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crazyclara Crazy Clara

Kiba é o artilheiro do Barcelona que sofre uma grave lesão durante uma partida. A equipe de médicos de Konoha é chamada para tratar de sua saúde enquanto a poderosa família Uchiha usará de todos os seus recursos para tratar do caso juridicamente. Entram em choque o desencanto da vida particular de um dos maiores ídolos do futebol japonês, as tensões se dividem nas estratégias de trabalho, divergência de ideias e estranhamento entre os dois grupos que supostamente têm o mesmo objetivo: ser o suporte de Kiba.


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#Naruto #Yaoi #Naruto/Sasuke #SasuNaru #NaruSasu #Comédia
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Capítulo 1 - Reconhecimento

Kiba era conhecido como o Devorador de Feras. Já no primeiro tempo, havia feito dois gols, sendo um deles de fora da área. Todo o estádio estava em polvorosa. Alguns torcedores incomodados, outros orgulhosos, clamavam o nome do jogador em ondas pesadas, entre xingamentos e elogios. A bandeira do Barcelona era sacudida com orgulho, enquanto ele desfilava para os vestiários depois dos incríveis 3 a 1.

No próximo jogo da fase mata-mata, o Inuzuka seguiria para enfrentar seu clássico. Assim como Maradona e Pelé, os japoneses Kiba e Omoi se detestavam pela rivalidade existente entre seus times. Era óbvio não apenas em suas entrevistas, como também na expressão feroz dos jogadores, mostrando o quanto ansiavam por aquele encontro. Seria ainda melhor se o embate fosse na grande final, mas estavam indo para as quartas. Ainda havia um caminho longo para ganhar a taça da Liga dos Campeões, mas não havia como negar a pressão graças aos dois.

Na volta para o segundo tempo, no entanto, as costumeiras brigas de saída começaram. Em meio a dedos apontados e risadas debochadas, o camisa 9 gritou em alto e bom som que queria enfrentar o Real Madrid, e se isso significava retirar aquele time, Rivalve¹, do campeonato, ele o faria com prazer.

Foi aos cinco minutos do segundo tempo que aconteceu. O moreno não viu, e também não devia ter sido calculado daquela forma. Recebeu a bola no peito e preparou-se para passar para o colega, mas seu pé ficou preso com a pisada do camisa 03 adversário. Um chute repentino na lateral do seu joelho direito, teoricamente mirando na bola.

Quando o Inuzuka caiu, passaram-se alguns segundos até que árbitro notasse que ele precisava de atendimento médico e paralisar o jogo. A agonia era visível e não ensaiada. Os paramédicos o retiraram rapidamente após uma breve avaliação, e mais tarde Kiba foi visto saindo de helicóptero do estádio.

Naquela mesma noite, jornais e revistas de esporte só falavam do camisa 9 do Barcelona que estava fora do campeonato com o deslocamento do joelho direito, havendo o risco de poder não mais jogar com a mesma graça novamente. A raiva se espalhou entre colegas de esporte até os fãs, e qualquer um que quisesse um bom barraco. Nas redes sociais, campanhas contra a violência no esporte foram iniciadas, e houve a grandiosa surpresa da quase imediata visita de seu arquirrival Omoi ao hospital, que rendeu muitos comentários de uma boa amizade entre os dois.

A recuperação de Kiba e o processo contra o camisa 3 do Rivalve repercutiu durante toda a semana. O atleta negava a aproximação de qualquer fisioterapeuta, e os advogados do artilheiro fecharam um círculo alto nas exigências ainda mais altas para com o agressor: suspensão permanente da Eurocopa, além de uma quantia de milhões em euros pelos danos físicos e morais causados ao jogador.

Um mês se passou e o campeonato terminou com a vitória do Real Madrid, com seu bom e velho capitão erguendo a taça. O caso de do Inuzuka perdeu os holofotes, mas não deixou de existir.



