Pétalas de Cerejeira Подписаться

juh-hime Juh Hime

Yuuri chamou o nome de Victor... Era um dia ameno de primavera... Caminhando sob o sol morno de um dia claro, entre as pétalas que caiam das arvores ao redor. Aos olhos de Victor nada e nem ninguém se compararia á beleza de Yuuri andando em sua direção, ele era como uma pétalas de cerejeira, algo lindo e único. Uma perfeição inalcançável para Victor.


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#Victor-Nikiforov #Yuuri-katsuki #victuri #yuri-on-ice
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Pétalas de Cerejeira

Essa é a primeira fic de uma serie de quatro, onde cada uma se passara em uma estação.

Essa é referente á primavera...

Espero que gostem...

“Victor?”

A voz que invadiu seus ouvidos era embargada por surpresa e ao entrar por seus tímpanos lhe causava uma espécie de calafrio, era uma voz ainda hesitante, mesmo que Victor não soubesse ao certo se aquelas sensações eram causadas pelo temor, pela saudade ou pela insegurança em mais uma vez estar diante do dono daquela voz tão suave. Ele fechou os olhos, soltando um xingamento baixo, de forma que apenas ele mesmo o ouvisse. Da mesma forma que pronunciara aquele xingamento, também se xingou por não ter pego um desvio para o  hotel, evitando passar por ali, e também se xingou por não ter desistido de seguir aquele caminho assim que o reconheceu abaixo daquelas árvores. Victor se virou olhando para aquele rosto tão conhecido e se perguntando se conseguira expressar surpresa em sua face, mesmo que não sentisse tal sentimento.

Yuuri vestia uma camisa branca, que deixava sua pele levemente amorenada exposta ao sol primaveril. Victor poderia dizer claramente que aquela havia sido uma escolha de última hora, talvez tivesse saído de casa as pressas. O havia avistado assim que curvara a esquina, correndo atrás de uma menina, fazendo com que várias pétalas de cerejeira voassem, e escondendo-se atrás de uma árvore algo que fez a criança sorrir e contornar a mesma tentando encontrá-lo, até o cenário repentinamente mudar e a pequena começar a ser perseguida por Yuuri enquanto ela ria e gritava graças à brincadeira que se seguia.

Victor assistiu eles cruzarem o pequeno parque com várias árvores floridas de cerejeira por um tempo, seguindo seus movimentos de uma distância que achava ser segura, fingindo ser alguém aleatório que passava por ali ao acaso, ignorando as tantas pétalas que caíam das árvores. Ele também ignorou o choramingo de seu cachorro e o breve incômodo em seu braço ao que Yu puxava a corrente tentando incitá-lo a continuarem o caminho. As memórias começaram a voltar a sua mente como uma enxurrada ao que viu a irmã de Yuuri sentada, esperando em um banco próximo. Lembrava-se tão bem de todos que o cercavam quando... Yuuri ficara muito feliz quando a irmã engravidara, eles ainda estavam juntos na época, a perspectiva de ser tio havia o animado, ele havia ficado radiante. O tempo havia passado, e havia passado de forma muito boa para Yuuri, a cena que se passava diante de seus olhos nem de longe remetia há época que eles... Victor quebrou sua própria linha de pensamento... Estavam juntos.

A época em que estavam juntos. Essa era uma expressão que Victor evitava ao máximo usar, era uma expressão que o fazia mergulhar em um lago que ele evitava ao máximo entrar, mas que mesmo temendo, sua mente o fazia pular de cabeça algumas vezes, principalmente quando se sentia sozinho, ou quando a saudade falava mais alto que sua pouca dignidade.

