Bad Medicine Подписаться

jungdae jungdae

A adrenalina é como um beijo ainda não experimentado, Jeongguk bem sabia disso quando aceitou conhecer o perigo fora de casa. Era como se, agora, o sangue só circulasse quando a pele queimava sob os olhos afiados da perdição em pessoa. Kim Taehyung nunca foi um exemplo para ninguém, e jamais teve o direito de se tornar o veneno daquele garoto. Mas ele nada podia fazer contra a sua natureza: era um remédio ruim para qualquer paciente da ilusória liberdade, e provou-se assim quando consumiu da alma do Jeon e a destruiu. Afinal, o veneno que corria em suas veias era a âncora em meio a um naufrágio. E Jeongguk, bem, ele se afogava. {taekook | gang!au | policial | long-fic}


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Venda sua alma


Eu preciso de um gângster
Para me amar mais
Do que todos os outros amam

— Kehlani; Gangsta



Jeongguk sentiu os fones de ouvido que tocavam o hino Ride do Twenty One Pilots baterem contra seu peito quando ele, contra sua vontade, teve que fazer impulso para poder jogar os inúmeros lençóis amarrados uns nos outros para fora de sua janela.

— Ai, caralho — Praguejou quando Soshi, seu cachorro barulhento, começou a latir no gramado com a movimentação estranha vindo da janela do segundo andar. — Quieto! — Jeongguk mais sussurrou do que gritou, gesticulando com o dedo indicador sobre os lábios para o labrador, indicando que ele ficasse quieto, pois, caso seus pais acordassem, ele estaria em uma situação nada feliz.

Jeongguk colocou novamente o fone em um único ouvindo, percebendo que a música que tocava, agora, era Stressed Out, outro hino. Enfim, ele tomou fôlego e colocou uma das pernas para fora da janela e, em seguida, segurou firme nos lençóis, torcendo para que sua cama ficasse bem onde ela estava e não arrastasse, fazendo com que ele despencasse em queda livre direto para a grama cheia de bactérias e xixi do Soshi. Jeongguk prensou os olhos com força quando o labrador latiu novamente e aguardou um instante antes de continuar descendo. Apoiava os pés na parede e descia as mãos pelos lençóis ao som dos latidos de Soshi. Cachorro dos infernos, deveria ter ficado com um gato.

Quando chegou, enfim, ao chão, olhou feio para o cachorro que agora arfava com a língua para fora com um olhar inocente. Jeongguk colocou as mãos na cintura, mostrando a língua para o animal de pelos amarelos. O cachorro tombou a cabeça para o lado, como se não entendesse a ação do dono.

— Você vai ficar sem ossinho de borracha — Jeongguk falou e empinou o nariz, cruzando os braços e indo para o portão cheio de ferrinhos pontudos em cima e em baixo, proteção extra do senhor Jeon, muito preocupado com todos. Jeongguk então, deu de ombros e foi rapidinho em direção ao portando, mas quase gritando de dor logo em seguida quando percebeu que sua calça havia prendido em um dos ferrinhos e o maldito havia rasgado o tecido e um pedaço de sua pele também. — Maldição! — Praguejou novamente, mas o que poderia fazer?

x

Jeongguk olhou o horário em seu celular pela quinta vez, mordendo o lábio inferior quando constatou que haviam se passado apenas dois minutos de busca. Tinha que se acalmar; precisava, ou de nada adiantaria tudo que fez nas últimas duas horas. Não que ele estivesse se culpando pela burrice que cometeu, na verdade, ele sentia um calor estranho subir pelo estômago sempre que se recordava que aquilo era uma completa loucura. E não poderia estar mais feliz com isso.

Socou o aparelho no bolso da calça que não usava há tempos, tentando se acostumar àquele tecido deveras grudento. Não estava nada acostumado com aquele tipo de roupa, porém era um sacrifício que estava fazendo em defesa à sua rebeldia, que parecia borbulhar em suas veias cada vez mais selvagem. Sim, ele seria ousado o suficiente para soltar uma gargalhada em meio às batidas altas; a liberdade que desfrutava nesta noite estava lhe subindo a cabeça rápido demais para sequer processar onde realmente estava.

Porém, estaria mentindo se dissesse que não estava assustado. Para onde Jeongguk olhava, havia pessoas em situações constrangedoras demais para serem descritas; caras com tatuagens demais sendo expostas pela falta de camisetas decentes no corpo; bitucas de cigarro preenchendo a grama rala, que era insistentemente pisoteada quando alguém resolvia dançar ao som de The 1795. Carros e motos se aglomeravam em uma ordem que só eles entendiam, roncando os motores potentes tão alto quanto as batidas do vocalista eufórico.

Jeon Jeongguk cruzou os braços ao redor do corpo, a jaqueta — que praticamente furtou de dentro de um dos guarda-roupas sem uso de sua mãe — fazia um bom trabalho em manter o mínimo do frio longe de sua pele. Vez ou outra, a perna direita o lembrava que tudo era real: uma dor pigmentada pelo frio do verão se deteriorando em sua coxa. Não se arrependia, disso ele tinha absoluta certeza.

Entretanto, talvez sentisse um certo remorso por ter amarrado os velhos lençóis de sua avó em nós fortes e jogado a corda improvisada pela janela de seu quarto, pulando antes de uma última olhada em sua casa. Bom, o resultado foi a calça rasgada e um pequeno corte na perna, que era o que causava a dor. Era até engraçado ele se dar conta de que havia fugido de casa, em uma sexta-feira nublada, e tudo para provar a si mesmo de que não precisava das regras do seu pai. Não precisava viver pela janela do seu quarto, observando enquanto o tempo passava e o congelava naquela prisão sufocante.