Itachi observava Hinata de onde estava, e ela parecia quase aos prantos. Era sempre assim: ao invés de tranquilizar a assistente, dizendo que tudo ficaria bem, o jogador não economizava nas queixas e lamentações sobre seu estado, embora dissesse que não queria ver a moça chorar.

Ele fechou a cara e olhou para o lado, com a vista da não tão pequena casa em Barcelona, onde era possível ver a piscina ser limpa por um dos empregados.

— Kiba, os U-

— Ai, porra, Shino! – o Inuzuka gritou e pulou da cama, acordando até Akamaru, que estava deitado no chão ao lado. – Não brota, porra!

Itachi suspirou. Estava mesmo defendendo aquele berrador ambulante. Não que Shino não fosse motivo de susto, porque era. O empresário do moreno o encarava ao lado da cama, onde até um segundo atrás não havia ninguém. O Aburame era o ser mais silencioso da face da Terra, e não havia ranger de porta que conseguisse anunciar sua entrada.

— Kiba, os Uchiha querem falar com você imediatamente. – continuou calmamente o homem, já habituado com os gritos do jogador. O atleta bufou.

— É sobre a demissão do cara, não é? – remexeu-se na cama e fechou os olhos. – Diga a eles para escreverem que ele fedia a peixe podre.

— Isso não ficaria bem nas reportagens.

— Que se fodam as reportagens! Não gosto do sujeito e pronto!

— Então vou deixar Itachi falar com você sobre isso.

O jogador olhou para o moreno e então focalizou a porta, onde Itachi estava encostado contra o batente. Nem Shino ou Kiba conseguiam aquele nível de imponência com um terno. Era como se qualquer membro da família Uchiha nascesse para ser um destaque no quesito poder e elegância em bendito conjunto preto.

Itachi entendeu aquela como sua deixa e caminhou para dentro do quarto de lazer do craque. Como um deus da morte, o bater dos saltos de seus testoni ecoavam a medida que se aproximava, e deixavam Kiba estranhamente inquieto.

O advogado parou logo ao lado de Shino, balançando a cabeça em um cumprimento silencioso e passando a encarar o Inuzuka muito profundamente, quase ao ponto dele desviar o olhar antes do outro falar. A voz de Itachi era baixa e suave, como uma doce e carinhosa ameaça de morte adornada com os maiores prazeres da vida.

— Precisa de um fisioterapeuta, Kiba. Ou então, vão poder alegar que você está mal por sua própria vontade e perderá o caso com razão, ouso dizer.

Blergh! – cruzou os braços como uma criança mimada, olhando para o lado. – Aceito se não for como esses paspalhões que ficam mandando em mim.

— Todos são excelentes profissionais que só precisam de uma chance, desde que você os permita trabalhar.

— Faço isso com todos e eles agem como bebês chorões.

— Kiba-kun, quanto mais demorar, pior será. – disse Hinata, com sua amabilidade.

— E os riscos de sequelas só aumentam se ficar parado. – completou Shino. – Parece que quer ficar manco-

— Eu não ficarei manco, ok!? – gritou, socando a cama. Akamaru levantou a cabeça, olhando os três e rosnando com os dentes amostra. Esse gesto fez Hinata se encolher. – Calma, Akamaru.

— Lamento informar que, devido à gravidade de sua lesão, se não ter uma fisioterapia adequada, sim, você ficará. – disse Itachi sem alterar o tom da voz. – É bom começar a pensar nos fisioterapeutas que seus agentes lhe trouxeram.

— Não quero nenhum deles. – disse firmemente. – Pode me trazer um feiticeiro zulu de Zâmbia, que será bem mais eficiente que qualquer um daqueles.

— Essa frase foi errada em níveis indizíveis. – comentou Shino.

O Uchiha deu um breve suspiro. Não gostava de lidar com as celebridades por causa daquele simples detalhe: o ego enorme. Era o que mais complicava, atrapalhava e incomodava.

