O Garoto Que Veio Da Lua Подписаться

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Seungsoo costumava contar para o irmão mais novo, que em noites de lua cheia, se você pedisse com todo o coração, receberia a visita de um garoto vindo da lua. Era apenas um conto bobo. Porém, parar o pequeno Kyungsoo, contos nunca deixaram de ser verdade. (Kaisoo | Fantasia | Kaisoo!kids | Fluffy | AU/UA)


Фанфик Группы / Singers Всех возростов.

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Короткий рассказ
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Contos Nunca Deixam de Ser Verdade

   Kyungsoo sempre foi fissurado pelo céu, desde bem miudinho.

   Quando era bebê, costumava se escorar nas janelas, durante a noite, olhando as estrelas. Sua primeira palavra, ao contrário da de muitas crianças, não fora qualquer derivação de “mãe” ou “pai” e sim, um enrolado e desajeitado “lua”, enquanto apontava para a janela do velho fusquinha amarelo da família, na vez em que ele e o irmão mais velho observavam o céu noturno na volta pra casa, depois de passarem um fim de semana na casa de uns primos que moravam na capital. Naquele momento, a primeira palavra foi tão repentina que seus pais nem se sentiram chateados por não serem a primeira coisa que um de seus filhos aprendeu a chamar.

   Na medida em que crescia, ele ficava cada vez mais fascinado pelo céu e pelos astros.  Gostava de ver filmes com temática espacial, nas fitas velhas que encontravam na locadora e de ler tanto os quadrinhos que o jornaleiro emprestava pra ele quanto os livros grossos de astronomia que seu avô costumava possuir; não que ele soubesse ler de verdade, na realidade, ele apenas observava as figuras, maravilhado, imaginando o que poderiam significar e quando tinha sorte, conseguia que seu pai lê-se para si. Nem ele, nem o irmão, frequentavam a escola, já que ali no interior a escola era um artigo de luxo, apenas para as famílias mais ricas e geralmente com um único filho.

   Por isso, quando o estudo começou a fazer falta - com os dois ficando cada vez mais curiosos e a necessidade da independência intelectual de cada um ficando mais presente -, a família Do se mudou para a cidade grande.

   Os dois pequenos demoraram bastante para se adaptarem a capital e os costumes de lá, com o sotaque forte sempre dando as caras. Mesmo assim, os dois ingressaram imediatamente na escolinha mais próxima de casa, começando a alfabetização e em seguida, o ensino fundamental. O filho mais velho dos Do era quem mais sofria, tentando alcançar os garotos da sua idade e por sorte, seu esforço foi o suficiente pra que conseguisse. Já o mais novo, mesmo tendo que usar óculos quando seu astigmatismo se fez presente, apenas ficava cada vez mais curioso sobre as disciplinas da escola, como o garoto esperto que era. E em momento algum, Kyungsoo perdia sua paixão pelo céu. Sua matéria favorita na nova escola, era sem dúvida alguma, ciências. Os planetas eram fascinantes do seu ponto de vista.

   Só não eram mais fascinantes do que a lua! Afinal, a lua não era tão grande, nem tão independente quanto os planetas, já que refletia a luz do sol e orbitava a terra, mesmo assim, isso não fazia dela menos incrível.

   E depois de ver um documentário na escola sobre o primeiro astronauta a pisar nela, sua maior meta se tornou a mesma da NASA décadas atrás; Pisar na lua.

   O quarto de Kyungsoo, aos poucos, se tornava temático; O teto, pintado do azul mais escuro que a pequena loja de construção de seu bairro podia oferecer, decorado com pontinhos em tinta branca-fluorescente, como estrelas. Móbiles de planetas, que ele havia ganhado dos primos, davam ainda mais vida ao quarto. O jogo de cama de astronauta que os avós tinham lhe dado de natal, eram um dos componentes mais chamativos do seu pequeno mundinho particular e também, o pai entrava no embalo do pequeno e sempre que podia, trazia algo da loja de presentes do planetário em que trabalhava como porteiro, contribuindo com a temática do quarto. Toda vez que recebia um desses presentes, o mais novo dos Do dava um daqueles seus sorrisos únicos e cheios de alegria, pulando pela casa até sua mãe, ansioso para mostrar o novo presente. Até Seungsoo, seu irmão mais velho, era presenteado pela alegria do mais novo, já que preferia muito mais ver o sorriso do irmão do que ganhar algo do tipo.

