the3jline ana clara

[EM ANDAMENTO] Clube dos 27: seria essa idade fatal para astros da música? Teoria ou maldição? O Clube dos 27 refere-se a uma ideia sobre o alto número de músicos que morreram aos 27 anos. Por que justo no ápice da juventude e da fama? Depois da morte de Kurt Cobain, em 1994 se tornou popular essa lenda que inclui grandes nomes como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Brian Jones, Jim Morrison e futuramente o de Kim Taehyung. Após tanto insistir e fracassar na tentativa de se tornar um grande cantor, Taehyung dá chance às palavras de sua vizinha. Uma incerta promessa de se tornar um dos maiores cantores, contanto que ele compreenda o destino lhe tirando tudo, justamente aos 27. Taehyung teria que aproveitar o máximo, vivendo apenas em função do seu grande sonho, a música. Para ele, os termos presenteados nunca foram um problema até se transbordar em uma imensidão melancólica. Tão sobrecarregado do vazio, Taehyung enxerga liberdade em uma pessoa tão leve quanto uma pena mas se vê na insegurança do pouco tempo que tinha. Aos 26 anos, Taehyung conhece o amor de sua vida. Teria coragem de continuar com isso tudo ou faria o possível e impossível para quebrar essa promessa antiga para conseguir viver em paz? |CAPA POR ©vkpov|


Фанфик Группы / Singers 18+.

#musica #bts #jungkook #vkook #taekook #taehyung #retro #jjk #pop #kth #2000s
0
361 ПРОСМОТРОВ
В процессе - Новая глава Каждые 15 дней
reading time
AA Поделиться

1: CAUSE IT'S A BITTER SWEET SYMPHONY, THIS LIFE

🎤

Fazia um frio ameno em abril de 1994 na cidade de Nova Iorque. Mesmo com alguns raios de sol, o dia estava nebuloso e com uma aparência triste. As lindas flores que estavam nascendo em algumas árvores para a primavera americana estavam mórbidas, se mexendo conforme o chacoalhar ventoso que vinha do oeste, anunciando mesmo que indiretamente, a triste morte de Kurt Cobain.

Naquele dia, não demorou muito para a notícia se espalhar por todos os canais de comunicação, não só dos Estados Unidos mas também do mundo todo. Enquanto isso, Kim Taehyung entrava numa loja de conveniência em busca de um cigarro e curiosamente fixava seus olhos na pequena televisão do local, se atentando ao ocorrido.

Instantes depois, com passos lentos e tragadas no cigarro, cantava baixinho a melodia de Come As You Are, um clássico de Nirvana que marcou os últimos anos. Em sua cabeça jorravam pensamentos infelizes sobre o triste fim do cantor, questionando-se como seria o seu ou se impactaria na vida de outros, assim como Kurt.

Já na virada do século, em 2001, Taehyung estava musicalmente estabilizado com pessoas o chamando de ídolo em todos os lados, mas apesar de todo o amor recebido por sua genialidade como cantor e compositor, o astro sempre se deixaria levar pelas palavras que marcaram essa grande mudança.

"Escute bem, meu garoto, guarde essas palavras assim como guardará esse anel que estou te dando como presente. Serão importantes. Você se tornará o maior, porque o mundo seria infeliz se sua voz fosse encabulada só para si, mas lembre-se: isso tudo é um presente do destino, então não atrapalhe o que tiver de ser. Aproveite o máximo de tempo que ele conceber e esteja pronto para o fim nos seus 27. Ao lado de Joplin, Morrison e Cobain sua voz será eternizada!"

Depois da confissão que recebeu inesperadamente de sua vizinha estranha, os trilhos de sua reta mudaram completamente, fazendo com que um trem encaminhado de carregar ápice e combustão o atingisse mudando freneticamente a maneira que levava sua monótona vida.

Inicialmente, acreditava que o que a mulher tinha falado para si não passava apenas de uma brincadeira. Entretanto, quando tudo começou a fluir para o que sempre quisera, pôde notar que as palavras ditas foram sérias demais para se acovardar e regressar às suas ideias.

