Fúria Indômita Подписаться

Yue Yue Chan

Em sua mente Naruto remoía não só o desgosto e planos de vingança, como também a ansiedade que gritava em seu âmago, insuflando a necessidade urgente de ter com sua rainha e príncipe e certificar-se de que estavam seguros para, somente então, poder reunir seu exército e marchar contra o reino vizinho. Faria chover sangue e fogo até reaver sua pequena princesa e, por Amaterasu, que eles não ousassem encostar em sequer um fio de seus belos cabelos azul índigo, ou conheceriam o verdadeiro inferno, pois ele ia atear tanto Fogo Grego aquele castelo que mil anos seriam insuficientes para extinguir suas chamas. Faria com que eles descobrissem na pele porque carregava o título de Raposa de Fogo.


Фанфик Аниме/Манга 18+.

#medieval #guerra #naruto #batalha #himawari #Fogo-Grego
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O peso da Coroa Real

Hello meu chuchus, esse projeto terá dividido em três capítulos e foi inspirado na música " Sixteenth Century Greenslaves" do Raibow, cantado por ninguém mais ninguém menos meu cantor preferido DIO.

Vou deixar o link caso tenham interesse:

https://www.youtube.com/watch?v=hAbWj4JL22c&start_radio=1&list=RDhAbWj4JL22c

Teremos um pouco de sangue e violência então já aviso a quem tem estômago fraco que não siga adiante.

Dedico a todas minhas lindas Arrombadinhas que amo. Meninas essa fic é um beijo no coração de cada uma. Vocês são meus Narutos e me iluminam. Obrigada por existirem na minha vida.

Mandy,eu te amo e quero Tigrão. Tô cumprindo minha parte do acordo rsrs


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O silvo alto da trombeta ecoou pelo campo indicando o fim da batalha.

Os guerreiros que ainda permaneciam de pé detiveram seus movimentos e viraram seus rostos para o lugar de onde provinha a melodia libertadora.

Todos os olhares pousaram sobre o cavaleiro de armadura dourada que segurava com uma mão o corpo inerte do inimigo para que todos vislumbrassem seu feito.

Os soldados feridos e cansados explodiram em brados de alegria. Finalmente o general havia caído e aquela contenda tinha chegado ao seu tão ansiado fim. Ainda que muitos não pudessem retornar ao seio do lar por ter sacrificado suas vidas em nome de seu rei havia motivos de comemoração.

Eles exaltaram o líder em sua imponente armadura que brilhava tão intensa quanto o próprio sol, símbolo de sua casa e reino, apesar de ser visível que seu polimento e cuidado já tinham visto dias melhores. Ao seu lado seu cavaleiro e braço direito mantinha sua habitual expressão séria, visível pela abertura em seu elmo, embora sua satisfação fosse visível.

Marcharam em meio aos corpos, resgatando dos cadáveres as armaduras, armas e escudos que ainda fosse de alguma serventia. Aquela campanha havia sido árdua e longa e a necessidade de repor seu estoque bélico urgia. Adicionavam a caravana os materiais e seguiam em marcha lenta, porém carregada contentamento e expectativa por poder voltar ao seio familiar após longos meses de separação. Nos corações a lembrança dos amigos e companheiros de armas, mortos em combate. Na mente a certeza de que jamais seriam esquecidos. Seus mortos poderiam descansar em paz. Haviam cumprido com honra seu dever e seu altruísmo não seria em vão.

Encontraram o restante dos soldados que compunham o segundo pelotão, reunindo-se com os demais, em um imenso descampado que se encontrava a duas horas de caminhada do lugar onde ocorreu a última batalha. Em poucos minutos todos ululavam contentes pelo fim da peleja.

Por fim cessaram o tumulto ao vislumbrar seu rei se erguer sobre os demais utilizando um pequeno ressalto do local, acompanhado de sua sombra, o cavaleiro de armadura negra.

O monarca retirou o brilhante capacete descansando-o sobre um dos braços e fitou com carinho e orgulho seus soldados. Os rostos sujos, marcados e cansados denunciavam seu desgaste físico e mental. Alguns voltariam com um braço ou perna a menos, ou mesmo parcialmente cegos ou surdos, com cicatrizes que os acompanhariam pelo resto da vida.

Todavia, ainda assim, mesmo diante de tanto sofrimento, ainda era possível testemunhar o fogo que residia na alma de cada um deles, centelhas que brilhavam indômitas e selvagens em seus olhos e que orgulhavam o rei trazendo ao seu coração o júbilo de ser o líder de guerreiros tão dedicados.

Cada um daqueles homens cumprira seu papel de maneira valorosa e merecia ser reverenciado.

Depois de se certificar de ter fitado cada um daqueles guerreiros respeitosamente, enfim se pronunciou tentando manter a emoção sob controle.

