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Yoongi é um bruxo perseguido pela polícia da magia, com um ovo de dragão e uma prepotência sem igual. Para conseguir refúgio, se vê forçado a fazer um acordo com um rapaz desconhecido no meio do nada. Em troca, ensinaria todos os truques de magia que conhecia. Entretanto, Min Yoongi tinha uma vingança a ser concluída, e descobrir os segredos do passado do rapaz misterioso, talvez, tornasse as coisas mais fáceis.


Фанфик Группы / Singers 18+.

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Pars I

Escrito por: @Yumiu12 / Yum1u

Notas iniciais: capa por busanjimin / @xbusanjimin

betagem por jupteryoon/ jupteryoon


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Yoongi escutava a grama sendo esmagada pelos seus passos rápidos à medida que ele corria. Se ele não estivesse na situação em que se encontrava, com certeza pararia para tentar trazer a grama para o seu estado anterior. Mas agora, ele não poderia se dar esse luxo.

O bruxo sacou a varinha do seu casaco e começou a recitar um feitiço. Ele sabia que abrir um portal, não importa para onde fosse, não ia deixá-lo menos enrascado do que já estava, porém, Yoongi estava desesperado.

O verde brilhante à sua frente começou a formar um círculo que mostrava a imagem de um lugar qualquer. Yoongi não se preocupou em pensar em um lugar específico.

— O-o que é isso? — Escutou a voz assustada atrás de si e se virou lentamente.

O homem de cabelo azul escuro estava com os olhos castanhos arregalados e boquiaberto, agarrado a uma tiracolo pendurada no seu corpo como se sua vida dependesse disso.

— Isso… — Ele desviou o olhar para o círculo verde brilhante e para o homem em sua frente. — Você está sob efeito de drogas!

— Se tem uma coisa que eu sei que eu não estou, é sob efeito de drogas — respondeu, olhando-o sério. Yoongi suspirou e coçou a cabeça, pensando em uma desculpa. — Isso é… magia? — perguntou com os olhos brilhando.

O círculo verde se desfez, como se estivesse derretendo, e sumiu na grama.

— Que incrível! — o homem à frente de Yoongi sussurrou.

O bruxo o analisou de cima a baixo, pensando no que fazer. Ele estudou as suas opções: ser pego pela polícia ou confiar em um estranho? Ambas alternativas eram extremamente perigosas, mas matar um estranho parecia mais fácil do que quinze policiais.

— Então você gosta de magia, não é? — Sua voz saiu mais calma, grave e baixa do que o normal. O homem à sua frente assentiu. — Estou vendo… — Yoongi andou em direção ao rapaz, cercando-o. — Olha, que interessante, você gosta de magia, e eu sei magia. Já eu, preciso de um esconderijo e você tem uma casa, imagino. — Yoongi se virou para o azulado e apontou a sua varinha para ele. — Você tem uma casa?

Ele assentiu animado.

— No final da rua de trás!

— Que bom, que bom. Eu não tenho mais fôlego para correr — murmurou. — Então, o que você acha?!

— Acho o quê?

— O que você acha de nós fazermos um trato? — Revirou os olhos de leve ao falar o óbvio. — Você me dá um lugar para me esconder, e eu te ensino magia.

— Você ‘tá sendo perseguido? — Deu um passo para trás. Yoongi deu de ombros. — De um a dez, qual a gravidade do que você fez?

— Trinta e dois.

O homem deu um grito fino e alto.

— Mas eu não matei ninguém! — Yoongi tentou se defender. — Na verdade, acho que o que eu fiz foi um sete, mas a polícia está tratando como se eu tivesse matado o rei. O que, sinceramente, não me parece uma coisa ruim — sussurrou a última parte, pensando. — Não se preocupe, jovem humano, não vou te colocar em perigo, eu prometo. Então, o que você acha? — Esticou a mão para o homem à sua frente.

Observou Yoongi e pensou por alguns segundos. Não ficar sozinho por mais uma noite era o que Jimin mais queria, ele não aguentava mais a solidão que o atormentava. O bruxo olhava para os lados, nervoso.

No final, ele apertou a mão de Yoongi.

— Isso significa que nós temos um trato? — o homem perguntou, e Yoongi assentiu. — Então a minha casa é por ali.

Yoongi colocou o capuz da sua capa antes de o seguir. O bruxo se sentia ansioso por não saber com quem estava se metendo, as coisas poderiam piorar para si, enquanto Jimin se mostrava extremamente calmo para a situação. Os dois andaram por duas ruas até chegarem a uma grande casa um pouco afastada das outras.

