baekinho liv liv

Hoseok é de humanas e Yoongi cursa exatas e apesar deles não se darem e viverem em provocações, Taehyung garante que é apenas tensão sexual. Então ele e seu namorado, Jeon Jeongguk, resolvem provar isso levando ambos para uma viagem em Jeju, onde eles têm certeza que as briguinhas e provocações bestas irão acabar. Fluffy | tentativa de comédia | Yoonseok!au | Chinweek


Фанфик Группы / Singers 18+.

#bts #taekook #yoonseok #sope #bangtan-boys #eunhae #minjoon #chiliv
Короткий рассказ
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O nerd e o hippie. Operação cúpido!

“O humano exato.”

[Antes do planejamento — acordando atrasado — batendo o dedinho na quina]

Para variar Jung Hoseok estava atrasado, saindo aos tropeços do kitnet que vivia perto da universidade, colocando nos ombros a bolsa creme cheia de bottons de bandas de indie e de causas políticas.

Suas roupas eram diferentes do padrãozinho comum visto por aí. Sua blusa era toda destruída, como dizia sua mãe “parece que saiu da boca de um camelo”, e colorida ao extremo. Suas calças eram justas e rasgadas, em uma cor neutra e nos pés tinha o que Taehyung nomeou de “sandálias de Jesus".

No rosto o óculos redondo dava um ar estudioso e desleixado para o estudante de sociologia. E na mão o celular que tocava deixava-o com um ar desesperado.

Ao atender ouviu a voz de Taehyung, gritando por si, perguntando onde estava e dizendo coisas que ele já sabia, como “está atrasado”, atingindo fortemente seus ouvidos.

Jurou a si mesmo, domingo passado, que não iria sair nesse dia por sempre acordar péssimo na segunda-feira, causando aquele transtorno como o de agora. Podemos ver que tal promessa não foi levada tão a sério.

Ontem Hoseok tinha ido a um sarau de poesias que teve perto do campus e depois, levado pelos amigos, acabou indo parar em um barzinho no subúrbio de Seul onde o barman parecia o conhecer melhor que sua mãe.

Bebeu todas até Jimin dizer que estava indo embora e que se ele quisesse carona aquele era o momento, então aos tropeços — novamente, mas dessa vez pela embriaguez — Hoseok acompanhou Jimin, que aparentava estar sóbrio, até a moto do mais novo.

Aquela não era a vida que imaginava que teria na oitava série e nem a que seus pais imaginavam até dois anos atrás, quando ingressou na faculdade.

Quando contou que iria fazer sociologia para os pais o desânimo foi estampado nos rostos deles. Esperavam o quê? Que Hoseok fizesse algum tipo de engenharia? Logo seu filho que mesmo batendo a cabeça nos livros de matemática conseguia tirar um três? Já era mais que óbvio que Hoseok não iria fazer algo do tipo.

Correndo nas escadas Jung se apressava para ver se conseguia ainda pegar o primeiro horário, mas batendo os olhos na hora já imaginava que não daria então para que correr? Até porque o primeiro horário era de Teoria das classes sociais e tinha uma leve impressão de que o professor dessa matéria odiava-o.

Teria os 50 minutos da primeira aula para chegar até a universidade, que ficava a dez minutos de onde estava, então porquê não tomar um café? Coisa que não conseguiu fazer em casa.

Entrou na cafeteria e olhou a sua volta vendo que a maioria das mesas estavam ocupadas, decidiu então que o balcão ainda era o melhor lugar.

Vendo várias pessoas de costas Hoseok não imaginou que sua sorte imensa levaria-o a sentar do lado da pior pessoa possível, o nerd, fodidamente lindo, do curso de Astronomia.

Nada contra as estrelas, longe disso, afinal o Jung tinha até tatuagem das suas constelações preferidas, mas contra Yoongi e suas contas quilométricas, ah isso ele tinha.

Quem em plena sã consciência escolhe um curso para a vida toda onde se lida com números com mais zeros que a conta bancária de um bilionário? Ninguém, para Hoseok, Yoongi é louco.

— Ora, ora, quem está aqui! Min Yoongi, o deus da álgebra.

— Não me torra a paciência, Hoseok, são só sete e meia, ainda. — Yoongi revirou os olhos chupando pelo canudo – com um bico fofinho nos lábios – o resto do líquido do copo.

— Você faltando a aula? Por que não está no seu período Min? — o Jung estava mesmo curioso, o nerdzinho não costumava faltar às aulas por vontade própria.

— Meu professor de cálculo diferencial e integral faltou… por que eu estou te dando satisfação mesmo?

— Entendi, estressadinho. — o silêncio se instalou entre eles enquanto Hoseok chamava a moça para fazer o pedido. — Yoongi, posso tirar uma dúvida?

— Fala, Jung.

— Se você estuda estrelas, por que sua aula é de manhã? como você enxerga elas? — escutou Yoongi bufar e suspirar profundamente.

— Mesmo de dia ainda dá para ver as estrelas, Hoseok e eu tenho aulas sim no período noturno, e você deve ter também na sua grade, só não sabe. — Yoongi disse olhando para o celular.

— Credo, eu hein! — Hoseok abominava aulas no período noturno, ele gostava de estar ou em sua casa na paz ou em algum role que estava marcado com os amigos.

Para Yoongi, Hoseok era nada mais nada menos que um projeto de hippie mal feito, que gostava de protestar no campus da universidade e andava descalço quando dava na telha, e além de usar de entorpecentes – como maconha – gostava de fazer rodas de violão e poesias para utilizá-los em companhia.

Nada contra ele e suas manias de gente maluca, mas preferia sua turma de astronomia onde ninguém aparecia descalço ou cheirando a planta queimada na aula.

Hoseok parecia viver em paz, diferente de Yoongi que estava sempre pilhado com algo, enquanto Jung gostava de chá de camomila para acalmar os ânimos, Yoongi estava lá, passando mais um café e lotando seu organismo de cafeína.

Completamente opostos, isso era óbvio até mesmo no olhar ambos davam para a mesma coisa. Os amigos dos dois – ainda tinha isso, seus amigos em comum – riam de como eram diferentes mas ao mesmo tempo tão iguais.

Eles chegavam a ser tão parecidos que batiam de frente.

— E pelo que eu pude ver você saiu atrasado, certo? — Yoongi alfinetou o mais novo.

— E como você sabe, senhor genius?

— Sua blusa… está ao avesso e ao contrário. — Yoon soltou uma risadinha que fez com que a atenção de Hoseok se prendesse em seu sorriso.

— De novo? Argh! Foi por isso que a garçonete riu de mim aquela hora. — Hoseok cruzou os braços e fez um biquinho, infantil para sua idade, ficando emburrado pelo mico.

— Bom, eu vou indo porque ainda quero passar na biblioteca pegar um livro de termodinâmica. — Yoongi disse separando o dinheiro para o pagamento e ajeitando sua bolsa.

— Me espera, vou com você, deixa eu só trocar a camisa. — Yoongi o olhou torto, como assim? Jung Hoseok queria sua companhia? Hoje o mundo estava de ponta cabeça.

— Eu espero você lá fora, Hoseok, se demorar mais de cinco minutos eu vou sem você.

Jung correu até o banheiro da cafeteria, arrumou a blusa e passou uma água nos fios desajeitados que não teve tempo de arrumar, saiu deixando no balcão onde estava sentado os dez mil wons da sua conta.

Logo que saiu encontrou Yoongi encolhido, com frio. Ele não estava com casaco nenhum, igualmente a si, mas sua pele arrepiada, e sim Jung Hoseok pode notar, denunciava que aquilo era frio sim.

— Não tem blusa de frio? — Hoseok questionou, Yoongi era sempre o prevenido do grupo.

— Esqueci.

Então em um silêncio, não tão confortável, seguiram a pé até a universidade, que não estava longe.

Não iriam dizer que se odiavam, afinal Jung Hoseok era da vibe de; ame a tudo e todos. E Yoongi não era exceção. Já Yoongi não tinha motivos concretos para ter ódio do garoto, apenas se desgostavam.

Tinham uma aversão profunda um ao outro, era o que diziam para Jeongguk e Taehyung, o casal de namorados que apresentou Hoseok a Yoongi.

Talvez eles não conseguissem ver, mas Jeon via, aquilo não passava de birra. Os dois eram teimosos e birrentos, tipo duas crianças de quatro anos quando querem o brinquedo do outro.

Eles se gostavam, não tinha nada da aversão que eles diziam mas eles criaram aquilo por algum motivo e continuavam com isso até hoje.

— O que você vai fazer nessas férias, Yoongi? O semestre tá acabando.

— Nada, talvez terminar minha conclusão do semestre que vem, que eu já sei o tema, e ver meus pais em Daegu. — Hoseok concordou, nada muito diferente do que ele ia fazer. Tirando a parte de adiante o trabalho de conclusão.

O silêncio dominou novamente até que estivessem dentro do gramado da universidade onde a troca de turno estava acontecendo.