— Irmãos de armas, hoje finalmente, após tanta luta, nossa contenda chega a seu fim.— Ergueu o estandarte inimigo sobre a cabeça e os homens gritaram em uníssono. O sorriso que se formou nos lábios do monarca era de puro contentamento. Aguardou que os soldados se acalmassem para dar continuidade a sua fala. – Muitos amigos tombaram em batalha, companheiros sem igual, guerreiros corajosos que morreram como mártires lutando por seus ideais, família e reino, e estes jamais serão esquecidos. Os bardos cantarão seus feitos e sua coragem atravessará as eras, assim como a nossa deusa sol, Amaterasu, os recolherá em sua luz e bondade.— Nesse ponto do discurso ficou difícil conter a emoção ao perceber que muitos tinham os olhos marejados ao lembrar dos companheiros caídos. Mas ele não permitiria demonstrar fraqueza ou consternação perante seus soldados - Todos sabemos o quão doloroso será conviver sem sua presença física, mas seus espíritos nos acompanharão, ajudando a nossa deusa Amaterasu em seu brilho. Eles lutaram ao nosso lado e deram seu sangue pela causa, e a eles devemos honrar a paz conquistada. — Bateu no peitoral da armadura de aço, em cima do emblema de sua casa- um sol com uma espiral ao centro- levantando o punho fechado erguido aos céus com o olhar determinado, porém respeitoso. Faria a prece a sua deusa máxima, aquela que os guiava com sua luz e calor pelo campo de batalha. - Deusa Amaterasu que a tudo ilumina, envie seus servos celestes e recolha as almas de nossos irmãos caídos em combate. Leve-os para sua morada onde poderemos um dia, quando a nossa hora chegar, reencontrá-los. Que possamos partir para teus braços como guerreiros valorosos e seguir tua jornada pelo firmamento, aquecendo os outros seres vivos.

O culto a deusa do sol era tão vívido e importante dentre aquele povo que não ousavam batalhar sem que ela estivesse os iluminando, evitando lutar em dias nublados, chuvosos ou a noite.

Deusa Amaterasu que a tudo ilumina, envie seus servos celestes e recolha as almas de nossos irmãos caídos em combate. Leve-os para sua morada onde poderemos um dia, quando a nossa hora chegar, reencontrá-los. Que possamos partir para teus braços como guerreiros valorosos e seguir tua jornada pelo firmamento, aquecendo os outros seres vivos.— Os demais repetiram em união, criando uma bela harmonia de vozes roucas e emocionadas. As lágrimas desciam pelas faces da maioria enquanto proferiam aquela prece aprendida na infância em meio aos árduos treinamentos e fielmente recitada ao término de cada treino ou batalha.

Eu sou seu rei, mas nada seria sem o meu exército. Por isso digo que são meus irmãos. É muito confortável estar ao meu lado na época de paz, quando estou em meu castelo, apreciando minha hospitalidade e bonança. Porém apenas os verdadeiros amigos, fiéis a coroa estão aqui compartilhando deste inferno comigo, comendo pouco, dormindo menos ainda, sofrendo em consonância com seu rei enquanto me acompanham em cada sangrento campo de batalha sem esmorecer ou desistir. Se o nosso reino é poderoso não é por causa apenas de mim, e sim porque tenho um grupo de guerreiros destemidos e poderosos. Vocês são a força de Konoha, o brado da vitória. No entanto até o mais valoroso soldado sente falta do lar. Declaro então que a partir de amanhã, após renovadas as nossas energias, nossa caravana retorna para casa. — Novamente a plateia ululou ensandecida e ansiosa pelo retorno.

Naruto recebeu a tocha de um de seus companheiros e ateou fogo ao estandarte do reino derrotado. O tecido rubro de bordas verdes, com o emblema de duas espadas cruzadas sobre uma pena cumprida foi rapidamente consumido pelo fogo ante os olhares de deleite dos soldados que aguardavam aquele ritual de encerramento com grande anseio.

— Essa guerra terminou hoje, porém sabemos que não será nossa última empreitada. Ainda há muito a se fazer. Vamos festejar e descansar e que Amaterasu nos proteja em nosso retorno.

Naruto desceu e se misturou aos soldados, cumprimentando e conversando com cada um. Seu reinado, assim como o de seu pai -morto em combate há uma década- havia prosperado sob a bandeira da igualdade.

Seus soldados já haviam provado serem capazes de abrir mão da própria vida em lealdade a sua figura. Os que não fariam haviam sido eliminados por sua sombra, o cavaleiro de armadura negra que era seus olhos e ouvidos e não hesitava ao sujar sua espada com o sangue de traidores resguardando a segurança do monarca como nenhum outro era capaz de fazê-lo. Apesar de carregar o totem do lobo em seu peitoral – símbolo de sua casa- era leal a Naruto e sua corte como nunca havia sido a nenhuma outra.

Sasuke havia chegado ao reino de Konoha aos sete anos para servir de escudeiro de Jiraya, o braço direito do rei Minato na época de seu reinado.

Por ser o segundo na linha de sucessão ele não subiria ao trono a menos que Itachi, seu irmão mais velho morresse, o que não era impossível, mas dificilmente aconteceria dada a alta capacidade cognitiva do primogênito da casa Uchiha, aclamado como prodígio.

O mais novo foi oferecido como escudeiro a casa Uzumaki que lhe assegurou uma posição prestigiosa graças a sua linhagem de sangue pura. Sasuke sabia que aquela tradição era um meio velado de garantir o apoio do reino de Konoha em tempos de guerras e vice-versa, como uma espécie de acordo informal onde ele era a moeda de escambo.

Assim como ele, Menma, irmão mais novo de Naruto, havia sido entregue como escudeiro a casa Uchiha, formando uma forte aliança entre as nações.

