krishnagrandi Krishna Grandi

Após Marluci encontrar uma calcinha diferente no seu apartamento, Regina propõe ajudar a amiga e desvendar o mistério por trás dessa possível traição. Publicado na Revista Paranhana Literário. Ed. Abril. p. 64. 2021.


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Короткий рассказ
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Único

Pelo corredor do condomínio, Marluci brandia a calcinha no alto. As bochechas vermelhas e os olhos inchados sobressaiam no rosto redondo da dona. As chinelas faziam “clap, clap” e o nariz “fung, fung”. Regina, com a porta aberta, esperava a amiga entrar.

-Tá vendo, Regina? Olha isso! Olha! – A calcinha, aventureira pelos ares, caiu espatifada sobre a mesa. -É dessa vez que ele me larga! Aquele... Argh! Olha! – Largando seu corpo sobre a cadeira e apoiando as mãos na cabeça, Marluci soluçava. Regina respirou fundo.

-É a milésima calcinha que tu encontras no teu quarto, Marluci! Toda vez é a vez. Por que essa seria diferente?

-Olha! Essa é de marca, Regina. Não é que nem aquelas xexelentas que eu geralmente encontro. – Regina aguçou os olhos sobre a peça. A inconfundível estava ali.

-Marluci, minha amiga. Isso é gravíssimo.

-Pois não disse! É dessa vez que esse canalha me larga. – Marluci voltou aos soluços. – O que eu faço? Não posso competir com a dona dessa calcinha!

-E está nova, ainda por cima... – conjectura Regina.

-Isso é gravíssimo. – Marluci concorda lamentosamente.

O olhar pesaroso dela encontrou-se com o olhar amistoso da outra. A revolta instaurou-se no coração de Regina e para tentar ajudar a amiga, propôs uma investigação.

-Tenho uma ideia, vamos pegar as calcinhas que encontrou até agora e traçar um perfil de cada possível dona. Assim, saberemos com que tipo de mulher estamos lidando. – Motivada pela ideia da amiga, Marluci limpa o nariz com as costas da mão e volta ao seu apartamento para resgatar as calcinhas. Enquanto isso, Regina temeu pelo pior. – No atual momento em que estamos vivendo... Não me impressionaria se ela estivesse morando neste condomínio. - E como quem sentia o coração se encher de esperança, compadeceu-se com a situação da amiga. – Vou descobrir a verdade.

Ao voltar para o apartamento de Regina, Marluci esbarrou com o zelador, que afixava nos murais compartilhados avisos para os condôminos. Absorta em seus pensamentos, ela seguiu caminho até ser interrompida.

-Dona Marluci... É preciso ter cuidado com as…

-...Com a minha saúde, já sei, já sei... Vou colocar a máscara. Obrigada, Mário! – “clap, clap, clap”.

Com as calcinhas na mesa e luvas nas mãos, elas separaram, primeiro por cor e depois por estilo, as rendadas perto das lisas de cor sólida e as usadas entre furadas e manchadas e a inconfundível, bem no centro da intriga.

-Se a gente usar como base as mulheres que conhecemos aqui no condomínio…

E assim seguiu a tarde das duas, entre a cretina do 201 e a dominadora do 403, vinha a charmosa do primeiro andar e a romântica do 302. A relaxada do 103 e a cheirosa do 104 quase foram confundidas com a sem graça do 304 e a elegante do 402. No mesmo andar, elas concluíram que morava a depravada do 202 e seu oposto, a comportada do 204.

-Bom, tirando nossos apartamentos e os que estão pra alugar... Resta para a inconfundível... – Elas se olharam radiantes. – A novata do 401!
-Claro, ela se mudou recentemente e nem é daqui desse estado. Já ouviu o sotaque arrastado dela?

-Bom, isso explicaria essa marca de calcinha que nunca vi por aqui. Só que, Regina, provavelmente essa mulher que ele anda vendo nem seja dessa cidade. Mas como? Como, Regina? Está tudo fechado! Como ele sai de casa e vai para lá?

-Não sei, Marluci... Vai ver é ela mesmo, aqui nesse prédio a maioria das mulheres são casadas ou viúvas. Ela é a única solteira. Quase uma desavisada... As outras devem ter sido por aí no bairro ou na cidade... São ordinárias demais para outra coisa. Agora, essa. Vai ver ele foi no apartamento dela. E contra ela... Não tem como competir mesmo.

-Eu não aguento, Regina! Como pode essas desalmadas destruidoras de lares fazerem isso? Deveria ser proibido tal ameaça nos nossos condomínios familiares. – E de novo, o desespero com a possibilidade fez com que Marluci caísse no choro.

Com a noite chegando, ela retornou ao seu apartamento e sentou à mesa, com a pilha de contas espalhada e a planilha da situação financeira em vermelho. – O que eu faço com tantos problemas?

Quando amanheceu, Marluci foi beijada na testa por seu marido. Ele havia preparado o café da manhã para ela, com uma singela rosa na bandeja.

-Amor, poderia ir ao supermercado para nós? Preciso ficar no outro quarto resolvendo nossos problemas. – Carlos estava abatido, cansado, com olheiras profundas.

