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Park Jimin é um mercenário que mata apenas aqueles que merecem morrer. Ele se esconde sob a identidade de Deadpool, um anti-herói sarcástico e divertido com um passado meio trágico. Quer dizer, trágico é apelido. E até aí tudo bem; ele era apenas um dos mascarados solitários que habitavam Seul. Isso até ser contratado para matar Min Yoongi, um dos estudantes de sua universidade. Agora, cabe a ele decidir se o pequeno gênio do curso de Engenharia Robótica se tornará seu novo alvo ou não. E, para isso, nada melhor do que tentar se aproximar dele… certo?


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Flertes e, quem sabe, um trisal

Escrito por: YinLua/ YinLua


Notas Inicias: Olá, eu sou a Yin! 🥺
Essa fic é minha contribuição pros 3 anos do 2min, um projeto que eu amo tanto, e também é um presente pra @mimi2320ls / @bebeh1320alsey , minha amiga secreta 💕 Espero que goste, meu bem!! 🥺 Você é maravilhosa ❤️
Boa leitura, pessoal!


~~~~

Que porra é essa?

Ênfase no “que porra é essa?” porque me surpreendeu mesmo. E olha que eu tenho um total de zero fé na humanidade, então espero de tudo, hein.

Tipo, eu já tinha recebido vários pedidos… inesperados, porém esse se superou. Quem diria… Eu, Deadpool, tinha acabado de receber a missão de matar Min Yoongi.

Até aí tudo bem. Não sei se vocês já sabem, mas eu sou um mercenário, então eliminar pessoas é o meu trabalho. Mas não pensem que, só porque eu mato pessoas, eu sou um monstro, ok?

Na verdade, podem pensar, sim. Eu estou pouco me fudendo para o que vocês acham.

Mas, se quiserem saber, eu só sumo com aqueles que merecem. Não aceito qualquer pedido ou recompensa, isso posso afirmar com orgulho (acreditem em mim por conta e risco de vocês).

A verdade é que o trabalho de mercenário foi mais como uma necessidade do que qualquer outra coisa… Depois de perder minha mãe, matar o meu pai (o puto mereceu!) e ficar perdido por aí, acelerar o encontro dos outros com a Morte por dinheiro pareceu a única saída. Eu precisava comer, afinal.

Eu sei, eu sei, puta história triste, não precisam ficar com pena de mim.

E enquanto eu não estou por aí batendo nuns filhos de uma puta (infelizmente não é do jeito bom — ou talvez seja, hehe), geralmente estou estudando. Isso mesmo, es-tu-dan-do. Não, não faltou uma letra, eu realmente faço faculdade.

Pode parecer estranho, um idiota como eu na Universidade Nacional de Seul (ou UNS para os mais íntimos), mas, se eu estou aqui, é porque mereci! Chupei uns paus também, mas isso não vem ao caso.

Brincadeirinha.

(Ou não.)

(Brincadeira também, hehe.)

Voltando ao assunto, eu curso Artes Plásticas. Não é o que você esperava, não é? Uma pessoa como eu escolhendo esse tipo de trabalho… legal. Pois é, é porque pintar e esculpir são a única coisa que me acalma de fato e relaxam minha mente. Fazem com que eu me sinta bem por algum momento que seja, então resolvi que talvez seja uma boa tentar seguir carreira pra me tornar um pouco mais normal.

E é daí que eu conhecia Min Yoongi. Quer dizer, conhecer é uma palavra forte… Eu sabia que ele existia, mas, na real, não fazia nem ideia de quem era. Só sabia que as fofocas corriam, e ele era o assunto preferido da universidade desde que tinha passado no vestibular.

Sabem como é: geniozinho, boa pinta, menino prodígio, blá-blá-blá.

Só que nós nunca nos falamos. Eu achava que não pelo menos. Juro que não me recordo (se é que minha palavra vale de alguma coisa). Então, tudo que eu sabia sobre o Min Yoongi vinha de fofocas. E, como alguém que só mata os que merecem, tenho que saber ouvir, não é mesmo? Imagina se eu me engano e mato um inocente!

