blueapous Corvo

Elliot Fitz estava no auge de toda a sua carreira como escritor de contos e romances, sendo bem reconhecido pelos melhores críticos da literatura do anos de 1960. Após lançar inúmeras obras ao longo de sua carreira, Elliot perdeu toda a magia da escrita aos 30 anos, sofrendo de um grande desgaste mental pelo seu trabalho duro. Quando conheceu um homem que trajava longas vestes pretas chamado Hector Chopin, Elliot começou a questionar a si mesmo se ele era alguém real ou apenas um ser místico que a sua mente doente criou.


Короткий рассказ 13+.

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Короткий рассказ
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Dark Macabre

Escritores são conhecidos por escreverem as melhores histórias, criando cenários, vidas, opiniões, mundos e novas realidades. Tirando a dor e o desespero de muitos leitores ao redor do mundo que almejam libertar-se de seus demônios e fantasmas, pedindo socorro por suas almas através de livros. Livros que contenham as melhores histórias, os melhores personagens, o melhor enredo, o melhor final.

Sem erros, leitores não gostam de erros.

Uma das maiores dificuldades em ser um autor, é que as pessoas não compreendem bem o que realmente eles querem e desejam transmitir em suas histórias, causando confusões em suas vidas e suas obras que levaram tempos para poderem, finalmente, concluí-las.

Elliot Fitz era a maior prova de toda a confusão naquele mundo instável e desesperado por perfeição.

Ele era considerado um dos melhores autores de terror e romance dos anos 1960, tendo mais de cem milhões de cópias de suas obras vendidas por todo o mundo. A liberdade que costumava sentir quando era mais jovem ao escrever, era parecida com conforto e identidade, o lugar em que ele poderia desfrutar os seus piores pensamentos sobre o lado obscuro do ser humano, focando na raiva, dor, solidão, angústia e medo.

O seu primeiro conto chamado “O Corvo”, inspirado no conto do famoso escritor de terror de todos os tempos, Edgar Allan Poe, foi escrito para si mesmo numa época em que ele sentia ânimo ao escrever em sua velha máquina de escrita que ficava em seu quarto debaixo da escada.

Elliot jamais explicou o verdadeiro significado de seu conto, mesmo sendo, atualmente, um dos melhores escritores desde Edgar Allan Poe.

Sabe quando o seu corpo começa a reagir no automático? Fazendo aquilo por, apenas, uma grande obrigação? Era assim que Elliot se encontrava no auge de toda a sua carreira; indisposto, mórbido e morto. A pressão que sentia de seu público não era comparada à angústia que descreveu em seu conto.

“Então o corvo fez o que pedi: devorou a minha pele, os meus olhos, o meu coração. A minha carne podre permaneceu no chão gélido, o corvo não se deu o trabalho de terminar a sua refeição.”

Elliot Fitz estava sentado em uma cadeira do bar onde acontecia um evento organizado exclusivamente para si, vestindo o seu terno cor de vinho enquanto segurava uma taça com vinho tinto em sua mão esquerda, um cigarro preso entre seus lábios. Ele estava observando todos aqueles corpos masculinos à sua frente, observando-os andar de um lado para o outro, com charutos presos entre os dentes, a fumaça se espalhando gradativamente pelo local.

Ele estava com aquela expressão debochada no rosto, tragando fundo o cigarro e bebericando um pouco de seu vinho tinto, mais parecido com o sangue de um defunto.

Observava todos aqueles corpos ricos e refinados com desconfiança, os seres humanos são animais do inferno, rondando sem interesse pelos lugares, tentando encontrar uma brecha para que possam, finalmente, atacarem a sua presa. Elliot não costumava ser a presa, ele era o predador, daqueles silenciosos que matavam qualquer um, na palma de sua mão, sorrindo ao ver o sangue vermelho escorrendo de suas gargantas.

— Senhor Fitz, teremos uma entrevista em sessenta minutos — avisava a bela moça de olhos esverdeados e de pele negra, seu semblante sério intacto.

Elliot apenas balançou a cabeça em concordância, odiava dar entrevistas para curiosos, ainda mais para programas de TV, que faziam questão de focar em seu rosto completamente debochado.