Enquanto Marluci trocava de roupa, pegava a máscara e seguia calada para o elevador, negava com a cabeça. Não fazia sentido tudo isso. Será que ele a traía quando ia ao supermercado? Que ali era um point de encontro com as damas? Que a sessão de hortaliças era tão provocante a ponto de... Freava os próprios pensamentos. Ao chegar no elevador, apertou para o térreo e correu os olhos para os avisos. Quase infartou quando leu “Cuidado com suas calcinhas. Está sendo reportado um sumiço de roupas íntimas. Há um possível tarado no condomínio. Recados do Síndico”.

Então o zelador não estava preocupado com a sua saúde e sim com as suas calcinhas. Marluci nem esperou a porta do elevador abrir e apertou o botão do terceiro andar desesperadamente. Percorreu o corredor e foi para o apartamento da amiga.

-Regina!

-Marluci!

-Já viu o aviso no elevador?

-Olha... Não acho que o Carlos seja capaz disso. Ser um tarado? Não tem como! Ter traído... Bom, já desconfiávamos há algum tempo. Mas roubar calcinhas? Que motivo ele teria?

-Exato, amiga! Não faz sentido! Não pode ser o meu Carlos. Ele sempre trabalhou no escritório, fez as coisas certinho. Sinto pena dele por ter sido demitido nessa pandemia, mas não acho que ele esteja roubando calcinhas!

-Mas a gente já suspeitava das traições antes de ele ser demitido, até porque as calcinhas já apareciam esporadicamente. Acho que não tem uma coisa a ver com a outra.

-Acho que não tem outro jeito... Vou ter que falar com o Carlos.

-Sim, Marluci! Vai! Me liga depois. – E assim as amigas se despediram.

E lá se foi Marluci, com suas chinelas a fazer “clap, clap” pelo corredor afora. Decidida, com o coração na garganta, sufocada e prestes a perder o ar, girou a maçaneta e adentrou sua casa berrando: “CARLOS” que ressoou pelo andar.

O fatigado homem apareceu. Com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos. E antes que ela pudesse dizer um “ai”, ele foi comemorando:

-Eu consegui, Marluci meu amor! Eu consegui! Eu paguei nossas contas. Olha! Olha! – puxando o celular, Carlos foi mostrando os comprovantes de pagamento, os depósitos realizados, as transferências entre bancos e carteiras digitais.

-Não acredito! Como, Carlos? Como? Pelo amor de Deus me fala alguma coisa! – Aos prantos e desesperada, atirou-se nos braços do marido.

Ambos caíram ao chão, chorando. Carlos, entre soluços suplica:

-Eu não posso te contar, Marluci! Entenda, eu te amo e só amo você.

-Mas... E as calcinhas?

-Tem a ver, mas é só isso que posso te falar. Suplico para que aceite e confie em mim. – Carlos pegou Marluci pelos ombros e olhou nos olhos da amada.

Marluci sentiu uma abençoada intervenção divina lhe acalmar e percebeu a verdade na voz do marido. Soube em seu coração que era para ser assim e assim seria. Conciliada, aceitou os fatos. Abraçou mais forte aquele homem que conseguira resolver os problemas, mesmo que em silêncio.

-Eu acredito, Carlos! Se tiver mais alguma coisa que queira me falar…

-Sim, sobre o outro quarto... Não entre mais nele, por enquanto. – Aliviado, Carlos agora sentia-se mais leve.

Já era no meio da noite, quando Regina percebeu que Marluci não ligara. Um silêncio estranho pairava ao redor do seu apartamento também. Seu marido ainda não saíra do home office. Decidiu chamá-lo:

-Arthur!

-Querida…

-Por um acaso viu sobre o aviso no elevador? Que coisa séria, né?

-Ah... Não vi nada... Querida, vou ir tomar um banho! Dia longo hoje.

Nada. Regina tentou engolir isso. Era impossível Arthur não saber de nada. Assim que ele entrou no banheiro, sentiu um impulso de mexer no celular do marido. Ao caminhar para o home office dele, sentiu em seu coração que estava cada vez mais perto da verdade.

Colocou a senha e começou a mexer. Nos grupos de WhatsApp, descobriu que ele fora removido do grupo da empresa. Numa mensagem particular recebida naquela manhã pelo chefe dele, ela descobre a demissão. Pela tarde, o histórico de pesquisas dele mostrava as recentes. Como ganhar dinheiro na internet, dicas de dinheiro fácil e sites de marketing digital. Pelos aplicativos de pagamento, descobriu tudo. Uma compra do pack de fotos intitulado “Bundinha Hardcore” chamou sua atenção. Com o coração acelerado, ela foi no e-mail dele e digitou o título. Um link automático para download das fotos foi encontrado. Em choque, ela passava cada uma das fotos. Reconheceu cada calcinha daquele pack. Reconheceu o homem de costas, em poses sensuais. O cenário mudava de acordo com a personalidade da calcinha. Se Regina ainda tinha alguma dúvida, foi na última foto que ela teve a certeza. Na legenda, informava que era o primeiro recebido pago. Ali, nos seus olhos castanhos estava ela, a inconfundível, a temida afrontosa. Estava ali diante dela, a marca da traição.

26 февраля 2022 г. 16:34:03 2 Отчет Добавить Подписаться
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Об авторе

Krishna Grandi Sou escritora, atriz e publicitária. Gosto de escrever sobre tudo um pouco, mas tenho focado em escrita erótica, contos de terror/horror e comédia. São os meus favoritos. Quero fazer amigos, contatos e parcerias. Um beijo.

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Natan Donato Natan Donato
"Afrontosa!!!!!" Demais essa história!

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