— Vou lhe dar uma opção, Kiba, então escute com atenção, por favor. Seus agentes já foram alertados. – Itachi segurou as mãos na frente do corpo. – Há um círculo de saúde que não deve conhecer, chamado Konoha. É japonês, e a presidente é conhecida de minha família. Posso garantir a qualidade do serviço. Vão enviar um time de seus melhores especialistas, tendo você total liberdade de selecioná-los. O porém é que, depois disso, se ainda se negar a aceitar ajuda médica, eu desisto de garantir a vitória do seu caso. Recomendarei que pendure suas chuteiras e vá ser professor de escolinha.

O Inuzuka segurou um bom xingamento. Poderia muito bem encarar um filhinho de papai com dois metros de altura e 120kg de músculos, mas preferia não irritar Itachi. Havia apenas boatos de como o Uchiha era quando irritado; não conhecia alguém que já o tivesse visto em tal estado. Não vivo, pelo menos.

Escolheu ficar em silêncio, com a cara emburrada e o olhar voltado para a piscina que era limpa. Hinata já abriu um sorriso de vitória e alívio; Akamaru tornou a abaixar a cabeça, já que ninguém representava perigo ao seu dono; Shino… bom, Shino; e Itachi assentiu e deu as costas, seguindo para fora.

— Entrarei em contato. O pessoal de Konoha deve chegar até amanhã de tarde. – falou sobre o ombro. – Enquanto isso, treine o sorriso para as coletivas, e seria melhor evitar o comentário “feder a peixe podre”.

Assim que estava fora da casa, o moreno sacou o celular de dentro bolso e colocou na discagem rápida, enquanto se encaminhava para fora.

Foi atendido no segundo toque.

Diga.

— Sua voz tem tanto açúcar que me deixou com diabetes.

Ele aceitou?

— Sim. – naquele momento, a pessoa que passasse por ali veria algo que faria até o mais bravo dos homens temer: Uchiha Itachi sorrir largamente. – Quero ver qual dos dois vai se irritar com o outro primeiro.

Pode ver ao vivo e deixar comigo a vanguarda do caso.

— E perder o melhor da festa? – desceu as escadas apressadamente, acenando com a cabeça para a governanta, que lhe abriu a porta para a saída. – Ainda não, otouto. Vai trabalhar aqui e vai nos manter informados. Tente ficar fora do fogo cruzado, ok?

Até mais, Itachi. – Sasuke não era adepto de demonstrações de afeto.



O clima era obviamente tenso. Um observador que chegasse ali poderia apostar em quem correria primeiro, ou quem partiria para morder o outro.

De um lado, o artilheiro japonês do Barcelona com seu velho cão Akamaru, ladeados por seus dois agentes, o advogado da família e a governanta. Do outro, um time de quatro pessoas, muito diferentes entre si e um sorriso animado em cada um. As pobres almas inocentes que achavam que cooperação seria fácil.

O segurança fechou as portas da sala, ficando ele mesmo do lado de fora. Estava tudo selado e silencioso, com apenas olhares de estranhamento e... tentativa de conversação.

Hinata estava vestida com um terninho lilás e usava o coque alto. Com o rosto ligeiramente rubro, ela deu um passo à frente e fez uma reverência polida.

— Sejam bem-vindos. Sou Hyuuga Hinata. Eu e meu colega, Aburame Shino, somos os agentes de Kiba. Podem nos pedir qualquer coisa que precisarem ou desejarem a qualquer hora. Caso não nos encontrem, podem falar com a Giovanna-san, a governanta da casa.

O Aburame era um homem alto, com uma bizarra combinação de terno e gravata com o cabelo em um coque samurai. Usava um par de óculos redondos e muito escuros, não permitindo o menor relance de seus olhos. Ele acenou com a cabeça e nada disse. Giovanna devia estar na casa dos sessenta. Ela, em seu grande uniforme formal, sorriu de leve e também acenou.

