95pmj_ Pmj Bunny

Jeongguk era um príncipe desesperado por ajuda, e no momento em que mais precisou, Taehyung apareceu. Apenas uma pequena chama, perdida no meio de um oceano, até que encontrou combustível para sobreviver Taekook ABO


Короткий рассказ Всех возростов.

#fantasia #magia #fanfic #bts #jungkook #vkook #taekook #taehyung #abo
Короткий рассказ
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Jeongguk correu, não se importando com o guarda gritando seu nome, correu, ignorando os chamados de seu pai, apenas correu. Precisava respirar, sentia como se cada gota de sua vitalidade estivesse sendo devorada e torturada pela mais incessante monotonia.

Ignorou o olhar assustado do homem com o qual deveria se casar, ignorou sua mãe desesperada, ignorou suas vestes completamente brancas que se sujariam com facilidade. Precisava de ar.

Não nascera para aquilo, não nascera para abaixar a cabeça, cuidar dos filhos que teria e se preocupar com bailes. Nasceu para correr entre as árvores da floresta, nasceu para ver o sol ir embora no topo de uma montanha, nasceu para pular na nascente de uma cachoeira e se arrepiar com a água gelada.

Não podia aceitar uma vida na qual receberia ordens de um alfa, onde só poderia se importar com a estética, onde teria de criar crianças para aquilo também. Não, de jeito nenhum, se tivesse de criar crianças, as ensinaria a conhecer o mágico mundo da literatura, a escalar árvores e a se sentirem livres.

Não se importava se seria castigado quando voltasse, ou se perderia um possível noivado, tudo o que importava era que naquele momento ele era livre. Estava em casa, com a brisa batendo em seu rosto, seus joelhos queimando e a respiração difícil, aquilo era a sua casa.

Finalmente parou, cedendo e deixando que seus joelhos se encontrassem com a terra, sujando suas vestes brancas. Respirou fundo, olhando ao redor, percebendo que não eram muitos raios solares que entravam ali.

— Majestade — revirou os olhos ao ouvir uma voz atrás de si.

— Eu não vou voltar para o caste- — se interrompeu, vendo que não era um guarda atrás de si, e sim um bruxo.

— O que faz seu coração bater de forma tão desesperada, majestade? — o homem de cabelos loiros perguntou, dando um passo para mais próximo dele.

— Precisava respirar — limitou-se a responder enquanto se levantava, tinha medo de irritar o homem, dele lançar algum tipo de maldição.

— O fogo que toma seu peito não se apagará tão facilmente, Jeongguk — falou de maneira casual, se apoiando em uma das árvores — nem que o rei lhe amaldiçoe essa chama se apagará.

— O que está dizendo? — perguntou levantando-se, olhando para as orbes roxas

— Estou dizendo que, enquanto seu reino é regido pela água, você é regido pelo fogo — sorriu — impulsivo, corajoso, forte… acolhedor se estiver na medida certa, perigoso se estiver na medida errada.

O coração do ômega estava acelerado, aquelas características realmente combinam consigo. O ar perto do ser mágico parecia ficar mais puro a cada instante, e sua cabeça já começava a pensar em milhões de possibilidades.

— Quem é você? — perguntou, sem abaixar a voz.

— Eu sou o ar, na medida certa te dou combustível, na medida errada eu te apago — falou com um sorriso brincalhão nos lábios — me chamo Kim Taehyung

— Livre também — murmurou, analisando as vestes do outro, eram arrumadas e limpas, mas eram nitidamente confortáveis.

— Você é uma chama no meio de um oceano, claro que não seria livre — o Kim falou como se fosse óbvio — o medo de te apagarem é constante — revirou os olhos.

— Como sabe? — perguntou curioso, ignorando a parte de seu cérebro que o mandava correr, queria saber mais.

— Está na sua aura — falou com descaso, se desencostando da árvore — o rei devia te ensinar a esconder, isso pode ser perigoso.

— Por que seria? — novamente perguntou, fechando os olhos por alguns instantes, se repreendendo, talvez aquilo não fosse muito sensato de se fazer.

— Também é curioso — o bruxo sorriu — imagine se um bruxo regido pela água o veja, ele gostaria de te apagar no mesmo segundo. Elementos diferentes não se dão muito bem, isso explicaria você e seus pais — continuou com o tom de descaso, ignorando todas as regras de ter de se referir aos reis e ao príncipe como majestades.

— E se eu não quiser mais ficar no meio do oceano? — o ômega perguntou, a questão martelando em sua cabeça.

— Como vento, minha função seria te acender, ou apagar — falou de maneira divertida — poderíamos fazer um acordo — ofereceu, vendo o mais baixo arregalar os olhos.

Acordos com bruxos nunca eram uma boa alternativa, era algo insano de se fazer. Eram traiçoeiros, sempre existiam entrelinhas, sempre davam um jeito de não cumprir a parte deles.

— Não — Jeongguk respondeu de maneira rápida, dando um passo para trás.

— Podemos fazer assim — Taehyung falou, ignorando a fala anterior — você tira o meu irmão das suas masmorras, Jimin é apenas uma criança, não tem culpa de nada — murmurou — e eu o mantenho em segurança, mesmo que decida que prefere fugir daqui — falou simples, estendendo a mão.

— E como eu faria isso? — perguntou, era um príncipe e um ômega, nunca teria acesso às masmorras.

— Posso te ajudar a planejar, tanto faz — falou com descaso, esse que o Jeon notou ser falso.

O ômega pensou um pouco, o bruxo parecia precisar realmente dessa ajuda, queria tirar alguém de dentro das masmorras do castelo. Se não fosse tão impulsivo a ponto de fugir do castelo…

Mas então se lembrou da sensação de liberdade, do vento em seu rosto, do calor do sol em sua pele, do arrepio gostoso de quando estava submerso na água, do acolhimento de quando pisava descalço na grama, queria aquilo para si, e não roupas alinhadas e paredes sem graça.

Apertou a mão do outro com força, olhando seriamente para as orbes roxas brilhantes.

(...)

Jeongguk suspirou, o tédio o sugava por completo, mas precisava ficar ali. Revirou os olhos ao escutar sua mãe falar sobre arranjos de flores para o próximo baile, que aconteceria naquela noite.

Estava sentado no salão principal, o dos tronos, onde de seu trono tinha uma boa visão das escadas para o calabouço, onde podia observar como eram as trocas de guardas. Anotava disfarçadamente os horários e os nomes, sempre fora ensinado a saber o nome de todos que moravam no castelo.

Com certeza aquele dia foi um dos mais entediantes da sua vida, mas gostava da ideia de roubar bastante ouro de seus pais e ir viver em um lugar distante, confortável e principalmente livre.

Se levantou, dando a desculpa de que queria se preparar para o baile, já sabia quais seriam as trocas dos guardas naquele horário, havia observado na tarde anterior, das escadas que levavam para o pátio de cima.

Andou apressado até o seu quarto, quando falava que gostava de correr se referia ao ar livre, não dentro daquele castelo enorme. Ao chegar na ala sul, entrou em seu quarto, querendo desesperadamente poder voltar para o seu antigo.