   — Olha, Seung, olha! — Kyungsoo pulava, adentrando o quarto do irmão mais velho, que já beirava os seus quinze anos — O papai trouxe esse globo pra mim, não é lindo? Olha, olha, as estrelas caem!

   Kyungsoo chacoalhou o globo, onde um astronauta pisava na lua, segurando uma bandeira branca, com glitter caindo em volta dele, como uma chuva de pequenas estrelas. Seungsoo tirou os olhos do trabalho que tinha que entregar no dia seguinte para dar toda a sua atenção ao menor. Ignorando o cansaço, ele sorriu para o irmão, pegando o globo e chacoalhando-o novamente, para que o glitter caísse mais uma vez, provocando outra chuva de astros luminosos.

   — É mesmo muito bonito o seu globo, Soo — Ele deu um sorriso, devolvendo o globo pro irmãozinho, arrumando também os óculos teimosos do garotinho.

   — Você me ajuda a por ele na estante, Seung? — Kyungsoo pediu, dando pulinhos — Por favor!

   Seungsoo assentiu, levantando e pegando a mão do irmão, pra acompanhá-lo até o quarto do próprio. Enquanto o pequeno pulava, animado, ele se lembrava de quando o irmãozinho era mais novo e vinha lhe pedir ajuda quanto tinha pesadelos, dizendo que monstros se escondiam em seu ármario.

   Na sua cabeça, o irmão parecia muito com Boo, a garotinha de um filme que tinha visto anos atrás com ele, só que sem as maria-chiquinhas. Além da forma física parecida, Soo era tão corajoso e curioso quanto ela, com a única exceção do monstro do armário estragando seus sonhos, transformando-os em pesadelos terríveis, que sempre acabavam com um Kyungsoo choroso e assustado na porta do quarto de Seungsoo, pedindo ajuda.

   Seung sempre tinha que contar estórias para que Kyung adormecesse de novo, se não as contasse, o menor não pegava no sono de jeito algum; e ele não podia, de jeito nenhum, repetir alguma estória, porque o pequeno tinha uma memória demasiadamente boa e nunca esquecia das estórias que ele o contava. E, como aquilo se repetia por várias e várias noites, Seungsoo frequentemente era visto lendo algum livro fantasioso, para ter novas estórias para contar ao outro.

   Kyungsoo era seu único irmão e por muito tempo,  foi seu único amigo. Ele sempre fora um tanto tímido — não mais do que o mais novo era — e antes que conseguisse fazer algum amigo na nova vizinhança, com o sotaque do interior sendo seu maior inimigo, o irmãozinho que na época ainda não enxergava direito sem os óculos, foi sua única companhia. Talvez fosse por conta desse relacionamento tão próximo desde muito cedo, que hoje o maior não conseguia se ver sem o irmão.

   Era como se fosse sua função no mundo, protegê-lo. E Kyungsoo não era capaz de reclamar, tendo se acostumado com o irmão sempre ao seu lado, afinal, como era extremamente tímido com pessoas que não fossem da família, o irmão também era seu único amigo.

   Claro, ele até tinha Yifan, seu colega da escola, só que não era a mesma coisa. Ele apenas respondia as perguntas insistentes do chinês, não conversava com ele de verdade.

   — Obrigado, Seung! — Agradeceu Kyungsoo, abraçando o irmão, assim que ele colocou o globo de astronauta na estante do quarto, ao lado dos livros de contos de fadas e cadernos de desenho — Conta uma história pra mim dormir, por favorzinho?

   Mesmo que Seungsoo estivesse exausto e ansioso para cair com tudo na cama e dormir, nunca seria capaz de negar um pedido do menor.

