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crazyclara Crazy Clara

Pela tradição Uchiha e Namikaze, duas semanas seriam dedicadas ao isolamento paradisíaco em meio à neve em Okinawa. Itachi vê como uma chance de reaproximação com família até descobrir que Naruto lhe fará companhia. Para desespero de Itachi, uma tempestade os isola antes da chegada dos demais, deixando-os sozinhos pelo tempo mínimo de três dias.


Фанфик Аниме/Манга 18+. © Naruto e demais personagens pertencem a Kishimoto, o enredo dessa história foi criado por mim bem como a capa. Não permito a reutilização.

#itachi #ua #naruto #itanaru #zodiaco #signos #oneshot #pwp
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A Casa

Desafio dos Signos

Tema: Frio.

Signos e Características:

Áries (Conquistador, Engraçado, Charmoso) [Naruto]

Libra (Educado, Gentil, Charmoso) [Itachi]

Participantes: Alice Alamo, XixisssUchiha, Kaline Bogard, cupcake_ruivo, Tia Kuro Neko, CrazyClara, Luraywriter, Inial Lekim, kixnara



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D  i  a    1


A garçonete hesitou um instante enquanto Itachi se sentava. Ainda a viu trocar olhares com uma colega que gesticulou na direção dele. Achava adorável quando se atrapalhavam com sua presença, mas naquele momento gostaria de ser atendido rápido e se esquentar o quanto antes.

Ela finalmente veio por trás do balcão com um sorriso.

— Bom dia, senhor! Como posso servi-lo?

— Um chocolate quente para a viagem, por favor. – respondeu com um sorriso suave, calculado com cuidado para exibir uma quantidade moderada de simpatia e educação. A garota riu em um claro flerte, olhando as mãos enluvadas de Itachi sobre a bancada.

— Para já, senhor. – ela se virou para a máquina de bebidas, mexendo nas válvulas rapidamente. Por alguns segundos pareceu que desistiria da investida que havia começado, mas voltou a falar, como Itachi já esperava. – Jurava que pediria um café preto sem açúcar.

Clássica.

— Costumam me relacionar a coisas sérias. – apoiou os braços no balcão e entrelaçou os dedos enluvados.

— Então não é alguém sério? – ela espiou sobre o ombro. Lhe parecia que ela queria mostrar o quanto dominava o serviço sem precisar manter foco constante.

— Sou. – de fato os gestos dela eram hipnotizantes. Uma das coisas que facilmente roubavam a atenção de Itachi era alguém que sabia o que estava fazendo e era direto em seus gestos. Tinha uma peculiar sensação de calma correndo por sua espinha enquanto a observava raspar o chocolate do medidor e despejá-lo dentro do compartimento da máquina. – Mas tenho meus pecados.

Ela riu. Daquele ângulo, ainda era capaz de ver as bochechas coradas, nada raro em seu dia a dia. Já tinha um contato para aquela semana, caso desejasse alguma aventura noturna, escapulindo da família. Uma pena não sentir aquele mesmo teor romântico com facilidade, imaginava a vida menos densa se pudesse se afeiçoar mais fácil. Mas era um Uchiha e Uchihas tinham em seu código genético afeição verdadeira a um número limitado de pessoas.

— Itachi?

Tinha afeição por vozes como aquela. Especialmente aquela.

A boa sensação de assistir o trabalho da atendente sumiu como se nunca houvesse existido. Sentiu o pescoço duro enquanto se voltava para o lado, para a origem da voz.

Uma única figura destoante lhe encarava. Alto, loiro e de pele bronzeada, fora de qualquer padrão japonês. Olhos azuis que brilhavam em sua direção, passos em botas de inverno de um conjunto que mascarava o físico atlético em uma falsa aparência fofa.

Namikaze Naruto, filho de seus padrinhos e o melhor amigo de seu irmão. 22 anos de puro charme, alegria e calor, um completo oposto de Sasuke, que os tornava um casal tão perfeito.

— Senhor? – chamou a atendente, ao que parecia pela segunda ou terceira vez.

Itachi a olhou, encontrando o copo comprido diante de si. Foi ágil ao retirar a carteira do bolso.

— Olá, Naruto. – respondeu sem olhá-lo, mesmo que se aproximasse.

— Achei que eu chegaria primeiro pelo menos dessa vez.

— Não precisava, era minha vez. – pagou pelo chocolate, sorriu para a atendente e pegou o copo. – Obrigado.

— Já está indo? – Naruto estava ao seu lado, o acompanhando em seu passos apressados para a porta.

— Sim, vim apenas comprar algo para beber. – precisava se controlar para não apertar demais o copo tamanha era sua tensão.

— Ei, calma, calma! – a mão de Naruto o conteve pelo braço, interrompendo sua caminhada a um metro da porta. Olhou para o lado e encontrou os límpidos olhos azuis o encarando com diversão. – Me espera? Acabei de chegar, quero beber algo também.

Naruto sorriu para Itachi. Deuses, aquele sorriso deveria ser proibido. Fazia a maior parte dos pensamentos sãos escorrerem por suas orelhas, dando lugar a todo tipo de imaginação impura.

Coisa que não podia ter jamais com o homem diante de si. Tinha motivos de sobra para sustentar os resquícios de pensamentos racionais.

— Claro. – respondeu sem sorrir. Preferia não arriscar.

Naruto, no entanto, sustentou o sorriso, dando um rápido passo para o balcão e chamando a atendente. Viu mais uma vez a garota se atrapalhar, nada que Itachi pudesse culpá-la. Já havia visto todo tipo de pessoa amolecer diante daquele loiro. Bastava um minuto de conversa e um sorriso e o coração já estava roubado. Mulheres. Homens. Uchihas. Os frios e durões Uchihas.

Itachi desviou o olhar, passando então a encarar a neve que se acumulava à porta. Se ele havia acabado de chegar, devia ter jogado a bagagem dentro de casa e corrido para o café. Não fazia mais de vinte minutos que ele mesmo havia saído de lá para buscar a bebida.

Naruto havia visto Itachi chegar ali? Havia adivinhado? Era sua parada para bebidas quentes desde de sempre, mas fazia anos e não esperava que Naruto se lembrasse.

Ficou preso no debate interno até que Naruto surgiu ao seu lado.

— Vamos?

Apenas o espiou antes de assentir e sair do café.

O vento estava cortante. Agradeceu a sua mania sistemática que o fez já deixar a casa com os mantimentos necessários, pois não teria o menor ânimo para fazê-lo com aquele tempo.

— O frio aumentou de repente, não é? – Naruto comentou ao seu lado, ajeitando o cachecol no rosto.

Mas bem que Itachi agradeceria uma desculpa não forçada para manter distância de Naruto mesmo que fosse por pouco tempo. Não queria magoá-lo com desprezo ou indiferença. A verdade era que, de todos naquela história, Itachi queria ser o único a levar os danos. Que os demais envolvidos fossem felizes.

— A previsão disse que pode piorar. – por isso mantinha o tom tão neutro e focava no caminho em frente, seguindo para a rua discreta que levaria à casa.

— Eles vão conseguir chegar antes?

— Não sei. – ‘Espero’, foi a palavra que veio em sua mente. Não sabia como lidaria consigo mesmo estando sozinho com Naruto.

Os Namikaze e os Uchiha possuíam uma tradição que começou desde que Mikoto e Kushina eram adolescentes e queriam se aventurar na casa de praia da família Uzumaki em Okinawa com os respectivos namorados. Com a inevitável amizade que também acabou nascendo entre Fugaku e Minato, o ritual perdurou por anos, chegando na geração seguinte.

Todo ano, nos meses de fevereiro e agosto, as famílias se reuniam para ver o mar com a visão privilegiada que a casa dispunha, no inverno e no verão. Há dois anos Itachi conseguia evitar as reuniões, colocando a culpa no seu mestrado que finalmente havia encerrado. Com a faculdade de Sasuke e Naruto se aproximando de seu fim, assim como o desenvolvimento da monografia, acreditava que eles também se afastariam da tradição ao menos naquele mês. Apenas com aquela possibilidade Itachi achou que estaria tudo bem voltar a frequentar o refúgio de férias e alegrar seus pais e padrinhos.

Naruto se adiantou quando alcançaram o curto caminho que cortava para dentro da propriedade, feito de madeira com corrimão seguindo direto para a casa dos Uzumaki.

