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emily-christine8811 Emily C Souza

[One Short] Para Sasuke, Naruto era algo incompreensível. Os cabelos dourados e olhos intensamente azuis sempre prenderam sua atenção. E nunca poderia sequer imaginar o quanto ele mexeria consigo. Ele era basicamente tudo o que o moreno sempre quis para si.


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#Fluflly #Colegial #Romance #LGBT #Yaoi #SasuNaruSasu #NaruSasu #SasuNaru #Naruto
Короткий рассказ
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Cabelos Dourados

Sasuke nunca se esqueceria da primeira vez que o viu.

Os cabelos dourados balançavam com a brisa gostosa do final da tarde, os olhos azuis estavam concentrados e os lábios formavam um pequeno bico. Ele murmurava coisas incompreensíveis e montava algo na areia do parquinho.

Se lembrava com perfeição do quanto ficou inquieto quando os olhos intensos fixaram em si. Nem tão pouco se esqueceria do frio na barriga que sentiu quando ele abriu um sorriso cheio de dentes. Com espanto e terror Sasuke o viu andando em sua direção. Suas mãos tremeram e, instantes depois dele parar em sua frente, Sasuke correu em direção a sua casa, que ficava na esquina do bairro Uchiha. Suas pernas não param nem quando seu irmão mais velho o chamou.

Não sabia o porque (naquela época) de ter se apavorado tanto quando o menino estranho chegou perto si.

Passou a noite em claro, pensando em uma forma de se aproximar do menino, que ele apelidou de Cabelos Dourados, e decidiu que iria dizer “oi”.

Mas o “oi” não aconteceu tão cedo. Depois que Sasuke correra pra casa, o garoto fez amizade com as outra crianças no parque. Quando o moreno chegou no parquinho, no dia seguinte, havia tantas crianças ao redor dele, que chegar perto era quase impossível.

Sasuke passou a observa-lo. De vez em quando, o garoto olhava para si, Sasuke, por sua vez, desviava o olhar e fitava os pés. Como uma criança tímida e arredia, o moreno tinha muita dificuldade em fazer amizade. Já estava no auge dos seus cinco anos e não tinha coleguinhas com quem brincar.

Com o passar dos dias, observar ele passou a ser natural e Sasuke não se importava de o fazer livremente. Ninguém reparava em si, sentado em um banco, longe das brincadeiras, olhando o novo garoto da vila.

Não realmente tentou conversar com ele, ou algo parecido. Sasuke sentia que sua chance havia passado, e que a perdeu ao correr para sua casa. Depois de um tempo, percebeu que uma amizade entres eles não daria certo, de qualquer forma. O garoto era radiante, o sorriso aberto e largo. Conversava com todas as crianças que Sasuke não suportava, e estava sempre agitado.

Para Sasuke, que prezava o silêncio e a calmaria, ele era o ser mais estranho (E fascinante) que já conheceu.

De repente, Sasuke já não era mais o mesmo. O tempo que passava no parquinho não era o suficiente, queria mais e mais decorar as expressões que ele conseguia fazer, queria ver mais sorrisos gigantes e gostava muito do quanto os olhos azuis poderiam brilhar. O tempo demorava a passar quando estava em casa esperando para ir ao parquinho com seu irmão mais velho, e ficava bastante estressado quando não podia sair.

Depois de um tempo, não conseguia pensar em nada que não fosse os cabelos bagunçados e o olhar brincalhão.

Sasuke se julgou incapaz de ser próximo de alguém como ele, não suportava bagunça ou agitação e detestava ficar perto de muitas pessoas. Mas Cabelos Dourados era uma grande exceção e Sasuke não fazia ideia do porque.

Era cada vez mais confuso quando, ao ver ele sorrindo de forma tão aberta a ponto dos olhos fecharem para qualquer outra pessoa, sentia seu peito queimar e seu estômago embrulhar. Buscou se distanciar mais, se sentia estranho e sua mente fervia porque não entendia nada além do fato de que não podia passar um dia sequer sem o ver.

Tentou passar alguns dias sem ir ao parquinho, entretanto, tudo o que conseguiu foi confirmar, para seu completo desespero, que o silêncio não era tão acolhedor quanto antes.

Tinha cinco anos e não entendia o que estava acontecendo consigo mesmo, pelo amor de deus!