Hoseok se apressou para a sala de Movimentos sociais, hoje teria apresentações de grupos que fizeram um trabalho e não conseguiram terminar a apresentação aula passada.

Entrou na aula e logo a professora já estava lá na frente ditando o cronograma. Hoseok estranhou muito a faculdade real do que ele esperava, demorou tempos para acostumar também com a mudança de ensino médio para o superior.

Não havia prestado muito atenção nas apresentações, apesar de saber que nas provas depois teriam perguntas objetivas sobre eles, daria seus pulos.

Eles tinham tipo um intervalo, uma quebra durante os períodos de aula para que a cabeça não entrasse em colapso.

Encontrou Jeon, Taehyung e Yoongi no lugar que sempre costumavam ficar nesses quinze minutinhos de descanso.

[Botando o plano — disfarçado de viagem — em ação!]

— Hyung! Hyung! Vem cá! — Taehyung parecia uma criança lhe chamando eufórica para seja lá o que ele queria.

— Diz. — tirou a bolsa de lado pesada com várias apostilas e deixou de lado, onde Jeongguk se entretinha em mexer nos bottons.

— Eu e o Kookie conseguimos uma viagem até a ilha de jeju nesse mês de férias de verão e você e o Yoongi vão conosco.

— O que? Tae esquece. Para chegar até lá tem que pegar barcos e eu tenho medo, e lá também tem muitos pernilongos e eu não vou ter coragem de matá-los mas eles vão me comer vivo. Tem também a questão do dinheiro que é…

— Cala boca, Seok hyung. Até parece que tá tentando roubar o lugar de chato do grupo do Yoon. — O maknae parecia o mais velho dos três ali. — Eu e o TaeTae vamos dar para você e para Yoongi de presente. Iremos pagar.

— Mas por que? E também ainda tem os mosquitos e os enjoos. — Hoseok ficou sem graça com a atitude dos amigos, porque eles iriam pagar para si?

— Aish, hyung! É só passar repelente para os mosquitos e tomar um calmante para ir no barco. Por favorzinho, nós queremos fazer essa viagem com vocês. — Tae dizia fazendo, ou pelo menos tentando, fazer a famigerada cara do gato de botas.

— Mas vocês já têm tudo certo? O hotel, os dias e tudo mais? Por que não deixam a gente pagar? — Yoongi todo metódico pra variar encheu o casal mais novo de perguntas, essas que eram questionamentos de Hoseok também.

— Olha hyungs, a gente queria dar um presente para vocês, mas já que não querem conhecer a ilha e com tudo pago talvez a gente chame o Jimin e o Namjoon, não tem problema. — Jeongguk deu de ombros.

— Calma, também não é assim! Eu vou ver onde eu posso comprar repelentes bons . — Hoseok disse coçando a nuca.

— Você vai também Yoongi hyung? — Tae disse esperançoso.

— É acho que sim, porquê não, né?

— Yeah!!! — Logo tiveram que voltar para as salas cada um com sua determinada matéria.

Jeongguk era um menino novo se comparado aos outros e até hoje não entendiam porque ele estava na faculdade sendo tão novinho, mas nem perguntavam. Jeon cursava cinematográfia. Vivia pra cima e pra baixo filmando e enquadrando tudo que era possível. Não era de se duvidar que até sextape com Taehyung ele tenha gravado.

Já Taehyung cursava psicologia — ele dizia que na verdade ele queria mesmo era cursar medicina para partir até a psiquiatra, mas que seu pavor de sangue não havia permitido, nem suas notas de química, Hoseok o entendia. — e seu namoradinho vulgo Jeon Jeongguk dizia que quando Tae terminasse a faculdade ele sentaria na frente do espelho e se auto consultaria, afinal estava precisando.

O casal era engraçadinho, eles se completavam tipo pipoca e manteiga, e pareciam mais dois amigos que se pegavam em qualquer tempo livre, do que aqueles casais que vivem discutindo a relação e tem desavenças.

Eram fofos.

Fofos e diabólicos. Ou acha mesmo que eles apenas querem levar os hyungs para viajar? É óbvio que não e sinceramente Jeongguk achou que Yoongi era mais inteligente e que sacaria isso, mas não, então seguiriam com o plano.

Que plano? O incrível e genial plano de Taehyung que consistia em juntar Yoongi e Hoseok.

Segundo o próprio criador, aquele ódio todo e todas aquelas patadas tinham nome e sobrenome: Tensão Sexual. Que tudo aquilo era vontade de se pegar reprimida.

Mas Taehyung e nem Jeongguk armariam para que eles se pegassem ou algo assim, o objetivo era fazer eles, Yoongi e Hoseok, perceberem sozinhos que aquilo era amor de mais expressado de forma errada.

E portanto levarão os dois até o lugar das “Luas de mel” e deixarão as coisas andarem conforme os trilhos.

[2 dias antes da viagem aka plano cupido]

— Você está animado, Seok hyung?

— Para falar a verdade estou sim Jeon, será legal.

— Eu já fiz minhas malas, ela está meio pesada mas como não sou eu quem vai carregar, está tudo bem. — Tae disse entornando a long neck de cerveja na boca.

— Se está achando que eu sou seu capacho pra ficar carregando mala, Kim Taehyung, você está totalmente…

— Certo. — Yoongi disse chegando próximo a mesa, estava um pouco atrasado pelo visto, mas seus amigos e Hoseok ainda estavam sóbrios, e pedia para que se mantivessem assim. — O que o Taehyung não pede sorrindo que você não faz chorando, Jeongguk?

— Você chegou hyung! — Tae falou um pouco alto demais levantando de onde estava para ir deixar um beijo babado na bochecha de Yoongi – é nem todos estavam tão bem como pensado –.

— Sim TaeTae, senta lá. — Yoongi já se acomodava nas cadeiras da mesa.

— Como vai os preparativos Hyung? Já saímos de férias faz uma semana, já dava pra ter feito muito, hein?!

— Vão indo Kookie. Vão indo, estou com a mala meio organizada, correndo atrás de uns documentos que eu preciso deixar na secretaria da faculdade.

Yoongi abriu uma garrafinha de cerveja, ele não era de beber, mas para acompanhar os amigos ele não ligava de beber uns goles.

Min não iria mentir estava ansioso sim para essa viagem, sair da cidade grande, dos barulhos de buzinas, vizinhas chatas e entregadores de pizza mal criados.

Sem contar que uma das coisas que mais adorava no mundo eram as praias. Ele não sabia explicar, por em palavras não era o seu forte, mas podia afirmar com certeza que seus sentimentos positivos sobre o lugar era maior que o brilho da Sirius.

Em suma, ele gosta muito de lugares com Praia e se lamentava por não ter nascido em Busan.

Yoongi se levantou dizendo que iria ao banheiro e não entendeu quando seus amigos lhe olharam de maneira maliciosa, estava perdido em pensamentos e não prestando atenção no que diziam, deveriam estar falando algo idiota.

Mas não, ele deveria mesmo é ter prestado atenção em Hoseok, que não estava na mesa na hora em que ele saiu e que ao entrar no banheiro estava debruçado sobre a pia olhando algo em seu queixo.

Olha, não era de negar que Hoseok tinha coxas e bunda bonitas, elas não eram grandes e muito menos pequenas, eram o suficiente para que Yoongi achasse legal observar. E talvez o dono das coxas bonitas tenha percebido isso.

— O que foi mané, minha calça tá suja? — virou cruzando os braços.

— Cala boca, Hoseok. — Yoongi seguiu até o mictório. — Que é? Quer ver mais de perto? Vai ficar encarando?

— Eu hein a visão do inferno eu já tenho quando acordo de ressaca, não quero olhar pro seu pau não.

Com isso Hoseok saiu batendo a porta do banheiro bem forte e com um bico nos lábios, nossa, como Yoongi o irritava. Ele queria enfiar a cabeça dele naquela privada pequena e esfregar lá.

Ao voltar para mesa encontrou Taehyung aos beijos com Jeongguk, só faltavam se engolir e as mãos bobas irem parar dentro das roupas.

— AHAM! — pigarreou e ambos pararam e o olharam.

— E aí? Nenhum beijinho? — TaeTae questionou.

— Oi?

— Você e Yoon hyung… — Jeongguk instituiu.

— Jeongguk! Como assim, vocês estão loucos que eu vou beijar aquela boca, loucos.

— Veremos, hyung.

E como isso Yoongi voltou a se acomodar na mesa com eles, pedindo para o garçom mais uma cerveja e para acompanhar umas batatas fritas.

No final da noite estavam todos meio altos, não bêbados mais um pouco mais animados.

— Eu vou levar meu violão e vamos fazer uma fogueira na praia para cantarmos.

— Eu não vou. — Yoongi ergueu a mão se negando a ir no tal negócio de Hoseok.

— Nossa cara, qual a porra do seu problema comigo? Não quer ir não vai, pronto. Leva um sudoku e fica preso no hotel.

