kimsakis Kim Sakis

Último ano da escola. Uma paixão vai tirar do normal dois garotos que são os mais mal encarados da escola. Jeongguk o garoto que estuda ali desde sempre, tem uma namorada ciumenta e uma fama que o precede. Taehyung o garoto novo que já teve problemas em outra escola e que veio cursar o último ano antes de seguir as determinações de sua família. Diferentes mas nem tanto eles se conhecem, se detestam e algo inesperado surge em meio a isso. Paixão, tesão, desejo. O desejo que nasce entre os dois é mais forte que tudo. Eles se entregam a essa nova sensação e ficam juntos. O que pode acontecer depois que esse ano terminar...


Фанфик Группы / Singers 18+.

#vkook #taekook #broken
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Capitulo Unico

Inicio do ano letivo. Aquele dia em que todos os alunos, experientes ou não, passam por situações desagradáveis. Procurar a sala em meio ao mar de estudantes não é nada fácil. Os corredores lotados por milhares de mochilas que se chocam, as inúmeras pisadas nós pés, as diversas cotoveladas e as amontoações em frente aos armários mostrava que esse seria mais um ano que Jeongguk iria querer que passasse rápido.

O garoto empurra e acotovela os alunos que saem da sua frente vendo o moreno, do último ano do ensino médio, passar com sua cara fechada típica de primeiro dia na escola. Ele tem uma expressão de tédio estampada no rosto magro de pele clara, os cabelos cobrindo levemente os olhos por causa da cabeça que pende para baixo fitando os pés enquanto caminha. Não que ele estivesse intimidado, mas sim por que o moreno odeia ter que vir para esta escola onde todos o temem por ser o mais instável de todos os alunos dali.

Ele veste uma jaqueta jeans surrada com alguns adesivos que lembram insígnias de pilotos de avião já descolando pelo excesso de uso, a calça jeans clara rasgada que tanto faz as meninas suspirarem quando ele passa deixando as coxas fartas a mostra terminando nos coturnos beges manchados pela graxa da moto e... Sim a camiseta branca que é a marca do Jeon. Esse é o típico garoto que não se preocupa com a opinião que os outros têm de si, esse é o jeito largado de Jeongguk, o garoto mais popular da escola. Sua namorada já o espera escorada na porta do armário, esse que é seu desde o inicio da vida escolar, eles trocam olhares e um beijo assim que o moreno se aproxima. O sinal bate e o ano inicia.

Os corredores acinzentados pelos armários de metal que ali tem já não estão tão cheios por causa dos alunos que entraram em suas salas deixando alguns poucos que ainda procuram perdidos em meio a tantas portas e números desconexos mostrando que as primeiras aulas já iniciaram. Um garoto no meio desses novatos que caminha displicentemente com seu celular na mão olhando a ultima mensagem que recebeu da namorada chama a atenção de quem o olha. Ele caminha ereto, usa uma calça de couro preta, uma camiseta preta com desenhos de rock e um casaco vermelho quase no mesmo tom dos cabelos que são de um vermelho intenso como morangos maduros e passa deixando no ar seu perfume que também se assemelha a fruta. Kim Taehyung é a personificação da beleza com um andar extremamente charmoso sem que o force para isso.

Ele ergue o olhar com os lábios levemente abertos e passa a língua umedecendo a pele macia. Em uma das mãos ele segura um papel que indica a sala onde deve se dirigir. O garoto olha para as portas parecendo perdido e caminha mais um pouco pelo longo corredor até que vislumbra o numero um tanto apagado e entra ali, 171 é o número da sala dele. Os alunos que estavam de cabeça baixa cuidando seus aparelhos escondidos debaixo das classes olham na direção da porta quando essa se abre.

Taehyung entra e procura por uma classe disponível vendo que no fundo da sala tem duas. Exatamente onde o garoto prefere sentar, longe dos olhares de todos e da atenção do professor. Ele caminha entre os olhares curiosos e larga no chão a mochila velha e desgastada, que tem notas musicais no tecido, sentando na classe que fica na janela. A visão dali é privilegiada, o pátio ao lado é usado para a prática de esportes consequentemente para educação física e outras coisas. O professor ainda não chegou e as meninas da sala ficam alvoroçadas com a presença do aluno novo.

Ele está no último ano e mesmo assim a família do Kim preferiu mudar-se para esse bairro fazendo com que ele tivesse que abandonar todos os colegas da antiga escola inclusive os mais chegados a si com quem ele tem uma banda. “Uma banda de Punk Rock onde já se viu” foi o que a mãe lhe disse, um rapaz proveniente de uma família de nome, cujo futuro já estava pré-determinado por eles: cursar faculdade de economia ou direito, casar, ter três filhos e quando o pai não estivesse mais em condições de gerir os negócios assumir a diretoria das empresas.

E quem disse que as intenções de Taehyung eram essas? Quem se dignou a perguntar ao garoto que adorava passar as noites em bares de motoqueiros com a turma fumando, bebendo tequila e tocando seu sax, o que ele pretendia fazer de sua vida? Ninguém é claro. Ele era um aventureiro, não se via usando terno e gravata muito menos casando e tendo três filhos para sustentar em uma vida chata, pacata e monótona. Taehyung esperava muito mais de seu futuro. Ele se via com a banda em inúmeros shows, conhecendo diversos países e ganhando fama. Essa era a vida sonhada pelo ruivo.

No entanto ele estava preso em uma sala de aula em uma escola nova. Mesmo preso a livros de matemática e física ele sempre achava um tempo para no final do caderno continuar compondo algumas letras de música que mandava via foto pelo aplicativo para a namorada que era uma das vocalistas da banda. Essa menina era mais um dos motivos que fez a família o afastar do bairro onde cresceu. Moça sem regras, que cantava numa banca composta só por meninos, pintava o cabelo das cores do arco Iris e ainda por cima fumava e bebia. Ele tinha que casar com uma moça de família rica, como eles, recatada, educada nas melhores escolas e virgem. O Kim também era virgem, pelo menos seus pais achavam que sim.

O que ninguém sabia é que ele e a namoradinha em uma noite de comemoração pela contratação da banda para tocar na abertura do show de um grupo famoso fizeram sexo regado a muita tequila. Taehyung nunca contou a ninguém, nem aos outros integrantes da banda de quem era amigo há muitos anos. Alguns ali tinham pais tão severos quanto os seus e que por muita coincidência eram frequentadores do mesmo clube de poker. Ele confiava nos amigos, mas sempre é melhor manter algumas coisas mais particulares que outras.

O professor entra na sala e a tão entediante aula de história da civilização romana começa. Os próximos cinquenta minutos foram de muitas palavras e diversos bocejos não só por parte de Taehyung mais de muitos colegas seus. O sinal bate e a aula termina, todos recolhem as canetas e cadernos e seguem para a próxima sala. O garoto de cabelo vermelho vai para a sala seguinte onde terá aula de física. Ele entra e procura uma classe vazia, como de costume no fundo e longe de todos.

Jeongguk também está nessa classe e entra com o mesmo objetivo do colega novo: sentar no fundo e fazer os professores esquecerem que ele existe. Os dois se olham pelo simples fato de nunca terem se visto antes e desviam os olhares fitando cada um o seu próprio caderno. Mais uma aula inicia desta vez com uma professora mais simpática. Dois períodos de física em um primeiro dia de aula é considerado castigo bastante para quem não conhece ninguém na escola.

A professora manda que eles formem trios para os trabalhos futuros e após dez segundos a turma toda está dividida em grupos que se aglomeram nas classes já organizando o que cada um fará. Jeongguk olha para os lados e vê que aquele garoto de cabelos tão chamativos quanto seu olhar está rabiscando em uma folha de papel e a seu lado tem uma das poucas nerds da sala que o chama mexendo o dedo indicador. Ele percebe que ficou no grupo de perdedores e solta um arfar descontente.

Grupos formados, tarefas distribuídas ouvir o som do sinal para o intervalo é o mais agradável que acontece naquela manhã. Todos levantam e caminham para a saída. Taehyung vagarosamente ergue o corpo da cadeira e se espreguiça deixando aparecer uma parte de sua barriga quando os braços sobrem além do topo da cabeça e esticam demais. Jeongguk faz cara de nojo por que a ultima coisa que pretendia era ver a pele dourada do colega que parece ser tão artificial quanto o sorriso que o mesmo faz depois que puxa a camiseta para baixo.

Eles vão em direção da porta e se esbarram tentando sair ao mesmo tempo. Ambos se olham e fazem um sinal para que o outro passe. Jeongguk por sua vez não espera outra gentileza e passa saindo apressado e com cara de bravo. Taehyung ri do outro e segue atrás indo para o refeitório. Lá ele encontra quase que a escola toda em uma fila que parece interminável. As bandejas amarelas com as divisões para cada alimento que ali serão servidos estão todas empilhadas na entrada. A grande sala pintada em tons de mostarda e ketchup num fundo que um dia fora branco comporta mais da metade dos que estão na fila mostrando que o restante deve procurar abrigo no pátio onde mais mesas estão espalhadas. Ele suspira e se lembra do horário de intervalo na antiga escola onde os colegas de banda, que também estudavam na sua classe, já o aguardavam para comerem e falarem sobre o que iriam tocar nas noites de final de semana. Ele entra na fila após pegar uma das bandejas e aguarda junto dos demais.

A fila é lenta e a fome intensa. O estômago de Taehyung parece perceber que o horário será pouco para que ele engula correndo alguma coisa e dói. Finalmente após quinze longos minutos o garoto chega à frente do Buffet. As atendentes servem colheradas de alguma coisa que ele não consegue identificar. A pasta amarela com cara de purê de batatas na verdade era uma gosma de abóbora, a cor verde do espinafre em formato de bolinhos que deveria ser atrativa mais parecia com a grama desidratada da casa do vizinho onde a terra tomava conta. Ele pega uma maçã e uma tigela de sopa e segue para a saída daquela tortura quando novamente esbarra em alguém.

O olhar de Jeongguk para a calça suja pela sopa do novato se encontra com o dele que agora vai morrer de vez de tanta fome. Eles resmungam um para o outro, a namorada dele passa a mão em sua perna onde a pele exposta pelo tecido rasgado mostra ter ficado vermelha e o garoto sente-a arder.

Você é cego?

Você que bateu na minha comida.

Ambos parecendo cães de rinha se fitando e aproximando mais os rostos já mostrando as marcas de expressão mudar ao ranger de dentes. Eles fazem com que o refeitório todo pare e em segundos as vozes ecoam avisando que é briga. Taehyung não afasta um músculo que seja do lugar enquanto Jeongguk só se aproxima mais. As respirações podem ser sentidas na pele alheia e os olhares penetram mostrando que ambos são difíceis de lidar, na verdade é mais uma disputa de território, pois ambos são alfas em meio a um bando de cordeiros. Os alunos se aglomeram em cima das cadeiras, bancos e até de algumas mesas esperando que algum dos dois tome a iniciativa. Em um silencio que não dura mais que um minuto a voz da coordenadora ecoa no local fazendo com que todos voltem a sentar.

Taehyung passa batendo o ombro no de Jeongguk em uma troca de olhares com a namorada do garoto e sai. O moreno segue para o banheiro indo lavar a calça. O intervalo passa sem nenhum agravante e após o sinal todos voltam para as salas. A tarde é longa e com ela vem o tédio. Final do primeiro dia de aula e no corredor a aglomeração é inevitável. Mais uma vez o turbilhão de alunos ao redor dos armários faz Jeongguk perder a pouca paciência que possui. O garoto vai até o armário e abre esse guardando ali os materiais e pega a mochila militar que carrega consigo desde sempre.