— Você mora sozinho? — Yoongi perguntou, e o rapaz assentiu, tirando as chaves da tiracolo para abrir a porta. — Melhor ainda.

— Você realmente foi para a casa de um homem que você nem sabe o nome? — o azulado interrogou Yoongi, ligando as luzes.

— Você realmente aceitou que um homem que você nem sabe o nome se escondesse em sua casa? — Yoongi rebateu.

— Bom ponto.

— Eu acho que, entre nós dois, você é o mais sem noção por aceitar um procurado na sua casa.

Apesar de Yoongi estar certo, o homem à sua frente não estava arrependido da escolha de o acolher.

— Não é um procurado qualquer, é um procurado da polícia da magia! Eu nem sabia que isso existia… Que legal! — falou com animação na voz.

— Min Yoongi. — O bruxo se colocou na frente do humano, esticando a sua mão mais uma vez.

— Park Jimin. — Sorriu gentil, apertando a mão de Yoongi. — Então, senhor mago, o que o fez estar sendo tão perseguido a ponto de pedir ajuda para um mero mortal? — Afastou-se, colocando a bolsa em um cabideiro e tirando os sapatos.

— Isso é verdade. — Yoongi sorriu e abriu a sua capa, mostrando um grande ovo com detalhes roxos em um dos bolsos.

— Ai meu Deus! ESSE OVO VAI ACABAR COM A FOME NO MUNDO! — Os olhos do homem brilharam.

Yoongi encarou, sério, Jimin, o azulado o encarou de volta em confusão. Um silêncio estranho caiu sobre eles. Essa competição de encaradas durou pelo menos um minuto até que Jimin abrisse a boca novamente:

— Não é para comer, né? — perguntou o óbvio.

— Não — Yoongi confirmou com um suspiro. — Na verdade, isso é um ovo de dragão — o bruxo falou orgulhoso.

— D-dragão? — Os olhos de Jimin dobraram de tamanho e ele se afastou levemente.

— E vai nascer logo. — O Min sorriu ladino, e os olhos do Park ficaram comicamente maiores.

— N-nascer? — O bruxo assentiu. Jimin imediatamente começou a gritar e correr pela casa em desespero. — A PORRA DE UM DRAGÃO?!

O porra. — Yoongi suspirou, pegando o ovo em mãos e indo correr atrás de Jimin.

(...)

Demorou alguns minutos para que o bruxo conseguisse acalmar Jimin, mas agora ambos estavam sentados na mesa da cozinha, tomando chá e bolo com cobertura de morango. Jimin estava com uma canequinha com um rosto e orelhas de gato, já Yoongi estava com uma semelhante, só que com um pintinho, segurando o ovo entre as suas pernas. Ele achou as canecas fofas, tinha que lembrar de perguntar a Jimin onde ele havia as comprado.

Jimin saboreou o seu chá, suspirando de prazer com o gosto de morango antes de olhar sério para Yoongi.

— Então você está sendo procurado por roubar um ovo?

— Isso mesmo — Yoongi concordou.

— Você não vai machucar ele, né? Você pode ter magia, mas eu tenho uma vassoura! — Jimin apontou o dedo de maneira ameaçadora para o mais velho, estreitando os olhos.

— Não! Nunca! Você mudou de lado bem rápido, hm? — murmurou a última parte.

— Eu morro de medo de tubarões também, mas nem por isso quero que eles morram! — resmungou, cruzando os braços, e olhou o moreno emburrado.

Jimin começou a pensar que dragões eram tipo tubarões, a única diferença sendo que os dragões não ficavam só em um ambiente, e sim na terra, ainda voavam e soltavam fogo pela boca… E poderiam engoli-lo inteiro de uma vez. Na verdade, isso é um ponto em que tubarões e dragões têm algo em comum.

O azulado sentiu um arrepio correr em sua espinha. Talvez fosse melhor parar de pensar sobre isso.

— É… Pensando bem, isso não faz muito sentido. Na verdade, eu salvei esse carinha aqui — disse, fazendo carinho no ovo. — No mundo da magia, os dragões eram o nosso símbolo, demonstrando força e poder, porém, com o passar do tempo, eles foram banalizados. Depois de séculos, eles estão praticamente extintos, e os que sobraram atualmente são usados para entretenimento, como apresentações de circo ou de televisão. É claro que são tratados apenas como objetos para o divertimento, sabe? Enjaulados, tirados do seu habitat natural, ganhando porções mínimas de comida.

— E-eles são tipo os elefantinhos — Jimin murmurou com lágrimas nos olhos.