Tragou fundo novamente, dessa vez sentindo um corpo masculino sentando ao seu lado, o homem vestia roupas grandes e pretas, usando uma maquiagem preta com formato de olho de gato em ambos os olhos. Ele soube de imediato quem era.

Hector Chopin, um autor de contos de terror bem criticado pela imprensa, alguns até diziam que ele seria o próximo “Edgar Allan Poe”, Elliot achava ridículo. Ainda mais sendo Hector Chopin.

O homem com olhos de gato acendeu um cigarro, colocando whisky em seu copo, virando seu corpo para Elliot, olhando-o profundamente.

— Sou um grande fã de suas obras, Elliot Fitz — A voz dele soou sensual, confiante e determinada. Tinha um sorriso elegante nos lábios que estavam molhados de bebida alcoólica.

Elliot procurou uma palavra certa para definir o quão poderosa era aquela voz, talvez soasse como uma música de Frédéric Chopin, tocando na alma escura e aterrorizada. Não era uma voz melosa mesmo que soasse doce, era um tom de voz ousada e horrífica, talvez fosse essa a verdadeira voz do vinho tinto que estava segurando em sua mão esquerda.

Elliot desviou os seus olhos para os mirantes escuros de Hector, semelhantes ao pecado, fundos como o poço das almas atormentadas. Eram olhos fixantes, confiantes e ousados, exalavam mistério e tenebrosidade.

O Fitz tragou fundo o cigarro, jogando a fumaça no rosto de Hector, que apenas sorriu ladino e acendeu um próprio cigarro.

— Todos que estão aqui são admiradores das minhas fantásticas obras, caro Hector. Não fico surpreso em saber que o senhor também seja o meu admirador — confiante, ele disse. Sorrindo sarcástico logo em seguida.

— Vejo que o senhor, Elliot Fitz, conhece as minhas obras, não? — ele respondeu.

— Posso conhecer o seu rosto por estar estampado em muitos lugares da Nova Orleans, mas jamais li alguma obra de sua produção, meu caro — bebericou o seu vinho tinto novamente.

— Bom, isso não é importante ou é, sr.Elliot? — o homem exalava uma sensualidade sem fim, a sua beleza sendo uma das mais magníficas que Elliot havia visto.

— O que o senhor deseja, Hector? — cheio de certeza, Elliot perguntou.

— Por que acha que estou desejando algo, sr.Fitz? Sou apenas — enfatizou — um dos melhores contistas de terror, alguém que estão denominando de “o próximo Edgar Allan Poe”. Por que acha que quero algo de você, uh?

— Todos desejam algo de Elliot Fitz, todos esperam algo grande e fantástico vindo de minha pessoa. Por que você não esperaria algo vindo de mim? — pegou uma outra bebida que estava na pequena mesa ao seu lado, dando um gole gentil naquele líquido vermelho. Sangue, sangue de carneiro.

— Como o senhor conseguiu toda essa fama sendo uma das pessoas mais repugnantes e sujas que eu poderia conhecer? Como o senhor, Elliot Fitz, está acima de mim, sendo esta alma pecaminosa e repleta de egocentrismo? — o homem tragou fundo o seu cigarro, pegando a bebida vermelha que estava nas mãos do Fitz, bebendo ela como se fosse um vampiro sedento por sangue.

— A fama nos transforma, caro Hector Chopin. Os meus livros, histórias, contos, poemas, leitores, especialmente os leitores, sugaram toda a energia boa que eu poderia transmitir — tombou o pescoço para o lado, analisando profundamente o homem vestido de preto à sua frente. Ele parecia ainda mais irreal, como um delírio.

Hector levantou do lugar em que estava, indo silenciosamente para o balcão de onde ficavam as bebidas, ele estava chamando por Elliot discretamente, como se fosse um predador nato, sabendo exatamente como controlar as suas presas adivinhando todas as suas fraquezas.