Ele vê o garoto de cabelo vermelho se aproximar e bate a porta do armário aguardando o que o outro fará. Taehyung apenas olha para o moreno que parece ser bem mal humorado e abre a porta do armário ao lado do seu. Jeongguk bufa e sai bravo seguido pela namorada que olha para trás enquanto caminha e cuida Taehyung o fitando dos pés a cabeça. Jeongguk está descontente após constatar que além de ter que aturar o garoto novo na aula de física também vai ter que aturá-lo nas vezes que se encontrarem no armário.

Todos saem e Taehyung caminha pela calçada indo para o carro preto que acende as lanternas assim que este aciona o controle que tem em mãos. Ele segue até a porta do carro, se encosta ali e acende um cigarro. A primeira tragada enche seus pulmões com a fumaça cheia de nicotina fazendo com que ele feche os olhos e recline a cabeça para trás absorvendo tudo que pode e depois deixando escapar um sonoro gemido de prazer.

Jeongguk que está ali perto no estacionamento vê a cena e coloca o capacete preto na cabeça cobrindo os fios negros, sua namorada já está sentada na carona com seu capacete vermelho. Ele senta na moto e liga a maquina de mais de 165 cavalos de potência, a motocicleta de cor metálica deixa seu ronco ecoar assim que o moreno a acelera. Uma beleza de se ouvir que chama a atenção de Taehyung.

A BMW K1200S arranca com o moreno passando perto do carro de Taehyung deixando o garoto olhando para ele, vendo a menina agarrada a sua cintura que acena para si, e desaparecendo logo em seguida quando dobram a esquina. O Kim que segue fumando sorri pela audácia do moreno e sua namoradinha, apaga o cigarro pisando nele assim que solta o filtro no chão e entra no carro.

À noite Taehyung está deitado no telhado marrom da casa onde tem passado alguns minutos a cada noite fumando, admirando o céu estrelado e falando com os amigos pelo celular. A namorada se queixa que ele liga pouco mais sabe que o garoto é impedido pelos pais de sair dali. A noite cheia de estrelas no céu deixa o ruivo com muita vontade de sair, beber alguma coisa e transar muito com a menina que choraminga ao celular. Eles combinam de se encontrar dali a alguns meses, sob protestos da menina, quando seus pais irão viajar e ele finalmente poderá sair sem a supervisão dos mais velhos. Uma tia e os empregados irão permanecer na casa o que não impedirá o garoto de sair furtivamente e encontrar seus antigos companheiros de banda. Ele fita a imensidão acima de si desliga o telefone e acaba indo dormir.

Na manhã seguinte Jeongguk está entrando na escola preguiçosamente enquanto as meninas a sua volta deixam suspiros no ar vendo o moreno em uma calça apertada vermelha que marca mais uma vez suas coxas. A parte do corpo que ele mais preza e trabalha arduamente durante a malhação na academia é cheia de músculos aparentes. A cada passo os músculos saltam deixando as garotas literalmente babando atrás dele. Jeongguk pode ser sério, carrancudo muitas vezes e até um tanto grosso no trato com as pessoas, mas se tem uma coisa que ele é também é sexy.

O moreno para em frente à porta do armário, seguido de perto pelos olhares das garotas que se contorcem querendo chegar o mais perto que conseguirem dele, e abre o mesmo largando a mochila militar verde encardida que já tem alguns rasgos pelo tempo e pega o caderno de desenho juntamente com o estojo cheio de lápis muito bem apontados. Hoje ele tem a única matéria que realmente gosta: desenho. As folhas amassadas nas pontas mostram que o moreno folheia muitas e muitas vezes o caderno rabiscando quase tudo que vê. Ele tem uma verdadeira paixão por essa arte, acha que retratar uma imagem em grafite, carvão ou até mesmo em tinta é muito mais bonito que ficar gravando em papel fotográfico que com o tempo corre o risco de apagar. Jeongguk fecha a porta e sai indo para a sala esperar o professor.

Taehyung chega na escola e antes de entrar fuma o ultimo cigarro. A nicotina passa pelas suas veias deixando o prazer tomar conta do garoto. Ele traga a fumaça e joga a bituca fora indo então para mais um dia de calvário. A primeira aula do ruivo é artes e ele odeia isso. Preferia estar em uma sala cheia de instrumentos tocando loucamente Mozart ao piano se fosse preciso do que ter que ficar alguns minutos rabiscando uma cesta com maçãs. O garoto entra e vai até o armário frio e cinza abrindo a porta que esta trancada com um cadeado dourado e pega o caderno de capa azul que quase não tem nada dentro. Ele olha as folhas ainda com aparência de novas e suspira com saudade do caderno onde ele escrevia suas composições.

As linhas cheias de notas musicais que se encaixavam perfeitamente o faziam sentir-se vivo. Ele nasceu pra fazer música, ele respira acordes, Si bemol, Lá sustenido, Dó maior com sétima maior, era disso que ele entendia e não de riscar formas e pintar cores. Texturas? Onde diabos ele iria usar isso na vida.

Mas o currículo escolar tinha que ser cumprido então ele simplesmente pegou o caderno e seguiu para a aula. Na sala já quase completa ele caminhou até o final e sentou na ultima classe da ultima fileira. A professora que já era uma senhora de idade entrou e começou a aula. Ele estava tão entediado que não percebeu o Jeon sentado quase na frente com a cara enterrada no caderno desenhando como se aquilo fosse a única salvação da vida dele. Os cinquenta minutos que se seguiram serviram para que Taehyung cochilasse algumas vezes antes do sinal bater e finalmente ele se ver livre daquela tortura. A passos apressados ele vai até a porta e quando está para sair por ela escuta as vozes das meninas a volta de Jeongguk.

Ele olha para o moreno que guarda os lápis no estojo verde escuro sem prestar atenção aos elogios que elas tanto lhe conferem. O ruivo revira os olhos e sai dali indo guardar o caderno. A próxima aula é menos tediosa afinal de contas ele poderá ir para o pátio e sentir o sol bater na pele. Educação física é algo que até lhe agrada mesmo sendo algo que o faça suar e ficar fedendo. O ruivo até gosta de sentir seus músculos sendo trabalhados em corridas e alguns levantamentos de peso.

Taehyung está no vestiário onde tem outro armário e pega as roupas que trouxe na mochila as deixando ali. Ele coloca o short azul com listras brancas e a camiseta regata azul escuro. Uniforme do time de futebol que ele acabou por entrar para ter algo relacionado a esportes em seu currículo escolar, seus pais dizem que é importante para a universidade. Os demais estão vestidos também e todos seguem para a quadra aberta por que o ginásio da escola está passando por reformas. O sol forte que esquenta sua cabeça não é motivo suficiente para que o professor seja menos agressivo com o time mandando que iniciem correndo algumas voltas para aquecer.

O sol queima a pele de todos que já estão suados em menos de dez minutos de corrida. O calor é intenso e todos sentem muita sede. O treino dura exatamente dois períodos o que se resume a nada menos que 100 minutos de sangue, suor e muitas lágrimas. Alguns machucados depois pelas quedas na areia com britas da quadra que também será reformada e eles voltam para o vestiário indo tomar banho. Taehyung ainda não fez amizade com nenhum deles afinal é só o segundo dia dele nessa escola, os garotos nus entram no chuveiro e riem uns dos outros passando os sabonetes nos corpos mais malhados que o seu.

O ruivo não se importa com isso e toma seu banho saindo dali enrolado na toalha azul e segue para o armário onde troca a peça felpuda e molhada, pelas roupas secas e limpas. O almoço vai ser servido no refeitório e depois da experiência do primeiro dia Taehyung trouxe consigo uma pequena marmita com seu prato preferido: um gorduroso hambúrguer. Ele procura uma mesa e come o lanche bebendo o suco de laranja enquanto conversa no celular com o vocalista da sua banda.

Jeongguk teve um período a mais de aula de desenho por que trocou geografia de horário para poder aproveitar mais as aulas da professora idosa que tanto adora mostrar ao moreno a arte de grafitar em papel o que ele sente no peito ao ver uma figura diferente se formar. O moreno termina a aula e vai para o refeitório almoçar ele fará isso sozinho hoje já que a namorada não veio à escola.

Em meio aos desenhos feitos na manhã de hoje ele come alguma coisa que não identifica e bebe um suco de uva. As paginas marcadas pelos dedos sujos com o grafite do lápis 6B mostra a evolução daquilo que mais gosta de fazer. Jeongguk tem certeza que quer cursar artes plásticas e viver de pintura assim que atingir a idade adulta.

Seus pais têm uma galeria de arte e o desejo do filho mais jovem dos Jeon em seguir essa carreira sempre foi incentivada por eles. O moreno fita as linhas mal traçadas do início e compara com as linhas de um dos últimos desenhos que fez. Ele sorri satisfeito consigo por ter aprendido tanto. Pega o caderno e sai indo para o pátio pegar um pouco de sol e quem sabe continuar o desenho que fez na aula.

No pátio onde diversos alunos estão deitados na grama ou estão conversando debaixo da sombra de alguma arvore ele caminha rabiscando uma linha e esfumaçando outra com o dedo, tentando equilibrar o caderno no braço. Os passos descuidados do moreno que às vezes tropeça em uma pedra ou alguma raiz mais alta fazem com que ele se choque com o banco onde Taehyung está sentado. Os garotos se olham e a estranheza do dia anterior volta.

Eles não se encontram em momentos tranquilos só conseguem se ver entre esbarrões e provocações. Jeongguk bufa e sai fechando o caderno enquanto Taehyung levanta e segue até a lixeira mais próxima deixando ali a caixinha do suco que tomava.

Assim se passam os dias, alguns encontros pelos corredores outros no armário onde guardam materiais ou só batem as portas para irritar um ao outro. Jeongguk e Taehyung chamam a atenção de todos cada vez que se veem um frente ao outro. Os alunos da escola esperam o dia em que o marrento Jeon cairá de pancadas em cima do Kim.

O garoto de cabelo vermelho é sorridente com as meninas que começam a notar sua presença, inclusive a que anda sempre com o Jeon. A namorada do moreno tem observado demais o Kim tendo o outro a cuidar cada atitude deles. Taehyung consegue alguns amigos no time de futebol e até algumas meninas da aula que começam a segui-lo pelo pátio levando frutas e alguns doces na hora do almoço.

Jeongguk por sua vez não suporta a presença do Kim que pra ele só serve para lhe provocar. As meninas que antes ficavam a seus pés agora se dividem entre ele e a beleza do garoto de cabelo vermelho que com seu ar de desligado fica muito sexy, até mais que Jeongguk nas calças coladas que antes as deixavam enlouquecidas.

O moreno parece só se importar quando sua garota, aquela que deveria ter olhos só para si começa a não disfarçar mais o interesse pelo novato e a insatisfação em ter o garoto na escola só aumenta. Em um dia de educação física onde eles se encontram no vestiário finalmente a tensão fica grande. A troca de uma camiseta do uniforme é o suficiente para que ambos fiquem cara a cara com a mão um no pescoço do outro.

