-me vivo. O que é raro devido às últimas circunstâncias. Sinto o sangue borbulhar sob a pele fina dos meus pés, formiga.

— Hoje rendeu hein galera! —Um amigo grita, não respondo. O êxtase ainda me prende. Arfar, o ar me volta e traz consigo a consciência.

Dói.

Não no sentido de dor literal, apenas poucos arranhões rasgam a tez que me cobre.

Mas no sentido de que não faz sentido. Alguma vez já fez? Nunca.

Tantos sorrisos vazios, tantas esperanças que se foram. Tantas merdas e problemas feitos proclamados e repetidos em meu nome. Há algum problema comigo? Sempre houve.

Sacudo a cabeça, os fios molhados do suor e da chuva se amontoam com poeira e poluição. Chuva...

As roupas grudadas não me protegem o suficiente do frio. Não me importo. Tenho que voltar para casa. Às vezes minha rotina parece louca. Às vezes tediosa.

Errei tanto. Fiz tantas coisas que não deveriam ter sido feitas. O homem ao meu lado assovia e sinto nojo.

Os pombos na praça são minha companhia, e dentro do ônibus não há ninguém. Alguns androids esperam no fundo, mas ninguém real.

Até ele entrar.

Os cabelos vermelhos estavam presos dentro de um capuz marrom, que por sua vez estava preso a um casaco marrom e cinza, bem escuro e cheio de zíperes e botões. A máscara preta, e os olhos tristes. Chorava? Não sei, não olhei tempo o suficiente.

Logo se sentou bem à frente, longe do alcance de minha observação. Uma pena, iria entrar na infinita lista de crush de ônibus com os quais nunca irei conversar na vida.

Sinto algo. Um mal pressentimento, talvez? Talvez. Ignoro. Sempre me sinto mal, a ansiedade manipula minha cabeça.

Não há um dia que não doa, e os dias que a ansiedade não aparece, sinto como se algo estivesse errado e eu não merecesse tal paz.

As ruas estão cheias de carros, motos e automóveis autônomos. O céu escuro, não há uma estrela sequer. Pego meu celular, notificações de fotos do dia que se passou.

"Hidan em 09 de Agosto de 2035: 50 novas fotos."

Sorrio, tem umas poucas minhas, e não dá pra me ver direito. Prefiro assim.

O rapaz levanta assim que o ônibus para. Levanto também, é meu ponto. Ele passa por mim, os olhos puxados castanhos encaram os meus. Saio da grande caixa e vejo-o caminhar na mesma direção que é minha casa.

Dou de ombros e começo a caminhar também. A rua vazia, a chuva engrossando e eu indo para casa. Tudo pareceria normal se o garoto não estivesse andando na mesma direção que eu, na minha frente. Sinto o medo em seus passos.

Compreendo o medo, na verdade. Um desconhecido te seguindo na rua. Infelizmente, queria poder esperar ele seguir o caminho dele tranquilo para fazer o meu, porém está entardecendo. O desemprego causado pela revolução industrial dos androids tornou as cidades muito perigosas.

Abro um sorriso amarelo quando ele entra no meu prédio. Ótimo, agora o menino bonitinho vai ter certeza que estou seguindo ele.

Entro também, ele está esperando o elevador. Ao me ver, se encolhe dentro das próprias roupas, virando o rosto.

— Eu não tenho nada, por favor não faz nada comigo. — Uma reação normal de alguém que sente que foi seguido até em casa.

— Calma, eu moro aqui também, não vou te machucar. — Ergo as mãos e sorrio, o rapaz se acalma. — Meu nome é Deidara.

— Olá Deidara... Meu nome é Sasori... — Ele responde baixo. — Eu me mudei faz pouco tempo...

— Imaginei. Bom, seja bem-vindo.

— Obrigado. — Ele tira a máscara ao entrar no elevador, seu rosto é pálido e está corado.

— Bom, eu moro no 908, qualquer coisa pode me chamar. — Digo, dando de ombros.

— Sério? Eu moro no 902! — Ele sorri.

Sorrio de volta e saímos no nosso andar. Ele entrou em seu apartamento e eu entrei no meu, seguindo direto para o banho.

Por que essa sensação ruim não me abandona?

25 июля 2018 г. 1:07:54 0 Отчет Добавить 1
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