E foi por isso que atendeu ao pedido desesperado de seu amigo, Jung Hoseok, para marcar presença naquela festa, que muito provavelmente era ilegal. Seria o primeiro passo para mostrar que já estava muito grandinho para dormir às 21h em ponto. Mas toda vez que um corpo embriagado quase o levava ao chão pela força das trombadas, o Jeon pensava em dar meia-volta e se refugiar em algum buraco cavado pelo próprio desespero.

Só que era uma promessa a Hobi… Se ele conseguisse encontrar o tapado antes de ser morto. E ele até havia colocado uma roupa que considerava maneira para aquela ocasião pós-fuga, mesmo que não estivesse se dando bem com o couro sintético.

Rolou os olhos mais vez pelo aglomerado de pessoas contidas ali, tomando a noção de que estava mesmo em um ambiente nada apropriado para um menor de idade, mesmo que Jeongguk já tivesse seus dezenove anos, porém seus pais estavam presos em um eterno passado, onde o rapaz ainda possuía seus dezesseis e comia cereal no café. Não que ele ainda não comesse o desjejum mais famoso do mundo, ele realmente era um grande apreciador dos cereais, mas não deixava isso explícito para ninguém, pois um adulto de dezenove anos não é bem visto ao comer bolinhas de chocolates com leite toda manhã.

Voltando para a festa, o Jeon acabou esbarrando com um cara aleatório que segurava algum tipo de bebida com um cheiro forte de álcool, esta que foi direto em sua blusa azul marinho que fora a mais descolada que achou em seu armário, mas, cá entre nós, o descolada era apenas a denominação do estilo, pois aquela camisa grudava em seu corpo como um plástico, o que acabou evidenciando mais ainda o molhado que se formou ali por conta do drik derramado em si. O homem que esbarrou em si nem ao menos pediu perdão, estava bêbado demais para isso, ou seja, passou direto e continuou a cantar somebody else como um louco.

Jeongguk praguejou, se sentindo deveras azarado, afinal, nem tinha dez minutos de festa e já estava sendo banhado por bebidas alheias e cheiros desagradáveis e fumaças estranhas em seu rosto. Bufou irritado, seguindo caminho em meio a multidão, mesmo com a camisa molhada e grudando em seu abdômen. Ele viu que algumas pessoas dançavam em uma espécie de barraca sustentada por quatro pilares e uma lona branca. Jeongguk ia até lá na esperança de encontrar Jung Hoseok, claro, no passado, pois seus olhos se fixaram em uma figura estranhamente bonita.

Nunca foi normal ele se sentir ser observado por minutos inteiros, assim como foi novidade sua capacidade de saber quando estava sendo secado descaradamente. Um arrepio estranho subiu em forma de calor por sua coluna quando os olhos esbarraram por acidente na origem da sensação nova, sentindo algo estranho quando o castanho febril se cravou no escuro de suas próprias íris. Jeongguk não sabia por quê, mas quase sorriu quando o estranho em seu campo de visão se remexeu com um sorriso pintando em seus lábios retos, ajeitando-se em sua moto que havia sido percebida só agora pelo adolescente.

A música que ressoava nas caixas de som era tão desconhecida quanto a figura impactante do rapaz há alguns metros de Jeongguk, combinando perfeitamente seu ar forte com o preto de suas roupas, porém, o que mais instigava a vontade de sair correndo dali era o cigarro aceso em uma das mãos, enquanto que a outra era preenchida por uma latinha de alguma bebida desconhecida demais para o adolescente.

A cabeça do Jeon se encontrava uma bagunça, sentindo o estômago se revirar com o sorriso indecifrável do outro e as mãos suarem em um pedido mudo para que continuasse à procura de Hoseok. Entre essas alternativas, era certo que o moreno escolhesse a companhia do amigo, mas quando viu o outro sorver o restante da bebida e jogar a latinha na grama em um movimento rápido, Jeongguk não pôde fazer muito contra a tragada forte no cigarro feita pelo desconhecido, enquanto este lhe sorria ardente com o pedaço de morte entre os lábios.

Em um movimento rápido, Jeongguk voltou a abraçar o próprio corpo, decidido a esquecer que quase flertou a partir de olhares com um cara que fumava, dando o primeiro passo em direção a tenda de outrora. Entretanto, uma mão repousou em seu ombro, e tudo que fez foi morder o lábio inferior em uma maldita mania antes de se virar e dar de cara com os mesmos olhos perigosos de segundos atrás.

E tudo que pôde fazer foi ficar ali, passando as unhas curtas insistentemente pelo couro velho de sua jaqueta, provavelmente indefeso demais contra o castanho à sua frente. Jeongguk percebeu apenas uma tatuagem em um dos lados do pescoço, parcialmente coberta pela jaqueta que usava, e apenas, pois no momento em que se prendeu ao olhar do castanho, o resto se tornou impossível de reparar. Assim como não reparou na risada baixa alheia, nem que o outro jogou o cigarro no chão, apagando a bituca rapidamente em meio ao silêncio dos dois corpos: Jeongguk sem saber como iniciar uma conversa e o outro risonho demais para quebrar o clima inicial.

— Bonita jaqueta.

O Jeon piscou os olhos, meio curioso em meio ao som de Heathens, tentando não pensar que estava escutando coisas demais.

— O quê? — Foi o que conseguiu responder, com medo de que talvez tenha falado baixo demais ao perceber o outro se aproximando ainda mais.