Era uma visão bonita em qualquer estação. Possuía dois andares, feita no estilo ocidental, grandes janelas e vasos adornando a fachada, onde não havia mais plantas pelo pouco cuidado. Ainda havia um bom quilômetro de descida até a praia de fato, segurança mínima contra maremotos e tempestades. Mas ainda na porta era possível ver o mar, uma forma escura tão linda em contraste com o céu chumbo invernal.

Naruto destrancou a porta e Itachi entrou em seguida. O ambiente ainda estava frio, sem aquecedores ligados ou a lareira, mas a falta do vento já foi uma grande melhora. Tudo estava exatamente como deixou, exceto pela mala jogada de qualquer jeito no corredor e sacolas de compras.

— Desculpa. – Naruto notou seu olhar enquanto tirava os sapatos com um sorriso. – Vou arrumar.

— Tudo bem. – respondeu retirando os próprios sapatos para colocar as pantufas. Naruto já saltava para recolher seus pertences.

— Cheguei e vi que você tinha saído. – ele jogou a mala sobre o ombro, pegando as sacolas com a outra mão. – Imaginei que tinha ido comprar chocolate. – a risada divertida correu pelo cômodo. – Você continua com a mania.

Então ele se lembrava. Exibiu um sorriso leve e involuntário que tratou de esconder logo. Assim como desviou a atenção para a entrada da sala e caminhou para lá com seu copo de chocolate em mãos.

— Vou ligar o aquecedor. – disse já sumindo de vista.

Sasuke e Naruto eram unidos como Itachi nunca foi com ninguém. A amizade que começou com rixas infantis cresceu ao ponto de um ser a extensão do outro, o complemento que os tornava uma dupla dinâmica, certamente uma grande notícia para o futuro da Konoha Co. O que começava a ficar mais claro nos últimos anos e os dois não pareciam se dar conta era a relação que deixava de ser apenas amizade. Itachi via os toques. Os olhares. Eram mais comuns quando eles tinham apenas 16 anos, ainda se descobrindo sexualmente.

Percebeu que se afetava por Naruto há quatro anos, quando iniciava sua pós-graduação e Sasuke entrava na faculdade. Era verão e, como sempre, Namikazes e Uchihas rumaram para Okinawa, agora também para comemorarem a aprovação dos mais novos na mesma universidade. Administração. Duas famílias envolvidas até o âmago com os negócios. Para Itachi, Naruto era o empolgado amigo de seu irmão, e nada mais. A faculdade tomava bastante de seu tempo, tirando da rota dos garotos, mal via o loiro quando iniciou sua monografia.

Até que sentiu um baque de mudança quando o viu na sua frente, com quase 19 anos, exibindo um sorriso gigante e brilhante como o próprio sol.

— Itachi-san! – ele havia falado. – Faz quanto tempo que não nos vemos?

Achou que era apenas falta de sexo. Saiu na mesma noite, dormindo com uma mulher que conheceu no bar. Voltou para a casa de praia no dia seguinte para descobrir que não havia nada que tirasse o efeito de ver o dorso desnudo de Naruto enquanto agitava o bastão para a melancia que partiriam. Ele e Sasuke.

Naruto e Sasuke. Sempre. Quando ouvia Naruto rir, quando as piadas surgiam, os comentários estranhos, a energia brilhante e até os toques. Eram com e para Sasuke.

Era óbvio que não se colocaria em disputa com o irmão. Se havia alguém que Itachi amava mais que qualquer outra coisa no mundo era seu caçula. E nunca, nunca, se colocaria como uma opção para Naruto quando era claro para quem era destinado o apreço de Sasuke. Mesmo que seu corpo entrasse em curto com sua presença e mesmo que as mensagens enviadas por Naruto lhe fossem tão aguardadas. Ainda se mantinha fisicamente distante e respondendo com educação e polidez.

Sentou-se no sofá diante da lareira a gás. O calor gradativamente começou a correr pela sala ampla, rústica como o restante do imóvel, com fotografias e decorações sobre as prateleiras e estantes. Ergueu o chocolate até os lábios e teve o efeito de calor e doçura imediatos correndo de sua garganta para o peito e então o corpo.

Achou prudente ligar a TV, ou não teria desculpas para evitar uma conversa quando Naruto voltasse. Ligou o aparelho através do controle e saltou por canais, em sua maioria animações, até um de jornalismo 24h.

Sapporo enfrenta uma nevasca que estima-se durar pelo menos mais dois dias. As unidades de emergência locais já estão em alerta e pedem para que os moradores não deixem suas casas se não por causas de extrema emergência.

— Perto demais deles. – a voz veio de trás, se aproximando. – Cancelaram os voos na última vez.

O lugar ao seu lado se afundou. Podia ver Naruto pelo canto dos olhos lhe estendendo uma das pontas do cobertor. Olhou, deu um sorriso amarelo que deveria ser considerado educado e negou antes de voltar a olhar a TV.

— Você anda bem distante, não é? – Naruto se enrolou com a ponta ignorada por Itachi. – Aconteceu alguma coisa? Talvez… término de algum namoro?

Franziu o cenho antes de espiar Naruto, que lhe encarava atento, mas tornou a desviar a atenção.

— Estou bem, não se preocupe. – queria silêncio, queria ser ignorado. Era mais fácil. – E você, já terminou de se instalar? – mas precisava manter um mínimo de conversa ou seria muito óbvio.

— Ah, mais ou menos. Ainda tenho que descer as camas e aspirar os armários, então deixei as coisas jogadas.

— Posso fazer isso.

— Não, de jeito nenhum. Você já limpou a casa toda e estocou tudo. – percebeu movimento dele. – Já até espanou as cortinas! Eu invejo muito sua velocidade, Itachi.

— Não é nada demais. – bebeu mais um gole.

— Bom, certo, bater em cortinas. Mas nas outras coisas. Ser pontual, organizado, ter um bom olhos para tempero. Deuses, Itachi, teve uma noite que acordei morrendo de vontade de comer aquele seu okonomiyaki. Não sei o que diabos você faz, mas é uma maravilha.

Sorriu de leve, de novo sem humor, de novo por educação, de novo querendo estar longe.

— Posso fazer depois.

A âncora falava qualquer notícia com a foto de um político pairando ao lado dela, mas Itachi não tinha ideia do quê. Fingia atenção, no entanto, e se recusou a dar atenção para Naruto mesmo que o silêncio tenha se formado daquela maneira tão repentina. Perdurou quase um minuto inteiro.

— Ei, Itachi. Sério, o que foi?

A voz dele estava mais baixa. Preocupação que fazia o peito de Itachi aquecer e doer. Doía por se aquecer. Seria tão mais fácil se Naruto fosse um cretino, assim ele não estaria na vida deles, para começo de conversa. Seria mais fácil se ele fosse recluso em suas amizades como Sasuke era, receoso de dividir a companhia com alguém.

Olhou para Naruto e lhe destinou um sorriso que ensaiou por muitas vezes no espelho enquanto dizia “está tudo bem”. Itachi precisava se acostumar. Estava tudo bem, não se importava de gostar de alguém que lhe era proibido. Repetiu tantas vezes que ele mesmo começou a acreditar.

— Está tudo bem, Naruto-kun. – respondeu. Bebeu um gole do próprio chocolate para parecer mais relaxado. – Há algo que lhe incomoda?

Naruto estava com as pernas puxadas para cima, em alguma parte embaixo do fofo cobertor que imitava pelagem. Ele o encarava com clara preocupação, que se desfez com sua pergunta. Pareceu de fato afetado por ela.

— Não… bom, não exatamente. – ele ergueu o próprio copo aos lábios e tomou um longo gole antes de voltar a falar. – Conversou com Sasuke?

Fez uma rápida conta mental.

— Há dois dias. Por quê? Aconteceu algo?

Naruto deu de ombros, os olhos agora direcionados à TV.

— Ele vem?

— Não disse a você? – pressionou um pouco, já que estava bem claro que havia uma ferida ali.

— Não. – Naruto apontou a TV. – Esse cara não foi recrutado pelo Milan?

— Não entendo de futebol. O que aconteceu?

Naruto negou.

— Não aconteceu nada, Itachi. Só não aconteceu.

Tinha curiosidade em estender aquele assunto, pois o tom de Naruto dizia tudo, menos que não havia acontecido nada. Talvez eles tenham se assumido como um casal e descoberto alguns desentendimentos. Talvez alguma bobagem na monografia ou algum ciúme que não conversaram direito. E embora a curiosidade lhe consumisse, não era da sua conta. E precisava preservar aquele momento que se criou, onde Naruto não parecia mais interessado em falar.