Taehyung e Jeongguk achavam graça nessa implicância toda era engraçado ver eles brigando por motivos tão bestas.

— Até olhar para números embaralhados é melhor que pra tua cara, Hoseok.

Hoseok bufou e encostou na cadeira, jogando o corpo para trás.

— Sabe Yoongi… — Começou Jeongguk, era incrível a capacidade do casalzinho de falar merda. — Minha mãe já dizia, quem muito desdenha quer comprar.

— A mas faça me o favor né Jeongguk. Eu que não quero uma coisa dessas aí. — apontou para Hoseok.

O, não tão verdadeiro, hippie estava de boa, parecia estar com sono e deveria estar mesmo, tomara que não acordasse de ressaca pois no dia seguinte era o único que ainda daria para arrumar as malas.

— Eu acho que já está na hora de nós irmos, antes que o Seok hyung capote aqui mesmo. Vamos dividir no caixa.

E lá foram eles pagar a tão odiada conta e Tae ficou bravo pois foi cobrado três mil wons de gorjeta para o garçom que mal atendeu eles.

Agora já foi…

[Contagem regressiva — mas só para o Yoongi, já que Hoseok se recusava a contar — até a hora da saída]

O Jung estava desesperado correndo atrás das coisas para colocar na mala, organização também nunca foi seu forte.

— Vamos ver… Cueca? Ok. Escova de dente. Ok. Filtro do sonhos? Ok. Violão? Ok. O que será que falta? — Tae estava rindo no telefone do seu hyung que o ligou desesperado porque segundo “ele não sabia fazer a mala”.

“— Seok me diz por qual motivo está levando um filtro do sonhos? E cadê as roupas? Ou tá achando que lá é praia de nudismo?”

A voz mecânica de Tae pelo celular fez Hoseok pensar, como ele iria viajar sem roupas? Nem ele próprio sabia, às vezes até se surpreendia com sua lerdeza.

— O filtro do sonhos é pra espantar meus pesadelos. Ora essa… — Hoseok não poderia ver mas Tae estava revirando os olhos do outro lado da linha. — E as roupas, verdade Tae, como eu pude esquecer?

“— Hoseok Hyung! Deixa isso aí, não é um pedido, é uma ordem. E separar suas roupas. Sabe fazer isso né? Se vamos ficar nove dias lá, leve roupa o suficiente.”

— Você tá duvidando das minhas habilidades para separar roupa? Taehyung eu não sei porque ainda não trabalho no Fashion Week.

“— Ah meu Deus. Hyung… olha eu vou ter que desligar, o Jeonggukie chegou, mas depois me manda uma mensagem dizendo se conseguiu.”

E depois disso o “bip” pode ser ouvido e a chamada foi desligada, deixando Hoseok e um guarda roupa do avesso sozinhos e desesperados.

— Não pode ser tão difícil assim, né?

Bom Hoseok tirou o seu amado filtro dos sonhos da mala porque o Kim bravo não era legal e Hoseok não queria testar.

Colocou no YouTube “tutorial de como fazer uma mala” e lá a menina ensinava até a como separar as roupas, em pequenos rolinhos para economizar espaço.

Hoseok não era bom em matemática, e disso todo mundo já sabia, mas ele raciocinou.

— Já que são nove dias de viagem, são nove mudas de roupas que eu tenho que levar, mais shorts para entrar no mar.

Se sentiu inteligente ao pensar desse jeito, aí que saudades que tinha da sua mãe arrumando sua mala.

Bom pegou algumas camisetas soltinhas e mastigadas pelo camelo, uma calça, algumas outras bermudas, terminou pegando os shorts de praia, e assim pôde colocar tudo na mala enroladinho, igual do tutorial.

Depois pegou uma bolsinha que sua irmã havia lhe dado no Natal de algum ano e dentro dela colocou — lê-se jogou de qualquer jeito — os produtos de higiene. Nesses hotéis sempre tem os shampoo e sabonetes de lá, mas Hoseok era meio chato com isso.

Portanto na bolsinha, também chamada de nécessaire, tinha seus produtos de higiene; shampoo, sabonete, escova, desodorante, perfume e por aí vai…

Colocou o violão na sua capa e deixou junto com a mala, no canto da porta para não esquecer nada. Levaria alguns outros pertences em uma mochila de costas.

Dormir seria difícil, Hoseok era ansioso demais e ir viajar era sempre uma expectativa muito grande, só esperava que desse tudo certo.

Já Yoongi tinha organizado tudo antes mesmo da ida para o bar, só havia conferido a mala durante a tarde para ver se estava realmente tudo nos conformes.

Já estava deitado quando uma mensagem de Jeongguk chegou dizendo que iria passar durante a madrugada para pegar Yoongi e Hoseok pois o trânsito nas estradas eram menores.

Yoongi sabia o trajeto, já havia ido pra jeju quando mais novo com seus pais, iriam até busan e lá o carro ficaria em um estacionamento próprio, pegariam o barco e seguiriam até a ilha.

Não sabia o que esperar do casal Jeon-Kim, eles eram malucos sem noção.

Parando para pensar, porque mesmo que Yoongi aceitou essa viagem? Por Deus! Ficou encarando tanto Hoseok enquanto recebia a proposta que acabou concordando quando o mais novo aceitou também. Maldito Jung.

Agora já era, não sabia nem mesmo como era o hotel em que os mais novos os enfiariam e agora caía em si.

Seja o que a força divina quiser.

[Três da matina — lutando com as malas no porta-malas — saindo para a viagem]

Hoseok queria apenas bater em Taehy por não calcular que as malas não iam caber. Agora da deles inventaram onde colocar essas coisas.

A mochila de costas do Hoseok foi em seu pé, uma das malas de Yoongi no meio deles, afinal estavam indo no banco de trás.

Tae ia dirigindo e Jeongguk como seu 'co-piloto”.

Eram 5 longas horas de viagem, todos do veículo — menos o motorista, pelo menos esperavam — iriam dormir, talvez quando parassem para ir ao banheiro e abastecer Jeongguk pegasse o volante… Ele podia já né?

A viagem nem havia começado direito, Taehy não tinha nem pego a via expressa que levaria até a rodovia necessária e Yoongi já estava dormindo.

Hoseok ainda não tinha conseguido pegar no sono, mas observava Yoongi com a luz branca dos postes em sua face. Ele era tão lindinho assim que nem parecia o capeta acordado. Não que de olhos abertos Yoongi fosse horrível, mas seu temperamento não era dos melhores.

Mas a pele era mais clarinha que a sua e as mãos possuíam o dedinho torto, sua boca tinha alguns machucadinhos de pequenas peles que Yoongi arrancava, não que Hoseok tivesse prestado atenção ao ponto de perceber isso, ele só acabou guardando a ação.

Depois ia para as bochecha que tinham pequenas, quase da cor da própria pele, pintinhas, e um narizinho delicado e achatadinho, os olhos eram dois risquinhos com poucos cílios.

Na orelha tinha alguns furos, mas só os comuns se encontravam com brincos, aqueles de argola que Yoongi quase surtou para achar, Hoseok lembrava-se.

Bem, ele não era de todo mal, seu corpo até era bonito e seu rosto não era de se jogar fora, e ele também era muito cuidadoso e carinhoso quando queria, e ele sabia cozinhar bem, e também era bom de papo quando seu humor…

— Hyung, boca aberta entra mosquito. — o maknae era um capeta.

— Hã? Eu não tô fazendo nada.

— Até TaeTae viu, pelo retrovisor, você babando pelo Yoongie.

— Está louco Jeongguk? Eu estava vendo a paisagem. — desconversou.

— Tem certeza? E ela era bonita, hyung?

— Aish, Jeon Jeongguk! Pare de me importunar.

E assim Hoseok usou seu travesseiro como apoio na porta gelada para dormir sem que Jeon ou o Kim lhe enchesse a paciência.

Demorou um pouco mas o balanço do carro ajudou com que o Jung pegasse no sono e não visse a viajem passando.

Jeongguk também dormiu, com a mão na coxa de Taehyung, e o maior achou fofo da parte do namorado. Tae desligou o rádio que tocava músicas, mesmo que baixinhas, gostava de ouvir o barulho do asfalto e do silêncio.

Quando o sol começava a dar as caras por meio das nuvens, Hoseok se mexeu incomodado com a luminosidade, mesmo com insulfilm.

Pegou o travesseiro e quis mudar para o outro lado, mas este tinha Yoongi, ele sabia que o mais velho reclamaria, xingaria e ficaria resmungando igual um velhinho hora que visse mas nada o impediu.

Colocou uma bolsa pequena que os separavam no chão, o travesseiro apoiado nas costelas de Yoongi e acomodou, sentiu logo depois um dos braços de Yoongi o circular e abraçar de lado, a mão deste parou um pouco acima do umbigo, e o cheiro bom do Min estava bem perto do nariz de Hoseok, o que trouxe uma sensação boa.