Hinata sorriu e indicou o outro homem.

— Este é um dos advogados da companhia que está cuidando do caso, Uchiha Sasuke. Talvez vocês já o tenham visto no prédio da Konoha. Ele vai precisar de relatórios do estado de Kiba.

Na verdade, dos quatro de Konoha, apenas Sakura, a neurologista de cabelos cor de rosa, havia visto o advogado de longe, apenas uma vez. E ele não estava tão arrumando quanto estava naquele momento, com terno e gravata cinza. O rosto ainda era igualmente belo, apenas prejudicado pela expressão contida de tédio do moreno, que mais parecia interessado em assistir uma corrida de lesmas do que acompanhá-los naquele reconhecimento de terreno.

— Kiba-kun, esses são Sakura e Haku, os dois neurologistas, e ela é a líder desse grupo. Tenten e Naruto são a ortopedista e o fisioterapeuta, e vão lhe acompanhar pelo tempo que for necessário.

— É um prazer poder trabalhar com você, Kiba. – Sakura se pronunciou, dando um passo à frente. – Espero que possamos ser uma boa equipe.

— Comecem a encher o saco, e eu deixo Akamaru os arrastar para fora. – resmungou, olhando com certa fúria para a médica.

Sakura arregalou os olhos, surpresa, assim como todos os seus colegas. Os mais próximos do Inuzuka não mostraram estranhamento, apenas cansaço com seu comportamento.

Um naquela sala, no entanto, disparou uma alta risada.

Todos os olhos se voltaram para aquele apresentado como Naruto. O loiro bateu na própria perna e olhou para Kiba, com as cicatrizes do rosto repuxadas com seu largo sorriso.

— É tão nervoso fora de campo, quanto dentro dele! Rá! Adorei!

Foi a vez do lado de Konoha não mostrar surpresa. O jogador estreitou os olhos, reação não muito diferente da do Uchiha. Hinata repentinamente adquiriu uma palidez que ainda não tinha uma cor conhecida.

— Você é louco? – rosnou o camisa 9.

— Não, apenas um fã. – O sorriso de Naruto ganhou um viés tímido. – Aliás, é uma honra trabalhar com o caso do Devorador.

— Percebeu que não tenho esse apelido à toa?

— Ah. – Naruto riu, abanando a mão. – Eu não sou nenhuma fera, não machuco ninguém. Mas você com aquela encarada no Dickins, há quatro meses... Cara! Aquilo que foi categoria! Nem precisou de palavra, conseguiu fazer o sujeito engatar a ré só olhando para ele!

Kiba olhou para Shino como quem diz “sério?”.

— Ok... – Sakura exibiu um sorriso nervoso. Afinal, era ela a representante, e as expressões não estavam muito felizes. – Vamos começar os testes ainda hoje, se não for incômodo. Há alguma sala preparada para o estado de Kiba?

— Meu estado – o artilheiro quase cuspiu a palavra. – é temporário. Eu não preciso de nenhuma porra de sala especial para isso.

— Precisa ao menos de um lugar modificado para o tratamento, Inuzuka-san. – disse Haku, ao passo que Sakura perdeu a voz. Por que havia imaginado colaboração?

— A sala de lazer pode ser adaptada. – adiantou-se Hinata. As cores voltaram para seu rosto. – Basta que digam do que vão precisar.

— Eu farei isso. – assentiu Haku.

O silêncio chegou tão de repente que a maioria ficou sem jeito de continuar a se encarar. Naruto estava entretido em olhar Akamaru, enquanto este lhe olhava de volta furtivamente.

— Certo. – Hinata juntou as mãos e olhou para a governanta. – Giovanna-san, pode mostrar a casa para os novos hóspedes?

Giovanna assentiu e indicou o caminho para os quatro. Cada um fez uma respeitosa e rápida despedida antes de segui-la, deixando para trás apenas confusão.

