Love Is A Battlefield Подписаться

rose_quartz Rose Quartz

Redarya e Hiddenleaf. Dois reinos em guerra. Tudo graças aos desentendimentos patéticos de seus governantes. Mas, é claro, não cabia a Sasuke julgar se aquela guerra era necessária ou não. Seu trabalho, como herdeiro Uchiha, era única e exclusivamente militar. Devia uma vitória ao seu rei. O problema era que esse também era o objetivo de Sakura. Mulher. Guerreira. Combatente. E, o mais importante, inimiga.


Фанфик Аниме/Манга 18+.

#universo-alternativo #guerra #naruto #sasusaku #one-shot
Короткий рассказ
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No promises, no demands

A noite estava arejada. A lua, enorme. Parecia que qualquer mortal poderia tocá-la apenas se esticando. O céu estava limpo e aquele delicado zéfiro que brincava com as copas das árvores, também aproveitava para lamber o rosto másculo que observava um grande cavalo abaixar o pescoço até um lago e beber da água cristalina.

— A noite está calma... — passou os olhos pelo perímetro — Muito calma...

Vislumbrou o acampamento bem guardado a poucos metros dali e não pôde conter a tristeza.

Os soldados dormiam. Talvez já tivessem aceitado seus destinos, talvez ainda tivessem um fio de esperança. Mas, no fim do dia, não importava. Mais da metade daquele pelotão seria extinta. Já havia perdido tantos homens nas batalhas passadas que se impressionava com aquela bonança. Possivelmente era a euforia de saber que logo aquilo terminaria. Mais uma luta e tudo acabaria.

Um reino triunfaria sobre o outro.

Mas a que custo?

Mulheres ficariam viúvas. Crianças ficariam órfãs. A guerra jamais traria felicidade a ninguém.

Ora, aquilo não significava nada para ele, certo? Era o comandante. Os olhos que guiariam seus soldados para a vitória. Ele, Sasuke Uchiha. O orgulho da família que não fugiria do campo de batalha como seu irmão. Lutaria pelo reino de Hiddenleaf. Cantaria vitória com seus homens em apenas duas semanas.

Quatorze dias para o cheiro de sangue infestar suas narinas outra vez.

Abaixou-se ao lado de seu cavalo e umedeceu as mãos, levando-as ao pescoço logo em seguida.

Um suave farfalhar de folhas foi ouvido atrás de si. Imediatamente ficou alerta.

Havia saído para se refrescar no lago. Encontrava-se desarmado e exibia o torso nu. Sabia que a noite estava pacífica demais. Algo estava para acontecer.

Seus olhos se atentavam a cada detalhe da paisagem. Enfiou a mão na bolsa de couro pendurada em seu cavalo e, com destreza, agarrou a primeira arma que seus dedos puderam sentir. Uma adaga afiada.

Aquilo bastaria.

Aproximou-se dos arbustos que já não balançavam mais. Quando ia mergulhar a mão na folhagem, ouviu o rápido zunido de uma lâmina e se virou ligeiro o suficiente para parar o golpe.

O inimigo investia pesado contra si. Não sabia se aguentaria muito tempo. Tinha apenas uma adaga e estava sendo atacado por uma espada.

Era alto e tinha o corpo protegido por sua armadura. O capacete reluzia e as plumas vermelhas que escapavam do topo denunciavam que era um soldado inimigo. Sua habilidade era inegável. Sasuke estava em clara desvantagem.

Um ataque surpresa... Como não previra?

— Não deveria desfilar sem armadura, general. — sentiu o ardor de um pequenino corte em sua costela.

Obviamente a movimentação somada ao cavalo negro galopando de volta, despertou a atenção dos homens que faziam a vigia.

Num rápido movimento, o soldado inimigo apoiou-se em sua espada e projetou seu corpo contra o de Sasuke, acertando-o com um chute no peito.

Sasuke cambaleou e caiu. Viu seus homens se aproximando e a lâmina vindo em sua direção.

Precisava ganhar tempo.

Passou a perna esquerda nos pés do desgraçado e o viu cair. O elmo rolou de sua cabeça e um longo cabelo rosado preso surgiu no momento em que os aliados chegaram para o socorro de seu comandante.

— Inúteis! Como puderam demorar tanto? — Sasuke se levantou e viu o corpo caído ser içado pelos dois homens recém-chegados.

— Não demoramos 10 segundos, general! — um deles protestou e pretendia continuar, mas o soldado se debatendo em seus braços era realmente insistente.