Eventualmente suas aulas começaram, e não foi surpresa quando avistou os cabelos impressionantemente dourados adentrar a sala. Chegou a ficar sem fala quando o viu ali, em uma estrutura de quatro paredes.

Aquele não parecia lugar para alguém como ele, era muito apertado, muito pequeno. Ele era um espírito livre, pois lembrava o sol pelos seus cabelos, o céus pelos seus olhos. Ele transmitia calma, como o pôr do sol no fim da tarde, mesmo com aquela personalidade agitada.

Todos gostavam do menino de cabelos dourados. Naruto – Sasuke descobrira o nome dele quando todos se apresentaram –, era simpático e acolhedor. Não importa onde ia, sua presença era rapidamente notada e, em questão de minutos, fazia novas amizades.

Em menos de um mês de aula, Naruto já conhecia metade da escola.

Sasuke, por outro lado, era quieto e detestava quando alguém ficava perto de mais. Seus dias se resumiam em observar Naruto, e divagar sobre ele.

Sempre se sentia nervoso quando os olhos dele se demoravam pouco mais do que alguns segundos em si. E podia jurar que seu coração sairia pela boca quando ele sorria olhando em sua direção.

A escolinha era ridiculamente fácil. As aulas não eram nada complicadas e os trabalhos muito simples. Era um Uchiha, e ser inteligente estava em seu DNA.

Logo mais Sasuke passou a ser conhecido como o gênio da turma, seguido por Shikamaru, melhor amigo do Cabelos dourados.

Naruto não ficava muito pra trás, ficando em quinto lugar, depois de Sakura e Neji.

O título muito merecido era um incômodo ao moreno. Em pouco tempo, ficou surpreendentemente popular com as garotas, mesmo que não quisesse isso.

Naruto não gostou de dividir as atenções:

_ Não passa de um teme. _ ele disse certo dia, e todos ao redor dele deram uma risadinha debochada.

A cada dia que passava, Naruto o provocava mais. Sasuke limitava-se a ficar em silêncio, parte porque não sabia como devolver as provocações quando Naruto irradiava alegria, e também porque preferia olhar intensamente para ele do que qualquer outra coisa.

Não precisou mais do que alguns meses para que todos comentassem o quanto eles era inimigos, ou algo parecido. Sasuke não se importava, para ele, Naruto era uma pessoa inalcançável, diferente em todas as formas. Ter ele como seu colega era um misto de euforia e pavor, queria estar perto dele o tanto quanto pudesse, mas também tinha medo de se queimar com todo aquele calor que ele irradiava.

Mas as coisas não foram tão calmas quanto as provocações. Naruto passou a ser mais invasivo, chegando perto de si e, por muitas vezes, o encarava com centímetros de distância entre os rostos. Sasuke temeu o quanto seu rosto poderia entregar as chamas que corriam em sua veias no lugar do seu sangue.

Toda sala ficou em silêncio quando Naruto, em uma calorosa discussão, se debruçou na mesa do moreno.

Sasuke continuou inabalável, o rosto inexpressível. Aprendera cedo como se portar como um Uchiha, por isso não era difícil manter-se controlado. Mas Naruto não tinha esse talento. Ele era expressivo até de mais. Sempre que lhe provocava, Sasuke podia ver a diversão não disfarçada nos olhos azuis. E naquele momento, ele estava com raiva.

Sasuke não fazia ideia do porque.

_ Como você pôde fazer isso com a Sakura-chan, seu teme maldito?

Sasuke revirou os olhos. Eles mal tinham feito seis anos e Naruto já se declarava aos quatro ventos que amava Sakura.

Sasuke não poderia entender como alguém poderia amar alguém como a Sakura (ou que Naruto já soubesse o que era o amor com apenas seis anos).

Sakura era uma garotinha irritante e fútil. Vivia atrás de si, e não importava quantos “hn” fizesse, deixando claro sua falta de interesse, ela continuava lhe seguindo. Ela era realmente insuportável, e quando disse isso para ela, com todas as letras, ela saiu chorando.

Agora Naruto estava ali defendendo o amor de sua vida. Só de pensar nisso, o estômago de Sasuke revirava e a ânsia de vômito vinha com força. Não soube porque, mas o fato de Naruto dizer abertamente que a amava, fazia com que Sasuke a detestasse mais ainda.

_ Não tenho culpa que ela goste de mim. Ela não passa de uma menina mimada e irritante, não sou obrigada a gostar dela também.