— É… por aí. — Yoongi desviou o olhar, tentando segurar o riso. — A mãe dele morreu um pouco após colocá-lo no mundo. O plano é levar ele até um santuário onde tem o outro dragão roxo de sua espécie e fazer com que eles não sejam extintos, entende? — Jimin concordou.

— No que eu puder ajudar, eu ajudo! — Animou-se de repente. — Bom, se eles não me queimarem vivo, é claro.

Yoongi sorriu, pensando no quão inocente e idiota o de cabelos azuis conseguia ser.

— Já está tarde, vou arrumar o quarto de vocês. — Jimin levantou-se da mesa e saiu da cozinha. O bruxo o seguiu com os olhos.

— Ele parece ser bastante inofensivo, talvez esse seja o problema. — Suspirou.

O moreno sentiu-se levemente intrometido enquanto andava pelos corredores da casa, explorando com o ovo em mãos, ao mesmo tempo que Jimin arrumava o quarto. Parou na frente de uma mesinha encostada na parede do corredor, olhando a grande foto que estava na parede. Tinham duas pessoas, que pareciam ser Jimin mais novo e uma mais velha, debaixo de uma árvore. A árvore se parecia com a que tinha visto no jardim do dono da casa.

— Yoongi? — chamou o outro baixinho. — Já arrumei o seu quarto — o avisou, aproximando-se para olhar o quadro.

— Ah, certo. Obrigado — disse, desviando o olhar envergonhado por ser pego fuxicando a residência alheia.

— Esses somos eu e a minha avó — explicou, já imaginando as dúvidas do bruxo. — Foi ela quem me criou desde que eu era um bebezinho. Sempre foi só nós dois. Até ela morrer um pouco mais de um ano atrás.

— Oh. — Yoongi coçou a nuca com a mão livre. — Meus pêsames.

— Tudo bem. — Jimin se virou para o mais velho. — Vem, você deve estar cansado depois de ter sido perseguido.

— Sim, eu estou — murmurou, seguindo Jimin.

Eles entraram em um quarto de chalé em tamanho médio, com tons marrons e verdes. Tinham alguns vasos de plantas espalhados e um pisca-pisca de estrelinha preso no teto em cima da cama. No banco de madeira perto da cama, tinham alguns cobertores enrolados como se fossem um ninho, provavelmente era para o ovo. O moreno pensou em como Jimin conseguia ser atencioso até nisso.

— Eu vou pegar algumas roupas minhas e você toma um banho. Você é tampinha que nem eu, Yoongi, então minhas roupas devem servir.

— Não se preocupe, você é mais tampinha do que eu — sussurrou. — Segura aqui, por favor. — Yoongi estendeu o ovo para o azulado.

Jimin olhou o ovo com medo de que ele quebrasse nas suas mãos, já o bruxo tirou uma bolsinha de algum lugar. Ele a abriu e o mais novo deu um pulo quando Yoongi enfiou o braço todo dentro dela.

— Huh? — O bruxo olhou para Jimin assustado. — Magia, essas coisas — tentou explicar.

— Isso é tão legal, minha vida seria trinta por cento mais fácil se eu tivesse um negócio desses. — Yoongi riu.

— Ahá! — Sorriu, pegando algo. — Meu pijaminha! — Mostrou uma roupa dobrada para Jimin.

O mais novo riu em deslumbre e animação.

— Isso é tão Harry Potter!

O sorriso de Yoongi se desmanchou.

— Harry Potter — disse com desdém.

— Você não gosta? — Yoongi riu de desprezo e fez uma careta para o rapaz.

— Não. Pensa comigo: um estadunidense faz um filme sobre coreanos sem nunca ter vindo para cá nem pesquisado sobre. É isso o que eu sinto vendo Harry Potter: se você não conhecer o mundo da magia, é incrível.

— Mas ela acertou algumas coisas, tipo a bolsinha — respondeu, apontando o dedo para o objeto.

— Sim, se você atirar para todo lado, alguma coisa você acerta. — Deu de ombros. Doía em seu orgulho ter que admitir que eles estavam certos no que quer fosse.

— Entendo. — Risonho, Jimin foi até o banco deixar o ovo no ninho improvisado que fizera. — Vou te deixar em paz agora. Caso queira qualquer coisa, o meu quarto é o que fica de frente pro seu, na sua diagonal. — Riu nervoso. — Te vejo amanhã. — Sorriu, indo em direção à porta.

— Amanhã, se você tiver tempo, nós podemos começar o seu treinamento de magia. — Sorriu gentil.

— Sério?! — o azulado gritou, e o moreno viu seus olhos brilharem. — Eu acho que nem vou dormir de ansiedade! Obrigado, Yoongi! — Jimin se curvou e saiu correndo do quarto.

