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glory_neko Glory Neko

"O carrasco, apelido extraordinário que optou por aplicar em Sasuke, reclinou-se na poltrona. Seus olhos negros queimavam em Naruto, a chama ardendo na íris, perto de criar um nuance único de vermelho. Era como se estivesse em combustão. Naruto estremeceu numa ânsia inédita, o pomo de Adão inquieto em todas as vezes em que engolira em seco, a têmpora pulsante. Necessitava dar o fora dali, antes sucumbisse à insanidade e ao enlouquecedor olhar de seu exótico psicólogo" "Não havia escolhas. Não havia controle. Havia sexo, seu cheiro, sua maravilhosidade e plenitude."


Фанфик 18+.

#romance #Sasuke/Naruto #SasuNaru #Lemon #Naruto
Короткий рассказ
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Misofonia.

Afrodisíaco

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"Que demônio benévolo é esse que me deixou assim envolto em mistério, em silêncio, em paz e perfumes?"

— Charles Baudelaire.

A chuva no exterior do vagão rugia tão mais bravamente quanto seus fones de ouvido. Era algo torrencial. Implacável. Porém, nunca, jamais, mais intensa quanto sua fúria exclusivamente encaminhada para o seu companheiro de banco adormecido, absorto no que seria um sono de um bebê, em contra partida com os roncos titânicos retirados bem ali do fundo, parecendo vir do tutano de seus ossos. O homem ronquejou no que seria o início de uma dúzia de vezes e Naruto arrastou as mãos pelo rosto. Inferno.

Ozzy Osbourne, quem urrava Breaking All the Rules incansavelmente no interior dos fones, não pareceu eficaz o suficiente para apaziguar o sonoro — insuportável, aborrecedor e infernal — ruído. Naruto queria mudar-se, o banco posicionado a dez metros dali pareceu convidativo demais, todavia, ocupado.

As janelas do vagão, antes copiosamente límpidas, agora ostentavam superfícies nubladas e com digitais infantis, que exibiam suas artes monstruosas na extensão do vidro condensado. Naruto estava numa loja de penhores quando o dilúvio desabou de uma vez. Correu à estação de trem e quando notou, estava encharcado, possesso. Logo, resfriado.

A bela adormecida exposta ao seu lado também não ajudava.

Rumara ao trem exatamente visando o destino que curaria aquele seu desconforto. Naruto era peculiar. Seus ouvidos amaldiçoavam-no, levando-o ao inferno com a intervenção do mais banal ruído. Quando via, estava louco. A necessidade de tratamento psicológico desvanecia-se em suas mãos a cada momento que transpiravam mais do que o natural poderia permitir.

Ansiedade, desconforto, irritação — remodelada ao ódio profundo —, e, quando viu, misofonia¹.

Seu coração apertou-se, atrapalhou-se num segundo e estapeou sua caixa torácica quando tomou consciência da chegada de sua estação de descida. Tão logo percebeu, ergueu-se mais do que repentinamente e chutou de leve, propositalmente, a canela do homem em seu sono profundo. Sua forma de protesto contra a viagem mau-aproveitada, desagradável, que o palerma lhe fizera questão de proporcionar.

Os olhos oceânicos fecharam-se sob a corrente de vento que os flagelou assim que ganhou o espaço afora do trem. A clínica dispunha-se, requintada, na ruela sob o alcance de sua vista cansada e maltratada, e seria um colírio para os seus olhos se aquela consulta, aqueles 50 minutos com o psicólogo, não fossem a sua mais recente ruína. Estava ansioso. Aflito, agoniado, frouxo; E se... Ah, foda-se.

— Boa tarde.

A secretária bonitinha recepcionou-o sorrindo numa expressão calorosa assim que entrou, e posto sob a sinceridade do semblante, Naruto resignou-se e abafou a sua brilhantíssima ideia de dar meia volta, com o rabo entre as pernas, e acolher-se no seu tão venerado café americano. Sorriu de volta, rumando determinado à sala de espera.

Só não previa que aguardaria aquele absurdo de tempo! Perdeu a conta das vezes em que escutara o nome — certamente de algum sujeito não tão necessitado de estabilidade mental quanto ele — ser invocado a partir da sala do tão ilustre psicólogo. Um punhado de pessoas já havia tido seus problemas corriqueiros expostos, todavia, nem por um segundo, chegara o conceituado turno de Naruto. Irritou-se.

Seu horário já havia sido batido, correto? Se estivesse com a vitalidade sã e organizada como uma vez tivera — realmente já havia tido? —, regressaria ao trem, à sua brilhantíssima companhia de passageiros com odor de suor quente, desodorante barato e com os pulmões substituídos por um motor. No entanto, o "se..." anteriormente citado pareceu mais resistente do que o previsto, então sequer notou quando colocou-se em pé diante da saída do último cliente e ignorou as repreensões da secretária quando invadiu o consultório.

Não esperava o retorno em contra partida à sua intrusão descarada, e arfou assim que o recebeu.

As orbes negras tampouco receptivas, no mínimo hostis, mediram-no da cabeça aos pés. O homem de cabelo de piche, sentado diante da escrivaninha, parecia ostentar o seu aborrecimento ao simplesmente respirar, e aquilo foi o ponto de ruptura de Naruto para que oscilasse de precipitação. Teria despejado uma desculpa esfarrapada, tal como: "pensei que fosse o banheiro masculino", se não tivesse sido censurado antes que abrisse a boca.

— O que é?

Naruto piscou repetidamente, mordendo as bochechas por dentro, visto que não previra a rebatida tão grosseira de ninguém mais, ninguém menos, do que seu próprio psicólogo.

— Ahn... — balbuciou — O banheiro... Achei que fosse aqui o banheiro.

O psicólogo franziu de leve o cenho, os olhos negros caminhando entediados por sobre os ombros do invasor, ganhando o local do que provavelmente seria uma parede se Naruto não tivesse acompanhado o olhar antipático. Logo atrás dele, exibia-se a inconfundível porta adornada com uma prancha unificada às letras "WC".

O rosto de Naruto corou-se tão logo quando notou e sua boca abriu-se num previsível e constrangido círculo, tal como os seus próprios olhos, arregalados diante da irrefutável ocorrência embaraçosa.