Bem, o que importava é que em algum momento, Yuuri parara de brincar com a pequena e se dirigira ate ele,  estava ali, há sua frente, o encarando, de forma séria, e até doce, com um sorriso delicado nos lábios. Tão delicado quanto às pétalas de cerejeira que caíam e se juntavam em pequenos montinhos no chão. O nome de Victor havia saído tão seguramente de seus lábios, percorrido aquele pequeno parque como as pétalas faziam, algumas delas enganchadas em seus cabelos escuros enquanto suas bochechas possuíam um leve tom rosa. Os olhos castanhos brilhavam sob o sol de primavera e a respiração rápida mostrava que além do tom de surpresa ele também estava ofegante.

Yuuri Katsuki. Sete, quase oito anos haviam se passado desde a última vez que haviam se visto, mas, aos olhos de Victor, ele parecia muito mais feliz e sorridente do que jamais fora antes.

Uma dorzinha incômoda surgiu no peito de Victor, como se ele tivesse levado uma picada de uma daquelas pétalas rosa que insistiam em cair e tivesse que engolir mesmo sem querer.

“É você mesmo... Victor!”

Ele avançou sobre Victor o puxando para um forte abraço, o levando contra seu peito. Os olhos de Victor fecharam-se durante o curto tempo que aquele toque durou e ele respirou fundo, deixando que o cheiro do outro viajasse por suas narinas o inebriando brevemente; algumas breves lembranças nebulosas surgiram em sua mente, pedaços de sentimentos antigos há muito guardados e até um pouco esquecidos voltaram a tona, e embora tenha sido breve, eles ainda faziam Victor sentir borboletas no estômago. E ele achava incrível como Yuuri ainda possuía aquele poder sobre ele, sempre possuiria. O rosto encostado em sua orelha e a respiração rebatendo de leve em seu pescoço. A sensação morna de sua pele, o calor de seu corpo... Quente, Yuuri sempre havia sido quente.

“É realmente você? Mas o que está fazendo aqui? Achei que nunca mais voltaria ao Japão e tampouco a Hasetsu!” Yuuri exclamou enquanto se afastava, dando um espaço aceitável entre os dois, algo como um metro de distância, algo que para Victor era como abismo. “Quanto tempo não nos vemos? Cinco? Seis anos?”

“Na verdade já são quase oito anos.” Victor respondeu lhe direcionando um meio sorriso sem graça enquanto encolhia os ombros e seu coração se apertava lentamente e dolorosamente, como uma daquelas pétalas que voava e era abandonada subitamente pelo vento e gradualmente ia perdendo sua flutuação. Era óbvio que a vida de Yuuri não seguira o mesmo rumo da dele. Yuuri estava radiante e feliz.

“Já foram oito anos?!” Ele questionou, quase incrédulo enquanto arrumava o óculos no rosto; ele ainda usava o mesmo tipo de armação e ainda carregava a mesma mania.

“Caramba o tempo voa, não é?”

“Sim. Com certeza o tempo voa.” Victor assentiu, engolindo o seco e tentando dar alguma risada entre suas palavras, tentando, de alguma forma, quase que desesperadamente fingir que algo positivo existia em sua vida, e que aquela não era apenas uma resposta barata e mentirosa.

“Você não mudou nada, nem um pouquinho.” Yuuri comentou inclinando a cabeça para o lado, analisando melhor a sua face.

“Falou a pessoa que parece nunca envelhecer.” Ele respondeu quase sorridente, e antes que sua mente lhe desse tempo para cogitar as consequências do que iria falar e se conter, continuou. “Você é bonito Yuuri, sempre foi muito bonito, isso nunca vai mudar.” Na verdade a palavra que queria usar era lindo, sua mente o corrigiu no mesmo instante que se pronunciara, lhe dando um belo tapa na cara e lhe mostrando que era aquela palavra que queria dizer em alto e bom som, mas não o fez.

Os lábios de Yuuri se curvaram em um breve sorriso tímido, sorriso esse que Victor conhecia tão bem. Ele não fez nem um complemento a aquela afirmação, tampouco agradeceu, apenas olhou por cima do ombro, verificando se seus companheiros ainda estavam ali e não o haviam deixado.