De certa forma, ele passou os primeiros anos desfrutando da gozação que seu novo estilo permitia, sem ao menos passar por qualquer tipo de julgamento de seu público fiel. Contudo, conforme foi criando maturidade, o coração de jovem estava tão envelopado que a barreira feita para afastar as pessoas estava sufocando-o, vivendo, assim, dentro de um campo minado.

Foi então que, em um evento solidário organizado por uma das faculdades de sua cidade natal, Kim Taehyung se esbarrou em Jeon Jeongguk. A princípio, a noite num motel barato do Brooklyn havia sido enobrecedora, só que nenhum dos dois sabiam que aquele dia era o circunscrito da destruição de suas vidas.

— Você sumiu... — Park Jimin pegou o pequeno copo quase vazio com o Whiskey escôces Buchanan's e bebericou com com seus lábios os últimos goles.

— Eu sempre sumo, Jimin, qual a surpresa? — respondeu com uma voz grossa e com a mente cheia de julgamentos sobre o rapaz que sempre voltava com o mesmo assunto. — Acostume-se.

Não existia uma definição que pudesse descrever o que acontecia com os dois rapazes, mas definitivamente Park Jimin era alguém a mais na vida do cantor.

Taehyung, depois de um período, entendeu muito bem a peça que seu destino se encarregou de criar para si. Sendo assim, fazia questão de não deixar nenhuma substância contrariá-lo de alguma forma já que era grato o suficiente por conseguir se tornar exatamente aquilo que sonhava depois de tanto sofrer com expectativas não alcançadas. Motivo em questão que o fazia não mover um músculo sequer para construir relações com outros seres humanos, fraternais ou amorosas.

Fazia tudo que estava ao seu alcance sozinho. Compunha sozinho. Produzia sozinho. Só não gerenciava sua carreira totalmente sozinho porque não tinha encontrado ainda a fórmula secreta da multiplicação humana, tendo então que manter uma equipe de poucas pessoas encarregadas de gerenciar tópicos que ele mesmo não tinha ideia de como fazer.

A vida do astro era totalmente solitária e fria. Sofria com a falta de sentir seu estômago se encher de borboletas, de sentir seu coração disparar com alguma carta que acabara de chegar em sua caixa de correspondências ou até mesmo sentir um aperto no peito ao ouvir More Than Words da banda Extreme.

Mas o que fazer quando a cada comemoração de ano novo simbolizava, tristemente, que o fim de sua existência estava cada vez mais próximo?

— Tae... Eu não vou me acostumar com isso, até porque eu não entendo, sabe? — Estalou seus dedos de forma nervosa. — Sempre te dei espaço porque achava que era lance de novo álbum e de criar música, mas no fundo nem eu acreditava nisso. — Olhou pra baixo por alguns segundos. —Eu só... Tenho medo de te perder.

— Park, não seja tolo. A gente só tem medo de perder o que nós temos e você não me tem, assim como todas as outras pessoas. Ninguém me tem. — A voz confiante de Taehyung escondia muito bem a dor que o cantor sentia ao reproduzir em voz alta a sua solidão estampada de dureza e secura.

— E você está feliz com isso? — Jimin perguntou enquanto Taehyung lambia seus próprios lábios com a língua para fora.

Talvez já estava até preparado para partir e já tinha aceitado o fato de que faltava muito pouco tempo para isso. Pensou apenas que a sua música e sua carreira estavam andando de mãos dadas caminhando juntas rumo à perfeição, entretanto, nunca estaria preparado para saber que deixou pessoas próximas com um vazio e um sentimento de que tudo poderia ser diferente. Não queria machucar ninguém, e em vez disso, como uma troca, preferia machucar a si mesmo no lugar delas.

Tinha certeza absoluta que depois de sua morte, seus fãs iriam encontrar refúgio em outros artistas. Uma coisa que o agradava na arte é que, não interessa o tempo, ela nunca iria acabar ou ser deixada de lado.

O público é acostumado a renovar as pessoas do pódio e Taehyung acreditava que podiam fazer o mesmo com ele. O mundo chorou de saudade de Janis Joplin e ninguém pode duvidar que ela faz uma imensa falta e sempre fará, mas também, o mesmo mundo continuou a sorrir com outras mulheres como Yoko Ono ou Debbie Harry.