Ele via Hector, mas, ao mesmo tempo não o via, era como se ele fosse realmente um delírio de sua mente repleta de mundos e palavras, como se ele estivesse rondando em sua cabeça, procurando por respostas e mais respostas. Tentando desvendar os seus segredos para a fama como um detetive nato, como se quisesse mostrar para Elliot que nem mesmo ele tinha noção de suas próprias respostas.

Elliot foi até ele, ignorando todas as pessoas ao seu redor sempre que o cumprimentavam. O homem de roupas pretas e olhos escuros lhe ofereceu um outro cigarro, sua mão esquerda repleta de desenhos abstratos; inúmeras referências aos contos de Edgar Allan Poe, ao poema escrito para orquestra de Camille Saint-Saëns “Danse macabre” do qual falava sobre a diversidade da morte, o destino de todos os seres vivos e H.P Lovecraft.

— O que você, sr. Fitz, quer dizer com “Especialmente os leitores”? Acha que é por causa deles que o senhor está devidamente afundado em um bloqueio literário sem fim? Quero dizer, como isso afeta a sua vida como escritor? Saber que todos podem o criticar é motivo de medo? Do que o senhor tem medo, realmente? — ele puxou o ar de volta, parecendo tranquilo com o seu charuto preso entre os dentes.

— Por que faz tantas perguntas? Como sabe de tantas coisas? — confuso, perguntou.

— O que aconteceu, verdadeiramente, com o mestre do terror? Há muitos boatos e teorias sobre o que realmente aconteceu com o senhor. Estão o acusando de ser satânico, sabes disso?

— Também posso saber de muitas coisas, meu caro.

— A sua obra “O Julgamento dos Vermes” é uma resposta para os seus leitores? O que acha, realmente, de todas essas acusações?

Virou seu rosto quando ouviu ser chamado pelos seus sócios para a entrevista que estava prestes a participar, mas quando olhou para o banco que Hector estava sentado em sua frente, não havia mais ninguém por lá. Teria Hector saído rapidamente daquele lugar ou ele era apenas um dos fantasmas que estavam lhe acompanhando nos últimos anos?

Ele se levantou do balcão em que estava sentado, se dirigindo para um estúdio pequeno onde faria a sua entrevista para um programa de TV.

Todos olharam para ele admirados, repletos de esperanças em seus olhos e expressões faciais.

Elliot odiava toda aquela expectativa que as pessoas tinham de si, como se fosse a sua obrigação falar todas as palavras mais perfeitas e exatas, como se esperassem, de sua resposta, um livro por inteiro.

— Vamos começar em 1,2...3! Gravando!

— É um prazer enorme tê-lo aqui, sr.Elliot Fitz — disse o repórter repleto de esperança em seus olhos.

— Claro — respondeu.

— Por favor, conte-nos a história de sua vida.

— A história da minha vida? Não acha que é uma pergunta sem noção?

— Ah! O seu humor é sempre contagiante, senhor. Claro, vou corrigir: poderia nos contar como começou a sua vida com a escrita?

— Eu sempre escrevi, deixo isso óbvio em todas as minhas obras. Crio mundos e personagens diferentes, tentei de tudo que o mundo literário poderia me oferecer.

— Imagino que a sensação de escrever seja, de fato, a melhor, não é?

— Não mais. A última vez que escrevi algo foi há três anos. Não tenho mais interesse pelo mundo literário, não sinto amor ao escrever ou produzir novas obras. — respondeu sincero, soando debochado como sempre fazia. — É apenas no automático.

— O que você realmente ama quando escreve?

— Não há mais emoção. Não há sentimentos.

— Pode nos revelar o motivo?

— Não escondo nada das pessoas, não tenho problemas em mostrar o que realmente penso do mundo literário. Estou cansado, posso dizer assim.

— Cansado? Do que realmente você está cansado?

— De mim, dos leitores, das pessoas, do mundo. É apenas um cansaço sem fim, de longa duração. As pessoas não se importam com o que sinto ou como me sinto, elas apenas querem histórias boas que as façam sair de suas malditas realidades, porém estas pessoas não querem saber se estou querendo criar realidades para elas.

— Entendo. Há uns meses o senhor foi envolvido em uma polêmica após uma análise longa de um crítico da sua obra “O Julgamento dos Vermes”, o senhor insinua que o seu personagem ou até mesmo você, seja satanista. Poderia nos revelar a verdade?