“E então... Como tem estado? Ainda patinando?” O assunto fora mudado quando ele se voltou novamente para Victor, escondendo as mãos nos bolsos da calça que usava.

“Ultimamente? Tenho estado bem. Ainda patino sim, apenas por diversão, mas ainda patino.” Victor deu de ombros novamente, de forma padrão, como sempre fazia quando lhe perguntavam aquilo. Uma resposta padrão, para uma pergunta padrão. “Mas acho que se eu conseguisse de fato encaixar os últimos anos em uma única palavra, ou até mesmo em uma única frase... Bem, seria um milagre por ser algo impossível de se fazer”.

Yuuri permaneceu em silêncio, e por um breve instante Victor cogitou tê-lo ofendido de alguma forma, talvez pudesse ter soado mais rude do que pretendia. Então, para seu alívio, ele começou a rir, arrumando novamente os óculos naquela mania que provavelmente nunca o deixaria.

“Certo, entendi.” Ele corou enquanto ainda ria, o rosa de suas bochechas quase virando vermelho vivo como um pingo de tinta em uma folha branca. “Desculpa, às vezes parece que não vejo nada além do meu próprio nariz, foi uma pergunta idiota e estúpida.”

Um silêncio constrangedor se instalou entre os dois. Yuuri subitamente olhou para o chão, e acabou por chutar algumas pétalas que se amontoavam ali com seu tênis. Seus cabelos caíram por sua testa em seus olhos, cobrindo as orbes que Victor tanto gostava de olhar o que fez seus dedos coçarem para se dirigirem até ali e afastar os fios para o lado.

“Continua adorando cachorros, né?” Victor sorriu, sentindo mais uma vez Yu puxar a coleira em protesto. O cachorro branco com pintas negras havia se jogado no chão aos pés de Victor e tentava despreocupadamente roer a coleira, talvez para tentar fugir e seguir o passeio que fazia até a pouco com seu dono. “Continua relutante em dividir o espaço com humanos?” Yuuri acrescentou de forma brincalhona e sorridente.

“Sim.” Victor sacudiu a cabeça positivamente. “Somos apenas nós dois, ele é menos complicado do que humanos, e de qualquer forma prefiro cachorros”.

“É... Verdade” O moreno assentiu em resposta, falando enquanto olhava para o chão. E ali estava outra breve pausa constrangedora entre eles. Então Yuuri puxou o ar bruscamente, de forma quase dramática, como se buscando coragem para falar as próxima palavras antes que mudasse de ideia. “Sabe, eu senti sua falta Victor, eu pensei em te ligar várias vezes sabe. Pedir desculpas e tudo, mas...” sua coragem pareceu esvair-se de repente ao que ele estagnou sem saber como continuar aquela frase.

“Eu sei Yuuri, Eu sei que você quis. Eu também pensei nisso.” Victor olhou para o homem a sua frente; ele ainda olhava para o chão. Queria que ele levantasse o rosto, que lhe mostrasse o olhar que tanto lhe cativava, queria colocar a mão em seu queixo e fazê-lo olhar para cima, olhar diretamente em seus olhos, mas em vez de usar suas mãos, usar o toque, ele escolheu usar as palavras.

“Eu também quis te ligar... Mas não para pedir desculpas, não. Eu não mudaria nem uma palavra do que lhe disse aquele dia, eu mantenho todas, cada uma delas e não me arrependi por nada que te falei.”.

Como esperado as palavras de Victor surtiram o efeito esperado. Yuuri levantou a cabeça subitamente, suas costas tencionaram-se e ele pareceu querer empurrar suas mãos ainda mais fundo nos bolsos de sua calça. Suas bochechas ganharam um novo tom de vermelho, ainda mais vivo que o que tinham, o que fez o rosa desaparecer por completo. Dessa vez o tom tomou conta de sua face rapidamente em vez de parecer tinta se espalhando em uma folha branca.