   — Uma história? Acho que não tem problema, né? — Riu o maior, se sentando na ponta da cama — Já tomou banho?

   Kyungsoo assentiu, seguindo o irmão até a outra ponta da cama, imitando seu gesto.

   — Tomei sim! E adivinha? Tomei sozinho! Sou menino grande agora, sabia? — Disse, todo orgulhoso, arrumando os óculos que insistiam em escorregar pelo nariz — Posso até me trocar sozinho!

   — É mesmo? Nem acredito, você agora é grande! — Seungsoo fingiu surpresa, fazendo cara de espanto — Então, já que você é um menino crescido, pode colocar seu pijama sozinho, não pode? Assim eu vou te contar uma história, fechou?

    — Fechou! — O pequeno fez uma joinha, pulando da cama, indo apressado até a comôda.

   Quando viu o irmão correr até o banheiro, com o pijama em mãos e os óculos quase caindo do rosto, Seungsoo não evitou em sorrir.

   Seria tão ruim ficar longe dele na semana seguinte, quando fosse para a viagem da escola.




   — Então, o garotinho levou ela em um passeio de baleia até a lua, na promessa de que sempre que a menina estivesse triste, ele iria até a casa dela pra fazer ela sorrir — Seungsoo terminou sua narrativa, sob dos olhos atentos, porém sonolentos, do irmão mais novo — Boa noite, Soo.

   Tirou os óculos do rosto de Kyungsoo, colocando-os no criado mudo, antes de se levantar, não sem antes deixar um beijo estalado na testa do pequeno.

   Como de costume, Seungsoo se virou para ir dormir, entretanto, antes que fosse, foi interrompido pelo irmão.

   — Seung, espera! — Chamou Kyungsoo, se remexendo nas cobertas.

   — O quê? Quer outra história? — Perguntou o mais velho, se virando para encará-lo

O pequeno negou com a cabeça.

  — Se eu pedir com todo o coração, como a menina fez, ele também leva eu pra lua? —Esperançoso e um tanto acanhado, Kyungsoo perguntou.

   — Se você pedir com todo o coração… — Seungsoo deixou a frase no ar, apagando a luz do quarto antes de ir.

   Naquela noite em especial, Kyungsoo sonhou com a tal baleia e o garoto da lua, imerso em sorrisos.



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   — Mamãe, quando o Seung vai voltar? — Kyungsoo apoiou os bracinhos gordinhos no balcão da cozinha, vendo a mãe lavar a louça do jantar.

   — Daqui uns dias, filho — Respondeu ela, esfregando os pratos, sem dar muita atenção ao garotinho amoado.

   O pequeno sentia muitas saudades do irmão mais velho nos últimos dias, desde que ele tinha ido para uma viagem de garoto grande. Do seu ponto de vista, era muito injusto ele não ter ido junto, afinal, ele já era um garoto grande também! Até se vestir sozinho, ele se vestia! Ele comia sozinho e comia todos os legumes! Deixava sempre o quarto limpinho e guardava todos os seus brinquedos, sem que a mamãe mandasse! Era bem grandinho!

   E mesmo assim, não tinha ido com ele.

   — Daqui uns dias quanto? — Voltou a perguntar, inquieto, arrumando seus óculos e brincando com as mãozinhas miúdas.

   — Muitos dias, pequeno, vá tomar banho pra dormir, sim? Vou pedir pro papai te colocar pra dormir, só deixa a mamãe lavar os pratos, combinado? Seu irmão vai voltar logo — A mulher disse, ainda focada na louça.

   Ao perceber que de fato não receberia a resposta que queria, ele se deu por vencido.

   — ‘Tá, mamãe — O pequeno saltou da cadeira, com um biquinho contrariado - Não quero mais ficar sozinho, poxa.

   Em passos arrastados, Kyungsoo seguiu até as escadas, subindo-as devagar, degrau por degrau, se dirigindo até o seu quarto. Preguiçosamente, ele se despiu e tomou banho, colocando o seu pijama azul favorito e se jogou na cama, desanimado. Tomou novamente sua carranca, cruzando os bracinhos, em baixo do cobertor quentinho, logo vendo o senhor Do adentrar o quarto, sorrindo triste para o pequeno.