Sasuke agarrou o capacete de plumas rubras jogado a poucos passos e voltou-se para seu rival.

— Os soldados de Redarya não possuem honra alguma. — cuspiu as palavras e esperou por uma resposta vinda do soldado — Olhe para mim enquanto falo contigo, verme! — agarrou os cabelos rosados e puxou a cabeça para cima.

Sasuke era um comandante jovem, no auge de seus 30 anos e, mesmo não sendo o mais vivido dos homens, já havia visto muitas coisas.

Mas nunca teria sido capaz de imaginar e se preparar para aquilo.

O par de olhos esmeraldinos que o encarava estava furioso. As sobrancelhas encrespadas e as narinas dilatadas denunciavam toda a raiva contida.

Mas não eram os olhos que o impressionavam. Não eram os cabelos de coloração tão peculiar. Não era a expressão assassina. Não.

O que o deixava embasbacado eram os traços daquele rosto que, por mais que o olhasse de maneira austera, era estranhamente delicado.

Era feminino.

— É uma... — pela primeira vez em sua vida, encontrava-se sem palavras.

— Se sou eu quem acabará com sua vida? Sem dúvida alguma! Soltem-me! — debatia-se fervorosamente — Repita aquilo sobre Redarya, cão imundo! Repita enquanto batalhamos em um duelo!

— Como?

— Fala de honra enquanto grita socorro a dois imprestáveis! — a cada movimento afoito, mais seus fios se soltavam do rabo de cavalo.

Sasuke segurou-lhe o rosto.

— Eles sabem que carregam uma mulher em suas tropas? — os olhos verdes endureceram — Acorrentem-na ao lado dos cavalos. Sem água ou comida até que nos dê informações úteis sobre o inimigo. — aproximou-se até que seus narizes se tocassem.

— Prefiro que me joguem aos cães. — sibilou e cuspiu no rosto do general.

Sasuke franziu o cenho, mas logo suavizou sua expressão.

— Veremos até onde irá toda essa coragem. — afastou-se e marchou para o acampamento, sendo seguido pelos seus subalternos e pela garota carregada.

Seria maravilhoso brincar um pouco com a mocinha tão malcriada.

⸟⸞⸟

Ela não disse nada pelo resto daquela noite e nem no outro dia. Quando desarmaram o acampamento e seguiram em frente, continuou calada.

Sasuke cogitou deixá-la, mas sabia que ela cederia em algum momento.

Andaram durante um dia inteiro e, quando pararam para descansar, ela continuou em pé. Inabalável. Sasuke não desgrudava seus olhos dela. Era de se admirar sua resistência. Mas ela não aguentaria um terceiro dia. Ele tinha certeza.

O problema era que estava certo.

No terceiro dia, sem água ou comida, caminhando embaixo do sol escaldante, ela sentiu uma tontura lhe atingir e parou por alguns segundos. Logo suas correntes foram puxadas e seu corpo cambaleou, fazendo-a cair.

A armadura estava pesada, suava como um porco e o cheiro ali, em meio a tantos homens e animais sujos, deixavam-na ainda mais zonza.

— Vamos! Não aguenta uma caminhada? — o homem que a puxava, ria da situação. Ele cavalgava, enquanto ela era praticamente arrastada.

Ela nada pronunciou. Tentou se levantar e, quando se pôs de pé, foi puxada novamente, indo outra vez ao chão.

Uma onda de risos se fez presente. Era humilhante.

— Pensei que fosse uma guerreira. — outro riu.

— O único inimigo com o qual deveria lutar, é o cesto de roupas sujas! — o verme que lhe puxava falou alto para que todos ao redor ouvissem.

— Por quê? Não consegue nem mesmo lavar o par de calças que usa, meu bom senhor? — ela pronunciou com a pouca força que lhe restava — Por isso cheira a excremento. — sorriu fraca e foi tomada por outra vertigem.

Não conseguia mais se manter ajoelhada. Seu rosto foi de encontro ao chão. Não queria dar aquele gosto aos inimigos, mas eles estavam lá, vendo seu momento de fraqueza.

Degradante.

— Por mil demônios! — Sasuke pulou de seu cavalo assim que viu o corpo cair desacordado — Como conseguiremos informações de uma morta, bando de imbecis? — ajoelhou-se próximo dela e sentiu seu pulso.

Só estava desmaiada. Provavelmente pelo cansaço.

Sasuke arrancou as partes mais pesadas da armadura, deixando o torso coberto apenas pela cota de malha. Pegou o primeiro cantil que lhe foi entregue e derramou alguns goles na boca da garota.