“Victor.” Ele se pronunciou, arregalando os olhos por trás da lente dos óculos de forma alarmada. “As coisas que aconteceram...”.

“Não só ‘coisas’ Yuuri, não fale como se o que aconteceu fosse simples.” Victor o interrompeu, Yuuri pareceu se assustar enquanto o outro apenas seguiu falando. “Certo? Não aja como se tivesse sido um acidente, algo totalmente trivial que acontece entre duas pessoas bêbadas ou qualquer coisa do tipo; você não pode por a culpa nisso. Aquilo iria acontecer e eu tenho certeza que nós dois sabíamos disso.”

“Victor... Olha...”

“Eu não faço ideia de por que caralho nós ficamos afastados por oito anos Yuuri.” Mais uma vez Victor o interrompeu. “Talvez naquela época estivéssemos com medo, assustados com tudo que estava subitamente acontecendo, provavelmente com vergonha e até mesmo em negação. Mas foi você que chamou meu nome agora a pouco. Você que tocou nesse assunto... Então, você não pode... Você não pode me olhar dessa forma, como estivesse bravo comigo... Certo?”

Yuuri sacudiu a cabeça, quase que em um breve aviso de que talvez Victor estivesse passando dos limites. “Por favor, Victor... Não faz isso.”

Ignorando totalmente o aviso de Yuuri, Victor deu um passo à frente, levando a mão até a gola da camisa de Yuuri e o segurando ali, isso o fez se contrair, mas ele não se moveu nem um centímetro, permaneceu ali, com os olhos cravados nos azuis de Victor. “Quando eu falei que te amava eu não estava brincando Yuuri, eu estava falando a verdade, e mantenho cada palavra que lhe disse.”, Victor se pronunciou de forma calma, olhando para os lábios do outro, se aproximando ainda mais, a uma distância tão próxima que seus narizes podiam se tocar.

Ele havia se esquecido de quão perfeitamente seus rostos se encaixavam, em como era boa à sensação do hálito morno de Yuuri rebatendo contra seus lábios.  “Você foi o único que achou engraçado, o único que riu de toda a situação, mas eu fui sincero, eu estava falando sério, na verdade, ainda estou falando, e eu aposto que você também sentiu, e até mesmo sente o mesmo.”

“Victor, apenas... Pare... Apenas pare.” Sua voz saiu entrecortada, apesar de não estar fazendo nada, ele apenas estava ali, parado, com as mãos enfiadas em seus bolsos olhando firmemente nos olhos do outro como se fosse o melhor que pudesse fazer perante toda aquela situação. “Por favor... Apenas pare.”

“Da última vez que você usou essa palavra... A última vez que falou ‘pare’ foi acompanhada da palavra ‘não’ dizendo o que eu não devia parar de fazer, se lembra?”

“Tudo bem, agora chega.” Yuuri falou asperamente quase cuspindo as palavras. E finalmente algo o tirou do transe em que ele estava o fazendo tentar se mover para trás, levando as palmas das mãos até os ombros de Victor tentando afastá-lo, empurrá-lo para longe e sair dali. Mas no último instante mudou de ideia. Apenas fechou as mãos em punho, deixando-as cair nas laterais de seu corpo, e quem olhasse de fora teria a total certeza de que naquele momento tudo que Yuuri queria fazer era socá-lo.

“Yuuri...” Victor começou se sentindo um pouco machucado e frustrado perante a reação negativa que obtivera, mas era a vez de Yuuri interrompe-lo.

“Porra, Victor!” ele falou asperamente, jogando as palavras no ar enquanto olhava fixamente em sua face. “O que você acha que está fazendo?” Os olhos percorrendo os arredores deixando claro que ele se preocupava com o fato de que alguém poderia estar vendo toda a cena que se seguia ali. “Por favor, só... Só... Por favor, só não faça isso.”.