Jeongguk não demorou a acordar pelo mesmo motivos de Hoseok e achou engraçado ao olhar pra trás e ver ambos, Hoseok e Yoongi, encolhidos e abraçados.

Hoseok segurava a mão de Yoongi que estava em seu abdômen, e Yoongi apertava forte a camiseta do meio ruivo entre os dedos, pareciam depender daquilo e fazer para o outro “não fugir”.

Jeongguk achou tão, tão fofo, que sacou o celular do bolso para tirar uma foto do momento, o que chamou atenção do Kim que viu a cena e se derreteu.

— Eles são tão fofos e tão apaixonados. Por que apenas não aceitam?

— As coisas têm seu tempo Tae, conosco aconteceu rápido, como um pavio aceso que acabou e explodiu a dinamite. Com eles o fogo é a lenha. Paciência.

Tae não soube o que dizer então concordou, as vezes Jeongguk ficava metafórico e filósofo daquele jeito é o namorado mais velho achava muito fofinho.

— Guk? O que acha de pararmos naquele próximo posto. Eu preciso fazer xixi.

— Por mim, pode ser sim.

E já com o destino de parada próximo Jeongguk começou a colocar os sapatos que havia tirado e a arrumar a cara de louco que ele estava.

Quando o carro parou Hoseok acabou por despertar e se arrependeu pois seus dedos quase estavam entrelaçados com o de Yoongi e com certeza aquilo seria motivo de piada, principalmente pela posição.

— O casal — Tae chamou. — Seus dorminhocos, acordem!

Hoseok forjou um despertar e como se nada tivesse acontecido levantou de cima do Min e colocou o tênis no pé.

Yoongi apenas ficou confuso com o que Hoseok fazia em cima de si, garoto estranho. Estava usando ele de apoio? Tinha ficado maluco? Era só o que lhe faltava.

— Escuta aqui, ‘cê tá achando que eu sou seu travesseiro? Está muitíssimo enganado.

— Eu hein, e você? Tá achando que eu sou seu ursinho de pelúcia para me agarrar? — Yoongi corou bem de leve e Hoseok se sentiu vitorioso.

— Da para brigarem na conveniência? Eu preciso ir ao banheiro! — estava sem paciência para a briga de casal enrustida. Tae queria mesmo ir ao banheiro.

Com isso levantaram e seguiram emburrados Jeon para dentro da loja enquanto Taehyung ia ao tal banheiro.

— Vocês não podem continuar a brigar assim, vão acabar com o quarto de vocês assim. — Jeongguk amargamente do que havia dito assim que fechou a boca.

Ambos os homens não sabiam que iriam ficar no mesmo quarto, era surpresa e Taehyung o mataria, mas pelo menos agora não tinha como desistir da viagem, estavam a uma hora de Busan.

— Como assim? Nosso quarto? — Yoongi deu o ar da graça

— É hyung, eu e Tae em um e você e Seok hyung no outro. Legal né? — estava se tremendo por dentro, que eles não surtassem, era apenas isso que pedia.

— Hm. Eu não tô gostando disso, eu hein, ele tem cara de ser porco e bagunceiro, ainda mais, ele é um chato e também…

— O que está acontecendo?

— Gukkie disse que vamos dormir em quartos juntos e Yoongi tá revoltado.

— Yoon hyung, o quarto é legal, parece até uma mini casinha, um chalé por assim dizer. Tem até banheira. A sua sacada da de frente pra praia e o frigobar é de graça.

Yoongi colocou na balança… banheira, sacada, frigobar, chalé ou Hoseok?

A, vejamos pelo lado de que ele não é tão chato, e também sabe como alegrar o ambiente, e também é quieto. Bom parece que ele não é tão ruim assim.

— Aish. Tá bom, agora vamos logo que eu quero a tal da banheira.

[Voltando para o carro — se preparando psicologicamente para o barco]

Faltavam mais ou menos uma hora até chegar o estacionamento do porto de Busan e mais algumas horinhas de barco. Bem eles até poderiam ir de balsa e usar o carro lá, mas era caro e eles não andariam se carro lá mesmo.

Ao chegar no desembarque Taehy e Jeon foram até uma das cabines acertar tudo com uma mocinha.

Hoseok estava nervoso e demonstrava isso. O mar estava agitado e as ondas fortes, quando viu aqui só quis morrer ou voltar para casa.

Se caíssem no mar eles saberiam nadar, estariam de colete salva vidas, mas embaixo era tão desconhecido, e balançava tanto, e dava enjôo e aí, simples ele não gostava.

— Hoseok, você está bem?

— Não, eu não tô bem, eu tô com muito medo e mesmo tomando remédio sinto que eu vou surtar.

— Hey, relaxa. Não vai acontecer nada, nós também vamos estar lá.— Yoon fez o máximo que podia para acalmar Hoseok, sem parecer preocupado, mesmo estando.

Logo pode ver o casal se aproximando com tickets na mão. Provavelmente que os levaria até o destino final. As malas já estavam todas fora do carro e Yoongi se impressionava como Hoseok era relaxado, ele trouxe bem menos roupas que todos, mas não esqueceu o violão!

Achava que o meio-ruivo não falava sério sobre levar o violão para fazer suas tão amadas rodas de cantigas até na praia, mas parece que ele não brincava em serviço.

E Yoongi admitiu para si mesmo que era engraçado ver Seok entrar no barco todo medrosinho, achava até fofo o modo como esse estalava os dedos e mordia o lado dos dedos.

Mas nada falaria, era só ele que deveria saber que Hoseok era fofo, em poucos momentos e só. Embarcaram de vez dentro do barco médio que levaria-os até a ilha paradisíaca

As paisagens não existiam, era apenas Busan ficando para trás e um horizonte infinito para frente. Logo a cidade natal de Jeongguk ficou para trás também deixando a vista dos que estavam à bordo apenas a linha que dividia o mar azul e agitado do céu agora meio nublado.

— Você acha que vai chover lá? — Hoseok perguntou para Yoongi, mas antes que esse tirasse o fone e pedisse para que ele repetisse a pergunta, o cara bonitão do lado oposto do Jung, respondeu.

— Olha, eu vi na previsão que irá fazer um tempo ameno, nada extravagante para ambos os extremos. — “Uau, ele fala de maneira bonita, grande foda-se” foi o que Yoongi pensou logo que ele escutou o moço puxar assunto com seu amigo apavorado.

Sabia que aquilo era um modo de Hoseok se distrair, mas era para ser com ele não com o bonitão do lado.

— Ah, e seu nome é? — Hoseok sorriu daquela maneira que Yoongi achava ridículo, onde sua boca formava uma espécie de coração.

— Jackson. Jackson Wang, prazer…

— Hoseok. Jung Hoseok.

A partir daquilo Hoseok e o tal Jackson não calavam mais a boca e a pelo que ouviu da conversa, Jackson iria ficar do outro lado da ilha. Era um bom sinal, assim Yoongi não seria obrigado a ver Hoseok flertando e quem sabe levando o marmanjo para o quarto dos dois.

[Chegando na ilha — desembarcando as tralhas — surtando pelo quarto.]

Hoseok adorou pisar em terra firme, quase chorou de felicidade, se não fosse por tAehyung puxando eles para um hotel bem simples mas bonito na beira da praia, as casinhas, por assim dizer, eram tão fofas, pareciam quiosques.

Foram até a recepção do Hotel e fizeram o check in, e um moço todo engomadinho passou a carregar as malas deles em um carrinho e levá-los até suas respectivos quartos.

— O 207 é de vocês. — disse o mocinho, dando a chave para Jeongguk. Tirando as malas do carrinho e colocando-as nos pés dos garotos. — Logo mais a frente é o de vocês dois, me acompanhem por favor.

Com isso o moço sem crachá saiu andando. E o hippie e o nerd saíram seguindo ele.

— 208… É esse mesmo o de vocês, qualquer dúvida o ramal da recepção é 442, liguem lá e tirem as duvidas. Bom dia, senhores.

— Obrigado. — agradeceram em uníssono.

Abriram a porta com a chave que tinham em mãos e carregaram as malas para dentro, tiraram os sapatos no degrauzinho e colocaram as malas em um tipo de sala, saíram explorar o ambiente.

O primeiro lugar foi o banheiro, a banheira, yoongi queria soltar um palavrão só em ver aquela coisa, tinha o controle do lado dela indicando que era hidromassagem, porra amava muito seus dongsaengs. Hoseok interessou nos brindezinhos de hotel que tinha na pia, levaria todos para casa e daria para sua mãe.

Seguiram de volta para a pequena sala, lá tinha um sofá não muito grande e umas almofadas, uma televisão em uma estante, um balcão e o frigobar. Seguiram até o tão comentado quarto e Yoongi quase caiu para trás. Era realmente tudo muito lindo, era o quarto dos sonhos mas…

A CAMA ERA DE CASAL…

Não que isso fosse algo anormal, mas Hoseok e Yoongi não eram um casal e eles não queriam dormir juntos.

