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- Vamos ver as Auroras juntos, Tae. - Sorriu enquanto acariciava os cabelos castanhos do menino. Jungkook era um jovem floricultor que vivia uma vida completamente normal. Um dia, voltando para casa em uma tempestade, ele encontra um garoto completamente machucado e sujo em um beco próximo de sua casa. Ao o ajudar, Jungkook percebe que o menino não fala absolutamente nada e que possui algum tipo de fobia social muito grande, mas por alguma razão, ele acaba se apegando em Jungkook. Com medo de deixar aquele estranho rapaz para trás, sozinho no mundo, ele decide o abrigar sem saber nada sobre ele e nem sobre o seu passado. Com o tempo, Jungkook começa a ir atrás do terrível passado daquele menino, em busca de sua verdadeira história, almejando saber de onde vinham aquelas cicatrizes em seu corpo e o porquê de ter tanto medo de outras pessoas. Jungkook passa a cuidar daquele estranho e singular garoto, que era o mais puro e inocente que já havia conhecido e, assim como as flores que cuidava em sua floricultura, ele deixava agora florescer o mais lindo dos sentimentos por Taehyung e, no fim, apenas no fim, ele entende o fascínio dele por Auroras Boreais. Capa por: @mykooko_


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Capítulo 1: Meu nome é Aurora



Ele, a Aurora que um dia presenciei...

Tinha as cores mais doloridas e incompreensíveis

Mas era ele... Uma linda Aurora.

Era apenas ele... Uma bela e singular explosão de cores.

Elas são formadas apenas por uma pequena rajada de plasma solar e, em contato com a atmosfera terrestre, formam lindos feixes, cortinas, e rastros explosivos de luz, todos em cores bem vibrantes... Alguns acreditam ser algo além da compreensão humana, não apenas um fenômeno natural. Juram ser algo mágico. Mas não são. Auroras Boreais são apenas luzes no céu, roxas, vermelhas... Verdes como as mais comuns, azuis, talvez laranja e amarelo, são apenas luzes no céu... Ou ao menos era o que eu acreditava antes de conhecer aquele garoto. É irônico pensar assim, mas Auroras passaram a ser algo mágico para mim...

Sempre acreditei que a vida era algo passageiro e, de fato ela é. Era algo como ter pouco tempo para viver, se apaixonar e fazer algo divertido antes de morrer, mas essa perspectiva mudou depois de um tempo, e aquele dia ficará marcado para sempre na minha memória.

— Amor, fique mais um pouco— falei abraçando Jimin na cama, o lençol estava quentinho e a cabeleira loira dele me deixava anestesiado.

Park Jimin era uma das imagens mais lindas que eu poderia ter visto na vida, bom, pelo menos por agora... Me apaixonei por ele quando o vi dançar pela primeira vez e, acreditem se quiser, mas isso foi tudo culpa das flores. As malditas flores... Não entenda mal, eu as amo! Amo mais que os próprios humanos que habitam a Terra. É só que, quando conheci esse garoto, foi em uma terrível coincidência com seu ex namorado, que me pedira para entregar flores para ele.

Meu expediente estava quase acabando quando um cara bonito entrou na minha floricultura e me pediu um buquê de rosas vermelhas, o mais caro e extravagante. Ele parecia preocupado e, por um momento eu pensei em dizer a ele que já estava fechando o lugar, mas ele implorou para que eu fizesse isso por ele. Os serviços de entrega de flores em minha floricultura já havia se encerrado naquele dia, mas aquele moço impertinente me pediu desesperadamente para mim fazer uma entrega para ele.

— Eu pago quanto você quiser— disse abrindo a carteira e mostrando seu dinheiro.

Pensei que a qualquer momento, aquele cara poderia começar a chorar em minha frente. Ele parecia desesperado e, eu, nada bobo, decidi abusar daquele cliente e lhe cobrei um pouco mais para fazer a entrega, afinal, minha hora de fechar a loja já havia passado há muito tempo.

— Eu preciso do endereço— disse o olhando. Eu decidi sorrir para ter certeza que eu acalmaria a euforia do rapaz, mas não funcionou.

— Ah, claro! É o estúdio de dança aqui em frente.