Ela tossiu de primeira, mas logo se agarrou ao objeto, sorvendo o líquido avidamente. Era quase como sentir a vida voltando para dentro de si.

Ofegante, largou o cantil e conseguiu franzir o cenho na tentativa de uma carranca.

— Não direi uma palavra... — tartamudeou e esperou que lhe castigasse.

— Dirá. — e riu dela, em clara zombaria — Coloquem-na na carroça. Precisamos encontrar um lugar para acampar.

E assim foi feito. A prisioneira foi jogada num carroça e logo estavam em movimento.

A pobre garota não demorou nem dois minutos para apagar novamente. Só acordou quando deixou de sentir o balanço da carroça que a embalava.

Levantou-se num pulo e as vistas embaçaram. Como pudera abaixar a guarda daquela forma? Olhou em volta e a noite já havia caído. Os homens estavam montando o acampamento. Não encontrou nenhum lago ali perto e riu. Que tipo de tropa parava longe de uma fonte de água?

Suas mãos ainda estavam acorrentadas e, logo percebeu, seus pés também.

Sentia-se fraca. Havia bebido, mas não comido. Seu estômago e corpo imploravam por calorias. Era uma guerreira. Precisava se manter abastecida.

— Finalmente... — reconheceu a voz do comandante. Era uma lutadora que se apegava aos detalhes. Distinguir imediatamente a voz de um inimigo era algo absolutamente necessário a seu ver.

— O que deseja? — foi grossa.

— Sabe o que desejo. — estendeu um generoso pedaço de pão a ela e a viu torcer o nariz — Não pretendo trocar a comida por informação. Isto é para que não morra de fome, mula teimosa! — pegou-lhe a mão e colocou o pão com certa raiva — Agora coma. Não posso conseguir respostas de uma defunta.

— E como pretende conseguir respostas, caro general? — cheirou o alimento, certificando-se de que não estava envenenado — Alimentando-me? Não deixando que eu morra de sede?

— Meus métodos são diferentes, senhorita. — só pelo brilho nos olhos intensamente negros ela sabia que ele tinha o dom da manipulação.

Uma pena que ela era ainda melhor.

— Qual nome devo gritar quando, finalmente, atravessar seu corpo com minha lâmina? — arrancou brutalmente um pedaço do pão com os dentes.

— Sasuke Uchiha, senhorita. — o peso daquele nome não pareceu a atingir.

— Então o comandante desta tropa é um Uchiha? — falava com a boca cheia, pouco se importando com os bons modos. Estava faminta.

— Entende o motivo de já terem perdido essa batalha? — ela engoliu e sorriu.

— Pelo visto não sabe quem é o meu comandante. — tascou outra mordida, despreocupadamente.

— Não preciso... — cortado.

— Haruno. — Sasuke sentiu um arrepio — Entende o motivo de já terem perdido essa batalha? — ironizou.

Só existia um sobrenome que poderia bater de frente com os Uchiha no campo de batalha.

Os Haruno.

Sasuke prontamente lembrou-se das histórias que ouvia quando mais novo. Lembrou-se, também, da perna que seu pai havia perdido para um Haruno. Eram ótimos guerreiros, mas, o que os deixava sempre um degrau acima, eram suas estratégias.

Harunos eram ótimos estrategistas.

Sasuke engoliu em seco e tentou disfarçar, mas ela viu o pomo de adão subir e descer vagarosamente.

Precisava arrancar algo daquela mulher.

— Não sabe como me encanta saber que terei sangue Haruno nas mãos. — de repente, o sorriso voltou aos seus lábios — E você? Como veio parar numa guerra?

Não respondeu. Continuou comendo.

— Ao menos tem um nome? — ela o fitou. Ainda parecia fraca. Vários hematomas cobriam seu corpo. Seu rosto estava sujo e os cabelos, desgrenhados.

E, mesmo naquele estado, mantinha a cabeça erguida.

— Sakura.

— Certo. Sakura. — pulou da carroça — Não tenta fugir. Não faz escarcéu. Não parece ter medo de ser torturada. Por quê?

— Adiantaria, general? — soergueu uma sobrancelha.

Sasuke olhou para o chão e suspirou. Não, não adiantaria. Ao menos a garota era inteligente o suficiente para reconhecer sua derrota.

Todavia, a verdade é que ela já tinha tudo milimetricamente planejado.