— Eu disse que sua jaqueta é bonita. — Ele sorriu e Jeongguk acenou com a cabeça mecanicamente. Tinha um sorriso bonito.

— Obrigado… É da minha mãe — informou, logo se arrependendo da burrada quando o sorriso alheio se transformou em uma gargalhada.

Coçou a bochecha, querendo cavar um buraco o mais rápido possível.

— Sua mãe tem bom gosto, então. — Ele pareceu sincero quando ofereceu uma expressão suave, logo enfiando as mãos nos bolsos. — Está perdido? Não é bom andar desacompanhado por aqui.

Jeongguk poderia ter rido e avisado que, sim, ele estava completamente perdido; entretanto, talvez fosse aquilo que ele gostaria de verdade: estar tão imensamente sem caminho que chegaria a rir de felicidade. Mas seria tolice pensar dessa maneira, e com uma rápida olhada à sua volta, o Jeon voltou a acreditar que estar sozinho justamente ali era mais perigoso que qualquer limite traçado pelas regras de seu pai. Em um suspiro pesado, deixou que o frio o fizesse companhia novamente, sentindo a dor na perna aumentar o suficiente para que o adolescente se lembrasse dela.

Estava ferrado ali.

O outro apenas observava todas as ações do rapaz, se divertindo com o olhar curioso que ele tinha quando buscava alguma coisa pela confusão de corpos. Para ele, estava claro desde o início de que se tratava de um estudante, e estaria completamente ferrado caso se deixasse levar. Todavia, algo em sua consciência fajuta pareceu pesar mais do que deveria ao imaginar o garoto se encaminhar para a área da tenda; ele sim estaria assinando sua provável morte caso pisasse lá, então, como se fosse um senso de proteção que brotou de sabe-se lá onde, o mais velho se livrou com maestria do seu círculo de amigos para interceptar o garoto antes que tragédias maiores acontecessem.

A primeira tragédia era o fato de um cara muito novo ter ido para aquela festa; a segunda seria caso ele se encontrasse com as pessoas erradas. O mais velho riu desse pensamento, atraindo novamente a atenção do mais baixo, percebendo que talvez ele mesmo quisesse estar ali. O que era um puta de um problema.

Bufou enquanto pensava, alcançando o bolso traseiro da calça e resgatando um dos últimos filtros de um cigarro vagabundo que pegou de alguém mais vagabundo ainda, acendendo-o com habilidade. Pensava melhor com a companhia da nicotina, era fato, por isso não se incomodou ao tragar fortemente sob o olhar atento do adolescente. Sorriu divertido, liberando a fumaça lentamente entre os dois.

— Sua mãe não sabe que está aqui — afirmou, o que fez com que Jeongguk apenas abaixasse o olhar. Tinha sido pego. O outro soltou um resmungo, bagunçando os fios de cabelo com a mão livre. — Tem quantos anos? Dezesseis? — Riu quando o mais novo o olhou com certa raiva, dando de ombros e tragando o filtro.

— Por que quer saber? — Jeongguk perguntou, talvez um pouco desconfiado com o interesse repentino do outro.

— Porque se der alguma merda, não quero parar na cadeia por influenciar um menor de idade — explicou ironicamente, perdendo um pouco da paciência quase nula que tinha.

Jeongguk mordeu o lábio inferior, arqueando as sobrancelhas diante daquela resposta. Ele não era menor de idade coisa nenhuma, então não tinha com o que se preocupar. Apertou os braços, mudando o peso do corpo com um suspiro. Hoseok o havia abandonado, e tinha plena consciência que estava jogado aos lobos naquela festa. Talvez, na próxima vez, não encontrasse alguém aparentemente gentil como o castanho, mesmo que ele não escapasse do julgamento do menor.

— Era para eu me encontrar com alguém, e talvez quebrar uma ou duas regras dos meus pais… — fechou os olhos, só agora percebendo que foi inconsequente demais para ser movido por uma simples discussão em casa.

Esperou que o mais velho falasse algo, porém com o silêncio entre ambos, Jeongguk encarou-o, vendo aquele mesmo sorriso de antes adornar em seu rosto, parecendo não estar abalado com a confissão do mais novo.

— Ah, a época da metamorfose — foi o que disse, risonho. Quando viu que o mais baixo parecia não ter entendido, revirou os olhos. — Sabe, a fase onde os garotinhos fazem de tudo para não andar na linha. Pelo que ‘tô vendo, a maneira que escolheu para gritar mais alto que seus pais foi fugir pra uma festa, certo?

O Jeon apenas concordou, meio pensativo com o que lhe foi dito. Então era normal que todos corressem para a primeira festa que soubessem? Talvez ele não fosse tão idiota assim.

— Acho que vou embora — comentou baixo, obrigando o mais alto a franzir o cenho.

— Sabe, você já saiu do ninho. Vai perder a oportunidade de voar?

Jeongguk não queria admitir que se sentiu tentado, mas aquilo tudo já estava bagunçado demais, sem contar no possível machucado em sua perna, que nem teve a chance de verificar. Acenou negativamente com a cabeça, recusando veemente.

— Eu não tenho com quem ficar aqui, então prefiro levar bronca mais cedo.

O outro lhe sorriu confiante, estalando o pescoço audivelmente, e só assim o Jeon pôde observar com mais atenção os traços coloridos destacados na pele do pescoço alheio. Estava curioso sobre o desenho, e o outro percebeu, desconcertando o mais novo com o ar risonho estampado em seu rosto.