[...]


Jeongguk acordou no domingo com todos os resquícios da noite passada e apesar das dores no corpo, marcas em seus pescoço e o gosto dele em sua língua, o rapaz estava tão extasiado que faltava vontade de lavar-se para começar o dia de vez. Por isso virou-se em sua cama alcançando seu aparelho eletrônico que estava guardado na gaveta da pequena escrivaninha.

Ride Wit Me do rapper Nelly tocava em seu MP3 Player fazendo com que o rapaz se animasse enquanto reproduzia na cabeça flashes da noite passada. Não era bobo, sabia quem tinha feito um gostoso estrago em seu corpo, mas em contrapartida, estava até mesmo lisonjeado.

Não combinaram de se ver outra vez, mas com certeza seu instinto hormonal faria com diligência a questão de reproduzir cada ação que fizera o príncipe da música atual implorar copiosamente por seu corpo e reagir com devoção a si.

Em seguida, com o decorrer do dia, Jeongguk se arrumava para um típico dia de domingo nova-iorquino. Gritar a plenos pulmões assistindo um emocionante jogo de beisebol do New York Yankees.

Com um sobretudo xadrez com o logo dos Yankees na lateral e uma luva marrom meio dedo, o rapaz adentrava o camarote do estádio procurando o melhor assento para contemplar seu time, entretanto, ao se aproximar das cadeiras frontais, seus olhos não acreditaram na surpresa que foi encontrar ele.

Kim Taehyung estava lá e sozinho. Que bela oportunidade.

— Que honra saber que você está aqui pelo Yankees, mon chéri — Jeon apalpou com cuidado a boina de Taehyung que estava levemente caindo para o lado.

— E quem disse que estou aqui pelo Yankees, mon lapin? — Taehyung trocou o afeto batendo no braço do rapaz. — Posso muito bem estar aqui pelo Arizona!

— Que eu saiba, nascidos em Nova Iorque ou são Yankees ou são Mets, e claro você é o nova-iorquino mais famoso do mundo — Jeongguk respondeu acomodando-se ao lado do cantor.

A resposta fez Kim Taehyung rir e é claro que se lembrou da noite anterior que passara com ele. Mesmo com tudo que foi feito dentro de quatro paredes, não deixou se intimidar pela ação descontraída e o jeito que a conversa estava caminhando.

Apesar de estar confortável assistindo ao jogo do lado dele, Kim tinha a vontade de perguntar seu nome, seus gostos, seus hobbys e, se desse, até deixar seu número disponível para combinar uma eventual saída sem compromisso. Porém, Taehyung era covarde em relação a tudo isso. Não iria se deixar levar pela vontade jovem e derrubar toda a barreira anti-sentimental construída e zelada por anos.

— Todas as câmeras estão apontadas para você — Jeongguk cochichou perto de seu ouvido, quase como se fosse um segredo.

— Elas sempre estão — mirou seu dedo em direção à câmera que filmava o estádio lançando um levantar de sobrancelha e em seguida jogando uma piscadela.

Foi com essa ação que Taehyung foi mostrado no telão para os torcedores e o estádio entrou em combustão. Todos gritaram e aplaudiram o maior astro da música que, por um momento, as pessoas presentes ali no camarote juraram que havia algo chacoalhando o estádio — a arquibancada que se concentrava em cima dali explodia em respeito e admiração pelo cantor.

Vous êtes très belle... Quand on peut se revoir?Mon chou chou...

— Está me deixando constrangido... Sei o básico de francês — Taehyung sorriu pra ele. — Já você está em um nível mais avançado.

Jeongguk ficou satisfeito com sua reação, não iria contar muito de si naquele momento. Sobre ter passado um ano viajando e estudando pela França e por tal razão sentia facilidade em experimentar aquele idioma algumas vezes.

Queria sim encontrar-se com Taehyung novamente sem segundas intenções. Adoraria ter uma conversa sobre a vida, como amigos e, quem sabe — se a força da atração cooperar — terminar a noite juntos, como se repetissem a dose de uma gostosa bebida.