E a surpresa por ver o nome dele na lista de alvos era porque nunca, nunquinha, tinha chegado aos meus ouvidos um insulto sequer a ele. Era como se ele fosse perfeito, o queridinho de todos. Mas se alguém queria que ele desaparecesse…

— O que será que você está escondendo, hein, docinho? — Arqueei as sobrancelhas, recostando na cadeira. — Por que alguém quer te transformar em presunto?

Eu tinha duas escolhas ali: ignorar a proposta ou avaliar se ele merecia morrer — quer dizer, podia só matá-lo direto também, mas às vezes eu tento ser uma pessoa decente. Depois de muito deliberar (joguei uma moeda), acabei escolhendo (caiu coroa, merda!) investigá-lo para ver se ele entraria pra lista de eliminados pelo amigável inimigo da vizinhança.

(Essa lista não existe.)

(Eu também não me chamo assim, foi só uma piadinha com o Spiderman, vocês devem ter percebido. Diferente dele, eu tenho bom gosto.)

Aproveitei que estudamos na mesma universidade e bolei um plano.

(Mentira, bolei nada.)

Infelizmente não tínhamos nenhuma aula em comum, já que o filho da puta fazia Engenharia Robótica. Pois é, ele não estava afim de ser um gênio num curso mais normal, quis logo criar robôs e afins. Eu achava que logo, logo ele estaria criando um novo Ultron para acabar com a humanidade desse universo de vez (não que eu estivesse reclamando).

Então, já que não tínhamos aulas em comum, a saída foi tentar me aproximar dele fora da sala de aula. Eu esperava que não fosse tão difícil descobrir algum podre dele, a recompensa pela cabeça dele era muito boa, daria pra viver uns meses aí sem trabalhar.

Suspirei, tentando relaxar a mente. Seria uma semana e tanto, viu?

[...]

Vocês não imaginam minha felicidade quando fui entregar um livro na biblioteca e encontrei meu mais novo interesse por lá, estudando. Se acham que era Min Yoongi, pois estão enganados, estou falando de Jang Jaeyoung, o designer gráfico mais gato do mundo. Pena que ele tem namorado.

Ok, mentira, estava me referindo ao prodígio de Robótica mesmo.

Espero que tenham pego a referência!

Sorri para mim mesmo enquanto me aproximava sorrateiramente do bonitinho. Óbvio que eu tive que pesquisar a aparência dele, não é, para saber por quem procurar. Não pude negar que as fotos não fazem juz a ele. Min Yoongi era tão belo quanto esperto. Um homem perfeito.

E um alvo maravilhoso também, já que mal se mexeu enquanto eu me aproximava. Talvez alguém devesse treinar seus reflexos, hein.

(Esse sou eu sendo iludido.)

Eu me debrucei sobre ele, analisando silenciosamente o que ele lia. Parecia um livro qualquer sobre mecânica, nada muito importante; provavelmente estava estudando para alguma prova. Que merda, viu.

Em cima da mesa, tinham também uns origamis em formato de aranha, que pareciam tão temáticos quanto seu lápis do Spiderman. Seria ele um fã?

Mal podia esperar para contar ao Spidey que ele tinha um admirador secreto tão pertinho dele. Sim, sim, eu sabia que o Spiderman estudava nessa mesma universidade, apenas nunca perguntei em qual curso. Anonimato e tudo mais, sabem?

— Gosta do Spiderman? — perguntei antes que ele me notasse. Era melhor eu introduzir um assunto que ele me achar um esquisito xeretando as coisas dele (não que eu não fosse).

Quando ouviu a minha voz, Min Yoongi finalmente tirou a cara dos livros. As fofocas faziam mesmo juz à beleza dele, e definitivamente ele era melhor pessoalmente do que em fotos, mas acho que já disse isso antes, né? Será que se eu pedir ele me deixa…

— Ah, isso? — interrompeu meus pensamentos, mostrando seu lápis. Ele parecia meio envergonhado, quase como um cordeiro acanhado próximo a um lobo. No caso, o lobo era eu. — Não fui eu quem comprei, ganhei de presente. Mas também não tenho nada contra ele.

— Entendi. — Dei o meu sorriso mais doce. Para não perder a deixa, sentei-me logo ao seu lado, na cadeira vazia. — Bem, muitos não pensam assim. Sabe como é, todo mundo de Seul quer a cabeça dele num prato.