Eles se encontram sozinhos no local que está cheio de toalhas molhadas. Os outros membros do time já voltaram para suas classes depois que tomaram banho. Algumas camisetas jogadas por ali se misturaram e Jeongguk, esquentado como sempre, culpou o novato dizendo que ele havia pegado de propósito a sua camiseta deixando outra velha e surrada no lugar.

− Você realmente acha que eu pegaria uma camiseta sua? Seria muito mais interessante pegar sua namorada. – ele fala rindo debochado na cara de Jeongguk.

−Então tente que terei o maior prazer em quebrar toda sua cara. Quero ver manter essa pose de galã na frente de todas essas meninas com o olho roxo.

−Não seja por isso, eu te garanto que ela vai gostar muito mais de gemer pra mim na cama do que geme pra você.

Um aperta a camiseta do outro contra seus pescoços que começam a ficar marcados. As mãos suadas pela raiva, os músculos dos braços que saltam mostrando a força que usam e as mandíbulas cerradas apertando os dentes faz com que ambos pareçam animais prontos para o ataque.

O sinal toca novamente e alunos do próximo turno entram ali ficando paralisados ao ver a cena dos dois grunhindo um no rosto do outro quando Jeongguk levanta a mão fechada para dar o primeiro soco no garoto que não abaixa o olhar e faz o mesmo. O mais velho deles segura o moreno enquanto alguns seguram Taehyung e ambos são afastados. Eles prometem que isso ainda não acabou quando saem cada um por um lado indo de volta para a sala de aula.

A tensão do dia faz Taehyung socar o armário assim que esse chega para guardar o material. Se seus pais descobrem que ele anda se metendo em encrenca ele será mandado para estudar no exterior e só terá permissão para voltar no final da faculdade. O garoto tem um extenso passado de expulsões de diversas escolas em que já passou, o Kim tem que se controlar ou mais uma vez será expulso e vai ter que lidar com a ira de seu pai.

Ele bufa e sai indo para o carro, no caminho puxa a carteira de cigarros do bolso e acende um tragando fundo fazendo com que o pequeno veneno acabe em segundos. O ruivo entra e coloca a chave na ignição ligando o carro, ele tenta conter a raiva que sente do outro e bate no volante. Pelo espelho retrovisor ele vê Jeongguk sair arrastando a namorada pela mão e ir em direção da moto prateada que está estacionada ali. O moreno coloca o capacete e alcança o dela que coloca também, eles sentam na potente máquina ajeitando suas mochilas. Ambos aceleram e se olham. Jeongguk que até a pouco ignorava a presença do outro percebe que ele está dentro do carro. A raiva toma conta de si e ele sai acelerando rápido deixando a marca os pneus no asfalto antes que faça uma loucura ali mesmo no estacionamento.

Mais dois meses se passam e o clima entre os dois continua tenso. Em um dia que Jeongguk estava atrasado para a aula de artes ele deixa cair o desenho que estava dentro do caderno e não percebe. Taehyung vê um papel perto de seu armário e abre. Ali tem um desenho feito em carvão que mostra um homem tocando piano e ele se encanta.

O traço bem feito, a cauda longa do piano e a expressão de prazer no rosto do pianista que se delicia com o toque nas teclas o faz lembrar-se de quando ele mesmo tocava esse instrumento com seu avô. O velho senhor tinha ensinado Taehyung a gostar de música clássica e fora seu primeiro professor. O garoto por volta de seus cinco anos sentava ao lado do avô vendo esse deslizar os dedos nas teclas brancas e fechava os olhos sentindo a música. O velho senhor sempre lhe disse que música é feita primeiro na alma para depois vir a ser coloca em notas no papel.

Ele aprendeu desde pequeno a amar qualquer coisa relacionada à música e nunca imaginou que alguém conseguisse captar tão bem em uma folha rabiscada a imagem que ele tinha em sua mente. Seu avô tocava sempre que ele ia lhe visitar e essa era a ultima lembrança que o garoto tinha do homem: sentado ao piano tocando Mozart para ele antes de morrer.

Aquela pequena folha tinha uma assinatura bem embaixo, mas a letra em carvão não ajudou o ruivo a decifrar de quem era essa obra de arte. Ele achou que pudesse ser de Jeongguk mais o moreno insuportavelmente grosso e mal educado não teria tamanha sensibilidade para captar algo tão belo.

Taehyung simplesmente guardou em meio às folhas do livro de física o papel dobrado e foi para a aula. Ele seguiu para a classe e sentou no fundo como sempre fez. A imagem daquele desenho lhe perturbou, ele não conseguia prestar atenção na aula e quase no final do período pegou a folha olhando novamente para o desenho. Jeongguk que estava prestes a arrumar seu material para sair da sala percebe que o desenho não esta no meio das folhas do caderno como ele deixou.

O moreno abre e sacode o caderno fazendo com que algumas folhas caiam e infelizmente não acha o que procurava. Ele sai apressado indo até o armário. O ruivo vê a agitação do outro e não liga afinal o esquentadinho Jeon normalmente faz essas coisas. Ele caminha sem pressa até o armário esperando que o outro já tenha saído de lá, nesta manhã ele não acordou com vontade de desentendimentos desnecessários.

Jeongguk procura por todo o armário e reclama batendo a porta de metal. Os alunos que ali estão se assustam e saem rápido antes que o moreno desconte sua frustração em alguém. Taehyung continua a se aproximar lentamente sem mudar o passo que andava. Ele percebe que o moreno está ali e franze o cenho. Ao se aproximar vê Jeongguk consternado e vira o rosto abrindo o armário. O moreno sai pisando firme.

No intervalo umas meninas passam por Taehyung que está sentado comendo algumas frutas e sentam atrás dele conversando. Uma delas fala que Jeongguk está perguntando para as pessoas se alguém viu um desenho que ele perdeu, a outra menina ri e ambas debocham que ele deveria perguntar se alguém achou foi a educação que ele perdeu ao nascer. Taehyung então se lembra do desenho que achou próximo de seu armário, realmente ele era de Jeongguk. Como poderia um garoto tão arrogante e metido desenhar com uma sensibilidade tão grande.

O ruivo terminou de comer e levantou indo para o refeitório, ele sabia que o Jeon sempre comia lá dentro e depois saía. Taehyung entra e não acha o outro então ele volta para fora e senta ao sol. O intervalo de almoço não é muito longo e ele gosta de sentir o sol batendo na pele afinal o outono já está dando lugar para o inverno e em breve eles não terão mais dias de sol e sim muita chuva e neve. Ele deita debaixo de uma arvore e escuta uma voz o chamar.

− Eu soube que você está procurando Jeongguk. Posso saber do que se trata?

O garoto de cabelos vermelhos segue a voz até enxergar a imagem de uma menina que sorri para ele. A namorada do moreno o fita e senta a seu lado.

− Eu achei algo que pode pertencer a ele.

− Hum achei que fosse uma desculpa para me ver.

Ambos se olham e Taehyung sorri ladino demonstrando que entendeu a indireta da menina.

− Mas então você não quer me entregar o que tem do meu namorado?

− Prefiro entregar pessoalmente.

O sinal toca e Taehyung se despede da garota que segue olhando para ele até que este entra pela porta da escola, ele está decidido a entregar o desenho a Jeongguk na saída da escola, no estacionamento. As horas passam e o sinal bate no final da tarde anunciando o término de mais um dia de aulas. Taehyung pega seu caderno e vai até o armário. Ele não vê o moreno por ali também e pensa em deixar o desenho no armário do outro colocando pelos buracos, mas acha que poderia amassar o papel então pega sua mochila e segue com a ideia de encontrar o moreno no estacionamento.

Quando Taehyung chega lá ele não vê a moto do outro e também não acha alguém que diga onde ele está. O ruivo entra no carro e vai para casa. Pensa em devolver o desenho do dia seguinte. É noite e Taehyung está entediado, sua mãe está se arrumando para sair com seu pai, terça a noite era quando eles iam ao clube de Pôker e como aqui eles acharam um novo clube estão saindo para jogar com os novos amigos.

A mulher insiste que ele vá junto, ela acha que é um excelente lugar para que o filho conheça uma boa moça de família rica. Nesses clubes só os mais ricos frequentam e na verdade o jogo é só um pretexto, os homens vão mesmo para falar de negócios, beber champagne e uísques caros enquanto as mulheres falam de seus filhos e filhas. Taehyung nega o convite e diz que prefere ficar em casa.

Eles saem e o ruivo foge pelos fundos. As câmeras de segurança não funcionam muito bem na parte dos fundos da casa e o segurança que tem ali a noite dorme profundamente após a janta então o garoto consegue escapar. O carro dele fica na garagem subterrânea que tem uma saída escondida por lá. Tudo certo e em menos de meia hora o garoto está em um bar de motoqueiros pedindo uma dose de tequila.

Taehyung bebe e fuma enquanto conversa com alguns motoqueiros dali, ele fala que tinha uma banda que tocava em bares assim como esse e quando um dos homens diz que tem alguns instrumentos guardados nos fundos o garoto pede para vê-los. São guitarras e um sax em mau estado. Ele tenta arrumar o sax e limpa o instrumento, após isso Taehyung tenta tocar algo e percebe que o instrumento só estava um pouco amassado então toca um jazz. Os homens prestam atenção ao garoto de cabelos vermelhos que se entrega a música.

Jeongguk estava em casa e como não tinha nada para fazer paga sua moto e sai pela cidade. O moreno gosta muito de andar nas ruas mais vazias a noite, os sinais de transito desligados facilitam que ele não precise parar e assim a velocidade fica constante, a namorada dele detesta sua moto então o garoto anda sozinho muitas vezes.

Jeon costuma frequentar alguns bares e nessa noite ele acaba indo ao bar onde o ruivo está tocando. O garoto entra no lugar vestindo sua roupa de couro preta. A calça sempre colada ao corpo e uma jaqueta que foi comprada para fazer conjunto a ela deixam o moreno parecendo realmente um motoqueiro. Uma camiseta branca e um par de coturnos completam a vestimenta do garoto. Ele ouve a música e se espanta quando reconhece o garoto que toca. Taehyung está entregue ao jazz e toca afinadamente sem perceber que está sendo assistido por tanta gente muito menos vê o garoto atrevido da sua escola.

O bar é um lugar de pouca luminosidade, o ambiente é tomado pela fumaça dos cigarros e o cheiro de bebida forte. Os muitos homens que ali se encontram vêm a esse lugar para descansar depois do trabalho ou por que estavam na estrada e resolveram parar para beber um pouco. Jeongguk vem aqui por que gosta mesmo. Ele senta perto do bar e pede uma dose de uísque, claro que assim como Taehyung o garoto tem uma identidade falsa onde diz que ele já é maior de idade.

Taehyung termina uma música e recebe muitos aplausos ele para indo beber algo e vê o moreno que o fita. Jeongguk parece descontente em ver o outro no lugar aonde ele vem seguido. O ruivo pede sua dose de tequila e senta.

− Será que até aqui eu vou ter que te aguentar?

Jeongguk fala entre um gole e outro do uísque sem olhar para o garoto. Taehyung não responde e bebe mais um gole da tequila que desce rasgando sua garganta e puxa a carteira de cigarros do bolso. Ele acende um e traga. O moreno olha para ele e pede um cigarro.

− Desde quando você fuma.

− Você pode me dar um ou não?