Naruto afrontou o embaraço que entranhava-se sob sua pele, acumulando-se, mais especificamente, na tez de bronze da face. Sasuke Uchiha, como relatado virtuosamente num pequeno crachá no dorso, observava-o numa fusão peculiar entre a frieza e autoridade, ao passo que demonstrava estar perdendo a paciência que nem sequer aparentava possuir.

— É o horário de almoço. — ele ditou, em conclusão. — Não haverá consultas agora.

Naruto retesou-se.

— O meu atendimento foi agendado para uma hora atrás, doutor.

Sasuke estreitou os olhos de forma tão discreta que Naruto jamais seria apto para notar a mudança de semblante de seu mais novo psicólogo se não o estivesse observando tão alerta. Tinha a intuição de que caso não estudasse aquele homem com afinco, seria sugado para algum lugar — não importa qual — em que nunca mais conseguiria sair.

As mãos de artista, distintas sob os dedos finos e longos, brancos, aprumaram-se acima dos papéis. Sasuke aparentou optar por ignorar o intrometido no arco de sua porta enquanto, simultaneamente, escorregava o olhar depressa por cada dossiê. E, em contra partida, Naruto — acompanhado com o seu senso arrastado —, não fazia a menor ideia se ser esquecido seria a indicação para que permanecesse, ou se, muito provavelmente, deveria dar o fora dali antes que fosse diretamente para o manicômio.

Espiou o psicólogo por dentre as pestanas, estreitando o olhar por uma fração de segundo. Muito bonito. Parecia emanar uma presença quase soberana, destilando o ar luxurioso que expunha, ainda que não notasse. Havia música baixíssima provindo de alguma zona do consultório, e com a forma com que Sasuke agitava o pé de acordo ao toque, soube que ele gostava. Parecia blues, jazz, ou algo do gênero.

— Senhor Uchiha... — começou, contraindo-se quando os olhos negros por fim levantaram-se. Deveria chamá-lo de doutor? — Tenho certeza absoluta que devo ter uma sessão com você. Sabe, paguei com antecedência, prefiro pensar que não sairei daqui até que o atendimento seja feito.

Francamente, como aquele cara havia conseguido um certificado para que trabalhasse, como um profissional, num consultório renomado? Nadando no olhar escuro a qual era submetido, Naruto era incapaz de idealizar uma profissão tão mais ideal para aquele homem se não um carrasco. Sentado sobre uma guilhotina, brandido uma chibata.

Não mais do que de repente, Sasuke ergueu-se de seu covil de documentos, abandonando a poltrona giratória para rumar-se à cafeteira elétrica no beiral de uma escrivaninha esquecida. Não ofereceu café assim que terminou de prepará-lo e, ao invés disso, preencheu dois copos aceleradamente antes de ganhar novamente sua poltrona, sentando-se, impecável, na estrutura macia e depositando um dos copos em sua dianteira, ao passo que bebericava de seu próprio.

— Sente. — inquiriu comedido, fungando antes de completar. — Seu nome?

Naruto apossou-se do semblante mais flutuante que criava em seu estoque pessoal e, mirando perplexo a cadeira vaga, vacilou antes de enfim pousar no assento que lhe era proposto. Sasuke fitava-o como se fosse a incógnita mais complexa a ser resolvida e aquilo alarmou seu instinto de autopreservação, fazendo com que franzisse as sobrancelhas em um claro gesto hostil de afronta.

— Naruto Uzumaki.

O psicólogo arriou o olhar, mais uma vez, ao dossiê, antecipando uma olhadela ao monitor do computador e digitando. Naruto definitivamente não compreendeu, muito menos aceitou, quando Sasuke ostentou um muito discreto sorriso de canto da boca, apoiando o cotovelo na mesa e cobrindo a boca de leve, reprimindo um óbvio manifesto sarcástico.

— O quê? — Naruto inquiriu sob a ausência de resposta.

Sasuke levantou os olhos ao seu mais novo paciente, maneando a cabeça, moderado. Achava graça.

— Sua consulta — ditou, abismado de modo irônico — Você mesmo marcou-a para o mesmo dia de hoje, todavia, para o próximo mês. Por isso não foi convocado. Você ao menos entregou o relatório médico à secretária?

Naruto presenciou um de seus olhos iniciar a latejar, arrebatando-o primeiro a sensação, sucedendo a convicção, de que sua face ostentava uma incontestável expressão de incredulidade. Ainda seria aceitável se exibisse seu engano e corresse ao banheiro, a fim de chorar em posição fetal?

O carrasco, apelido extraordinário que optou por aplicar em Sasuke, reclinou-se na poltrona. Seus olhos negros queimavam em Naruto, a chama ardendo na íris, perto de criar um nuance único de vermelho. Era como se estivesse em combustão. Naruto estremeceu numa ânsia inédita, o pomo de Adão inquieto em todas as vezes em que engolira em seco, a têmpora pulsante. Necessitava dar o fora dali, antes sucumbisse à insanidade e ao enlouquecedor olhar de seu exótico psicólogo.

— Não há como antecipar a consulta? — retorquiu de forma constrangida, os olhos azuis deslizando ao copo de café na mesa, visto que deixou de sustentar o olhar negro que lhe era despejado.

Sasuke suspirou, os lábios crispando-se.

— Não — replicou — O cronograma está lotado.

A quietação da atmosfera fixou-se na saleta, não havia mais nada a ser proposto e Sasuke apenas confirmou o óbvio quando ergueu-se. No instante em que ganhou o espaço ao lado da janela de guilhotina, desconsiderou o olhar acusatório de seu paciente estupefato e recolheu uma maço amolgado, sucedendo a tragada que resfriou-lhe a garganta quando acendeu o cigarro.

— É proibido fumar aqui — a voz de Naruto soou beirando a incredulidade.

Sasuke manteve-se indiferente, a atenção voltada à chuvosa vista exibida por dentre o vidro denso e molhado da janela.

— Também é proibido invadir consultórios.

Não foi preciso espiar o semblante de Naruto para que determinasse a nova expressão exagerada dele. Não que fosse um psicólogo pé no saco — não; que a verdade seja dita, ele realmente era um porre —, mas não tinha outra opção senão exibir uma apresentação sarcástica diante daquela situação. Tragou outra vez. Aquele horário de almoço arruinado poderia ser mais conveniente se quisesse, mas precisava apertar os botões corretos.