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Sete dias confinada com o inimigo. Era uma mulher sozinha em meio a milhares de homens. Havia conseguido a liberdade das correntes de seus pés, mas suas mãos continuavam presas.

Sakura era extremamente arisca. Alguns soldados tentavam se engraçar para seu lado, mas eram prontamente enxotados. Se não por ela, pelo general. Estava começando a se apegar ao infeliz.

Graças ao conforto de ter os pés livres, ficava 24 horas sob a vista atenta do Uchiha. Apenas soldados de elevadas patentes tinham barracas e ele, como comandante, podia desfrutar de uma tenda e um colchão.

E ela era obrigada a dormir próxima dele.

Quando paravam para acampar, ela era acorrentada ao lado da tenda improvisada e se aninhava numa pilha de feno.

Aquela noite, felizmente, estava agradável. Quase como a noite em que havia atacado Sasuke. As algemas em seus pulsos incomodavam, mas ela não se importava. E a razão era estar conseguindo cumprir sua missão com êxito. Pernoitar ao lado da tenda do comandante era sinônimo de ouvir todos os seus planos e conversas sobre as estratégias que usaria no campo de batalha.

Ah, sim. Era esse o motivo de sua “visita” àquela tropa.

E pôde logo concluir que, mesmo revelando suas estratégias, ainda estaria em vantagem. A defesa daquele exército era uma piada. A estratégia se baseava quase exclusivamente em ataque.

Contudo, não estava surpresa. Eram homens, afinal.

Ajeitou-se em sua cama improvisada. Era tarde da noite, todos já dormiam. Exceto Sasuke. Ele estava em sua barraca e Sakura podia ver a pequena labareda que iluminava a parte de dentro.

Sasuke estava preocupado. Não conseguira dormir bem após sua descoberta de que o comandante inimigo era um Haruno. Havia conversado com seus estrategistas. Já estava planejado. Todos os ataques que haviam esquematizado estavam cravados em sua mente.

Mas o desconhecido o deixava receoso.

Passou a mão pelos cabelos e resfolegou. Ora, ele era um Uchiha!

Arrancou as pesadas vestes que usava, deixando-as ali no canto. Precisava descansar.

Sakura o admirava em silêncio.

Percebendo o quanto a prisioneira estava entretida com a silhueta do general por trás da tenda, dois soldados aproximaram-se sorrateiramente de Sakura.

— O que tanto olham? — proferiu seca, mostrando que a presença não havia passado despercebida.

— Nervosa? — um deles debochou.

— Deixem-me em paz.

— Tens um belíssimo cabelo, não deveria guerrear com madeixas assim... — um se aproximou e ameaçou tocar alguns fios rosados, mas Sakura o impediu, segurando seu pulso.

— Não ouse encostar um dedo em mim.

— Queremos lhe fazer um favor. — o outro riu — O que acha de guardarmos seu cabelo? Por segurança — ouviu o zunido da espada vindo por trás e tentou se esquivar, mas o homem a sua frente segurou-lhe pelos braços e tórax, imobilizando-a.

— Soltem-me, miseráveis! — debatia-se.

O segundo soldado se aproximou e, num movimento rápido, tosou os fios longos por cima do laço que os prendiam num rabo de cavalo baixo.

A agitação de Sakura só piorou o corte.

— Pronto, agora poderá guardá-lo e não deixar que o estraguem durante a guerra — jogou o grosso cabelo no colo de Sakura, que já estava caída ao chão.

— Que quiproquó é esse? — Sasuke saiu de sua tenda e viu os dois marmanjos se divertindo com a mulher que espumava de ódio.

— Sacos de estrume! — levantou com tudo e estava pronta para pular no pescoço do primeiro, mas Sasuke a segurou pelos braços e correntes — Como ousam me tocar?

Eles gargalhavam da irritação de Sakura e de seu cabelo naquele corte assimétrico. Algumas mechas que se desprenderam, caíam longas pelo seu rosto, enquanto podiam ver o início da base de seu pescoço por trás.

— Fizeram isso? — a voz grave de Sasuke fez o riso cessar imediatamente.

— Comandante, apenas queríamos nos divert...

— Sumam daqui antes que eu resolva puni-los por isso. — Sakura estranhou. Ele estava a protegendo?

— Mas, general... — mais um olhar de Sasuke foi o que bastou para que se retirassem.

— Está tudo bem? — dirigiu-se a ela.

Sakura puxou bruscamente seu braço.

— Não preciso que comprem minhas brigas. Saiba que, se estivesse armada, não pouparia vidas. — ajoelhou-se novamente, segurando os cabelos que estavam espalhados pelo chão.