   — Sei que sente falta do seu irmão, filho, mas pense que logo, logo ele ‘tá de volta - Disse, se sentando na ponta da cama — Quer que eu conte uma história pra você?

   — Eu gosto mais das do Seung, papai… — Suspirou Kyungsoo, desfazendo a carranca, que foi substituída por uma carinha triste.

   — Tudo bem, então apenas durma bem, viu? — Por mais impotente que se sentisse no momento, sem poder amenizar a tristeza do filho, o senhor Do tentou ser otimista — Amanhã, vou trazer um presente pra você, então não quero ver você tristinho, porque se você fica triste, eu também fico, promete que vai ficar bem?

   — Prometo — O pequeno sorriu triste, recebendo um beijo estalado do pai em sua testa, e o mesmo retirou os óculos do rosto do filho — Boa noite, papai.

   — Boa noite, pequeno — O mais velho se levantou, colocando os óculos do menino no criado mudo e apagando a luz antes de deixar o quarto.

   Assim que o pai se foi, fechando a porta do quarto, Kyungsoo se revirou na cama, olhando para seu globo de astronauta na estante, se lembrando do irmão. Ao ver o globo, também se recordou daquela estória que Seungsoo havia contado daquela vez.

   Seria muito bom ver o garoto da lua, pelo menos naquela noite. Seria bom pra esquecer as saudades que sentia do irmão, não é?

   — Bem que você podia aparecer aqui hoje, menino da lua — Pensou o pequeno, se virando para o outro lado da cama — Me sinto muito tristinho, sabia?

   Assim que fechou os olhinhos cansados, Kyungsoo se perdeu em pensamentos sobre o garoto da lua, como ele seria, se seria um menino tão legal como Seungsoo contara e em quantas coisas divertidas eles poderiam fazer juntos.

    — Seria muito bom se você viesse, mesmo...

   Com aquela frase, o pequeno Do adormeceu, distraído, ainda sentindo a falta do irmão mais velho.




   Kyungsoo despertou com um barulho diferente em seu quarto, abrindo os olhinhos devagar, com medo do que pudesse encontrar. Ainda era noite e seu quarto estava parcialmente escuro, sendo estranhamente iluminado pela janela.

   Não era dia, então de onde poderia vir aquela luz, senão do sol?

   Hesitante, o pequeno saiu da cama, ainda com os olhinhos semicerrados, colocando os seus óculos enquanto se acostumava aos poucos com a iluminação baixa. Com passos contidos, ele se dirigiu até a janela, abrindo-a com cuidado para não fazer muito barulho, antes de encarar qualquer que fosse a fonte daquela luminosidade.

   E, mesmo com a toda a criatividade de criança que tinha, ele não esperava mesmo, ver uma baleia luminosa e flutuante, de frente à janela de seu quarto. Esperava menos ainda, ver sobre ela, um garotinho um pouco maior que si, porém perceptivelmente mais novo que ele, de cabelo castanho e pele caramelo, em roupas de astronauta, lhe encarando curioso. Kyungsoo, sem acreditar no que via, esfregou os olhinhos por baixo das lentes do óculos, numa tentativa desesperada de despertar e parar de sonhar acordado.

   Entretanto, aquilo com certeza não era um sonho, porque mesmo depois de bem desperto, a baleia luminosa e o garotinho astronauta continuavam ali, em frente à sua janela.

   — Oi, por que você está tristinho? — Perguntou o menino, ainda encarando Kyungsoo, como se o moreno fosse um pequeno enigma.

   Por estar em choque, ouvir a voz do garoto tão de repente o assustou, fazendo ele dar um salto para trás, provocando um riso discreto no recém chegado.

   — Q-quem é você? — Disse o Do, alarmado.

   — Sou o Jongin! Pode me chamar de Nini se quiser! — O castanho sorriu, todo amigável — E você, quem é?

   — K-Kyungsoo — Respondeu o miúdo, ainda assustado — De onde você veio?