Naruto notoriamente retesou-se, como se fizesse menção de levantar. Contudo, torceu o nariz num óbvio protesto de irritação e afundou mais o traseiro na almofada macia da cadeira. Necessitava de assistência. Sua capacidade cognitiva estava ruindo, precisava reedificar seus pilares, mesmo que com o auxílio do carrasco.

— Não vai perguntar qual é o meu problema? — inquiriu, a voz ondulando autoritária.

— Eu deveria?

De súbito, Naturo curvou-se numa queixa um tanto quanto provocativa. Os cotovelos aterrissaram na superfície transluzente da mesa e as esferas azuis estreitaram-se. Havia sido inesperadamente abatido por uma oscilação de controle e audácia quando finalmente atraiu a atenção perigosa de Sasuke, que maneou discretamente a cabeça em retorno à afronta.

— Deveria. Estou te pagando.

Sasuke interessou-se quando exposto à nova abordagem. Sorriu recatadamente e tragou de forma longa e de modo mais potente, extinguindo com mais rapidez o fumo e desfazendo-se dos restos no cinzeiro. Largou a guimba e expeliu a fumaça pelo nariz enquanto analisava seu paciente, tombando a cabeça para o lado quando proferiu:

— Não é algo inédito quando todos os meus outros clientes me pagam, assim como você.

Toda a ocorrência sucedida de provocações e uma enchente de arrogância — que deveria ser somente uma consulta trivial —, deixou de ser um conflito de bate-boca no instante em que Naruto penetrou com a palma no bolso, de modo com que Sasuke observasse interessado, constatando que a sessão se tornara um tabuleiro de apostas quando seu excêntrico cliente despojou dinheiro sobre a mesa.

— Isso vai contra o meu profissionalismo. — inquiriu, os olhos negros perfilando a sequência convidativa de notas. Oscilou zombeiro e sentou-se à mesa novamente, assistindo Naruto empurrar o dinheiro em sua dianteira.

— Você não me pareceu muito profissional até agora. — Naruto sorriu distraído, o queixo apoiando-se nas mãos quando encarou o psicólogo por um instante — Agora seja menos arrogante, finja, se necessário, mas haja como o amável psicólogo que você deveria ser.

Naruto não agradou-se ao notar o quão grosseiro Sasuke aparentava ser ao sugerir adentrar no jogo ali recentemente imposto. O carrasco sorria-lhe sugestivo, como se risse de uma piada! Irritou-se. Contudo, não permitiu dar o gosto de controle à língua de seu psicólogo, portanto, jogando-se de forma displicente no encosto da cadeira, segurou a fala afiada e aguardou o questionamento mais aborrecedor e óbvio de todos.

— O que tanto lhe incomoda para ser abrigado a me subornar, Naruto? — Sasuke iniciou, o nome de seu paciente sendo pronunciado de forma mais vagarosa possível. Era prazeroso testar o nome de uma pessoa nova, como Naruto, nos lábios.

— Intolerância aos sons.

Sasuke ergueu uma sobrancelha expressiva.

— Fonofobia?

— Misofonia.

Girou a caneta nos dedos, pensando por um segundo antes de rabiscar algo numa folha imaculada, tracejando riscos — que para Sasuke, representava a mais delicada caligrafia — que perderam-se dentre tantos outros que escreveu. Caso Naruto fosse sensato o suficiente, não seria necessário começar daquela forma, num ponto cego. Seu paciente deveria ter disposto o relatório médico à secretária, assim saberia em que terreno estava pisando. Contudo, disponibilizava seu adorado curto período de folga arrancando informações de um cabeça-oca que não aparentava ser capaz de dá-las de modo inteligente. Respirou fundo.

— E o que você sente em relação a isso? — questionou sóbrio, mirando o monitor do computador antes de voltar-se a Naruto. Ao fazê-lo, encontrou o olhar oceânico a fitá-lo de uma forma, no mínimo, esquisita e duvidosa. — Está escutando o que eu estou falando?

Naruto piscou, o foco repousando sobre seus olhos mais uma vez, todavia, não antes de perceber Sasuke fechar os olhos, apertando-os com os dedos e inspirando de modo intenso. Ele parecia irritado, e não precisou de mais uma constatação óbvia para que Naruto recuasse na cadeira. O controle emocional dele era duvidoso o suficiente para que ficasse atento e cogitasse a possibilidade de ser estrangulado, morto e enterrado. Por que Sasuke demonstrava ser um perito em colocar a vida alheia nas rédeas, quando nem sequer era capaz de manter sua própria raiva sobre os trilhos?

— Olhe para mim; não, nos meus olhos. — o psicólogo inquiriu de maneira firme, o controle e irritação misturadas no timbre de uma forma tão profunda que era impossível distinguir o senso que se destacava — Eu poderia estar fazendo qualquer outra merda agora. Hibernando num colchão que é uma dúzia de vezes mais confortável do que esta poltrona, lotando o sangue de cafeína ou tendo uma boa foda. No entanto, estou suportando você olhando para a minha cara feito uma mula, quando nem sequer escuta a consulta que exigiu ter. Além disso, eu poderia denunciá-lo por invasão e suborno. — pontuou, ignorando a expressão pasma do paciente — Portanto, demonstre que você é tão interessante quanto eu achei que seria, e faça outra coisa, qualquer coisa, que não seja me responder de forma monossilábica ou encarar minha cara, porque garanto, não há nada de cativante nela.

Cativante? Não.

Naruto suspirou.

Excitante.

Houve o instante de choque, no qual rendeu uma avalanche de ódio que pensou que expulsaria pela boca quando escutou a advertência. Aquela não era a atitude que um especialista em psicanálise deveria ter. Ele expunha-se à chance de ser não somente despedido, mas arcaria com um processo salgado nas costas! Contudo, Naruto viu-se diante da virtude de Sasuke e o óbvio motivo de sua bem colocada escalação na seleção de melhores profissionais em suas respectivas áreas.

Sasuke agia assim com todos. Era o seu mérito.

O renomado, prodígio, psicólogo arrogante, que põe sua cabeça no lugar com a intervenção da língua afiada e cinismo.

— Me achou interessante? — após uma longa pausa, foi a única coisa que achou melhor rebater. Com a face incrédula de Sasuke, quase riu.