— Sinto muito pela perda. — estava claramente debochando dela.

— É apenas cabelo, general. Cresce. — passou a mão pela cabeça — Olhe só o serviço porco que ensina aos seus homens, tsc... — enroscou os dedos na maior mecha.

Sasuke puxou uma pequena faca que estava presa ao seu cinto e ajoelhou-se próximo dela.

— O que pensa que está fazendo?

— Vou consertar. — apontou para o cabelo e Sakura quis rir.

— Deixe de ser ridículo, homem! — esperou que ele se levantasse, mas Sasuke não o fez — Deixará ainda pior. Dê-me isso, eu ajeito!

— Acha que eu seria capaz de lhe dar uma arma, senhorita?

— Maldito... — virou-se — Acabe logo com isso!

Sasuke sorriu e começou a tentar acertar os fios.

Ficaria uma bela porcaria.

— É assim que pretende abrir minha boca, general? — soltou a pergunta de maneira ácida — Com gentileza?

— Eu jamais faria isso. — Sakura pôde perceber que ele falava aquilo em meio a um sorriso.

E, sem querer, sorriu junto dele.

⸟⸞⸟

Duas noites antes da luta.

Os homens estavam preocupados.

Estavam cada vez mais próximos do local onde a batalha seria travada. O acampamento era erguido quase como se fosse um pré-funeral. A notícia de que o comandante inimigo era um Haruno havia se espalhado rápido como a peste negra.

Sakura se divertia com aquela visão. Ver a tropa inimiga desanimada só de ouvir o sobrenome de seu general era gratificante.

Daquela vez, finalmente tinham parado próximo a um riacho. Sakura mal podia acreditar em como a sorte estava ao seu lado.

Voltaria para seu exército naquela noite. Esperava que seus soldados tivessem entendido os detalhes de seu plano. Não demoraria até que um cavalo estivesse a esperando numa floresta ao norte.

Aquela noite estava excepcionalmente quente. Dava para adivinhar os motivos de terem parado próximo ao rio. O acampamento dormiu mais cedo que o comum. Muitos homens dormiam expostos, apenas com calças – ou nem isso – devido ao calor.

Sakura estava indignada. Podia ver claramente as flechas de seus combatentes cravadas em todos aqueles peitorais desnudos.

Aninhou-se em seu feno e fingiu pegar no sono. Esperou até que a pequena fonte de luz na tenda de Sasuke também se apagasse. Não podia correr o risco de ser pega. Continuava desarmada e só tinha os punhos como forma de defesa.

Levantou-se sem produzir o mínimo ruído. Alcançou a corrente que lhe prendia e passou a forçá-la para que cedesse. Vinha urinando em sua base, esperando que o ferro ruísse. Puxou mais uma vez e ouviu o som metálico. Mais um puxão e estaria livre.

— O que pretende, Sakura? — virou-se rapidamente, dando de cara com o general.

— Eu... — não poderia correr, ainda não havia se soltado.

— Não aprecia minha companhia? — fez-se de ofendido.

— Queria ir até o riacho.

— Poderia ter ido mais cedo.

— Com um bando de abutres me olhando? — riu com escárnio.

— Certo. — puxou a chave que carregava num cordão em volta de seu pescoço e a soltou das algemas, segurando firmemente em seu pulso — Então será apenas um abutre.

Olhou para as mãos livres. Tinha bastante movimento com as algemas, a corrente era longa, mas a diferença era gritante.

— Obrigada. — disse baixinho enquanto era puxada até a margem do riozinho.

— Pretende banhar-se? — ela afirmou com um aceno de cabeça — Ótimo. — E Sasuke se sentou abaixo de uma árvore ali perto. Suas costas repousadas contra o tronco.

— Poderia ao menos desviar os olhos? — Sakura reclamou.

— E arriscar que fuja daqui? — rebateu.

— Grosso, estúpido... — resmungou baixinho, virou-se de costas e, sem pudor algum, arrancou suas roupas o mais rápido que pôde.

Não virou para encará-lo em nenhum momento. Se tivesse, veria os olhos negros inflamados e a boca seca pelo desejo que aflorou no âmago do general.

Entrou na água depressa. Morreria antes de admitir que os olhos daquele homem cravados em suas costas a deixavam ruborizada.

Sasuke tentou achar uma posição mais confortável. Por Deus, teria perdido seu autocontrole?