Yoongi fez uma careta. Ops, abordagem errada?

— Preferia não ter essa imagem na minha mente, obrigado.

— Posso colocar outros tipos de imagem na sua mente, se quiser. — Inclinei o rosto com meu sorriso mais sexy. Não ousei tocá-lo, porque, né, vai que o geniozinho resolvia fugir.

Yoongi arqueou as sobrancelhas, parecendo levemente desacreditado, mas pareceu me ignorar. Que peninha.

— Posso te ajudar em alguma coisa, Park Jimin?

Oh, ho-ho. Não é que o nerdzinho sabia meu nome? Meu sorriso aumentou.

— Você me conhece, Min Yoongi? — Apoiei a bochecha na mão direita, enquanto meu cotovelo se apoiava na mesa de madeira da biblioteca. Esse meu ângulo é irresistível.

— Quem não conhece o cara mais bonito da UNS? — respondeu ele, com uma voz quase que entediada. Hm… Porra, diz que eu sou lindo, mas não tá interessado em mim. Ou está? Dá pra ver um vermelhinho nas suas bochechas, seu merdinha! — Você é bastante popular por aqui.

— Sou? — falseei. Óbvio que eu sabia que todo mundo queria me comer. Quer dizer, olha pra mim, eu também iria querer me comer se me visse por aí. — E você, me acha bonito também?

— Não acho que precise da minha opinião, Park… — Ele fez uma pausa dramática, largando o lápis e fechando o livro que lia. — Você sabe que é.

— Saber, eu sei. Mas vai me dizer que não gosta de receber elogios também? — rebati. Inclinei-me em sua direção. Ele, claramente tendo perdido a concentração nos estudos, se virou completamente para mim e apoiou o rosto na mão também. — Agora é crime querer elogios de pessoas bonitas? — sussurrei.

Ahá! Posso ver seu sorrisinho daqui, senhor gênio.

— Se é crime, talvez eu devesse ser preso também — murmurou de volta. Sua voz saiu tão baixinha e gostosa que me arrepiou todinho. Puta merda, ele estava flertando comigo!

— É mesmo? — Segurei a respiração por uns segundos e expirei novamente, deixando com que um clima pairasse sobre nós. Essa poderia ser uma ótima estratégia para descobrir todos os podres dele. — Quer um elogio meu, senhor não-sou-fã-do-Spiderman?

Yoongi riu, e, puta merda, que risada gostosa!

Ele era todo gostoso, né?

— Já te disseram que você é muito convencido, Park?

— Já. E geralmente as pessoas que dizem isso acabam mortas. — Dei uma risadinha para o ligeiro arregalar de olhos dele. Mesmo assim, não notei nenhum tipo de medo neles; se Yoongi tinha se assustado, ele escondeu muito bem. — Mas posso te fazer parar de respirar de formas mais prazerosas.

— Meu Deus, suas cantadas são horríveis! — Minhas cantadas podem ser horrorosas, mas você está rindo, né, seu merdinha?

Dei de ombros.

— Espera só para ouvir as sexuais.

— Se forem no mesmo nível dessas, pode guardar elas pra você — brincou.

— Porra. Vou conseguir te conquistar como, assim?

— Não sabia que estava tentando me conquistar. — Yoongi levantou as sobrancelhas algumas vezes, sem perder o sorriso. Ele definitivamente parecia interessado!

Eu me inclinei para frente e olhei para os lados, como se estivesse verificando se alguém estava nos ouvindo. Quando voltei a olhá-lo, sussurrei como quem conta um segredo:

— Se estiver funcionando… — pausei, puxando um pouco de ar e deixando com que a pontinha da minha língua percorresse meu lábio inferior. Vi seus olhos acompanharem o movimento por um segundo, antes de voltarem aos meus olhos. — Está?

Uns segundos de silêncio se passaram entre nós enquanto Yoongi parecia considerar uma resposta. Eu me afastei levemente nesse meio tempo, voltando a me recostar na cadeira, para ter visão privilegiada da beleza do cara que podia me dar 100 milhões de wons.