— Não tanto quanto antes, principalmente agora. — retorquiu, levando o copo de café aos lábios. Estava gelado, tanto quanto sua pele nevada, mas infinitamente distinto de seus sentidos. Ao contrário do café, eles entravam em combustão.

Encostou-se na poltrona de modo desleixado, o cotovelo pousando-se no apoio e o dorso da mão tomando a função de apoiar-lhe o rosto. Jamais quebrando o contato de olhares, na tentativa vã de conciliar nos olhos azuis a alma de Naruto, procurando algo na mentalidade pequena dele algo que explicasse o sorriso sacana que recebia, este alheio ao sermão insolente que havia acabado de ganhar e aderir. O cara era... masoquista?

— Me diga, Naruto. O que você quer?

O questionamento foi certeiro. Uma demanda clara para que Naruto respondesse. Não era uma sugestão, um questionário contraditório e positivo, mas sim uma ordem fundamentada.

— O que mais eu poderia querer num consultório? — Naruto contradisse, simplório. A sobrancelha erguida num falso e descarado semblante casto, fazendo com que parecesse ainda mais sugestivo. Uma antítese.

— Eu que lhe pergunto.

A ficha de Naruto havia caído no momento em que plantou os pés naquela saleta, sob o tênue e baixíssimo som de blues, que o que queria anteriormente estava totalmente fora de cogitação. Sob o olhar em brasa de seu psicólogo, seria uma transgressão se quisesse algo menos do que somente um atendimento médico. Queria mais. Queria-o.

— Seria inapropriado se eu dissesse. — replicou, tendo a devota atenção dos estreitados olhos negros.

— Mais inapropriado do que a sua violação à minha área de trabalho?

— Sem dúvidas.

Não esperava a resposta que recebeu, e ficou inegavelmente desapontado com ela. Sasuke exibiu o mais discreto dos sorrisos e esticou os dedos, pela superfície da mesa, até o seu paciente, antes de simplesmente resgatar a caneta que havia rolado para longe. Em vista disso, negligenciou totalmente o outro homem em sua sala e desatou em mais uma sessão de rabiscos na face da folha.

Ele está de brincadeira... Será que gosta de mulheres?

— O que tanto escreve? — Naruto soltou, indignado. O pescoço esticava-se em direção ao papel, e, em vista disso, sucedeu o corpo inteiro a debruçar-se na dimensão da mesa.

Estava bem próximo do psicólogo agora. Sentia o perfume dele, misturado ao cheiro leve de xampu nos cabelos, estes que, tão negros quanto os olhos, distribuíam-se de forma desigual e revolta. A pele de incrível brancura era perigosamente convidativa ao seu olhar — e paladar —, e soube que encarava mais que o necessário quando Sasuke ergueu a face para si.

— Estou escrevendo um relatório que comenta o quão pervertido um paciente com distúrbios sonoros pode chegar a ser.

Sasuke não afastou-se. De modo com que, naquela proximidade, pudesse ver os sutis traços de Naruto. Ele possuía leves marcas de nascença, semelhantes à bigodes de um felino, marcada na tez de bronze. Concluiu como a constatação pareceria desnecessária naquele instante, e lambeu o lábio superior quando viu o seu paciente tombar a cabeça e chegar mais perto.

Naruto havia fechado os olhos e determinado que finalmente roubaria um selo do outro, no entanto, não esperava a palma fria indo de encontro aos cabelos de sua nuca. Os dedos fecharam-se ali, com força o suficiente para que gemesse, enroscando-se nos fios antes de puxá-los para trás. Resmungou em protesto, e quando viu, era ajeitado na superfície de vidro da mesa, porém sem ter a pegada em seus cabelos desfeita.

Abriu os olhos de leve, encontrando em seu campo de visão a cobiça, desejo carnal movido unicamente ao olhar do Uchiha. Quando percebeu, pegou-se suspirando e tendo uma ereção que, vergonhosamente, crescia mais rápido do que o previsto. Sasuke havia colocado-se entre suas pernas e sabia que ele sentia seu sexo dilatar, à vista disso, ruborizou-se.

— Você não me respondeu, Naruto. — ditou, sorrindo arrogante e forçando a coxa contra o membro que sentia ficar teso — O que você quer?

Ah, tenha dó! Naruto remexeu-se desconfortável, esticando-se o máximo que podia, expondo a língua para Sasuke e lambendo-lhe, vagarosamente, os lábios. A abertura que pensou ter recebido fechou-se quando os seus cabelos foram bruscamente puxados. Mais uma vez. Rosnou contrariado e fechou os olhos quando a mão livre do psicólogo pousou-se em sua coxa, pressionando com força.

— Naruto...

— Você sabe o que eu quero. — cuspiu, com pressa. Teria inclinado-se e mordido, por maldade, os lábios de Sasuke se ele não desviasse a atenção à sua clavícula. A língua quente lambeu-lhe a pele, subindo de forma vagarosa até ganhar-lhe a tez exposta do pescoço, sendo substituída por lábios e dentes quando ali foi depositada uma mordida com gula. O lóbulo da orelha foi o próximo alvo e deixou-se amolecer e gemer em ansiedade. Aquilo era crueldade!

— Então me diga.

Portanto, quando a mão em sua coxa sumiu e tomou-lhe o cós da calça, para então espalmar-lhe a masculinidade com inegável habilidade, a resposta enfim veio:

— A-Ah... Eu quero que voce me foda... — grunhiu, uma perna enroscando-se ao quadril diante de si — Doutor. Com força.

Sasuke sentia o ego inflando-se, além de outra coisa que fazia questão de se expandir consideravelmente. A solicitação que recebeu... Não, a súplica que escutou alargou sua presunção. A ereção reclusa na calça pulsava e arremessava golfadas de necessidade sexual até todas as extremidades imagináveis de seus membros e a têmpora latejava de forma enlouquecida. Sorriu minimalista. Não era toda vez que a proposta de transar com um completo desconhecido o excitava tanto.

Sentiu na palma a textura do cabelo loiro alheio. Desta forma, fitou e venerou a submissão que lhe era oferecida e torceu alguns fios nos dedos, enroscando e puxando, ajeitando Naruto da forma que queria. Logo, excitado e arfando em urgência, contemplou os lábios entreabertos à sua mercê. Puta merda...