  — Da lua, ué! - Devolveu Jongin, como se fosse óbvio — Você não me chamou porque estava tristinho?

   Kyungsoo se colocou a pensar, se lembrando de ter pedido a visita do menino do conto de Seungsoo. Só que não era possível ele ter ido ver justamente ele, em meio à tantas crianças pelo mundo… Era?

   — Você veio mesmo! — Comemorou o baixinho, saltitante — Nunca achei que você fosse vir!

   — Por que não? — Questionou o mais novo, ofendido — Não gosto de deixar os outros tristes!

   — Você é mesmo o garoto da lua?

Jongin pareceu mais ofendido ainda.

   — ‘Tá me chamando de impostor? Aquela baleia não é de mentira! Ninguém mais tem uma baleia dessas, sabia? Só eu! Claro que eu sou o menino da lua! — Ele fez um biquinho chateado, todo tristonho.

   O Do não gostou nada de ver o possível amiguinho triste, ainda mais por sua causa. Poxa, não foi aquilo que ele quis dizer! Ele só queria dizer que estava surpreso demais pra acreditar… Tantas crianças por aí, tristinhas, sejam em casa, ou nos orfanatos e até nas ruas, e o garoto da lua havia visitado justamente ele! Parecia bom demais para ser verdade, Jongin não podia culpá-lo por não conseguir acreditar de primeira, podia?

   Como não havia feito por mal, logo tratou de se desculpar com o garoto astronauta.

   — Desculpa, eu não quis dizer que você é um impostor, eu só não acreditei que você é mesmo o menino da lua, sabe… Não fica tristinho, por favor, eu só estou pressionado! — Kyungsoo pegou a mão do outro, acariciando-a como em um pedido de desculpas físico, sem perceber que havia trocado a palavra “impressionado” por “pressionado”.

   — Tudo bem, tudo bem… Eu perdoo você, mas só porque você está tristinho, ‘tá? Aliás, por que é que você está tristinho? — Jongin passou a encarar o outro, preocupado.

   Antes que o outro respondesse a pergunta, lhe puxou até a cama, onde se sentaram, longe da janela.

   — Sinto falta do meu irmão… Ele foi pra viagem de menino grande, mas eu também sou um menino grande! Eu até tomo banho sozinho, sabia? Sou grandinho! E mesmo assim, não me deixaram ir com ele… Sinto muita saudade — O moreno fez um biquinho triste, recebendo o mesmo carinho que tinha feito anteriormente, e olhou para os próprios pés descalços, que balançavam suspensos.

   — Não fica tristinho por isso, tá? Sabe por quê? — O castanho levantou seu queixo, fazendo o outro lhe encarar.

   — Por quê? — Kyungsoo olhou nos olhos de Jongin, que lhe mandavam um olhar repleto de ternura e inocência.

   — Porque logo, logo seu irmão vai voltar e vai brincar muito com você! E você vai ficar muito, muito feliz! — Falou, na tentativa — bem sucedida — de animá-lo — Enquanto ele não voltar, eu posso brincar com você!

   — Pode? — Esperançoso, o Do encarou seu mais novo amigo, cheio de alegria.

   — Claro que posso! Sempre que seu irmão estiver longe, eu vou vir brincar com você, combinado? Só não fica tristinho, por favorzinho! — Jongin fez um biquinho, recebendo acenos positivos com a cabeça vindos do Do.

   — Combinado! — Sorriu o moreno, satisfeito.

   — Então é trato feito! — Riu o castanho, orgulhoso e animado para as futuras brincadeiras.

   Contudo, antes que pudessem de fato começar a brincar, Kyungsoo lembrou de algo muitíssimo importante.

   — Mas e quando meu irmão ficar velho demais pra brincar? Você vai vir brincar comigo? — Perguntou, receoso e com medo de ficar sozinho — Eu não tenho outros amigos...

   — Eu nunca vou te abandonar, vou ficar aqui com você, mesmo quando seu irmão crescer! — Afirmou Nini, convicto.

   — Jura de mindinho?