— Er… acho que o Tae errou na hora de reservar os quartos, será que ele e o Jeongguk estão com o quarto com camas de solteiro?

— Eu acho que o Taehyung fez isso de propósito, Hoseok.

— Mas por quê?

— Porque ele é idiota. adora gracinhas. — Yoongi seguiu até a sacada e abriu a cortina e viu a coisa que ele estava mais ansioso para ver… a praia e sua formosura!

— Seok, vem ver isso. — Hoseok corou, desde quando Yoongi o chamava por apelidos carinhosos? — Tá vermelho por quê?

— Nada Yoongi, que vista mais linda, eu tô… cara o Tae acertou em cheio.

— Realmente, mas você dorme no sofá! — disse yoongi, calmo como se tivesse apenas dizendo que o dia estava nublado.

— É O QUÊ? — como assim dormiria no sofá? Yoongi bateu a cabeça ou ainda estava tonto pelo barco.

— Você não achou que dormiríamos juntos, achou?

— Achei ué, só tem uma cama então vamos dormir juntos, e se discordar pode arrumar outro lugar para dormir porque eu estou muito bem, agora eu vou atrás de Jeongguk para vermos se o café da manhã ainda está aberto. — Hoseok apenas empinou aquele narizinho que, infelizmente, Yoongi achava maravilhoso e saiu porta a fora.

Agora além de aguentar Jung Hoseok, teria que dormir junto com o mesmo, só podia ser obra do capeta, ou dos capetas, Jeon Jeongguk e Kim Taehyung.

[O resto da instalação — com direito a piadas ruins]

O café não estava sendo mais servido, então para a tristeza dos estômagos famintos, teriam que esperar a hora do almoço. Esperava que o almoço fosse tão bom quanto os quartos e o frigobar aparentavam ser.

E nesse meio tempo, onde teriam que aguardar o horário para comer, decidiram que arrumariam as roupas nos armários e colocariam suas tralhas em ordem para os dias que viriam a seguir.

Enquanto tirava suas roupas e colocava no armário provisório, Hoseok pensava, se ele e Yoongi ficariam e dividiriam o mesmo quarto seria bom que pelo menos tivessem uma boa convivência.

— Hey, Yoongi tenho uma piada para te contar. — Hoseok sorriu enquanto levava as malas para lá.

— Lá vem… Diz Hoseok.

— Por que as estrelas não fazem “miau”? — Yoongi pensava, nada do que vinha em sua cabeça fazia sentido.

— Hm, não sei Jung. Por quê?

— Pois astronomia. — sim era um trocadilho também com a matéria que o Min cursava.

— Mas tecnicamente as estrelas não são astros comuns, elas fazem parte dos corpos celestes e também são consideradas astros luminosos mas… — um murmúrio irritado pôde ser ouvido, era Hoseok.

— Argh! como você é nerd, não dava para simplesmente ignorar ou rir de pena? Quem liga para o que as estrelas são?! Era um piadinha para descontrair. — Yoongi se sentiu culpado o meio ruivo estava apenas tentando ajudar com o clima.

— Hey, Hoseok, você gosta de história, né? — Tentaria consertar, não tinha a mínima ideia se daria certo mas esperava que sim.

— Sim, eu gosto.

— Então eu tenho uma piada para você também. Por que é que Hitler não escrevia na lousa?

Hoseok pensou, ele realmente queria saber a resposta para uma pergunta aparentemente tão boba.

— Eu não sei, mesmo.

— Porque ele era um ditador. — a resposta de Hoseok valeu a pena para Yoongi, pois pelo menos agora o meio ruivo não tinha um bico chateado na boca e sim aquele sorriso, perfeitamente irritante, na boca.

Era um bom começo né? Eles viriam a pelo menos se entender e não se matar, era o que Hoseok esperava.

[Conhecendo o hotel — tropeçando em degraus —Hey Gi!]

Depois do almoço, já satisfeitos, os quatro começaram a pensar no que poderiam fazer, as opções eram muitas, poderiam ir até o centro comercial da ilha, poderiam nadar, poderiam ir aos museus que tinha lá, poderiam ir da uma volta no hotel e também apenas descansar.

Mas reconhecer a área do hotel parecia ser uma boa ideia. Quem sabe depois ainda dava tempo de darem um mergulho.

Com isso saíram andando, com ponto de partida da recepção. Passaram por uma portinha que tinha “sauna” entalhado e algumas árvores ao redor. Depois passaram por um pequeno lago com algumas carpas que levavam os turistas até a piscina.

Na área de piscinas tinham dois ofurôs, para duas pessoas no máximo, uma piscina grande e uma menor, para crianças. Aquilo animou os viajantes, aqueles ofurôs eram bem convidativos.

Logo adiante tinha uma portinha que tinha gravada em si “lixo” então logo o conteúdo não os interessava.

Por onde vieram, eles voltaram, passaram por onde haviam mais casinhas na cor palha e por alojamentos com casas maiores, o que levou todos a crerem que aquilo era um chalé mesmo, com mais quartos e talvez cozinha.

Passando por uma portinha que tinha na divisória do jardim e da recepção já se tinha a areia da praia nos pés. A cerca baixinha dava a visão perfeita de como estava o movimento na praia e a agitação do mar.

Todos se animaram e um por um passaram pela portinha para enfim sentir a areia. Primeiro Jeongguk, depois TaeTae, Yoongi e…

— Yoongi, cuidado com o…

Era tarde demais, o Min já havia dado com a cara na areia, mesmo com Hoseok tentando avisar. Aquilo foi o basta para que todos, menos o com a boca cheia de areia, caíssem na gargalhada, e Hoseok ajudava o Min a se erguer.

E o resto da tarde eles passaram na praia, sem entrar no mar, tomando apenas algumas bebidas que simpatizaram no cardápio do quiosque. Foram até a piscina também, mas ficaram pouco lá pois mesmo o tempo estando bom, um ventinho gelado já fazia om que as bocas ficassem roxas.

— Eu não sei vocês dois, mas eu e o Tae vamos ficar aqui esta noite, meu namorado dirigiu a madrugada toda e eu vou cuidar dele. Se quiserem visitar o centrinho ou jantar em algum restaurante por aí, fiquem á vontade. O jantar no restaurante daqui vai até às nove. Beijinhos.

Sem dar brecha para interrupções Jeongguk saiu empurrando Tae até o quarto, deixando Yoongi e Hoseok pra trás, meio absortos.

Os amigos acabaram voltando para o quarto e decidindo que mais tarde o restaurante os aguardava, para acabar com o buffet mas por agora um bom banho e um descanso era o melhor a se fazer.

Primeiro Yoongi e depois Hoseok, acabaram por apenas tomar uma ducha para tirar a areia e o cloro do corpo, quem sabe mais tarde não usassem a banheira.

De banho tomado estavam ambos na cama, grande e espaçosa, com um grande vão entre eles, como se fossem dar choque se encostassem. Grande bobagem.

— Hey, Gi — Yoongi ficou pensando com quem Seok estava falando, era só o que faltava o hippie ser louco.

— Me chamou?

— Ahn, sim. Desculpa pelo apelido, foi mais forte que eu e estava pensando, será que eles entregam no quarto?

— Não sei, por que? — Vejamos a situação de Yoongi, todos descabelado, jogado na cama, na frente do ar condicionado que tirava a umidade do ar, sem nem saber seu nome direito de tão cansado.

Ele lá ia saber sobre o funcionamento do hotel?

— Liga lá na recepção e pergunta, mas o que você vai querer? — Yoongi deu de ombros.

— Batata frita, ué.

— Pior que criança, Hoseok, tsc tsc.

— Nossa falou o adulto super maduro do rolê!

[De estômago cheio — tocando violão na luz da lua — alguém tá apaixonadinho?]

Não é que eles entregavam no quarto mesmo? Aquilo fez com que Hoseok e Yoongi perceberem que eles conviverem juntos não era tão ruim assim.

Entraram em acordo, com bom senso, de que Pepsi era melhor e que maionese e ketchup na batata era muito melhor que queijo e bacon.

Acabaram comendo e conversando aleatoriedades que só fizeram perceber que talvez eles tivessem coisas em comuns também, mas quem disse que dariam o braço a torcer?

Concordaram em tantos pontos que até se surpreenderam, será que finalmente haviam percebido que não precisavam falar sobre astronomia ou sociologia para ficarem bem e uma conversa fluísse?

Já estava a noite, e bem lá no fundo do horizonte ainda era possível ver um restinho de luz solar. Hoseok se levantou da cama levando consigo até a porta a bandeja em que a porção de batatas veio, e fazendo como de costume, deixou do lado de fora da porta, as camareiras passariam ali pegar depois,

Pegou o violão e sentou na sacada, no chão mesmo, começou a dedilhar enquanto a sonoridade das notas alcancavam os tímpanos de Yoongi, que deitado encarava o teto, com as mãos em cima da barriga.