Apesar de servir como um meio de apoio e manobra em casos de confrontos, apenas uma peça naquele intrincado jogo, Sasuke se esforçava para sobressair e superar expectativas. A natureza não o fizera um gênio como havia agraciado o irmão, porém fê-lo forte e destemido, com uma capacidade única no manuseio de espadas. Conhecia bem sua condição, mas jamais aceitaria aquela posição de inferioridade que lhe impunham a força.

Importante por ser um príncipe, porém descartável por não ser o primogênito, ele acabou se afeiçoando a corte do rei Minato, principalmente a seu filho, Naruto, um jovem indômito com o olhar compenetrado. Um babaca alegre nas horas livres, porém um exímio adversário em combate, com quem mantinha uma saudável rivalidade sempre treinava até quase a exaustão.

Seu vínculo com a casa Uzumaki se fortaleceu e ele adotou o reino, que tinha como deusa patrona Amaterasu, como seu, decidindo se manter em Konoha após sua maturidade chegar e seu trabalho como escudeiro findar.

Ao contrário dele, Menma retornou a seu reino após o fim de seu trabalho como escudeiro, ansioso para gozar mais uma vez da liberdade que sua terra natal proporcionava, tão díspar a rigorosidade do reino de Sussano'o, onde se sentia sufocado pelas leis e tradições rigorosas e inflexíveis.

Assim como o irmão quando criança, Menma sempre foi impulsivo, uma característica que lhe custou a vida. Faleceu em combate dias após seu pai, alvejado por uma saraivada de flechas, ao ignorar as instruções de seu recém coroado rei que ordenou a seus capitães que mantivessem seus pelotões a uma distância segura dos muros, onde pressentia – e tinha um aguçado instinto para isso- haver mais arqueiros escondidos do que sua inteligência tática supunha.

O irmão ignorou suas ordens diretas, ansioso por demonstrar sua valentia, e comandou seu grupo de soldados para a frente de batalha, utilizando como defesa principal seus escudos.

É de conhecimento de todo cavaleiro que flechas são capazes de perfurar até mesmo as placas de aço da armadura, por isso eram instruídos desde a mais tenra idade a se manter vigilantes e sempre trajar a armadura por completo, composta por quatro camadas, sem ignorar nenhuma. Porém o príncipe tinha o péssimo costume de menosprezar a cota de malha por julgá-la pesada demais, ignorando a lógica ao acreditar que apenas o revestimento externo, com suas placas de aço seria suficiente.

Infelizmente não era.

Foi capaz de conter a primeira leva de flechas sorrindo vitorioso por ter habilmente se escondido no momento exato. Algumas setas fincaram a carne de sua perna e braço. Apenas um erro de cálculo, nada que com que não pudesse lidar. Porém, ao sentir o cavalo vacilar ao seu comando, ele se deu conta de que sua impulsividade o havia impedido de pensar em todos os detalhes e se arrependeu de ter ignorado as ordens de seu rei. Mesmo que o animal utilizasse uma armadura parcial que protegia seu dorso e cabeça, suas patas estavam descobertas e foram atingidas.

Ferido e assustado o cavalo se ergueu sob as patas traseiras, lançando seu cavaleiro ao chão antes de disparar a esmo, fugindo do perigo.

Aturdido pela queda, Menma não conseguiu se recompor a tempo. O peso do escudo, atado a seu braço, causou-lhe uma luxação que retardou os movimentos do príncipe que viu, impressionado e pasmo uma multidão de arqueiros se posicionar no alto dos muros, retesando os arcos enquanto apontavam para um único alvo em especial: ele. Nunca em sua vida havia presenciado tantos concentrados em um lugar só, nem veria mais.

Impelido pelo desejo urgente de salvar o irmão, Naruto tentou correr em seu auxílio, sendo contido a força por Sasuke, Shikamaru e Kakashi que compunham parte de sua escolta pessoal. Já haviam perdido um rei e estavam prestes a perder um príncipe, se permitissem que ele se lançasse aquela louca empreitada e fosse morto perderiam a guerra e seu reino estaria sob o julgo do outro monarca.

Tudo que o novo rei pode fazer foi assistir de camarote aquela execução bárbara. Sabia que o inimigo sorria em deleite ao perceber que estava para executar o príncipe do reino rival, provavelmente reconhecendo-o pela armadura azul que Menma insistia em usar.

Os olhos azuis imersos em desespero acompanharam o trajeto das fechas lançadas ao céu, subindo pelo impulso, antes de descerem pesadas, chovendo impiedosamente sobre o indefeso irmão, pregando-o ao chão de maneira grotesca.

Ele havia falhado como rei e familiar, presenciando mais uma vez um dos seus morrer diante de seus olhos sem poder ajudar. Fora incapaz de impedir que o pai morresse trespassado pela lâmina inimiga, e presenciara o irmão ser alvejado de maneira inclemente e doentia, seus olhos ainda abertos em surpresa, mesmo que a vida já tivesse abandonado seu corpo.

Não teve voz para externar sua dor, apenas encarou a figura distante do rei inimigo, trajado com aquela aberração: a medonha armadura vermelha. Rubra como seu rosto ficaria quando Naruto pusesse as mãos nele, algo que infelizmente nunca aconteceria, pois ele renunciaria sua coroa e debandaria ao perceber o cerco ao seu redor se fechar. Tempos depois ressurgiria como rei novamente, dessa vez após trair e manipular a corte de um infeliz e incompetente monarca que se deixou ludibriar pelas promessas vazias e acabou sendo assassinado.