— Eu te guio pelos vômitos, não precisa se preocupar. — O adolescente avaliou a proposta, sorrindo descrente no final.

A verdade era que Jeongguk queria manter distância de qualquer pessoa naquele local, e o mais alto cheirava a problema, ele sabia.

— Não sei nem o seu nome, como quer que eu tenha certeza de que não vai me enfiar uma faca? — argumentou, talvez parecendo menos sério do que o recomendado.

Os olhos castanhos mudaram de súbito, irradiando um brilho irreconhecível para o Jeon. Era quente, mas ao mesmo tempo parecia lê-lo de dentro pra fora; pôde constatar isso quando o mais velho avaliou-o de cima a baixo, fazendo com que Jeongguk desviasse o olhar, constrangido pela incontável vez na presença do outro.

— Eu nunca enfiaria nada em você. — Jeongguk tentou, mas não pôde ignorar a conotação sexual presente na frase saída dos lábios finos, que agora eram umedecidos com uma língua despretensiosa demais para a sanidade do Jeon. — Você não vai conseguir sair daqui nesse horário; não vão deixar. Precisam ter certeza que todo mundo se divertiu o suficiente, não acha?

— Com se divertir você quer dizer ficar chapado e cometer crimes? — A risada de Taehyung era baixa e sarcástica, quase parecia um bufar, mas Jeongguk a achou incrível, principalmente quando ele lhe olhou intensamente e aquele arzinho de riso ainda habitava sua expressão.

— Talvez, mas não necessariamente tem que significar isso pra você. É bonitinho demais para ir para a cadeia. — Taehyung piscou, olhando em volta e já sentindo falta da nicotina em suas veias.

— Bonitinho? — Franziu o cenho, por um instante olhando suas roupas, mas logo erguendo o rosto e vendo que Taehyung lhe olhava com a mesma expressão de outrora. — Esquece. — Disse, vendo que não teria uma resposta.

— Vamos lá, eu te ajudo a se sentir em casa. — Dizendo isso, Taehyung indicou com o queixo a direção para qual iam e Jeongguk, sem muitas alternativas desde que o cheiro de cigarro e perfume masculino de Taehyung havia se estabelecido em suas narinas e ele já estava se deixando levar pela voz grave e sonoridade rouca.

Jeongguk meio que deu de ombros, começando a andar ao lado de Taehyung. Observava as pessoas caírem de bêbadas, drogadas ou seja lá o que for, beijar bocas com o libido aflorado, não dando a mínima para qualquer pudor e, claro, tudo que ele queria que aparecesse não vinha a sua vista: Hoseok.

— Não se preocupe, essa pessoa vai aparecer. — O rapaz ao seu lado disse com as mãos enfiadas no bolso da jaqueta de couro, as tatuagens coloridas reluzindo com a luz artificial e da lua sobre sua tez amorenada.

— Acho que ele me esqueceu — Jeongguk proferiu meio cabisbaixo, por mais que a vontade de mirar seus olhos em Taehyung fosse quase sobrenatural.

— Acho difícil. Você não parece ser alguém que esquecemos rápido. — Olhou para o rosto do mais novo com um sorriso de canto, logo piscando um dos olhos para ele na tentativa de vê-lo relaxar.

— Está enganado. Meus pais vivem me esquecendo e colocando de lado. Pra eles eu sou só o filhinho que eles levam para mostrar no almoço de domingo e se gabar com as minhas notas. — Taehyung riu com o aborrecimento do garoto, percebendo que Jeongguk era apenas um rapaz frustrado com a vida certinha que levava e que se dependesse dele ia conhecer muito mais do que cálculos matemáticos.

— Deixa eu adivinhar: te tratam como criança? — A face do Jeon se iluminou com a indagação do rapaz tatuado que andava ao seu lado e lhe ajudava a desviar de um corpo ou outro desorientado.

— Exatamente! — revirou os olhos — é tão irritante. Eu não sou mais um bebê. — Fez um bico que meio que quebrava aquele seu argumento e Taehyung riu.

— Tem razão, você já é adulto. — Taehyung incentivou. — Pode tomar suas próprias decisões, inclusive a de vir para essa festa e sair comigo mesmo sem me conhecer.

Jeongguk diminuiu um pouco os passos após ouvir a voz grave soar um pouco sarcástica, de repente sentindo frio novamente. Desviou o olhar, procurando por nada; talvez em seu âmago ele não estivesse realmente preparado para quebrar todas as regras que viveu seguindo em uma noite só. Ok, ele já havia fugido e respirado aquele ar nojento de nicotina e adquirido um ferimento doloroso em uma das pernas. Acompanhar um estranho era até demais, visto que se encontrava sóbrio o suficiente para saber que não poderia confiar nas pessoas.

Munido de coragem, levantou o olhar, pronto para recusar qualquer oferta que fosse ser oferecida para ele. Todavia, quando deparou-se com o mais velho o olhando fixamente, o cigarro pendendo de entre os lábios partidos, parecendo ainda mais vivos quando contrastados com o branco do filtro de nicotina, esqueceu-se completamente de suas inseguranças, inspirando fundo ao sentir dedos tocando em suas costas de uma maneira gentil demais.

O mais alto impulsionou o corpo do mais novo junto ao seu, em um quase abraço lateral antes de soltar a fumaça dos pulmões. Tirou o cigarro da boca, rindo minimamente ao perceber que o adolescente parecia sem reação quando enlaçou sua cintura de uma maneira supérflua, apenas o suficiente para que continuassem andando como anteriormente.