Taehyung empurra a carteira em cima do balcão e o moreno a pega. Ele abre a carteira e tira um cigarro, pede fogo para o barman e traga. Jeongguk se engasga um pouco e Taehyung ri. Eles fumam calados e o ruivo volta para tocar mais algumas musicas. Jeongguk ouve a todas e aplaude discretamente no final. Taehyung para mais uma vez e agradece à oportunidade, o dono do bar diz a ele que sempre que quiser tocar ali será bem vindo.

− Você toca muito bem.

− Obrigado. E por falar em fazer algo muito bem, eu estou com seu desenho.

− Meu desenho...

− Sim, você não perdeu um desenho esses dias?

− Perdi sim então ele está com você.

− Eu achei, ele estava perto do nosso armário. Guardei para te devolver, mas não te achei. Amanhã eu levo e te entrego.

Jeongguk assenti e bebe mais uma dose. O ruivo fita seu corpo observando a roupa que ele usa. Taehyung está cansado e senta em uma mesa onde consegue se escorar na parede. Jeongguk vai até ele e pergunta se pode sentar-se junto dele e com a permissão do garoto eles bebem juntos.

Após mais algumas doses de bebida e conversas aleatórias os dois saem praticamente bêbados, cambaleando um pouco eles entram em um táxi que o dono do bar chamou. Eles deixam o carro e a moto ali para ir buscar no dia seguinte. No táxi eles riem e às vezes ficam sérios olhando um para o outro voltando a rir logo em seguida afinal eles se odeiam e nunca tiveram intimidade. Chegam à frente da casa de Taehyung e este desce.

−Muito obrigado pela companhia, até que você não é tão chato quando está bêbado.

O moreno faz um sinal para ele com o dedo do meio e o táxi arranca. Taehyung ri e entra em casa caminhando na ponta dos pés. Seus pais dormem e não percebem que o garoto saiu muito menos que voltou bêbado altas horas da madrugada. Ele entra no quarto que insiste em girar dificultando que deite na cama e tira às calças, ele cai no chão e ri mais uma vez colocando o próprio dedo em frente à boca em sinal de silencio. O chão parece tão perfeito que o garoto fecha os olhos e adormece ali mesmo.

Jeongguk chega em casa e paga o táxi com o dinheiro que ainda tem no bolso. Ele entra em casa sabendo que seu pai não o verá, o homem tem o sono pesado e desde que seu irmão mais velho faleceu sua mãe tem tomado alguns remédios para dormir o que faz com que a mulher não acorde com barulho algum. O moreno entra e sobe a escadaria indo para o segundo andar onde fica seu quarto. Ele praticamente engatinha igual um bebê pelo corredor até alcançar a maçaneta redonda da porta de seu quarto. A porta branca com algumas ranhuras abre depois de um pequeno esforço e o moreno entra deixando seu corpo rolar para dentro.

Dentro do quarto de paredes azuis que ainda tem alguns detalhes da infância do moreno como desenhos feitos por ele, o moreno deitado no chão. Jeongguk se convence que ali é o melhor lugar para dormir e só fecha os olhos deixando que o sono tome conta de si.

O relógio desperta e mais uma manhã de aula vai iniciar. As olheiras estão escondidas atrás dos óculos preto que Jeongguk usa. A namorada dele chega e o vê naquele estado, eles tem uma pequena discussão e ela sai brava dizendo que eles estão por um fio de terminar. Jeongguk caminha nos corredores da escola pedindo que aquele barulho todo suma para que sua cabeça pare de doer, os alunos dali se afastam deixando o caminho livre para o garoto que está mais carrancudo que nunca. O moreno para em frente ao armário e ergue a mão até o cadeado prata que o tranca. Ele gira os números colocando o código que destranca e abre o metal.

Os livros estão empilhados por cores e o material bem arrumado mostra que sua namorada andou mexendo ali novamente. Jeongguk pega o caderno da primeira aula e um estojo e quando vai fechar a porta vê o garoto de cabelo vermelho chegar em um estado parecido com o seu.

Taehyung caminha desleixado, ele usa a mesma roupa do dia anterior e tem o rosto marcado pelo tapete onde dormiu. O ruivo usa uns óculos de aviador espelhado e tem um boné branco enterrado na cabeça que chega até as sobrancelhas. Os dois se olham assim que ele para ali e se cumprimentam rapidamente. Taeyung abre o armário e pega seu caderno.

− Você vai lá hoje buscar sua moto?

− Vou, pode me dar carona?

− Meu carro ficou lá também mais podemos dividir o táxi.

Ótimo, até depois então.

Eles se despedem e seguem para suas classes. O dia passa lento e barulhento demais para os dois que sentem as consequências da bebedeira da noite passada em forma de uma ressacada forte. Após o ultimo sinal do dia Taehyung e Jeongguk vão até o bar onde estiveram na noite passada, o dono de lá colocou a moto do moreno atrás do estabelecimento em uma corrente grossa presa ao muro para evitar que fosse roubada, o carro do ruivo estava parado no mesmo lugar que ele deixou em frente ao bar.

Os garotos se despedem e cada um volta para sua casa. Depois daquela noite eles começaram a conversar mais seguidamente, ainda se estranhando algumas vezes e a namorada de Jeongguk fica cada vez mais distante do garoto que parece não se importar. Na escola eles praticamente trocam somente um “olá” ou um balançar da cabeça quando se encontram. Jeongguk sempre que pode vai ao bar de motoqueiros e Taehyung também sempre que consegue fugir corre para lá e fica tocando sax a noite toda. Uma noite eles conversam sobre suas famílias e sobre os projetos de vida que tem em mente.

Taehyung sempre quis ter uma banda famosa fazer shows pelo mundo e morar em uma casa pequena em uma ilha paradisíaca qualquer. Jeongguk disse que está fazendo o que sempre sonhou: ele queria aprender a desenhar muito bem e depois cursar artes plásticas para enfim assumir a galeria de arte da família.

Ele contou ao ruivo que tinha um irmão mais velho que morreu em um acidente de trânsito alguns anos atrás. O homem que bateu em seu carro estava bêbado e depois disso, bebida se tornou algo proibido em sua casa. Ele acabou aprendendo a beber por que queria entender como uma pessoa pode gostar de ficar tonta, sem reflexo, praticamente inconsciente e ainda assim sair dirigindo colocando a vida dos outros em risco. Ele confessa que quando bebe jamais dirige e que comprou a moto por achar que seria mais seguro que ter um carro. “Assim se um dia eu beber demais e sair dirigindo não coloco a vida de mais ninguém em risco além da minha.”

Taehyung percebeu com os passar dos dias e das conversas com o moreno que ele não é um garoto mimado como achava, tem muito talento e é uma pessoa um tanto incompreendida pelo jeito grosseiro de ser. Jeongguk acha que o garoto ruivo toca muito bem e tem pena dele por ter pais que o pressionam tanto. Ele é um privilegiado por ter pais tão liberais que jamais o fariam casar com alguém que não ama. Pelo menos o garoto assim acha.

Os dias se passam e eles ficam cada vez mais próximos. Já começam a se falar um pouco mais e no bar de motoqueiros quando se encontram bebem juntos quase sempre dividindo o táxi pra casa.

Um dia na escola Taehyung estava saindo da aula de educação física e o professor pediu que ele ajudasse a juntar as bolas e guardar o equipamento, o ruivo assim o fez e acabou se atrasando para o banho. A educação física era no ultimo período então ele ficou sozinho. O ruivo terminou tudo que o professor pediu e foi para o vestiário. Jeongguk tinha se desentendido com um garoto no intervalo do almoço por causa da ainda namorada e acabou indo para o vestiário tomar uma ducha. Ele socou o rosto do garoto e deixou seu armário marcado com o mesmo soco.

Ao chegar ao vestiário Jeongguk tirou a camisa e os sapatos, ele estava furioso e precisava relaxar. O técnico do time, que sempre protegeu o moreno por ser um grande amigo de seu pai, disse que naquele horário ele poderia usar o vestiário tranquilamente por que todos já tinham ido embora. Ele pega uma toalha e vai abrindo a calça deixando-a cair no caminho até que chega perto da entrada para os chuveiros e escuta o som de água. Jeongguk olha pela curva dos azulejos e vê o garoto de cabelos vermelhos tomando banho. Ele está de costas e passa sabonete no corpo nu.

A visão dele deixa Jeongguk um pouco constrangido, em outros tempos ele provavelmente iria ter vontade de socar o garoto até que seu sangue esvaísse todo de seu corpo. Taehyung provocava nele uma ira nunca sentida antes, o garoto o irritava em tudo que fazia. Até nas atitudes mais corriqueiras do dia a dia como dar uma risada, a fala mansa dele e até os trejeitos instigavam a raiva do moreno. Mas quando eles começaram a conviver tudo isso passou.

Jeongguk volta a olhar pela curva dos azulejos, curioso e com o coração batendo estranhamente rápido. Ele vê Taehyung passando o sabonete no corpo, as mãos deslizam pela pele dourada passando pelo tórax, quadril, coxas e finalmente chegando ao pênis. O moreno engole em seco assim que o outro segura seu membro e o lava como se acariciasse um troféu. Uma estranha sensação fervilha em seu estômago ou seria em seu ventre... A boca de Jeongguk está semiaberta e os olhos fixos nos movimentos da mão do outro que acelera fazendo círculos pela extensão toda.

O corpo do outro se vira e ele solta o pênis que está levemente ereto jogando a cabeça para trás de baixo da água tirando o xampu dos fios vermelhos. Jeongguk está com a respiração acelerada e sai tropeçando nos próprios pés sem graça, sem entender o que aconteceu. Ele caminha passando a mão nos cabelos e senta no banco em frente aos armários. A cabeça do garoto está rodando um pouco confusa e ele recosta o rosto nas mãos fechando os olhos. Jeongguk sente um grande desconforto ao perceber que está com o pênis ereto.

Ele tira as mãos lentamente do rosto e olha para a cueca marcada pelo volume e o segura. Uma fração do tempo passa em sua cabeça e a imagem do outro volta mostrando a cena novamente. O moreno não entende por que isso o perturbou tanto, ele já tomou banho tantas vezes com os colegas do time de basquete que faz parte e isso nunca aconteceu. – Que merda, o que ‘tá acontecendo? – ele murmura e sacode a cabeça. De repente Jeongguk escuta passos atrás de si e lentamente ele vira a cabeça. Taehyung vem na sua direção com uma toalha na cabeça onde seca os fios e para assim que vê o moreno. Na cintura outra toalha agora tapa a parte inferior do corpo do garoto que mesmo assim continua a deixar essa estranha sensação em Jeongguk.

− Você? O que faz aqui?

− E... eu... eu vim tomar um banho. – ele diz pegando a toalha e mostrando ao outro que volta a secar os fios rubros e sacode a cabeça tirando o excesso de água.

Jeongguk engole a saliva novamente e se pega observando fixamente os movimentos do ruivo. Gotículas de água escorrem pelo peito dele, os braços úmidos e tesos deixando os músculos aparecendo cada vez que ele os ergue fazendo as mãos sacudirem o pedaço de tecido felpudo nos cabelos, a respiração que está tranquila, mas faz seu peito mexer e um leve tremor no mamilo esquerdo que chama muito a atenção do moreno por ter ali um piercing.

− Jeon... cara você está bem?

− Sim estou por quê?

− É que você parece um pouco pálido.