Naruto se voluntariou a fazer o almoço. Udon, muito saboroso. Se disponibilizou a lavar tudo, mas Naruto o acompanhou. Deu a desculpa de que precisava trabalhar, mas Naruto lhe fez companhia com o próprio notebook na sala. Itachi rezava para todos os deuses que ao menos um dos voos não fossem cancelados, mas pela noite receberam mensagens de seus pais confirmando que os dois ficariam sozinhos pelos próximos três dias até a confirmação de que a tempestade no norte do país daria trégua.

O silêncio constrangedor se prorrogou, mas Itachi não reclamou. Mascarou qualquer tentativa de conversa por parte de Naruto com um falso resguardo da falta de detalhes do que havia entre ele e Sasuke. Estava sendo bem-sucedido, trocando curtas palavras até as nove da noite, um bom horário para já ser o suficiente para dormir.



D  i   a     2


Dali podia ouvir o som do mar quando muito agitado, como naquela noite. Sentia falta das noites naquela casa, do cheiro de chá de Mikoto, dos pães de Minato, da conversa baixa que os pais tinha pela madrugada na sala. Apenas os sonhos e a vontade de que amanhecesse para reiniciarem um bom dia. Havia aberto mão daqueles pequenos prazeres para não ter o mínimo do constrangimento que agora tinha em abundância.

Tinha um quarto só para si com uma das camas fixas. Diziam ser de solteiro, mas era larga o suficiente para mais uma pessoa. Muito espaço na cama, muito espaço no quarto, muito espaço na casa. Até no tempo tinha muito espaço. Mesmo que estivesse determinado a gastar o tempo trabalhando em documentos da empresa, estava difícil se concentrar.

Eram duas da manhã. Sasuke ainda não havia dito nada e dos dez formulários que havia programado, Itachi conseguiu completar apenas dois. Estava uma vergonha para qualquer padrão seu.

Com um suspiro resignado, fechou o notebook. Não estava funcionando, mas também não tinha sono.

Com a ausência do som do notebook, foi capaz de ouvir um som distante, que não eram as ondas.

Passos. O alarme estava ligado, não era nenhum estranho. O som da cafeteira sendo ligada o relaxou, ao mesmo tempo fez as borboletas se agitarem. Por que Naruto estava acordado?

Não importava. Precisava dormir.

Precisava, mas não conseguiu. Sua mente trabalhava em um turbilhão de pensamentos que só lhe permitiram cochilar perto do amanhecer e acordar cedo demais para o triunfo de suas olheiras.

Naruto não estava no quarto que dividia com Sasuke e não havia nenhum som vindo da porta fechada. Mesmo assim, preparou café para dois e não esperou para tomar o seu. Guardou o de Naruto e se dedicou a trabalhar enquanto o silêncio perseverava na casa.

— Ei, Itachi.

Olhou sobre o ombro. Naruto estava na porta da sala, usando o conjunto completo de agasalhos para uma cruzada na neve. E seu sorriso, radiante como um sol de primavera.

— Que tal exploração na neve? – disse empolgado, girando um dos braços em seu alongamento.

Itachi franziu o cenho com a sugestão de brincadeira infantil.

— Passarei dessa vez, lamento.

— Planeja trabalhar esses dias todos? – Naruto colocou as mãos na cintura. – Itachi, quando foi a última vez que você explorou na neve? Sem nossas mães gritando para voltar?

Mikoto e Kushina passavam bons bocados com os três durante o inverno. Fazia anos que aquela brincadeira havia deixado de fazer parte da vida de Itachi. O máximo que se dedicava era ficar de olho nos pequenos Naruto e Sasuke de onze anos que saíam pulando os montes para que não se perdessem ou ficassem soterrados.

Riu diante da lembrança e viu o rosto de Naruto ganhar uma sutil empolgação a mais.

— Desculpa, mas fiquei muito velho. – desviou o olhar para a tela antes que a visão lhe tentasse demais. – Vá tranquilo que posso fazer o almoço.

Fingiu digitar qualquer coisa enquanto esperava a resposta. Ela veio segundos depois, como um resmungo, então passos se afastando.

— Vou comer fora, volto para o jantar.

Não houve como evitar o arrependimento. Ouviu a porta da frente fechar e olhou sobre o ombro, como se ainda pudesse ver Naruto ali.

Silêncio, como queria. Solidão, como havia programado.

O que faria então?

Sua felicidade era que os formulários não eram uma urgência, pois estava com a cabeça nas nuvens. Conseguiu errar até o tempero de sua omelete, que conseguiu deixar salgada e amarga. Tentou um cochilo depois de uma xícara de chá, mas seus olhos permaneciam abertos como faróis. No fim se entregou à xícara de café e tentou trabalhar no rascunho do esqueleto de seu doutorado.

Apesar de ter demorado, conseguiu fazer algo no mínimo satisfatório. Poderia polir e melhorar depois, com a mente mais clara, mas era um bom passo. Assustou quando, coçando os cantos dos olhos, viu as janelas com o cinza escuro das nuvens pesadas do temporal que estava por vir. Já eram quase seis da tarde. A neve ainda era rala, mas ao que tudo indicava, a ilha se tornaria um ponto branco no oceano no dia seguinte.

Foi até a cozinha para preparar o jantar. Não pensou muito quando decidiu que faria okonomiyaki. Não só porque Naruto havia elogiado, mas porque era rápido e logo ele deveria estar em casa.

Os ponteiros giraram e eram sete da noite, sem notícias de Naruto.

Conferiu no celular. Havia mensagens da família, com costumeiras checagem querendo saber se estava tudo bem e falando sobre o próprio dia. Sasuke ainda estava em sua linguagem limitada e Naruto não havia enviado nada. Estava prestes a lhe mandar uma mensagem quando ouviu a porta abrir.

Espiou pelo corredor. Viu Naruto apoiado na parede, curvado e tentando tirar os sapatos. Notou as mãos trêmulas no ato e não controlou o próprio corpo que já se impelia para frente, indo ao socorro do mais novo.

O segurou pelos ombros, o erguendo. Naruto o olhou com letargia de frio. Tinha os lábios roxos e neve acumulada nas sobrancelhas e tremia como um bambu. Não ofereceu resistência, apenas sorriu e riu.

— T-t-t-a-tadaima.

Praticamente o arrastou para a sala e o colocou sentado diante da lareira. Naruto tirou as luvas que, percebeu com o pesado som que fizeram ao cair no chão, estavam molhadas, e se abraçou. Itachi franziu o cenho lhe retirando também o gorro. Molhado.

-Você caiu na água? – perguntou jogando o gorro para o lado. Segurou o casaco de Naruto e o encontrou seco, mas o interior molhado.

— F-oi s-s-s-só um m-m-merg-gulho.

Deveria colocá-lo na água quente, mas a banheira não encheria rápido como precisava. Então levantou rápido e foi até o próprio quarto. O caminho passou como um borrão, preenchido pelo sentimento de medo junto de vários artigos de perda de membros por frostbite. Não interessava como Naruto havia ficado daquele jeito, apenas que deveria cuidar logo dele.

Surfou pelos degraus em sua volta com os cobertores dando pouca importância a sua própria segurança. Parou ao lado de Naruto, encolhido como uma bola de panos diante da lareira, e tratou de afastar os braços dele para conseguir tirar o casaco.

— Precisa tirar o que está molhado. – explicou, mesmo que não houvesse pergunta. Naruto riu em um soluço e fechou os olhos. Nada disse.

Ele havia mesmo mergulhado. Retirou todas as peças de roupa, úmidas, incluindo a cueca. Nem por um segundo passou por sua mente reparar em nada além dos pés e mãos de Naruto, suas principais preocupações, até que ele estivesse envolto de um dos cobertores. Só então tomou-lhe as mãos, encontrando dedos azulados e trêmulos. Manteve entre as duas mãos, esfregou-as e aqueceu com o hálito. Percebeu que estava sendo observado, mas não se importou.

— Já volto. – o soltou e correu até a cozinha.

Felizmente, ainda havia café. Serviu uma única caneca e voltou com a mesma pressa para a sala. No entanto, não estendeu a caneca de imediato. Deixou-a no chão enquanto razão e emoção lutavam em sua cabeça o condenando e aplaudindo. Tirou o moletom que vestia e afastou o cobertor de Naruto antes de se sentar atrás dele, o ladeando com as pernas e braços antes de envolvê-los com o cobertor novamente.