Naruto fez uma careta, que Sasuke achou incrivelmente bonitinha, e saiu de perto dele.

O olhar que veio em seguida, fez com que o coração de Sasuke apertasse. Naruto nunca havia olhado para si com aquele olhar estranho.

As coisas não voltaram a ser como antes. Naruto não mais lhe provocava. Na verdade, ele passava o tempo todo o ignorando. Sasuke descobriu que seu coração poderia doer mais do que um joelho machucado.

Não demorou para que Sakura percebesse que ganhava mais ficando com Naruto, que se declarava pra ela todos os dias, do que correndo atrás de Sasuke, que nem olhava para ela.

Passaram a ser inseparáveis, onde estava Naruto estava Sakura. Ela era um grude e Naruto era só sorrisos. Sasuke nunca se sentira tão enjoado na vida. Não podia vê-la ao lado dele que seu peito queimava de forma incômoda.

O aniversário do Cabelos dourados (não gostava de pensar “Naruto” porque todos chamavam ele de “Naruto”) de sete anos fora comemorado em grande estilo. Foi em um enorme salão de festas e tinha brinquedos muito legais.

Sasuke foi convidado, provavelmente porque seus pais era bem próximos dos pais do Naruto, mas não fez questão de chegar perto de qualquer um que ali estivesse.

Naruto estava radiante. Os olhos não paravam de brilhar um segundo, o sorriso não abandonava a face. O valor subiu até suas bochechas ao se sentir feliz apenas por vê-lo feliz. Foi capaz de esquecer que Sakura estava ali, pendurada no braço direito do Cabelos dourados.

Curiosamente, os olhares intensos em sua direção voltou. Naruto ainda não falara consigo depois que disse pra irritante o quanto ela era irritante. E, mesmo assim, ele olhava para si com mais intensidade do que antes.

Sasuke não quis uma festa para seu aniversário de oito anos. Não gostava mesmo de multidões, e muito menos de ser o centro das atenções. Mal tinha paciência para suas “fãs”. Sua mãe, por outro lado, se recusava a deixar seu aniversário passar como um dia qualquer.

_ Você é meu bebê, e não vou deixar que o dia do seu nascimento passe como um dia qualquer. Os Uzumakis fizeram uma festa digna de respeito. Não podemos fazer menos que isso.

_ A diferença, mamãe, é que Naruto queria uma festa, e Sasuke não quer uma.

Sasuke sempre podia contar com Itachi, seu irmão mais velho, para o apoiar nas suas decisões.

_ Farei uma pequena recepção e não se fala mais nisso.

O problema foi que os Uzumakis, como sua mãe comumente chamava Naruto e seus pais, foram convidados (Não poderia ser diferente).

Poucos de sua escolinha foram chamados. Somente Neji, Hinata que viera por ser prima dele, Shikamaru, Seigetsu e Juugo. Uma garota ruiva chamada Karen também viera por ser prima do Cabelos dourados.

A recepção se resumia em uma festa na enorme piscina dos Uchihas. Foi bastante divertido e Sasuke teve o desprazer de conseguir dois “amigos”: Juugo e Seigetsu, e mais uma fã: Karen.

Como somente os dois eram da sua escolinha, Sasuke ainda teria um pouco de paz.

O que não era verdade, pois, no início das aulas Karen estava lá, matriculada em sua escola, uma colega de classe.

Sasuke não sentia muita diferença na sua idade, o maior significado estava no número: nove. Nove anos. Passou a ser perceptível que Sakura estava amando a atenção que recebia de Naruto, e de todos aqueles que rodeavam ele. Sasuke ainda detestava ela tanto quanto detestava a queimação na garganta que sentia quando ela estava perto dele.

Naruto continuava o mesmo, e Sasuke agradecia por isso. Gostava daquela criança agitada, carinhosa, gentil e bobona que ele era.

Chegou a hora de escolherem atividades para depois das aulas. Naruto logo se inscreveu no basquete e na natação. Sasuke não gostava de esportes, mas precisava participar de clubes extracurriculares. Escolheu Natação, porque era o único que não envolvia contato humano, e o coral.

Seu pai não ficou muito feliz.

_ Sasuke, somos homens. Homens fazem esportes, malham, desenvolvem o corpo. Homens namoram garotas bonitas e inteligentes. Homens tem amigos e são queridos por todos.

_ Não pai, Uchihas que fazem esportes, malham, namoram garotas superficiais e são populares.