O outro sorri sem graça e levanta para ir tomar banho. Ao passar por Taehyung ele sente o cheiro de morango exalar da pele do ruivo. Os olhos dele se fecham absorvendo do ar o aroma e deixando um breve suspiro escapar de seus lábios. Taehyung olha para ele e vê a cueca branca marcada e ri sem graça.

− Jeon você veio tomar banho por que mesmo...

O garoto para e olha para Taehyung sem entender a pergunta. O ruivo continua olhando e esperando uma resposta que não vem. Então ele senta no banco se debruçando para trás apoiado nos braços e fica com as pernas abertas sorrindo de lado.

− Você veio tomar banho por que sua namorada te deixou na mão?

− Que? Do que você está falando?

− Jeon todos passamos por isso, pode falar afinal sua cueca já denunciou tudo mesmo.

Jeongguk olha para baixo e vê seu membro duro maçado no fino tecido e que está só de cueca. Ele tinha se esquecido desse detalhe e fica sem saber o que dizer. O garoto que está um pouco vermelho ri sem graça e concorda com o ruivo para não ficar pior. Ambos riem e ele sai rápido indo para o chuveiro. A água do chuveiro está gelada e o moreno deixa a cabeça em baixo escorando os braços na parede. Ele suspira e tenta entender o que aconteceu segundos atrás. Taehyung estava nu e ele sempre viu os colegas assim... por que dessa vez isso lhe deixou tão... tão... tão excitado?

Ele esfrega o corpo e pensa nas mãos do garoto esfregando o seu, a imagem dele molhado com a água escorrendo pelo corpo e jogando a cabeça para trás faz Jeongguk endurecer mais um pouco. A boca se abre e a língua passa nos lábios que gemem um pouco quando ele toca seu próprio pênis. A mão do moreno desliza pelo membro dolorido e ele se masturba sem perceber. Os gemidos logo vem e sua voz baixa sôfrega e cheia de prazer pensando em Taehyung faz o garoto acelerar os movimentos e ele ejacula rapidamente na parede de azulejos azuis. A mão na parede e a outra no pênis que lateja deixa Jeongguk consternado. Por que ele se masturbou pensando em um homem, por que ele ficou excitado com o ruivo tomando banho... o garoto soca a parede e desliga o chuveiro. A toalha que esta pendurada ao lado cai e ele se vira para pegar vendo o ruivo parado, escorado na parede perto dele.

Ele ri vendo o moreno ficar sem graça. Jeongguk rapidamente se abaixa e pega a toalha a colocando em sua cintura.

− O que você está fazendo aqui? Não vai embora não?

− Eu vim ver se você tem a chave para fechar o vestiário e te encontrei assim – ele aponta para o membro do outro – achei que seria falta de educação te atrapalhar.

Jeongguk sai pisando firme e sem olhar para o ruivo que ainda ri. Ele vai até seu armário e tira a toalha rapidamente colocando a roupa por cima do corpo molhado. Taehyung caminha lentamente até ele com a calça do moreno nas mãos e a alcança para ele que remexe o armário a sua procura. Jeongguk pega o tecido da mão do outro que o fita escorado no armário. Seu olhar parece despir cada peça que o moreno coloca.

− Vai ficar me olhando... pode ir eu tenho a chave e fecho tudo quando sair.

Taehyung assenti e sai pegando sua mochila. Jeongguk senta no banco atrás de si assim que o ruivo passa pela porta e a fecha. Ele deixa um suspiro alto sair pela sua boca e segura a camiseta nas mãos a apertando. O que está acontecendo com ele, por que fez aquilo. O moreno levanta e coloca a camiseta, bate a porta do armário e sai indo para casa.

Final de semana, sábado de sol e Jeongguk está decidido a tirar aquela imagem do ruivo de sua cabeça. Ele liga para a namorada e a convida para vir a sua casa, a menina reluta por que está triste com as atitudes do namorado, ele insiste e diz que está assim por causa das provas e trabalhos do ultimo ano e ela acaba aceitando. Tudo combinado, os pais de Jeongguk saem dizendo que só voltam à noite e o moreno arruma o quarto esperando a namorada. Ele realmente acha que está precisando de uma tarde de sexo com ela para esquecer essa estranha sensação que não sai da sua cabeça. A garota chega e sem demora o moreno ataca seus lábios a beijando afoito.

Ele acaricia o corpo dela e a pega no colo levando direto para seu quarto, lá entre beijos, mordidas e a ereção que já apertava em sua cueca o moreno suspira aliviado. A menina geme alto e cede ao namorado tirando sua roupa e a dele também. Eles acariciam um o corpo do outro em mais uma tarde de sexo coisa que para eles não é nada de mais depois de estarem namorando e transando a mais de dois anos. Jeongguk se concentra nas curvas da namorada que tanto o excita, ele beija a boca da garota que fica vermelha pelo excesso de contato.

As pernas dela já estão marcadas com os apertos e batidas das mãos dele e enroscando sua cintura ela rapidamente posiciona o pênis do moreno em sua vagina a penetrando. O forte e profundo vaivém que ele inicia é interrompido quando ele abre os olhos e vê o rosto de Taehyung a sua frente. O olhar do ruivo aparece igual ao que ele viu no banheiro. O sorriso ladino cada vez que ele estoca a menina como se o sorriso ali não fosse o dela. A voz que ecoa rouca em seu ouvido não é a doce e feminina da namorada. Jeongguk fecha os olhos novamente pensando que está ficando maluco. Os corpos de ambos estão ficando suados quando o moreno abre os olhos e percebe que realmente não era o Kim que estava em baixo de si. Ele perde a ereção e a tarde de sexo. A namorada o estranha e mesmo tentando fazer de tudo para consolar o namorado que está bravo e confuso acaba indo embora depois do garoto a mandar sair.

Jeongguk soca a parede e machuca a mão. Ele jamais gostaria de outro homem ainda mais sendo o ruivo que acabou de entrar na escola.

A noite vem e o moreno veste sua roupa de couro saindo de moto pelas ruas em alta velocidade. A imagem do fracasso da tarde não lhe sai da cabeça assim como a imagem do Kim se esfregando no banho. Ele vai parar no bar de motoqueiros, paradeiro de todos os sábados à noite. O lugar está tranquilo e o Kim não está lá. Jeongguk pede sua habitual dose de uísque e bebe para se esquecer do que aconteceu. Naquela noite o ruivo não apareceu e o moreno já desistindo de esperar por ele vai embora depois de chamar um táxi.

O final de semana passa e a segunda feira chega com mais um dia de aula. Jeongguk entra na escola com a namorada a tiracolo e tudo parece normal. Ele pega seu material no armário e sai rapidamente evitando encontrar Taehyung. As aulas começam e terminam e o Kim não apareceu na escola o dia inteiro. Jeongguk não se interessa em saber o porquê disso e decide que precisa se afastar desse convívio sem sentido entre eles. A semana passa e o ruivo falta dia após dia.

Sábado novamente e Jeongguk não teve noticias do outro, ninguém na escola sabe o porquê do garoto de cabelos vermelhos não ter aparecido, nem mesmo as garotas que correm atrás do ruivo descobriram por que ele não apareceu na escola. A namorada de Jeongguk é amiga de várias delas e sempre cochicha com as meninas sobre o garoto como se o Jeon não soubesse disso. É noite de sábado e depois de uma semana tranquila sem a presença do ruivo na escola, Jeongguk conseguiu finalmente transar com a namorada e se sente mais seguro quanto ao que passou naquele dia. Coisa de quem não transava há algum tempo, frescura de rivais que de repente se tornaram mais próximos, desculpas que ele mesmo criou para justificar o injustificável.

Jeon está com uma calça nova que comprou onde o tecido fino marca mais sua bunda dessa vez, o garoto gosta de roupas apertadas e a namorada dele também. Ela o exibe a todas as meninas da escola mesmo que o moreno não saiba disso. A camiseta vermelha e o tênis preto que ele comprou junto deixam o moreno extremamente sexy. O perfume de notas cítricas faz a pele do Jeon exalar o cheiro da luxuria. Pronto para mais uma noite no bar dos motoqueiros o moreno sobe na moto e vai até lá.

Os amigos que ele fez naquele lugar notam a diferença de vestimentas do moreno que nunca tirava aquela roupa de couro preta. Eles mexem com o garoto que ri junto de todos e começam a beber. A noite está tranquila e quando menos espera Jeongguk vê Taehyung entrar. O ruivo entra e senta perto do bar ficando um tanto quanto distante dele. A famosa dose de tequila é servida e um pote pequeno de amendoins colocado junto na mesa faz o Kim deslizar os dedos por eles e colocar lentamente alguns na boca. Jeongguk continua sentado no mesmo lugar e observa de lado a atitude estranha do outro.

Meia hora depois que o ruivo chegou e que o dono do bar levou o sax até ele sem que quisesse tocar algo Jeongguk levanta e vai até lá. Ele senta e vê o olhar perdido de Taehyung que passa os dedos nos amendoins deixando o sal dali ficar neles.

− Tudo bem?

Jeongguk pergunta bebendo um gole de seu uísque e fitando o Kim que segue sem conexão com nada apenas com o olhar perdido nas paredes do lugar. Ele segue olhando para o ruivo que fica calado até que se recosta na cadeira e olha para seu rosto. A expressão um pouco perdida do outro lhe intriga. Ele não é de demonstrar nada e muito menos é calado como está agora.

− Aconteceu alguma coisa? Quer conversar?

− Sim e não. Por que você se importaria, nunca gostou de mim.

Jeongguk da mais um gole na bebida e pede outra. Taehyung empina o copo e faz o mesmo. Eles seguem calados e bebem até que Taehyung fala.

− Já sentiu que a sua vida é coordenada por todo mundo sem que você possa fazer algo contra?

− Não. Eu faço da minha vida o que eu quero.

− Sorte sua.

− O que aconteceu?

− Problemas de família.

− Quer falar sobre isso?

− Prefiro beber.

Jeongguk assentiu e eles bebem dose após dose e Taehyung aceita tocar um pouco. O garoto de cabelos vermelhos uma musica que deixa a todos encantados. Ele tem muito sentimento envolvido ali e Jeongguk que já não consegue mais coordenar os pensamentos se encanta. O rosto do ruivo expressa um sentimento diferente, seus longos dedos que levantam e abaixam a cada nota, o corpo dele que acompanha a musica mostra que aquela musica é especial.

A apresentação termina e Taehyung volta para a mesa onde ele e Jeongguk estavam.

− Você realmente toca bem. Mas senti que hoje foi diferente.

− Essa musica eu compus para meu avô, a única pessoa que me entendia nesse mundo.

Eles voltam a ficar calados e depois de mais algumas doses Taehyung decide ir embora. Como de costume os dois dividem o taxi e no caminho Taehyung diz que vai deixar o moreno primeiro, ele não quer ir para casa. Jeongguk convida o outro para ir a sua casa e quem sabe conversar um pouco, o ruivo não parece muito bem. Ele pensa por um tempo sem dar resposta e assim que chegam na frente da casa de Jeongguk ele aceita. Ambos descem e entram na casa verde.

A luz da sala ascende assim que eles entram mostrando uma casa aconchegante. A sala em tons neutros que vão do bege até o marrom, com quadros pendurados nas paredes. O sofá de dois e três lugares em um tom de marrom terra combina perfeitamente com o tapete bege mais escuro que um copo de café com leite. A mesa de tampo de vidro que fica no centro tem porta retratos da família e Taehyung vê os pais do garoto ali.

