Bom Anjo Mau Подписаться

C
C Clark Carbonera


Francesca ouviu um barulho estranho vindo do andar de baixo. Ela nem pode imaginar o que a espera ao descer as escadas. Venha conhecer a Storyboard desse conto: https://br.pinterest.com/c3carbonera/good-angel-evil-storyboard/


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Короткий рассказ
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Francesca passou a mão no espelho embaçado do banheiro. O rosto ainda afobado e rosado por causa da água quente transparecia uma satisfação enorme. Os olhos grandes e castanhos estavam arregalados em êxtase. Enfim tinha acabado. Mais de meio ano, melhor, 8 meses e 3 semanas dedicados a um exame apenas para obter o título de advogada.

Tinha o sentimento de dever cumprido. Ela deu o máximo de si na prova e sabia que, dessa vez, se não tivesse conseguido a nota mínima, simplesmente não era para ser. Deus tinha outros planos para ela.

– Hunf – pegou o pente na primeira gaveta e penteou de leve o cabelo úmido. – Deus...sei.

Passou o creme nos inúmeros cachos que já começavam a brotar na cabeça e saiu do banheiro.

Checou o celular no quarto, mas nada da amiga ainda. Jogou a toalha na cama e colocou a camisola. Sentiu o afago da seda na pele e se abraçou. Tinha acabado finalmente! Agora podia viver um pouco!

O celular apitou e ela correu para ele. Animada demais para colocar em palavras sua felicidade, ela começou a gravar um áudio para a amiga que perguntava como tinha sido a prova.

Até que ouviu um barulho no andar de baixo. Francesca parou o áudio e olhou pela janela do quarto. O jasmim que crescia na tripa que era seu pequeno jardim estava balançando estranhamente. Ela olhou as janelas das casas vizinhas, mas estavam todas escuras e percebeu também que não estava ventando.

– Hanna, já volto.

Ela largou o celular na cama e desceu vagarosamente a escada em espiral para o andar debaixo. A luz da pequena sala de tv iluminava parcamente o lado de fora da casa, uma área pequena onde ficava uma churrasqueira que nunca foi usada, uma mesa redonda de plástico com cadeiras de praia e o jardim fino e retangular.

E se fosse um ladrão? Preocupada, Francesca olhou ao redor da sala e não encontrou nada que pudesse usar como proteção. E por que diacho ela deixou o celular lá em cima? Estava num filme de terror barato por acaso? Correndo para a cozinha, ela pegou a faca para carne, que ela usava na verdade para cortar repolho. Engoliu em seco e respirou duas vezes.

Talvez seja um gato, sua boba.

Meio que rindo de si mesma pelo drama que fazia, ela voltou para a sala iluminada e abriu a porta que dava para a churrasqueira.

Mas quando ouviu o murmúrio de duas pessoas conversando, seu coração gelou e era como se seus pés estivessem grudados no chão. Aquilo certamente não era um gato. A menos que ela estivesse em Neko no Ongaeshi, gatos não falavam. Um arrepio passou por todo o seu corpo e ela não se mexia. De jeito nenhum!

Anda, sua anta! São dois estranhos na sua casa e você vai ficar parada?!

Mas Francesca não conseguia se mexer. A faca caiu da mão e ela bateu os dentes com força ao ouvir o barulho da faca quicando várias vezes no chão até parar. O som reverberando todas as vezes que um novo quique acontecia. Como uma faca podia quicar tantas vezes?

As vozes pararam depois que o primeiro quique soou pela churrasqueira e um silêncio incômodo, depois que a faca resolveu se aquietar, perseverou por alguns segundos, até que um homem inteiramente vestido de branco surgiu detrás da bancada da churrasqueira.

Francesca arregalou os olhos e soltou um som bizarro pela boca entreaberta.

Sério? Nem gritar você consegue? Você tá frita, mulher...

– É normal ficar com medo, Francesca – disse o homem estranho. – Mas não há necessidade para isso. Farei meu trabalho e depois vamos logo embora.

– Er..Ãnn..Gha...

Caralho, Francesca! Fala alguma merda pelo menos!

Ela viu que logo acima do homem tinha um buraco no toldo.

– Vo-você estragou meu toldo.

Francesca ouviu um gemido de dor, mas não vinha do homem na sua frente.

O homem de branco olhou para cima e depois para baixo, de onde levantou um moço também vestido de branco, mas aparentemente muito mais jovem que o outro.

– Na verdade, não fui eu quem abriu um buraco no seu toldo, foi Simone – ele gesticulou para o jovem que dobrou os lábios para baixo, e entortou o nariz.

– Eu só quebrei seu toldo porque ele arrancou minhas asas.

Francesca não sabia para qual deles olhar, ela estava ficando um pouco tonta.