Ao ter o seu primeiro cio, mudaram seus aposentos, para um que seria melhor para quando estivesse noivo e futuramente casado, por estar mais perto do quarto de casal. Não sentia falta do quarto em si,aquele era bem parecido, mas sentia falta de quando não tinha preocupações tomando seus pensamentos, de quando podia subir em árvores sem ser julgado, de quando a sua idade justificava a sua falta de interesse nas coisas que seus pais julgavam importantes. Era tão mais fácil.

Tomou um banho, sem avisar nenhum servo, gostava de arrumar ele mesmo as coisas. Tudo ficava bem quando estava submerso na água, mesmo que essa fosse da banheira em seu banheiro. Ficaria tudo bem, salvaria a criança e estaria livre para fugir, em segurança.

Se secou, suspirando ao ver a roupa com aparência delicada que estava separada para si naquela noite. Gostava das roupas que usava, mas tudo o que queria naquele momento era uma roupa confortável, pegar um bom livro e mergulhar com tudo naquele universo maravilhoso.

Se vestiu, se sentindo pouco confortável com sua cintura sendo apertada, pelo menos havia se vestido sozinho, então pode controlar o aperto. Amarrou em um laço fofo os cordões brancos de seu casaco, da mesma cor, o que ajudava a marcar seu corpo.

Era uma calça escura, justa, com uma camisa preta, que quase não aparecia com o casaco fechado, que ia até um pouco abaixo de seus joelhos. Até que não era tão desconfortável quanto esperava.

Colocou os brincos clarinhos e pequenos, combinando com a coroa simples de prata que escolheu. Daria para fazer uma sala para depois fugir para tomar um ar, quem sabe até uma descarregada no estresse.

Suspirou, procurando forças, e então saiu de seu quarto, percebendo a movimentação que estava acontecendo. Já tinha começado.

Tentou entrar da maneira mais discreta possível, se pondo ao lado se sua mãe, que sorriu para si, parecendo estar satisfeita com seu único filho.

Cumprimentou dezenas de alfas, provavelmente estavam ali apenas para o cotejar, mas os ignorou por completo. Ficou quieto e obediente por tempo o suficiente, até que sua mãe se afastou de si, parecendo ir cumprimentar alguém, ali era a sua chance.

Saiu de maneira disfarçada pela porta traseira, cumprimentando os guardas da maneira mais natural que conseguia. Tinha de agir como se nada de errado estivesse acontecendo, até sair do castelo

Jeongguk sorriu, havia conseguido sair do castelo sem chamar a atenção de seus pais, se fosse rápido ainda poderia assistir o pôr do sol. Passou a caminhar, sem se importar com ter de voltar no escuro depois, daria um jeito, não ligava.

Segurou em uma das árvores quando escorregou em uma pedra, mas conseguiu recuperar o equilíbrio. Continuou fazendo a trilha que conhecia como a palma de sua mão, gostava tanto daquilo, do sentimento de que conseguiria dominar o mundo queimando em seu peito.

Chegou, se ajeitou para se sentar em uma pedra dali, e passou a assistir com calma o sol ir embora. Já dava para ver um pouco da lua no céu, mas estava preocupado em se despedir da estrela. Começou a se sentir observado, então olhou para trás, seu coração disparou ao ver Taehyung ali, parado despreocupadamente, também analisando o pôr do sol.

— Não deveria estar no baile, majestade? — reconheceu o tom de deboche em sua voz, mas ignorou completamente.

— Já tive tédio o suficiente por uma vida inteira — murmurou, voltando a observar o pôr do sol — eu já sei os horários dos guardas das masmorras, só preciso ver como vou tirar seu irmão dali — falou calmo, se sentia em casa ali.

— Tem uma poção — o bruxo começou, se sentando ao lado do ômega — que funciona como um perfume, diga qualquer coisa enquanto libera ela no ar, e quem sentir o cheiro vai acreditar em qualquer besteira que você falar — explicou com leveza.

— Isso ajudaria bastante — Jeongguk falou, suspirando em seguida.

Fechou os olhos ao sentir uma brisa, aproveitando o ar puro, aproveitando tudo o que estava sentindo. Tirou a coroa de sua cabeça, a jogando ao seu lado, deitando na pedra, ainda de olhos fechados, não se importando com o seu casaco branco, ou com estar com a guarda baixa perto de um bruxo.

— Não tinha o visto calmo, sua aura parece tão leve — ouviu a voz grave, e se permitiu sorrir, era uma voz gostosa de se ouvir.

— Eu tô em casa — murmurou, abrindo os olhos de maneira lenta, vendo que a cada instante ficava mais escuro.

— Você escorregou vindo para ca, não é? — Taehyung perguntou, atraindo os olhos negros para si — fizemos um acordo, eu senti que você quase se machucou — falou com indiferença.

— Teve uma parte que estava molhada, mas deu tudo certo — falou calmo, não se importando quando o bruxo pegou a sua coroa para a analisar.

— Rubis — ele comentou, passando o dedo sob a jóia vermelha, que anteriormente ficava sob a testa do ômega — combina com você — falou com um pequeno sorriso no rosto.

— Eu vou ter que voltar daqui a pouco — Jeongguk resmungou, chateado.

— Não seja tão ansioso — Taehyung falou, se levantando — vem, acho que você vai gostar do que eu quero te mostrar — estendeu a mão para o ômega, que o olhou um pouco desconfiado, para depois aceitar.

O bruxo entregou a coroa para o príncipe, que a colocou despreocupadamente sob seus fios escuros. Andaram em silêncio, no começo o ômega ficou desconfiado por estarem no caminho de volta para o castelo, mas logo isso mudou, então ele relaxou um pouco.

Taehyung sorria, achava a nítida curiosidade e vontade de saber mais do garoto ao seu lado uma graça. Ele era fofo para ser sincero, mesmo que já tivesse o corpo de um adulto, a aura dele era quase infantil, fácil de ser lida, inocente, uma nítida sede de conhecimento, uma força incomum de fazer aquilo que acreditava.

Saíram da trilha, mas o Jeon não se importou, continuando a seguir o bruxo, era uma estranha, mas agradável, companhia. Uma casa entrou em seu campo de visão, parecia de um bom tamanho, aconchegante, mas não foram para ela, Taehyung continuou andando.

Até que finalmente chegaram, era lindo. Vários pontinhos brilhantes no ar, como se as estrelas tivessem descido do céu, centenas de estrelas. Jeongguk ofegou, não sabia daquilo, mas seus olhos brilhavam com uma intensidade absurda, o Kim também achou estar vendo o céu estrelado, mas nos olhos do príncipe.

— Vagalumes, eles gostam de bruxos, então estão sempre aqui, já que eu moro aqui — explicou de maneira calma.

Jeongguk estava maravilhado, com certeza aquilo era uma das coisas mais bonitas que já havia visto em sua vida inteira. Não se deu conta de quando o sorriso se instalou em seu rosto, só sabia que poderia ficar assistindo aquilo para sempre.