Quando ele finalmente pareceu decidir, o filho da puta nem se deu o trabalho de me responder. Ele apenas virou para frente e anotou algo num post-it, escondendo-o com a mão. Olhei-o interessado (será que conquistei mesmo o filho da puta?), mas Yoongi apenas pegou seus livros e guardou suas coisas na mochila, preparando-se para deixar a mesa.

Porra, nem pra me responder? Ou me dar um beijinho?

— Tenho uma prova agora, então preciso ir — disse ele, virando-se novamente para mim. Ele deu um pequeno sorriso de canto, estendendo o pequeno papel para mim. — Mas você me mandar uma mensagem se quiser… Talvez eu até considere ouvir suas piadinhas sexuais.

Peguei o papel com o celular dele, levemente desacreditado (não sei por que, já que sou lindo). Isso tinha sido mais fácil do que eu esperava, mas quem sou eu para reclamar, né?

— Tem certeza de que tá me dando o número certo? — soltei. Vai que o geniozinho resolveu me trollar? E, ora, se eu estou investigando ele, é porque há chances de ele ser um gênio do crime, né? — Não quero mandar piadas ruins pra pessoa errada, né.

— É o número certo — ele falou com tanta certeza que eu quase acreditei. — Por que eu te enganaria?

Sua cabeça tombou para o lado de leve; o filho da puta pareceu completamente inocente naquele instante, mas eu tinha certeza absoluta que ele estava tramando algo. Não era possível alguém querer escutar minhas piadas sexuais por livre e espontânea vontade.

— Bem, preciso ir. Tchau, tchau, Park Jimin! Depois me manda uma mensagem pra eu salvar seu número!

Acenei enquanto ele se afastava, voltando a olhar para o papel.

Hm… Talvez com isso eu até consiga uma visitinha à casa dele. Ou será que eu invado? Ai, ai, decisão difícil.

Vou esperar pra ver no que vai dar.

[...]

[18/04 19:06] Jiminie: Seria esse o número do gênio de Robótica?

[18/04 19:06] Jiminie: Ou será que o gatinho me enrolou?

[18/04 19:07] Min Yoongi: Quem é?

[18/04 19:07] Min Yoongi: Se for Park Jimin, sinto lhe informar que Min Yoongi te enganou

Arqueei as sobrancelhas, já sabendo que Yoongi tinha mesmo me dado o número certo. Pelo visto, isso seria mais divertido do que parecia.

Curioso com o que ele falaria, respondi:

[18/04 19:07] Jiminie: É mesmo?

[18/04 19:07] Jiminie: E quem fala?

[18/04 19:07] Min Yoongi: O mais novo amor da sua vida

Eu ri, incapaz de me segurar. O que era isso, guerra de flertes?

Ora essa, Min Yoongi, você não sabe onde está se metendo… Eu sou o maior flertador de Seul!

[18/04 19:08] Jiminie: Achei que esse fosse o Min Yoongi

[81/04 19:08] Min Yoongi: É mesmo?

[18/04 19:09] Min Yoongi: Então talvez eu seja mesmo o Min Yoongi… E agora?

[18/04 19:09] Jiminie: Que tal me dar uns beijinhos?

[18/04 19:09] Min Yoongi: Só depois do moço bonito me contar aquelas piadinhas que me prometeu

Arqueei as sobrancelhas mais uma vez, rolando na cama tal qual adolescente. Era a primeira vez que alguém pedia pra ouvir minhas piadas ruins e sem graça. Min Yoongi, o que você está tramando?!

Digitei furiosamente a primeira que me veio à mente, porque obviamente não podia perder a deixa, certo?

Se tudo desse certo, ou eu saía dessa história com muito dinheiro, ou com pelo menos um beijinho do geniozinho. Quer dizer, obviamente eu não tenho sorte nenhuma, não é mesmo? Olha a minha história, de pessoa com câncer pra experiência humana (queriam criar mutantes, por isso sou assim, imortal), de cara dá pra perceber que a sorte não está ao meu favor. Mas… vai que.

Sem que eu percebesse, naquele momento, um sorrisinho se formou no meu rosto e não me deixou até a hora de dormir, quando já tinha esgotado todo o meu estoque de piadas idiotas e irritantes.

Aquele foi o primeiro dia que eu e Min Yoongi trocamos mensagens. O primeiro de muitos.