   — Juro de mindinho! — Estendeu seu dedo mindinho para o mais velho, que entrelaçou seu próprio mindinho no dele.

   Em agradecimento, Kyungsoo abraçou forte o mais alto, que retribuiu o abraço, repleto de carinho.

   — Você já brincou de elefante colorido? — Perguntou o Do, assim que desfizeram o abraço.



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   Em todas as noites seguintes, mesmo depois de Seungsoo voltar da viagem de “menino grande”, o garoto astronauta ia ver o amigo, brincando com ele em seu quarto noite adentro, até perto do sol nascer, quando ele tinha que ir embora.

   As despedidas eram difíceis, porém necessárias.

   Mesmo brincando até perto do amanhecer, mal tendo tempo para dormir, Kyungsoo sempre acordava disposto, como se tivesse dormido a noite inteira. E, apesar de que vez ou outra os dois fazerem muito barulho, ninguém nunca acordava. 

   Nem mesmo no dia em que Soo machucou o joelho, tão feio ao ponto de sangrar, assim que ele se desequilibrou ao pular da cama, enquanto eles brincavam de pirata. Ele tinha feito um 'barulhão' ao cair sobre o criado-mudo, além de ter chorado muito, desesperado ao ver tanto sangue, e mesmo assim, ninguém apareceu pra perguntar o que tinha acontecido. Ainda era bem fresco na memória de Kyungsoo o modo cuidadoso de Jongin ao cuidar do seu machucado.

   — Ei, ei, não chora, calma Soo, não chora — Sussurrava, limpando o machucado do menor com algodão, que ele tinha encontrado na estante — Olha, vou por um curativo aqui pra parar de sangrar, tá?

   O garoto tirou um band-aid colorido de um dos bolsos, colocando com cuidado sobre o corte — agora limpo — no joelho do Kyung. Deu um beijinho na bochecha do amigo, apertando sua mão, para acalmá-lo.

   — Cuidei do seu dodói, Soo, cuidei dele bonitinho pra você — Sorriu, secando as lágrimas do outro com as mãos, colocando no rosto dele os óculos que tinham caído na queda.

  — Obrigado, Nini — O moreno agradeceu, entre fungadas, cessando o choro do susto enquanto arrumava os óculos.

   O castanho era um bom amigo. E era um garoto muito esperto também.




   Em certa noite, ele teve uma ideia diferente.

   — Sabe o que a gente pode fazer agora? — Disse, enquanto jogavam dama, sentados sobre o tapete do quarto.

   — O quê? — Mais focado em sua jogada, Kyungsoo perguntou, capturando uma das peças do amigo, sorrindo pequeno por isso.

   — Visitar a minha casa! — Bateu palmas, animado com a ideia — Lá é 'muuito' legal! Dá pra brincar bastante!

   — Na sua casa? Você tem casa? — O Do franziu o cenho, confuso.

   Jongin não morava na lua? Como ele tinha uma casa no espaço?

   — Claro, eu não moro no espaço! Moro na lua! — Falou, como se lesse os pensamentos do menor, deixando o jogo de lado.

   — Então podemos ir mesmo na lua?

   Quando Jongin assentiu, Kyungsoo se levantou, esquecendo do jogo também, dando pulinhos de alegria, entusiasmado. Finalmente ia conhecer a lua! Ia conhecer o céu! Poderia tocar as estrelas! Poderia até mesmo pisar na lua, flutuando como os astronautas que via na televisão!

   O mais novo se levantou também, depois de juntar as peças do jogo, contendo um riso, achando a maior graça na animação do Do.

   — Tá esperando o que? Vamos, vamos! Antes que fique dia, ou a gente nem vai poder brincar direito! — Ele subiu na janela, chamando o outro com uma das mãos.

   — Mas eu não preciso de um uniforme? Uma roupa de astronauta como a sua? — Indagou Kyungsoo, ao se dar conta de que até a lua, havia um longo caminho de céu.