Um patético e vil Regicida, isso que Danzou era. E nunca seria mais do que isso.

Em uma única guerra a casa Uzumaki perdera seu rei e um de seus príncipes. Porém foi nesta mesma contenda que Naruto consolidou sua fama como notório líder, tendo seu nome atrelado ao apelido de Raposa de Fogo, cuja simples menção suscitava pavor nos corações de seus inimigos. Por toda a terra média ele ficou conhecido como o monarca que havia conseguido manipular e recriar o temido Fogo Grego, um líquido de composição complexa e desconhecida criado pelos bizantinos e há muito perdida, cujas chamas, uma vez ateadas, eram praticamente impossíveis de serem extintas, resistindo inclusive a água. Tal qual as chamas de sua deusa maior Amaterasu, inextinguíveis, vorazes, queimando qualquer coisa até as cinzas e além delas. Mesmo em meio a chuva as chamas ardiam teimosas, e Naruto sabia bem como utilizar e guardar esse segredo. Aquela arma garantia sua vitória em batalhas navais e terrestres.

Contudo, como todo rei poderoso, ele estava cercado de pessoas interesseiras que desejavam seu mal, apenas aguardando o primeiro descuido para lhe apunhalar. Ciente disso, Sasuke decidiu se manter ao lado do amigo quando ele assumiu a coroa, garantindo que ele, ao contrário de seu pai, tivesse um longo reinado. Havia executado muitos traidores e mantinha a corja longe de seu monarca.

Tão temido quanto o rei era sua impiedosa e sempre atenta e servil sombra que o escoltava a mais de quinze anos.

Acompanhou o amigo pela multidão de homens que aclamavam seu nome em frenesi. Mesmo sabendo que era uma zona segura, seus olhos negros e vigilantes jamais deixavam a figura do governante, a mão discretamente pousada sob o cabo da espada, um velho hábito que garantiria sua agilidade em caso de necessidade.

Embora tivesse ciência de que seu rei era tão ou mais habilidoso em combate que ele não deixaria sequer uma brecha. Era sua sombra, seu kage, e a cor de sua armadura não havia sido escolhida a toa.

Observava a interação do monarca com os demais, a postura altiva e os olhos confiantes e alegres, porém obstinados e atentos como os dele. Alguns grupos começaram a se reunir e compartilhar o pouco vinho que ainda tinham, oferecendo goles da bebida a Naruto e sua sombra.

— Pegue, kage, vai ajudar a esquentar um pouco esse coração frio.— um dos homens tripudiou recebendo um olhar aparentemente desinteressado que escondia um aviso. O sujeito se limitou a rir.

Sasuke não se incomodava de ser chamado de kage ou sombra, pelo contrário, aceitava com orgulho sua posição e título. Essa era uma decisão que não havia sido imposta a ela e sim abraçada de livre e espontânea vontade.

Após a excursão eles se dirigiram a tenda real, guardada por sentinelas de alta patente que se prostraram ao perceber a aproximação do rei, curvando a cabeça educadamente enquanto miravam o chão.

Era palpável quão admirado e respeitado Naruto era entre seus seguidores e povo. Ele conseguia atrair a todos com sua personalidade cativante e otimista, embora também soubesse se comportar como um monarca exigente e severo quando necessário, principalmente quando em batalha, onde mantinha a postura o olhar altivos e ameaçadores, fazendo muitos recuarem.

Todavia, existia um lado do rei que apenas seus companheiros mais íntimos conheciam. Uma faceta que deixaria seus inimigos - sempre tão temerosos ante a menção de seu nome e apelido- um tanto quanto curiosos e perplexos: sua face humana.

Não a que se compadecia da miséria do povo, pois, essa era conhecida por todos, mas sim o medo e apreensão que sentia e que escondia de maneira sublime por detrás do sorriso e da máscara de guerreiro destemido. Ele temia sim, principalmente por sua família e povo e odiava a maioria das decisões que era obrigado a fazer por sua posição. Afinal era líder, não podia demonstrar fraqueza ou seu império ruiria.

O furor que sentira há dez anos estava adormecido. Enquanto o Regicida não se levantasse contra seu reino ele não o buscaria. Por mais que desejasse vingança pelo que ele fizera a seu irmão, não colocaria seu reinado e povo em risco por assuntos pessoais e inacabados. Ainda mais agora que voltava de uma contenda e precisava de tempo para reorganizar seu exército que havia sofrido severas baixas.

Entrar em guerra com outro reino seria perigoso pois, mesmo Konoha tendo aliados poderosos, não era certo de que lhe aceitariam engajar uma contenda e dispor de parte de suas tropas, afinal, até onde sabia, alguns reinos também estavam em guerra.

Era certo que fazia jus a sua fama nos campos de batalha, e que tinha como qualidades mais marcantes seu senso de justiça e otimismo, nunca recuando diante das adversidades, todavia, em seu âmago, bem no fundo de seu coração já não suportava mais o peso de sua coroa e as consequências e responsabilidades que ela trazia.

Somente ele sabia como se sentia monstruoso ao decapitar outro general ou erguer sua cabeça e corpo para que seus soldados o vissem como um líder poderoso. Tinha asco de tomar atitudes tão bárbaras, mas havia sido ensinado a demonstrar poder, e nada melhor do que uma demonstração de força bruta em campos de batalha, ou sabedoria quando na corte.