Era divertido conversar com ele e poder flertar e implicar livremente com o principezinho (piadinha com o sobrenome dele, só pra deixar claro); era algo que eu provavelmente não sentia desde que era criança, quando ainda tinha uma família “perfeita” e era uma criança normal.

Não percebi na época, mas foi mais ou menos nessa semana que eu comecei a me questionar se valia a pena ficar sozinho, nessa vida de mercenário e pessoa popular que ninguém se aproxima porque acham que eu sou lindo demais. Ou talvez a culpa seja das minhas brincadeiras, sei que podem ser demais para alguns. Mas quem liga? Eu não!

E se Min Yoongi também não ligava, bom pra ele.

(E pra mim também.)

[...]

Na noite de segunda-feira, exatamente uma semana depois de ter conseguido o número de Min Yoongi, decidi ir atrás de um novo alvo (um que eu tinha certeza que não valia a buceta que comia). O filho da puta tava bastante ocupado num puteiro, mas acabou saindo correndo assim que viu minha linda roupa de trabalho pela janela.

Acho que o vermelho chama a atenção, né?

(Ou será que são as katanas?)

Enfim, tive que sair correndo atrás dele, sendo que o bostinha tava só de cueca e calça. Conclusão: era a própria visão do inferno. Preferia estar vendo pessoas mais bonitas (tipo o Min Yoongi, quem sabe), mas fazer o quê. Quase o peguei algumas vezes, mas resolvi me divertir e deixar ele se desesperar mais um pouco.

No fim, persegui o infeliz até o centro da cidade, onde ele conseguiu se misturar com a multidão e sumir. Eu, no alto de um prédio qualquer, simplesmente não conseguia mais vê-lo. Que porra!

Como caralhos se perde alguém de cueca?!

— Merda! — Bati o pé no chão, cerrando as mãos em punho. — Ninguém mandou ficar brincando com a caça. Deadpool mau! Merda, merda, merda!

— Você tá bem aí, cara?

Virei para o lado pronto para arrancar a cabeça de alguém com as mãos, mas era só o Spiderman em seu mais belo traje coladinho. Não matamos aranhas nessa casa, então… tive que engolir meu ódio.

Respirei fundo, porém obviamente não adiantou.

— O merdinha do Juninho fugiu!

— Quem é Juninho…? — perguntou o cabeça de teia, com a cabeça levemente inclinada para o lado.

— Kim Hajun, um filho da puta aí que matou a esposa e agora tava farreando num puteiro. Que merda, não deveria ter deixado ele escapar!

— Eu não sei se deveria dizer “sinto muito” ou comemorar porque você não matou o cara, mas… — O Spiderman deu de ombros. — Não se preocupe, a justiça será feita.

— Vai sim — concordei. — Assim que eu pôr as mãos no cara de cu com câimbra e esmagar os miolos dele.

Certeza que o Spiderman revirou os olhos nessa hora. Mas, né, o que esperar de um heroizinho que provavelmente nunca precisou contar com o sistema?

— Vem cá, você não deveria estar patrulhando a cidade ou algo assim? — Gesticulei um pouco, mostrando a cidade abaixo de nós.

Tipo, geralmente sou eu quem incômodo Spiderman, mas, porra. Sei lá. Odeio deixar os sacos de merda escaparem por aí, e foi por culpa minha ainda. Que raiva.

— E estou. No momento, tenho medo do que você pode fazer por aí nesse estado.

— Que estado? — Arqueei a sobrancelha, mesmo que ele não pudesse vê-la.

— Estado vou-explodir-metade-da-cidade-para-achar-o-Juninho.

Ah, esse estado.

Bem que eu poderia, né?

— Não é que você me deu uma ótima ideia?! — Sorri, batendo palmas de leve.

Eu me aprontei para pular para o próximo telhado, mas o Spiderman foi mais rápido e me segurou pelo braço.

— Pool!

— Finalmente caiu de amores por mim?

— Eca, que nojo! — Ele se afastou, tirando sua mão do meu braço. — Já tenho alguém que eu gosto, muito obrigado.

— E daí? Eu não sou ciumento. — Dei um passo na direção dele, com as mãos estendidas. — Posso até te mostrar o que posso fazer com a minha espada.