— Não precisa ter medo, garoto — iniciou, para que apenas o Jeon escutasse. — Se você ficar mais um minuto sozinho por aqui, aí sim poderá começar a temer por sua… — deu uma pausa, avaliando o garoto encolhido em seu próprio mundo. — Ingenuidade, talvez.

— Eu não sou ingênuo — Jeongguk protestou, as sobrancelhas erguidas em puro desconforto. Pôde ouvir mais uma risada; elas eram constantes quando se tratava do mais velho, pelo que pôde perceber.

— Claro que é. Não deveria estar aqui. — Apertou o abraço minimamente, o suficiente para que desviasse o corpo menor de um grupo de pessoas. — Você não sabe como foi péssima a sua ideia de sair logo hoje.

O Jeon sentiu o tom vacilar entre um aviso e, talvez, sarcasmo. Resolveu ignorar. Ele já havia saído do ninho, como o outro havia afirmado. Então, ele olharia o mundo; e foi com esse pensamento que algo se remexeu em seu estômago, o suficiente para fazê-lo de desvencilhar dos braços do maior e o encarar sério.

— E você? Deveria estar aqui? — Perguntou acusadoramente, um amargor subindo à boca quando viu o semblante do mais velho mudar drasticamente em resposta ao seu desafio.

— Onde mais eu estaria se não salvando sua alma?

O Jeon mordeu a língua, uma descarga de adrenalina correndo por suas veias. Ele não sabia mais se era certo dar conversa para quem mal conhecia; não sabia se era bom manter os olhos parados naquele rosto bem desenhado, e nem sentir as mãos coçando para que pudesse, ao menos, tocar aqueles fios rebeldes do outro. Quando o ar faltou, percebeu que havia prendido a respiração, e num ímpeto, ele sorriu pequeno.

O maior observou a curva do canto da boca alheia quando este lhe mostrou um riso sem dentes, tentado a desmanchá-lo apenas por lhe ter causado uma sensação que beirava à vontade de retribuir. Deu mais uma tragada, desviando os olhos e os perdendo em qualquer ponto que não fosse o mais novo.

— Qual seu nome? — Jeongguk foi impertinente o suficiente para expor sua curiosidade naquele momento. Aquele joguinho já o estava cansando, a bem da verdade.

O castanho olhou-o com os olhos afiados, parecendo pesar a sentença antes de jogar o último cigarro fora, amassando-o com o pé e soltando o resto da fumaça lentamente.

— Kim Taehyung — respondeu simplesmente, arqueando as sobrancelhas e esperando algo do Jeon, que apenas repetiu o nome baixinho, as sílabas saindo curtas de seus lábios em um ato quase sensual. — Acho que mereço saber o seu nome também, não acha? — Jeongguk olhou-o desconfiado, fazendo Taehyung estalar o pescoço e suspirar divertido. — Como posso andar com você sem te conhecer? Pode ser perigoso.

O menor riu do modo como o Kim havia falado, parecendo desacreditado com o fingimento alheio.

— É Jeon Jeongguk, e eu não sou menor de idade. — Fez questão de frisar a última parte, talvez por medo do castanho o abandonar ali, o que lhe parecia estranho de pensar.

— Ok, Jeongguk — Taehyung se aproximou perigosamente, levando a ponta dos dedos à franja desarrumada do menor, que apenas deu um passo para trás por instinto. — Quer sair comigo?

O adolescente prendeu o lábio inferior entre os dentes, meio incerto sobre aquilo. Ainda não havia encontrado Hoseok, e talvez ele estivesse em uma situação pior que a dele naquele momento. Respirou pesado, abraçando os próprios braços, com a consciência pesando.

— Tipo… um encontro? — Disse por fim, arrancando um semblante divertido do mais alto. Jeongguk quis morrer pela estupidez.

— Você pode chamar assim se quiser, Jeongguk. Te garanto que será o melhor encontro da sua vida. — Riu, puxando uma das mãos do menor e o conduzindo até o lugar onde estava anteriormente.

Jeongguk torceu o cenho, passando o olhar por entre os rostos estranhos que estavam naquela parte, se dando conta de que foi de onde Taehyung veio. Pôde observar diversas motos espalhadas, alguns caras sentados na garupa e gritando obscenidades que nem sabia da existência.

O Kim deu um leve puxão em sua mão, indicando com a cabeça algo atrás de si. O Jeon se aproximou, sabendo que havia mais pares de olhos nele do que queria; se sentiu um intruso quando, passando por Taehyung, deparou-se com uma moto grande demais.

— Essa é a minha criança. Olhe-a com carinho — Taehyung sussurrou arteiro em seu ouvido, seu peito encostando levemente nas costas do Jeon, que ignorou o arrepio na epiderme e focou os olhos na lataria praticamente coberta de uma tintura preta. Alguns poucos detalhes eram na cor vermelha, e o adolescente admitiu que a moto era mesmo bonita; a cor era bonita, e lembrava o seu dono, todo trajado em vermelho e negro. — A Fireblade não é tímida, Jeongguk. Não precisa ter medo.

— É que eu nunca… — Disse, gesticulando com as mãos.

— O quê?

— Andei de moto antes… — Abaixou os olhos, meio envergonhado pela revelação. Taehyung, ao contrário do que Jeongguk achava, não riu ou debochou de si, apenas repuxou os lábios em um mínimo sorriso.

— Normal para alguém como você, agora suba. — Jeongguk tentou ignorar o que “alguém como você” queria dizer quando viu o capacete que Taehyung segurava parar em suas mãos. — Não precisa ter medo, basta segurar bem forte. — Taehyung subiu na Fireblade e o mais novo percebeu que o Kim não usava nenhum equipamento de proteção a não ser a jaqueta grossa de couro que, no máximo, o asseguraria de não receber os efeitos do vento altamente gelado.