Sakura não era uma figura feminina que esbanjava delicadeza. Pelo contrário. Era uma mulher farta, de quadris largos e cintura delgada. Suas pernas roliças eram fortes, curvilíneas e bem moldadas. Era evidente que era uma guerreira.

Não se parecia com as moças delicadas que eram descritas pelos trovadores. Longe disso.

Ela parecia uma deusa.

Forte, imponente e majestosa.

— Perfeita... — Sasuke sussurrou, admirado pela beleza dela sob a luz do luar.

— Disse algo, general? — Sakura flutuou na água até ficar próxima dele. As gemas verdes presas em si.

— Disse para se apressar. É tarde e preciso de repouso. — ela arqueou uma das sobrancelhas.

— Ora, suma daqui e mande um dos seus homens me vigiar, então. — mergulhou graciosamente, se afastando.

— Sabe que os enganaria, senhorita. — cruzou os braços.

— Posso te enganar, também. — de longe, ela o observava — Está malcheiroso, general. Aproveite a água. — o convite sugestivo fez Sasuke sentir um súbito arrepio.

Ele a viu nadar mais para o fundo. Estava perdidamente encantado. Era tão dona de si, de seus movimentos, de seu corpo... Aquela desgraçada era uma bruxa. Com toda certeza.

Como se não possuísse controle, Sasuke tirou as roupas e adentrou o riacho. Sakura ouviu a movimentação e se virou para ele. Afundou, privando-o da visão dos olhos verdes famintos.

Ele sentiu o corpo se aproximando por baixo da água e, quando ela submergiu, acompanhou cada mínima gotícula que escorria de seus cabelos e mapeava sua pele até sumir na curva dos seios submersos.

— Em dois dias batalharemos. Frente a frente. É meu inimigo, general Uchiha. — ele assentiu, preso a cada detalhe do rosto confiante — Um de nós irá morrer. Talvez, os dois. Não sei o que os deuses nos reservam, mas... — hesitou.

— Deite-se comigo. — foi rápido. Mesmo com a noite quente, podia sentir seu corpo tremer.

— Uma última chance aos prazeres carnais? — tocou o ombro forte e deixou seus dedos deslizarem por uma cicatriz que havia ali.

— Uma última chance aos prazeres carnais. — ele a cingiu com seus braços e a trouxe para perto.

— Ótimo, ainda o odeio. — disse com humor e, sem esperar pela resposta, enroscou-se ao general, beijando os lábios com desejo e deixando que os dedos se perdessem no emaranhado de fios negros.

Tocaram-se, beijaram-se e amaram-se. Apenas a lua como testemunha de seus atos. Não sabiam onde um terminava e o outro começava. Seus corpos estavam ali, se unindo no que queriam veementemente acreditar ser apenas prazer carnal.

Pobres almas. Se ao menos soubessem como destino seria traiçoeiro...

Sasuke era intenso demais, ávido demais, sedento demais. Merecia cada gemido sôfrego que desprendia do fundo da garganta de sua companheira naquela noite. Sakura era sua e ele era dela.

Era quase desumana a forma como aquela mulher perfeita o enlouquecia. Tinha um erotismo que beirava o divino. Seus toques, mordidas, beijos. Tudo era completo, arrepiante, satisfatório.

Quando já não aguentavam mais, deitaram-se sob a grande árvore ali perto. Exaustos e procurando pelo descanso nos braços um do outro.

Sasuke admirava enquanto ela repousava os dedos em seu peito e tentava apaziguar a respiração. Pensou que Sakura se cobriria com um pedaço de tecido assim que se deitassem, mas ela não o fez. Permaneceu nua, agarrada a ele, sentindo seu calor.

— A próxima vez que meu nome escapar-lhe pelos lábios num gemido, será quando minha espada atravessar o seu corpo, general. — roçou a ponta dos dedos por todo o peitoral do homem.

Sasuke riu e permitiu-se acarinhar os fios róseos. Sakura suspirou pesadamente. Aquele filho de uma mãe estava a deixando confusa demais.

— Sasuke. — ele a olhou — Não lute.

— O quê? — parou o carinho repentinamente.

— Você é o general. Fique em segurança, não corra o risco de... — vendo o desespero naqueles olhos tão lindos, ele estendeu sua mão e tocou a face pálida de medo.

— Onde fica seu comandante nas batalhas? — perguntou calmo, sereno.

— Na linha de frente. — limitou-se a responder.

— Pois lá também será meu lugar. — abaixou a cabeça e beijou a testa de Sakura.

Ela fechou os olhos e apreciou o toque tão delicado.