Apesar do cansaço, Yoongi não conseguiu dormir, passando a noite olhando para todos os lados, preocupado. Ele tinha medo que a qualquer momento um portal fosse abrir na sua frente, ou a janela acima de si quebraria e um policial aparecesse do além. Ou até mesmo Jimin se mostrar um bruxo e o entregar. Ser foragido não era fácil.

Por outro lado, o mais novo também não conseguia dormir. Estava animado brincando com as mãos como se estivesse fazendo feitiços. Uma brincadeira infantil a princípio, mas sabendo que no dia seguinte ele iria realmente aprender magia, aquilo não parecia mais uma brincadeira.

Logo pela manhã, Jimin estava se empenhando na cozinha. Não eram muitas vezes que ele se esforçava para cozinhar, entretanto, agora tinha uma visita e não poderia decepcionar!

A cozinha do azulado era conectada com a sala, era uma área grande e aberta. A parede esquerda era de vidro e tinha porta que dava para o quintal. Agora, se a avó de Jimin visse o estado da cozinha, ela iria arrancar os fios azuis um por um. Era um caos. Seu rosto estava sujo de massa, tinham várias panelas sujas espalhadas pela cozinha e também tinha um pouco da mistura no teto, porque Jimin tentou virar a panqueca e não deu muito certo.

Apesar de estar se dedicando, ele estava bastante distraído, e a sua terceira panqueca queimada demonstrava isso.

Gemeu em descontentamento ao ver mais uma tentativa falha.

— Bom dia, Jimin-ssi! — Yoongi chegou na cozinha com o ovo em mãos.

— Oi, Yoongi.

— O que você ‘tá fazendo? — indagou curioso.

— Eu? Bom… — Olhou para o que parecia carvão na frigideira. — Panquecas levemente torradas.

— Você quer ajuda? — perguntou, apoiando a cabeça no ombro de Jimin, que deu um pulo.

— Que susto, Yoongi, não faz isso!

— Desculpa. — Riu, mas continuou na mesma posição.

— Cadê o ovo?

— Ali. — Apontou com a cabeça para um banco acolchoado que ficava entre a sala e a cozinha.

— Eu sinto que nós precisamos de um nome para ele, chamar ele de ovo é meio estranho.

— O que foi, Jimin? Você não gosta do meu ovo? — perguntou rindo. Jimin deu-lhe um tapa leve com a espátula em resposta.

— Você é idiota. — Desviou o olhar, tentando esconder o sorriso.

— Parece que você está tendo problemas com… O que você estava tentando fazer mesmo?

— Panquecas — Jimin falou meio incerto com a atrocidade culinária que fez.

— Eu posso te ajudar?

— E você lá sabe cozinhar?

— Sim, mas por via das dúvidas, eu posso usar magia — disse simples, sorrindo de lado.

— Certo. — Jimin entregou a espátula e o seu avental para Yoongi. — Não queime a minha cozinha.

— Não mais do que você já queimou.

— Ridículo! — Mostrou a língua. Yoongi riu. Nunca imaginou que fosse se sentir confortável com um estranho em um período tão curto.

O azulado foi em direção à mesa em que eles lancharam no dia anterior e sentou-se em uma das cadeiras acolchoadas. Com a cabeça apoiada em suas mãos, observava o maior de costas cozinhando enquanto murmurava alguma música.

— Bem husband material... — Jimin sorriu consigo, mas balançou a cabeça para afastar essas ideias e desviou o olhar para o ovo. — Hmm... Já sei! Haneul!

— Haneul? — perguntou confuso.

— O nome para o ovo — respondeu. — É sério, continuar chamando de ovo do Yoongi não rola.

— O que você tem contra o meu único ovo? — perguntou rindo.

— Cala a boca, monobola! — Riram em uníssono com o quão idiotas os dois eram.

Yoongi se aproximou de Jimin com um prato com três panquecas empilhadas, dessa vez sem estarem queimadas.

— Mas já?! — O moreno assentiu, sorrindo gentil.

— Você tem mel ou maple syrup?

Jimin se levantou e foi em direção a um armário.

— Tenho os dois. Eu raramente uso o maple syrup, mas sempre que vou ao mercado de importados eu compro. Consumismo, talvez. — O mais novo colocou os dois vidros na mesa, e Yoongi foi fazer as suas panquecas. — De que tamanho o Haneul vai ficar? — questionou, colocando uma garfada na boca.

— Eu não concordei com esse nome — Yoongi reclamou, apoiando o rosto em uma mão enquanto enchia suas panquecas de mel.