– Asas?

O moço ia dizer algo, mas o homem ergueu a mão e disse passivamente, com um sorriso calmo no rosto.

– Isso não importa por ora. Estou aqui para te levar, querida. Está na sua hora.

– O quê?! Me levar! – ela pulou para trás.

Finalmente se mexia!

– Bem, sim...

O homem tirou do bolso da calça branca um papel longo e releu algumas linhas. O moço pendeu o corpo como quem não quer nada e também deu uma olhada na lista.

– Você, ao que parece, colou na prova que fez hoje.

Francesca sentiu o queixo cair. Aquilo só podia ser uma brincadeira.

– Como assim? Eu não colei! Eu... Eu...

O homem grudou o queixo no peito e ergueu as sobrancelhas como se achasse a situação toda muito cômica. O moço ao lado mexeu as sobrancelhas duas vezes e lhe lançou um sorriso maroto.

– Mas eu só olhei para a prova daquela menina. Eu não tive intenção alguma de colar! Eu já tinha até passado minhas respostas pra folha definitiva! Quer dizer...

Ela torcia as mãos em desespero, será que aquilo era cola mesmo?

– Ok, talvez eu tenha comparado minhas respostas com as dela, mas foram só as três primeiras e não é como se eu pudesse alterar minhas respostas. Eu já as tinha passado pra folha definitiva!

Ao ouvir as palavras de Francesca, o homem foi erguendo a cabeça e uma pequena confusão apareceu no seu rosto. Ele olhou para o papel nas mãos novamente.

– Ora, mas você é a Francisca da Silva, não?

– Ãhhh, não. Meu nome é Francesca da Silva. Da Silva Moretti, na verdade.

– Oh! Parece que cometi um engano!

Francesca sentiu as pernas amolecerem de alívio.

O homem de branco apertou os olhos por um momento e os fechou em concentração. Dobrou o longo papel, guardando-o em seguida. Estralou os dedos e fez surgir, de repente, naquele mesmo instante, uma moça de cabelos molhados e loiros, cheia de espuma pelo corpo ensopado.

A moça soltou um grito de pânico e tentou cobrir seu corpo com as mãos. Francesca também gritou e tampou os olhos, depois a boca, e depois voltou a cobrir os olhos.

– Quem são vocês?! – Berrou a moça ensopada.

– A senhorita é Francisca da Silva? – perguntou o homem de branco que estralou os dedos.

A moça, coitada, não sabia o que fazer naquela situação, a cor ora sumindo ora voltando ao rosto pardo. Francesca correu para tirar a toalha que enfeitava a mesa de plástico, lançando-a para a moça nua, a espuma quase não existindo mais.

– Si-sim... – ela pegou a toalha que Francesca lhe jogara, dando um aceno com a cabeça em agradecimento. – Mas quem são vocês? Como eu cheguei aqui?

– Meu nome é Aurélio, Francisca. E você terá que vir comigo pelas faltas que cometeu...

– Faltas?

O homem continuou como se não tivesse sido interrompido.

– ... Peço desculpas pelo susto que lhe demos, Francesca. Devido a um erro de tradução de nomes, eu iria levar você no lugar dessa jovem.

Francesca acenou a cabeça em concordância algumas vezes. Imaginando pelo que aquela moça iria passar depois de tudo isso. Sem saber se sentia alívio por não ser ela ou medo pela jovem.

A moça enrolada na toalha olhava aterrorizada para o homem chamado Aurélio, que sorria gentilmente.

– Mas como você bem disse a si mesma lá em cima, saindo do banho. Talvez Deus tenha outros planos para você.

Ele lançou um olhar cheio de significado para ela e para o jovem ao lado.

– Espero que dessa vez você aprenda algo, Simone.

O moço cruzou os braços e olhou irritado para o homem, que num estralo de dedos, sumiu no ar, levando junto a moça chamada Francisca.

Francesca piscou várias vezes e coçou os olhos para ver se não estava alucinando. Erguendo a face, lá estava o jovem ainda com ar irritado, mais parecendo uma criança emburrada, na verdade. Ela não podia acreditar que aquilo tinha acontecido.

Os dois trocaram olhares curiosos e cautelosos.

– Então... Quer dizer que... – ela sacudiu a cabeça tentando colocar as ideias no lugar. – O que exatamente isso quer dizer?

– Uh, acho que é óbvio, né? – ele abriu os braços e sorriu cheio de satisfação, como se recebesse de volta um parente há muito saído de casa. – Vou ser seu anjo da guarda!

Francesca gemeu em agonia e cobriu o rosto com as mãos.

– Era só o que me faltava...


10 мая 2018 г. 2:06:21 0 Отчет Добавить 0
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C Clark Carbonera “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.”

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