Os fios úmidos arrastavam em seu rosto. O corpo menor tremia sem parar diante do seu. Sentia como ele estava frio e, contrariando qualquer expectativa, sentia-se também ficar com frio. Com medo do que toda aquela situação poderia significar.

Esfregou sua cintura e os braços. Esticou a mão para fora do cobertor para pegar o moletom mais uma vez e esfregar seu cabelo para secar. Não era muito, mas era o melhor que podia fazer.

— Junte mais as pernas. – pediu enquanto ainda esfregava. – Precisa esquentar os pés.

Sentiu o movimento lento além dos tremores do corpo de Naruto. Descartou o moletom e estendeu os braços em torno de Naruto para segurar-lhe nas pernas, passando a massagear suas canelas e pés. Mentalmente visualizava o sangue correndo lentamente sendo estimulado e aquecido. Quanto mais rápido fizesse o sangue circular, menos chances de gravidade com o congelamento.

Estava tão concentrado em sua tarefa e com a preocupação que surpreendeu-se quando tornou a ouvir Naruto rir.

— Que c-cli-chê.

— O quê? – e esticou a mão para fora do cobertor mais uma vez, agora alcançando a caneca com café.

— F-frio e-e algué-ém para aj-judar nos c-contos de ro-romanc-ce.

Sentiu o coração dar um salto. Ajeitou os braços novamente ao redor de Naruto, o prendendo firme contra si e oferecendo a caneca diante dele.

-Não estamos em um conto de romance. – falou calmo. Apoiou o rosto na lateral da cabeça de Naruto, tentando ter uma boa visão do caminho do café sua boca. – Beba um gole. Devagar.

Ele bebericou, ainda muito trêmulo. Itachi manteve a caneca próxima de seus lábios, e sempre que Naruto fazia menção de se inclinar para beber mais, ajudava. Não afrouxou o aperto e vigiou para que ele não queimasse a língua. Pareceu levar uma eternidade com os tremores passando a ficarem mais violentos, levando sua preocupação até a beira do precipício.

Em minutos, o café já havia terminado, retomou a massagem em seus pés e passou a fazer o mapa mental até o pronto de socorro mais próximo. Finalmente os tremores diminuíram e a respiração de Naruto se regulou. Ainda assim não relaxou, lhe esfregando os braços e a cintura enquanto a sombra do temor de não ser o suficiente para evitar algum dano posterior por uma eternidade presa em não mais que meia hora.

— Me deixa ver suas mãos. – pediu baixo. Sentiu Naruto se encolher e franziu o cenho preocupado, até ouvir um novo riso.

— Perto. – ele respondeu, estendendo as mãos sobre os ombros. Itachi não entendeu em primeiro instante, mas bastou abrir a boca para notar que os lábios roçavam o lóbulo de Naruto.

Afastou o rosto para a parte de trás de sua cabeça.

— Desculpe. – murmurou e tocou-lhe as mãos. A cor estava normal, mas ainda pareciam palitos de gelo. Afagou as duas antes de segurá-las e esfregá-las com os polegares. – Por que fez isso?

Suas mãos foram apertadas. Naruto as puxou para junto de si, fazendo Itachi abraçá-lo pela cintura enquanto se encolhia mais junto de seu peito com um leve tremor passando pelo corpo. Durante o silêncio de Naruto, Itachi tomou súbita consciência do cheio do shampoo tão próximo de si. Ficava mais forte na nuca de Naruto e por muito pouco não se inclinou para sentir mais.

— Eu e Sasuke fizemos uma vez. Vocês estavam dormindo e foi engraçado. – ele respirou fundo e exalou com força. – Acho que só não estava tão frio. Não pensei muito, só fui.

— Sozinho e longe nesse frio, Naruto. – não queria, mas soou como uma censura que um irmão mais velho daria ao mais novo. E novamente se surpreendeu com o riso de Naruto.

— Acho que é a lua em Áries.

— Signos ocidentais não te salvariam se congelasse lá fora.

— Eu sei. Desculpa preocupar você.

Apoiou a testa no couro cabeludo diante de si. Sentia cada vez mais o peso colossal deixar seus ombros a medida que o tremor desaparecia mais e mais. Mas a preocupação ainda estava ali, plantada em seu interior. E se ele não conseguisse chegar até a casa? Ou se Itachi houvesse conseguido dormir? Dentro da casa ainda poderia salvá-lo, mas do lado de fora…

Repreendeu a própria linha de pensamentos. Precisava se concentrar na causa, não no ‘e se’.

— Você precisa conversar com Sasuke. – falou baixo.

O corpo de Naruto ficou tenso.

— Ele falou alguma coisa?

— Não. E não precisa.

Houve mais um momento de agoniante silêncio em que mesmo o corpo de Itachi esfriava.

— Não precisa por quê? – perguntou Naruto. Sua voz não possuía rastro de humor. Talvez uma certa urgência e medo contido.

— Eu sei que vocês estão se descobrindo. Está tudo bem, Naruto. Nossos pais ainda amarão vocês. Eu ainda trocarei mensagens com você e falarei com Sasuke. Nada vai mudar.

Naruto virou o corpo até que fosse capaz de ver seu rosto. As sobrancelhas claras estavam franzidas, estampando sua confusão refletida nos olhos azuis. Por um instante, Itachi sentiu-se deslocado.

— Do que você está falando?

Aquele instante se estendeu, pois sua certeza desestabilizou com a dúvida que passou a exibir.

— Vocês dois estão brigados, não estão?

— Sim, mas o que diabos você acha que eu e Sasuke descobrimos?

— Que se gostam mais que amigos.

As sobrancelhas de Naruto se franziram mais. Itachi teve as mãos soltas e o outro puxou as pontas do cobertor para lhes apertarem mais.

— Não, não é isso. – os olhos azuis rumaram para o lado. – Você estendeu tudo errado.

— Está bem claro há anos, não prec-

— Não, Itachi. – ele voltou a encará-lo. – Você entendeu errado. Você… – Naruto piscou devagar, a boca aberta, mas em silêncio. Então fechou os olhos e balançou a cabeça. – Melhor me soltar.

— O quê?

— Me solta. Eu falo, mas me solta.

Hesitou um segundo, mas no instante seguinte o soltou como se Naruto de repente fosse metal quente. Todavia, não questionou. Saiu com cuidado da proteção do cobertor e se certificou de que Naruto voltasse a ficar bem enrolado por ele.

Ele não queria encarar Itachi. Mesmo enquanto o envolvia com o segundo cobertor, Naruto tinha os olhos fixos na lareira. Sentia-se frio, mas não contestou a vontade do outro ao se sentar ao seu lado. Notou o desconforto em si e rápido colocou almofadas atrás do loiro para que se apoiasse.

— Estou bem, Itachi. – parecia mais cansado. O encarou sem retorno. A preocupação que havia abandonado retornava como o próprio frio com longos dedos esqueléticos agarrando seu pescoço e dificultando a respiração.

— Ok. – sentou-se com as pernas cruzadas e abaixou as mãos. – Estou ouvindo.

Mantendo o rosto baixo, Naruto o encarou, criando sombras em suas feições que fizeram o ventre de Itachi repuxar. Pensamentos nada castos se originaram daquela reação. Afastou-os tão logo percebeu, mantendo a urgência em primeiro plano.

Naruto suspirou e desviou o olhar.

— Eu e Sasuke já trocamos beijos. Foi para experimentar. Apenas coisa do momento.

Acho que estava preparado para ouvir aquilo até de fato ver os lábios de Naruto se movendo. Seu peito se apertou, um buraco nasceu no lugar de seu estômago. As mãos imaginárias que envolviam seu pescoço fizeram seu caminho para sua garganta, lhe invadindo com o frio que imagina estar do lado de fora.

Maldita fosse sua mente rápida, criando imagens a partir de lembranças, envolvendo toques, beijos e sons. Podia ver o que nunca provaria aproveitando ao máximo e sem Itachi. Aqueles pensamentos já estavam tão enraizados que não poderia afastá-los mesmo que tentasse.

Sem saber da turbulência interior no Uchiha, Naruto continuou.

— Mas éramos mais novos, você deve ter visto um dos nossos momentos de hormônios pulando, mas só isso. Sério, somos amigos.

