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Leda Taner


Ficção baseada em fatos históricos. Cavaleiros no século 12 e 13, lutam por terras, por honra e em Nome de Deus. Se esta história tivesse sido escrita em inglês, eu aposto que teria muitos leitores pois ela se passa em um período rico da época medieval e retrata todas as grande batalhas e seus reis. Eu pesquisei muito tempo e escrevi isso tudo há 25 anos, mas só agora resolvi tornar publico.


Боевик Всех возростов.

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INTRODUÇÃO

Em 1189, o Papa Clemente III organizava a Terceira Cruzada para reaver Jerusalém. A cidade havia sido perdida para o sultão da Síria e do Egito, Saladino, há dois anos, no episódio que ficou conhecido como a Batalha de Hatin, quando o Rei de Jerusalém, Gui de Lusignan, foi deposto e feito prisioneiro.

Reconquistar Jerusalém e libertar Lusignan era uma questão de honra para os cristãos e para financiar a missão foi criado o dízimo saladino. Todos os cidadãos, fossem nobres ou homens do povo, deviam contribuir, e qualquer objeto de valor era aceito, além das doações em espécie e imobiliárias. Armas, cavalos e artefatos de guerra, bem como objetos sacros, ornamentos sacerdotais, propriedades de mosteiros, abadias e conventos, não eram recebidos para evitar que reis e nobres usurpassem bens de igrejas em seus territórios.

Os Templários, os Hospitalários, os oficiais reais e os oficiais clérigos, foram encarregados da coleta do dízimo que era administrado pela Igreja. Religiosos e trovadores foram incumbidos de viajar por toda a Europa Cristã recrutando adeptos e conseguindo apoio.

Sob o domínio da Igreja, os reis, príncipes, nobres e cavaleiros eram induzidos a "tomar a Cruz" em juramento, e esse voto garantia a eles um lugar no céu e a absolvição dos pecados. Tinham salvo conduto para matar, pois os inimigos ”infiéis” não mereciam o perdão divino.

Os que não jurassem a cruz, por algum impedimento que a Santa Sé considerasse justo, teriam seus pecados igualmente perdoados se pagassem o dízimo para a Igreja.

 

Ricardo, o Duque da Aquitânia, foi o primeiro a tomar a Cruz. Seu pai Henrique II, rei da Inglaterra, e Felipe Augusto, o rei da França, que estavam em guerra, estabeleceram trégua apenas para atender ao chamado do Papa e esse gesto de submissão a Igreja foi seguido por muitos nobres de vários reinos, incluindo o poderoso imperador do Sacro Império Romano Germânico (SIRG), Frederico Barba Roxa.

Com a adesão destes três grandes e importantes reis europeus, o Sumo Pontífice tinha fé de que a vitória seria certa, porém um pouco antes de iniciarem a viagem rumo a Terra Santa, os reis da Inglaterra e da França voltaram a se enfrentar e gastaram os fundos coletados para financiar a viagem em sua guerra particular.

 

Henrique II Plantageneta, que já não tinha uma boa relação com a Igreja desde que tentara diminuir o poder da mesma na Inglaterra[1], teve de enfrentar a aliança de seus filhos com o rei francês.

Ricardo era o herdeiro do trono inglês, depois da morte dos irmãos mais velhos[2], e ele e seu irmão Godofredo[3] estavam em guerra contra o pai desde que a mãe de ambos, Leonor de Aquitânia, se separara do rei e fora viver na França.

 

Henrique II, que estava encurralado pelas tropas de Ricardo e do rei francês em Le Mans, sua cidade natal e onde seu pai estava sepultado[4], reconheceu a incapacidade de se defender e resolveu fugir pelas colinas de onde assistiu a cidade onde nascera ser tomada pelo fogo. Devastado pela derrota, passou a noite acampado nas montanhas de onde pretendia seguir rumo a sua propriedade no Anjou.

O Rei da Inglaterra não se sentia bem, tinha algumas dores estomacais e febre, e se recolhera na sua barraca com um conselheiro.

--- Meus filhos acreditam que podem me vencer, mas isso não acontecerá.

--- Sim, majestade, - o conselheiro se aproximou – eles já perderam mais de uma vez para vossa majestade.

--- E isso custou a vida de meu herdeiro Henrique. – encarou o homem – e lhe digo que não fiquei feliz com isso. Não imaginas como doí no coração de um pai ver os filhos pegarem em armas contra si.

--- Sim majestade, eu compreendo. – o homem sorriu e lhe entregou uma infusão. – Lhe fará bem beber isso. Sua febre há de ceder.

--- Também compreendes como meu filho Ricardo se uniu ao rei da França para usurpar as terras que ele mesmo herdaria quando subisse ao trono? – ele tomou um gole da bebida.

--- Mas vossa majestade fez todos acreditarem que João herdaria a coroa.

--- Certamente o fiz, depois da traição de meus três filhos mais velhos. Mas era um ardil com o qual eu pretendia recuperar a lealdade deles... – olhou para o teto da barraca – E o que isso me custou, meu Deus!

--- Sinto muito majestade – o homem pegou o copo de chá, acrescentou vinho e entregou ao rei da Inglaterra.