— Ah, esse aqui?— Apontei para a rua um pouco confuso.— Mas é tão perto... Por que você mesmo não entrega?— Perguntei tentando me livrar daquela situação, aliás, eu não era o entregador, eu era o dono da floricultura, eu tinha alguém que fazia isso para mim.

— Ele...— Pensou por um instante. – Ele não quer me ver. Eu já tentei. V-Você pode fazer isso por mim?— Ele puxou minhas mãos com força implorando para que eu o fizesse.— Eu não quero o perder.

Eu suspirei vendo o quão idiota aquilo pareceu. Era uma briga de casal, tinha certeza disso. Eu concordei em entregar as flores no lugar dele, mas foi tudo apenas por pena.

— E-Eu posso adicionar um cartão? – ele me perguntou.

— Hmm...— assenti lhe entregando um cartão enfeitado nas mãos dele.

O tanto que aquele homem escreveu me deixou assustado, quase perguntei se ele não precisava de outro cartão para completar seu recado.

— Por f-favor... Diga para ele me perdoar e... E diga que eu o amo muito.

Depois disso, o cara bonitão saiu da minha floricultura, estava quase chorando. O vi encarar o estúdio de dança antes de sumir da vitrine em frente a minha loja. Ele deveria estar muito desesperado mesmo.

E foi aí que eu percebi que me apaixonaria por um cara que dançava ballet em um estúdio bem em frente a minha floricultura... Quando entrei no lugar depois de fechar minha loja, eu adentrei porta à dentro do Estúdio Ponta dos Pés, a fim de entregar logo aquelas flores e ir embora.

A recepção estava completamente vazia, mas eu ouvia um som de música clássica vindo do lugar onde presumi que aconteciam os ensaios. Naquela sala cheia de espelhos e barras, ecoava uma melodia daquelas clássicas, algo como Tchaikovski ou Beethoven. Havia uma única pessoa naquele lugar, um garoto, que dançava conforme a música... Literalmente. Seus músculos se mexiam levemente enquanto seus olhos estavam fechados apenas ouvindo o som da música leviana.

Eu lembro de estar parado o encarando completamente vidrado em seus movimentos, ele dançada como uma pluma, era tão magnífico que me peguei apaixonado por aquela imagem. Ele abriu os olhos depois que a música acabou e me encarou.

— A-Aah... M-Me desculpa— eu disse parecendo um completo idiota.— É que, não havia ninguém na recepção e eu ouvi a música.

O garoto sorriu e se dirigiu até mim, em passos lentos. Usava roupas largas e brancas, e seus cabelos loiros só o deixavam com uma aparência ainda mais angelical.

— Tudo bem— ele disse.

— Eu estou procurando por...— Encarei o cartão com o nome da pessoa que eu procurava.— Park Jimin, eu preciso entregar essas flores para ele.

— Eu sou Park Jimin— respondeu.

— Oh!— Eu expressei ainda um pouco envergonhado com a beleza e delicadeza dele.— Então... É pra você.— Apontei o buquê em sua direção e o entreguei.

A expressão dele foi de desinteresse ao analisar as flores e, ao puxar o cartão que havia no meio delas, ele expressou irritado um "tsc", era fofo. Ele jogou as flores em meu peito e disse:

— Você pode levar de volta— falou irritado.— Eu não quero nada que venha desse canalha.

Eu me frustrei por o ouvir falar assim, pois o cara na minha loja parecia tão triste, até achei que a tristeza dele fosse afetar as flores do meu local de trabalho, pois elas são muito sensíveis com os sentimentos dos outros.

— Ah, ele parecia muito desesperado quando pediu para que eu fizesse isso por ele...— Tentei defender o cara.

— Aquele covarde— disse com uma expressão irritada.— Aquele desgraçado me traiu.

Agora sim eu odiava o carinha impertinente que entrou em minha loja! Como ele poderia trair uma beldade como aquele menino em minha frente? Mas bom... Foi mais ou menos assim que eu conheci Jimin, em uma situação de birra entre ex namorados e, acabei me apaixonando por ele. Era impossível não se apaixonar, especialmente quando o via dançar. Agora aquela cabeleira loira estava em minha cama e, talvez o ex dele me odeie agora, pois eu o tomei para mim. E a situação toda era tão linda, pois pare para pensar... Um carinha cometeu um erro o traindo, então ele me pede para entregar flores em forma de perdão, mas o que acontece é que o menino que foi traído, Jimin, acaba ficando comigo. Era o romance perfeito, pois depois que ele recusou as flores de seu ex namorado, eu tomei o cartão de suas mãos e o amassei e, as pobres flores, sem culpa alguma em minhas mãos, acabei as direcionando a ele sem nem ao menos pensar direito. Agora as flores não eram mais um presente de seu ex namorado, eram um presente meu para ele e, foi assim que tudo aconteceu.