Sem amarras, Taehyung suspirou disfarçadamente pensando na confusão que estava prestes a se meter. O rapaz ao lado — inegavelmente — chamou sua atenção e não pela noite anterior, mas simplesmente por sua energia.

Em sua jornada como artista e ser humano, teve que conviver e se aborrecer com pessoas totalmente vazias, interessadas apenas em seu status que funcionavam apenas como sugadores de sua felicidade e dinheiro. Então, para si, era raro estar se sentindo tão bem e despojado com alguém que, tecnicamente, havia acabado de conhecer.

— Ei, não se engane — Jeongguk sorriu enrugando o nariz. — Deveria me conhecer melhor, assim como quero te conhecer melhor também, o que sei da sua vida é muito superficial — dessa vez falou sério olhando diretamente para os olhos escuros de Taehyung. — E, aliás, sou Jeon Jeongguk ou Jungkook, não me importo.

— Certo, me mostre então quem você é, Jungkook!

Nessa altura do campeonato, os dois estavam dentro do Mazda MX3 prata de Jeongguk enquanto Taehyung se xingava mentalmente dos piores nomes possíveis por ter cedido tão facilmente a aproximação de alguém. Na rádio do carro, como nos filmes, a trilha sonora era Ben, canção de Michael Jackson marcante na década de 70.

Ben, you're always running here and there — cantarolava Jeongguk batucando sua mão no volante. — You feel you're not wanted anywhere. I used to say I and me. Now it's us, now it's we.

Jeongguk não se intimidou nem um pouco em cantar amadoramente ao lado de um profissional e dando a mínima para as técnicas vocais. Confiava no seu poder, o que deixou Taehyung um pouco surpreso.

— Você canta muito bem, Jungkook! — Afirmou com um sorriso largo. — Transformou a música completamente. Por um momento, parecia sua.

— Gosto de cantar — respondeu tímido. — Sou apaixonado por muitas coisas — aumentou um pouquinho mais o volume do rádio — mas principalmente pela arte em si. Músicas, fotografias, pinturas... Simplesmente aceleram meu coração.

Depois disso, o repertório da curta viagem foi basicamente:

Heaven de Bryan Adams.

It's My Life de Bon Jovi.

Crazy Little Thing Called Love de Queen.

Learn To Fly de Foo Fighters.

E por fim, sinalizando a chegada dos dois, Torn de Natalie Imbruglia.

— Fique tranquilo, o bairro é super calmo — Jeongguk tranquilizou Taehyung sendo o primeiro a sair do veículo. Sem paparazzis e fãs malucos gritando seu nome.

Taehyung queria dizer para Jeongguk que isso não era o problema, a fuga de sua tranquilidade era muito mais profunda do que ele poderia imaginar. Então, lembrou-se de Jimin. Conheceu Park antes mesmo de ficar famoso porque o rapaz trabalhava no brechó de itens antigos que visitava toda semana. No começo, ficaram colegas e trocavam alguns assuntos entre linhas, até que de repente Jimin se via no minúsculo apartamento do outro garoto o ajudando a escrever músicas e o consolando pela decepção que era não poder mostrar seu devido valor ao mundo.

Só que depois da reviravolta em sua vida, Taehyung sumia de meses em meses porque queria fazer com que Jimin se cansasse dele e desse um basta na relação dos dois. Ele só não queria machucar Jimin futuramente. Entretanto não se lembrava, naquele momento, que estava machucando muito mais no presente. Saindo e dando oportunidade para outro alguém se aproximar e o conhecer de verdade novamente fazia Taehyung que estava traindo não só ele mas também Jimin, que sentia muito sua falta.

— Esse lugar é enorme, Jungkook. É aqui que você mora? — Jeongguk negou com a cabeça.

— Fico aqui a maior parte do tempo, mas não é onde moro — acendeu a luz do letreiro neon esverdeado. — Bem-vindo ao Golden Closet!