--- Fui punido com a perda de meus filhos.  Primeiro Henrique...

--- Pobre Henrique, tão jovem e a falecer de infecções no campo de batalha.

---Eu amava aquele rapaz, tinha certeza de que seria um grande Rei. – Henrique II suspirou profundamente - Ele acabou custando-me muito, mas queria que tivesse vivido para me custar mais[5]·. - sorveu a bebida e suspirou - E depois Godofredo...

--- Lamentável, meu bom Rei, mas não foi vossa culpa.

Henrique encarou o conselheiro e se preparou para dormir.

--- Espero conseguir ter uma noite de sono e rezarei, meu caro amigo, para não perder Ricardo.

--- Vossa Majestade sempre terá João, que lhe é fiel.

--– Sim, fiel, mas nunca será um guerreiro como os irmãos. Lamento que minha esposa os tenha criado dessa forma e os tenha colocado contra mim. Lamento mais ainda que meus filhos tenham dado ouvidos ao Rei da França e tenham se juntado a ele contra o próprio pai e Rei.

--- Sinto muito, Majestade.

--- Eu também - Henrique encarou o homem – Vamos, tentar descansar.

 

Na manhã seguinte, rumaram para o Anjou, onde esperavam ter um encontro com Ricardo e com o Rei da França. O Rei inglês não queria enfrentar outra batalha e tentava fazer acordos. Os termos o irritaram profundamente mas, aconselhado por outros nobres e pelo Bispo de Reims, cedeu a contragosto e decepcionado diante da traição de alguns conhecidos. Um dos tópicos do tratado era fazer as pazes com Ricardo e lhe garantir a coroa. Devastado e humilhado, retirou-se para seu Castelo em Chinon, onde sua doença piorou drasticamente.

Ao saber que as condições físicas do pai eram reais e não fingimento, como desconfiara o Rei da França, Ricardo amargurado seguiu para o Castelo.

 

--- Terás agora o que tanto querias... – o rei suspirou quando encarou o filho que entrou no aposento.

--- O que era meu direito meu pai. – ele o reverenciou e se aproximou do leito.

--- Aos 16 anos já eras meu inimigo, vossa mãe conseguiu fazer isso apenas por capricho.

--- Não é o momento para falarmos disso. – Ricardo o encarou – Vim para selar a paz.

--- Gostaria de viver para lhe dar a vingança que mereces, Ricardo. – tentou se erguer mas o conselheiro real o impediu e o ajeitou na cama.

--- Tudo o que fizemos, eu e meus irmãos, foi necessário... Meu pai.

--- Era necessário que eles morressem?

--- João não poderia ser Rei, ele não tem...

--- Oh Ricardo, não percebes ainda como fostes manipulado por Felipe Augusto? Ainda perderás a Normandia e a Bretanha para a França e, por Deus, não hei de estar vivo para ver tal tragédia!

--- Eu realmente lamento e não queria que assim fosse mas minha mãe foi encarcerada e a primeira coisa que farei será dar a ela a liberdade. – ele tentou não se exceder, devido ao lastimável estado do Rei.

--- Leonor é uma mulher astuta, eu a admiro muito. Conseguiu me tirar todos os filhos...

--- Eu tomarei a cruz por Vossa Majestade, seguirei para a Terra Santa em honra ao seu voto para com a Igreja e com o Papa. – Ricardo mudou de assunto.

--- Mas foste o primeiro a responder ao chamado do Papa.

--- Sim, mas o farei por si, também.

--- Uma penitencia muito pertinente, meu filho... – suspirou.

--- Devo ir. – arqueou-se e beijou a face do Rei - Espero que se recupere e que Deus o proteja, - fez reverencia e partiu.

 

Henrique faleceu dias depois em 1189. A morte do Rei da Inglaterra repercutiu negativamente pela Europa e Ricardo I que já era Duque da Aquitânia, recebeu os títulos de Duque da Normandia, Conde de Anjou e Rei da Inglaterra. O novo rei vivera mais tempo com sua mãe fora da Inglaterra para onde foi apenas para ser coroado e para se preparar para seguir para a Cruzada. Como o dinheiro para a peregrinação Santa fora gasto na guerra, ele precisava conseguir fundos e para isso não hesitou em esvaziar os cofres do reino, vender títulos de nobreza, cobrar mais impostos e, insatisfeito com o que conseguiu recolher, empenhou os bens da coroa e colocou à venda propriedades do Estado.

Preocupado com seus territórios continentais da Normandia, Aquitânia, Anjou e Bretanha, e para que não corresse riscos de perdê-los enquanto estivesse fora, convenceu Felipe II, Rei da França, a honrar o voto de “tomar a cruz” e seguir com ele para a Terra Santa.

E assim, com uma grande e bem equipada tropa o Rei da Inglaterra, partiu rumo a Marselha, de onde pretendia seguir por mar para o oriente. Felipe Augusto, depois de conseguir a soberania de Auvergne após a morte de Henrique II, partiu por Gênova e Frederico I, o Barba Roxa, partiu por Ratisbona, ao norte da Itália.