— Está sem capacete — Jeongguk disse e Taehyung riu pelo nariz.

— Coloque o que tem nas mãos e só vamos, estamos atrasados. — Arqueou as sobrancelhas, olhando para Jeongguk enquanto este tomava partido de fechar o prendedor do capacete em baixo do queixo.

O mais novo preparou-se para subir na moto, um mal-estar se formando na barriga, provavelmente pela loucura que estava cometendo. Um sorriso arteiro brotou em seu rosto sem permissão, e quando tomou coragem, sentiu o pulso ser enlaçado e o corpo puxado numa rapidez sobre-humana. Desnorteado, olhou para trás, o coração a mil quando reconheceu a cara emburrada do amigo.

Aonde pensa que está indo, Jeon? — Hoseok perguntou, de um jeito afobado, como se tivesse corrido uma maratona até ali. O peito subia e descia rapidamente, mas nada impediu suas sobrancelhas afiadas de se arquearem diante o semblante confuso de Jeongguk.

— Hoseok? — Foi o que murmurou, ainda meio desnorteado, rapidamente olhando para trás em busca de Taehyung, encontrando-o ainda parado em cima da moto, uma das mãos no guidão. — O que está fazendo aqui? — Virou-se para frente, os olhos meio perdidos.

O Jung soltou um xingamento, cruzando os braços no peito e alcançando o olhar para além do corpo do Jeon, crispando os lábios com a figura dissimulada do Kim a devolver o mesmo olhar.

— Eu é que te pergunto, perdeu o juízo? — O ruivo o repreendeu, ainda encarando Taehyung. Algo dizia a Hoseok que já havia o visto. — Disse para não conversar com ninguém, Jeongguk! E o encontro subindo na garupa de um estranho!

— Não é o que está pensando, hyung…

Jung Hoseok desviou as orbes para o Jeon, esperando que ele continuasse com a frase. Porém, o mais novo ali parecia ter engolido as palavras, mordendo furiosamente o lábio inferior.

— Já chega, eu entendi. — Jung suspirou, agarrando uma das mãos do moreno e o olhando estranho. — Vamos, devolva o capacete. Te levarei para casa antes que dê mais problemas.

Jeongguk pareceu acordar, piscando os olhos e se soltando de imediato do ruivo, ocasionando na surpresa do Kim, que continuava a assistir a cena com o cenho franzido. O mais novo deu alguns passos pra trás, procurando com as mãos algo que pudesse se apoiar. Foi quando um braço tocou de leve sua cintura, e Jeongguk suspirou quando sentiu o calor de Taehyung.

— Eu não vou agora, hyung. Bem… — fez uma pausa, hesitante. — Taehyung me chamou para sair. Acho que irá ser legal, sabe…

O ruivo desmanchou-se, instantaneamente, em uma cara indignada. Não podia acreditar que Jeongguk, seu querido dongsaeng, que mal conhecia o bairro onde morava, estava desafiando todas as ações sensatas de um ser pensante ao negar voltar para casa.

Bom, parte disso parecia ser culpa do Jung que, ainda detendo uma careta nada amigável, tentava convencer o Jeon a desistir daquela iminente fase rebelde.

— Jeongguk, com tanta gente nessa festa, você vai logo se tornar amigo da turminha das tatuagens? — Perguntou sôfrego, quase gritando com o rapaz.

Porém, quando viu o mais novo lhe sorrir daquele jeito único, apenas se deu por vencido e jogou as mãos para cima, orando em uma língua desinteressante demais para que alguém prestasse atenção no drama.

Taehyung sorriu quando o mais baixo lhe olhou duvidoso, aquelas orbes escuras parecendo rasgar todas as defesas do Kim. Jeongguk desviou o rosto, inspirando fortemente e percebendo os dedos das mãos tremerem com o nervosismo aparente.

— Atrasados para o que exatamente? — Disse, retomando o assunto de outrora, já subindo na moto e, instintivamente, circundando a cintura alheia com os braços, vendo-o ligar o motor da máquina.

— Se segura. — Taehyung tocou os dedos do Jeon o fez apertar ainda mais os mesmos contra seu corpo. Jeongguk engoliu em seco, esquecendo no momento da emoção que nem ao menos sabia para onde estava indo com aquele rapaz desconhecido.

Quando partiram em direção a qualquer lugar que Jeongguk não fazia a mínima ideia, o pensamento de rebeldia que estava em si esta noite lhe atingiu. Sorriu ao pensar que aquilo era mais do que proibido em sua casa. Andar de moto? Fala sério, seu pai o mataria se ao menos sonhasse com aquilo. Mas agora ele estava ali quebrando quase um livro de regras que seu pai havia lhe imposto.

Fechou os olhos e sentiu o vento bater contra as partes descobertas de seu corpo, podendo notar mesmo que parcialmente que Taehyung sorriu quando acelerou ainda mais o motor e percorreram a estrada quase deserta.

Jeongguk sentiu satisfação, sorrindo por estar se sentindo livre.

Como Taehyung havia dito, tinha saído do ninho e agora estava voando com os braços a enlaçar o corpo daquele homem misterioso.

Mesmo que Hoseok tenha quase o impedido, agora, tudo que conseguia concluir era no quão feliz estava ao recusar a mão do amigo e ter seguido o Kim irracionalmente. Porque Jeongguk já não sabia o que porra estava fazendo, e muito menos tinha ciência de quem ele mesmo era.