— Tarde demais. Seu sobrenome é Min, né? — Yoongi assentiu. — Min Park Haneul.

— Já adotou ele? — Sorriu, divertindo-se com a situação.

— Ele 'tá morando na minha casa e eu não posso te deixar ser pai solteiro, você parece ser bem desnaturado.

— Então agora eu e você temos um ovo. — O bruxo mordeu o lábio inferior.

— Pelo amor, para com isso! — respondeu a contragosto.

Yoongi riu alto, e Jimin achou a sua risada a coisa mais fofa do mundo. Rapidamente, ele cruzou os braços e desviou o olhar, tentando focar em algo que não fosse o seu rosto vermelho.

— Dá para você comer mais rápido? Eu quero aprender nem que seja mover copos sem as mãos.

— Você deu sorte, mover coisas sem as mãos é o básico da magia.

— Sério mesmo?! — Os olhos do mais novo brilharam.

— Uhum! — murmurou com a boca cheia.

— Vou escovar os dentes, se apressa! — Jimin se levantou, e Yoongi o viu sumir no corredor.

— Ah, esse aí vai dar trabalho. — Suspirou audivelmente consigo.

Depois do café, os dois foram para o quintal da casa, Haneul — o moreno ainda não tinha concordado com esse nome — foi deixado em um banco, no qual, assim como no quarto do Yoongi, Jimin fez um ninho de cobertores para ele.

O Sol estava brilhando no céu sem nenhuma nuvem, mas não estava quente por conta de uma brisa fresca que passava por eles. O quintal de Jimin era bem grande, não tinha cerca, no lado esquerdo e na parte de trás tinham algumas árvores que delimitavam o terreno, sem contar a vastidão de flores.

Perto da casa, tinha uma mesa de madeira. Yoongi a colocou um pouco afastada da residência, e o bruxo alinhou algumas latas em cima da mesa.

— Ok, Jimin! — Yoongi se aproximou do rapaz, erguendo sua varinha para o mais novo. — Você vai apontar a varinha para uma latinha, se concentrar bem e dizer “Consurge”. Simples.

Receoso, o menor pegou o objeto e balançou de leve, sentindo que aquilo não era feito para si.

— Tem certeza que eu consigo? — perguntou nervoso.

— Claro! Magia, no geral, é sobre energia, boa ou ruim. Todos nós temos energia, só precisamos aprender a controlá-la. Apenas a sinta e fale o comando, assim você vai estar direcionando ela para algum lugar específico. É claro que tem várias regrinhas e explicações para isso que nós aprendemos na escola, mas, para o Intensivão do Yoongi, elas não são importantes, pelo menos não agora. Tente. — O bruxo se colocou atrás de Jimin, com medo de acabar se machucando.

Jimin apontou a varinha para uma latinha e respirou fundo, logo se concentrando. O azulado sentiu a energia fluir por si.

Yoongi se afastou ainda mais, vendo que Jimin não havia percebido o vento que se formava ao redor de si, os seus olhos estavam amarelos brilhantes e pareciam que raios da mesma cor corriam pelo seu braço direito em direção a varinha.

— Consurge! — Sua voz saiu calma e imponente, como se ele já tivesse pronunciado a palavra várias vezes.

Jimin gritou assustado ao cair para trás com a força da energia que saiu da varinha, Yoongi tentou o segurar, e os dois caíram juntos na grama. Eles olharam para o resto das três latas que explodiram.

— Deu um pouco errado — Jimin disse, levantando-se e dando a mão para que Yoongi se levantasse também.

— Sinceramente, por ser sua primeira vez, eu nem esperava que você conseguisse mover uma lata, mas você conseguiu explodir elas. Sua energia, como eu posso dizer... — disse pensativo. — É forte demais para um humano comum.

— Huh? — murmurou confuso. Sua cabeça estava girando devido à energia, então tudo que Yoongi dizia parecia desconexo. Precisou de alguns segundos para conseguir voltar à realidade.

— Você teria algum parente bruxo? — Yoongi cruzou os braços, genuinamente curioso.

— Não. — Jimin sacudiu a cabeça. — Bom, eu não tenho parente. Só eu e minha avó, ela me contou que minha mãe foi assassinada e que o meu pai é um filho da puta que infelizmente está vivo. Só isso que eu sei.

— Que estranho, eu já ouvi uma história assim… Deve ser coincidência. De qualquer forma, nós temos que ver isso — mudou de assunto.

Jimin devolveu a varinha.