Ele entra assim que o moreno o convida para seguir até a cozinha que fica ao lado. Eles vão até lá e o ambiente é ainda mais acolhedor. A pequena cozinha de azulejos brancos e armários pretos tem uma mesa ao lado da porta que comporta quatro cadeiras. Um vaso com flores amarelas no meio da mesa onde um guardanapo de crochê branco fica o adornando. As panelas penduradas em cima da pia e o fogão prateado próximo da geladeira. Jeongguk vai até a geladeira e pega uma jarra de água. Ele oferece a Taehyung que senta e coloca a cabeça entre as mãos. O moreno bebe goles do liquido gelado e fita o outro.

− O que você quer fazer? Que tal um jogo de videogame ou sei lá diz ai...

Taehyung levanta e vai até ele e para frente ao rosto do moreno que abaixa o copo lentamente. Ele sente a respiração de Taehyung bater em seu rosto e um frio passa em seu interior. Por que o garoto está assim tão perto de si.

− Você quer mesmo saber o que eu quero fazer? – ele fala em um tom baixo parecendo olhar para os lábios molhados pela água gelada de Jeongguk.

− Uhum.

− Eu quero sumir. Eu quero poder fazer o que quiser, quero tocar na minha banda e transar com quem eu decidir.

O Jeon sente um alivio por que por segundos ele teve medo de ouvir a resposta. Sem entender por que seu corpo reage ao ruivo dessa maneira ele passa a mão no braço que segura o copo desfazendo dali o arrepio que se formou. Taehyung pega o copo da sua mão e empina bebendo até a última gota da água que ainda esta gelada. A proximidade entre eles ainda existe e sem falar mais nada o garoto coloca as duas mãos no balcão atrás de Jeongguk e o beija.

O moreno fica sem reação pelo ato do outro e paralisa sentindo o toque dos lábios frescos nos seus. A língua do Kim invade a sua boca revirando ali dentro assim como revira sua cabeça. A sensação de formigamento nas pernas e a dor no estômago voltam e Jeongguk empurra o ruivo.

− O que você pensa que está fazendo?

− O que eu quero. Acabei de te dizer que quero muito poder transar com que eu desejar e sei que você também quer.

− Pois se enganou eu não quero transar com você.

Taehyung continua a olhar para a boca do moreno que agora está sendo castigada pelos dentinhos proeminentes que rasgam a fina pele ao mordê-la continuamente. Ele sobe o olhar para os olhos do Jeon que falou isso, mas não saiu de perto de si. A respiração nervosa de Jeongguk denuncia que o garoto ficou talvez assustado com a atitude inesperada dele ou com a sua própria. Ele ergue o braço até seus cabelos e segura os fios negros da nuca de Jeongguk apertando e trazendo sua cabeça em direção de sua boca mais uma vez.

O ósculo acontece novamente agora com a interação do moreno que mantém as mãos no peito de Taehyung respirando ofegante e mostrando estar nervoso. As bocas se abrem e fecham em um beijo cheio de línguas lutando por espaço e saliva. Em segundos o que parecia ser “forçado” passa a ser correspondido pelos dedos de Jeongguk que apertam o peito de Taehyung o trazendo para mais próximo de si. Eles se enroscam em beijos e abraços, ambos ainda um pouco embriagados agora nem tanto pelo álcool ingerido mais pela situação e sem saber muito bem o que acontece. Taehyung passa as mãos nas coxas grossas do moreno que geme estranho sem perder o contato com sua boca.

− O que... você está... fazendo Taehyung?

− Não sei acho que o mesmo que você.

Eles falam entre os beijos e mordidas, entre as línguas que deslizam no pescoço um do outro e terminam voltando as bocas. Após pararem e ficarem olhando um no rosto do outro com as respirações descompassadas Taehyung leva Jeongguk para cima da mesa atrás deles e deita o dorso do garoto que fica apoiado nos cotovelos. Ele geme ao sentir o corpo do ruivo entre suas pernas e o afasta um pouco. Ambos estão assustados com o que estão sentindo. O prazer do toque um do outro em seus corpos, o gosto das bocas em meio ao da bebida e o cheiro de seus corpos estão deixando os dois cada vez mais excitados. Taehyung levanta a camiseta de Jeongguk que ergue os braços facilitando a retirada da peça, o ruivo passa a mão no peito dele sentindo cada músculo se retesar com o toque e vê seus mamilos arrepiarem.

Os dedos finos e longos delineiam cada parte dali e o ruivo abaixa a cabeça beijando o tórax do moreno. A sensação de uma leve mordida no mamilo esquerdo faz o corpo de Jeongguk corresponder com um arrepio que é percebido pelo Kim que levanta o olhar até o rosto contorcido do outro. Ele aperta a boca entre os dentes deixam um sonoro gemido sair quando sente o pênis ser tocado por cima da calça pelas mãos de Taehyung.

Eles estão se entregando a uma nova experiência cheia de sensações diferentes que em meio ao medo do novo ao mesmo tempo é excitante.

Jeongguk senta na mesa empurrando Taehyung que se afasta e olha para o rosto do ruivo. As línguas passeiam nos lábios sentindo seus sabores se misturarem, Jeongguk sai da mesa e vai em direção do outro. Novamente eles se agarram e o Jeon que resistia arduamente ao que sentia até a pouco agarra os cabelos de Taehyung em uma busca necessitada por sua boca. Ele trás o rosto do Kim para perto do seu e o beija afoito.

Os corpos se encostam e as ereções presas nas calças já incomodam. A passos atrapalhados eles seguem até a sala derrubando algumas coisas que tem em móveis pelo caminho. As bocas não se separam em momento algum até que Jeongguk bate no encosto do sofá.

Eles param e se olham já tirando o resto das roupas um do outro. Sem palavras, sem questionamentos eles simplesmente se deixam levar pelo que sentem. Tesão pode definir o momento. Um tesão imenso que vem de ambas as partes, o desejo de ter um o corpo do outro mesmo sem entender o por que.

Eles ficam nus e se olham. Os olhares famintos percorrem cada parte de seus corpos e Taehyung se aproxima segurando o rosto de Jeongguk entre suas mãos e o beija. O beijo desta vez é mais calmo e profundo. Eles sentem que querem isso e ao mesmo tempo o que é novo para um também é novo para o outro. Os dois garotos nunca tiveram interesse por meninos, nunca transaram com alguém do mesmo sexo, mas o que sentem é tão mais forte e intenso que se deixam levar por esse sentimento.

Taehyung beija os lábios vermelhos do Jeon e esse desce os braços sentindo o corpo do ruivo em suas mãos. Ele segura a carne das nádegas de Taehyung e sente o calor dali, a pele macia do outro parece a de um pêssego. Ele sobre a mão até chegar às costas do garoto e aperta as unhas curtas ali deixando algumas marcas. Taehyung solta um gemido baixo e morde o lábio inferior do garoto. Uma de suas mãos solta o rosto do moreno e desce até suas costas onde também explora o corpo do outro.

As costas dele têm músculos bem marcados, bem trabalhados, bem mais que os seus. A mão desce um pouco mais chegando à cintura dele que acelera a respiração a cada centímetro que seu corpo é explorado pelo ruivo. A nádega dura, firme bem trabalhada na musculação diária da academia se contrai quando o Kim a toca. Taehyung aperta a bunda de Jeongguk e sobe de volta até os fios negros dele terminando o beijo.

Ambos estão com os membros eretos e sentem a viscosidade que sai deles umedecendo seus abdomens.

− Eu nunca... fiz... isso Taehyung.

− Eu também não.

A única coisa que eles falam em meio ao desejo que sentem mostra que ambos estão ansiosos. Eles deitam no chão e continuam a se tocar, sentindo cada vez mais que a vontade de estar um dentro do outro aumenta. Jeongguk se vira e fica por cima do Kim observando a respiração ofegante do garoto. Ele olha o pênis duro e segura lentamente entre seus dedos. A imagem do garoto tomando banho volta e ele sente a fisgada em seu ventre novamente. A língua passa pelos lábios umedecendo o lugar e sem pensar ele a passa na glande do ruivo que contrai o abdômen.

A sensação de ter um pênis na boca é estranha e ao mesmo tempo sexy. Taehyung fecha os olhos sentindo prazer ao toque do outro que lambe toda a extensão de seu membro. Ele também está de olhos fechados e entregue ao mais intenso prazer que já sentiu. O pênis do ruivo escorrega em sua boca desliza em sua língua e invade sua garganta. O gosto ácido que sai da sua fenda misturada ao adocicado da bebida que ele ainda sente faz Jeongguk querer provar mais daquilo. Ele deixa a boca fechada, levemente apertada e controla as estocadas lentas que o outro desfere dando prazer a ambos.

A voz rouca de Taehyung gemendo excita cada vez mais o moreno que começa a se tocar. Ele procura seu próprio pênis e inicia uma masturbação. Em meio a gemidos e a boca de Jeongguk o ruivo sente que vai gozar. Ele rapidamente empurra Jeongguk de si e vai com a boca em direção do outro.

Taehyung o beija tentando controlar o que sente e o pênis lateja pedindo mais contato. Jeongguk encosta-se ao sofá atrás de si e sente a boca de Taehyung percorrer seu corpo. Ele desce a cabeça até o pênis do moreno e repete o ato do outro. A língua molhada e quente passa pela fenda do moreno que o faz gemer. As pernas dele tremem e Taehyung o chupa com força. Ele quer sentir o gosto de Jeongguk com rapidez. As fisgadas em seu ventre mostram que ele está perto de chegar ao seu ápice mais antes disso ele quer dar prazer ao moreno.

Os garotos parecem um pouco perdidos sem saberem direito onde tocar, como tocar, o que não os impede de tocarem como acham que devem um ao corpo do outro. Taehyung lambuza dois dedos enquanto chupa Jeongguk e os leva até o ânus do moreno. Ele toca o local e pressiona os dedos levemente enquanto intensifica o oral. Jeongguk geme alto ao sentir o contato em sua entrada e joga a cabeça para trás esperando por mais. Ele teme o que vai acontecer mais necessita de mais daquilo.

Taehyung invade o interior do moreno com seus dedos e sente o calor dele. O moreno geme por sentir um pouco de dor com a penetração e deixa um arfar desconfortável sair pela boca. O ruivo para de chupar o outro e senta no chão o puxando para cima de suas pernas. Eles se beijam novamente e Jeongguk olha nos olhos de Taehyung admirando seus orbes castanhos. Ele nunca tinha percebido o tom caramelo deles. O beijo se prolonga enquanto as mãos de Taehyung buscam por suas calças. Jeongguk separa o beijo e vê Taehyung puxar o tecido de jeans que usava e tirar do bolso uma camisinha. Aquele é o sinal de que realmente eles estão prestes a fazer sexo.

Jeongguk engole a saliva tentando buscar um pouco de sanidade de sua mente enquanto Taeyung coloca a peça de látex. Eles se olham novamente e o ruivo volta se ajeitar no chão puxando o moreno para suas pernas. Ele se posiciona ali e sente o pênis do outro bater em sua entrada. Ambos com tesão, ambos ansiosos, ambos com medo do que virá a seguir.