Parecia que algo sobrenatural havia se apossado de seu corpo, que era surrado pelo vento forte e pela sensação ilusória de satisfação. Agarrou-se ainda mais a Taehyung, um sorriso pincelando seu rosto quando enterrou o nariz na jaqueta do castanho, pensando no quão ferrado estaria se confessasse que o cheiro que invadiu suas narinas era delicioso demais.

Os cabelos lisos do mais velho serpenteavam em direções divergentes na exposição ao vento. Jeongguk perguntou-se se estaria tudo bem mesmo o Kim andar sem capacete, mas ao perceber o quão belo seus fios ficavam, agradeceu silenciosamente por poder sentir, mesmo que de uma distância segura, as mechas baterem sem força contra suas bochechas, causando pequenas sensações em sua pele quente.

Todavia, o Jeon estava irremediavelmente bem com a alta velocidade, e por estar consideravelmente mais alto na moto, em relação a Taehyung, era agraciado pela paisagem escura, que parecia não tomar forma ao passar dos minutos desde que abandonaram a festa.

Um rebuliço se instalou em seu interior, forçando-o a fechar as mãos em punhos, coisa que Taehyung percebeu. Os dedos gélidos de uma das mãos do mais velho alcançaram a mão cerrada do mais novo, assustando-o momentaneamente. Sentiu uma leve carícia, e até pensou em tentar se comunicar com Taehyung. Desistiu quando os olhos captaram um ponto luminoso à frente, e só reconheceu pessoas quando o Kim diminuiu a velocidade, suficiente para que Jeongguk se arrependesse de ter saído de casa ao escutar o som do metal tocando alto.

Quando Taehyung parou a moto por completo, Jeongguk contemplou a área deserta que os rodeava. Nada passava pela rodovia, e o único barulho que denunciava que havia algo ali era uma aparente festa. “Outra”, o Jeon ousou pensar, mas ao perceber algumas construções espalhadas estrategicamente — aparentemente, bares —, concluiu que aquilo estava mais para uma pequena vila deserta perdida no mapa. Rolou os olhos mais um pouco, o som alto de alguma banda de rock estalava enquanto ele identificava pessoas de sua idade, todos vestidos com uma jaqueta de couro e garrafas de cerveja passeando pelas mãos. As cores de cabelos eram uma característica marcante, e o mais novo até pensou que se tratava de um encontro de gente punk.

Porém, quando desviou os olhos de algumas garotas que saíam pela porta de um dos bares escuros, com a tinta das paredes lascando evidentemente, Jeongguk pôde escutar uma certa agitação, e de repente todos estavam levantando as mãos e gritando, ao escutarem o ronco alto de algumas motos que ele só percebeu estarem mais à frente, ao lado das caixas de som, que estavam sendo administradas por um cara de piercings no rosto e fios verdes.

— Não vai descer? — Piscou os olhos ao escutar a voz baixa do Kim, e se desconcertou ao perceber o corpo do mais velho praticamente virado de frente ao seu, um leve repuxar de lábios marcando seu rosto e os olhos cobertos de diversão.

O Jeon apressou-se em tirar o capacete da cabeça, passando os dedos do jeito que podia pelos fios, de repente percebendo que ainda se encontrava em cima da moto com Taehyung.

— Tsc, Jeongguk. Seu cabelo está ótimo — O Kim o repreendeu, levando uma das mãos aos fios negros e os bagunçando, sorrindo ao avistar a cara de poucos amigos que Jeongguk fez.

— Onde estamos? — Era a pergunta que assolava o Jeon, junto ao pequeno receio de descer da tal Fireblade e ser devorado por algum selvagem em busca de sangue novo.

Agarrou a cintura de Taehyung, apenas o suficiente para conseguir apoio e passar a perna por cima do banco, só se soltando quando tocou o solo coberto de terra com a ponta do pé. Ele odiava motos, e motos altas eram ainda piores, por isso, suspirou aliviado quando esticou as pernas em chão firme, só constatando que Taehyung não havia descido ainda quando escutou a moto ser ligada novamente.

Jeongguk quase gritou quando o Kim lhe lançou um olhar divertido, pigarreando quando observou as veias do pescoço do mais velho saltadas. Droga, Taehyung parecia mais um abismo inteiro de pontos fracos para o Jeon. O mais novo coçou a bochecha, agora estando verdadeiramente assustado quando o castanho lhe piscou, acelerando a moto apenas para o prazer de escutá-la produzindo aquele som, que para ele era incrível.

— Vai me deixar aqui? — Jeongguk soou meio desesperado, atraindo a atenção do castanho.

— Fique aqui um pouquinho, Jeongguk. Prometo que volto. — Aquilo não pareceu convencer o mais novo, que o olhou indignado. — Olha, eu preciso deixar a moto onde aqueles caras mal-encarados estão. — Apontou para frente e o Jeon seguiu a direção, avistando as motos estacionadas em fileira, perto do último bar esquisito. Acenou com a cabeça, franzindo o cenho. — Continue paradinho aí e não aceite cerveja, ok? Ninguém vai te morder, meu bem.

Taehyung arrancou, passando pelo meio das pessoas como se não tivesse medo de atropelar alguma pobre alma bêbada. O Jeon apenas balançou a cabeça, o frio se instalando em seu corpo e o obrigando a se encolher como um filhote de cachorro, perdido em uma matilha de lobos.