 

O imperador do Sacro Império Romano Germânico se pôs em marcha pretendendo chegar à Terra Santa antes dos outros reis. Sua tropa era composta por milhares de homens[6] que avançaram pela Hungria, Servia e Bulgária até que foram encurraladas pelos turcos.

A luta foi longa e intensa. Os germanos sofreram muitas baixas e tiveram que recuar sem recursos e famintos. Mataram cavalos para saciar a fome e a sede de modo que as doenças começaram a se espalhar entre os soldados. Barba Roxa estava indignado pois todas as privações e a escassez de alimentos eram culpa de Isaac, o Anjo, imperador de Constantinopla, que prometera fornecer provisões e abrigo mas que não cumprira a palavra por ter feito alianças com Saladino I.

Apesar da traição e de todas as privações, as tropas de Barba Roxa conseguiram ir em frente até sofrerem mais um ataque inimigo que dizimou o exército germânico, apesar de terem vencido a sangrenta batalha.

As baixas e a falta de comida fizeram com que alguns cavaleiros desistissem. Mas Frederico prosseguiu com seu exército débil e reduzido. Alcançaram o Mar Jônico e depois a Cilícia, onde foram acolhidos pelo imperador cristão que os alimentou, deu abrigo e cavalos. Descansados, receberam provisões e continuaram a jornada.

Quando se preparavam para atravessar o Caldino, pelo rio Saleph, alguns cavaleiros alertaram Frederico de que seria muito perigoso atravessar naquele ponto, especialmente porque o imperador, apesar de sua vitalidade, era um homem de 67 anos. Barba Roxa estava ansioso e com pressa de chegar à Terra Santa, por isso não ouviu os conselhos e a teimosia custou-lhe a vida. Seus homens recuperaram o corpo das águas e o colocaram em um barril cheio de vinagre para preservá-lo.

 

--- Estou amargurado com tudo o que está acontecendo. – Frederico VI, Duque da Suábia, filho de Barba Roxa, estava reunido com o que restou da tropa - O grande Barba Roxa vencido por um rio. Esta morte não esperada abalou a todos. Mas não ficaremos sem liderança e prosseguiremos nossa jornada como queria nosso imperador.

--- Nós o seguiremos nobre duque – o capitão Marco se aproximou. – Realizaremos o sonho de nosso imperador.

--- Mas apenas alguns de nós, nobre Duque – um cavaleiro se fez ouvir – Pois muitos homens pensam em partir.

--- Apesar de considerar isso uma traição, tenho consciência de que não há como impedir. Os cavaleiros e as suas montarias estão bastante desgastados e esgotados, pois passam por necessidades e as doenças se espalham. – ponderou o Duque da Suábia. – Mas eu prosseguirei, chegarei a Terra Santa e quem quiser vir comigo terá sua recompensa.

 

Devastado, Frederico VI da Suábia seguiu em frente com o que restou do exército germano. Pretendia chegar até São João do Acre, honrando o desejo de seu pai mas as intempéries foram enormes fazendo com que o Duque da Suábia acabasse tendo o mesmo fim que o imperador. Os esforços de conservar o corpo em vinagre falharam e o que restou dos despojos de Barba Roxa foram distribuídos entre Igreja de São Pedro na Antioquia e a catedral de Tiro. Seu coração e órgãos internos foram para a cidade de Tarso na Turquia. Frederico foi sepultado no Acre e o que restou do exercito do Sacro Império acabou sob o comando dos rivais de Barba Roxa: Felipe da França e Ricardo da Inglaterra.


[1] Henrique II da Inglaterra, cansado do poder dos religiosos, determinou que os mesmos não estavam acima do Rei e, deste modo não mais podiam opinar na politica inglesa, nem dar ordens e ainda responderiam diante da lei como qualquer homem comum. Esse posicionamento criou atritos entre o rei e o arcebispo primaz da Inglaterra Tomas Becket, que foi assassinado na Catedral da Cantuária. Embora nada tenha sido provado, todos acreditaram na culpa do rei que mandou punir os executores do crime e, para não ser excomungado, doou somas altíssimas aos Templários e ainda teve de prometer ir para as cruzadas.


[2] Guilherme Plantageneta, o Conde de Poitiers, primogênito do Rei Henrique, morreu na infância. O segundo filho do Rei Henrique II,  foi Henrique, o Jovem, que sucederia ao rei mas morreu de infecção e disenteria no acampamento de guerra em Lot, na França, onde estava com os irmãos Ricardo e Godofredo em 1183.


[3] Godofredo Plantageneta não vivieu para ver o fim das disputas com seu pai pois faleceu inesperadamente em um acidente de cavalo num torneio em Paris.


[4] O pai do Rei Henrique está sepultado na Catedral de Saint Julien.


[5] Alguns autores citam essa frase como tendo sido proferida por Henrique II poucos dias antes de falecer.


[6] Muitos historiadores falam em milhões de homens. Todos concordam que falar em milhões e milhares é um exagero.

7 сентября 2018 г. 18:22:36 0 Отчет Добавить 3
Прочтите следующую главу CAPÍTULO 1 (1189 – 1191) - A Terceira Cruzada e o Coração de Leão

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