Meio ano depois, Jimin já estava comigo, entre danças, beijos na cama e flores que eu sempre fazia questão de lhe dar apenas para o ver sorrir. Não conseguia o soltar naquele dia, pois ele estava tão quentinho em meus braços, que não me deu coragem de sair de perto dele.

— Não posso ficar, Jungkook.— Ele disse pulando da cama.— Tenho ensaio.

Eu sentei na cama e o abracei pela cintura, não querendo soltar.

— Vamos, Jungkook. Já estou atrasado. E eu volto de noite, não precisa ser tão carente assim.

— Eu não posso ficar com você hoje à noite – respondi.— Namjoon disse que precisa urgentemente me ver.

— E o que ele quer?

— Eu não sei — respondi esfregando o rosto em sua barriga. — Ele disse que queria me dar uma notícia, só isso. Quer vir junto?

Ele balançou a cabeça e disse um "não" extremamente sincero. Jimin era muito livre e, isso me assustava um pouco, mas tudo bem, eu o amava muito para discordar de qualquer vontade dele. Ele saiu correndo do meu quarto, agarrando todas as suas coisas e botando os sapatos de modo desajeitado, tropeçando em todo lugar.

— Tenha um bom dia! — Eu gritei antes de o ouvir bater a porta.

Eu sorri apenas por saber que o tinha comigo. Eu era muito apaixonado por ele e tudo que ele fazia, tanto suas peculiaridades quanto o jeito que era bagunceiro, ou o modo que ele ficava emburrado quando eu tomava sorvete em sua frente e ele dizia que não podia comer comigo pois engordaria. Bailarinos têm essas coisas de dieta, e eu me preocupava com ele às vezes.

Eu não demorei para me levantar também e tomar um banho bem demorado. Gostava de manhãs quentes como aquela, me fazia pensar que teria um ótimo dia entre as flores de minha floricultura e que o dia seria perfeito e calmo.

— Bom dia, Nay!— Eu disse logo depois de cruzar o portão de minha casa e a ver regando suas flores logo pela manhã.

— Oh, Jungkook!— Ela me olhou contente com a mangueira nas mãos. — Já vai trabalhar?

— Sim...— resmunguei me arrastando.— Estou com preguiça hoje, mas logo eu acordo de vez.

Ela riu generosamente da minha preguiça.

— E cuidado para não afogar essas Azaléas.— A fitei com os olhos cerrados e apontando o dedo indicador em sua direção.— Te vejo mais tarde, Nay!— Balancei as mãos e sai andando.

Meu dia foi um tanto prazeroso... Não foi muito movimentado, mas foi o suficiente para me fazer sorrir algumas vezes. Minha floricultura era frequentemente visitada por senhoras mais velhas ou moças muito jovens. Raramente um homem entrava ali, e quando eles o faziam, era com cara de apaixonado. Eu sabia quando um homem estava apaixonado, pois por mais que os rostos fossem sempre diferentes, os pedidos eram sempre os mesmos. Um buquê bem grande de rosas vermelhas acompanhado de um cartão. Era o pedido mais comum que eu recebia.

— Tenha um bom dia.— Sorri para a moça jovem que levava de minha floricultura uma daquelas famosas Suculentas.

Eu realmente gostava da vida que eu tinha, era pacífica e ao mesmo tempo bem clichê. Talvez eu tenha me acostumado a essa mesmice há muito tempo e nem havia notado, mas eu honestamente gostava das coisas assim. O drama me dava sim borboletas no estômago, mas me causava um certo incômodo em alguns momentos.