Era bonito ouvir Hoseok tocar sem falhas, vez ou outra cantarolando baixinho o que estava acompanhando no instrumento de corda. Sua voz era bonita e suave, e aquilo chamou a atenção de Yoongi, que fixou os olhos no mais novo;

Observou como a pele moreninha ficava bonita me demasia com a luz da lua iluminando-a, que aquele nariz fino e arrebitado causava um charme a mais no rosto bem desenhado, que a boca em formato de coração, em quanto sorriso, ficava ainda mais bonita sussurrando a letra de uma dessas músicas que Hoseok gostava e que sua pele limpa e ele sem maquiagem era a beleza mais naturalmente bonita que ele teve chance de presenciar.

Ele poderia estar encarando Hoseok a muito tempo e nem ligava para isso, se perder nos pontos positivos do Jung seria o seu mais novo passa-tempo. E Hoseok parecia não ligar. Havia momentos que os olhos se encontravam, porém aí a vergonha batia e Yoongi desviava o olhar, com as bochechas um pouquinho mais avermelhadas, enquanto Hoseok voltava a prestar atenção nos acordes da música.

— Eu vou entrar…

— Por que? Cansou? — Yoongi estava gostando de ouvir o dedilhado e de apreciar Hoseok, mesmo que não fosse admitir.

— Estava olhando tanto para lá, mas não foi capaz de perceber que estava chuviscando, hyung?

— Como é?

— Chovendo, está garoando.

— Isso eu entendi, mas você me chamou do que? — corar. Essa foi a única atitude que Hoseok tomou ao perceber o que havia feito.

— Não foi de propósito, Yoongi. Me perdoa eu…

— Calma Hoseok, não é como se você tivesse matado alguém. Relaxa.

— Não vai reclamar? Nem dizer que não é meu Hyung? Que eu sou abusado? E todas as outras coisas que você diz?

— Você dizendo assim, parece que eu sou um monstro, tsc. Já vai dormir? — não ele não iria, mas ficar na cama — na melhor das intenções — lhe pareceu melhor.

— Eu posso deitar com você?

Yoongi não negou, é isso foi o início de uma longa noite onde assuntos aleatórios surgiam e novamente faziam com que Yoongi e Hoseok percebessem que talvez estivessem errado esse tempo todo.

Quem se odiava mas olhava para a boca do outro e tinha vontade de beijar?

Hoseok estava confuso, e tudo piorava quando fazia Yoongi rir com seu sorriso gengival e o pior era que toda hora fazia uma gracinha para o Min.

O que estava acontecendo?

[Tempo chuvoso — ele tem aftas — Isso não era ciúmes!]

Talvez o garoto do barco, o bonitão que causou desconforto em Yoongi — isso mesmo, desconforto, nada de ciúmes — estivesse errado.

Desde o dia em que Hoseok tocou na varanda e ele e Yoongi finalmente se acertaram (na medida do possível, lógico) estava com o tempo fechado, na noite anterior haviam ido até o centrinho que havia na ilha.

Compraram — lê-se só o Jung mesmo — várias artes feitas à mão, e também compraram colarzinhos iguais, os quatro, aquilo era tão clichê, mas Taehyung disse que era pra representar a amizade de anos que eles tinham.

Quem há de discordar? Vai que Taehyung resolvesse deixá-los para trás?

Já era o terceiro dia em que estavam lá, e nessa manhã o Jung acordou meio zonzo, e quando se deu conta estava com a cabeça encostada no peito do mais velho que dormia com ele. E esse tinha suas mãos apoiadas na costa.

Puta que pariu.

Mas Hoseok respirou fundo antes de tentar se levantar sem acordar a fera que dormia ao seu lado. Não deu certo.

— Bom dia. — Yoongi havia cumprimentado-o? Era isso mesmo? Quem disse que Hoseok reclamaria?

— Bom dia, eu já estava levantando, foi mal te acordar. — sem mau humor! Isso era novidade.

— Ah, entendi, fica mais um pouco deitado.

— Você está me chamando pra deitar contigo, logo você que me queria no sofá?

— Não testa a minha paciência Hoseok, só está meio frio e com outro alguém na cama melhora.

Ok, péssima desculpa mas você acha mesmo que Yoongi daria o braço a torcer? Nunca né, quando ele iria admitir, pelo menos a si mesmo de que ele gostava sim de Hoseok, e aquilo estava lhe atordoando.

Ele mal sabia o que sentia, poxa, ele sempre acreditou que Hoseok era seu oposto e que aquilo lhe estressava aos montes. Que nunca que ele conseguiria aguentar Hoseok junto dele, sozinhos, por dez minutos, parecia que a vida havia lhe dado uma rasteira.

— Gi… Yoongi, já são nove horas, o horário do café vai acabar, vamos lá.

Com muita força de vontade seguiram — depois da higiene matinal — até o restaurante. E se depararam com Tae acenando para si, para que pudesse vê-los.

— Hyung, peguei suco de maçã para você e para o Yoongi de laranja.

— Yoongi não gosta de suco de laranja, Jeon. — Hoseok agradeceu, se curvando, para o suco que o amigo havia pego para si. Yoongi estava pegando coisas para eles comerem na extensa mesa.

— Como você sabe?

— Porque eu reparei que ele não tomava nunca quando nós pedíamos, e ele disse que causa aftas em sua boca.

— Hm, você sabe sobre as aftas porque tem muito contato com a boca dele, uh? — a vontade era mandar Taehyung para puta que pariu, mas ele respirou fundo.

— Ele comentou em alguma de nossas conversas Taehyung, nada a ver isso aí.

— Então quer dizer que vocês conversam? — instigou Jeongguk.

— Nós estamos nos dando bem, melhor que eu esperava.

— Está gostando? Disso tudo? — era a vez de Taehyung.

— É, ele não é tão ruim — desviou os olhos. — Eu não tenho do que reclamar.

— Eles são tão bocós TaeTae. — Jeongguk revirou os olhos dentro da pálpebra.

— Eu tô aqui, ouviu? — ameaçou dar um tapa na testa do maknae — Vocês vão querer ir na praia mesmo com essa chuva?

— Está garoando. E sim, vamos. Provavelmente ficaremos no quiosque do moço do piercing, mas sei lá.

Yoongi voltou a mesa e eles começaram a comer. O dia seria longo, com piadinhas bobas.

E depois de cheios, quase estufados, com roupa de banho e protetor solar até dentro do nariz — pois aprenderam da pior forma que mormaço queima — se dirigiram até a praia.

E fazia um tempinho que estavam lá, sentados observando o movimento, o mar agitado, as crianças correndo e pedindo sorvete, mesmo com o clima não muito bom. Algumas comidas eram pedidas pois eles eram sacos sem fundo. Mortos de fome.

Mas Hoseok estava possesso. Min Yoongi era o nerd mais safado e cara de pau que ele conhecia.

Um grupo de pessoas, muito bonitas, sentaram um pouco mais à frente de onde eles estavam, no mesmo momento o Min colocou o óculos de sol, e pela visão periférica Hoseok percebia que aquilo era apenas para poder “secar” as pessoas bonitas sendo discreto.

Safado. Sem vergonha. Aquilo subiu de tal maneira pra Hoseok que ele queria bater com o guarda sol em Yoongi. Diferente disso — pois era muitíssimo controlado — levantou-se e disse não estar passando bem, que iria tomar um ar na piscina. E lá foi ele.

Ele estava a um tempo vendo as gotas acumularem na lente preta do óculos, e o céu nublado e esbranquiçado na sua frente. Até que uma sombra tampou tudo e fez com que o Jung saísse de seus pensamentos.

— Oi?

— Oi, eu sou HyukJae. — estendeu a mão e ajudou Hoseok a sentar-se também.

— Jung Hoseok.

— Prazer, Hoseok. Se mal lhe pergunto, quem é o culpado por esse bico? Por essa boca pra baixo? — Hoseok estava surpreso, como ele sabia que era alguém.

— Como? Quer dizer… e se não fosse uma pessoa?

— Você não estaria todo emburrado por um objeto.

— É tem razão, mas se fosse algo importante…

— Realmente. Mas você veio sozinho, Jung Hoseok?

— Não, vim com um casal de amigos e outra pessoa. — Hoseok não estava entendendo as perguntas do homem bonito. — Você é meu Hyung?

— Sou de 86, creio ser mais velho.

— Sim, é sim. — respondeu meio acanhado. — E você? Veio só?

— Não eu vim com meu namorado.

— Ah! Você namora?

— Sim, eu e ele viemos comemorar nosso aniversário de oito anos. — sorriu fraterno e apaixonado. — Ele está tomando banho para tirar o sal do corpo, disse que iria dar uma volta pelo hotel e encontrei você tristonho.

— Ah sim. É eu tô meio mal mesmo. — deu de ombros ao constatar o que estava prestes a fazer.

— E por que?

— Porque o idiota do Yoongi só me deixa confuso e eu odeio isso. Aquele mané. — sim, ele desabafaria com um estranho. Que se dane.