O Uchiha tirou o celular do bolso, enviando uma mensagem rápida para o irmão.


Nenhum incêndio, apenas faíscas.


Pelo menos não naquele momento.

Duas horas mais tarde, Kiba gritava para os quatro ventos que não ficaria sem roupa, e que não, não queria ser tocado por Naruto ou Tenten. Para ele, o rosto de Haku era irritante, e Sakura tinha que manter distância de Akamaru, porque supostamente o incomodava demais.

Logo a equipe de Konoha percebeu que não haveria cooperação, e os sorrisos animados se tornaram expressões tortas de impaciência, que eram assistidas por um Sasuke que se controlava para não deixar despontar um sorriso no canto dos lábios. A razão disso ainda era inexplicável para o time de Konoha.

Em dois dias, com muito sofrimento, Dra. Haruno e Haku recolheram todos os dados e exames que precisavam do camisa 9. Os quatro passaram o levantamento do equipamento necessário, sendo surpreendidos na manhã do dia seguinte ao encontra-los já devidamente instalados, prontos para o uso à tarde. Não sabiam quem era o responsável pela velocidade das coisas por ali, mas havia a certeza de que o nome ‘Kiba’ já era o suficiente para adiantar muito serviço.

Hinata e Shino eram o que inicialmente Naruto chamaria de dupla mansa. Mas logo desfizeram essa impressão, ao provarem o quão precisos e frios eram na hora de dar respostas à imprensa ou chamadas de celular. Foi um contraste estranho na mesa do café da manhã ao de repente, no lugar da tímida Hinata, surgir uma determinada empresária que negou o pedido de propaganda de um novo modelo de tênis usando Kiba caído como slogan.

Shino era cada vez a figura mais estranha, na medida que o tempo passava. Ele sumia sem muitas palavras, e aparecia em qualquer lugar, em qualquer momento. Não no banheiro, pelo menos. Embora uma vez, tomando banho, Naruto tenha desviado os olhos por um instante da janela e, no momento seguinte, lá estava o Aburame, dois andares e 15 metros de distância, encarando o loiro. Ou pelo menos com a cabeça virada em sua direção.

Sasuke era como um ventríloquo de preto das peças infantis de títeres. Ele estava lá, mas só como orquestrador de algo que nenhum dos quatro tinha acesso. Tudo o que faziam até aquele momento, era repassar os procedimentos efetuados e os futuros, com razões, objetivos e resultados.

Kiba avançava como um burro empacado. Simplesmente não avançava.

Nas primeiras sessões, que eram extremamente curtas, o jogador gritava de dor e depois expulsava todos do lugar. Naruto queria implicar, mas Sakura pediu veementemente que ele não fizesse nada que colocasse o trabalho deles ali em risco. Na mente dos quatro, porém, havia a incômoda sensação de que era melhor ser demitido por tentar fazer um bom trabalho salvando o Inuzuka, do que continuar trabalhando ali sem resultado algum, e sujar o nome até então imaculado de Konoha.

Foi durante a noite que Naruto teve aquela ideia. Ligou o notebook e começou a trabalhar.

Giovanna ficou confusa quando o Uzumaki a abordou naquela manhã. O inglês dele era tão bom quanto ela tinha sotaque italiano. Levaram dez minutos até se entenderem e ela saber lhe indicar o local certo do dvd. Quando finalmente descobriu, o loiro disparou para o quarto de Kiba, onde ele tomava seu café.

O fisioterapeuta se segurou para não rir. Primeiro, porque era curioso que alguém que não queria admitir o ferimento aceitasse café da manhã na cama. Segundo, era o estado em que o moreno se encontrava: rosto inchado; cabelo revirado com surpreendentes cachos, que não sabia da existência; pijama de flanela e cobertor até a cintura, deixando de fora apenas a pernas sobre grandes e fofos travesseiros.