— Isso é incrível — sussurrou, parecendo entorpecido pela beleza daquilo.

— Pode vir aqui mais vezes, quando se sentir sufocado durante a noite — o bruxo falou, também tinha a sombra de um sorriso no rosto.

Ele se lembraria daquilo, mesmo que não fosse realmente sua intenção voltar ali sozinho.

Jeongguk suspirou, olhando para o teto de seu quarto, deitado em sua grande e confortável cama. Não conseguia pegar no sono, fazia dois dias desde o baile, dois dias que vira aquele belo e reconfortante lugar. O bruxo havia pedido um tempo para fazer a poção, enquanto isso o ômega revezava entre ler, observar os guardas e pegar aos poucos o dinheiro de seus pais.

Se virou, puxando um pouco mais da coberta para cima, se encolhendo ali, se sentia seguro em seu quarto. Seus pais costumavam lhe ensinar que ninguém, nem eles, poderiam entrar no seu quarto, porque era um ambiente seu, e consequentemente virou seu lugar seguro.

Seus olhos começaram a pesar, ficou olhando para a sua janela, gostava de ver as estrelas, e aquela foi a sua última visão naquele dia.

Tudo estava levemente turvo, não conseguia focar nas palavras do livro em seu colo, e estava começando a ficar irritado com aquilo. Mas seu foco mudou ao ver um homem sem face entrar em seu quarto, era um alfa.

Se levantou, tentando entender o que ele falava, mas era muito baixo e parecia ser em outra língua. Ofegou ao sentir um tapa ser desferido em seu rosto, queimou.

Virou-se para o alfa, querendo revidar, mas foi empurrado no chão, e não tinha força para se levantar novamente, parecia que algo o puxava cada vez mais para baixo. Os chutes em sua barriga não eram o pior que sentia, e sim a impotência de revidar, não conseguir se proteger.

É um sonho, se lembrou, tentando segurar o pé do homem que o chutava, é um sonho, suas mãos não o obedeciam. Acorda Jeongguk, acorda, mais um chute, mas dessa vez o alfa parou, se abaixando, colocando as mãos nas calças do ômega, começando a puxá-las para baixo.

Abriu os olhos, assustado, ofegante, tentando se situar de onde estava. Assustado, fez a primeira coisa que os seus instintos mandaram, pegou uma capa escura e quentinha e jogou por cima de seu pijama, calçou sapatos e saiu desesperado do seu quarto.

Sua respiração não se normalizava, tudo parecia estar girando, mas mesmo assim continuou andando, saindo do castelo sem muitos problemas.

Algo que nunca sentiu o tomava, sentia que poderia morrer a qualquer instante, suas mãos tremiam, mas não era frio.

Tudo se acalmou quando viu os vagalumes.

Tentou respirar fundo, se sentando no chão, lentamente a calma começava a chegar para si, lentamente a sua respiração se normalizava.

Levou um susto ao ver um copo de água sendo colocado na sua frente, seus sentidos ainda não estavam funcionando normalmente. Olhou para cima, para as orbes roxas de Taehyung, e agradeceu, pegando a água, a tomando em dois goles, não percebeu que estava com sede até tomar a água.

— Pesadelo? — o bruxo chutou, vendo o mais baixo assentir, com os olhos focados nos pontinhos brilhantes — quer me contar? — perguntou, se sentando ao lado do príncipe.

— Tinha um alfa, ele tava no meu quarto — começou, sua voz saiu baixa e rouca — daí ele me bateu e eu simplesmente não consegui fazer nada, meu corpo não me obedecia, eu fiquei parado, deixando que ele me espancasse — falou com irritação — impotente — resumiu, suspirando em seguida.

— Você tem medo disso, de simplesmente não fazer nada, não é? — perguntou de maneira calma, achando fofo os cabelos despenteados do mais novo.

— É, eu sei que isso é atitude de um adolescente rebelde que só quer decepcionar os pais — falou na defensiva, obviamente havia decorado o discurso que deveria ouvir sempre de seus pais.

— Na verdade eu acho lindo — Taehyung falou, com um sorriso divertido nos lábios, vendo o ômega olhar para si — o que tem de errado em fazer alguma coisa quando você não concorda com algo? — perguntou, vendo os olhos do menor brilharem.

— Exato! — falou com empolgação, se permitindo sorrir um pouco — você é legal assim com todos que faz acordos? — perguntou de forma inocente

— Não — falou com indiferença, olhando para os vagalumes — mas você me conquistou — falou em tom de brincadeira, mesmo que estivesse sendo sincero.

A aura pura o encantava, o fogo que dominava o corpo pequeno o instigava, a falsa indefesa que o garoto exalava o dava a genuína vontade de o proteger.

— Obrigado — o Jeon falou após alguns segundos em silêncio.

— Pelo que? — o bruxo ficou confuso.

— Eu ainda não cumpri minha parte do acordo, mas mesmo assim você tá cuidando de mim — falou de maneira simples, fazendo o bruxo travar.

Era verdade.

— Jimin gostava quando eu era gentil — murmurou, desviando o olhar — ele também gosta muito de flores — comentou com um sorriso bobo no rosto.

— Vou tirar ele de lá — o Jeon falou de maneira firme

Na manhã seguinte, logo após tomar o café da manhã, Jeongguk saiu do castelo, levando uma bolsa que continha uma muda de roupa e uma toalha. Ajeitou a capa em seu corpo e passou a andar em direção a floresta.

Foi por um caminho diferente do que normalmente ia, queria dar um mergulho, depois passaria pela casa de Taehyung para pegar a poção e no dia seguinte salvaria o irmão do bruxo.

Andou pela trilha de forma calma, mesmo que ela exigisse um pouco de si pela quantidade de pedras pela qual deveria passar. Ao finalmente chegar no local, sorriu olhando para a água completamente transparente, poderia dar uma relaxada.

Sentiu um cheiro conhecido, então andou mais um pouco, vendo Taehyung sentado na frente de um caldeirão pequeno, Jeongguk sorriu pequeno, ignorando a sensação estranha que tinha dentro de si. O bruxo só reparou na presença do príncipe quando ele colocou a bolsa no chão, em seguida retirando a sua capa.

O Kim arregalou os olhos ao ver o ômega começar a se despir, ignorando completamente a sua presença. Ficando apenas com a sua roupa íntima, que inclui a camisa branca, o Jeon pulou na água, se sentindo agraciado pela água gelada dominando todo o seu corpo.

Taehyung não conseguiu segurar o sorriso ao ver o garoto submergido na água transparente. Sentia que poderia observar o garoto fazendo aquelas coisas pelo resto da vida, pois era simplesmente encantador.

Olhou para a poção que estava fazendo, colocando a bolsinha de pano ali dentro, devagar ele puxaria toda a poção para si e estaria pronta. Sabendo que agora só lhe restava esperar, fez o que já tinha planejado fazer, e passou a retirar as roupas também, deixando em cima da bolsa que ele trouxe.