Eles se fitam e lentamente Taehyung invade o interior de Jeongguk que solta um gemido alto de dor ao ser penetrado. Ele agarra forte os ombros de Taehyung deixando marcas ali, a dor que sente é forte e ele fraqueja. O ruivo o beija no pescoço e passa o dedo em sua glande. Ao poucos eles começam a se mexer em meio ao desconforto e fazem sexo. Um sexo lento, um sexo com cheiro de bebida, nicotina e suor. Jeongguk está sendo invadido. Está sendo preenchido pelo membro duro de Taehyung que o estoca lentamente enquanto sua mão desliza o pênis dele masturbando em compasso com seus movimentos.

Eles sentem que vão chegar ao orgasmo juntos e Jeongguk deita a cabeça na curva do pescoço do Kim sentindo seu cheiro de morangos. Os movimentos ficam mais intensos, as unhas cravam na pele dourada, as respirações aceleram, marcas dos dedos do Kim ficam nas nádegas brancas de Jeongguk a cada sensação forte de prazer que o deixam maluco faz com que os dois gozem. O Kim tem o abdômen sujo pelo esperma de Jeongguk que sai fazendo o moreno jogar a cabeça para trás e ele sente seu interior ser preenchido pelo liquido do ruivo dentro da camisinha.

Cansados, suados, abraçados, eles terminam de gemer um no ouvido do outro e permanecem assim até que sentem que conseguem sair daquela posição. Deitados no chão lado a lado eles olham para cima e buscam acalmar as respirações.

− O que foi isso?

− Eu acho que a gente transou.

− Isso eu sei Taehyung, eu perguntei o que foi isso... o que aconteceu pra que a gente transasse.

−Acho que o nome disso é tesão.

− Eu nunca tinha feito isso, não com um homem, nunca.

− Eu também não. Relaxa Jeongguk, foi só tesão, bebida, estresse, sei lá dá o nome que você quiser.

Eles fitam o teto buscando entender o que aconteceu e principalmente justificar o que fizeram. Taehyung levanta e pega suas roupas, ele veste peça por peça e se despede de Jeongguk que também se veste. O moreno vai para seu quarto assim que o ruivo sai e deita na cama. Ele ainda está confuso com o que sentiu e levanta após pensar muito decidindo ir tomar banho. Após um longo e demorado banho Jeongguk deita na cama e acaba adormecendo.

Ao final da tarde do domingo o moreno acorda e a imagem do ruivo, de seu corpo nu e do sexo que fizeram vem imediatamente a sua cabeça. Ele pensa se fez isso pelo efeito da bebida e acha que sim. Na verdade ele nunca ouviu desculpa mais idiota, mas prefere achar que foi isso que aconteceu. O domingo passa e Jeongguk tenta não pensar mais nisso, decidido a falar com Taehyung e pedir que esqueça daquilo.

Na segunda feira ele vai para a escola e a namorada vem o beijar. O moreno se esquiva e quando vai dar uma desculpa qualquer ele vê Taehung chegar. Os dois se olham e se cumprimentam baixo. A menina os observa e sai indo para a aula assim que o sinal bate.

− Eu queria falar com você.

− Pode falar.

− Aqui não. Você vai ao bar hoje?

− Não sei, pode ser que sim.

− Então à noite a gente conversa.

Eles saem um para cada lado indo para as aulas do dia. O dia passa lento e os garotos se encontram algumas vezes pelos corredores. Um estranho constrangimento surge entre eles e ninguém parece perceber. O sinal toca e o dia de aula termina. No pátio como sempre Jeongguk coloca seu capacete e a namorada em sua garupa agarra sua cintura saindo com ele dali. Taehyung fuma encostado no carro e olha o casal passar indo embora. Ele joga a bituca do cigarro no chão e entra em seu carro.

É noite e Taehyung sai pelos fundos como já é de seu costume. Ele dirige lentamente aproveitando a noite gelada e chega ao bar onde vê a moto de Jeongguk estacionada. O ruivo entra e procura o moreno que está em uma mesa de canto. Ele o vê e segue até lá.

− Quer falar comigo?

− Senta, por favor.

Jeongguk bebe tequila e já tem uma garrafa na mesa junto com um copo a mais para Taehyung. O ruivo puxa a carteira de cigarros e acende um pegando o copo que o outro serviu para ele.

− Pronto já estou aqui, já estou bebendo agora fala.

− É que eu queria esclarecer o que aconteceu ontem, não sei bem o que foi aquilo mais quero que você saiba que não sou gay e que isso nunca mais vai voltar a acontecer.

− Ah era isso? Jeongguk já te disse, relaxa, aquilo foi efeito da bebedeira. Isso aqui tira qualquer um da sua normalidade.

Taehyung justifica bebendo mais um gole da bebida que desce ardendo em seu interior.

− Eu também não sou gay então tudo certo, você esquece e eu também.

Eles batem um copo no outro como se selassem um acordo de confidencialidade e mudam de assunto. A noite passa e assim algumas subsequentes. Cada vez que os dois se encontram na escola eles se fitam e se cumprimentam como se nada tivesse acontecido. As noites no bar são iguais: bebidas, cigarro e conversas sobre diversos assuntos. Aquilo, aquele assunto estranho, nunca mais surgiu entre eles.

Até que em uma noite Taehyung estava sozinho em casa e convidou Jeongguk para conhecer sua residência. Eles iriam sai do bar rumo à casa da família Kim. Nessa noite eles não beberam só conversaram e o moreno ouviu mais uma vez Taehyung tocar seu sax. Jeongguk subiu na moto e Taehyung que tinha ido sem carro foi na sua carona.

Eles chegaram à casa do ruivo e entraram. Jeongguk viu que a casa não era tão grande como a sua, a sala tinha apenas um sofá branco que fazia a curva na parede. Essa pintada de um azul anil tinha cortinas esvoaçantes, brancas com poás pretos, que cobria toda a janela, também tinha algumas pinturas como na sua casa. Uma televisão extragrande e um aparelho de som com grandes caixas de som em um canto. Um abajur comprido em tons de azul e o porta chaves.

No andar de cima ficavam os quartos que o Kim fez questão de mostrar ao outro. Um era o quarto de seus pais, outro era quarto de sua tia que morava com eles, o lavabo em comum de todos e o quarto dele. Eles entram e o moreno pode ver onde o garoto de cabelos vermelhos dormia.

As paredes do quarto do Kim tinham uma coloração verde azulado. O colchão de casal que ficava bem no meio do quarto estava em cima de um pequeno tablado. Os lençóis verdes com os dois travesseiros em capas verdes escuras, uma coberta dobrada milimetricamente por cima, branca como um algodão, e em um canto uma mesa baixa com as pernas cortadas e pregadas em xis. O abajur multicolorido deixava o ambiente com cara de quarto de criança junto de uma almofada de coração que estava jogada ali.

Nas paredes algumas partituras emolduradas e um sax pendurado mostrando o amor do garoto pela música. Jeongguk entrou ali e ficou parado tentando entender aquelas linhas cheio de símbolos “extraterrestres” mais que ao mesmo tempo eram muito bonito de olhar.

− Essas são as partituras das músicas que você compôs?

− Quem me dera. Essas eram do meu avô, ele tocava todas elas no piano pra mim quando eu era pequeno. Foi ele que me viciou em música.

A voz do Kim era suave ao falar do seu avô e isso surpreendeu Jeongguk que nunca o tinha visto assim. Eles seguiram olhando-as e o ruivo se afastou pegando alguns cadernos onde ele escrevia suas músicas sentou na ponta da cama e mostrou para o moreno que não entendeu muito bem mais adorou ver uma por uma. Em meio aos papéis e explicações do garoto Jeongguk sentiu novamente uma vontade insana de beijar os lábios do outro.

A boca dele se mexia lindamente cada vez que pronunciava as palavras e terminava sempre com a língua a umedecendo. O sorriso no final de cada explicação sobre o velho senhor Kim que o mostrou o quanto a música pode transmitir a paz, acalmar os corações ou até mesmo deixá-los mais acesos fez o moreno agarrar o rosto dele e puxar de encontro ao seu selando seus lábios. Os dedos enlaçados nos fios vermelhos e a boca desejosa pela sua mais uma vez venceu o constrangimento e eles cederam à vontade de se entregar um ao outro de novo.

Beijos, abraços, pernas que se encontravam já nas cinturas uma do outro. Bocas molhadas pelos beijos afoitos, mãos que percorriam os corpos e em minutos eles estavam nus iniciando o que fizeram aquela noite. O sexo quente que era intenso, a boca do Kim que deixava Jeongguk gemer alto quando o sugava freneticamente, os dedos longos que percorriam sua pele marcando alguns lugares com uma pegada um pouco mais forte.

Taehyung mais uma vez teve Jeongguk entregue a si, mais uma vez ele invadiu o corpo do moreno que aproveitou as mais diversas sensações que o outro lhe dava. Pênis duro, estocadas profundas, mãos cheias de esperma e gemidos sôfregos, o cheiro deles impregnava o quarto de Taehyung em mais uma entrega ao sexo forte que faziam.

Depois disso eles não tinham mais desculpas, eles não tinham bebido nada e não podiam colocar a culpa na noitada no bar. Eles se olharam e tiveram que admitir que fizeram sexo por que sentiam uma atração muito forte um pelo outro, o prazer que se proporcionavam era imensurável e incomparável.

Jeon não era gay, Taehyung também não. Eles não sabiam explica o que aconteceu, o que acontecia cada vez que estavam perto e sentiam o calor do corpo alheio. Eles só sabiam que queriam mais daquilo e assim fizeram.

Na escola eles agiam naturalmente como sempre agiram, um ignorando a presença do outro, as vezes que se encontravam frente a frente eles se cumprimentavam e cada um seguia seu caminho. No bar à noite eles conversavam e bebiam juntos e quando saiam dali tinham noites quentes em motéis baratos.

O tempo passava e Taehyung fodia o corpo, e a mente, de Jeongguk sempre que podia. Eles desejavam cada vez mais estar junto um do outro, desejavam cada vez mais o corpo um do outro.

− Meus Deus Jeongguk você vai acabar comigo. Por que você tem que ser assim tão gostoso.

− Você que é insaciável.

O desejo deles aumentava na mesma proporção que a vontade de compartilhar a vida juntos. Eles não desejavam só o corpo um do outro, à medida que os dias passavam e a convivência aumentava eles desejavam cada vez mais poder fazer parte da vida um do outro. Jeongguk ficava cada vez mais distante da namorada que já não reclamava mais da ausência do moreno. Eles não transavam a tanto tempo que a garota já se considerava solteira. Na escola ele e Taehyung começaram a não esconder a amizade dos demais alunos.

Agora eles eram a dupla de garotos mais popular entre as meninas que suspiravam quando os dois passavam rindo e às vezes sorrindo um para o outro. As horas debaixo das arvores aproveitando a sombra que elas faziam era compartilhada por eles, os cookies que o Jeon tanto gostava de comer agora eram divididos entre eles. Os banhos demorados com a escola já fechada eram de sexo e carinho.

A amizade colorida dos dois se fortaleceu e o ano escolar chegou ao fim. A formatura estava perto e a ida para a faculdade já tinha data marcada. Os dois se tornaram inseparáveis durante esse ultimo ano na escola fazendo que Taehyung deixasse até a banda que tinha com os amigos de lado e terminasse com a namorada. Taehyung tinha planos de ir morar no campus e Jeongguk também, eles não iriam para a mesma faculdade nem fariam o mesmo curso o que não impediria os dois de continuar a se encontrar sempre que possível.