O vermelho de seu rosto se espalhando agora também para suas orelhas, os cabelos negros levemente bagunçados graças ao breve embate que tivera. Victor queria se aproximar, arrumar os fios bagunçados de sua cabeça, queria reunir coragem para falar mais coisas, tantas coisas entaladas em sua garganta, porém, mais uma vez foi interrompido.

“Papai! papai?”

A palavra repetida veio do nada, como se estivesse caindo de uma daquelas enormes árvores, como se fosse uma pétala passando por entre eles, tão inesperada que Victor sequer conseguia encaixa-la na situação. Foi como uma facada em seu peito, a dor que o atingiu exigindo que sua atenção fosse totalmente voltada para aquela situação. Os dois olhares se desconectaram instantaneamente, e voltaram-se para o local de onde aquele som viera.

Victor adotando uma expressão intrigada enquanto Yuuri respirava profundamente tentando se livrar de sua face até pouco raivosa. Victor levou um tempo para assimilar tudo que se seguiu a partir dali, mas quando finalmente se deu conta do que se tratava sentiu como se o mundo estivesse indo rápido demais e o estivesse fazendo ficar tonto. Ele apertou com ainda mais força a coleira de Yu ao ponto de sentir seus dedos doerem e as dobras dos mesmos ficarem esbranquiçadas, tão forte que fez seu pulso tremer e começar a doer.

A garotinha estava logo ao lado deles; a mesma garotinha que ele estava perseguindo e brincando por entre as pétalas de cerejeira. E ela permaneceu ali, com seu vestido rosa claro, e seu laço de cabeça azul, olhando para Victor de forma curiosa: Os olhos tão castanhos quantos os daquele que estava a sua frente.

“O que foi?” ela questionou, sua voz infantil e docemente feminina, como sempre é nessa idade.

Ainda se dando conta de tudo que ocorria ali Victor levantou os olhos e olhou por cima dos ombros de Yuuri. E nesse momento o entendimento tomou conta de seu ser por completo.

O marido da irmã de Yuuri se aproximava do banco carregando algumas embalagens de comida em uma das mãos enquanto com a outra segurava a mão de outra criança, um menino com mais ou menos a mesma idade da garotinha que estava ali ao lado deles. Ao mesmo tempo em que a irmã de Yuuri se levantou indo de encontro ao marido Victor se deu conta de outra mulher ali, sentada no mesmo banco, uma da qual ele não tinha conhecimento, nunca a tinha visto em sua vida. A mulher se levantou tomando o mesmo rumo da irmã de Yuuri e aceitando uma das embalagens que o homem oferecia.

Pelo que Victor pode perceber, ela também era japonesa, com um sorriso doce e meigo, os cabelos longos iam até metade das costas e era bastante bonita. E, além disso, estava grávida. Visivelmente grávida.

Victor afastou os olhos da cena a sua frente se dando conta de onde a pequena garota de laço azul havia herdado o sorriso mais meigo que o de Yuuri.

A expressão de raiva do outro havia se suavizado aquela altura, e ele sorriu brevemente levantando a mão e sacudindo-a em direção a Victor como em um pedido de desculpas logo se virando para a garotinha. “Não está acontecendo nada querida, papai só está conversando com um amigo.”.

Em um movimento rápido, tão rápido quanto os movimentos que Yuuri um dia fizera no gelo. Ele se abaixou, segurando a garotinha pelos quadris e a ergueu de forma rápida e precisa. Só então Victor vislumbrou o grande destaque de ouro que adornava seu dedo. A aliança de casamento de Yuuri brilhou sob o sol de primavera antes de desaparecer por entre o tecido do vestido rosa da garotinha.

O amor era tão seletivo que fizera com que Victor não notasse o óbvio á sua frente, fizera com que Victor não percebesse o que estava acontecendo bem ali, debaixo de seu nariz, seu amor o havia cegado por alguns minutos o fazendo ver apenas e unicamente, Yuuri.