Ficou apenas com sua roupa íntima, que diferente da dos ômegas, seu peitoral ficava exposto, pulou na água, gostando do gelado que o dominou. Ao voltar para cima, viu o príncipe o encarando, uma chama de diversão brilhava nas orbes negras, e então ele jogou água em seu rosto.

O bruxo apenas riu, jogando água de volta sem nem precisar mover um músculo. Ao ter novamente o ômega revidando, decidiu não usar seus poderes, aquela guerra de água seria do modo justo.

A floresta foi dominada por risadas, tão gostosas de ouvir que se assemelhavam a uma música suave, que te fazia relaxar. Os jovens adultos dentro da água estavam completamente alheios a tudo que não fosse eles, sem pensar em seus problemas ou no sufoco que sentiam todos os dias.

Taehyung, enquanto ria, segurou o mais novo, impedindo que ele jogasse mais água em si. Demorou alguns instantes para que parassem de rir e se darem conta da posição em que estavam, praticamente abraçados usando apenas as roupas íntimas.

O Kim ia se afastar, já começando a pedir desculpas quando assistiu Jeongguk deixar um selar em sua bochecha, para que depois jogasse mais água em seu rosto.

Ficaram mais alguns minutos assim, até que decidiram que já estava na hora de sair, Jeongguk precisava estar no castelo para o almoço. O ômega travou quando percebeu que precisava tirar a roupa molhada, e percebeu que o bruxo pensava a mesma coisa, e no mesmo segundo ele pegou as coisas e sumiu entre as árvores.

Tirou a roupa e se secou da maneira mais rápida que conseguiu, se vestindo na mesma velocidade. Estava tirando a umidade de seus cabelos quando o bruxo voltou a aparecer, completamente vestido também.

— A poção está pronta — falou de maneira calma, assistindo o outro guardar a toalha e colocar a capa ao seu redor.

— Amanhã eu vou tirar seu irmão de lá, hoje a segurança é mais rígida — comentou, vendo o Kim pegar o tecido aparentemente seco e o amarrar.

— Só apertar — explicou de maneira simples.

— Tudo bem, obrigado por hoje — falou com um sorriso arteiro no rosto.

Da maneira mais rápida que conseguiu, deixou outro selar na bochecha do bruxo, saindo dali para ir de volta para o castelo. Não viu o sorriso bobo que se instalou no rosto de Taehyung, e não poderia saber que o coração dele estava acelerado quando o seu mesmo estava.

(...)

Jeongguk respirou fundo, buscando coragem, algo que não fazia muito, já que ela normalmente vinha naturalmente. Pensando na criança que deveria estar lá embaixo, simplesmente foi, andando até o guarda que estava na entrada para as masmorras.

— Hyunmi te chamou para uma vistoria — falou enquanto precionava o tecido que Taehyung havia lhe dado na noite anterior, sentindo que algo tinha saído dele. — e você precisa me dar a chave das celas

O alfa não falou nada, apenas entregou as chaves e se virou, começando a andar para longe dali. Um pouco assustado por aquilo ter dado certo, o ômega desceu as escadas rapidamente, sentindo o coração disparar ao ver tantas celas com tantas pessoas ali.

Andou pelo local, procurando por uma criança, perdeu as contas de quantas vezes passou por cada corredor até ver a figura pequena de um garoto sentado no fundo de uma cela.

— Oi — chamou a atenção do garoto, que o olhou assustado — sabe me dizer qual é o nome do seu irmão? — não poderia arriscar e pegar a criança errada, mesmo que só tivesse ele ali.

— Taehyung — falou hesitante.

Jeongguk sorriu, se apressando em abrir a cela, estendeu a mão para o garotinho, que o olhou desconfiado. Ele era loiro como Taehyung, e tinha as mesmas belas orbes roxas brilhantes.

— Eu sou o príncipe, vou te levar pra casa — falou baixo, vendo o garoto confiar em si no mesmo segundo, agarrando sua mão.

— Cadê o guarda? — ouviu a voz de alguém no andar de cima.

Jeongguk ofegou, olhando para ambos os lados, sentindo sua mão ser apertada pelo garotinho ao seu lado. Precisava pensar em alguma coisa.

Respirou fundo, segurando de maneira firme a mão da criança, correu para um corredor que não conhecia, se xingando ao ver um guarda parado ali, lhe encarando.

— Majestade? — questionou, confuso, olhando em seguida para a criança.

— Yoongi, por favor — implorou, olhando suplicante para o alfa, o vendo segurar a espada com um pouco mais de força.

— Suba as escadas, os guardas já estão vindo — ele sussurrou, se movendo para o lado.

O Jeon não teve palavras e muito menos tempo para agradecer, passando a subir as escadas com velocidade, parando para pegar o garoto no colo na metade do caminho.

Agradeceu por ter saído já perto do lado de fora, então continuou correndo, assistindo a floresta chegar cada vez mais perto, seus braços e pernas queimarem cada vez mais, sua respiração ficar cada vez mais difícil.

Não aguentava mais, sua velocidade já estava diminuindo, seriam ambos pegos daquele jeito. Colocou a criança no chão, sentindo seu peito apertar ao olhar para os olhos assustados.

— Jimin, me escuta — falou com o tom mais doce que encontrou — corre para a floresta, tudo bem? — o garotinho assentiu — não olha para trás, e só para quando achar o seu irmão.

— TaeTae hyung? — perguntou, arregalando os olhos.

— isso, só para de correr quando achar o TaeTae hyung — concordou, ouvindo quando os guardas começaram a se aproximar — vai — mandou, vendo a criança correr no que parecia ser a sua maior velocidade.

Se permitiu relaxar ao ver o garotinho sumir por entre as árvores, deixando que segurassem ambas as suas mãos, deixando que o arrastassem de volta para o castelo. Tinha salvado um garotinho adorável.

Jeongguk deixou que fosse guiado até a sala do trono, vendo que não tinha como fugir. Mas estava satisfeito com o que tinha feito, muito satisfeito. Entraram de volta no castelo, nos corredores os empregados olhavam assustados para o príncipe, afinal ele estava sendo tratado como um prisioneiro.

— Filho? — o rei perguntou, se levantando — o que você fez? — falou em um tom mais sério, ordenando com um gesto para que os guardas soltassem os braços do garoto.

— Tirei a criança que estava nas masmorras, não sabia que prendíamos crianças inocentes — falou sério, com o tom de voz alto, sem abaixar a cabeça.

Estava irritado.

— Não discutirei política com você — falou irritado, indo até o garoto, ignorando sua esposa que se levantou, parecendo querer garantir que seu filho não fosse machucado — estava procurando um marido que lhe agradasse, da sua idade, mas depois dessa afronta, você se casará com o barão Lee.

— O que? — sua voz saiu alta, indignada, pensando no homem que deveria ter a idade de seu pai — não pode fazer isso, eu não vou me casar com ele — falou rápido, vendo a fúria nos olhos de seu pai.