Visto que Naruto parecia suplicar de forma irrecusavelmente desesperada por um beijo, ou qualquer outra ação sexualmente insinuante, Sasuke pôde sentir seu apetite por imposição de domínio gritar para ser exposto. Tomou as mãos de seu paciente e dirigiu-as até sua própria intimidade, forçando sua ereção e grunhindo baixo em resposta quando Naruto pressionou a palma num aperto gostoso sem que fosse mandado.

O sorriso torto que Sasuke exibiu obrigou Naruto a morder as bochechas por dentro, contendo sua vergonhosa sensibilidade à referências mínimas, excitantes, mas absurdamente prazerosas para si. Desse modo, quando separou os lábios para receber os dedos erguidos de Sasuke, surpreendeu-se quando o polegar em sua boca fora retirado tão mais rápido quanto quando fora introduzido, e, ocupando o local deixado pelos dígitos de seu psicólogo, a língua deste penetrou com autoridade sua boca.

A palma que antes ocupava-se de espalmar a excitação de Sasuke, ganhou um novo rumo, que eram seus cabelos em desalinho. Gemeu atônito. Poderia facilmente gozar com aquela pegada inegavelmente pecaminosa, que fazia sua virilidade formigar e doer, negligenciada, dentro das calças. Sasuke apertava-lhe as coxas com uma pressão deliciosa, arranhando ao ganhar seu quadril, trazendo Naruto tão mais perto quanto podia quando alisava-lhe as costas e puxava-o pela nuca, acomodando-o da forma que queria. Um beijo que poderia fazer Naruto ter o mais fervoroso dos orgasmos.

Desfez-se num sonoro suspiro de satisfação e sentiu Sasuke sorrir de canto da boca, num segundo tão rápido que poderia naturalmente não existir. Ele fazia com que se sentisse copiosamente entregue, queimando em brasas e apreciando as chamas que queimavam-lhe a pele. Chamas estas que, lentamente e com controle absoluto, faziam maravilhas em sua boca.

Poderia passar horas somente naquilo, e seu desejo foi leviamente pisoteado quando o Uchiha afastou-se de súbito. Grunhiu contrariado e seu baixo-ventre ferveu de um modo incrível quando Sasuke, sustentando seu olhar de forma demoníaca, levou as mãos ao próprio cinto. Passou a lingueta de couro pela fivela e torceu o objeto na mão quando conseguiu tirá-lo dos passadores. Naruto assistiu-o abrir o fecho da calça antes de, não mais do que de repente, destilar um golpe com a cinta em sua coxa e retorquir:

— Me chupa.

Naruto estremeceu num protesto mudo de sua precipitação, ansiosa, que havia alcançado o próprio auge. Os olhos azuis resvalaram ao projeto de pecado encarnado diante de si e excitou-se sob atenção com que era observado, o olhar despejado em seu corpo vazando vulgaridade e desejos imorais que certamente eram marcados em seu livro de transgressões no inferno.

Riu discreto, caindo de joelhos e encarando Sasuke de modo impuro enquanto levava as mãos à excitação que aguardava-o. Terminou de desnudar-lhe a masculinidade e petrificou num momento ao sentir a rigidez do volume em sua palma quando segurou-o pela base. Tão excitado, tão... convidativo.

Revelou a língua ao psicólogo, limitando um sorriso ladino quando escorregou-a no comprimento extenso do membro diante de si. Sasuke prendeu a respiração e pôde sentir sua glande invadir a boca de Naruto, sendo comprimida quando ele fechou-a nos lábios e chupou antes de lamber-lhe a fenda na ponta. Permitiu que um gemido contido lhe deslizasse os lábios e fechou os olhos.

Era algo lascivo. A sensação, quente e formigante abaixo do baixo-ventre de Naruto, queimava por cada pedaço imaginável — ou inimaginável — do corpo, escorrendo de modo extraordinário por todos os seus sentidos. O som estalado que sua boca fazia ao abocar a ereção tampouco incomodava-lhe a audição sensível, motivo de sua vinda àquela consulta cognitiva banhada em princípios agora muito menos profissionais quanto antes.

Naruto soltou brevemente o falo grosso para relaxar a boca e masturbou-o sem brusquidão enquanto deslizava a língua úmida em sua extremidade, ao passo que , simultaneamente, conectava o olhar ao do Uchiha. Este que, expondo os lábios entreabertos a expelir o ar de forma mais desequilibrada, concentrava-se em não gozar antes de experimentar a densidade que seria o real interior de Naruto. A tarefa mais árdua que já tivera provado.

Suspirou pelo nariz numa sonora auto expressão de falta de controle e preencheu o espaço da palma da mão, mais uma vez, com o suave cabelo alheio. Desse modo, empurrou Naruto de volta à sua masculinidade e permitiu-se gemer baixo e longamente quando foi capaz de sentir o aperto adequado a circundar-lhe. Naruto realmente era muito bom no que fazia.

— Ah, porra... — retorquiu, um espasmo trepidando sua musculatura — Pare.

A demanda incontestável fora arremessada num vaso sanitário e jogada descarga abaixo quando os olhos azuis sorriram para si. Naruto apoiou o membro na língua exposta, empurrando-o para o interior de sua boca enquanto fechava os lábios ao seu redor. Ignorou não somente o olhar de repreensão de Sasuke, como também a vontade de vomitar quando a glande finalmente tocou-lhe seu limite. Percebera que o psicólogo faltava com equilíbrio quando ia mais fundo — Desse modo, enrubescendo as faces ao aprofundar-se em seu extremo, comprimiu as bochechas e engoliu o máximo que podia antes de voltar para fora com força e repetir o gesto, segurando o engasgo.

Frenesi.

Quanto o ser humano pode suportar antes de sucumbir ao delírio do afrodisíaco?

Sasuke não foi apto a enjaular o som com rouquidão em seu timbre que há muito estava entalado na garganta. Gemeu profundamente, o corpo estremecendo, imerso numa contração e o ventre fervendo. O palavrão que deixou escapar fora o primeiro dentre incontáveis outros que proferiu enquanto reclinava-se e apoiava a palma no espaço plano da mesa, enquanto, nadando em êxtase e plenitude, fitou quem lhe dera uma amostra do prazer genuíno.

