Soldados de Tinta Подписаться

C
C Clark Carbonera


“Alô, alô! Clube dos Cinco para Terra... Ou o que restou dela! Algum sinal de vida? Câmbio! Clube dos Cinco para o que restou dessa sucata toda. Algum sinal de vida? Câmbio! Se alguém ouvir esse chamado, entre em contato. Saia agora de onde estiver! O momento para a restauração é esse! A todos que ouvirem o Chamado, repito! O momento para a restauração é esse! Câmbio e desligo.”


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Capítulo 1 - Mathias se recusa a morrer


Mathias sentiu as fibras da corda grossa que segurava.

Naquela manhã, ele acordou determinado. Aquele era o dia. O dia em que tiraria sua vida.

Subiu na cadeira bamba, passou a corda pelo pescoço, tirando o cabelo comprido do caminho, apertou-a para deixá-la mais próxima do pescoço e antes de chutar a cadeira para um lado levantou os olhos negros como piche. Uma emoção estranha passou por eles. Raiva!

– Mas que coisa patética! – berrou Mathias.

Com o grito, Miro se assustou e a caneta que usava para escrever o fim da história escorregou da mão enérgica e riscou a folha.

– Que diab... – Miro pulou do chão e correu para um canto do quarto, a respiração ofegante.

De uma penumbra, Mathias deu três passos para entrar na tenra claridade da única lâmpada do aposento. A corda ainda pendurada no pescoço. Ele abriu os braços numa nova onda de irritação.

– É isso que você me dá depois de tudo!? Depois de ter encontrado o bendito colar da Mafalda e de ter destruído o casamento do idiota do Benedicto? É isso!?

Ele arrancou a corda do pescoço e atirou-a com força em Miro, que tentou se proteger do chicoteio.

Com a voz ainda amedrontada, ele tentou erguer um dedo na direção do outro.

– Ma-mas você não devia estar aqui!

– Rá! – Mathias bateu as mãos nas laterais do corpo, inconformado. – Era só o que me faltava... Sou criado quando nem desejava, quase me suicidam e, quando me nego a morrer, meu criador me renega!

Miro observava de olhos arregalados Mathias furioso cruzar o aposento e puxar a alavanca da porta de ferro.

– É isso, já chega! Fui, Miro!

Mas a pesada porta de ferro não se abriu. Mathias continuou com inútil esforço e nada.

Miro pegou a corda que mataria Mathias e olhou-a, agora, um pouco envergonhado pelo que teria feito com sua personagem. Ele arqueou as sobrancelhas imaginando se isso seria apenas mais um surto de pânico, uma última tentativa fadada ao fracasso de permanecer são depois de tanto tempo sozinho. Miro deu de ombros, pior a coisa não poderia ficar.

– Não adianta, Mathias. A porta não pode ser aberta. Não enquanto eu não ouvir o chamado...

– Quer dizer que eu, ainda por cima, vou ter que ficar aqui com você? – Mathias apontou-lhe um dedo e fez um som de asco. – E quando a gente acha que não pode piorar...

Miro jogou para um canto do quarto a arma do crime que foi sem nunca ter sido.

Mathias percorreu com os olhos aborrecidos o restante do lugar. Nas paredes cinzas e frias não existia nenhuma janela, nem quadro, nem arte alguma, afora vários riscos negros pintados lado a lado, abaixo de pequenos números, num canto próximo ao chão onde Miro se encontrava. Um discman em cima de uma mesinha que estava rodeada de papéis, jornais e papelão. Uma cesta de plástico com inúmeras roupas e outros tecidos. Dezenas de latas de comida em conserva vazias amontoadas do outro lado do quarto, sardinha, azeitonas, feijão, salsichas. Uma caixa de madeira que servia para guardar lâmpadas e...opa! Na verdade existia um segundo aposento, minúsculo em tamanho, que servia de banheiro. Apenas um vaso sanitário, sem pia ou espelho.

– Vivendo como um rei, eu vejo. Sabe, só porque sua vidinha acabou frustrada, você resolve soltar os cães do inferno pra cima de mim, pfff, que prepotência.

– Olha aqui, Mathias, eu não sei por quanto tempo mais eu, melhor, nós teremos que ficar aqui! Então é bom que a gente não fique trocando espinhos.

Miro sentou na almofada do chão e atirou outra para Mathias. Ele continuou.

– Eu peço desculpas por tentar mata-lo, ok? Mas eu nunca imaginei que você fosse... – Miro fez vários gestos confusos com as mãos manchadas de tinta, na direção de onde Mathias saiu – ...sei lá, aparecer e se recusar a morrer!

Mathias deu de ombros, pegou a almofada roxa e sentou próximo ao discman.

– Isso não faz mudar o fato de que eu o ache prepotente. Além do que, sua escrita é asquerosa.

Miro fez um muxoxo, estalou a língua e amassou o papel rabiscado onde ia matar Mathias.

– Eu não preciso das minhas personagens me dizerem o óbvio. De qualquer forma, não importa. A cada dia que passa eu tenho mais certeza de que não tem ninguém lá fora pra ler o que eu escrevo...

Mathias contraiu os olhos, seus sentimentos ainda estavam a flor da pele por causa do que Miro teria feito com ele. Ele deu um riso curto e seco e balançou a cabeça, colocou os fones de ouvido do discman e apertou o play, pegando logo em seguida a capa do CD ao lado. Alguns segundos depois, ele ouvia a voz do Phil Collins.

¨¨¨¨

Depois do que pareciam ser horas (nenhum dos dois sabia se era dia ou noite), Mathias tinha os olhos fixos em Miro, que dormia no chão do outro lado do quarto. Ele pensou várias vezes em usar a corda para matar Miro. Ou talvez a usasse para dar um baita susto no seu criador, como forma de vingança pelo que ele teria feito. Todavia, logo depois que tinha o pensamento macabro, ele pensava uma segunda vez. Sabia que aquilo não ia ajudar em nada se o que ele queria mesmo era a liberdade.

Miro dissera que só poderiam sair quando ele ouvisse o chamado. Mas que chamado era esse?

Mathias ouviu novamente o piar lá de fora. Sua raiva era tanta que ele desejava jogar o discman na porta, como se isso fosse parar o barulho, mas então ele ficaria sem o tal do Phil Collins...

Ele arqueou a sobrancelha esquerda, ruminando a hipótese. Tinha gostado muito da música 7, que a capa dizia chamar “I can feel it coming in the air tonight”.

Não. Lançar o discman estava fora de cogitação. Talvez pudesse jogar Miro...

O som abafado surgiu de novo nos ouvidos de Mathias, que se levantou e foi até a porta. Ele percorreu com os dedos a alavanca de ferro e colou o ouvido na porta fria.

Fechando os olhos, ele ouviu de novo o som.



13 марта 2018 г. 20:15:41 2 Отчет Добавить 4
Прочтите следующую главу Capítulo 2 - Uma porta se abre

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Karimy Karimy
Cara, que divertido! Às vezes, acho que meus personagens estão a ponto de me lançar fora mesmo! Em um dia perturbado cheguei a ter um pesadelo que pensei que não acabaria nunca, uma coisa muito parecida com o que está havendo. Já estou ansiosa para descobrir o que tem detrás da porta, o motivo de tanta tensão e no que tudo isso, inclusive a revolta de Mathias, vai dar! Bjs!

  • C C C Clark Carbonera
    Hahaha te entendo, Karimy! Esses nossos personagens nos pregam cada peça e nos levam por cada caminho...! Espero que você curta o conto até o fim :DD Abraços! o/ 11 июля 2018 г. 15:55:40
~

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