— Vai — sussurrou — e se ousar fugir, mandarei prender todas as crianças vândalas que encontrar

Jeongguk correu para fora dali, não sendo impedido pelos guardas, o rei tinha certeza de que ele voltaria afinal. Sabia que o ouro que o filho estava pegando ainda estava no quarto do garoto, ele voltaria em algum momento. Sabia que o filho era sentimental demais e se importava com as crianças.

Passou rápido pelas árvores, ignorando os galhos que batiam contra si, os rasgos em suas roupas, os pequenos cortes que surgiam em sua pele pálida. Seus joelhos queimavam, seu peito queimava, era difícil respirar, sentia algo trancando sua garganta.

Seu coração estava disparado, sentia que a qualquer momento ele escaparia de seu peito, e a sensação apenas piorou ao ver a queda à sua frente.

Não aguentava mais, não conseguia mais fazer aquilo. Queria ser livre, precisava se livrar daquela dor, precisava se livrar daquela pressão, precisava se livrar de tudo aquilo.

Parou de correr, olhando para baixo, para a longa queda que havia ali, não poderia sobreviver aquilo, não tinha como.

Nunca mais receberia o olhar duro de seu pai, nunca mais teria de dar falsos sorrisos, nunca mais teria de abaixar a cabeça, nunca mais seria castigado por ser quem é. Nunca mais pularia na nascente de uma cachoeira, nunca mais veria o nascer do sol, nunca mais andaria a cavalo, nunca mais faria nada.

Se virou, deixando seu peso cair para trás, sentindo o frio na barriga que sentiu ao começar a cair. Fechou os olhos, deixando que o ar saísse de seu pulmão. Tudo acabaria ali.

Algo o envolveu, pareciam galhos, seguravam todo o seu corpo. Abriu os olhos no mesmo segundo, vendo que ainda estava descendo, mas de maneira bem mais lenta. Foi solto, fechou com força os olhos, sendo deixado em algo confortável, que o abraçou, reconheceu o cheiro de Taehyung.

— Não pode deixar que te apaguem, pequeno — ele sussurrou, abraçando seu corpo de maneira mais firme.

Jeongguk cedeu, deixando as lágrimas descerem por suas bochechas, enfiou o rosto no peito do maior, segurando os braços do bruxo, incentivando que ele continuasse aquele abraço.

Soluçou alto, se permitindo relaxar com o carinho que recebeu em seus fios. Uma sensação gelada alcançou sua bochecha, abriu os olhos, olhando para os olhos roxos e brilhantes do mais velho, que lhe lançou um sorriso triste.

— Você se arranhou — murmurou explicando — só tô te curando — falou com carinho — o que você estava pensando, pequena chama? — falou em tom baixo, preocupado.

— E.eu não vou me casar, muito me.nos com um velho — falou de maneira amuada, se encolhendo um pouco mais — eu não posso fazer isso — sussurrou.

Taehyung lhe olhava com carinho, passando com delicadeza os dedos por sua bochecha. Recebeu um selar em sua testa, voltou a fechar os olhos, se sentindo calmo agora.

— Podemos fugir, agora, só eu pegar o Jimin e- — foi interrompido.

— Eu não posso — fungou — meu pai vai condenar milhares de crianças se eu fizer isso

— Eu prometi te proteger — o bruxo sussurrou — estaria mais que disposto a fazer um novo acordo, mas esse na frente do rei — falou, fazendo o ômega voltar a abrir os olhos.

O Kim sorriu, a chama que havia o conquistado ainda brilhava dentro daquele olhos negros e brilhantes.

Taehyung andava devagar, deixando que o ômega o acompanhasse com calma. Não tinha palavras para explicar o quão desesperado ficou ao sentir o perigo, logo após Jimin chegar em casa, o acordo era o proteger, saberia quando era a sua hora de cumprir um acordo. Seu coração ainda batia de maneira desesperada, ver o pequeno caindo, se jogando, nunca permitiria.

Chegaram aos terrenos do castelo, fazendo o Kim arrepiar com a péssima energia que aquele lugar carregava. Sentia a incerteza do garoto atrás de si, mas que ainda o seguia, confiando em si.

Entraram no salão principal, vendo o rei e a rainha sentados em seus respectivos tronos, um alfa de uns cinquenta anos andando de um lado para o outro, e uma óbvia movimentação entre os guardas.

O rei se levantou de maneira rápida, com raiva, mas receoso ao ver o bruxo ali. A rainha continuou sentada, com os olhos arregalados, parecendo tentar analisar se seu filho estava bem ou não. O alfa desconhecido parecia raivoso, olhando Jeongguk como se ele fosse uma criança mal criada.

— Príncipe Jeon Jeongguk — Taehyung se virou para ele, estendendo sua mão — aceitaria se casar comigo?

— Sim — a fala saiu apressada, levou sua mão e apertou a do bruxo com pressa, entendendo que aquilo seria um acordo, e nem o rei poderia quebrar.

A rainha ofegou, colocando a mão sob a boca, se espalhando um pouco mais no trono. O rei ficou vermelho, e passou a andar de maneira lenta até os dois. O outro alfa apenas olhou para Jeongguk com nojo.

— Não tem como quebrar um acordo com um bruxo — falou para o filho, que tremia um pouco.

— Eu sei — mesmo que estivesse nitidamente ansioso, respondeu com segurança.

— Teremos o casamento daqui duas semanas, ele está todo planejado de qualquer maneira — o rei falou, suspirando, dando-se por vencido.

Não tinha mais o que fazer, o garoto tinha concordado com aquilo, o acordo já estava selado. Olhou com pesar para o barão a sua frente, achava que seria um ótimo acordo o casamento de seu filho com aquele alfa, que apenas o olhou, também ciente de que não se tinha mais nada para ser feito.

Jeongguk soltou o ar que não percebeu ter prendido, olhando para Taehyung, que estava um pouco à frente. Se permitiu relaxar ao ver o sorriso de uma criança que aprontou nos lábios do bruxo, fechou os olhos por alguns instantes, procurando acalmar seu coração que ainda estava inquieto.

— Sabe que quando nos casarmos, se tornará rei, não sabe? — Jeongguk falou, com um sorriso leve em seu rosto.

— Acho que isso pode ficar nas mãos de quem realmente sabe fazer isso — falou baixo — eu posso ficar com as outras tarefas — brincou, arrancando um sorriso largo do ômega.

Jeongguk estava satisfeito com aquilo, poderia ser livre e ainda com alguém que estava roubando aos poucos seu coração ao seu lado. Se virou, pegando antes a mão do bruxo, passando a andar para fora dali, mas não para fora do castelo, tinha pensado em algo.

Sorriu enquanto subia as escadas, passando por diversos corredores, deixando que Taehyung parasse para observar quando algo chamava a atenção dos olhos roxos brilhantes. Era como se pudesse ver estrelas ali dentro, trazia uma sensação gostosa para dentro de Jeongguk.