Em uma tarde de sexta feira, após o último preparativo da formatura que seria na segunda, Jeongguk pediu para Taehyung se encontrar com ele no bar de motoqueiros. Lá era o lugar onde eles começaram a ficar amigos e ele tinha um pedido a fazer ao ruivo. Taehyung marcou de ir à noite por que sua família tinha que terminar de resolver alguns assuntos referentes à sua ida para a faculdade. Os garotos se veriam então mais tarde.

Jeongguk estava decidido a pedir Taehyung em namoro oficialmente, eles nunca disseram um ao outro o que sentiam e o moreno achou que com a separação por causa dos estudos esse era o momento certo para isso. Eles passariam as férias juntos, iriam viajar por alguns lugares, mas o moreno não conseguia mais esperar.

Ele queria gritar ao mundo que amava Taehyung, que era com ele que o moreno queria passar todos os momentos especiais de sua vida. Pela primeira vez sentia-se completo, ele sentia que podia sonhar em ter uma casa, ter alguém para dividir as alegrias e as tristezas do dia a dia. Jeongguk se preparou para ver o ruivo e dizer tudo isso a ele.

A noite chegou e já era tarde quando o carro de Taehyung parou em frente ao bar. Ele desceu depois de estacionar perto da moto prateada do Jeon. O ruivo caminhou lentamente até lá e entrou vendo o moreno sentado na mesa de canto que eles adotaram como seu canto preferido do lugar. Ele parecia nervoso, sacudia uma das pernas e esfregava as mãos. O ruivo sorriu ao ver o outro e este vendo que ele chegou sorriu de volta.

Jeongguk usava uma calça que Taehyung adorava, era um jeans branco rasgado nas pernas que mostrava discretamente as coxas grossas, uma camisa azul escuro solta, mas que marcava o peitoral trabalhado e os braços fortes. O ruivo salivou ao ver o outro e caminhou até ele rápido e quase o beijou ali mesmo.

− Oi, sabia que você está muito provocante hoje?

− Espero que sim por que hoje vai ser uma noite especial.

Eles se olharam com o desejo estampado no rosto. O moreno pegou Taehyung pela mão e eles saíram dali. Na rua eles já me beijavam com fúria e as línguas quase não se continham dentro das bocas. Os corpos esfregavam-se um no outro e eles caminhavam com dificuldade pelo contato que não separavam.

Taehyung pediu que Jeongguk fosse com ele no carro e seguiram saindo dali para um lugar mais intimo. No caminho o moreno agilmente tirou o cinto de segurança e abriu o zíper da calça preta que Taehyung usava. Com a mesma agilidade que fez isso ele retirou da cueca apertada do outro o pênis que já mostrava a ereção que ele tanta gostava e iniciou um oral.

A boca do mais jovem engolia todo o membro do garoto que mal conseguia dirigir entre um gemido, um puxão de cabelos e uma contração na pélvis.

Eles chegaram a um motel mais chique que de costume e entraram pegando a chave de uma suíte que já estava reservada. O moreno sorriu ao ver que Taehyung tinha preparado algo para si. Eles entraram no quarto em meio aos beijos, caricias e já tirando um a roupa do outro. O desejo e o tesão só aumentou com o tempo e isso eles teriam de sobra. Tempo. O ruivo reservou o quarto para o final de semana e pediu também champagne e algumas frutas.

A cama era redonda com lençol de seda vermelho intenso, nos travesseiros tinham camisinhas coloridas, de diversos sabores e um kit de gel para todos os momentos que viriam. Alguns itens extras também foram cuidadosamente solicitados para o quarto.

Ali tinha uma jacuzzi com água quente, uma sauna e uma mini pista de dança. Tudo para proporcionar mais diversão a eles. Os dois transaram em todas as partes do quarto. Eles entraram na sauna e na jacuzzi onde o moreno mostrou que conseguia provocar o Kim mesmo debaixo d’água. Na sauna eles transaram suando junto com o vapor que fez Jeongguk gemer mais do que nunca. Eles dormiram, riram, comeram, tudo juntos e Taehyung em momento algum demonstrou estar distante, mas seu pensamento não estava totalmente ali.

Ele não podia negar que estava preocupado com a tal ida para a faculdade, então escondeu isso do moreno que parecia estar muito feliz.

Jeongguk falava sobre a ida para a faculdade, sobre a distância que ficariam um do outro e como fariam para diminuir isso quando se vissem. Jeongguk não percebeu que o olhar de Taehyung ficava distante, perdido cada vez que ele falava nos dois como “nós”. Então quando eles estavam quase prontos para ir embora, deixar aquele mundo perfeito que criaram ali por dois dias Taehyung pediu a Jeongguk que sentasse um pouco, ele queria falar algo sério com o moreno.

− Jeongguk eu quero te dizer uma coisa.

− Eu também quero.

Por favor, me deixe falar primeiro. – Taehyung pediu baixo e parecendo estranho -Eu não sei como dizer isso, mas você sabe que vou para longe daqui e que essa relação vai ficar complicada de sustentar – o ruivo falava olhando as mãos deles juntas, com os dedos entrelaçados – então eu quero te dizer que isso acaba aqui, hoje.

Jeongguk que sorria esperando talvez ouvir do ruivo o mesmo que pretendia dizer aos poucos foi desmanchando a expressão e ficou sério, quase como se não acreditasse no que ouvia. Taehyung continuava a falar sem olhar no rosto do moreno que acreditava cada vez menos no que ouvia.

− Eu não sei o que deu na minha cabeça, eu não sei por que me envolvi tanto com você. Foi bom, foi intenso mais acabou. Eu vou para a faculdade e você também. Não somos mais crianças e sabemos também que não somos gays. Eu nunca me imaginei tendo algo com um homem, nem nada além do que tivemos esse ano e sei que você pensa igual. Foi bom mais foi só uma experiência sem um significado maior para nós. Você vai viver sua vida e eu a minha.

Jeongguk soltou a mão do ruivo e se controlou para não chorar. Ele nunca chorou por alguém e não seria agora que faria isso. Não por ser homem, não por ser frescura, ele não encarava a vida dessa maneira, ele simplesmente não queria mostrar a Taehyung o quanto estava doendo ouvir tudo aquilo.

E... eu também acho Taehyung, eu também ia dizer isso a você. – a voz dele saiu firme e tranquila como se aquilo fosse o que realmente ele pensava. – Eu também acho que foi bom e que foi uma experiência... diferente. Mas como você disse “nós” não somos gays não é não tem por que pensar em algo mais sério depois desse ano. Você segue a sua vida e eu, bom eu vou seguir a minha como já tinha planejado. Minha faculdade é minha prioridade. Vou seguir meu sonho e cuidar da galeria da minha família.

Eles ficaram se olhando sérios, se encararam por um longo tempo e em nada lembravam aqueles dois que passaram dois dias se amando em momentos intensos e cheios de prazer. Taehyung levantou e foi em direção à porta, abriu e esperou Jeongguk passar por ela. No carro os dois não falaram nada até chegarem à frente do bar. Jeongguk desceu do carro vendo sua moto ali. Ele fechou a porta e se despediu do outro que também disse adeus e arrancou o carro.

Jeongguk foi para a moto e pegou seu capacete, sentou ali e colocou na cabeça deixando algumas lágrimas escorrerem pelo rosto. Ele saiu acelerando, consternado com tudo aquilo e foi para casa. Quando chegou o moreno foi direto para seu quarto e se permitiu então chorar todas as lágrimas que estava segurando. O garoto chorou por horas, deixou toda dor que sentia sair de seu peito. Afinal homens também sofrem, homens também choram, homens também amam.

Taehyung não foi à formatura, Jeongguk foi mais cedo para a faculdade depois que a viagem que ambos fariam juntos nas férias foi cancelada. Ambos se formaram e constituíram família. Jeongguk tem uma casa nova e administra a galeria de arte de seus pais depois que seu pai saiu em uma viagem pelo mundo com sua mãe. Ele tem dois filhos, Jeonhyun e Hyolin, e sua esposa é uma mulher linda. Ela tem cabelos castanhos, a boca carnuda, um corpo esguio e olhos negros. Até lembra ele mesmo em algumas situações.

Taehyung também se formou em administração. Ele cuida das empresas da família, tem uma casa em outra cidade longe dali. Casou com uma mulher mais velha que ele dois anos que foi escolhida pela sua família por ser herdeira de uma grande empresa assim como a sua. A mulher tem longos cabelos negros à pele branca e a boca parecendo um pêssego maduro, ela lembra em diversos momentos alguém que o Kim conheceu no passado. Eles têm um único filho de nome Taekwon que às vezes viaja com o pai, este que aprendeu a gostar de arte e mostra tudo ao garoto.

Às vezes em noites de sábado, naquelas noites em que estão sozinhos fazendo algo só deles, Taehyung e Jeongguk se lembram das noites no bar de motoqueiros que frequentavam, das noites de sexo intenso que tiveram e lamentam nunca terem podido dizer um ao outro o quanto se amaram.

Depois de deixar Jeongguk na frente do bar naquele domingo, Taehyung foi para casa obedecendo aos pais que descobriram seu caso com o moreno meses antes daquilo. Eles obrigaram o garoto a deixar Jeongguk até o final daquele ano, dizendo que seria uma vergonha muito grande para a família se ele assumisse esse romance. O pai disse que se o avô de Taehyung ainda estivesse vivo provavelmente se mataria para não ter de passar por isso, que o nome da família ficaria manchado por todas as gerações futuras e ele acabou acatando o que lhe foi mandado fazer.

Taehyung nunca disse a Jeongguk o quanto o amava e também nunca ouviu isso do moreno que foi disposto a falar tudo para ele naquele final de semana onde pela ultima vez se viram.

A vida de ambos seguiu e eles tiveram o que todo mundo sonha: uma vida em família feliz. Feliz para os outros, para mostrar a sociedade, mas que no fundo não era a vida que queriam para si. Eles queriam um ao outro, eles queriam ter ficado juntos e vivido tudo isso juntos. Mas o que podiam fazer eles eram Apenas Dois Garotos...

8 июля 2018 г. 1:57:30 2 Отчет Добавить Подписаться
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Kim Sakis Army com orgulho, Taehyung Stan por amor, TaeKooka de coração♡

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vitoria chan vitoria chan
Nem todo romance é 'para sempre', e muito menos são todos os que acabam em um final feliz. Muitas vezes nós só esperamos ser o que a sociedade quer e esquecemos que nosso futuro cabe somente a nós decidir. Infelizmente 'ela a tal' não se importa tanto assim com a nossa felicidade, "o importante é alguém ganhar à suas custas" . É difícil encontrar alguém que preze de verdade pela sua felicidade sem importar-se em abrir mãos de coisas nem tão importantes do mundo só pra te ver feliz. A realidade que você conseguiu retratar nesse final moça, juro pelos céus, dói e me faz querer chorar! Amei essa história, caramba <3 ;-;

  • Kim Sakis Kim Sakis
    Nossa que conclusão maravilhosa tu chegou com o final da minha estória. Obrigada por ler e compartilhar conosco teus sentimentos em relação a ela. Desculpe pelo sofrimento mas tentei retratar a vida como ela é 💜💜 July 09, 2018, 11:48
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