— Então nós continuamos a aula depois? — o mais novo perguntou, e Yoongi assentiu ainda imerso nos pensamentos. — Eu vi que ontem você estava explorando a casa, você pode continuar. Eu vou fazer umas coisas no meu quarto. Qualquer coisa, você grita. — Sorriu gentil.

Yoongi apenas assentiu, sentindo-se envergonhado mais uma vez por ter sido pego.

O bruxo não achou nada de diferente, era uma casa em estilo chalé comum. Isso até ele achar uma porta que dava em uma escada para um andar abaixo do térreo.

Desceu usando a varinha como lanterna. Andando pelo corredor escuro, ele deu de cara com uma porta e conseguia sentir que tinha algo estranho atrás dela. Algo mágico. Magia forte.

— Tem caroço nesse angu. Ou o Jimin realmente não sabe de nada, ou ele está mentindo para mim — pensou alto. — Se ele estiver mentindo: por quê? Eu não acho que ele esteja mentindo, eu não quero acreditar que ele esteja mentindo. Mas de qualquer forma, dois podem jogar esse jogo.

O bruxo foi para o quarto de Jimin perguntar sobre. Yoongi estava com a mão no bolso, segurando a varinha, ansioso para a reação do azulado.

— Jimin? — O bruxo o viu erguer a cabeça detrás de uma máquina de costurar.

— Sim? — Sorriu gentil.

— Eu tenho algumas perguntas para te fazer. — Yoongi não mostrou nenhum sorriso em resposta, apenas cruzou os braços.

— Hm? Você ficou sério do nada. O que foi? Eu não tenho nenhum esqueleto perdido por aí. — Riu, esperando a mesma reação do outro, mas, quando não a recebeu, simplesmente ficou sério também. — O que aconteceu? — murmurou preocupado.

— Nessa casa tem um porão?

Jimin assentiu com a cabeça e se levantou.

— Sim, mas eu não entro muito lá. Você foi lá? Me desculpe pela bagunça.

— Não é isso. Tem uma sala trancada, o que tem lá?

— Oh, aquela sala. — Desviou o olhar. — Eu não sei.

— Não sabe? — repetiu, suspeitando ainda mais.

— Não sei. Aquela era a sala da minha avó, ela sempre me proibiu de entrar lá. Acho que ela até foi enterrada com a chave daquela sala — respondeu baixo e se encolheu levemente.

— Você nunca entrou lá? — Jimin negou com a cabeça. — Você não está mentindo para mim?

— Por que eu mentiria? — O azulado o olhou desacreditado e, de certo modo, machucado pela suspeita.

— Sei lá. — Yoongi deu de ombros e desviou o olhar. — Nem teve curiosidade de ir lá?

— Curiosidade eu tive, mas nunca entrei. Minha vó me proibiu, por que eu entraria lá? — Jimin cruzou os braços e olhou pela janela que ficava na parede contrária, em cima da sua cama.

— Mas ela 'tá morta — Yoongi apontou o óbvio.

— E? — Jimin voltou a encarar o bruxo. — E se ela ver, de onde quer que ela esteja, e proibir a minha entrada no céu?

Yoongi o encarou desacreditado.

— É sério?!

— Seríssimo!

O bruxo abaixou a sua guarda e mordeu o lábio inferior para não rir.

— Olha, eu tenho um amigo que fala com mortos, qualquer coisa a gente vai nele e pede desculpas para a sua avó, porque eu senti que naquela sala tem alguma coisa mágica.

— Sério?! — O azulado franziu as sobrancelhas com uma mistura de medo e curiosidade. Yoongi concordou. Jimin deixou os braços caírem e mais vez admitiu uma postura aberta em relação ao moreno. — Então, se a gente entrar na sala, o seu amigo vai me ajudar a pedir desculpas para ela?

— Isso, nós só temos que levar um pertence dela para ele fazer o contato.

— Certo, mas como vamos abrir a porta? Eu não tenho a chave.

— Ora, você nunca arrombou uma casa?

— Não? — Jimin se afastou um pouco. — Você já?

Yoongi deu de ombros.

— Vamos lá. — O bruxo entrelaçou o seu braço com o do mais novo e o arrastou para o andar debaixo. — Eu sinto que estou te corrompendo — murmurou.

— O que você vai fazer?

Yoongi respirou fundo e bateu o ombro direito contra a porta perto da maçaneta. O azulado deu um pulo para trás.

— Esse é o seu plano?!

— Você tem gazua por acaso?

— Que isso?

Yoongi suspirou e sacudiu a cabeça fingindo estar decepcionado.

— Você nunca jogou, sei lá, jogos tipo Resident Evil?