Um rei tinha que seguir preceitos inflexíveis e empalar, decapitar, estripar e torturar fazia parte do pacote, ele gostando ou não. Por sorte só precisara passar pela decapitação uma vez quando em campanha para defender seu território. Não podia discordar que levantar a cabeça do outro rei em meio à multidão foi uma ótima tática de intimidação, mesmo assim passou semanas sem conseguir dormir direito, sonhando com os olhos vazios e inquisitivos da cabeça que parecia lhe fitar com os lábios entreabertos e flácidos, balbuciando sons terríveis e incompreensíveis. Tinha pesadelos recorrentes onde se via no lugar do homem, tendo a própria cabeça decepada pelo inimigo, com a mente intacta, a consciência incapaz de se desligar do plano material enquanto via os soldados abaixo de si urrarem em êxtase de maneira animalesca.

Por sorte tinha Hinata, seus adoráveis filhos e amigos com quem podia contar para acalmar seu coração apavorado. Não havia como manter a máscara impassível sem pausas, mas só permitia que sua amada e melhor amigo o vissem em seus momentos de fragilidade.

Repousou o maciço elmo dourado sobre uma das mesas e deixou o corpo cair cansado sobre a cadeira ornamentada que havia ali, suspirando pesado de olhos fechados. Percebeu o amigo se mover para seu posto costumeiro, ao seu lado direito, onde sempre permanecia com a postura rígida. Naruto não se cansava se achar graça na postura inquebrantável do companheiro, as vezes parecia uma estátua.

Estamos só nós dois aqui, Sasuke. Pode relaxar um pouco.— disse amigavelmente. Sabia que o amigo era teimoso demais para aceitar baixar a guarda, mas precisava tentar.

— Eu nunca baixo a minha guarda, e você também não deveria fazê-lo. — tinha intimidade o suficiente para ser direto e franco com seu rei. Naruto riu ainda mais. Já sabia que a resposta seria algo naquele estilo.

— Tem razão, talvez eu seja atacado por algum inimigo invisível, certo? Quem sabe você não quer me matar. Melhor ficar de olho em você.

—Deveria mesmo. Não baixe sua guarda na frente de ninguém, nem mesmo de mim.

— Sabe, Sasuke, as vezes acho que você é paranoico demais.

Só estou fazendo o meu trabalho.

—Sim, e o faz muito bem, amigo. — Naruto se levantou e colocou a mãos em um dos ombros do cavaleiro por cima da armadura. Mesmo amassada e arranhada ainda brilhava bela e imponente. – Mas as vezes me preocupo com você. Não quero que exagere e deixe de viver para ser literalmente a aminha sombra. Desejo que viva e aproveite também mais tempo ao lado de sua esposa e filha.

— Ambas conhecem o meu compromisso com meu rei, e sabem que levo meu juramento a sério.

—Todos sabem disso, Sasuke, já deixou claro para todo o mundo sua postura, mas até mesmo as sombras precisam de um descanso de vez em quando.

— Meu rei, aprecio sua preocupação mas mantenho minha decisão. – Naruto detestava quando ele começava a ser formal. Era um claro indicativo de que não queria mais conversar.

Olha Sasuke, estou ciente de que meu título me traz constantes ameaças de assassinatos, assim como sei que, como meu pai, o teu, e demais outros reis que venham a surgir depois de mim, não viverei muito. Ser rei é estar cercado pelos braços da morte a todo instante. Não sei se morrerei em batalha ou mesmo envenenado pelas víboras que se escondem em minha corte, apesar de rogar a Amaterasu que seja a primeira opção, mas é fato que não viverei muito e isso não me incomoda mais. Se continuar obcecado com todo esse cuidado excessivo vai acabar se arrependendo por ter se privado de viver para ser minha sombra.

Os olhos negros o fitaram pelas fendas da armadura.

Sou leal a minha promessa, meu rei. Me arrepender de uma vida servindo a meus princípios seria um desrespeito abominável.

Com um suspiro e um sorriso, o rei desistiu de compelir seu fiel e bravo soldado a relaxar. Sasuke sempre seria o mesmo cabeça dura de sempre. Ao menos era um cabeça dura que jamais o trairia.

— Pelo menos tire esse elmo. Está com esse peso a horas sobre os ombros e pescoço, vai acabar com uma dor excruciante.

—Estou acostumado, não me incomodo mais com o peso da armadura ou do meu elmo.

Era impossível demover Uchiha Sasuke de qualquer decisão.

— Você não existe mesmo. Amaterasu não podia ter me presenteado com um amigo melhor. – Afastou-se e começou a retirar a camada externa da armadura que consistia nas peças de aço. Não havia necessidade de usar aquilo agora que a guerra havia enfim terminado. – Mas diferente de você eu não faço questão de manter a armadura completa.— Riu ao perceber o amigo revirar os olhos ante sua atitude, sabia que ele estava julgando-o descuidado e tolo, mas tratou de se defender. - Ora, não me olhe de maneira tão repreensiva, eu vou ficar com a cota de malha, que você sabe bem, é muito segura.