Jeongguk sempre possuiu uma criatividade diferenciada em relação às outras pessoas, então quando sentia que estava prestes a criar algo único e surpreendente, se isolava do mundo esquecendo até mesmo de dormir ou comer.

A casa onde morava era um lugar muito barulhento, sempre cheio de pessoas da família e dos clientes de seus pais. Para Jeongguk, o prodígio introvertido, era perturbador ter picos criativos destruídos por causa de uma alta conversa. Então, quando um cliente de seu pai faliu tendo os bens todos confiscados pela receita americana, Jeongguk viu-se na oportunidade de transferir seu lugar para lá. Seu pai, sem pestanejar ou fazer muito alarde em negação, conseguiu comprar por muito pouco a locação para o filho. O menino que antes fazia melodias e criava quadros dentro do seu mediano closet porque o isolamento acústico era melhor, agora fazia tudo em um grande espaço quieto e confortável.

— Se esse seu lugar for o que tem aí — Taehyung apontou para o coração de Jeon — você é amante das mais belas artes, da música e suas feições, da pintura com seus movimentos e a fotografia como a realidade.

Jeongguk deixava exposto para qualquer um todos os seus gostos, mas a verdade é que ele era um grande e complexo livro. Sorte aquele que poderia lê-lo com calma, compaixão e principalmente paciência de entender que a intensidade do rapaz tinha estágios de oscilação.

Jeongguk é como uma música. Bohemian Rhapsody. No começo, uma acapella — à primeira vista, a imagem dele é linda e encantadora. Seu olhar exala fogo, com poder de pura destruição. Em seguida, a bela introdução de um balada — melodia no piano que começa com si bemol maior e levada por um baixo levemente apaixonado. Solo de guitarra, rock e acapella novamente — representando a pessoa que ele era. Rítmico, confuso, apaixonado e intenso.

Já Taehyung é Bee Gees com How Deep Is Your Love. Estranhamente calmo mas totalmente carregado de obscuridade. Confuso e lírico. E apesar da doçura — o sorriso mais belo de todos — sua essência ainda o questionava, prejudicava suas decisões e conseguia, por vezes, ser alguém um pouco tóxico.

Juntos, Taehyung e Jeongguk são a representação mais perfeita para Never Ending Story de Limahl, porque ambos não passavam de uma fantasia, começando assim, uma trágica — ou não — história sem fim.

— Gostou daqui? — Jeongguk perguntou curioso.

— Estou um pouco chocado — riu com o nariz. — Tem mais instrumentos nesse lugar do que em um estúdio profissional... Você realmente toca tudo isso?

Jeongguk soltou um leve suspiro se direcionando para o piano. Com calma, folheou algumas das partituras que estavam espalhadas e começou a tocar uma melodia tão doce que poderia facilmente derreter o coração do outro.

Clair de Lune, Debussy. Uma música para acalmar o coração. Jeongguk, à medida em que ia deslizando seus dedos pelo instrumento, fechou os olhos imaginando estar em uma floresta sozinho observando uma lua cheia. Depois, foi para o baixo, onde pôde dedilhar tranquilamente os acordes de Seven Nation Army. Tudo tão rápido que Taehyung nem respirava para não perder um detalhe sequer. Com o violino, Jeongguk deu vida a Let It Be. Na bateria, Back in Black. E por fim, conectou o microfone no amplificador de som fazendo a boca de Taehyung se abrir levemente. The Way You Make Me Feel, de Michael Jackson, onde começava uma performance e tanto.

You give me fever like I've never, ever known... — Apontou para Taehyung. — You're just a product of loveliness — foi se aproximando devagar. — I like the groove of your walk.

Quando parou totalmente na frente de Kim, tirou seus sapatos ficando só de meia e, com facilidade, rodopiou como Michael, anunciando a chegada do refrão cativante da música — The Way You Make Me Feel... You Really Turn Me On...

Circulando com o moonwalk a cadeira que Kim estava sentado jogou um beijo para o ar continuando a cantar com um tom mais alto.

I like the feeling you're giving me. Just hold me baby and I'm in ecstasy — puxou com força a gola da camisa de Taehyung alterando um pouco a letra. — Go on boy!.... Go on! Acha-ooh!