Sorriu perversamente, estremecendo e respirando fundo. Ao passo que replicava as tentativas de respirar como uma pessoa sã e afastar o ápice que repousava, sugestivo, mais próximo do que nunca.

— Você não gozou... — Naruto retorquiu, as lágrimas da recente ânsia que tivera ainda pintando-lhe as bochechas.

— Parece desapontado. — lambeu os lábios, os dedos resvalando a tez do sujeito ajoelhado diante de sua presença — Não tenho um orgasmo tão fácil como você, Naruto.

— Mas eu não...

— Eu disse que você podia molhar?

Naruto franziu o cenho e só compreendeu quando a ponta de um dos sapatos de Sasuke pressionou sua excitação. Gemeu acidentalmente e observou a superfície úmida do tecido que mantinha-lhe o membro duro recluso. A sensação de que estava tão facilmente à mercê, na palma da mão de quem menos poderia chamar de psicólogo — não numa situação como aquela —, somente se concretizou quando tocou com a ponta dos dedos, prendendo a respiração, o pré-gozo.

— Fique em pé.

Escutou a ordem e levantou o olhar, fitando o remetente. Pegou-se definhando num suspiro, o deslumbramento aflorando de forma profunda enquanto mirava os olhos negros que encaravam-no de volta, talvez desejando-o à altura, ou ultrapassando os limites da cobiça saudável, permitida pela sanidade. Que ironia... Não estavam num consultório de psicanálise?

Ergueu-se tão logo quando notou que encarava-o demais e poderia começar a parecer esquisito, ou que estava desistindo. Naquele instante, dar o braço a torcer não parecia relevante nem ao seu orgulho, e muito menos à ereção dolorosamente negligenciada em suas roupas íntimas. Ainda existia espaços demais em Sasuke que não havia tido a chance de provar, e assentiu a si mesmo que agendaria outra consulta naquele inferno de cronograma lotado se não conseguisse dar conta de desfrutar todas as partes daquele pecaminoso pedaço de mal caminho Uchiha.

Aderindo seus propósitos de saborear tudo que tinha direito, Naruto prendeu firme os dedos no colarinho alheio e puxou-o para si antes que Sasuke fosse capaz de ditar outra ordem, e certamente ficar enfezado e frenético caso não fosse obedecido. O beijo que tanto desejou fazendo-se presente com o roçar provocativo de lábios e, posteriormente, um delicioso enroscar de línguas que fez com que Naruto gemesse tanto para a pegada a qual era submetido, quanto para como a boca de Sasuke encaixava-se de modo incrivelmente simétrico à sua.

Não tardou a decisão automática de livrar-se das roupas que, naquele instante, aparentavam ser tão incomodas quanto o fato de Sasuke também estar vestido. Puxou-lhe a gravata de forma bruta, rumando os dígitos aos botões infelizes da camisa de algodão e sentindo cada centímetro de pele que pôde no tempo em que deslizava a peça de roupa pelos ombros do Uchiha. Sasuke, por sua vez, trabalhou em inserir as palmas na parte de trás das calças de Naruto, sentindo a textura macia na pele enquanto escutava a lamúria manhosa resmungada quando tornava o toque mais árduo, apertando as nádegas nas mãos para marcá-las de fato.

— Antes de qualquer coisa... — Sasuke inquiriu, os olhos negros fechando-se quando um chupão estalado fora destilado na pele pálida de seu pescoço — Não quero que você se toque.

— Isso seria crueldade. — Naruto disse somente, a indignação e excitação entranhados em expectativa — Sadismo.

Sasuke não aguardou protesto algum a contradizer sua prescrição. Afastou Naruto de si o suficiente para virá-lo com agilidade, segurando-o pela nuca quando o empurrou contra a mesa e forçou para que o rosto dele tocasse a superfície translúcida do vidro. Aquela visão ilícita não fazia bem algum à sua estabilidade emocional frágil, e rosnou excitado ao apertar o quadril de encontro às nádegas ao seu dispor.

— Sasuke...

Naruto sentia-se vergonhosamente duro diante daquela falta de controle, e ainda — no entanto, não menos importante — o fato de ser ele o responsável por tamanho desejo voraz contribuía para que o fluxo de sangue ao seu pênis fosse irremediavelmente abundante, deixando-o quente, latejante e teso. Sem que fosse tocado. Exatamente como Sasuke desejava.

A pressão dolorosa em seu membro arriou quando fora desvestido das calças, igualmente feito à boxer que trajava, de forma impaciente e veloz. Gemeu necessitado e beirou a inclinação constrangedora de berrar em deleite quando, finalmente, tivera a ereção segurada de forma inebriante e gostosa. Desse modo, sentiu os dígitos da mão livre de Sasuke pressionarem sua entrada, sem penetrar, e fez um esforço digno de admiração para não simplesmente desmanchar.

— Entendeu? Quero te ver gozando a respeito disso. — E para aplicar ênfase à demanda, Sasuke levou três dedos aos próprios lábios, umedeceu-os com saliva quente e inseriu um, tortuosamente lento, na cavidade à sua disposição. — Você pode fazê-lo, Naruto?

Naruto era espalhafatoso, embora fizesse de tudo para não ser. A intrusão repentina em si desatou as pregas que, até então, manteve para não exibir sua constrangedora falta de domínio nas próprias sensações. Desfez-se num escandaloso e arrastado grito de satisfação, que só expandiu sua entonação quando mais um dedo lhe invadiu.

— A-Ah, Sas... Sasuke! Porra! — estremeceu, seu movimento fazendo com que Sasuke retirasse os dedos de sua entrada e os penetrasse novamente, dessa vez com brusquidão, fazendo seu corpo dar um generoso tranco para frente.

— Vou perguntar de novo. Você pode?

Aquilo beirava a perdição, francamente! Naruto sentiu-se contrair ao redor dos dígitos do psicólogo, involuntariamente a fim de expeli-los. Estava cedendo, sob o controle absoluto de alguém que nem ao menos conhecia, mas que fazia seu corpo responder com hormônios remanescentes à flor da pele. Com mais uma estocada contra seu corpo, a resposta escalou sua garganta e finalmente veio:

— Eu posso! Ah...! — sentiu Sasuke torcer os dedos em seu interior, e somente entendeu o que ele fazia quando seu ponto sensível fora tocado tão diretamente. Os olhos azuis, antes marejados e estreitos na face, reviraram-se deliberadamente nas órbitas, na companhia dos lábios separados somente para expelir um grunhido alto e sem moderação. A sensação era... Deliciosa. Magnífica.