Então chegaram, na ala sul do castelo, no quinto andar, Jeongguk abriu a porta da direita, dando a visão de um quarto enorme para Taehyung. Havia uma cama grande, onde julgava caber quatro pessoas, a janela ocupava uma parede inteira, dando uma bela visão do céu e das árvores da floresta. Era predominantemente branco, havia um sofá, uma mesa grande com alguns papéis espalhados, uma penteadeira imensa, e então mais duas portas, onde imaginou ser o banheiro e um closet.

— Acho que o Jimin iria gostar desse quarto — Jeongguk falou, sorrindo largo ao ver os olhos de Taehyung se arregalarem — ele gosta da floresta, podemos colocar algumas plantas aqui também, pega bastante sol — informou.

O ômega arregalou os olhos ao sentir seu corpo ser abraçado com força, não era acostumado com contatos físicos, mas aproveitou, acolhendo da forma que podia o corpo maior entre seus braços.

— Obrigado — a voz grave se fez presente, arrepiando Jeongguk por completo.

— Você quem acabou de me salvar — sussurrou, em um tom brincalhão — eu que tenho que agradecer

Ambos saíram do corredor, voltando para o lado de fora, pararam apenas para que Jeongguk avisasse, de maneira baixa, para sua mãe que o seu antigo quarto seria ocupado. Taehyung estava satisfeito com o que tinha acontecido, passar o resto da sua vida ao lado de Jeon Jeongguk lhe parecia uma ideia agradável.

Queria que o ômega realmente conhecesse seu irmão, ficou surpreso quando o garotinho apareceu completamente sozinho em sua casa, e o deixou assustado com sua saída repentina, deixando claro que ele não poderia sair de casa.

Puxou a mão do ômega para si, entrelaçando seus dedos, gostando do sorriso tímido que ele deu. Mesmo sabendo que era difícil acontecer uma segunda vez, queria garantir que nunca mais correria o risco da pequena chama atrás de si se apagar, nunca mais.

Foram até a sua casa, onde um garotinho saiu correndo dali de dentro, pulando no colo do irmão, o abraçando com toda a força que o corpo pequeno tinha. Jeongguk sorriu, sentindo sua mão ser solta para que o bruxo pudesse pegar o garoto no colo. Jimin levantou um pouco o rosto, olhando para Jeongguk com os olhos roxos.

— Hyung! — falou animado se afastando um pouco do abraço para olhar para o rosto do irmão — ele me sal.vou hyung — contou animado, apontando para o príncipe.

— Eu sei Minnie — respondeu em um tom carinhoso — tudo bem — resmungou quando o garoto se inclinou para o ômega querendo o colo dele também.

Jeongguk o segurou de maneira um pouco insegura, sorrindo quando o pequeno bruxo começou a tentar sentir o seu cheiro, para em seguida deitar a cabeça no ombro do ômega. Jeon olhou para Taehyung, que tinha um sorriso retangular lindo no rosto.

— Tem quantos anos? — Jeon perguntou baixinho, olhando para o rosto do pequeno.

— cinco — falou mostrando os dedinhos — ele vai ficar com a gente, né TaeTae? — perguntou olhando pro irmão, não percebendo que fazia alguns galhos crescerem ao redor de um dos pés do príncipe.

— A gente que vai ficar com ele — falou sorrindo, desfazendo a magia que o pequeno tinha feito — inclusive, será que tem problema nós irmos pro castelo só depois? — perguntou, olhando para o ômega

— Se eu pudesse não morar lá, eu também escolheria isso — brincou — só depois do… casamento — respirou fundo, olhando nos olhos do bruxo — por que fez isso? — perguntou, ajeitando o garotinho em seus braços — quer dizer- — foi interrompido.

— Porque assim eu garanti a sua liberdade, um bom reinado, uma boa qualidade de vida pro meu irmão e a oportunidade de passar a minha vida ao seu lado — falou de maneira sincera — e isso é tudo o que eu queria.

Jeongguk não pensou, deixou o garotinho no chão e abraçou o maior, era a única coisa que poderia fazer para agradecer, e se sentiu aliviado ao sentir sua cintura ser apertada pelos braços do bruxo.

— Obrigado — sussurrou

(...)

Revirando os olhos, Jeongguk se levantou da mesa, já havia terminado seu almoço, e não aguentava mais os olhares repreensivos de seu pai sobre si. Passou a manhã com o alfaiate real, que já havia começado a fazer sua roupa para o casamento, reclamando também sobre como foi ir até a floresta tirar as medidas do noivo no dia anterior.

O ômega saiu do castelo calmamente, ignorando os guardas por completo, esses que já estavam acostumados com as fugidas do príncipe. O Jeon foi direto pelo caminho que aprendera, apenas esperando para que a casa aparecesse em seu campo de visão, o que não demorou a acontecer.

— Hyung! — ouviu o grito infantil e logo o garotinho loiro apareceu correndo, se jogando em seu colo — TaeTae tá terminando de limpar os pratos — falou com calma, deixando que o príncipe o carregasse de volta para dentro da casa.

Era aconchegante, essa foi a primeira impressão que teve, lhe dava vontade de deitar no estofado, se enrolar em uma manta na frente da lareira e ficar lendo um livro. Pelo o que conseguiu notar eram dois quartos, a sala, a cozinha e um lugar com vários potes, líquidos, ervas, um caldeirão grande, e ao lado uma prateleira enorme cheia de livros.

— Não é nada comparado ao castelo — ouviu a voz de Taehyung, e se virou para ele, o vendo pela primeira vez expondo seus braços, esses que tinham diversas marcas e desenhos em branco.

— O castelo não chega nem aos pés disso aqui — falou de maneira sincera, sorrindo quando o garotinho em seus braços se interessou por seu brinco.

— O beta de ontem ficou falando sobre como era um absurdo alguém morar na floresta e mais um monte de coisas entediantes — murmurou, se encostando na parede.

— Sinceramente, todo mundo naquele lugar é um saco — falou revirando os olhos, os arregalando logo em seguida ao sentir algo muito quente em seu pescoço.

— Não, Jimin — Taehyung falou, com um mínimo sorriso nos lábios, pegando o garotinho no colo.

O bruxo passou o dedo por onde estava queimando, e logo a sensação passou, não poderia deixar que o príncipe ficasse marcado naquela região. Sentiu os olhos intensos do ômega fixos nos seus, o fazendo se arrepiar, e não conseguiu se afastar, deixando sua mão encostando de maneira leve em seu pescoço.

Tomado por algo que não sentia muito, o Kim sentiu coragem de fazer algo, não o que realmente queria fazer, mas o suficiente. Se aproximou, deixando um selar na testa do mais baixo, sendo agraciado pelo sorriso largo e pelas bochechas coradas dele.

— Chão — ouviu Jimin pedir, e logo a criança estava no chão, e foi correndo para o próprio quarto.

— O que são? — ouviu a voz doce perguntando, então voltou a focar no príncipe, vendo que ele olhava para os seus braços.

— Quando um bruxo se torna adulto, ele recebe esses desenhos, marcas de nossa magia, e as cores são conforme a alma do bruxo — explicou, engolindo em seco quando o ômega, delicadamente, passou os dedos sob alguns desenhos — os desenhos são em preto para almas corrompidas, cinza para com potencial para o bem e para o mal, e branco para as puras — terminou, vendo o Jeon desviar os olhos de suas marcas para os seus olhos, mas continuou passando os dedos por seu braço.