Se obrigou a sorrir quando a atenção de Naruto voltou a focar nele.

— Está tudo bem, Naruto. E-

— Me deixa terminar. – Naruto ralhou. Itachi arqueou as sobrancelhas, sem protestar, fechando imediatamente a boca. O Namikaze piscou um par de vezes e resmungou frustrado para o lado qualquer coisa que Itachi não compreendeu antes de voltar a falar. – Eu gosto das pessoas antes de gostar do gênero delas, meus pais já sabem e estou confortável com isso. Eu gosto muito de Sasuke, mas não o suficiente para querer foder com ele. É diferente. Há anos eu sei bem a diferença da atração fraternal e sexual, e só vem piorando com o tempo.

Mais e mais Itachi sentia o peito pressionado. Então Sasuke estava enfrentando uma disputa de atenção com outra pessoa. Agora podia entender a reação, pois ele também acabara de experienciar. Naruto teria outra pessoa e a atenção dedicada a eles seria menor.

— Eu juro que tentei mirar em outra pessoa, focar, sei lá. – Naruto continuou. – A idade complicava, depois a família. Sasuke foi o primeiro pra quem eu contei e ele ficou irritado e eu nem sei o porquê, o bastardo não me conta. E vocês Uchihas conseguem ser ciumentos pra burro quando querem, vão se ferrar.

Sorriu tranquilizador, embora estivesse um caos por dentro.

— Basta dizer a ele que continuarão amigos. Ele entenderá com o tempo, é apenas questão de costume.

Naruto o encarou. Estava sério.

— Itachi, eu gosto de você desde que eu tinha 13 anos.

Sentiu como se um balde de água fria lhe fosse jogado na cabeça. Mas não teve tempo para recuperar o fôlego, pois Naruto continuou sem desviar o olhar.

— Eu achei que era admiração, depois só uma paixão besta adolescente, depois confusão. Mas eu conheci você cada vez mais e quero mais de você. Quero só para mim, só comigo e eu só com você.

Sentiam a cabeça leve demais. Parecia até que havia bebido. Os pensamentos não faziam sentido e nenhuma frase em sentido com o contexto lhe vinha à boca, apenas palavras soltas. Medo. Alegria. Dúvida. Emocional. Irmão.

Demorou até ter uma linha de racionamento formada para conseguir uma fala.

Que foi imediatamente interrompida por Naruto.

— Não fala nada agora. – ele negou enquanto Itachi o encarava. Até voltou a desviar o olhar, mas não por vergonha. Parecia irritado. – Estou me sentindo exposto demais e… ridículo demais. E imagino que vá começar com o discurso de “há outras pessoas melhores que eu”. Eu lido com a recusa, mas não me trate como criança.

Engoliu a fala. Não que a tornasse menos verdadeira, mas se ele queria ouvir depois, depois seria.

Por isso se levantou em silêncio e rumou até a cozinha. Fez chá cortando o silêncio da casa com os sutis sons. Observou a neve ser jogada contra os vidros pelo vento que ficava cada vez mais forte. O dia seguinte seria de tempestade, não haveria opção de sair para explorar a neve para que não precisassem se encarar.

Retornou a Naruto com uma nova caneca, pois temia que seu tremor derrubasse uma xícara. Ele aceitou sem pestanejar, mas também não olhou no rosto de Itachi. E como não queria impor mais constrangimento no cenário, o deixou sozinho para voltar ao quarto.



D  i   a     3


Não havia conseguido fechar os olhos. Encarava o teto fixamente, ouvindo o ranger característico da casa nas noites de tempestade. A madrugada se arrastou junto do incômodo em sua barriga que já esperava lhe render uma úlcera.

As horas se estendiam para o amanhecer que não aspirava. O frio aumentava num cômodo grande demais dentro de uma residência ainda maior, mas pequena para separá-lo de quem deveria manter afastado.

Agora também tinha conhecimento de que Sasuke não estava se mantendo afastado apenas de Naruto, mas de si também. E não importava o discurso de Naruto nem a dor inexata que vinha de seu interior, não colocaria nada entre ele e o irmão.

Por isso pegou o celular, ignorando o horário tardio, e abriu a conversa com Sasuke com os olhos ardendo pela iluminação.


“Não se preocupe, não farei nada”


Pela manhã, Sasuke veria e poderia dar a negação que quisesse. Itachi já estava decidido há anos.

Assustou-se com o toque de mensagem. Muito rápido.


“Não tenho nada a ver com o que ele e você fazem ou deixam de fazer”


Franziu o cenho. Suas mãos coçavam para fazer mais perguntas, mas precisava dar espaço a Sasuke.


“Não faremos nada. Se resolva com ele e se confesse logo”


Queria dizer que não sentia nada. Uma mentira para confirmar o caminho livre para o irmão que, tinha certeza, teria a mais feliz das vidas com Naruto, quando o loiro percebesse que era mesmo apenas admiração.

A resposta de Sasuke veio logo.


“Já tentamos, não deu certo, é só amizade. Agora para de encher o saco”


Havia Sasuke desistido de Naruto só por aquilo? Seu irmãozinho era mais duro na queda, não fazia sentido.

Ah não ser que fossem de fato apenas amigos.


“Por que está brigado com ele?”


“Porque ele nunca me disse nada. Preciso dormir, boa noite”


Deixou o celular de lado e encarou o teto. Todo tipo de julgamento lhe fez companhia pela madrugada, junto de memórias, ideias e possibilidades. O perigo de estragar não só a amizade do irmão como seu relacionamento com ele.

Por que Naruto tinha que ser tão brilhante? Tão oposto de sua neutralidade, equilíbrio e estabilidade, lhe puxando para um fascinante jogo de cores e vida? Aquele tentador lado sem regras que desfrutava da impulsão e do agora, de escolhas certas, imediatas, determinadas.

Quando notou, era manhã e não havia dormido.

Não fazia mais sentido enrolar na cama, e pensar em levantar fazia seu estômago se apertar.

Ir ou ficar.

Acabou decidindo que ao menos uma xícara de café era necessária. Se levantou e fez sua higiene de forma automática. A porta do quarto de Naruto estava fechada e nem seus cobertores ou roupas estavam na sala. O okonomiyaki jazia esquecido no fogão, intocado.

Preparou café assistindo a neve cair pela janela. Estava mais densa, serpenteando com o vento forte. Tudo cinza e frio.

Esquentou um pedaço do okonomiyaki e serviu uma xícara de café. Parou diante da porta de Naruto, segurando a bandeja com o improvisado café da manhã, e bateu. Não houve resposta. Esperou um minuto e bateu novamente.

— Preciso saber se está bem. – falou contra a madeira.

Já se arrependia de ter ido ali. Mesmo de ter levantado da cama, deveria ter passado o resto dos dias de tempestade trancado como o adolescente dramático que nunca foi esperando que decidissem a vida por ele. A vida adulta pedia uma ação adulta e adulto deveria ser repassando sua resposta adulta.

Tempo demais, mesmo que muito provavelmente nem um minuto tenha sido. Não insistiria batendo sem parar, mas também não queria sair sem a certeza de que não havia nenhuma sequela da aventura de ontem no corpo de Naruto.

Ouviu passos. Então a porta foi aberta, revelando o quarto escuro e Naruto.

Ele vestia um conjunto de moletom e tinha o cabelo em desalinho. Pés com meias, mãos normais e cinco dedos em cada uma. Vivo e funcional. Não foi muita surpresa encontrar o rosto do loiro sorridente, nem seu tom animado.

— Estou bem. Desculpa por ontem. – ele olhou a bandeja. – Café da manhã na cama?

Ele fingiria que nada havia dito, assumindo sua recusa. Assim seria se Itachi deixasse que escolhesse por ele.

Se abaixou para deixar a bandeja no chão. O rosto de Naruto ficou confuso, mas não se importou. Segurou-o pelo queixo com uma das mãos e a cintura com a outra, puxando-o para perto até que os lábios se encontrassem. Um momento de impulsão roubada daquele que agora segurava e não se afastava. Pelo contrário e para sua alegria: ele retribuía.

Foi a glória. O momento em que correntes de uma estabilidade despencaram, levando a balança ao completo desnível. Podia ter acabado de cometer uma loucura que lhe traria consequências terríveis, mas valeria a pena. Pois os lábios de Naruto estavam quentes e se repartiram para lhe saldar com volúpia.