Eu ficava triste quando algumas de minhas flores ou plantas morriam, era tão triste. Sei que parece bobo, mas eu tenho muitos sentimentos por elas, pois em alguns momentos, elas parecem as únicas que conseguem me entender de fato. Não gostava de as jogar fora depois de as ver murchar. Eu, muitas vezes, as comparava com uma vida muito triste, pois elas floresciam mas não tinham nem a chance de sair de minha loja e, logo morriam em um canto qualquer, sem nem ter a chance de serem dadas de presente por um cara apaixonado por sua garota, ou até mesmo sem serem compradas por uma velhinha solitária. Essas coisas me deixavam triste.

10:23, Namjoon:

-Você vem me ver hoje, não é?

Namjoon era um dos meus melhores amigos, daqueles que eu consegui manter do meu círculo de amigos de uma infância estranha. Ele era meu Hyung! Diga-se de passagem, Nayeon também fazia parte deste círculo de amigos.

10:25, Jungkook:

- Eu vou sim, Hyung.

- O que é que você tem para me contar, em?

10:26, Namjoon:

- Logo você vai saber!

- Espero você no restaurante, não se atrase.

Namjoon é dono de um restaurante. Mas não se engane, ele não cozinha nada, ele é apenas o dono.

Eu passava quase todo o dia sozinho na floricultura, pois meu empregado fazia as entregas e, eu não tinha muita companhia enquanto ele estava fora. E para ser sincero, eu precisava arrumar um novo empregado logo, pois esse já havia dito que logo deixaria a floricultura.

📷

O meu dia não passou de Petúnias, Rosas Vermelhas e algumas ervas cheirosas. Nenhum homem apaixonado havia entrado em minha floricultura naquele dia e, todas as senhoras que entraram, saíram com um sorriso bobo no rosto. Já havia decorado todas as feições possíveis apenas atendendo moças jovens e mulheres mais velhas, idosas, para ser mais exato.

— Estou fechando a floricultura agora— disse para Namjoon ao telefone. — Logo chego aí.

Já eram quase seis e meia da tarde, o sol já estava se escondendo atrás das árvores, mas eu tinha certeza que naquela noite teríamos um belo de um temporal, senti isso apenas com o vento frio que fazia na rua. Naquele dia, escolhi não usar meu carro, apenas para aproveitar o sol da manhã, mas já havia me arrependido daquela ideia, pois se eu pegasse uma chuva de volta para casa durante a noite, seria um incômodo. Eu até gosto da chuva. É bom dormir com ela nos ouvidos, vê-la levando as coisas embora ou a observar pela janela com uma bela xícara de café nas mãos, sem açúcar e bem quentinha, para mim esse era o café perfeito, ou o momento perfeito.

Quando cheguei ao restaurante de Namjoon, sua namorada, Hyejin, estava lá. Eu a cumprimentei com prazer ao vê-la. Aquela mulher era provavelmente uma descendente de algum Deus grego, pois ela era tão linda, que às vezes eu chegava a me questionar sobre minha própria sexualidade.

— Hyejin!— A encarei animado.

Ela sorriu contente em me ver e eu quase cai para trás de tanta beleza que ela exalava apenas em um único movimento de lábios.

— Como você está, Jungkook?— Continuou sorrindo para mim.— E seu namorado? Está tudo bem?

— Aah!— Expressei quando ela mencionou Jimin.— Que bom que você me lembrou, eu preciso ligar para ele, você me dá um momento?

Jimin não atendeu a minha ligação, não estranhei, pois achei que ele deveria estar naquele estúdio, ensaiando sozinho. Ele sempre fazia isso, gostava de dançar sozinho, não é à toa que eu o conheci sozinho ao som de Chopin, e não, quando eu conheci Jimin enquanto ele dançava, a melodia não era nem de Tchaikovski e nem de Beethoven, ele me explicou isso mais tarde quando nos conhecemos de verdade... Acho que foi no meio de um lençol azulado, mas não importa agora.

— Jungkook. — Namjoon se aproximou contente logo que me viu.— Você finalmente chegou.

— Hyung!— Sorri e botei o celular de volta no bolso. O abracei apertado quando ele veio em minha direção.

Eu não demorei muito para começar a questioná-lo sobre seu pedido de me ver com urgência, eu estava curioso e, ele não era de esconder as coisas assim, ou omitir, sei lá...

— Vamos, Hyung! — O empurrava para que ele parasse de se fazer de desentendido, enquanto Hyejin estava sentada ao lado dele com uma cara se esforçando para não rir.