— Pode ficar bem paradinho aí, eu não estou interessado!

— Ainda! — reforcei. A cada palavra, eu ia dando um passo na direção do cabeça de teia, e ele, por sua vez, ia dando um para trás. Era como um pequeno jogo de gato e rato, e ah, eu amava ser o gato. — Vai estar quando ver o que eu posso fazer com as mãos.

— Deadpool! — brigou ele, parecendo a um passo de simplesmente se tacar do prédio. — Você não pode atacar as pessoas como bem entender!

— Falando em atacar… — pausei, parando de andar completamente. Aquilo me chamou a atenção. — Você conhece um Min Yoongi?

— O quê?! — Ele pareceu espantado. Um segundo se passou, até que ele continuou: — Pode repetir?

— Tipo, eu sei que você é da UNS, já te vi sumindo e aparecendo por lá algumas vezes…

— Tá tão na cara assim?! — ele me interrompeu, preocupado. — D-digo…

— Não me interrompa!

Apontei para ele de cara feia, mesmo que até minha cara mais feia fosse maravilhosa e ele não pudesse vê-la por conta da máscara.

— E ele também estuda lá, na UNS. Aí pensei que talvez conhecesse ele. Sendo sincero, é porque alguém quer a cabeça dele num prato, tipo como querem a sua, só que a sua geralmente pedem numa bandeja de prata mesmo, mas você sabe que eu só mato quem merece, né? Se não sabia, agora sabe! E queria saber se você sabe de algo ruim que ele tenha feito. Sabe, assassinato, roubo, perseguição, tráfico de órgãos…

— Não, não — ele me interrompeu, balançando as mãos. — Eu conheço ele, não tá envolvido com nada dessas coisas aí, não.

— Tem certeza? — Coloquei a mão no queixo, ligeiramente pensativo. Por que será que queriam a morte dele? Inveja, só porque o moleque tem sangue azul nas veias? Ou porque ele é um prodígio? — Ele nunca chutou um cachorro?

— Não!

— E um gato?

— Óbvio que não!

— Uma velhinha?

— Ele nunca chutou nada nem ninguém, Deadpool. Quer dizer, só umas pedras…

— Roubou a ideia de alguém?

— Nop.

— Tá devendo dinheiro?

— Também não.

— Pegou a namorada de um gangster?

— Ele é gay!

— Ele é?! — pausei um segundo, confirmando mentalmente que ele estava mesmo flertando comigo! Então, eu tinha uma chance! — Mentira?

— É verdade, ué. Por que o espanto? Não é como se ele escondesse.

— Tava só atualizando as informações mentalmente. Já que você tem certeza de que ele não está envolvido com nada disso, né, então por que acha que mandaram matar ele?

Enquanto falava, apontei para o parapeito do prédio, convidando-o para sentar, já que pelo visto a conversa iria durar. Sem nem pestanejar, sentei ali mesmo, curtindo a vista e a distância de alguns vários metros entre o chão e eu. Vocês sabem, né, que mesmo que eu me jogasse, não morreria? Pois é, não sirvo nem pra isso.

— Quem mandou matar ele?

Como se eu fosse te contar, né, super-heróizinho.

Mas nem se eu soubesse!

— Não faço ideia, os pedidos são anônimos, sabe? Senão, é ruim pros negócios. — Dei de ombros. Quem iria querer encomendar um assassinato e se identificar?

O cara de teia se aproximou, sentando-se ao meu lado.

— Entendo… — Ele suspirou. — Não sei por que iriam querer ele morto.

Olhei-o de rabo de olho.

— Mesmo?

— Sim. Ele parece ser um cara legal.

Hm… Será que a pessoa que ele gosta é o Yoongi?

Não disse nada, apenas dei de ombros. Pegaria os dois mesmo. E ao mesmo tempo, se quisessem.

Ficamos calados por um tempo.

Quando o silêncio estava começando a me incomodar, tirei meu celular do bolso e resolvi jogar um pouquinho. Não tinha nada para fazer mesmo, minha caça tinha sumido, Min Yoongi parecia ser bonzinho (mas eu ainda precisava investigar mais!), não tinha ninguém assaltando um banco (até isso me deixaria mais calmo: bater em bandido), então só restava mesmo passar o tempo com o que tinha em mãos.