Ambos ficaram alguns instantes se encarando, Jeongguk achava lindo a forma que no interior os olhos do bruxo eram em um tom de roxo mais azulado, e nas extremidades era um roxo mais puxado para o rosa, fazendo um degradê de tirar o fôlego.

Desviou os olhos, focando nos lábios avermelhados por alguns segundos, depois voltando a olhar para as orbes encantadoras. Sorriu pequeno quando o bruxo se aproximou um pouco mais, parecendo tão inerte quanto si.

Tomado pela comum e aconchegante coragem, o príncipe ficou na ponta dos pés, e juntos os seus lábios, um selar simples e curto, o que não diminuiu as fortes borboletas que voavam de forma desesperada dentro de ambos.

Jeongguk sorriu arteiro ao se afastar, vendo o quão desnorteado Taehyung parecia, mas ele logo voltou a si, revirando os olhos ao ver a feição de uma criança que acabara de aprontar no mais novo

— Você é inacreditável — murmurou, arrancando uma risada gostosa do ômega.

— Mas você já sabia disso — brincou, dando outra gargalhada ao ver que o bruxo não conseguiu conter o sorriso largo.

— Espertinho — o Kim falou, abraçando a cintura do menor, enfiando o rosto na curvatura de seu pescoço, sentindo o cheirinho doce que ele tinha.

Jeongguk apenas o abraçou de volta, fechando os olhos, gostando daquele contato, queria tê-lo mais vezes. Se sentia quentinho por dentro por saber que sim, teria aquilo mais vezes.

— Eu gosto disso — o bruxo falou contra a sua pele, o arrepiando por completo.

— Eu também — sussurrou, um tom um pouco mais manhoso do que o normal, sentindo o mais velho sorrir contra a sua pele.

Estava em casa

(...)

Taehyung suspirou, se virando em sua cama, não conseguia pegar no sono de jeito nenhum. Não sabia se era por estar ansioso pelo casamento ser dali cinco dias, se era por não ter visto Jeongguk desde o dia em que ele o beijou, se era por Jimin não querer voltar para o castelo.

Franziu o cenho ao ouvir alguns estalos do lado de fora, e como estava sem sono, se levantou para ver. Sorriu com a visão do príncipe parando ao lado de fora da sua casa, olhando para os vagalumes. Ele usava uma capa grossa, então deduziu que ele deveria estar usando vestes para dormir, já que não estava frio

Foi para o lado dele, vendo que o garoto não o olhou, mas apoiou a cabeça em seu ombro. Levou sua mão até os fios escuros, fazendo carinho ali, tentando transmitir conforto de alguma maneira.

— Minha mãe não me deixou em paz, só consegui fugir agora — murmurou, suspirando de maneira cansada.

— Eu estava preocupado — Taehyung falou com sinceridade.

— Eu tô exausto — murmurou, fechando os olhos — aquilo lá tá uma bagunça, sinceramente, não aguento mais ficar opinando sobre flores.

— Não quer descansar um pouco? Sua aura está fraca, deve estar realmente exausto — falou ainda com o tom preocupado.

— Eu queria te ver — resmungou, bocejando em seguida.

O bruxo sorriu, puxando o mais baixo para um abraço, o sentindo se encolher em seus braços, se aconchegando ali. Manteve o carinho nos fios escuros, sentindo a respiração calma do ômega contra o seu pescoço. Deixou um selar sob os fios escuros, e soube que o Jeon sorriu.

— Quer dormir aqui hoje? Prometo que deixo você dormir o dia inteiro se quiser — brincou, falando baixinho.

— Uhum — resmungou — seu cheiro é bom — falou de maneira manhosa, conseguindo outro sorriso de Taehyung.

— O seu também — respondeu com sinceridade, começando a separar o abraço — vem, você precisa descansar.

Entrelaçando os dedos com os do menor, o Kim o guiou para dentro de casa, indo direto para o seu quarto. Ao chegar lá, com delicadeza, desabotoou a capa do príncipe, vendo que estava certo sobre as suas vestes para dormir, e estendeu a peça com cuidado sob uma cadeira que estava ali.

— Eu vou dormir no sofá e- — foi interrompido.

— Não, a casa é sua, eu deveria dormir no sofá — brigou, com um biquinho emburrado nos lábios.

— Minha casa, minhas regras, nem pense em me contrariar sobre isso — falou com um tom de humor, não se segurando e deixando um selar nos lábios do menor, vendo um sorriso pequeno se instalar ali — você precisa dormir — voltou a falar.

O ômega se sentou na cama, e deixou que o mais velho tirasse suas botas, e apenas obedeceu quando ele indicou que deveria se deitar.

Taehyung sorriu, se sentando na ponta da cama e fazendo carinho nos fios escuros, vendo os olhos do príncipe se fecharem de maneira lenta. Não demorou para que o garoto estivesse dormindo em sua cama.

Se levantou, garantindo que ele estivesse bem aquecido, pegou uma manta do armário e se dirigiu para o sofá, se ajeitando ali. Dessa vez conseguiu dormir

Deveria ser por volta das onze da manhã quando a imagem do ômega sonolento apareceu, com um biquinho emburrado nos lábios. Taehyung sorriu, correndo para a cozinha, esquentando com as suas mãos a xícara de café, a oferecendo para o príncipe, que aceitou.

— Não deveria ter feito isso — resmungou, dando um gole no café, pensando sobre como ele era muito melhor do que o do castelo.

— Feito o que? — perguntou com uma falsa inocência, voltando a se sentar no estofado, deixando um espaço para que o pequeno se sentasse.

— eu que deveria ter dormido no sofá — falou, soltando um bocejo em seguida, se sentando ao lado do bruxo — mas minhas olheiras sumiram — comentou satisfeito.

— Se chama magia — Taehyung brincou.

Jeongguk sorriu, voltando a tomar o café, olhando para Jimin que entrou correndo na casa. Assistiu a interação dos dois irmãos, achando fofo como o noivo — era estranho pensar nele assim — parecia voltar a ser uma criança enquanto continuava o assunto que Jimin começou.

Não viu quando a caneca vazia foi tirada de sua mão, mas olhou encantado para ela flutuando até a cozinha, e sendo lavada sozinha. Olhou de volta para Taehyung, que o chamou para mais perto.

Agora deitado no ombro do maior, sendo abraçado por um dos braços dele, assistiu de maneira completamente encantada a pequena chama que o bruxo invocou, ficando um pouco acima do seu dedo indicador.

Não demorou para o fogo desaparecer, e no lugar disso apareceu um pouco de água, que começou a se moldar, ficando do formato de uma rosa. Em seguida, ela simplesmente desapareceu.

— Isso é incrível — o ômega murmurou, olhando para o bruxo, que deixou um rápido selar nos lábios do menor.

— Beijo! — Jimin falou animado, apontando para ambos, sorrindo largo.