Mãos se agarraram em seus ombros, o puxando para Naruto. Deu passos trôpegos para dentro do quarto enquanto suas línguas se embolavam, provando um do sabor do outro, o toque de um fruto até então proibido e tão desejado. Ele tinha gosto de pasta de dente e verão. Era quente e vibrante, contagiante ao ponto de tremer por mais contato.

A cama de Naruto surgiu em seu caminho e os dois caíram. Se apoiou nos antebraços para não esmagá-lo e ouviu o riso divertido abaixo de si. Encarou Naruto a tempo de ser puxado pelo rosto para reiniciar o beijo com mais pressa.

As mãos que corriam por baixo de sua camisa eram quentes e calejadas. Dedos que achou que veria congelar na noite anterior se agarravam a ele como ferros em brasa, o marcando sem pudor. Seu toque no entanto, provocava tremor na pele dourada. Abriu caminho através do moletom, encontrando o suave corpo atlético daquele que se recusava a ficar sem atividades físicas, delineado de músculos e quente como o próprio sol. Naruto arqueava o dorso em sua direção e Itachi o embalava com mais toques, pois nada no mundo lhe tiraria a oportunidade de trazer mais daquele calor para si.

Ele só aumentava, mesmo que as roupas fossem descartadas. As peles entravam em atrito e tudo o que não havia se permitido tocar e reparar na noite anterior, Itachi fez naquele momento em dobro. Estava escuro, mas visão não era necessária. Os outros sentidos estavam inebriados o suficiente para que fossem levados pelas sensações.

Os toques. O calor. Muito calor.

Não era virgem, mas pareceu a primeira vez que conhecia o que era mesmo o sexo. Não sabia o que era ouvir um belo gemido de prazer até estocar Naruto em sua próstata pela primeira vez. Queria ter cuidado ao mesmo tempo em que queria perder o controle enquanto o tinha de quatro sob si, se esfregando nos cobertores que eram de Itachi e nos quais Naruto se agarrava com tanta dependência.

Ela sussurra e suspirava seu nome.

— Itachi…

E ele lhe lambia atrás da orelha, chupando seu lóbulo para responder.

— Estou aqui.

Se arremetia, provocando mais dos gemidos lamuriosos, a doce tortura que os estremecia e exigia tanto o prolongamento quanto o alívio. Até que seus corpos estremecessem no auge de todo o prazer que ainda lhes era desconhecido.

Era comum se sentir pesado depois do gozo, mas Itachi se sentia leve. Deitou-se entre os lençóis com Naruto como se fossem nuvens e enfim conseguiu dormir o que não havia feito em dois dias.

Foi desligar por completo de tudo que o mantinha acordado. Do desconforto, da pressa, da ansiedade, do frio, da solidão. Num estalar de dedos, não havia mais problemas.

Por isso achou que acordaria em seu quarto, sozinho e sentindo frio, apenas com a reminiscência de um bom e impossível sonho.

Mas lá estava Naruto agarrado a ele, ainda no quarto escuro e sem sinal de qual era o horário, lhe beijando o pescoço e arrastando os lábios até os seus.

— Há quanto tempo? – ele sussurrou junto de sua boca antes de um beijo lento e macio. Itachi teve o lábio inferior puxado levemente antes que pudesse responder.

— Quatro anos. – suas pálpebras ainda estavam pesadas. Fechou os olhos e tateou as costas de Naruto, que agora se arrastava para cima de si com um riso rouco.

— Imaginei que não iria se interessar por mim ainda adolescente. – as mãos de Naruto foram até seus cabelos, penteando calmamente os fios para trás e afastando de seu rosto. – Você sempre foi maduro demais.

Deixou um sorriso de canto nascer, sendo levado pelo relaxamento do carinho.

— Chato demais para você. – falou sem se importar que a voz estivesse arrastada e um tanto embolada. Estava no paraíso, quem poderia culpá-lo por um pouco de desleixo?

— É um charme seu. – sentiu os lábios cálidos rumarem para sua orelha e desenharem seu lóbulo com sensualidade. – Mesmo que eu tenha te corrompido. – a risada de Naruto junto do peito vibrando em contato com o dele fizeram todo o sono de Itachi escorrer para fora da cama.

Virou o rosto até ser ele apoiando os lábios na orelha de Naruto e o prendeu em um abraço que lhes permitiu sentir a pulsação um do outro.

— Você é meu pecado. – deixou a voz mais baixa, arranhada, transparecendo o desejo que renascia. Naruto ofegou por um instante com as mãos segurando firmemente seus ombros. Então riu.

— A sensação de corromper você é boa. – para salientar, ele se moveu e Itachi pode sentir a ereção tocar a sua. – Vamos de novo.

Itachi era o controle. A balança. O exemplo.

Naruto era o fogo. O caos. O desejo.

Nunca se imaginou transando com alguém se importar em estar no quarto onde antes seu irmão dormia, ainda mais duas vezes seguidas. Não fazia maratonas de sexo, mas apenas olhar Naruto na meia luz já lhe acendia todo tipo de desejo.

Só pararam quando a fome falou mais alto e se viram obrigados a preparar algo para comer, constatando já ser quase o fim da tarde. Não deu atenção a nenhum código de higiene ao ser arrastado nu para a cozinha e colocar Naruto sentado na bancada para lhe foder enquanto o macarrão cozinhava.

Não se lembrava de comer nu, ou rir tanto, ou falar tanto. Naruto quem falava mais, claro, e Itachi amava ouvi-lo. Era melhor que apenas trocar mensagens, pois ali tinham a reação imediata e o toque. A tempestade parecia indicar o fim do mundo, mas estavam intactos no reconfortante centro de carícias.

— Eu fiquei perdido ontem. – Naruto riu enquanto olhava para o teto. Diante deles, apenas o kotatsu com o chá. – Você me abraçando e um cobertor com seu cheiro em volta de mim. Não sabia se morria de medo ou ficava de pau duro.

Itachi franziu o cenho ao encará-lo e riu.

— Por que medo?

— De ser platônico. Percebi há anos que estar perto de você me abala muito, mas nunca tinha ficado tão perto. Ontem eu notei que é muito intenso. Tipo, muito. Não foi só o frio, eu estava sem conseguir pensar.

Naruto fechou os olhos, o corpo inclinado para trás e apoiado nos antebraços. Agora com a iluminação devida, podia ver os detalhes que não se permitia encarar. O quanto Naruto era bonito e único. Como cada parte de seu corpo parecia feita a mão, sob medida exalar e refletir verão.

— Senti sua preocupação e quase desmontei. Todo aquele frio e você me apertando. – ele tornou a rir. Itachi sentia a barriga rodopiar junto das borboletas. – E seu cheiro e o calor, Itachi, você falou perto da minha orelha. – Naruto abriu um olho para espiá-lo com um sorriso. – Sabe quantos sonhos eu t… – ele parou de falar enquanto o sorriso se transformava em uma expressão compenetrada, espelhando a de Itachi.

Degustava daquele sentimento que tinha um teor tão surreal em que era objeto de desejo e admiração daquele ser tão soberbo, sem se importar com o silêncio ou que era encarado com tanta intensidade. E assim ficou enquanto Naruto se erguia, tirava as pernas de debaixo do kotatsu e engatinhava em sua direção. Até seus lábios se encontrarem, provando do ardor que nunca encontraria em outra pessoa. Não que se preocupasse em procurar.

Sentaram-se diante da lareira que não chegava perto do calor que eles mesmos provocavam. Tinham travesseiros e cobertores jogados para todos os lados, um caos que lhe acolhia para mais um enlace.

Naruto se sentou devagar e ondulou o corpo. Itachi viu estrelas. Adorava ver como seu pênis era engolido para um aperto quente e pulsante. Mas seu loiro tinha outros planos para sua atenção e o segurou firme na parte de trás da cabeça, puxando os fios compridos até que erguesse o rosto com um silvo de prazerosa dor. Olhos azuis que refletiam a chama da lareira lhe encaravam desejosos, a boca aberta exalando suspiros.

Foi nesse momento que espiou por cima do ombro de Naruto e viu a tempestade do lado de fora. O fim do mundo no frio e gelo na noite escura em que adentravam.

Piscou com força, olhou Naruto e o segurou para cintura. Ele o encarou confuso enquanto o guiava para se virar e se sentar de costas no colo de Itachi até lhe mostrar a visão que tinha. O vidro estava escuro, permitindo as duas visões parciais que tanto lhe fascinaram: a tempestade de neve do lado de fora e o reflexo dos dois em seu ato.