Itachi sempre teve a língua afiada, e Sasuke sempre o admirou por aquilo. Nem se quisesse, teria coragem para dizer aquilo para o pai.

Fugaku lançou um olhar duro para seu primogênito e voltou-se para o caçula.

_ Não é aceitável você fazer música, Sasuke. Natação até vai, mas música não. Troque de grupo.

Com um suspiro profundo, Itachi se levantou e ficou entre seu pai e Sasuke.

_ Pai, deixe que Sasuke escolha o que fazer. Ele só tem nove anos, pelo amor de deus! Se ele quer fazer música, que seja. Ele não deixara de ser seu filho, ou de ser um Uchiha, por isso.

Sasuke sempre se impressionava o quão inteligente Itachi poderia ser. Ele não era muito mais velho, somente oito anos, mas para si, ele era um baita de um herói.

Fugaku ainda conversou consigo mais duas vezes, antes de se dar por vencido. Sua mãe nada disse, mas escutou ela ao telefone, dizendo que não entendia o porque de Naruto ser uma ótimo garoto, escolhendo esportes e coisas de garotos, e seu filho ser tão diferente, escolhendo Música.

Sasuke nunca se sentiu (ou se sentiria) tão traído.

Pensou em fazer as vontades dos pais, queria que eles ficassem orgulhosos, mas Itachi interveio, como sempre, conversando com ele como adultos.

Se Naruto já era popular, agora ele era uma estrela. Era capitão do time de basquete e o principal nadador da escola. As garotas iam a loucura, mas ele só tinha olhos para Sakura.

Sasuke não se importava. Ele tinha potencial para ultrapassar o Uzumaki, mas preferia observar ele do que vence-lo.

A vida era ótima enquanto estavam na piscina aquecida. Naruto era talentoso, no entanto, não era arrogante. Ele tinha uma humildade admirável, e Sasuke se pegava sorrindo muitas vezes quando ele sorria ao bater seu próprio tempo.

E tudo foi pro brejo quando Sakura passou a observar as aulas de natação.

O que antes parecia um momento só dele e de Naruto (ninguém mais da sua turma fazia natação) foi corrompido quando a rosada chegou.

Rosada. Sim, ela estava com os cabelos rosa. Quem em sã consciência deixava uma garota que acabará de fazer dez anos pintar o cabelo daquela cor? Bem, os pais da Sakura.

Naruto, que já era na dela, ficou quase impossível depois disso. Em um dia a chamava de lourinha, no outro a chamava de cerejinha.

Sasuke realmente vomitou naquele dia. A situação ficou quase insustentável quando eles chegaram de mãos dadas e anunciaram o namoro.

Sasuke ficou chocado. Dividido entre chorar e rir histericamente. Eles tinham só dez anos, pelo amor de deus!

A angústia de Sasuke não foi percebida, e mesmo que a idade fosse pouca, Naruto estava bastante certo que Sakura seria sua esposa.

A partir daí, a escola virou um pesadelo. Eles não desgrudavam e todos, absolutamente todos sabiam que Sakura era a namorada do capitão do time de basquete e estrela da natação.

Saber que a vaca rosa só estava com ele por conta daquilo acabava com Sasuke.

Ficou ainda mais próximo de Seigetsu, que percebeu em pouquíssimo tempo seu interesse no Cabelos dourados, a ponto de contar o quanto seu estômago doía, sua garganta queimava e sua mente borbulhava quando via os dois juntos.

Ele nunca disse nada, sempre lhe escutava, e depois fazia uma piadinha para descontrair o clima. Juugo era silencioso. Parecia um fantasma e só falava quando Sasuke perguntava algo diretamente para ele. Karin ainda dava ataques perto dele, mas costumava se comportar ao seu lado.

Sem perceber, seu grupinho de amigos de infância fora formado por eles. Sasuke se acostumou com a presença dos três, e podia dizer que suportava eles.

Eles frequentavam sua casa, junto a Naruto que nunca realmente falava consigo. Sasuke se sentia incomodado porque sabia que aquele comportamento era por causa do chiclete rosa.

O que poderia fazer? Só de lembrar da existência da criatura Sasuke sentia ânsia de vômito. Mas Cabelos dourados estava sempre ali, na sua casa, ou Sasuke na dele. Seus pais eram muito amigos.