— Vamos, meu bem...— ela falou.— Diga logo para ele.

Eu alternei o olhar entre ele e ela, um pouco confuso, confesso. Vi Namjoon erguer a mão e colocá-la em cima da mesa junto da mão de Hyejin, que sorria feito uma idiota. Eu encarei as mãos dos dois uma do lado da outra e, só assim eu notei seus dedos, haviam alianças neles.

— V-Vocês dois...— Minha boca formava um O perfeito em surpresa.— Não me digam que...

— Sim— Namjoon respondeu. – Nós vamos nos casar.

Namjoon e Hyejin tiveram rolos a vida toda, acho que desde a adolescência, mas só foram assumir um relacionamento há uns dois anos atrás, antes disso eles apenas fingiam ser apenas bons amigos. E agora, bem ali, naquele restaurante vazio, eu me encontrava com os dois noivos. Era surreal.

— Hyung...— O encarei sem saber o que dizer direito.

— Você é o único que sabe— ele disse.— A cerimônia não vai acontecer ainda, precisamos nos organizar primeiro. Mas... Queremos que você se encarregue dessas "coisas" de flores.

Minha felicidade era tão grande, que só de ouvir ele dizer aquilo, meus olhos brilhavam ao imaginar Namjoon em um terno branco, com muitas, mas muitas Rosas bem vermelhas como destaque em sua cerimônia. Não conseguia enxergar de outra maneira. Ele sabia o quanto essas "coisas" – como ele mesmo se referia – eram significativas para mim.

Nós conversamos um pouco mais e, eles me disseram que já estavam planejando isso há um bom tempo. Ordenaram que eu ficasse de boca fechada e não dissesse nada para Nayeon, pois ela era uma boca grande quando queria e, os dois queriam fazer surpresa para os amigos, família e para quem quer que fossem contar a novidade. Eles decidiram me contar, pois eu era a pessoa mais próxima de Namjoon depois de sua família e, pode-se dizer que nós nos considerávamos irmãos, claro, sempre incluindo Nayeon nisso tudo.

Eu me senti muito feliz por eles, pois sabia o quão forte eram seus sentimentos um pelo outro. Gostaria que as coisas entre mim e Jimin também fossem assim, mas ele era muito "livre", como eu mesmo já havia dito antes e, sem contar que ultimamente ele tem agido um pouco estranho comigo, quieto e distante demais. Às vezes eu pensava que ele só queria me usar para ter uma boa noite de prazer, assim como muitos dos caras que me chamavam para sair antes de eu conhecer Jimin, eu pensava que todo aquele papo de namorados era algo da boca para fora.

— Oi, meu bem — disse ao telefone enquanto caminhava para casa, tinha certeza que logo começaria a chover.

— Oi — ele respondeu seco, achei que fosse cansaço. — Foi ver Namjoon?

— Hmm...— assenti. — Você nem vai acreditar... Ah! Esquece! — Calei a boca antes mesmo de continuar.

Ele pareceu não ligar para o que eu estava "escondendo" dele, nem se importou em perguntar sobre a fofoca. Ele parecia desinteressado.

— Você vem me ver amanhã? — perguntei.

— Talvez — respondeu, outra vez seco. — Onde você está agora?

— Indo para casa.

— É melhor se apressar — ele disse entediado. — A chuva já vai cair.

— Hmm... — resmunguei. — Meu telefone já está quase sem bateria de qualquer forma.

Jimin não disse nada do outro lado da linha, continuou quietinho.

— Amo você — falei soando meloso.

Ele resmungou alguma coisa que eu não entendi e logo depois desligou. Um vento muito forte soprou nesse momento, foi tão forte que senti a poeira bater em meus olhos. Uma chuva inocente começou a cair e, por algum motivo desconhecido, senti um aperto muito grande no peito, uma sensação ruim. Apressei o passo para chegar logo em casa antes que a chuva forte começasse de verdade, mas de nada adiantou, ela começou a engrossar e mesmo que eu corresse muito, ela já havia me pegado.

A sensação ruim, presa em meu peito, não desapareceu. Eu parei embaixo do letreiro de um restaurante japonês próximo a um beco fedorento e sujo, não tive muito o que fazer, pois eu não queria me molhar e, o temporal já havia começado a cair forte pela estrada.