Jeongguk estava todo despojado puxando o outro para uma dança desengonçada, sem vergonha e sem restrições. Ele estava tão solto que mal podia acreditar na adrenalina percorrendo todo seu corpo o fazendo arrepiar, acelerando não só sua respiração mas também seu coração. Por conseguinte, Taehyung pensou que poderia fugir. Correr o mais longe dali e esquecer que todo o ímpeto para se isolar de outras pessoas fora não só quebrado, mas sim desolado e humilhado em questão de poucas horas.

— Taehyung, você já viu o Michael Jackson de perto?

— Já.

— E você responde assim com toda essa tranquilidade? — Perguntou incrédulo. — É o Michael Jackson!

— É que seria estranho eu surtar, mas acho que meu coração parou por alguns segundos.

— Quando eu era mais novo fui no show dele com a minha mãe — contou Jeongguk. — Foi muito bom, ele é incrível!

— Eu não tinha muito dinheiro pra ir em shows — desabafou Taehyung — então quando tinha show por perto eu ia e ficava do lado de fora só escutando e imaginando a sensação.

Jeongguk abriu a boca e franziu a sobrancelha.

— Pensa no lado bom — ele sorriu antes de terminar a frase. — Agora você faz seu próprio show e as pessoas disputam ingressos pra te ver!

— Realmente, isso é muito bom... Eu fico muito feliz!

— Nunca tive a oportunidade de ir em um show seu — confessou. — Com a faculdade e aqui, eu absorvo todas as horas do dia.

— Você deveria ir, seria legal ter você me assistindo.

— E quem disse que não te assisto? — Perguntou sorrindo. — Aquela apresentação que você está deitado numa cama e depois o palco enche de dançarinos passa sempre na MTV. Gosto dela... E aliás, você que deveria me assistir!

— Assistir onde? Lá na Julliard?

— Sim — respondeu rápido. — Como já estou terminando meus cursos, virei tutor em algumas áreas — começou explicando animadamente para o outro. — Aí quando tem eventos como aquele ou oficinas, eu crio algumas melodias ou fico na parte do backstage!

— Isso é incrível. Você tem muito talento! — Taehyung sorriu olhando para ele, fazendo com que Jeongguk sentisse suas bochechas queimarem.

No mesmo dia, já em sua casa, Taehyung estava com a cabeça prestes a explodir. Naquela noite, enquanto esvaziava o estoque de cerveja da geladeira, escrevia músicas e todas elas tinham a sombra de Jeongguk. Da sua maldita voz, do seu perfumado cheiro, de seus toques pretensiosos e de seu sorriso inocente mas ao mesmo tempo safado.

Com remorso tentou ligar para Jimin algumas vezes, mas não foi atendido. Ainda bem, pensou.

Já ao amanhecer de outro dia, com o céu dividido num azul fosco e um rosa bebê, se via parado em frente daquela casa pela primeira vez em busca de respostas e soluções. Sem reações negativas, Taehyung buscava entender, pela primeira vez, seu propósito. Estagnado ali, Nova Iorque estava despertando. Os carros aos poucos iam se multiplicando pelas ruas, as pessoas andavam apressadamente rumo ao trabalho e as crianças conversavam alegremente fazendo o caminho para escola.

Tocou a campainha duas vezes. Ninguém. Outra vez. Ninguém. Outra. Outra. E mais outra. Ninguém. Ninguém. Que diabos?

Quando estava quase de saída, dando chutes no ar, a porta foi destrancada revelando aquele velho rosto conhecido. A expressão da mulher não era de surpresa, como se de alguma forma esperava por aquele momento específico algum dia. Então olhou para Taehyung e abriu-lhe um sorriso muito acolhedor.

— Você demorou um tempinho, querido. Pode entrar, acho que precisamos conversar.

🎶


Até o próximo capítulo!

14 мая 2021 г. 18:38:15 0 Отчет Добавить Подписаться
0
Продолжение следует… Новая глава Каждые 15 дней.

Об авторе

Прокомментируйте

Отправить!
Нет комментариев. Будьте первым!
~