O baque foi grande quando seus pais anunciaram a unificação das empresas. Teve certeza que Naruto viraria quase um “irmão” do tanto que se veriam. Não demorou para que os almoços de domingo virassem tradição. Cabelos dourados não olhava para si, os olhos azuis presos no celular. Sasuke se sentia estranhamente abandonado.

O mundo pareceu desabar quando, assim que Sasuke fez doze anos, Itachi saiu de casa. Não foi por briga, ou algo parecido. Itachi havia se formado e agora iria montar a própria casa e sua própria vida. Sasuke o odiou por alguns minutos, berrando de um jeito que nunca fez na vida.

Era seu irmãozão droga! Não queria ficar longe do seu irmão. Mas Itachi prometeu que viria por qualquer coisa, era só Sasuke ligar. E por um tempo, foi tudo que precisou.

O problema veio quando fez treze anos. Seigetsu comentava o tamanho dos seios da Hinata, e Juugo comparou com as pernas da Tenten.

Sasuke percebeu então, como um balde de água fria sendo jogado em sua cabeça, que nunca pensara em garota alguma.

Que diabos! Não pensava em ninguém além do Cabelos Dourados.

Ficou em silêncio, não falou absolutamente nada. Estava ferrado em níveis épicos. Precisava de alguém. Precisava da sua base. Precisava de Itachi.

Andou como um verdadeiro rato em sua própria casa. Não viu sua mãe, tão pouco o pai. Seguro dentro de seu quarto, Sasuke ligou para o irmão mais velho.

_ Otouto?

Sasuke fungou. Estava se segurando para não chorar.

_ Eu não sei o que fazer aniki.

Itachi ficou em silêncio por alguns segundos.

_ Do que exatamente você está falando?

Sasuke mordeu os lábios. Itachi não o julgaria, não é? Seu herói não o odiaria por ser diferente, odiaria?

Respirando fundo, Sasuke sussurrou: _ Eu não gosto de garotas como meus amigos gostam.

O silêncio do outro lado da linha o apavorou. Céus, perderia o irmão!

_ Eu vou passar aí e a gente vai dar uma volta, ok?

Sasuke respirou aliviado.

_ Tudo bem.

No final da tarde, ambos foram ao shopping, assistiram um filme e comeram besteiras. Sasuke estava impressionado com a vida agitada que Itachi levava por ser enfermeiro chefe do setor de Pronto Socorro. E, vendo os olhos da pessoa mais importante da sua vida brilhar, Sasuke decidiu que seguiria os passos do irmão (para o completo desespero do pai).

Foi no silêncio no quarto de Sasuke, no apartamento de Itachi, que Sasuke vomitou tudo o que sentia desde os cinco anos, quando viu Cabelos dourados pela primeira vez.

_ Como você se sente quando o ver com outras pessoas?

Não precisou pensar muito pra responder.

_ Eu odeio ver ele tão próximo de todos. Ele nem sequer me olha, mas Todos tem os seus sorrisos. Não é justo.

Itachi olhou para si intensamente e sorriu.

_ Qual a primeira coisa que vem em sua mente quando pensa nele?

Sasuke olhou para o irmão pensando. O que pensava quando o via?

_ O sol, _ respondeu. _ Ele me lembra o sol, radiante, caloroso, aquele quentura gostosa em um dia de clube, ou um dia de praia.

O olhar de Itachi amenizou.

_ Cabelos Dourados é muito grande, otouto. Se você quer chama-lo de uma forma única, pense em algo que resuma ele pra você.

Pensando bem, Sasuke pensara certa vez (quando o viu pela primeira vez, para ser mais exato), que Naruto era o próprio brilho do sol.

_ Sunshine.

Itachi assentiu, gostando do apelido. Descrevia bem Naruto.

_ Não se preocupe com o fato de não gostar de garotas, Sasuke. Não se preocupe se, um dia, vai olhar para alguém como olha para Naruto. Não se preocupe se as pessoas, ou até mesmo nossos pais, vai aceita-lo. Não se preocupe com nada. Porque não importa o que acontecer, eu sempre estarei aqui Otouto.

Aquele dia foi o mais importante de sua vida.

Decidiu que contaria para os pais quando quisesse assumir compromisso com alguém. Não pôs pressão em si mesmo. Sua vida seguiu naturalmente.

Mas as mudanças em seu corpo o incomodava. Porque Sasuke não podia mais pensar em Naruto. A imagem do corpo bronzeado nu, era quase como um papel de parede colado em seu cérebro.