Naruto arfou ante a visão. Itachi mordeu seu ombro e o envolveu pela cintura com os braços. Deixou as mãos percorrerem pelo tronco desnudo, não só para sentir a pele tensa e úmida de suor, mas para criar mais atrito, deixar o calor com maior contraste ao frio de fora. Estava pronto para derreter ou entrar em combustão, desde que fosse por aquele corpo que tinha entre seus braços.

Naruto se movia e gemia. Observou-o pelo reflexo e encontrou-o encarando de volta, parecendo a própria encarnação da luxúria que sabia o poder que tinha em seu corpo. Envolveu-lhe a ereção com uma das mãos e o assistiu desmanchar-se para trás com prazer, deixando a cabeça apoiada em seu ombro. Marcou-lhe o pescoço, tudo ao alcance de sua boca..

O vento soprava, mas eles só esquentavam. Não se surpreenderia em acordar em meio às cinzas.



D  i  a    4


Sentiu-se estranho observando Naruto dormir. Se fosse ele, ficaria desconfortável sabendo que alguém o encarava enquanto estava inconsciente. Mas não conseguia desviar a atenção das feições ímpares dele nem se recriminar por mais aquele pecado.

Era fascinante o quanto era belo. A forma como franzia os lábios por segundos, então relaxava. A curva do maxilar, os cílios dourados, as curiosas marcas de nascença, o desleixo do cabelo rebelde. Assistiu em silêncio e sem tocá-lo por medo de que despertasse.

Foi um movimento suave que captou sua atenção. Naruto se encolheu contra os cobertores, ainda os de Itachi. Ele os abraços, afundou o rosto e respirou fundo. Foi um arrepio sem volta.

A tempestade havia passado. Havia uma parede de neve de um metro do lado de fora da casa, mas o Sol já despontava prometendo uma semana de degelo. Um dia perfeito para ficar entre os cobertores e se esquecer que tinha uma vida para tocar.

Com uma pontada de responsabilidade gritando, deixou Naruto sozinho e coberto ao ir para a cozinha. Constatou já passar do meio dia. Estava virando noites por culpa de Namikaze Naruto. Nenhuma novidade.

Mas estava perdendo o juízo, ou o que restava dele. O aviso dos pais de que haviam conseguido passagens para o dia seguinte significava que precisavam tirar aquele dia para afastar a neve do caminho da casa para transição. Também precisariam arrumar a sala que haviam conseguido dar a aparência de um ninho de gaivota. Até planejava dar andamento para seu plano quando mãos morenas o abraçaram pela cintura contendo dois pacotes de camisinha entre os dedos e lábios famintos não perderam tempo em correr por seu ombro.

Sentiu um chupão que também levou sua razão. E assim estava empurrando Naruto mais uma vez contra a parede, o desejo de bom dia sendo empurrado para a boca dele com sua língua, retribuído com um gemido. O segurou por trás dos joelhos, ergueu-os até tirá-lo do chão e, após colocarem a proteção, o penetrou devagar.

— Para de ser gentil.

O sussurro foi uma ordem soprada contra seus lábios.

Itachi deveria ser o equilíbrio, mas Naruto pesava demais em sua balança. E lá estava ele acatando o dito, passando para uma estocada forte. Plena satisfação foi o que sentiu ao arrancar um gemido estrangulado dos lábios cheios. A forma como os olhos de Naruto se apertavam, a boca aberta mal conseguindo produzir um som.

Braços o envolveram pelo pescoço quando persistiu nas investidas. Naruto não era de pudores, era extremo. Seus gemidos eram altos e ecoavam pela cozinha, mas alto que o choque dos corpos, o baque contra a parede, o tilintar da prataria nas estantes sacudindo com seus movimentos.

Itachi amava. O amava. Inteiro, desde seu jeito otimista e determinado, sua alegria contagiante, sua impulsão que o fazia cometer besteiras, seu calor, seu corpo, sua voz.

Quando teve seu orgasmo, precisou se apoiar na parede e Naruto ficou pendurado em si até que as respirações se regulassem. Ele chegou a deixar os braços escorregarem para se soltar, mas Itachi não o soltou.

— Tudo bem? – Naruto riu ao afagar suas costas. Sentia a ardência da coleção de arranhões ganhos nas últimas 24h. Esfregou o rosto contra o pescoço suado, respirou fundo do cheiro cítrico que Naruto exalava e soltou pela boca. Naruto exalou um suspiro desejoso. – Ok, me dá cinco minutos e estou pronto de novo.

Negou, e então afastou o rosto o suficiente para ver e ser visto. Beijou os lábios de Naruto que retribuiu com surpresa inicial e prosseguiu com a mesma volúpia das vezes anteriores. Logo se apertavam, acariciavam, suspiravam. O amava e desejava. Queria aquilo para sempre, não importava o preço.

Segurou-lhe o rosto e afastou devagar. Olhos nublados com prazer o encararam de volta.

— Precisamos arrumar a casa. – sussurrou.

Naruto piscou parecendo colocar os pensamentos em ordem, e dedicou a Itachi um sorriso ladino.

— Vai ser difícil tirar o cheiro de sexo daqui de dentro.

Imitou o sorriso e se inclinou para capturar o lábio inferior de Naruto entre os dentes. Chupou de leve e o puxou para si, trazendo o rosto alheio mais para frente, para então soltar.

— Pelo menos até amanhã. – disse e, finalmente, o soltou do abraço com cuidado.

Apesar de determinado em manter um mínimo de ordem, era difícil manter a linha com Naruto perto. Ele brincava apontando as manchas nos cobertores, encenava com as marcas das mãos nos vidros, contava piadas sujas e era desbocado relembrando o que haviam feito e o que poderiam fazer. Mesmo enquanto limparam o caminho da casa para a rua, cercado de neve e vento gelado, Itachi encontrou dificuldade em não ficar excitado com tantas ideias mirabolantes (e maravilhosas).

Deixaram a casa aberta para ventilar pelo resto do dia e se refugiaram no quarto de Itachi pela noite para concentrarem o calor de modo a não erguer suspeitas para o dia seguinte.

Embora estivesse muito cansado e a maratona de sexo exigisse pelo menos uma noite completa de sono, Itachi não queria dormir. Quando aquele dia acabasse, quando suas famílias chegassem no outro dia, algum balde de razão poderia ser jogado nele, lhe lembrando das consequências que aceitou acatar para ter mais de Naruto.

Lidaria com tudo, mas preferia adiar. Que aquela noite fosse eterna. Que Naruto e ele não mais saíssem daquela cabana.



D  i  a    5


Os Namikaze foram os primeiros a chegar. Kushina adorava abraços e não poupava nenhum Uchiha deles, nem mesmo Itachi. Temia muito que a gola alta escorregasse um pouco e revelasse o mapa feito pelos dentes de Naruto. Felizmente Kushina parecia mais interessada em questionar Itachi sobre cada detalhe de sua vida acadêmica nos últimos dois anos.

Achou que seria desconfortável, como se lembrava daqueles encontros, sempre com o incômodo de Itachi em parecer alheio à presença de Naruto enquanto por dentro contava os segundos para não precisar mais passar por tal provação. Então ali estava ele, sentindo prazer com o momento em poder compartilhar de uma conversa amena com os padrinhos enquanto tomavam chá.

Seus pais chegaram quase na hora do jantar junto de Sasuke.

O irmão não lhe pareceu diferente nem evitou contato visual. Não conseguia conter o frio na barriga esperando ser rejeitado a qualquer momento ou observado com alguma culpa. Não houve, mas não sentia ser certo falar sobre o assunto de forma tão aberta enquanto Naruto não o fizesse.

Se reuniram após o jantar diante da lareira para comer especiarias da ilha acompanhados de sake. Itachi quase havia se esquecido do quanto era bom e agradeceu por ter dado a chance para a viagem naquele ano. Não só por Naruto, mas pela sensação de estar em família que percebeu fazer falta. Percebeu que ficou com frio por todos aqueles anos, se isolando com pessoas que não lhe importavam muito e tentando enganar a si mesmo.

Ainda teria coisas a acertar, mas, se fosse para se sentir quente daquela forma, faria com prazer.

Estava saindo do banheiro quando ouviu a voz de Naruto soar um oitavo mais alta no corredor, vinda do quarto que ele dividia com Sasuke.