Naquele dia, uma imensa avalanche de agonia invadiu meu peito ao ver o que havia no final daquele beco. Me assustei ao ver que havia uma pessoa caída no chão bem em frente a mureta, ao final daquele beco asqueroso. Mesmo estando muito escuro, eu sabia que era uma pessoa, eu a vi se mexer enquanto estava caída no chão.

— Olá? — gritei bem alto dali do letreiro mesmo. Senti medo quando não recebi resposta alguma. Me aproximei me abrigando na chuva e, ao chegar mais perto, tive certeza de que era uma pessoa.— Tudo bem aí?— Eu tinha muito medo de me aproximar e ser um assaltante, assassino ou coisa assim.

📷

Desta vez, eu tive certeza de que a pessoa havia me ouvido, pois ela tomou um susto e se pressionou contra a parede botando as mãos na cabeça, tentando se proteger de alguma coisa. Percebi que aquilo tudo era medo e, alguma força me empurrou para perto e notei que se tratava de um menino. Murmurava alguma coisa, estava com medo, senti isso. O meu próprio medo desapareceu naquele momento, achei que ele estivesse machucado e me abaixei próximo dele.

— Ei, você está bem?— eu perguntei, mas o barulho da chuva era tão alto, que não tinha certeza se ele havia ouvido.

Ele chorava com as mãos protegendo a cabeça, se arrastando contra a parede como se quisesse atravessá-la. Tentei tocá-lo, mas ele se debateu de medo e gritou.

— Tudo bem, não vou te machucar. — Mas não teve jeito, ele não deixou que eu o tocasse. – Droga! — exclamei baixinho. Puxei do meu bolso, no meio daquela água toda mesmo, meu celular, para pedir por ajuda, chamar a polícia ou coisa assim, mas meu telefone já estava morto.

O garoto continuava no chão e com as mãos na cabeça, não consegui ver o rosto dele por nenhum segundo e, quando um raio caiu próximo de nós, ele deu um grito assustado e se fechou mais ainda em seus próprios braços. Olhei para os lados em busca de alguma alternativa, gritar ou chamar alguém, mas as ruas escuras e o temporal me impediam de pensar direito.

Me abaixei outra vez perto dele e, desta vez, encostei em seu braço e ele me empurrou. O desespero dele era tanto, que me questionei qual era o problema dele. Vi as mãos e os pés descalços dele completamente machucados e cheios de feridas.

— Ei, menino — o chamei com aquela chuva que já me irritava um bocado. — Está tudo bem. Eu só quero ajudar você.

Ele pareceu se acalmar um pouco e, os murmúrios e o choro pesado se foram. Levemente ele foi baixando as mãos da cabeça e me encarou, os cabelos castanhos, compridos e desregulares atrapalhavam a minha e a visão dele.

— Você está machucado? — perguntei. Para mim, ele parecia um adolescente que havia sido espancado e estava com medo, mas mais tarde descobri que não.— Vem, eu te ajudo. — Tentei o tocar mas ele voltou a se proteger.

Eu pensei ter visto no canto de sua boca um machucado, me perguntei o que estava acontecendo com ele, pois parecia que ele estava no meio de uma crise de nervos. Eu não tinha como chamar a polícia, muito menos gritar por ajuda.

— Pode confiar em mim, não vou te machucar. — Sentia estar tentando controlar uma criança, mas com todo aquele medo que ele transparecia, achei que pudesse se tratar de outra coisa. Estendi a mão para ele e esperei que ele me encarasse de novo. — Isso, não precisa ter medo.

Aquele garoto ignorou minha mão e foi logo agarrando meu braço com força. Ele tremia, não sei se de medo ou frio, mas tremia muito.

— Vo-Você consegue levantar? — perguntei com dor no pulso, pois ele me segurava com muita força.

Eu me levantei com cuidado e ele se apoiou em mim para se erguer também, mas não deixou que eu o tocasse e, sempre que eu tentava ele se batia ou choramingava.

— Escuta... Pode me dizer seu nome? — Ele ficou parado em minha frente de cabeça abaixada, com a mão ainda segurando meu pulso com força, não disse nada. — Olha, eu moro aqui perto, quer vir comigo? Eu posso te ajudar a sair dessa chuva — disse.