A música soava alto e Jeongguk jurava que labaredas de fogo eram acesas dentro de latões para uma melhor iluminação do terreno. Ele encolheu os braços dentro do casaco, sentindo um frio ainda maior do que quando estava na festa. Na real, queria que Taehyung voltasse logo de seja qual for o lugar para onde ele foi deixar sua máquina e ficasse ali consigo. Tudo bem que ele não era a melhor companhia de todas, nem a mais confiável, mas o rapaz tatuado que usava maquiagem preta nos olhos lhe fazia um bem que não lhe era familiar. Lhe deixava leve e lhe fazia pensar que ele poderia fazer qualquer coisa que quisesse. Mas, enquanto Taehyung não vinha, ele esperava.

— Está sozinho? — Jeongguk se assustou com uma voz grossa que ressoou à beirada de seus ouvidos. Ele virou-se para o estranho, achando que estava com algum tipo de doce para cara tatuados naquela noite, pois aquele que lhe dirigia a palavra era igual à Taehyung; piercings, tatuagens, maquiagem nos olhos, jaqueta de couro… O Jeon jurava que ele poderia ter uma moto igualmente grande e potente.

— Na verdade estou esperando meu… amigo. — Jeongguk não sabia como se referir a Taehyung, então amigo foi a única coisa que o adolescente pôde pensar perante à figura intimidadora do rapaz a sua frente.

— E esse seu amigo deixou você aqui sozinho? — Riu anasalado, colocando as mãos dentro da jaqueta e olhando em volta. Jeongguk franziu o cenho.

— Ele disse que é seguro. Devo me preocupar? — Arqueou uma das sobrancelhas e o estranho deu de ombro, pegando um cigarro em seu bolso e o acendendo com um isqueiro.

— Ele é seu amigo? — Soltou a fumaça pelo nariz e apontou com o queixo para Taehyung que vinha andando na direção deles.

— É ele sim — Confirmou, sorrindo minimamente ao perceber que Taehyung não parecia preocupado com o rapaz ao seu lado.

— Namjoon, vejo que já conheceu meu novo amigo. — Jeongguk sorriu anasalado pelo mais velho também se referir a ele daquela forma. O nome do rapaz fora revelado: Namjoon. E, pelo visto, ele fazia parte da… como posso me referir? Turminha de Taehyung.

— É, você anda fazendo umas amizades diferentes, Taehyung. — Tragou mais uma vez o cigarro entre seus dedos, olhando para o mais velho.

— Não discordo. — Taehyung pegou o cigarro dos dedos do aparentemente mais velho e colocou em seus lábios, fumando aquele pedacinho de câncer para dentro dos pulmões.

— Só tome cuidado com amigos de pele tão clarinha. Sabe que não queremos problemas. — Roubou novamente o cigarro dos dedos do outro e saiu andando, deixando os dois rapazes para trás.

— O que ele quis dizer? — Jeongguk indagou com o cenho franzido e Taehyung riu.

— O Namjoon é assim mesmo, não ligue para ele. Agora está na hora do show, vamos. — Pegou na mão do mais novo, começando a andar pelo terreno, a música ficando cada vez mais alta à medida que se aproximavam de uma clareira ainda mais ampla, onde Jeongguk pôde avistar várias motos enfileiradas.

O Jeon não sabia muito bem o que tudo aquilo significava, só teve a mínima ideia quando uma mulher também vestido em jaqueta de couro e os cabelos loiros foi para a frente de todas a máquinas de duas rodas, olhando de canto de olho para as pessoas ali ao redor. A loira sorriu com os lábios protuberantes, elevando dois dedos frente ao seu rosto, abrindo e fechando-os, indicando que os donos das motos fosse até seu encontro e tomassem posição.

— Você conhecem as regras — Ela falou alto para que todos ouvissem. — Sem roubo, sem insulto, sem feridos. Aquele que descumprir qualquer uma das regras irá ter seu rosto visitado pelo meu punho, então é melhor fazerem direitinho.

Enquanto ela falava, Taehyung foi para se afastar de Jeongguk, mas, antes que ele pudesse deixar ambos os corpos longe o bastante, ele olhou para o mais novo com os olhos flamejantes. Eram de um brilho intenso e tão escuros quanto o céu naquela noite. Jeongguk sorriu ao perceber o que estava acontecendo e ser tomado por todo aquele sentimento incrível e nunca antes sentido de adrenalina correndo em suas veias.

Taehyung pegou em sua cintura com uma das mãos e trouxe o corpo alheio com força junto ao seu, juntando ambas as temperaturas das dermes em chamas. O mais velho não se fez de rogado, beijou com fome os lábios alheios, como se quisesse deixar sua marca nele. Jeongguk não teve tempo para raciocinar, apenas correspondeu aquele ósculo intenso que havia se formado, agarrando a jaqueta alheia com as mãos, se firmando ali. Correspondia o beijo mesmo que um tanto atrapalhado pela inexperiência, mas sabia que estava fazendo um bom trabalho quando Taehyung aumentou o aperto em sua cintura e sua língua ficou ainda mais sedenta pelo seu próprio músculo quente que se movia junto ao dele.

Partiram o beijo com um estalar erótico, ambos se olhando com aquele ar agressivo e de quem pede por mais. Taehyung deixou um último selo nos lábios inchados e vermelhos do mais baixo, piscando para ele.

— Cuidado para não engolir poeira. — Dito isso, partiu em direção à Fireblade que aguardava ser montada pelo seu autêntico dono.

1 июля 2018 г. 18:39:59 1 Отчет Добавить 8
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Leticia Beatriz Leticia Beatriz
Oi! Estou adorando está estória! Por favor, continue.
28 января 2019 г. 17:40:14
~

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