Mas, de novo, por Deus, ele só tinha treze anos.

O que não mudava absolutamente nada para seu corpo leviano.

Como em um piscar de olhos, Sasuke percebeu que já era o último ano em sua escola e, logo mais, estaria no ensino médio.

Para Sasuke, o tempo passou rápido de mais. Mal piscara e já era um adolescente.

Seu corpo se desenvolveu de uma forma insana, ate mesmo para seus quinze anos. Estava alto e sua voz estava rouca. Seu cabelo cresceu um pouco, e músculos apareceram sem Sasuke sabe de onde.

Mas nada no mundo, se comparava a Naruto.

Ele estava tão lindo que não podia acreditar que alguém poderia ser tão malditamente perfeito.

O corpo estava proporcional e muito definido. Os cabelos revoltosos estavam mais curtos nas laterais. Ele pegou o costume de penteia-los para trás e Sasuke quase derreteu quando viu a orelha dele furada.

Sasuke aprendeu, com muito entusiasmo, que sua mão poderia ser muito prazerosa. E que queria Naruto como queria oxigênio para respirar.

E o tapa na cara de realidade vinha quando a coisa rosa se grudava nele. Ela achava que estava maravilhosa, mas os peitos eram inexistente, as pernas varapau. A única coisa que ela tinha de mais, era a testa.

Karin tinha superado a paixonite que nutria por si, e estava caidinha por Seigetsu. Juugo se assumiu um pouco depois de fazer quatorze anos, e já namorava um garoto mais velho, Kimimaru.

Sasuke sempre segurava vela. Mas pra ele tudo bem, ele não se importava. Quem ele queria, nunca olharia para ele.

Sasuke nunca estivera tão enganado.

Nas férias, Uzumakis e Uchihas viajaram para praia.

Sasuke não gostava de água salgada, de areia, ou do sol. E não teria ido, caso pudesse escolher não ir.

Mas não poderia, por isso estava emburrado dentro do avião.

Aquela viajem foi repleta de surpresas. A primeira delas, foi Naruto sentando na poltrona do seu lado. A segunda, foi ele olhando intensamente para si. A terceira foi ele sussurrar “precisamos conversar”.

Sasuke ficou extremamente nervoso e igualmente ansioso.

O que pareceu uma eternidade foi algumas horas. O hotel era maravilhoso e Sasuke teria comemorado o fato de ter ganhado uma quarto só para si. Mas na verdade, o quarto era dele e do Sunshine.

Ambos se fitaram por um tempo. Sasuke não poderia dizer nada nem se quisesse, e Naruto parecia desvendar sua alma com aquelas orbes intensamente azuis.

Com um suspiro, Naruto abaixou o olhar.

_ Vou terminar com a Sakura.

Sasuke piscou, sem realmente entender o que diabos ele tinha haver com aquilo.

_ E o que eu teria haver com isso?

Naruto riu anasalado.

_ Você já foi mais inteligente, Teme.

Sasuke rosnou incomodado. Não por ele estar zombando de si (quase poderia derreter com o som rouco da voz dele), e sim pelo apelido nada carinhoso.

Não que esperasse algo diferente.

_ Não vou gastar meu tempo tentando te entender, Dobe.

A troca de apelidos saiu sem querer. Sasuke não queria chamar ele de Dobe, ele queria chama-lo de Sunshine. De uma forma bem carinhosa. Em um momento bem íntimo.

Naruto deixou o risinho de lado, ficando repentinamente sério. Sasuke ficou três vezes mais nervoso. Não via aquele olhar estranho desde a briga, quando tinham sete anos.

_ Eu sempre achei que a Sakura fosse a mulher da minha vida. Ela é incrível, bonita, inteligente. O que mais eu poderia querer?

Sasuke quis vomitar, e se remexeu inquieto. Odiava quando citavam Sakura e Naruto juntos. E agora sabia o porque. Sabia que sentia ciúmes dele, e o queria para si.

No entanto, manteve-se calado.

_ Mas não estava certo, porque eu não sentia atração por ela. Quando eu vi, meu corpo estava pegando fogo por um cara.

Sasuke engoliu em seco. O que estava acontecendo ali?

_ Ainda não entendi o que eu tenho haver com isso, Naruto.