Entregou as peças um dos escudeiros que chamou a tenda dando ordens especificas para polir e desamassar. Teria um encontro com Kakashi que fora a capital do rei caído informar que eles haviam perdido a contenda e que aquela área agora era domínio de Konoha, tinha que estar apresentável quando os cidadãos pusessem seus olhos nele. O rapaz – um molecote de uns quinze anos de rosto sardento- olhou fascinado para as peças, visivelmente honrado de receber aquela incumbência das mãos do próprio rei. Reverenciou-o e saiu as pressas, esbarrando em sua euforia, no conselheiro real que adentrava a tenda. O jovem desculpou-se efusivamente constrangido antes de se ausentar de fato.

—Pelo jeito que ele olhou quase chorando não me surpreenderia vê-lo polir com a língua. Capaz de te devolver essa armadura branca.

A voz de Shikamaru alertou o monarca que havia se voltado para trocar algumas palavras com o amigo que ainda o olhava repreensivo pelas fendas do elmo. Aquele era outro amigo querido com o qual Amaterasu o presenteara.

— Nara, achei que nossa reunião seria mais tarde.— Naruto o olhou confuso.

Será, mas a sua comitiva te aguarda então vim lhe avisar.

Naruto engoliu o descontentamento com aquilo. Havia poucos minutos que estava na tenda, mal tivera tempo de tirar as peças de aço. Era estafante ser requisitado a cada vinte minutos. Escondeu sua decepção o melhor que pode oferecendo a Shikamaru seu melhor sorriso.

—Me deem apenas mais vinte minutos. Preciso resolver alguns assuntos com meu braço direito.

—Como desejar.— curvou-se pronto para sair, mas foi impedido pela voz do rei que tornou a lhe chamar.- Só um momento. Avise aos guardas que não deixem mais ninguém entrar.

O conselheiro anuiu e saiu. Sasuke observou o amigo de maneira curiosa, o que teria ele a conversar de tão importante que não podia ser interrompido. Acompanhou com o olhar o rei se deslocar pela tenda e descobrir uma bacia de água onde mergulhou as mãos lavando-as o melhor que podia.

Sabe, Sasuke, eu já não suporto mais toda essa barbárie que envolve manter o título de conquistador. Juro que se eu precisar retalhar o corpo de outro infeliz ou decapitá-lo para ganhar o respeito e temor de meus inimigos eu sou capaz de enlouquecer.— lutava para tirar as manchas de sangue dos dedos, mas estas pareciam impregnadas. As luvas haviam ficado em frangalhos durante a última batalha quando o fio da lâmina da espada adversária resvalou por entre ambas as mãos. Precisou retirá-las para manter a agilidade antes de partir para cima do próximo adversário.

Naruto não havia escolhido o seu destino, e sim sido escolhido por ele. Mesmo tendo abraçado a obrigação de reger uma nação imensa como Konoha, as vezes sentia que essa posição não lhe cabia tão bem. Imaginava que o amigo Sasuke, ou mesmo Shikamaru seriam candidatos melhores aquele cargo que ele, acreditando que seu coração indulgente era por vezes um dificultador.

— Acho que está se subestimando, Naruto. Você é capaz de suportar a carga. A própria Amaterasu lhe agraciou com essa força, o poder do sol reside em você.

Naruto conhecia aquele discurso e o ouvia envaidecido. Entretanto imaginava que por vezes era exagerado. Sua deusa o agraciara sim, com destreza e habilidade, e com um maldito coração humano que se comprazia de seus inimigos e não sentia prazer ao encarar a vida deles esvair diante de seus olhos, perecendo por suas mãos. O repúdio que sentia quando se via coberto pelo sangue de outros era indescritível.

Ignorou os sentimentos e se focou no que realmente precisava.

Quero que treine Boruto. Como meu sucessor ele precisa afiar as técnicas de batalha para se defender.

—Pensei que Konohamaru já estivesse se ocupando de treiná-lo.

—Sim, está. Mas Konohamaru ainda é jovem e, apesar de sua destreza e habilidade visíveis, nunca participou de nenhuma batalha real. Não esteve em um campo como nós, usando suas técnicas para defender de fato sua vida e a causa de seu rei. Sendo assim preciso de alguém que já passou pela experiência do campo de batalha para garantir que o príncipe esteja preparado quando sua vez chegar.

Os olhos negros o fitaram em dúvida. Deveria acatar sem questionar as ordens de seu magnânimo ou ignorar e seguir seus instintos? Suspirou encarando o brasão da família Uzumaki estampado em sua luva direita, como um lembrete de sua promessa.

Não posso abandonar meu posto, meu rei. Eu fiz uma promessa quando fui investido cavaleiro real e meu juramento me impede.

— Pelo que me lembro jurou proteger a família real, e não somente a mim, certo?— Naruto se aproximou ainda secando as mãos com um tecido de linho vermelho. Aquilo havia pegado seu guardião desprevenido, podia ler em sua expressão o temor.

Sim, de fato. Mas a vida do rei é a que corre mais atentados, portanto é prioridade.

— Ora Sasuke, não se faça de tolo, sabemos que por ser meu sucessor Boruto sofre tantas investidas contra a sua vida quanto eu. Quase foi envenenado três vezes antes de sequer completar os quatro anos, por Amaterasu! É uma alegria que tenha chegado aos doze. Perdi dois irmãos por essa ânsia, e Menma estava seguro no reino de seus pais. Acredito que se lembra das várias tentativas de assassinato que eu mesmo sofri quando criança, muitas destas evitadas por você.