— As laterais, general... — sussurrou ao pé do ouvido de Sasuke — Tome cuidado com as laterais... — roçou seu nariz no pescoço másculo e sentiu o aperto em sua cintura se intensificar.

— Sabia que cederia. — Sakura sorriu com os lábios rentes à curva do pescoço dele.

— Então esse era seu plano? Bastardo... — sua voz não passava de um sussurro sonolento.

Sasuke aninhou-se melhor a ela. Jamais havia adormecido embalado pelos braços de uma mulher. Não até àquela noite.

Ao perceber que ele estava em um sono profundo, Sakura se desvencilhou de seu aperto. Ajoelhada ao seu lado, pediu aos céus que protegessem aquele homem de todo e qualquer mal que viesse a assolá-lo durante a luta. Também prometeu que o procuraria depois de tudo aquilo. Jurou por sua vida.

Mas não poderia perder uma guerra apenas pelo seu coração.

Deu-lhe um último beijo e partiu apressada. Correu pela margem do rio até alcançar a mata densa e, ao se enfiar nela, foi rápido para o norte até ouvir um relincho.

Cavalgou o mais veloz que pôde. Seu coração apertava no peito e ela molhava a crina do animal com suas lágrimas.

Como aquele desgraçado ousava ter lhe roubado o coração? Era inadmissível.

Alcançou seu acampamento quando o sol já despontava a leste. O pobre cavalo mal se aguentava em pé.

Pulou de sua sela depressa. Sua chegada inesperada acordou boa parte dos homens. Um dos soldados que estava de guarda se prontificou a correr até ela.

— Comandante! Pelos céus, está nua! Atacaram-na? Precis... — Sakura o parou imediatamente e pôs-se a andar até sua tenda.

— Preciso que chame os estrategistas imediatamente. Partiremos em três horas. — por mais que inúmeros olhos desejosos passeassem pelas curvas de seu corpo, todos sabiam bem seu lugar ali. Ela fazia questão de mostrar.

— Sim, general.

Sakura entrou em sua tenda e procurou por suas roupas e armamento. Ganharia aquela batalha, mas não deixaria que machucassem o comandante inimigo. De maneira alguma.

⸟⸞⸟

Era chegada a hora.

A batalha seria travada em questão de minutos.

Um exército já podia ver o outro no horizonte.

Seria ali. Bem na divisa entre os reinos. A última luta de inúmeros homens. A vitória merecida de uns, a derrota impiedosa de outros.

Sasuke nunca estivera tão louco por uma peleja. E o motivo era ela. A infeliz que o havia conquistado e fugido no meio da noite. Como pôde ser tão cego a ponto de deixar-se seduzir por uma mulher traiçoeira como aquela?

Não parava de pensar na dona das mechas rosadas nem por um segundo. Precisava revê-la apenas mais uma vez para poder partir em paz.

Rezava para que ela tivesse se perdido na mata e se separando de sua tropa, evitando aquele combate.

E se ela se machucasse?

Por Deus, quantos absurdos ainda passariam por sua cabeça? Ela o havia usado, traído, manipulado e...

E...

— General, eles pararam.

Mais alguns galopes e Sasuke também parou. Todo o seu poderoso exército atrás de si. As patentes mais importantes ocupavam os lugares mais seguros no meio daquele mar de testosterona. Apenas Sasuke estava ali, na linha de frente.

Do outro lado, pôde ver o comandante inimigo em seu cavalo branco. A armadura reluzia e o elmo tinha o penacho vermelho mais comprido de lá, para que todos pudessem identificá-lo.

Ele não tinha medo. Não temia ser notado. Não se acovardava, pois sabia que não perderia.

Sasuke retirou seu capacete marcado por plumas azuis e esperou que o outro general fizesse o mesmo.

Foi inevitável não ter o coração falhando uma batida.

Sakura revelou seu rosto repentinamente. Viu todo o exército a sua frente se surpreender. Os cabelos rosados eram inconfundíveis.

Ela era a Haruno.

Mesmo da distância que estava, Sasuke pôde ver o sorriso se formar nos lábios dela. O silêncio era sepulcral. Nem mesmo o vento ousava assobiar.

A face de Sasuke se contorceu. Não era possível que uma mulher pudesse brincar tanto assim com sua mente. Era impensável, intolerável, incabível!

Sabia que seus homens estavam atônitos. Se ela atacasse, seria seu fim. Sakura tinha o elemento surpresa a seu favor.

Não poderia arriscar.