Irreal.

— Eu quero você. — deixou escapar, a respiração difícil em contraste às palavras cuspidas rapidamente acima do orgulho — Por favor. Puta merda, por favor.

Você, sob tamanho pedido; não... súplica, cederia? Sasuke, por sua vez, assistiu todos os seus pilares ruindo, um após o outro, desabando freneticamente como um castelo de cartas. Seu autocontrole, posto em um campo minado, detonou, explodindo consigo todo resquício que outrora fora algum pensamento coerente e, em retorno ao corpo de Naruto que clamava pelo seu, expôs a ereção e arremeteu-se, sem hesitação, sanidade ou prudência, contra o calor do afrodisíaco corpo alheio.

O aperto entorno de seu pênis era grandioso, comprimindo cada canto, quase o expulsando. O canal molhado pela saliva converteu a amplitude do prazer a alargar-se no instante que Sasuke enterrou-se mais fundo, deslizando com facilidade e apertando os olhos com força a cada centímetro conquistado naquele interior de densidade tão pecaminosa. Pensou que cederia. Pensou que fosse dissolver na maré de sentimentos embaralhados, no dilúvio de sensações e líbido, até que não sobrasse um único pedaço seu para contar história.

— Naruto... — suspirou, retirando a ereção de dentro de Naruto, para, então, mergulhar novamente.

Naruto desejou internamente — ainda que não fosse habilitado a proceder quase nenhum raciocínio lógico sequer — que Sasuke não notasse o momento em que abandonou o poderio pleno de si mesmo e deixou pelos ares sua capacidade de manter-se são e devidamente erguido. À vista disso, sua lista de opções reduzia-se somente a gemer, gritar sob o ápice da energia selvagem do instante, e estremecer em deleite quando Sasuke penetrava-o com força, apertando suas coxas e reclinando-se sobre si a fim de morder-lhe a pele exposta de seu pescoço.

Não havia escolhas.

Não havia controle.

Havia sexo, seu cheiro, sua maravilhosidade e plenitude.

Naruto sentiu Sasuke findar a união por um instante, agarrando-o pelo quadril e girando. A pele se suas costas atritou-se contra o vidro frio da mesa — este que Naruto teve a certeza que condensou-se, tamanha a calidez de sua carne — e pôde sentir o falo grosso enterrando-se em si novamente, dessa vez atingindo-lhe a próstata de modo maravilhosamente certeiro. Gritou em resposta, puxando Sasuke para si tanto quanto pôde, com a finalidade de senti-lo plenamente, beijando-o a boca e percebendo estar unido à ele em cima, em baixo, no âmago e em cada pedacinho remanescente do corpo. Estava completo. Extasiado, à beira de desmaiar em deleite, mas completo.

Sasuke retesou o tronco ao reconhecer as unhas de Naruto arranhando-lhe desde a base da coluna até a nuca, numa carícia possessiva e territorial que pintou-lhe a pele pálida de vermelho. Sentia-se quente. Absurdamente ardente. Quase pegando fogo. Sua pélvis estava sensível, fervendo e formigando, respondendo com um estremecer intenso ao arremeter-se, sem cuidado, na cavidade tão apertada e receptiva. Suas células clamavam — clamavam assim como Naruto fizera — pelo ápice, e todo seu corpo pareceu implorar quando atingiu a próstata de seu paciente e seu membro fora prensado com força.

— Goza pra mim, Naruto...

O timbre arrastado, no limite, a escorregar na base de seu ouvido enlouqueceu-o. Naruto ergueu as pernas e tornou-as sob os limites dos quadris do Uchiha, cruzando os calcanhares e impulsionando Sasuke mais para fundo em si, tendo a convicção que não havia mais nada externo para ser mergulhado em seu corpo. O ponto sensível, socado com tamanha frequência, despertou a quentura em seu pênis intocado, pulsante e dolorido. Não havia como segurar-se. Mesmo que quisesse. À vista disso, cobiçando o ápice e sentindo Sasuke penetrando-o mais fundo, gemendo em seu ouvido e apertando-o contra a sua estrutura, ele veio.

As costas arquearam-se sobre a mesa, seus olhos revirando-se e nublando quando todo o seu prazer convergiu num extremo e libertou-se num nirvana contínuo e intenso, profundo. Gritou insano, tendo consciência que suas paredes comprimiam Sasuke ao máximo na medida em que a sensação do orgasmo parecia tomar-lhe por completo, assim como o psicólogo o tomara, e escapar sucessivamente por seus dedos. Seu interior não tardou em molhar-se e ouviu um gemido, encantador, prazeroso de se escutar e consideravelmente sonoro, escapulir nos lábios do Uchiha.

Não permitiu que Sasuke se afastasse. Não conseguiria. Não agora. Escutou-o murmurar as últimas obscenidades em seu ouvido enquanto era pisoteado pela exaustão, e juntou os pulsos atrás da nuca suada do psicólogo, este que infiltrou o rosto na curvatura de seu pescoço e cheirou-lhe a pele de bronze. O aroma de Naruto não fazia jus ao cheiro característico com que viera. A tez exalava o odor excêntrico de sexo, adrenalina e, por fim, todavia, o mais contrastante em meio aos outros, ele cheirava à Sasuke.

Naruto sentiu-se vazio quando o outro desfez a conexão. Tinha a convicção, a certeza, de que se antes tocasse o próprio ventre, sentiria Sasuke ali, e em vista disso, a estranheza ao não ser mais preenchido o assolou. Assolou da mesma maneira com que o frio lhe flagelara quando o corpo acima do seu se retirou. Desejava com todas as forças, dos pés à cabeça, acolher-se na fervura do corpo alheio, mergulhar na êxtase por mais incontáveis vezes e sentir a completude costurada ao melhor sexo que uma vez tivera.

Entretanto, não é aí que uma foda sem compromissos joga.