Sem dúvida ele se lembrava de cada vil e torpe criatura infeliz que ousava se aproximar de seu príncipe. Internamente agradecia esses ataques pois o ajudaram a amadurecer cedo. Na época tinha apenas receio de perder o único amigo com o qual podia competir de igual para igual sem ser repreendido por sua petulância em querer treinar com o príncipe já que era sempre Naruto quem o buscava.

— Mesmo assim insisto que me obrigue a largar meu posto. Eu devoto a minha vida a sua desde que era criança, não me sentiria seguro vendo outro assumir essa função.

Sasuke, pare de ser formal quando estamos a sós, por favor, não há necessidade e eu detesto quando faz isso. – Aproximou-se de uma das mesas se servindo de um pouco de vinho, oferecendo ao amigo que prontamente negou. Nunca bebia em meio ao serviço, ou seja, quase nunca pois estava sempre vigilante. -Ademais ninguém vai assumir o seu posto, apenas treinará o príncipe enquanto estivermos no palácio. Kakashi e Shikamaru garantirão a minha segurança enquanto estiver ocupado. Continuará como meu braço direito.

—Creio que existam outros que possam assumir tal função tão bem ou melhor que eu, senhor. — Naruto o encarou incrédulo como se ele houvesse acabado de falar a maior sandice que já ouvira em toda uma vida.

Sério? O Kage, acredita que exista alguém mais afiado na espada do que ele mesmo? Quando foi que se tornou tão humilde?— gargalhou recebendo o olhar irritado do amigo sem se preocupar com sua ira. O máximo que poderia acontecer era ele abandonar aquela maldita postura de servo que assumia quando estava nervoso ou descontente. — Humildade não é um dos seus atributos meu caro amigo, não me faça rir.

— Não me teste, Usuratonkachi!— soltou arrependendo-se segundos depois ao ver que sua fala só havia provocado mais risos do rei.- Droga, Naruto! Sabe que detesto quando me provoca.

— Sabe que essa sua falta é passível de execução em praça pública, não é Teme?!Imagina a cara de surpresa do povo ao ver você, o Kage do rei, perder a cabeça por ter a língua solta. Até o carrasco ia ficar bestificado. - provocou ainda aos risos. Jamais faria tal coisa.

— Não me importo. Preferia mil vezes ser guilhotinado a ter que suportar um príncipe irritante como o pai.— Pela primeira vez há muito tempo deixou um sorriso brotar em seus lábios. – Afinal idiotice parece ser um dos atributos da sua linhagem.

Se Naruto se importava com as provocações? Nem um pouco. Pelo contrário, riu mais. Sempre fora assim quando crianças. Lançavam ofensas e injúrias aos montes quando sozinhos. Ambos tinham noção do que Sasuke seria severamente repreendido caso fosse flagrado tratando o príncipe com tamanho desrespeito e intimidade. Naruto jamais o acusou de nada, tampouco o chantageou ou delatou. Aquele segredo continuava entre eles mesmo na vida adulta, com o agravante de que agora Naruto era rei e sua imagem devia ser mantida no mais alto patamar de prestígio para que os outros reinos continuassem a evitar contendas desnecessárias.

— Concordo que Boruto pode ser difícil as vezes, mas é um bom garoto e precisa ser bem educado na arte da espada por ser sucessor. Já sua filha, não deveria estar fazendo o mesmo.

Os filhos de ambos eram tão competitivos entre si quanto o rei e sua sombra. Entretanto o treinamento de Sarada era mantido em segredo pois uma dama não deveria aprender a lidar com armas, era um comportamento pouco aceito na época.

— Mesmo sendo mulher ela tem mais destreza que seu filho.

— Isso é o que você diz. Tenho certeza de que Boruto deixa ela ganhar por ser mais frágil.

— Naruto, se você treinasse a princesa ela seria mais hábil e ágil. Por vezes acho que a deusa trocou os gêneros e personalidades de seus filhos.

— Himawari é um doce, meu caro. Tal qual uma princesa deve ser. Não me importaria de vê-la empunhando uma espada, em verdade tenho é medo. – Virou a taça apreciando o sabor do vinho. Sua postura novamente tornou-se compenetrada- Agora, quanto ao meu pedido, tenho que reforçá-lo?

A postura do Uchiha novamente tornou-se garbosa, deixando claro que não abria mão de sua escolha.

— Não confio em outros para te resguardar, mesmo que sejam cavaleiros habilidosos e valorosos, meu rei.

Novamente o tratamento formal. Naruto suspirou ao perceber que teria que ser mais direto.

— Vai desacatar uma ordem direta de seu rei?

—Não era um pedido?— Sasuke o fitou confuso.

—Não mais. Queria que aceitasse por escolha, mas como é cabeça dura demais estou transformando meu pedido em ordem. – Suspirou e o encarou com o mesmo olhar que direcionava a seus homens em campo de batalha. - Kage, quando voltarmos treinará o príncipe junto a Konohamaru.

Sasuke percebeu no mesmo instante que já não conversava mais com o amigo e sim com seu rei. Aquela era é uma ordem direta de seu rei, a quem havia jurado lealdade. Não havia como se contrapor a uma ordem de seu soberano. Anuiu sem questionar.

— Como desejar, vossa majestade. — Não havia deboche em sua reverência, Sasuke era um homem sério que não confundia as coisas, realmente se comprazia em ser leal.

