As nuances da vida Подписаться

vihcristina97 Vitória Cristina

Antes eu pintava com a alma, as batidas do meu coração eram ritmadas com os movimentos do pincel, cada sorriso era uma batida, cada elogio vindo dela eram novos quadros, mas agora eu pinto para me agarrar com força as lembranças, para que possa continuar sobrevivendo, pois vivendo eu já não estou.


Короткий рассказ Всех возростов.

#Crime #Conto #Família #Amizade #Perda
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Capítulo I

A vida é como uma paleta de cores. Pode ser colorida nos mais variados nuances, e, de repente, com o passar do tempo, tornar-se obscura, cinza, sem brilho.

No meu caso, minha paleta está presa na obscuridade e acho que nunca irá voltar a ser colorida, pois quem me trazia alegria, inspiração e cores se foi assim de repente, sem nenhuma explicação.

"Thomaz Bellucci, você será um artista renomado, seus quadros levarão alegria às pessoas."

Era o que Beatrice costumava me dizer para me animar depois das brigas costumeiras com meu pai - um advogado que subiu na vida defendendo criminosos e colocando inocentes, pais de família, atrás das grades. Não tenho orgulho do que ele faz, na mesma proporção que o mesmo me despreza por tentar ganhar a vida como pintor. Ela tinha a capacidade de me fazer ver a vida como algo importante através dos meus quadros, mas o que Beatrice não entendia era que o que fazia a vida luminosa e feliz era o seu sorriso. Era ela por completo, cada traço, cada ar que saía dos seus pulmões, era o meu motivo para viver.

Nós nos conhecemos alguns meses após a morte da minha mãe, quando eu tinha dez anos de idade. Nossos pais nos matricularam no mesmo colégio integral e eu era o excluído da turma, sempre sendo jogado no chão ou tendo a cabeça enfiada na lixeira. Até que Beatrice apareceu e defendeu-me daquele bando de garotos. Desde então nós nos tornamos inseparáveis... Até a sua morte.

A polícia concluiu que foi suicídio, mas eu não acredito nisso. Ela era perfeccionista, cuidadosa demais, amava sua vida e o maior motivo da minha desconfiança foi a mensagem de texto que ela me enviou poucas horas antes de a encontrarem em seu apartamento completamente sem vida.

"Hoje eu pego ele" e logo abaixo, a foto da câmera que dei a ela de aniversário, que numa mera coincidência está desaparecida.

Fiz questão de mostrar a mensagem para a polícia e apontar o ex namorado dela como culpado por sua morte, mas de nada adiantou. Guilherme tinha um ótimo álibi, afirmou em seu depoimento que havia passado à noite na casa do irmão mais velho e não teria como ter ido a casa de Beatrice, pois a distância era grande. Sei que é uma grande mentira, pois ela estava apreensiva de ficar frente a frente com ele desde o dia anterior.

- Moleque, saia já desse quarto e vai ao banco para mim! - meu pai grita. - Vá fazer algo que preste da vida, ao invés dessa merda que você chama de profissão.

Suspiro, ignorando seus comentários. Saio do quarto e desço as escadas já com os ouvidos preparados.

— Você não ouviu o que eu disse? — seu tom repreendedor não me amedronta mais como antigamente e isso parece deixá-lo indignado.

— Para quem sempre me ignora você está muito interessado em ouvir minha voz, não é mesmo? - viro-me, ficando de frente para ele. — E o moleque aqui não irá ao banco para você, pois estarei ocupado trabalhando na minha merda de profissão, que rende o único dinheiro limpo desta casa. - A veia em sua testa se sobressai por conta da raiva.

— Olha aqui, seu idiota...

— Tá, tá já sei o que vai dizer, mas estou com pressa! Pode me mandar um áudio no WhatsApp com tudo que iria falar. — Sorrio sem mostrar os dentes. — Até mais. — Abro a porta tranquilamente e saio deixando-o irritado e plantado na sala de estar.

Há alguns anos eu era totalmente diferente com ele, quero dizer no quesito de tratamento, sempre muito educado e receptivo, mas em um dado momento cansei de aguentar todos os maus tratos e palavras duras dele calado, então comecei a revidar as provocações sem nunca baixar o nível e sempre com educação. Isso foi algo que minha mãe ensinou. Ela dizia que mesmo se alguém me tratasse mal, eu deveria defender-me, é claro, mas com educação, pois isso é a melhor resposta para alguém que está com raiva ou procurando confusão.

Observo como está o dia em busca de inspiração e pode até funcionar, pois o céu está ensolarado e limpo, apenas com algumas nuvens. Uma bela paisagem! Aumento minhas passadas e chego rapidamente ao meu ponto no parque. Tenho um pequeno espaço para expor minhas obras, mas devo confessar que desde a morte de minha amada amiga, o movimento de pessoas e as vendas diminuíram consideravelmente. É bem provável que começaram a notar a diferença em minhas pinturas que antes eram cheias de vida e agora são totalmente sem graça.

Antes eu pintava com a alma, as batidas do meu coração eram ritmadas com os movimentos do pincel, cada sorriso era uma batida, cada elogio vindo dela eram novos quadros, mas agora eu pinto para me agarrar com força as lembranças, para que possa continuar sobrevivendo, pois vivendo eu já não estou.

Como eu já esperava, não vendi quase nada o dia inteiro, apenas um dos quadros antigos que tinha restado. Quando já está escurecendo decido caminhar um pouco antes de retornar para casa e em meio a playlists, respirações ofegantes e pensamentos perdidos percebo que estou sendo seguido. Aumento meus passos, apesar de não estar com medo, pois já tenho ideia de quem seja e minha raiva cresce numa proporção absurda.

Cesso meus passos e consigo ouvir os passos atrás de mim também pararem. Cansado dessa brincadeirinha ridícula de gato e rato viro-me a procura do meu perseguidor.

— O que você quer comigo, Guilherme? — travo o maxilar ao ouvir um riso baixinho — Responde! - grito para o vazio.

— Assim as pessoas vão pensar que você é louco. — ri aparecendo em meu campo de visão. — Como você está, Thomaz? — seu tom irônico me irrita

— Vá se ferrar! Diz logo que merda você quer? — fecho as mãos em punhos tentando me controlar.

— Saber porque me denunciou à polícia, sendo que nem matei aquela idiota! — grita se aproximando.

— Isso é o que veremos. Eu sei que foi você! A Beatrice vivia sofrendo ameaças suas e já não aguentava mais. Quero te ver atrás das grades. — Nos encaramos e tenho certeza que nossos olhos refletem ódio um pelo outro.

— É melhor tomar cuidado... — Diz com um pequeno sorriso.

— Isso é uma ameaça? — o encaro sério e ele apenas ri, indo embora sem dizer mais nada.

Vejo-o desaparecer e vou andando para casa determinado em descobrir o que realmente aconteceu, custe o que custar.

25 февраля 2018 г. 0:27:32 0 Отчет Добавить 0
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