Assistiu, encantado e exausto, Sasuke trajar, infelizmente, as calças. O ar parecia estar fervendo. Abafado. Ou era somente o suor a deslizar no vale de suas costas que fazia com que se sentisse sob a brasa de uma lareira? Riu aleatoriamente ao levantar-se da mesa — cuja superfície repousava copiosamente semelhante à um chiqueiro — e gemeu baixo ao sentir o sêmen lhe escorrer na pele eriçada das coxas.

— Você tem um jeito rústico de exercer a terapia em seus pacientes, doutor.

— Não é como se o meu método não tivesse surtido efeito.

Naruto parou ao terminar de recolocar a cueca, a audácia lhe piscando na cabeça como um outdoor, fazendo-o duvidar se Sasuke não a estivesse vendo. Ignorou a pontada na região próxima ao ânus e entrajou as calças, vendo Sasuke caçar pelo seu maço e selecionar um cigarro e voltar-se, novamente, à negligenciada escrivaninha com a máquina de café. Ele possuía uma caneta em punho, fato que Naruto deixou de lado ao provocar:

— Não. Meu problema está tão intacto quanto quando eu coloquei os pés aqui.

Aguardou qualquer evidência que pudesse vir a ser divulgada no rosto do outro, novamente capturado pela imobilidade. O cabelo negro estava caótico, coroando a face pálida com o vislumbre do ardor com que possuíra seu paciente, deixando Naruto, talvez, satisfeito com o fato de ter marcado Sasuke da cabeça aos pés, do pensamento ao âmago, e não refreou o sorriso discreto ao estudar os hematomas gritantes na pele alva do pescoço ainda úmido de suor.

Desse modo, a sua expectativa exasperou-se quando, com um sorriso de canto do Uchiha, a sua resposta veio:

— Lamento, mas o cronograma permanece cheio. Está fora de cogitação o agendamento de outra consulta.

E assim, como todo o seu sustento, a fantasia de Naruto ruiu. O que esperava, afinal? Droga, ele era a porra do seu psicólogo! Ao contrário de um caso com interesses sexuais que poderia construir num boteco, Sasuke poderia muito bem tê-lo fodido por tédio! Talvez curiosidade, a fim de matar o tempo, encher linguiça. Ele poderia muito bem não ter gostado do sexo. Poderia muito bem não ter sentido a êxtase que sua face demonstrara quando atingira o orgasmo, tendo o feito dentro de Naruto. Era uma lista quilométrica de possibilidades, sendo todas passando longe de ser motivo de comemoração.

Naruto exibiu o sorriso mais amarelo de sua coleção, terminando de — inutilmente — tentar disfarçar o amarrotado da camisa. Não deveria se sentir desapontado daquela forma. Havia sido apenas... sexo. Apenas tesão. Apenas desejo. Isso era relevante?

— Eu já estou indo. — concluiu, não sabendo ao certo o que fazer. Deveria beijá-lo? Apertar-lhe a mão? — Espero que tenha sido bom para você.

— Espera.

Petrificou no lugar, jurando de pés juntos que o calafrio ao ser novamente comandado pelo psicólogo não eram borboletas no estômago. E simplesmente desejou matá-las com pesticida quando Sasuke recolheu o dinheiro da mesa, juntando um cigarro ao molho de notas e estendendo a mão, a fim de entregá-las a Naruto.

— Pode ficar com a grana. — riu de leve, balançando a mão em descaso — E eu não fumo.

— Pegue.

A timbre encharcado com o domínio que Sasuke fez questão de salientar preencheu o consultório. Permaneceu fitando, indiferente, a face estável de Naruto, e quando sentiu evaporar-lhe a paciência, puxou-o pelos passadores da jeans e tascou-lhe um beijo, inserindo a língua tão imediatamente que o outro quase tardou em correspondê-lo. Usufruiu da inércia de Naruto e enfiou o dinheiro e o cigarro em seu bolso da camisa, separando-se abruptamente quando terminou.

No momento em que abandonou a sala, Naruto sentiu como a mudança de clima — de sensações — alterava-se quando longe do consultório feito de receptáculo para todo aquele erotismo. E as sensações foram de mal a pior quando viu, corada como um pimentão, a secretária em seu balcão. A secretária!

Ela havia escutado tudo, droga! Por que diabos ela não havia saído para o horário de almoço? Passou rápido por ela, alargando os passos e dispensando dar satisfações de sua consulta. Sentia-se agora envergonhado, ainda ridiculamente excitado e rejeitado!

Ainda conseguia saborear o gosto dele. Nos lábios, na língua, na pele Sentia-se ainda formigando, inconvenientemente quente nas áreas que ele havia tocado. Tocado, apertado, lambido. Sentido. Assim sendo, quando entrou no trem e ignorou totalmente outro protótipo malsucedido de bela adormecida repousando à sua dianteira, notou o peso em seu peito. Não, não era o coração. Seu bolso, mais especificamente.

Xingou assim que percebeu.

Seu dinheiro estava todo ali! Estava a ponto de abarrotar tudo, indignado, na carteira, quando o cigarro rolou para o seu colo. Branco, viciante e nocivo. Seu psicólogo era a metáfora de um cigarro? Naruto, disposto a arremessar o fumo aos ares, finalmente viu.

Finalmente viu.

Rabiscado em escritas garrafais, desleixadas e típicas dos dedos de artista, Naruto pôde notar, displicentemente anotado no papel do cigarro, um número de telefone. E provocante, sugestivo e fatal — como o cigarro — descrito bem ali embaixo, fazendo-o sentir arrepios, o nome:

Sasuke Uchiha. 

27 февраля 2018 г. 0:04:58 3 Отчет Добавить 5
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Alice Alamo Alice Alamo
Olá! Notei que sua história é uma fanfic e, portanto, está na categoria errada do site. Fanfics devem ser postadas na categoria Fanfiction e os gêneros como romance, poesia, lgbt, etc, devem ser postados nas tags ;) Para alterar, basta ir em Editar configurações da história, ok?
1 марта 2018 г. 10:06:40

  • Glory Neko Glory Neko
    Obrigada pelo aviso! <3 3 марта 2018 г. 20:27:34
Luh Hander Luh Hander
MELDELS PENSA NUMA FIC BOA SOCORRO. QUASE QUE EU GRITEI AQUI
28 февраля 2018 г. 19:26:12
~