— Não, eu gostava mais de jogo de ritmo. E minha vó me proibia de jogar esse tipo de jogo.

O bruxo revirou os olhos e mexeu na maçaneta.

— Certo, acho que, com mais umas duas investidas, ela vai ceder. Seria mais fácil se alguém me ajudasse.

— Eu não vou foder o meu lindo ombrinho para ajudar o arruaceiro aí. — Jimin desviou o olhar de maneira esnobe, e Yoongi mostrou a língua.

O bruxo se jogou mais três vezes contra a porta e caiu para dentro quando a fechadura quebrou. O mais velho se assustou com a queda, gritando em desespero.

— Yoongi? V-você está bem? — Jimin perguntou, se aproximando.

— Sim — murmurou, erguendo-se. — Você tem gelo, né? — O mais novo assentiu, e os dois começaram a olhar a sala.

O cômodo era irregular com a estética do resto da casa, que era de um chalé aconchegante. Ele era todo escuro, a única coisa que o iluminava eram raios amarelos que percorriam as paredes — semelhantes aos que correram pelo braço de Jimin naquela manhã — e quatro selos, um em cada parede, também brilhantes.

Yoongi olhou para os selos enquanto Jimin estava mais interessado em um armário que tinham diferentes tipos de frascos.

— Merda — o bruxo murmurou.

— O quê? — o menor perguntou e Yoongi se aproximou dele, agarrando o seu braço com uma certa força.

— Você sabe o que esses selos significam?

— Claramente não.

— Como eu posso explicar? Quando um bruxo coloca esses quatro selos juntos em um espaço só ele pode usar magia, tipo um domínio só dele. — Yoongi sacou a sua varinha. — Quod Lux In Pompa. — Nada aconteceu.

— O que deveria ter acontecido?

— Era para ter saído fogos de artifício.

— Você ia soltar fogos de artifícios dentro de casa?! — Jimin o olhou incrédulo.

— Foi só um teste, ok? Não ia acontecer nada de mais.

— É, só um incêndio. — O azulado desviou o olhar e voltou a analisar a sala. — Então, nós podemos tirar de conclusão que a vovó é uma bruxa.

— Não só isso, mas uma bruxa relativamente poderosa. Não é qualquer um que consegue fazer esses selos.

Jimin engoliu em seco assustado e olhou para o mais velho.

— V-você pode me soltar agora? Está me machucando.

— Me desculpa. — Yoongi o soltou e ele voltou a olhar a sala.

— Yoongi-ah! Para que isso serve?! — Jimin perguntou com um livro em mãos.

O mais velho se afastou.

— Isso… Isso… — Aproximou-se do livro, olhando atentamente o brasão na capa. — É um livro de magia, mas não é só isso, esse é o brasão da família real. Eu não posso nem tocar nesse livro. — Ele invadiu o espaço pessoal de Jimin, olhando-o diretamente nos olhos. — Não pode ser.

— O-o quê? — O azulado desviou o olhar.

— Vou te contar uma história... Há muito tempo, mas nem tanto, havia uma rainha de um reino muito poderoso, e por conta disso, muitas pessoas queriam tomá-lo dela. Mas as tentativas de usurpação não eram a única coisa que a preocupava, tinha também a sua filha. A princesa. Como eu posso dizer? Era meio desligada das coisas, não se importava com nada, ela costumava agir como uma adolescente. — Jimin abraçou o livro, ouvindo atentamente as palavras de Yoongi como se fossem as histórias de contos de fadas que sua avó contava quando ele era menor. — Os problemas da rainha chegaram no ápice quando a princesa chegou em casa com um namorado. Quem era esse namorado? Ninguém sabia, mas a rainha pôde perceber que esse cara não era boa coisa. Então, a princesa engravidou, a criança não tinha nada a ver com isso, ela foi simplesmente jogada nesse caos, porém agora o namorado tinha uma ligação com a família real que só poderia ser quebrada se a criança morresse. — Andou de um lado para o outro enquanto batia as mãos nervoso. — Assim que a criança nascesse, o namorado seria o rei se a rainha, a princesa e o bebê morressem, certo?

— Uhum — murmurou, interessado na história.

— Errado, Jimin. Como o namorado não era marido, ele não tinha direito nenhum ao trono.

— Oh! — O azulado colocou a mão debaixo do queixo pensando.

— Pois é. Sinceramente, eu duvido que o parlamento deixasse um zé ninguém tomar o poder. Porém, ele era um zé ninguém com um grande apoio da oposição que queria tomar o poder. — Yoongi se virou rápido, e Jimin deu um sobressalto. — Então, logo depois que o bebê nasceu, quando era um menininho, o castelo foi inundado por um grito de horror. Na manhã seguinte, encontraram a princesa morta na cama, a rainha e o bebê desaparecidos, e o namorado desesperado sem saber o que aconteceu. Pelo menos é o que ele diz.