Os olhos azuis voltaram-se para o moreno rapidamente. Naruto mordeu o lábio, tentando não ficar excitado com a forma sensual que seu Nome saia da boca dele.

E que boca! Sonhava com ela quase todo dia. Sonha com o corpo pálido, com as costas largas, com os lábios finos e a língua felina. Sonhava com Sasuke de uma forma intensa e vergonhosa. E o maldito nem lembrava que o louro existia.

_ Meu Deus, você é muito lento. Você é o cara Sasuke, foi você que fez meu corpo pegar fogo.

Chocado. Não havia como descrever Sasuke de outra forma naquele momento. Estava genuinamente chocado.

_ O que... quando isso aconteceu?

Naruto deu de ombros.

_ Não faço ideia. Você sempre me fascinou. Tudo em você mexia comigo. Mas como você não me suportava, eu me mantive longe. Só que não da mais, Sas. Eu tô te querendo de um jeito que não posso mais segurar.

Sas...

Sas...

Sas!

Caramba, havia morrido e estava no paraíso? Quando sequer sonhou que algo assim poderia acontecer?

Disfarçadamente (Mas nem tanto) beliscou seu braço, constatando que não estava em um sonho.

Puta merda.

_ Eu não fazia ideia...

Naruto sorriu triste.

Quando viu o moreno pela primeira vez, ficou embasbacado. Ele parecia um anjinho, os grandes olhos redondos lhe olhando curiosos. Os cabelos pretos estavam bagunçados, a pele branca como leite. Queria estar sempre perto dele, mas ele fugiu, e Naruto nunca esqueceu o gosto amargo em sua boca.

Depois disso não pode mais se aproximar. Eram muitas crianças entre os dois, e Sasuke não parecia interessado em o conhecer.

Quando surgiu a oportunidade de falar com ele, mesmo que fosse através de provocações, Naruto agarrou com unhas e dentes. Mas ele não respondia, não ligava. E, depois de ser tratado como um nada, Naruto desistiu da amizade.

Mas ele ainda estava ali, cada vez mais próximo. E ignora-lo quando seu corpo implorava por ele foi impossível.

Agora estava ali, ansioso ao ponto de roer as unhas (se tivesse unhas pra roer).

E, ao contrário de todas as reações que imaginou que o moreno pudesse ter, Sasuke correu porta a fora e o deixou ali, sozinho.

Naruto se sentiu com cinco anos de novo. Totalmente desolado.

Sem perceber o quanto magoava o louro, Sasuke desceu as escadas do hotel com pressa. Quase caiu umas seis vezes, mas isso não importava. O que importava era o frio na barriga e a falta de ar que ele sentia.

Precisou de alguns minutos parado no hall de entrada do hotel para se acalmar. E precisou se controlar para não bater sua cabeça na parede mais próxima.

Nos últimos anos, tudo o que sempre quis foi a atenção dele. Tudo o que sempre desejou foi estar ao seu lado, conversar com ele. Amar ele abertamente. E ali estava, fugindo do seu maior sonho.

O que porra estava pensando?

Respirando fundo, Sasuke decidiu dizer aquele “oi” que não pode dizer dez anos atrás.

Orando para qualquer entidade divina, esperou com impaciência o elevador chegar em seu andar.

A porta ainda estava aberta. Naruto continuava parado no mesmo lugar, a mente longe. Temeroso, Sasuke pigarreou.

Naruto olhou para si, contudo, continuou em silêncio.

_ Oi... _ suas bochechas queimaram, estava morrendo de vergonha.

Naruto piscou três vezes, confuso. Sasuke estava ali depois de sair correndo. As bochechas coradas, o olhar tímido. O sorriso despontando.

Naruto sorriu exatamente da mesma forma que sorriu para ele na primeira vez que se viram.

_ Olá.

25 февраля 2018 г. 19:50:32 3 Отчет Добавить 16
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Об авторе

Emily C Souza Não posso dizer que sou tudo aquilo que escrevo, mas tudo aquilo que escrevo tem um pedacinho de mim

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KL Kitsune Lyra
Aaah que delicia de narrativa <3 fiquei com gostinho de quero mais haha
JA Jéssica Araújo
Eu adorei, você escreve muito bem. Parabéns
A3 Anne 30
Aahaaah eu amei muito! Vai ter um bônuszinho Não? Só para aplacar o coração das suas leitoras hahahahah amei!
9 марта 2018 г. 10:13:55
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