Comecei a pensar que talvez ele fosse um órfão, ou um mendigo, ou um órfão mendigo e, por isso estava naquela chuva. Me preocupei mais ainda quando vi de novo as feridas em suas mãos e, os pés estavam pior ainda, completamente machucados e cheios de feridas. Ele usava uma blusa comprida e calças de moletom, seu olhar não parava em lugar nenhum e, ele não me olhava nos olhos.

Quando comecei a caminhar, com ele ainda agarrado em mim, percebi que ele mancava, tentei o ajudar de alguma forma, mas não importava o que eu fizesse, se eu tentasse encostar nele, ele resmungava incomodado comigo.

Ao acender a luz da minha casa, pude finalmente ver o rosto dele, mas logo ele tapou com as mãos, incomodado com a luz forte que batia em seus olhos. Eu me aproximei dele, mas ele se encolheu de medo outra vez. Ele encarou a minha sala completamente confuso, olhava curioso para todos os lados. Ele era tão magro, que tive medo de o machucar se encostasse nele.

— Venha comigo — falei e, percebi que ele ainda estava incomodado com a luz.

Ele me seguiu e quando entramos no banheiro, completamente molhados, ele finalmente me encarou, mas os fios compridos em seu rosto o protegiam.

— Você pode me dizer seu nome agora? — perguntei ao perceber que ele estava mais calmo e menos arisco.

Ele encarou o chão e começou a esfregar as mãos uma na outra repetitivamente.

— Tome um banho — eu disse, percebendo que ele não me responderia minha pergunta.

O vi balançar a cabeça bem rápido, respingando água por todo canto. Suas roupas velhas o deixavam realmente parecendo um mendigo. Ele negou com a cabeça outra vez e, eu estranhei a ação dele, me perguntando o que havia de errado.

— Você está todo sujo — falei. — Precisa de um banho.

Outra vez o vi negar, mas não estava entendendo o que ele queria dizer.

— Você não quer? — Ele não respondeu dessa vez. — Não sabe? — perguntei achando que fosse improvável que ele não soubesse.

Eu deveria estar ficando louco, ninguém trás um desconhecido para dentro de casa, ainda mais um estranho como ele. Me impressionei ao receber o "sim" dele com a cabeça, e minhas sobrancelhas se arquearam confuso pela resposta. Como ele não sabia tomar banho?

— Você só precisa tirar suas roupas e se limpar embaixo do chuveiro. — Abri o box e liguei o chuveiro numa água morna. – Vê?

Ele pareceu não entender o que eu disse, por isso, me aproximei dele outra vez e falei:

— Você só precisa tirar suas roupas. — Puxei a barra de sua camiseta e outra vez ele começou a se debater. — Calma.

Ele se abaixou ao chão e outra vez pôs as mãos na cabeça e começou a tremer e balançar a cabeça negativamente. Ele estava com medo. Passou a puxar os próprios cabelos bem forte e, nesse momento, eu não sabia o que fazer.

— Calma... — falei outra vez me abaixando. — Não vou machucar você.

As mãos dele estavam tão feias quanto seus pés, aquilo estava me assustando e, sem contar do pequeno machucado em seu rosto. De onde aquele garoto saiu?

— Olha... Se você tomar um banho... Eu posso te dar roupas novas e... — Pensei rápido em comida, pois a julgar sua aparência, ele parecia um morador de rua, então era provável que estivesse com fome. — E eu posso te dar algo para comer, o que você acha?

Ele levantou a cabeça e me encarou desconfiado de que eu estivesse mentindo.

— É sério... Você gosta de sanduíches? Posso preparar um quando seu banho acabar. O que me diz?

Ele se levantou e apontou para o chuveiro, eu assenti com a cabeça lhe dando espaço. Quando percebi, ele estava entrando no box de roupa e tudo.

— Você precisa tirar suas roupas — disse. — Não pode tomar banho com elas.

Ele ficou ao lado do chuveiro apenas me encarando sem saber o que fazer.

— Eu posso te ajudar se quiser. — Ele fez uma carinha pidona e inocente, que eu pensei ser uma armadilha, pois no momento em que eu tentasse encostar nele, sabia que ele iria choramingar, mas não...— Você pode erguer os braços? — pedi e ele me obedeceu.