Hyuk riu, alto por sinal, chamando atenção de uma família japonesa que estava na piscina infantil com uma criancinha.

— Os seus xingamentos são tão engraçados. E o que o mané do Yoongi fez?

— Ah hyung… Posso te chamar assim? — Hyuk acenou positivo com a cabeça. Então ele continuou. — Ele era tão chato no início, eu o odiava, ele era o nerd oficial do grupo e eu tinha uma aversão profunda a tudo que o envolvia. Mas ele fazia parte do grupinho de amigos, então eu suportava-o. Agora que a gente está se aproximando, ele não me parece mais tão careta, chato, nerd e espertalhão. Só um animal estudioso, que infelizmente gosta de números e coloca óculos de sol para observar o corpo de pessoas bonitas na praia. Tarado.

Hyuk riu alto. De novo. Mas será possível? Ele tava achando que Hoseok era uma piada!???

— Do que está rindo agora?

— Você está tão bobamente apaixonadinho por esse Yoongi que é engraçado. Isso é ciúmes o que te aborrece.

— Impossível, eu nunca teria ciúmes de Min Yoongi. — tinha absoluta certeza, ou talvez não, mas deixa em off.

— Sério? Pois você largou ele lá na praia, sozinho com pessoas bonitas e ele pode muito bem ter uma atitude. — aquilo era verdade e Hoseok se arrependeu de ter deixado ele sozinho.

— Como sabe que eu estava na praia com ele?

— A areia no seu pé. — apontou para o pé pequeno de Hoseok, que na noite anterior o Min havia elogiado. — Não mude de assuntos.

— Ah… é mas eu não gosto do Yoongi.

— O Hae, antes da gente namorar, me odiava, a gente brigava tanto, mas a minha mãe parecia gostar mais dele do que de mim, então ele vivia em casa, me provocando. Até o dia em que ele admitiu que eu era bonito e que talvez tivesse uma chance com ele. Não sei porque mas eu transformei o talvez em certeza e desde então a gente está junto. Foi complicado no começo, e acho que com o tal Yoongi também não vá ser fácil, mas se acalma Hoseok. Tudo se ajeita.

— Eu estou tão cansado dessa bagunça na minha vida, e nós só estamos nos primeiros dias da viagem.

— Vá para o seu quarto e utilize o tempo sozinho para pensar nessa situação. Não deixe apenas ficar no talvez.

Hoseok pensaria.

[Porquê não um luau? — I’m mess — um beijo não faz mal]

Hoseok pensou, pensou muito, até os neurônios fritarem, até sair fumaça de sua cabeça. Até que ficasse maluco e perdido no raciocínio.

Pensou em qual o motivo para Yoon causar aquilo em si, por que sentia aquele comichão? Por que parecia uma adolescente colegial virgem atrás do senpai, e por fim da onde havia brotado aquele ciúmes.

Era impossível né? Ele nunca estaria apaixonado por Yoongi assim como HyukJae disse. Era o nerdzão que gostava de números e contas quilométricas. Mas que se vestia bem, que cheirava gostoso e que tinha o sorriso contagiante.

Poxa. Se negava acreditar.

— Hoseok? — Yoongi estava no batente da porta, encarando com uma expressão confusa. — ‘Tá tudo bem?

— Sim, por que?

— Porque você saiu da praia correndo e não deu explicação.

— Ah sim, eu só não estava muito bem.

— Saquei. Tae pediu para ligar para ele. — Hoseok concordou e pegou o celular, discando para o amigo.

Na ligação combinaram de fazer o tal luau que Hoseok tanto queria, já que Tae quis agradar ele por não ter se sentido bem na praia. Tae disse ter visto uma estrutura para tipo o que Hoseok queria perto de uma pedra lá, então combinaram os quatro de se encontrarem na cerquinha que ia para a praia.

Yoongi saiu do banheiro, de banho tomado.

— A noite iremos para a praia. Jeongguk vai levar salgadinhos, disse para não levar de presunto porque você é alérgico ao corante.

— Como sabe disso?

— Ouvi você resmungando no dia do piquenique.

— Claro que ouviu.

Já ao anoitecer eles se encontravam jogando álcool em uma pilha de gravetos para fazer a tal fogueira, Hoseok já havia saído do quarto com o violão no ombro, Yoongi lamentou.

A noite estava bonita, estrelada, clara, sinal de que o dia fosse ficar bom amanhã.

E portanto, depois de ter a fogueira acesa, uma canga estendida com as comidas e cada um em um banquinho improvisado, eles não calavam a boca.

Vez ou outra cantando em conjunto o que Hoseok tocava no violão, uma noite regada de conversas, amizades, bebedeira, música e desejo. Sim desejo.

Hoseok não aguentava mais olhar para Yoongi, com a luz da lua e da fogueira iluminando seu rosto, o sorriso com a arcada dentária de criança, os olhos, a pele sedosa, o cabelo que caía nos olhos, as piscadinhas, o jeito que ele mastigava.

Por que aquilo tava acontecendo com Hoseok? Ele estava tão confuso e perdido nos próprios sentimentos. Yoongi era tão complementar seu e ao mesmo tempo tão oposto.

Ele sentia o peito queimar ao pensar em não ter mais o Min por perto, ou em não dormir mais com o calor do corpo dele perto, ou não ter mais a respiração baixinho na sua nuca quando acordasse.

Porque Min Yoongi tinha virado sua vida de cabeça para baixo?

— Ei, cala boca Tae. Eu queria cantar uma música, posso?

— Vai fundo, pelo menos surdo a gente não fica.

Então os acordes começaram a soar mais altos e rápidos, logo Tae reconheceu a música e ameaçou começar a cantar, mas Hoseok lhe olhou feio e negou. Não era o momento.

Então a voz melodiosa de Hoseok atingiu os ouvidos de todos presentes ali, com uma harmonia perfeita e com uma letra significativa. Os seus olhos estavam presos no de Yoongi, eles se encaravam e a tensão era palpável.

Oh I’m a mess right now

Oh, estou uma bagunça agora

Inside out
De dentro para fora

Searching for a sweet surrender

Á procura de uma doce rendição

But this is not the end

Mas esse não é o fim

Hoseok cantava para Yoongi, isso todos já haviam notado e ele nem tentava esconder, a letra causava uma sensação estranha no estômago de Yoongi. Seria mesmo uma indireta muito direta para si?

I can’t work it out

Não consigo dar um jeito nisso

How?

Como?

Going through the motions

Mas vamos passar pelas emoções

Going through us

Por nós dois

And oh, I've known it for the longest time

E eu sabia disso há muito tempo

And all my hope

E todas as minhas esperanças

All my words are all over written on the signs
Todas as minhas palavras estão à mostras em forma de sinais

When you’re on my road walking me home
Home, home, home, home

Quando você está na estrada indo comigo para a casa

Hoseok estava nervoso, a voz mal saia pelo nó que formava em sua garganta, e Yoongi estava com as mãos suando frio, o que havia dado em Hoseok? Ele enlouqueceu?

See the flames inside my eyes

Veja a chama dentro dos meus olhos

It burns so bright I wanna feel your love

Elas brilham intensamente, eu quero sentir o teu amor

No, easy baby, maybe I’m a liar

E, calma baby, talvez eu seja um mentiroso

But for tonight I wanna fall in love

Mas essa noite eu quero me apaixonar

Put your faith in my stomach

Confie em mim piamente

Taehyung e Jeongguk sentiam o clima que havia se formado e logo sairiam dali para que eles pudessem conversar e se ajeitarem na medida do possível, eles queriam mesmo que toda aquela frescura fosse deixada de lado, pois eles mesmos sabiam que se amavam, e o casal mais novo estava cansado de verem eles se fazerem de cegos.

I messed up this time

Fodi com tudo desta vez

Late last night

Ontem de madrugada

Drinking to suppress devotion

Bebendo para suprir a devoção

With fingers intertwined

Com os dedos entrelaçados

I can’t shake this feeling now
Não consigo me livrar desse sentimento agora

We’re going through the motions

Vamos passar pelas emoções

Hoping you'd stop

Na esperança de que você pare

Hoseok parou a música, nessa parte, talvez porque não conseguisse prosseguir mais, talvez a voz não saísse ou só talvez sua mensagem tenha sido dada.

— Vamos Guk, estamos sobrando aqui.

— Mas eu quero ver, hyung.

— Vamos Jeongguk.

Os olhares não se desconectaram. Enquanto Jeon e Tae refaziam o caminho do hotel.

— O que foi isso?

Hoseok não respondeu, imaginou que Yoongi tivesse entendido. Levantou de seu lugar, de costas para o mar e sentou do lado de Yoongi que tinha a visão do mar completa, mas só agora pois antes ele tinha a completa visão de sua pessoa.

— Eu cantando? — tentou descontrair. Não deu certo.

— Isso quis dizer algo, Hoseok?