— Hmm... — Jimin apoiou o dedo na boca pensando.

— Então nós chegamos aqui! Onde você foi criado pela avó, seu pai, que é um filho da puta, matou a sua mãe. Você tem uma energia muito forte, e a sua avó não só tem uma sala com coisas mágicas, como também o livro de magias da família real. Você entende onde eu quero chegar?

— Eu acho que não.

Yoongi colocou as mãos nos ombros do mais novo e mirou novamente no fundo de seus olhos. Jimin abriu de leve a boca levemente perdido nos orbes castanhos.

— Eu acho que você é o filho da princesa — sussurrou devido à distância.

— E-Eu sou um príncipe?!

— Rei. Sua avó morreu, então rei.

— Ai, meu Deus!

— Mas... — Yoongi se afastou. — Não tem como ter certeza a não ser que nós falemos com a sua avó.

— Como isso funciona? Seu amigo mexe com tabuleiros Ouija ou algo assim?

— Não exatamente. — Ele suspirou. — Quando você termina a escola, você não vai para a faculdade e foca em uma área do conhecimento? Então, acontece o mesmo com a gente. Por exemplo: minha especialidade é a natureza, eu mexo com plantas e animais. Já esse amigo é a arte da necromancia, tem magos que mexem com os elementos da natureza e por aí vai.

— Então vamos vê-lo! Eu tenho muitas perguntas.

— Como eu disse, ele vai pedir para você levar algo dela para fazer a ligação.

Jimin ergueu o livro para o mais velho.

— Isso serve?

— Serve. Aliás, o que você estava fazendo lá em cima?

— Oh, verdade! Vem ver! — O mais novo começou a puxar Yoongi em direção ao quarto. Jimin pegou um pedaço de pano e o mostrou para ele. — Tcharam! — Sorriu animado.

— E isso seria?

— Um sling!

— De novo: e isso seria?

— Você nunca viu um sling? — Jimin perguntou, balançando o pano de maneira dramática.

— Não. — Negou com a cabeça.

— Em que mundo você vive?!

— No da magia — Yoongi respondeu de maneira levemente debochada, mas logo se arrependeu depois de ver o olhar mortal que o azulado lançou para si.

— Duvido que lá não tenha isso! Isso aqui é para segurar bebês sem as mãos, você amarra no corpo e o carrega.

— Certo, mas eu não tenho um bebê.

— Ainda não, mas tem um ovo! Que é quase um bebê! — Jimin movimentou as mãos freneticamente para ilustrar.

— Oh! É para eu carregar o Haneul por aí?

— Isso! Nossa, você é meio estúpido.

Yoongi pegou o sling, e Jimin o amarrou nele.

— Perfeito! Eu vou pegar o Haneul. — O mais novo saiu correndo para o quarto de Yoongi, onde o ovo estava esse tempo todo.

— Tem certeza que ele não vai cair? — o bruxo perguntou preocupado, ele havia quase morrido por conta desse ovo.

— Se aguenta uma criança se balançando, aguenta um ovinho.

— Eu diria ovão.

— Eu não entendi o que você quis dizer e sinto que eu não quero saber, mas chega. Nós podemos ir? — disse, pegando a tiracolo e colocando o livro da avó dentro.

— Claro.

Yoongi sacou a varinha, e Jimin viu um portal parecido com o da noite de quando os dois se conheceram, a diferença é que do outro lado tinha uma fachada de casa. O portal ficou maior até que os dois pudessem passar. O menor agarrou o braço do mais velho com medo.

— A realeza primeiro.

— N-nós vamos juntos! — O azulado pegou em sua mão e a apertou.

— Tudo bem.

Yoongi sorriu, e os dois passaram. Em teoria, era simples, mas Jimin sentiu que o seu cérebro tinha virado geleia no meio do caminho.

— Gostou da viagem?

— Eu acho que eu vou vomitar. — O menor se sentou na grama.

— Não temos tempo para você passar mal. Se alguém me ver, nós três estamos fodidos. — O bruxo ergueu Jimin que se apoiou nele, sentindo-se fraco.

~~~~


Notas finais: é a minha primeira fanfic para o 2min e estou bastante animada para a nossa caminhada que acaba de começar.
obrigada por ler e espero que gostem!

26 января 2022 г. 22:21:16 0 Отчет Добавить Подписаться
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