Ele encarou Naruto como se fosse um alienígena. Akamaru estava num canto, junto com outros dois cães minúsculos.

— Que porra você tá fazendo aqui?! – rugiu o jogador, incitando Akamaru a rosnar na direção do loiro, sendo imitado pelos outros cachorrinhos em seguida.

O Uzumaki ergueu as mãos em rendição.

— Preciso te mostrar uma coisa.

— E tinha que invadir meu quarto para isso?!

— Na verdade, sim. Você não sairia daqui se eu não viesse.

— O que você veio fazer aqui?!

Naruto ergueu o cd que tinha em mãos, apresentando seu objeto de negociação pela sua vida. Kiba o olhou confuso, mas não disse nada enquanto o fisioterapeuta se encaminhava para o outro lado do quarto. Graças às instruções de Giovanna, conseguiu com certa facilidade colocar o dispositivo para reproduzir. Selecionou as opções e se afastou para deixar que o atleta assistisse.

A primeira cena foi uma cobrança de pênalti.

Omoi se prepara... A tensão é grande no banco do Real Madrid. – o comentarista narrava.

— Que merda é essa? – silvou Kiba.

— Shiu, cala a boca e assiste. – Com os cães novamente relaxados, Naruto encostou na parede ao lado e olhou para a tela.

O pênalti foi cobrado e o gol foi incrível; de gaveta, onde o goleiro previu, mas não conseguiu alcançar a tempo.

É GOOOOOL! DO OMOI!

A cena cortou enquanto o artilheiro do Real Madrid corria para comemorar. A seguir, outro lance se iniciava, com o homem correndo do meio campo para o gol do adversário.

Mas é incrível! Ele driblou dois, três. Passou para Victor. Victor corre para a grande área. Omoi está lá para receber. ELE RECEBE. É AGORA. E ELE CHUTA PARA... É GOOOOL!

Omoi correu para o banco dos reservas e foi soterrado pelos outros colegas, em comemoração. Logo era outra cena, de um jogo chuvoso em que o chute de Omoi fez uma curva na cobrança de falta. Seu colega conseguiu se virar a tempo e cabecear a bola para um gol bem sucedido.

É impressionante o quanto Omoi cresceu em tão pouco tempo. – disse o narrador, logo após o grito de gol. – Que chute, Gomes. Que chute!

Naruto olhou de relance para Kiba, que estava quieto, atento à  TV e com os lábios entreabertos. O loiro sorriu e voltou a assistir.

— Que passe terrível, seu fominha. – ouviu o atacante resmungar para a TV.

Mais sete minutos apenas com cenas dos grandes feitos de seu rival. No fim, houve muitos encontros entre ele e Kiba, e os narradores sempre salientavam o clássico que eram aquelas partidas. Acabou tão de repente que até o Uzumaki, que já sabia daquilo, se sentiu despertado de um transe.

O Inuzuka olhava para frente, sem reação. Parecia chocado, mas... abalado, no sentido ruim. Akamaru e os dois pequenos olhavam para o dono com olhos chorosos.

Naruto ficou calado. Retirou o dvd e entrou no campo de visão do jogador. O atacante baixou os olhos se encontraram com os azuis.

Não era a primeira vez que o loiro via aquilo. Os ferimentos assustavam, deixavam os pacientes vulneráveis. Kiba era um de seus ídolos, o mais boca suja e pavio curto deles, e mesmo assim, sabia que não seria diferente. Quem não ficaria abalado com a possibilidade de perder tudo com algo que nem era sua culpa?

— Vai doer. Demorar. Passará pelo inferno de problemas, e isso só na parte da sua recuperação. Só o engomadinho do seu advogado pode te dizer quantos mais problemas terá nos tribunais ainda. – o Uzumaki cruzou os braços. – Só que se você quer mesmo jogar contra esse cara de novo, ficar melhor que ele e ganhar a fama de melhor jogador japonês na Europa, então vai ter que fazer melhor que isso. Eu, Sakura, Haku e Tenten podemos fazer nossa parte. E Vamos fazer; te levaremos ao seu limite para ficar melhor. Conseguir ultrapassá-lo é com você. Só perderá quando desistir.