Permaneceu um momento parado, esperando compreender o contexto. Afinal, ainda estava preocupado com Sasuke.

— … do certo?

— Desde que você pulou feito uma gazela perto da churrasqueira.

— Caralho, é mesmo. – Naruto riu. – Eu achei que tinha disfarçado.

— Você é péssimo em despistar, dobe.

— Bom, eu achei que seria difícil para você, mas não achei que ficaria zangado.

— Não fiquei zangado. – houve uma pausa, longa demais para Itachi e sua desculpa para estar plantado no corredor ou para o frio do medo que crescia em seu peito.

— Você está fazendo beiço.

— Vai tomar no cu.

Risos. O frio parou de crescer, mas não cedeu espaço. As vozes passaram a ficar baixas e não pôde ouvir. Em um ímpeto, deu um passo para perto do quarto e parou. Não era da sua conta. Deveria ter sua própria conversa com Sasuke.

Foi para o próprio quarto e se fechou lá dentro. Abriu e fechou as mãos com a tensão se acumulando.

Deitou na cama e encarou o teto. Acabou desistindo de buscar algo para fazer e desligou as luzes para dormir.

Diferente das duas noites anteriores, os sons que deveriam confortá-lo não estavam relaxando. O som do vento lhe fazia sentir frio. Os suspiros da casa lhe davam a impressão de que estava vazia. Tudo era reflexo do quanto ele se sentia sozinho. E com frio.

Horas apenas com uma oficina incansável de ideias dentro de sua cabeça, revirando sem conseguir ao menos ficar de olhos fechados. Pegou o celular em busca de alguma distração. Nenhuma mensagem, e-mails apenas da empresa que se recusava a abrir durante aquela semana a menos que seu secretário encaminhasse como urgência. Assim passou a ler notícias, receitas, dicas de sono.

Ouviu a porta se abrir. Olhou sobre o celular com a visão desajustada por focar na tela luminosa.

A camisa laranja berrante dispensava apresentações e tinha surpreendente destaque mesmo no escuro, se aproximando.

— Está frio pra caralho. Quem desligou o aquecedor?

Seu coração estava a galope. Abaixou o celular e ergueu o cobertor em um convite silencioso sem pensar duas vezes.

— O gás acabou. – respondeu simplesmente quando queria cercar Naruto com perguntas.

Viu a silhueta de um sorriso nascer antes de Naruto subir na cama, se aconchegando sobre Itachi. Ele se encolheu e se apertou. O corpo com o frescor do frio do corredor causou um momentâneo choque de diferença de temperatura. Nada que impedisse o calor abstrato nascendo de seu interior, algo tão natural com a presença de Naruto e ainda mais intenso com toque direto.

Deixou o celular de lado, ajeitou o cobertor sobre os dois e envolveu o corpo menor com carinho entre seus braços. Com o rosto voltado em sua direção, Naruto repousou a cabeça em seu ombro, a respiração batendo quente em sua face direita.

Finalmente seus pensamentos estavam calmos. Foi estranho constatar aquela diferença. Quando achava que já era a imagem do equilíbrio, o caos que era Naruto construía sua ordenança de forma tão sutil quanto era respirar.

— Descobri porque Sasuke estava daquele jeito. – Naruto sussurrou, apenas audível por estarem tão próximos. Seus olhos não haviam se acostumado o bastante, mas conseguiu ver o brilho do sorriso. – Ele estava com medo de que fôssemos deixá-lo de lado.

Arqueou uma sobrancelha, mesmo sem saber se Naruto era capaz de ver.

— Ele disse isso? – falou no mesmo tom e ouviu um riso suave.

— Não com essas palavras. Mas desde quando um Uchiha admite que têm ciúmes?

Foi sua vez de rir. Não havia humano que negasse o poder do orgulho Uchiha, não seria ele a contestar, ainda mais para alguém que lidava diariamente com o fato.

O peso não estava mais lá. O último resquício de frio de preocupação, finalmente, se aqueceu. Sasuke estava bem. Eles estavam bem.

— Vou falar com ele amanhã. – percebeu que suas mãos acariciavam as costas de Naruto sem nem precisar pensar, era automático. O tecido era fino o suficiente para conseguir desenhar a coluna sob seus dedos, traçando o caminho até a lombar e subir mais uma vez.

— Você é mais quente. – Naruto murmurou. Foi encará-lo, mas ele estava de olhos fechados.

— É o moletom.

— Não, você é mesmo mais quente. – os olhos azuis se abriram. – Tira que eu te mostro.

Itachi franziu o cenho e segurou o riso. Três dias rindo a toa.

— Aí fico com frio.

— Não vai. – as mãos de Naruto já estavam na barra de sua blusa e a puxavam para cima, se arrastando em sua pele. – É um experimento, vai ver.

Não precisava estar com os olhos acostumados à escuridão para notar o sorriso malicioso que adornava o rosto de Naruto ou saber que seu olhar agora estava carregado de segundas intenções. Bastava sentir a pressão desnecessária dos dedos em seu peito, ou até o músculo enrijecido roçando em sua perna.

— Tenta não acordar a casa inteira nesse seu experimento. – o soltou e ergueu os braços para ajudar a retirar a peça de roupa. Naruto riu.

— Eu sei, ‘ttebayo.

1 июля 2018 г. 0:40:25 6 Отчет Добавить 20
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Crazy Clara Eu sou só doida mesmo. Mas é um grande prazer conhecê-lo!

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Adcen Adcen
Iti malia, chega a esquentar o coração lendo uma obra como essa!
27 декабря 2018 г. 3:37:24
Jessie Teixeira Jessie Teixeira
Ameeeeiii
4 августа 2018 г. 12:55:52
Isis Isis
Uau Clara! U a u ! Eu amei. Achei a cara do Itachi refrear os sentimentos em prol do Sasuke. A maneira básica e direta como o Sasuke deu sinal verde pro Itachi, muito ele. E o que foi essa maratona de sexo? Nossa, Naruto vai secar o homem kkkkk. Foi tão gostoso de ler, um ritmo tão bom, passou voando. Eu amei e não reclamaria de ver mais do relacionamento dos dois, da reação da família, do Sasuke nessa dinâmica - nem sei de quem ele ta sentindo mais ciúmes, mas sei q tanto o Naru quanto o Ita fariam de tudo pra ele não se sentir deixado de lado. Enfim, me aqueceu <3
Katana Kuro Katana Kuro
Cristo quando eu vi a imagem no face eu já imaginei que vinha coisa boa por aí e olha: tá maravilhosa hein Clara-senpai.
Emily C Souza Emily C Souza
Tô apaixonada. Sério, tô muito mesmo apaixonada. Que história linda, ai Jesus, me apaixonei ainda mais tempo Tachi agr. Eu sou louca nesse homem, e o meu neném tbm tá maravilhoso. Eu não consigo imaginar o Naruto crescendo junto do Itachi sem se apaixonar, na verdade. Pra mim ele teria um precipício pelo irmão mais velho do melhor amigo, e não só um crush. Tachi tbm se apaixonaria óleo amigo do irmão mais novo pq o Naruto é muito apaixonante. Ah, eu amo esses viados, pqp. Só existe duas pessoas pelas quais eu realmente acho que o Naruto poderia amar além do Sas, e eles são Itachi e Gaara. Obrigado por nos agraciar com esse hino. Aceito mais ItaNaru (pena q vc não shippa ItaDei kkkkkkk). Tá lindo Clara, muito mesmo, tô nas nuvens aqui.
KL Kitsune Lyra
Claraaaaa que coisa maravilhosa essa fic! Valeu toda a expectativa e ainda superou, nossa como você trabalhou bem a personalidade dos dois, de verdade, ficou tudo muito muito IC, a amizade de Naruto e Sasuke, o fato de ter rolado algo, mas ficou super bem resolvido, não deixando aquela tristeza pelo Sasuke sabe? A forma como Itachi estava arredio e Naruto magoado, a reaproximação, cada reação, tudo! Itachi sempre se anulando pelo irmão, mas tudo fluiu tão Lindo, tao bem e tão quente! Nossa, aqueceu a alma e o coração aqui, não somente as cenas de sexo, mas o romance em si, você arrasou muuuuuuito, que venham mais fics suas com meu personagem favorito Naru, pode colocar ele com qualquer um que eu leio *-----* mas ItaNaru é meu segundo hino, depois de SasuNaru e você brilhooooooou!
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