Com um grito ensurdecedor, ordenou que as tropas atacassem.

O exército azul avançou e, sem recuar, Sakura apenas levantou um braço e fez um sinal. Uma chuva de flechas saiu do fundo de sua formação e voou em direção aos soldados inimigos.

Os corpos caindo de seus cavalos e/ou indo ao chão foram inúmeros.

Sasuke desesperou-se e deu o mesmo comando. Imediatamente, o exército vermelho ergueu seus escudos, bloqueando boa parte das flechadas.

Sakura sorriu, desembainhou sua espada e berrou o mais alto que pôde. Não teria como perder.

(...)

Sakura brilhava no meio do campo. Seus movimentos eram certeiros. Não tinha piedade do inimigo.

Pôde observar Sasuke de esguelha. Ele também lutava furiosamente.

Soltou um ligeiro sorriso. Seria ótimo lutar ao lado daquele homem em uma batalha futura.

Mesmo observando o general a alguns metros de distância, Sakura não deixava a guarda baixa. Golpeava sem misericórdia qualquer um que viesse atacá-la.

Desviou de um ataque com agilidade e, quando voltou os olhos para Sasuke, assustou-se.

Não teve tempo de pensar ou planejar algo. Soube naquele momento que não suportaria vê-lo morrer.

— Sasuke! — um de seus homens corria com a espada afiada em direção a ele.

Sasuke só teve tempo de ouvir o grito e virar-se. Não conseguiria desviar nem se tentasse.

Esperou pelo golpe que não veio.

— Sakura? — estatelou os olhos quando a lâmina atravessou a lateral do corpo da rosada.

— Comandante! — o soldado gritou exasperado, mas logo teve a cabeça decepada pela falta de atenção.

— Sakura! — Sasuke viu o corpo escorregar do cavalo e prontificou-se em ampará-la.

— Não deveria abaixar a guarda, general... — as mãos estavam trêmulas. Seus olhos quase se fechavam. A voz saia arrastada.

— Não, não, não... — tratou de sair dali. Cavalgou até o fundo de sua formação. Estariam seguros ao lado dos arqueiros.

Puxou o corpo de Sakura e a deitou no chão, segurando o tronco em seus braços.

— Sakura, fale comigo. — estava desesperado — Não pode morrer. Tem um exército para liderar, Haruno!

— Eu treino meus soldados muito bem, Uchiha. — tossiu e sujou Sasuke com seu sangue — Eles sabem... Lutar sem mim...

— Não tem o direito de morrer! — estava furioso.

Sakura sorriu. Um sorriso sereno.

— É um insulto me apaixonar... — tocou a face amedrontada de Sasuke e tossiu fortemente — Alegre-se, general. Isso em suas mãos... É sangue Haruno...

— Sakura... — ela recolheu a mão. Não tinha mais forças.

— Não me esqueça, comandante. Prometa-me — o filete de sangue que escorria de seus lábios ficava cada vez mais grosso

— Eu juro que não! — ela sorriu satisfeita e fechou os olhos.

Não havia mais vida.

— Sakura? — tocou seu pescoço. Não sentia a pulsação. Sua pele ainda estava quente, mas até quando?

Nada mais importava. Os homens gritando ao seu redor, o cheiro de morte, as vidas que se perdiam naquele mar vermelho.

Apertou com força o corpo em seu colo e beijou sua testa. Gritos foram ouvidos ao seu lado.

Claro. A lateral...

— Até a próxima vez... — sussurrou e esperou que o golpeassem até a morte.

Redarya saiu vitorioso naquela guerra para, dois anos depois, formar uma aliança com Hiddenleaf.

Toda aquela chacina poderia ter sido evitada. Todas aquelas vidas poderiam ter sido poupadas.

E aquele amor que floresceu entre os generais?

Ele poderia ter sobrevivido.

Mas o destino não quis.

E a lua observava todas as noites o riacho onde o jovem casal havia se amado com satisfação. Embaixo da grande árvore, uma solitária flor desabrochou na primavera. Uma graciosa tulipa amarela.

Aquela foi a última lembrança que deixaram na terra.

2 июня 2018 г. 22:30:48 0 Отчет Добавить 3
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Об авторе

Rose Quartz Leitora assídua e escritora amadora nas horas vagas. Amante de desenhos animados, apaixonada por música e fã de carteirinha de Steven Universo. Adepta do politeísmo, sendo minhas deidades Sakura Haruno e Rose Quartz. Venha me visitar um dia desses para a hora do chá(nnaro)!

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