— Deixo claro que o que escrevo nas minhas obras não são, na sua maioria, em relação a minha pessoa. Quando produzi essa obra, deixei claro a minha admiração pela religião, jamais disse fazer parte. Como eu disse, os leitores são a minha maior ruína nessas situações.

Hector estava do outro lado do estúdio fazendo anotações em seu caderno sempre que Elliot resolvia falar algo. Ele era o ser mais tenebroso, sensual e completamente narcisista que havia conhecido, lembrava de si mesmo quando mais jovem, nos tempos em que escrever era mais que produzir, e sim sentir.

A entrevista terminou minutos mais tarde, ele se dirigiu para o lugar do qual estava sentado mais cedo e acendeu outro cigarro, Hector estava logo atrás de seu corpo, passando as mãos tatuadas pelo seu pescoço.

— Que bela entrevista, senhor — ele se sentou ao seu lado, não desviando os olhos um segundo sequer de seu corpo e rosto.

— Você faz parte da minha imaginação? — perguntou, tentando soar o mais natural possível.

— Posso estar muito além de toda essa bagunça que você denomina de “imaginação” — respondeu em hesitar — Diga-me, o que você enxerga quando olha para todos esses corpos dançantes?

— Lembro-me imediatamente de Danse Macabre. Estas pessoas são mortos, cadáveres celebrando as suas próprias vidas medíocres.

— Fascinante. — admirado, respondeu.

— Quem é você, verdadeiramente, Hector? É mesmo, apenas, um escritor famoso? É alguém que realmente existe? Eu não criei você em minha mente conturbada? — segurou firmemente o cigarro entre os dedos, olhando profundamente nos olhos dele.

— É claro que sou real, Elliot Fitz. Você acha mesmo que poderia conversar com uma entidade fabulosa como eu? Leia as minhas obras, elas são magníficas e fantasiosas como eu. Este evento deveria ser meu, não seu. — ele sorriu, novamente, ladino.

— Por que acha isso, meu caro? Fiz mais pelo terror do que todos esses vermes presentes. Escrevi histórias incríveis, que ninguém jamais foi capaz de escrever.

— Exceto, Edgar Allan Poe. — ele disse.

— Isso.

Horas mais tarde o evento terminou, todos cumprimentavam Elliot extasiados, alguns pediam por autógrafos e outros expressavam a sua grande admiração pelo autor. O Fitz estava procurando por Hector Chopin, o homem com olhos de gato e roupas pretas que havia conhecido mais cedo.

Algo em Hector lhe chamou atenção, talvez fosse os seus traços sensuais e a sua arrogância sem fim, o narcisismo que combinava apenas com ele. Apenas com aquele ser repleto de tenebrosidade. Elliot o procurou por todos os lugares daquele salão, procurando pelos seus belos fios escuros, pelo longo sobretudo preto coberto de penas pretas.

Mas nada encontrou.

Hector sumiu como se nada daquilo fosse realmente real. Como se toda a história da vida de Hector tivesse sido criada em sua própria mente, que não parava de pensar um segundo sequer, trabalhando e produzindo histórias mentalmente.

Alguns meses após conhecer aquele ser lúgubre, Elliot foi internado em uma clínica psiquiátrica. Os seus médicos diziam que ele estava sofrendo de delírios frequentes, que nenhum Hector Chopin existia, de fato.

Eles estavam enganados, Elliot sabia que sim.

A verdade é que Hector comparecia todas as noites em seu quarto da clínica psiquiátrica, o tempo inteiro com um sorriso irônico nos lábios.

— Diga-me, você faz parte da minha imaginação? — curioso, perguntou.

— Estou além de tudo isso que você denomina de imaginação — ele passou seus dedos tatuados pela pele macia do rosto de Elliot. O toque matador.

— Já ouvi isso antes?

— Sim, você já ouviu isso antes.

7 августа 2021 г. 1:12:33 0 Отчет Добавить Подписаться
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Corvo Escrevo contos. Histórias publicadas no wattpad também!

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