— Agora, que tal sairmos e passarmos alguns bons momentos com nossos confrades?— Naruto o inquiriu saindo da tenda tendo a certeza de que ele o seguiria.

Levantaram acampamento pela manhã, recolhendo e organizando os itens. Partiriam para Kanoha antes de seguir para o reino derrotado, onde Kakashi e seu exército de quatro pelotões mantinham a ordem e garantiam o poderio do rei, provavelmente já haviam hasteado as bandeiras com a insígnia da família real de Konoha, demarcando o território conquistado.

A caravana seguiu por horas entre as florestas. Uma parte do translado tinha que ser feito a montarias, até que chegassem as embarcações.

Seis horas mais tarde carregaram a frota e navegaram pelo mar bravio rumo a terra natal. A flâmula com o brasão do Sol com um redemoinho ao centro afastava os possíveis piratas e embarcações inimigas. Ninguém desejava arder em chamas com o Fogo Grego, sabiam que enquanto a marinha de Konoha detivesse o segredo das chamas eternas eles seriam invencíveis.

Naruto, assim como os demais tripulantes, estava irrequieto depois de dois dias de viagem pelo mar, e se debruçava sobre a amurada com os olhos fixos no horizonte, ansioso por visualizar a silhueta de sua terra natal. Ao seu lado direito sua sombra mantinha-se vigilante, sem deixar transparecer a expectativa que pulsava em seu coração. Do lado esquerdo o olhar sempre entediado do conselheiro parecia se desmanchar.

O sol estava a pino no céu sinalizando que haviam alcançado metade do dia. Estava brilhante e Naruto via aquilo como um aviso de que a deusa estava atenta a seus passos e os protegiam. Murmurou uma prece silenciosa quando sentiu o estômago revirar com um pressentimento estranho.

Enfim o contorno do castelo despontou no horizonte. Primeiro distante, quase embaçado mesmo aos olhos mais apurados. Contudo ganhava cada vez mais detalhes a medida que se aproximavam. As torres do castelo estavam diferentes. Naruto se empertigou com aquela visão sentindo o coração pulsar aflito. Na mente a sensação de que algo estava terrivelmente errado gritava histérica.

Um murmurar indistinto e preocupado se espalhou pela tripulação e mais e mais soldados se juntaram a amurada, debruçando-se para ter uma visão mais privilegiada. As bocas se contorcendo em esgares de pânico e terror a medida que conseguiam vislumbrar a fumaça que era expelida pelas janelas das torres.

A Torre de Menagem, último reduto seguro em caso de invasão, ardia em chamas, as labaredas agora visíveis. As pedras cinzas estavam cobertas de fuligem e o porto parecia estranhamente vazio.

Kiba, um dos vigias, agilmente escalou o mastro do navio. Munido de sua luneta ele pulou para dentro da gávea, e usou o objeto para poder visualizar melhor o que os demais abaixo não conseguiam.

— MEU REI!— gritou com a voz alarmada.- ATACARAM KONOHA!— confirmou o que todos já vislumbravam. – PORÉM NÃO CONSIGO VER NENHUM ESTANDARTE INIMIGO.

Naruto não conseguia parar de encarar a cena a sua frente. Seu castelo havia sido atacado em sua ausência. Sentiu o ar faltar enquanto pensava na segurança de seu povo e família, principalmente nos filhos e esposa. Nem mesmo o Kage conseguia manter a postura de sempre. Nunca uma viagem de navio parecera tão lenta e demorada.

—VEJO UM HOMEM NO PIÉR! – Kiba novamente gritou acordando a mente entorpecida do monarca- PARECE MUITO FERIDO... ACHO QUE É DA GUARDA REAL... TALVEZ... NÃO, TENHO CERTEZA DE QUE É KONOHAMARU!

Os dedos de Naruto se fecharam com tanta violência contra a madeira da amurada que era possível ver os nós brancos de suas juntas. Se Konohamaru estava ali então quem estava protegendo seus filhos e sua rainha?

Ignorando toda a lógica arrancou a armadura e a pesada cota de malha, desconsiderando os avisos e tentativas de Shikamaru e Sasuke de fazê-lo desistir da insana ideia. A muito custo desviou-se dos braços deles e se lançou ao mar para chegar mais rápido a costa, recitando mentalmente todas as orações que conhecia, implorando a deusa que não deixasse seus temores se materializassem.

Algo explodiu ao seu lado espalhando água ao redor. Uma esfera maciça e pesada, cuja pressão da queda puxou seu corpo, submergindo-o. Lutou contra a força que o arrastava para as profundezas do oceano, conseguindo se libertar, agradecendo a deusa por ser um bom nadador.

Quando enfim voltou a superfície da água pode ver que fora um de seus navios no porto a arremessar o projetil. A borda do canhão ainda fumegante era visível assim como a distância que havia se afastado pela força ricochete causado pelo disparo.

Não. Não era seu navio. A flâmula podia ser a mesma, mas a engenharia era diferente, estranha a seus olhos. Percebeu que estavam mirando novamente o canhão para si e praguejou seu descuido quando percebeu os gestos do capitão em uma clara ordem para que atirassem.

Então o som de explosão seguiu indicando que mais um projetil havia sido disparado e dessa vez, provavelmente acertaria o alvo.

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Próximo capítulo já está praticamente pronto. Então tenham um pouquinho de paciência.

11 мая 2018 г. 21:45:19 0 Отчет Добавить 1
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