  — Não! Você só precisa… — Ele tateou os bolsos da roupa de astronauta, tirando de lá um saquinho pardo de tecido, amarrado com uma fita de cetim vermelha, que ele ergueu sobre a cabeça, como um prêmio — Disso!

   — O que é isso? — O moreno encarava o saquinho, curioso.

   Ao invés de responder, Jongin abriu o saquinho, tirando de lá um pouco de pó prateado, que jogou sobre a cabeça do outro, antes de amarrar o saquinho novamente e guardá-lo no bolso novamente, sem sair do parapeito da janela.

   — Isso é como o pozinho mágico do Peter Pan*? — Questionou, imaginando em que tipo de coisa deveria pensar para voar, isso se o pó fosse mesmo como o da estória.

   Peter Pan era uma das estórias que Seungsoo havia contado para si, em uma das primeiras vezes que teve pesadelos com o monstro da armário. Na época, havia amado o conto, tinha sido um de seus favoritos, junto com a imitação do irmão de Capitão Gancho, que entortava a boca e forçava uma voz engraçada e mal-humorada de pirata.

   — Não! Isso é pra você poder ir comigo sem passar mal! — Riu, desconhecendo o tal pozinho mágico do Peter Pan — Você vem?

   Ele estendeu a mão de novo, ajudando o outro a subir na janela. Ambos embarcaram na baleia luminosa, a caminho da casa de Jongin, na lua.

   Durante todo o trajeto, Kyungsoo encarava tudo incrédulo, tentando tocar as estrelas, enquanto avançavam na imensidão escura e infinita do céu. No meio do trajeto, ele adormeceu, com a cabeça repousada nas costas de Jongin.

   O Do só se viu desperto um tempo depois, em uma cama que ele desconhecia. O garoto astronauta, agora usando um pijama, o observava em uma cadeira próxima à cama.

   — Oi, dorminhoco, 'bora' brincar? — Disse ele, zombeteiro.

   Kyungsoo se sentou na cama, esfregando os olhos, tentando assimilar as coisas. Ele se lembrava de jogar dama no tapete de seu quarto, subir na janela, tentar pegar estrelas e adormecer nas costas de Jongin, a caminho da… Lua!

   — Espera, espera! — O moreno saltou da cama do maior, estupefato — Eu estou na lua? Tipo, na lua mesmo?

   Recebendo acenos positivos e entusiasmados do outro, Kyungsoo correu até a janela, colocando os óculos que encontrou sobre a cama e abriu as cortinas, animado. A visão com a qual se deparou era simplesmente inexplicável. O céu estrelado, escuro como asfalto, em contraste com o solo lunar, cinzento e cintilante. Uma visão linda, digna dos contos de fadas.

   — Uaaaau, isso é incrível! Você mora aqui mesmo, Nini? Waaa — O pequeno estava maravilhado, olhando tudo curioso, os olhos refletindo a admiração.

   — Depois a gente pode descer lá! Faz um tempão que não vem ninguém aqui! Então antes, a gente pode brincar, não pode? Diz que sim, vai! — Jongin se levantou, abrindo os braços, como fazia quando se animava demais.

   Kyungsoo se juntou ao outro, deixando qualquer outra coisa que não fosse brincar, de lado.    Nas horas seguintes, brincando com o mais novo, ele esqueceu completamente de casa e do horário, se distraindo com os sorrisos fáceis e a risada contagiante do outro.

   E a tradição de se encontrarem todas as noites, no quarto do menor, nunca foi quebrada.    Anos mais tarde, Kyungsoo descobriu que o motivo de sempre acordar disposto sem ter dormido e de nunca aparecerem em seu quarto quando Jongin estava ali era pura mágica. A mágica única do castanho. 

   Não importava quanto o tempo passasse ou o quanto eles crescessem, o garoto astronauta nunca deixaria seu amigo sozinho, nem quando eles não brincassem mais.

   Já Kyungsoo, jamais esqueceria do garoto que veio da lua.




*O pó é da Sininho, mas quando eu era criança, achava que era do Peter Pan. Por isso coloquei como do Peter Pan.

1 июля 2018 г. 15:07:10 0 Отчет Добавить 2
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