O silêncio reinou, e não foi por pouco tempo. Eles ficaram quase meia hora em silêncio, o único barulho era de uma turma que estava na praia também, mas bem afastado deles e as ondas quebrando na orla.

Aquele era o momento reflexivo deles, ambos pararam para pensar em suas situações. O que sentiam, porque, como, quando, e tudo mais que fosse necessário para entenderem.

Yoongi pela primeira vez pensou no que tanto havia evitado, Hoseok. Seus sentimentos.

Era realmente tão óbvio, porque demoraram tanto para pelo menos conversarem? Por que ficaram com toda aquela birra? Se perguntavam se era sério que a desculpa mas aceitável que eles deram era os cursos que faziam?

— Isso foi eu colocando em jogo aberto tudo que eu venho sentindo por dentro. Eu estou a ponto de explodir por sua conta Yoongi. Eu te amo e te odeio por isso.

— Deveria ter cantado I hate u I love u então. — Tomou um soquinho no ombro e uma risada soprada.

— Besta. É sério isso Yoon, eu não sei como, nem porque mas eu tô tão confuso com tudo, você não colabora nada dando esses sorrisos que você dá, e eu só queria ter certeza de que você é aquilo que eu realm… — Não deu tempo do Jung terminar seu monólogo nervoso, Yoongi teve a primeira ação da noite.

Sua boca colada na do Jung trazia um comichão enorme para o seu peito, e sua boca tocando suavemente a boca de Hoseok para então pedir passagem com a língua.

As bocas deslizavam como se tivessem sido feitas para encaixar-se, as línguas se entrelaçavam dentro das bocas, não havia uma disputa por espaço, era mutualidade, ambos trabalhavam para o prazer de todos os âmbitos.

Algumas mordidinhas eram dadas nos lábios e não tinha essa de parar para tomar fôlego, fazia uns cinco minutos que estavam se beijando e não pretendiam parar tão cedo.

Quando as bocas se separaram Yoongi teve certeza que a visão de Hoseok com a boca inchada e vermelhinha, os olhos meia-risca, as bochechas coradas pela pouca respiração e os cabelos meio bagunçado pelas mãos do Min que passearam por tudo que tinha direito, era a melhor do mundo.

O nariz do mais velho resvalou para o pescoço douradinho de Hoseok, sentindo o cheiro meio floral meio amadeirado que tinha ali, a pele era tão macia e agora estava com todos os poros visíveis por culpa de um arrepio.

As mãos de Hoseok vez ou outra parava na nuca de Yoongi, puxando os cabelos que tinha no pézinho. Ele abria a boca em deleite do carinho que recebia.

Acabaram se soltando e Yoongi com muita calma foi até a canga, tirando as embalagens vazias que tinha em cima dessa, pegou-a e estendeu na frente do banquinho onde estavam.

Puxou Hoseok para sentar no seu colo, enquanto ele sentava e apoiava as costas no banquinho de tronco improvisado.

E não, eles não fizeram isso por malícia, Hoseok estava no colo de Yoongi, sem que palavras precisassem serem trocadas, eles apenas confiavam um no outro e se entendiam aos poucos por olhares.

Quando ajeitados, Hoseok tomou um tempo para observar o rosto de Yoongi, bem de perto como nunca havia feito, já que o mais perto que teve oportunidade fora na cama.

Os narizes se tocavam e eles sorriam, Yoongi agora admitia que o sorriso de Hoseok era o mais belo do que nenhum outro.

— Como a gente pode demorar tanto, Hyung? — colocou a cabeça no vão do pescoço de Yoongi, sentindo a pele quente.

— Não é essa a questão.

— Não?

— Não. É porque nós fingíamos que não estávamos vendo os sinais.

E de novo o silêncio prevaleceu, mas não era incômodo, era algo saudável, onde cada um estava preso em seus pensamentos que envolviam o outro, onde os corpos estavam colados e as mentes também.

Quando assuntos começaram a surgir pareciam não acabar, uma conversa engatava na outra e uma coisa levava a outra.

Naquele momento eram eles e só isso, não havia matemática, sociologia, cosmos ou Hitler para atormentar, eles riam de algumas coisas bobas que surgiam como assunto e não estavam se preocupando em tomar um título para aquilo que eles “tinham” ou começaram a ter.

Quando a posição começou a incomodar eles deitaram no lençol, tecido ou seja lá o que fosse aquilo.

Hoseok apoio a cabeça do lado esquerdo do peito de Yoongi, conseguindo ouvir os batimentos do coração do mesmo.

Eles estavam tão acelerados quanto o próprio. Aquilo era tão novo para eles, era tudo uma novidade, um campo minado do que fazer ou não fazer. Mas era bom, trazia uma paz de espírito enorme e aquietava a sensações de frio no estômago quando se encaravam.

Yoongi passeava com a ponta dos dedos na pele macia do Jung, ela era tão linda em um tom tão bonito, sob a luz da lua então, Yoongi pensava em quanta sorte ele tinha por Hoseok ter se apaixonado por si, e por ter se declarado.

Se dependesse de si, talvez ainda mascarassem o amor com ódio. Talvez ainda implicassem um com o outro sem motivos concretos. Talvez ainda fossem infelizes.

Porque em apenas algumas horas beijando a boca de Hoseok e sabendo que tinha o amor dele pra si, Yoongi já se sentia muito bem.

O céu estava clareando já, timidamente as estrelas e o tom azul escuro iam dando espaço para um azul claro misturado com um rosa que se formava pelo sol nascente.

Eles haviam passado a noite em claro, conversando, se beijando e se amando, se apaixonando de novo, de novo, e de novo.

— Eu acho que sou a pessoa mais feliz do mundo. — o sorriso no rosto de Yoongi enquanto dizia isso era tão gostoso.

— Eu também, eu acho que te amo.

Yoongi levantou e sentou no tecido, olhando para o mar fixamente, Hoseok se assustou e pensou ter falado algo errado.

Mas também, quem dera né! Eles estavam a uma noite juntos e já se amavam? Hoseok pensava que não era bem assim, ele convivia com Yoongi a cinco anos, desde o médio, e ele com certeza sabia mais do Min do que a própria mãe, que não mantinha contato. Eles admitiram se amar há uma noite, mas desde quando se gostavam?

Hoseok estava aflito pela reação de Yoongi.

— Eu... Também te amo, meu bem.

Hoseok gargalhou, estava tão aliviado, ainda tinha ganho um apelido fofo. Ele não poderia estar mais feliz. Estava sendo mimado por aquele que se descobriu apaixonado.

— Avise os meninos que a gente está voltando para o hotel só agora. — Yoongi disse observando o nascer do sol.

— Eles vão encher tanto nosso saco. Você sabe né? — sorriu imaginando as piadinhas idiotas do casal mais novo,

— Eu sei, avise eles que a gente se encontra na piscina por volta das 18 horas.

— Tudo bem, hyung. Nós vamos para o hotel dormir né? Eu tô cansado de verdade. — Hoseok levantou pois continuava deitado, e abraçou por trás Yoongi, que havia levantado de supetão naquela hora.

— Vamos sim. Vai mandando a mensagem que eu vou cantando as nossas coisas.

E com isso Hoseok começou a digitar, para Taehyung. E Yoongi a pegar embalagens de salgadinhos para colocar em uma sacolinha.

“ TaeTae, eu e o Yoongi acabamos perdendo a noção do tempo e estamos indo pro hotel só agora, iremos descansar, nos encontramos na piscina às 18hr? Ok?

Beijinhos do seu hyung favorito.”

Levantou e dobrou o pano onde estava sentado, colocou o violão nos ombros, jogou o resto de água de uma garrafinha na fogueira para apagar a brasa, colocou o plástico no lixinho, deu a mão para Yoongi e seguiram pela areia até o hotel.

Já no quarto a tela de seu celular brilhou é a mensagem resposta de Tae apareceu.

Vocês vão transar né? Safados. Nos vemos lá, cubra os chupões.

Ps: Meu hyung preferido é o seokjin”

Hoseok riu alto dando o celular para Yoongi ler a mensagem absurda de Taehyung. Ele era um palhaço.

— Eu sei que eles vão nos encher a paciência, mas vamos agradecer eles depois pela melhor viagem em casal que vamos ter.

— Como assim em casal, a gente não…

— Hoseok, ‘cê quer namorar comigo?

O Jung travou, ele não teve reação, ele iria namorar Min Yoongi, o nerd, de exatas que ele tanto desprezava, queria gritar para Deus e o mundo que SIM ele queria namorar Yoongi, que ele estava completamente apaixonado, que era um bobo pelo mais novo.

Deu largos passos até onde o mais velho estava pulando em seus braços, juntando seus lábios e concordando com a cabeça.

— Yoongi, minha mãe estava certa, quem muito desdenha, quer comprar. Agora eu namoro o humano exato para mim.

Ele tinha um namorado, e a missão — secreta — do casal taekook havia dado certo. 

27 июня 2018 г. 18:01:02 3 Отчет Добавить Подписаться
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