“Ela... Ela... É sua...” Victor tentou falar calmamente, tentando encaixar as palavras tão amargas em sua boca. Tentando convencer a si mesmo de que aquilo não devia ser uma pergunta, aquilo deveria ser uma afirmação. Victor respirou fundo tentando pegar o máximo de ar possível para tentar terminar a pergunta, e por um breve instante se questionando se queria saber sobre a menina em seu colo ou sobre a mulher grávida logo a suas costas.

“Sim, ela é minha filha; cinco anos e meio de paternidade... E contando.” Yuuri falou enquanto sorria em direção à garota, ao que fez com que ela enrolasse os braços em seu pescoço. “É agora você vai ser uma irmã mais velha... Uma ótima irmã mais velha não vai, Koori?” ele perguntou para ela, recebendo vários acenos rápidos de cabeça em concordância, e a cada aceno que a garotinha dava para seu pai Victor sentia uma pontada dolorosa tomar conta de seu coração.

Mesmo que o tom de Yuuri naquele momento fosse ameno, e até mesmo delicado, ainda era sério, sério demais para quem falava com uma criança, isso não podia ser negado, e sequer ele tentou disfarçar.  Yuuri estava totalmente fora de alcance, estava fora do alcance de Victor, e estava esfregando isso em sua cara.

“Ela... Ela é linda.” Victor falou dificultosamente, fazendo com que o nó de sua garganta permanecesse lá, e tentando ignorar a ardência no canto de seus olhos. “Com certeza, ela é linda” acrescentou forçando um sorriso enquanto mais uma vez sua mente lhe deu um tapa com as palavras reais que queria falar. Obvio que ela é linda, tendo você como pai o que mais ela seria se não linda?

“Podemos ir pra casa papai?” a garotinha ergueu as sobrancelhas e fez um biquinho com os lábios prosseguindo em um tom quase choroso. “Eu tô com sono papai.”

Yuuri se virou para Victor encolhendo os ombros em um pedido mudo de desculpas. “Está na hora dela dormir, então...” Victor apenas concordou com a cabeça ao que sua língua foi mais rápida.

“Nós devíamos nos ver de novo... Tentar conversa direito...” Ele hesitou por um momento mordendo o lábio inferior enquanto observava Yuuri suspirar.

“Sinto muito Victor...” Ele disse sorrindo vagamente e prosseguindo logo em seguida. “Foi... hmmm... Foi bom te ver novamente... Se cuide.”

Você não quis falar isso. Foi o que Victor pensou em falar, mas não falou. Ele havia finalmente percebido que Yuuri apenas o chamara para se desculpar por algo que ele pensou ter feito no passado, para Yuuri o que acontecera entre eles havia sido algo insignificante haviam sido apenas ‘coisas’, e se Yuuri o chamara naquele momento havia sido apenas para se desculpar, nada mais. Só isso. Por oito anos. Victor realmente acreditara que aquelas ‘coisas’ realmente tinham significado algo, mas não, pelo menos não para Yuuri.

“Vou me cuidar sim.” Victor tentou sorrir ao olhar mais uma vez para o homem a sua frente. “E você também se cuide Yuuri.”

Mais pétalas começaram a cair das árvores próximas quando Victor finalmente se virou e começou a se distanciar de Yuuri. Yu estava energético puxando sua coleira, feliz por novamente retomar o passeio e arrastando Victor junto enquanto a primavera praticamente ria de sua cara já que em sua garganta ele sentia como se tivesse um bloco de gelo, e a sensação que o acometia era como se estivesse vivendo o pior dos invernos. Ele seguiu o caminho segurando as lágrimas que tentavam fugir de seus olhos passando mais a frente por duas crianças que olhavam desatentamente para o céu, tentando de alguma forma pegar as pétalas de cerejeira que eram subitamente abandonadas pelo vento.

10 апреля 2018 г. 22:16:44 0 Отчет Добавить 0
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