— Beijo — Jeongguk falou, puxando o garotinho para o seu colo, deixando um selar na bochecha cheinha, ouvindo a gargalhada gostosa que ele soltou.

(...)

— Não Jeongguk — a rainha falou pela quinta vez, cruzando os braços.

— Mas- — foi interrompido.

— Jeongguk, você não pode ver o noivo antes do casamento, então por favor, acredite em mim — falou com calma — ele está aqui, está se arrumando e está bem — falou de forma segura.

Jeongguk bufou, deixando que colocassem a coroa de flores brancas sob seu cabelo. Se olhou no espelho, vendo as vestes completamente brancas, as calças mais justas ao corpo, a camisa branca um pouco folgada por dentro da calça, e o blazer que ia até os seus pés, marcando bem a sua cintura. A maquiagem era leve, lhe deixava com um ar mais inocente, as jóias não eram muito chamativas, já que acreditavam que o ômega em si era quem chamaria a atenção.

Recebeu um buquê de astromélias brancas, que simbolizavam o amor e a fidelidade. Achava meio irônico escolherem flores com esses significados com casamentos arranjados, já que era uma tradição.

Aceitou o abraço que sua mãe lhe deu, tentando acalmar o seu coração. Acompanhado seu pai, que esperava quieto no quarto, saíram dali, indo em direção ao salão onde aconteceria o casamento. Pararam na frente das portas fechadas, esperando a deixa.

— Saiba que eu tentei de tudo para impedir esse casamento — o homem falou entredentes.

— Pode apostar que eu sei — o ômega resmungou, sem olhar para o alfa.

— Onde já se viu, fazer um acordo de casamento com um bruxo — continuou reclamando.

— Daqui pouco tempo ele será o rei, terá de engolir isso, majestade — falou com deboche, colocando um sorriso no rosto ao ver as portas começaram a se abrir, junto da música começando.

O sorriso se tornou sincero ao ver Taehyung, parado no fim do salão, vestido com um lindo terno escuro, que começou a sorrir no mesmo segundo que o viu. Ignorou o alfa ao seu lado, ignorou as pessoas em volta, ignorou os olhares, ignorou tudo, só lhe importava o bruxo a sua frente, que ficava cada vez mais próximo conforme andava até ele.

Tão perfeito.

Se curvou levemente para ele quando chegou, seguindo as tradições que achava completamente ridículas, mas não conseguiu não revirar os olhos por aquilo, sorrindo ao ver o bruxo segurar a risada.

Também não conseguiu disfarçar a cara de tédio enquanto o padre falava o mesmo discurso de sempre, apenas esperando para que fosse a sua deixa. Mas sabia que o bruxo ao seu lado estava se esforçando muito para não rir de si.

Falou o “Sim” quando deu a sua deixa, e logo em seguida ouviu Taehyung falando, precisaram se ajoelhar para assinar o contrato de casamento, para em seguida Jimin aparecesse segurando as alianças em cima de uma almofada branca.

O garotinho focou os olhos no irmão e continuou andando, tentando não mostrar o medo que sentia. E então o casamento foi encerrado.

— Você é incrível — Taehyung falou quando a festa começou, finalmente podendo rir.

— Mas que negócio chato, tudo é sempre a mesma coisa, podiam só acelerar esse processo — resmungou, pegando Jimin no colo quando ele ergueu os braços para si.

— Por isso mesmo que você é incrível — Taehyung falou, deixando um selar nos lábios do- agora - marido.

— Eu conheço esse rapazinho — ouviram uma voz atrás de si, e se viraram.

— Hyung! — Jimin falou animado, pulando para o colo do guarda.

— Yoongi — Jeongguk murmurou, olhando nos olhos do alfa — obrigado por aquele dia.

— Era uma criança majestade, uma criança assustada, duas na verdade — brincou.

— Ah, Tae, ele me ajudou a salvar o Minnie — Jeongguk contou, vendo o rosto do bruxo se iluminar.

— Ele contava histórias pra eu dormir! — Jimin falou animado

— Obrigado — Taehyung falou, sendo sincero, recebendo apenas um assentir com a cabeça.

— Pai! — ouviram uma voz infantil, é um garotinho de uns cinco anos apareceu.

— Esse é o Hoseok, meu filho — Yoongi falou, deixando Jimin no chão, apenas para conseguir arrumar a roupa do garoto.

— Quer brincar? — o moreno perguntou, olhando para o loirinho, que assentiu sorrindo, e então as duas crianças saíram correndo.

— Vou ficar de olho — o guarda falou, indo atrás das crianças.

— Então, marido, já viu o nosso quarto? — Jeongguk perguntou, passando os braços por uma dos ombros do bruxo.

— Já… podemos tentar fazer um filhote depois — brincou enquanto abraçava a sua cintura, conseguiu uma cara incrédula e bochechas extremamente coradas do ômega.

— Safado — falou, dando um tapa no ombro do loiro.

— Kim Jeongguk é bonito — falou, mudando de assunto.

— Fica lindo, melhor do que o Jeon — concordou, com um sorriso largo no rosto.

(...)

O garotinho sorriu, se aconchegando no colo de seu pai, se sentindo protegido e seguro nos braços do ômega. Olhava com atenção seus pais conversando, parecia algo sério, mas ele não entendia nada.

Ergueu sua mão, pegando a coroa que seu pai usava, passando a observar a peça, tinha o cheiro de seu pai. Tentou devolver, mas se frustrou ao não conseguir deixar do jeito que estava antes, mas ficou satisfeito ao ver seu papai Tae ajeitar a coroa.

Algo chamou a atenção do pequeno, que pediu para ir para o chão, e logo foi deixado ali, e passou a correr de maneira desajeitada atras do brilho que viu. O garotinho não percebeu que criava uma trilha de flores atras de si, mas ficou chateado quando foi pego de novo no colo, dessa vez no colo de seu outro pai.

Sorriu arteiro para ele, gostando de ver o sorriso fofo no rosto de seu pai gguk, pensando em ter mais daquele sorriso, involuntariamente criou uma pequena flor atras da orelha do rei, que aumentou o sorriso.

As orbes roxas foram temporariamente cobertas pelos fios escuros, mas logo o pequeno o tirou da frente, se virando para o bruxo que o segurava no colo. O abraçou, gostava do cheirinho dele também

Uma das coisas que mais gostava era de quando o papai Gguk lhe contava como conheceu seu outro pai. Algo como estar perdido no escuro e ele ser a sua luz. Gostava também de quando o papai Tae falava que ele era uma pequena chama, igual ao seu outro pai.

Amava muito os dois.

13 мая 2021 г. 13:47:27 0 Отчет Добавить Подписаться
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Pmj Bunny 「¸¸. 𝘖𝘵7 𝘴𝘦𝘮𝘱𝘳𝘦 •'」 「𝘛𝘢𝘦𝘬𝘰𝘰𝘬✿」 「𝘎𝘳𝘪𝘧𝘪𝘯𝘰́𝘳𝘪𝘢」

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