Ainda não entendi por que diabos o Spiderman resolveu que sentar ao meu lado e ficar em silêncio era melhor que bater em pessoas, mas quem sou eu para questionar, não é mesmo? Estava fazendo o mesmo que ele. Mas ele bem que poderia pelo menos falar algo, pra não ficar esse silêncio escroto.

Ou eu falo algo?

Será que solto umas piadinhas? Min Yoongi disse que gostava de ouvir minhas piadinhas sexuais… mas será que o Spiderman gostaria de ouvir? Vai que ele é um menino puro.

Talvez fazer umas piadinhas pra cortar esse clima silencioso seja uma boa.

Comecei a catalogar minhas melhores piadas em minha mente, começando pela do Mário. Sempre o Mário. Sabe, quem chama o filho de Mário deveria ser banido da Terra, imagina, condenar o próprio filho ao bullying eterno?

— Você também é da UNS? — perguntou ele, interrompendo meus pensamentos.

— Posso ser de onde você quiser, gatinho — respondi automaticamente. — Quero dizer, aranhinha.

— O quê? — Ele riu. — Tô falando sério, Pool. Você disse que já me viu por lá várias vezes, isso significa que você também estuda lá?

— E precisa estudar na universidade pra passar por ela? — questionei. Ora essa, revelar informações importantes sobre mim… Até parece. Tenho mais tempo de mercenário que esse filho da puta tem de herói mascarado.

— Pelo visto isso é um sim.

— Porra? — falei, desacreditado. Tá, talvez eu tenha dado muita na cara também, que merda.

— Que curso você faz?

— Vou começar a achar que quer me comer, cabeça de teia — tentei distraí-lo, mas acho que não deu muito certo. — Se você quiser, eu quero.

— A pessoa não pode nem mais querer um amigo hoje em dia? — Ele suspirou. — Bem, já disse que estou interessado em alguém, então vou rejeitar sua oferta.

— Que absurdo! — fiz uma pausa, considerando a parte de amigos.

Realmente, eu nunca tinha tido amigos muito próximos, e o Spiderman era a única presença constante nos últimos tempos. Seria interessante ter algo do tipo na minha vida, alguém que eu pudesse compartilhar o segredo de ser… bem, eu. Um mercenário. Um assassino. Valia a pena arriscar minha identidade pelo Spidey?

Bom, se der tudo errado, posso matá-lo.

— Faço Artes Plásticas — confessei.

— Sério? — Ele inclinou a cabeça para o lado. Parecia um gesto habitual… Que fofo. — Totalmente diferente do que eu esperaria de você.

Ri. Eu também achava, mas… pintar, esculpir… eram minhas formas de expressar toda a raiva e a confusão que viviam em mim. Davam certo, me ajudavam a me sentir mais humano.

— Eles sempre dizem isso — brinquei. — E o que você acha que eu faria?

— Pior que não faço nem ideia. E você curte o que faz?

(Será que minha sinceridade ainda seria capaz de me matar?)

(Óbvio que não, sou imortal, hehe.)

— Sim. A arte me acalma.

— Que bom. — Ele parou de me olhar, desviando o olhar para o céu noturno. — Eu faço Robótica.

Oh! Então é por isso que conhece Min Yoongi!

— Eu também gosto. Adoro criar, mexer com esse tipo de tecnologia e tudo mais. Mas às vezes penso se tô fazendo isso porque gosto de verdade ou pra honrar a memória do meu amigo que morreu.

Olhei-o de canto, mas voltando para o meu joguinho logo após. Esse tipo de conversa sentimental era totalmente o oposto do que eu estava acostumado.

— E não pode estar fazendo pelos dois motivos? — questionei.

Um longo suspiro soou; parecia que ele não tinha pensado nisso, né.

— Tem razão, um não exclui o outro. Eu apenas… — Ele pareceu hesitar. — Sinto falta dele. Hoje faz um ano que ele morreu.

Que merda, hein.

Será que é pra eu falar algo? Ele não deve estar esperando algo justamente de mim, né? Ou será que está?

Ai, meu Deus, o que eu falo?

Eu nem acredito em Deus, puta merda.