Quando eu finalmente consegui tirar aquela blusa molhada dele, vi seu corpo magro e completamente machucado, onde quer que eu olhasse eu via um tom diferente em sua pele, tanto em vermelho quanto em tons de roxo.

— O que aconteceu com você? — perguntei agoniado ao ver os machucados.

Ele parecia apreensivo e nervoso, mas o que me preocupou de verdade, eram aqueles machucados, um em especial, no seu braço direito, que era uma cicatriz enorme, como um corte bem profundo. Presumi que fosse uma cicatriz antiga, apenas pela maneira como ela já estava, mas me perguntei como alguém poderia se machucar daquele jeito.

Eu me abaixei para o ajudar a tirar as calças, mas quando segurei em sua cintura, ele começou a chorar e a balançar a cabeça. Diferente das outras vezes, dessa vez ele não me bateu e nem começou a se debater ou se machucar em resposta ao meu toque. Ele só simplesmente começou a chorar agonizando por alguma coisa. Ele tentava sair dali, mas era como se tivesse medo de que se saísse eu o machucasse. Ele negava com a cabeça enquanto chorava, me pedindo desesperadamente em silêncio para que eu não o machucasse, ele não falava, mas eu entendi que ele estava implorando, mas o machucar era uma coisa que eu não faria de jeito nenhum.

— Ei, calma, está tudo bem. — Eu tirei as mãos dele. — Eu só vou tirar para você tomar um banho, prometo que não vou te machucar.

Ao botar de novo as mãos em sua cintura, ele voltou a chorar, mas mesmo que ele estivesse chorando, eu as puxei para baixo, mas não cheguei a tirar totalmente, isso o fez chorar mais ainda. Talvez o que eu fiz naquele momento, tenha sido errado ou estranho, pois ele podia simplesmente me empurrar, ou me bater como havia feito antes na chuva, mas ele não o fez. Me levantei ligeiro ao ver o desespero dele e, com isso, ele protegeu o rosto com suas mãos, com medo que eu o machucasse.

Ele balançava a cabeça sem parar e tremia muito, dessa vez eu sabia que não era de frio e sim de medo. Ele se virou para proteger o rosto, e quando ele mostrou suas costas, minhas mãos foram parar na boca em choque com o que eu vi. Meu estômago se revirou e eu senti vontade de vomitar.

Nas costas dele, haviam muitas cicatrizes, eram tantas, que eu nem pude parar para contar. Algumas já desapareciam, mas haviam duas em específico que me deixaram mais em choque ainda, estavam bem ali, em um formato de X imperfeito, mas muito grandes e profundas. Aquele garoto provavelmente havia sido chicoteado ou algo assim, pois as marcas eram tão grandes e assustadoras, que me fez virar para o lado na privada e vomitar.

Eu não sabia quem aquele menino era. Muito menos por quais problemas ele havia passado. Mas aquele caso era algo que eu não podia ignorar, eu deveria chamar a polícia, pois apenas quando eu vi as marcas em seu corpo, eu percebi que ele não era um morador de rua e muito menos um órfão. Percebi isso quando ele implorava silenciosamente em seu choro para que eu não o machucasse, mesmo que ele não tivesse falado absolutamente nada, percebi que ele estava morrendo de medo que eu o machucasse.

Ouvir aquele menino chorar foi doloroso. Senti o medo dele na minha própria pele, saindo por minha garganta naquele vômito espontâneo, apenas por ver seus machucados embaixo de suas roupas. Eu não sabia ainda, mas ele era alguém que precisava de mim... Era alguém que implorava para ser salvo, mas em silêncio. Ele era alguém além das Auroras, ele era um desconhecido. Era um mistério, assim como as próprias Auroras Boreais já haviam sido.

Nunca pensei que veria olhos brilhando de tanto medo. Foi como ver as flores mortas em minha floricultura, mas dez vezes pior. Foi pior do que ter que as jogar fora, amontoadas e mortas. Foi pior porque haviam lágrimas junto das flores... Flores que apenas eu imaginei cobrindo seus machucados. Não sabia seu nome, mas parando agora para pensar, ele não combinava com as Auroras naquele momento. Definitivamente as Auroras só eram uma metáfora de uma vida sofrida.

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8 мая 2021 г. 16:20:17 0 Отчет Добавить Подписаться
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