O camisa 9 nada disse. Manteve a cabeça baixa, olhando seu bolinho de mirtilo praticamente intocado. Naruto foi até ele e deu uma tapinha em seu ombro, saindo em seguida.

Na saída, curiosamente, ele encontrou Sasuke.

— Pode ir falar com ele. – acenou com a cabeça, deixando a porta entreaberta.

O Uchiha, porém, terminou de fechá-la e se pôs a caminhar ao lado do loiro.

— É a primeira vez que acho sensato deixar Kiba pensando sozinho, desde o incidente. – Até então, Naruto mal ouvira o advogado falar mais do que três palavras de uma vez. – O que exatamente você fez?

— Já assistiu “Rush”? – ele perguntou, repentinamente animado. O moreno franziu o cenho.

— Não.

— É sobre dois corredores de Fórmula 1, Nick Lauda e James Hunt. Eles eram iguais Kiba e Omoi, exceto que o Hunt era um pegador. Enfim, o Lauda é conhecido por duas coisas. Uma delas é essa rivalidade com Hunt, e a outra, foi um acidente muito grave que aconteceu com ele. Ficou cozinhando por um minuto em um fogo de oito mil graus. Mas no hospital, durante a recuperação dele, o que o fazia querer melhorar, mais que qualquer outra coisa, era ver Hunt correndo na TV. – olhou sonhador para frente. – Essa coisa do ódio é complicada. Você acaba dependendo muito da pessoa, como se a amasse.

— Então você usou Omoi no seu discurso.

O Uzumaki riu, balançando a cabeça.

— Mostrei para ele, na verdade. – ergueu os braços, se espreguiçando. – Virei a noite montando aquele vídeo. Agora preciso dormir.

Como o silêncio predominou quando alcançaram as escadas, Naruto olhou para Sasuke e o encontrou o encarando. A intensidade daquele olhar escuro lhe assustou por alguns segundos.

— Que foi? – perguntou com um leve desconforto.

O Uchiha desviou o olhar.

— Achei que você era o idiota do grupo.

O fisioterapeuta arregalou os olhos, e até errou na passada ao descer um degrau. Se não tivesse se apoiado a tempo no corrimão, teria descido o resto rolando.

— Idiota é você! – voltou a olhar para o lado do moreno. – E mimado, pelo que pude ver.

— Uau, ainda tem atitudes infantis. – o advogado continuou descendo as escadas, com a postura intocada.

— Infantil?! – gritou o loiro, sua voz saindo esganiçada como a de uma gralha; Sasuke não demonstrava notar sua presença. – Ei, maldito, não vai se achando só porque é o advogado e tem direito a tudo. Eu batalhei muito para chegar aqui, e posso garantir que foi por mérito, não pela minha família.

— E quem foi que falou em mérito aqui? Só disse que você é um idiota, idiota.

— Cabelo de bunda de pato.

Aquela foi a vez de o Uchiha ficar perplexo. Ele olhou para o fisioterapeuta como se realmente não acreditasse no que ele havia acabado de dizer. Naruto manteve a expressão irritada quando terminaram de descer os degraus e seguiu para o corredor de quartos dos hóspedes.

Sim, estava sendo infantil. Mas algo dentro de si clamava por uma vitória besta, como a última palavra de uma discussão infundada.


¹ – Criei esse time por não querer ligar uma lesão assim com nenhum jogador real de time algum.

21 марта 2018 г. 15:23:07 1 Отчет Добавить 5
Прочтите следующую главу Capítulo 2 - Meu tipo de jogo

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Osiane Gds Osiane Gds
legal muita inspiração , interessante
24 сентября 2019 г. 7:07:39
~

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