— Sinto muito? Ele deve estar melhor agora — tentei ser o menos cuzão possível. — Eu deixo você me comer se estiver muito triste. — É, deu ruim.

Ele riu, hein. Não deu tão ruim assim!

— Com todo respeito, mas coloca na sua cabeça que eu não te quero.

— Não diria isso se me visse sem essa roupa aqui, hein.

— Já disse que tô interessado em outra pessoa, cara.

— Chama ela pra um ménage.

— Eu não, bem capaz de ele querer e me deixar sozinho.

Não aguentei, acabei morrendo de rir. Ora essa, o Spiderman não confia no próprio taco?

— Você é tão ruim assim com a espada?

— Rapaz… — ele disse, meio exasperado.

(Pelo menos não estava chorando. Nem triste.)

— Eu preciso ir.

Diferente do que eu esperava, ele não pulou, mas sim voltou pro lado de dentro do prédio. Virei-me para olhá-lo, tentado a me balançar um pouquinho para saber se ele me pegaria se eu "escorregasse".

(Certeza que sim, o Spiderman é bonzinho demais pra deixar alguém, mesmo que seja eu, morrer na frente dele.)

Um sentimento estranho passou por mim com essa linha de pensamento, então resolvi apenas ignorar e seguir em frente. De preferência, sem essa coisa estranha em mim.

Quando voltei a prestar atenção ao meu redor, vi que ele estava na minha frente, estendendo a mão pra mim.

(Alguém já tinha se preocupado em me estender a mão antes?)

Olhei para cima, mas obviamente só podia ver sua máscara. Nem seus olhos apareciam. Mas, mesmo assim, algo na figura familiar acabou me confortando.

(Não contem pra ele que eu pensei isso, ele vai ficar um nojo.)

Peguei a mão dele e ele me puxou para ficar em pé. Até aí tudo bem, mas ele também me a-bra-çou. Juro!

Meu rosto queimou na hora.

— A teia subiu à cabeça, cara? — perguntei, pondo as mãos em seu braço para afastá-lo. Mas nossa, que braços, hein…

— Só queria te agradecer. Você ajudou bastante hoje, não estava me sentindo muito bem e sua companhia me animou um pouco.

Arqueei as sobrancelhas, surpreso, e acabei ficando imóvel, sentindo seus braços ao meu redor e seu coração batendo contra o meu. Ou talvez fosse apenas o meu.

Min Yoongi que se cuide, hein. Vou trocar ele pelo aranhinha.

— De nada?

— Sabe, Pool… Mesmo com tudo que já aconteceu entre nós — eu roubando sua caça, você matando meu vilão, a gente se metendo em confusões juntos —, eu sinto que você é uma boa pessoa.

— O-oh…

Um sorriso involuntário brotou em meu rosto e, por muito pouco, algumas lágrimas não ousaram cair. Antes paradas ao lado do meu corpo, minhas mãos resolveram tomar vida e abraçá-lo de volta, tamanho meu contentamento.

Depois de uma vida inteira só, sem nem o amor de meus pais, com apenas meu trabalho, meu amor pela arte e uma moral um pouco duvidosa, era bom ouvir um elogio. E esse era um bem importante, não é?

— Bem, a oferta de me comer ainda está de pé — brinquei, apenas por não saber lidar com esse tipo de sentimento que surgia em meu peito.

Eu não era uma pessoa que sabia sentir. Eu tinha plena consciência disso. Mas, naquele instante, por algum motivo, isso não parecia importar, porque o Spiderman via o lado mais podre de mim e dizia que eu era uma boa pessoa.

— Você tá estragando o momento, Pool.

— Tem certeza que não quer nem uma fodinha? Eu juro que você não vai se arrepender.

E estar nos braços do Spiderman pareceu… bom.

Bom o suficiente para eu questionar, quando cheguei ao meu apartamento, o que caralhos eu tava fazendo da minha vida.

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Notas Finais:

Obrigada a todo mundo que chegou até aqui! Curtiram? 🥺 Nunca digitei tanto palavrão na minha vida ajsjjajdjad Obrigada, até o próximo!

10 мая 2022 г. 0:01:09 0 Отчет Добавить Подписаться
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